Notas iniciais
Espero que gostem!

Era o grande dia. O dia em que abriram os portões, a festa mais esperada por toda Arendelle nos último dois anos, mas sua Soberana não estava nem um pouco animada. Elsa estava uma pilha de nervos, nem mesmo Asle poderia amenizar a situação. A Rainha tinha certeza que algo de ruim iria acontecer, ela sentia em cada um de seus ossos o pressentimento de que o tal Dono das Trevas ia finalmente sair das sombras e não importava o quanto ela pensasse, não conseguia achar uma solução perfeita para esse problema iminente.

— Elsa! — Asle a chamou da porta do gabinete.

— Eu estou pronta.- respondeu tentando se convencer de que isso era verdade, enquanto acompanhava o namorado.

— Elsa, você esta com medo? — Asle já sabia a resposta.

— Muito. — ela não tinha como mentir, o medo estava estampado em seu rosto.

— Vai ficar tudo bem, meu amor.

— É hoje. — Asle sabia bem ao que ela estava se referindo.

— Como você pode saber?

— Eu sinto. — Asle leu o pavor em seus olhos, fazendo seu estômago se contrair.

— Não importa! Se ele aparecer, nós vamos acabar com ele. — sua confiança trouxe a Elsa um pouco de esperança.

— Eu espero que sim.

Arendelle alheia a todo o perigo que corria, estava em festa! O grande ringe de patinação estava lotado, bandeiras e enfeites espalhados pelas ruas e sorrisos espontâneos em todos os lábios. Pessoas de todo o reino chegavam para a festa no pátio do castelo, além de nobres e plebeus de outros reinos que visitavam Arendelle. Todos presentes esperavam ansiosos pela aparição da Rainha, que daria oficialmente início as festividades.

Elsa surgiu do interior do castelo, andando em direção ao centro do pátio, acompanhada de perto por Asle, que tentava ao máximo parecer um guarda real e não um namorado preocupado e tontamente apaixonado, que era como ele se sentia no momento.

— Povo de Arendelle e visitantes! — o som imponente da voz de Elsa soou alto fazendo todos se calarem para ouvi-la. — Eu a Rainha Elsa de Arendelle agradeço a presença de todos vocês. E declaro oficialmente o início das comemorações do Dia em que abriram os portões. — ela declarou por fim fazendo com que todos os presentes aplaudissem e comemorassem entusiasmados.

— Eu ainda acho esse nome idiota. — implicou Asle alguns segundos depois do pronunciamento de Elsa.

— É um nome objetivo e é isso que importa. — respondeu voltando sua atenção a ele.

— Vossa Majestade! — um rapaz de cabelos até os ombros, vestido de forma peculiar e com desenhos irregulares no braço em azul, se aproximou cumprimentando Elsa.

— Lord Macintosh. — Elsa respondeu com um aceno de cabeça.

— Gostaria de parabenizá-la pelo lindo reino e a maravilhosa festa. — falou tentando parecer galanteador.

— Muito obrigada, não só pelos elogios como pela presença. — respondeu educada, mas tentando deixar claro a distância entre os dois.

— Não há motivos para agradecer minha presença. A gratidão é toda minha por poder contemplar sua beleza, Majestade. — sua tentativa de flerte era descarada.

Os olhos de Elsa se abriram mais, demonstrando surpresa com a ousadia do Lord e Asle apenas abafou uma risada de desdenhe. A Rainha olhou de soslaio para o namorado, que não parecia enciumado e logo concluiu que ele era confiante demais para sentir ciúmes daquilo.

— E se me permite. Gostaria de ter o prazer de dançar com Vossa Majestade no baile. — o Lord continuou.

— Por que não? — respondeu com naturalidade, sentindo a temperatura de Asle subir ao seu lado.

— Não sabe a alegria que sinto com essa resposta. — o Lord sorriu satisfeito.

— Será uma honra dançar com um nobre do reino tão brilhantemente comandado pela Rainha Merida. — o sorriso de Macintosh se desfez ao ouvir o nome de Merida, ele tinha apoiado sua ascensão ao trono, mas ser lembrando que era governado por aquela mulher ainda o incomodava.

— A honra será minha, Majestade. Agora a deixarei em paz para cumprimentar os outros convidados. Até a noite! — se despediu ainda sem o sorriso animado de antes.

— Eu não acredito que aceitou dançar com aquele esquisito. Não era você quem não dançava? — Asle falou com expressão de desprezo, vendo Lord Macintosh se afastar.

— Ciúmes? — provocou.

— A ciumenta é você, Vossa Majestade. Eu só acho isso uma perda de tempo. — rebateu sem o mesmo sinal de irritação que Elsa sentia quando estava com ciúmes.

— De vez em quando é bom perde tempo. E ele pode ser esquisito, mas é bem bonito. — provocou mais uma vezes, obtendo um pouco mais de sucesso na tentativa de enciumá-lo.

— Mas eu sou bem mais bonito. — respondeu deixando sua confiança vencer o ciúme.

— Não posso descorda. — respondeu sorrindo.

— E por favor, não fique me provocando aqui na frente de todos. Eu posso perde a cabeça e beijá-la aqui mesmo. — pediu sem olhar para Elsa.

— Eu duvido? — respondeu de forma arrogante.

— Vossa Majestade! — uma voz interrompeu os dois, impedindo que Asle fizesse algo.

— Julian. — Elsa reconheceu o rapaz, que se aproximava junto a uma moça que parecia ser uma cidadã de Arendelle.

— É muito bom revê-la, Majestade. E a você também, meu amigo. — falou sorrindo antes de dar um breve abraço em Asle.

— O que está achando de sua estadia em Arendelle? — Elsa questionou realmente interessada em saber como Julian havia se adaptado.

— Ótima! Melhor impossível! E se Vossa Majestade me permitir, eu gostaria de me estabelecer permanentemente em seu reino. — respondeu segurando a mão da moça ao seu lado, que sorriu para ele com admiração.

— E essa vontade de permanecer aqui, tem algo a ver com essa linda jovem ao seu lado? — a Rainha perguntou com simpática.

— Absolutamente. Além de ter me apaixonado pelo seu reino, Ada roubou meu coração com um só olhar e nós vamos nos casar.

— Casar? Mas vocês se conhecem a um mês, não é? — Elsa perguntou surpresa.

— Vossa Majestade, nós nos apaixonamos na primeira vez que nos vimos, meu pai já o ama e foi totalmente a favor do nosso casamento. — Ada respondeu com o sorriso fixo no rosto.

— Pois é, Vossa Majestade. Existem pessoas que não tem medo de amar e não precisam de tempo para aceitar a felicidade. — Asle comentou deixando claro que não se referia a Julian e Ada.

— Bem, não há motivos para me opor a felicidade de vocês. Julian, você é oficialmente um cidadão de Arendelle. — informou ignorando a provocação do namorado.

— Muito obrigada, Majestade. — o ilhéu agradeceu abraçando rapidamente sua noiva.

Durante a conversa o céu azul começou a ser tomado por uma névoa escura, chamando a atenção de todos os presentes.

— O que é isso? — Elsa perguntou a ninguém em especial olhando para o céu, agora completamente tomado pela névoa.

— Eu, Majestade. Me perdoe por essa invasão repentina, mas eu precisava fazer uma visitinha ao seu reino. — um ser encapuzado respondeu do meio da multidão, que se afastou assustada ao som da voz desconhecida, o deixando em destaque.

— Quem é você? — Elsa tentou não parecer tão apavorada quanto realmente estava.

— Que falta de educação a minha. Deixa eu tirar o capuz. — respondeu exibindo seu rosto, cabelos e costeletas inconfundíveis.

— Hans! — Elsa não podia acreditar.

— Eu mesmo, mas pode me chamar de Dono das Trevas se preferir. Porém, eu assumo que achei esse nome meio bobo. Rei das Trevas ficaria melhor. Isso! Rei das Trevas, me chame de Rei das Trevas.

— Eu prefiro te chamar de maluco derrotado. — Asle se meteu sem medo.

— Você! — exclamou apontando para Asle. — Você é a outra metade do selo, era você mesmo quem eu estava procurando. — Hans sorriu de forma cruel.

— É mesmo? Por que o interesse? Vou logo avisando que sou comprometido. — respondeu com sua ironia habitual.

— Claro que é. Não é mesmo, Elsa? — Hans se direcionou a Rainha, que pode ver em seu olhos que ele sabia de toda sua relação com Asle.

— Como você sabe? — perguntou fazendo a neve começar a cair com velocidade.

— Quando fui sugado pela urna me foi revelado tudo sobre os Oposto Perfeitos e isso incluía a atração irresistível entre eles. — respondeu com um olhar malicioso.

— E desde quando isso é da sua conta? — Asle rebateu.

— Elsa, da mesma forma que sei sobre vocês... sei que eu preciso matar apenas um de vocês. — informou, ignorando Asle.

— Você não vai matar nenhum de nós! — Asle gritou.

— Onde você quer chegar com isso? — Elsa questionou sabendo que havia algo a mais.

— Eu já tentei te matar, mas hoje eu vejo que isso foi um grande erro. Foi um erro, porque você é uma rainha de verdade, linda, inteligente, poderosa e pude ver em primeira mão que há escuridão em você, um lado sombrio, forte e pronto para se revelar. — Elsa não podia acreditar no que ele estava querendo dizer. — Eu como Rei da Trevas vou precisar de uma rainha. E eu pensei, por que não você?

— Você só pode estar brincando! — Asle se manifestou com as roupas começando a pegar fogo.

— Se você me entregar o cabeça quente ao seu lado e aceitar ser minha rainha, eu deixaria Arendelle em paz e nenhum mal se abateria sobre seu reino. — mesmo que Elsa acredita-se em Hans ela nunca faria isso.

— Jamais! — Elsa gritou liberando seu poder em direção a ele, ao mesmo tempo em que Asle entrava em chamas e fazia o mesmo.

Hans criou uma espécie de cortina de fumaça e desapareceu no ar, reaparecendo atrás de Elsa. O ex príncipe tentou agarra a Rainha pelos braços, mas a baixa temperatura dela queimou suas mãos no contato.

— Gelo também queima. — Elsa falou satisfeita tentando novamente atacá-lo, mas ele foi rápido e desapareceu novamente.

— E isso aqui? — Hans questionou reaparecendo com Anna presa entre o seu corpo e sua espada, a mesma espada com que ele tentara matar Elsa. — Queima?

— Larga ela? — Elsa rosnou fazendo a neve cobrir todo chão.

— Largo se você vier comigo. — respondeu com a espada mais próxima ao pescoço da princesa.

— Não faz isso, Elsa! — Anna implorou sabendo o que se passava pela cabeça da irmã.

— Eu vou. — respondeu controlando a manifestação dos seus poderes e voltando a temperatura normal.

— Nem pense nisso! — Asle gritou, mas a decisão já estava tomada.

— Ótima escolha! — Hans sorriu soltando Anna e indo até Elsa, antes de sumir com ela em uma cortina de fumaça.

— Não! — Asle gritou lançando seu corpo em chamas no espaço vazio que a pouco era ocupado por sua amada.

Notas finais
PS: A referência a Valente é inspirada na série Once Upon a Time e não ao filme em si.