Notas iniciais
Espero que gostem!

Já havia se passado duas semanas desde a visita ao senhor Halvard e todo o clima que acontecera no Gabinete Real. Algumas coisas haviam mudado, não as brigas e implicâncias, isso continuava na mesma, talvez um pouco pior. O que tinha realmente mudado eram os olhares, as sensações e as vontades.

Era mais claro do que a própria luz do dia a admiração que Asle nutria por Elsa, ele nunca havia conhecido uma rainha tão boa quanto ela, boa em todos os sentidos. Nos últimos dias eles haviam se tornado mais íntimos, Elsa já não se importava com a necessidade de Asle em torcar seus braços ou suas mãos quando estava falando e queria sua atenção, ou com a mania que ele tinha de segurá-la pelos ombros quando percebia seu nervosismo, pelo contrario, ela ansiava pelos momentos em que o calor dele se chocava contra sua estrutura de gelo.

Asle já amava seu novo trabalho, ele não era mais só o guarda pessoal da Rainha, o rapaz havia se torna de maneira informal o conselheiro de Elsa. Mesmo que ela nunca admitisse e agisse como se não precisasse dele, ele era o responsável pelas novas ideias implantadas na Guarda Real, ideias essas que permitiram uma maior agilidade e eficiência no serviço, o que foi notado em uma semana.

Era evidente o talento de Asle para cuidar da segurança e bem estar do reino no que tangia as funções militares, ele tinha nascido para isso, ele por si só transpirava segurança, coisa que havia percebido que apesar da armadura de gelo, Elsa não era capaz. Mesmo sendo a melhor rainha que Arendelle podia ter, Elsa ainda tinha medo de cair. E mesmo sem dom para nenhuma outra função que não fosse militar e que principalmente fosse econômica, Asle tentava de tudo para ajudar, mesmo que fosse só segurar ombros de sua Rainha.

Elsa estava sentada a mesa tomando café da manhã enquanto repassava em sua mente as duas semanas com Asle, ela lembrava do dia seguinte a primeira vez que ele a tocou e como ela se sentia tímida em olhá-lo nos olhos. Naquele dia haviam lhe trazido problemas administrativos com a guarda do leste e Asle se prontificou em ajudá-la, eles passaram o dia todo no gabinete pensando em soluções e foi nesse dia que ele começou a demonstrar sua mania de tocar seu braço enquanto falava.

Elsa lembrou também de 5 dias atrás, quando ela e ele ficaram mais uma vez trancados o dia inteiro no gabinete resolvendo agora um problema econômico, uma situação que fazia Asle se sentir inútil, mas o simples fato dele estar ali com as mãos em seus ombros já era ajuda o suficiente.

E como esquecer o dia de ontem? Quando foram a biblioteca fazer uma pesquisa e a poeira dos livros atacou a alergia de Asle, fazendo ele literalmente soltar fogo pelas ventas. Elsa riu sozinha lembrando dessa última.

— Elsa! Eu não acredito que você não esta me ouvindo! — Anna esbravejou chamando a atenção da irmã.

— Há quanto tempo você esta ai? — questionou assustada com a presença da ruiva.

— Eu estou há 5 minutos falando com você. E você nem viu que eu estava aqui! — Anna só faltava bater em Elsa de tão irritada, a gravidez a tinha deixado irritadiça e ser ignorada pela irmã era algo que Anna nunca ia se acostumar.

— Desculpa Anna. É que eu estava com a cabeça em outro lugar.

— Claro. No seu guarda pessoal. — respondeu com naturalidade.

— O que?! — Elsa não podia acreditar naquele comentário.

— É tão óbvio. Vocês estão sempre juntos e quando não estão brigando e se alfinetando, estão sorrindo um para outro como dois idiotas. E quando vocês dois ficam olhando um para outro enquanto o outro não esta vendo. Por favor! Me dá vontade de mandar procurar um quarto.

— Anna! — a vontade de Elsa era de ser engolida pelo chão de tanta vergonha.

— Quando você resolver sua situação com o bonitão, eu volto a falar com você. — a ruiva concluiu se retirando da sala.

— Anna! Volta aqui.

— Aconteceu algum problema? — Asle questionou se aproximando de Elsa que havia sido ignorada pela irmã.

— Não. Deve ser a gravidez que esta deixando ela meio louca. — respondeu rápido tentado disfarça o constrangimento.

— Ou o simples fato dela ser mulher. — completou sorrindo.

— Quando eu penso que você não pode piorar, você vai lá e me surpreende. — rebateu de cara fechada.

— Você sabe que estou apenas brincando, Majestade.

— Você esta como sempre apenas me irritando.

— Óbvio! Senão, não seria eu. E isso a deixaria inconsolável. — concluiu piscando.

— Você é muito convencido, exibido e petulante.

— E você é muito certinha, chata e contida, a última característica menos comigo, é claro. Mas mesmo comigo isso podia melhorar. Você não deveria ter medo de demonstrar aquilo que deseja.

— Eu não preciso dos seus conselhos baratos. Eu só preciso que você tome café da manhã e venha comigo até o palácio de gelo.

— Conselhos baratos. — murmurou irritado. — Como desejar, Majestade. — concluiu se sentando a mesa.

xxx

— Hoje você vai pode ver toda a extensão do meu poder, pelo menos a parte que eu conheço. — Elsa informou Asle já próximos do castelo de gelo, mas ainda de um lugar onde ele não poderia ser visto.

— Depois eu que sou o convencido. “Toda a extensão do meu poder.” — reclamou Asle.

— Não seja irritante. Eu não falei nesse sentido, eu só queria te mostrar uma parte do meu poder que eu gosto muito. — rebateu tentando não demonstrar o quanto havia ficado chateada, mas Asle percebeu.

— Desculpa.

— Acho que essa é a palavra que você mais fala pra mim.

— Não chega a ser tanto. — se defendeu sorrindo antes de segurar a mão de Elsa para prosseguir. — É que eu sou impulsivo, falo antes de pensar. Diferente de você que parece escolher cuidadosamente que palavras a usar, mesmo quando é para me irritar, ou melhor, principalmente quando é pra me irritar.

— Somos perfeitos opostos. — conclui olhando para suas mãos unidas que mostravam o grande contraste entre a cor de suas peles.

— Opostos perfeitos. — concordou se aproximando mais de Elsa com os olhos focados nos seus.

Elsa sentiu um arrepio ao notar aqueles olhos tão intensos nos seus, ela não podia lidar com isso, por isso o puxou pela mão de volta ao caminho do castelo sem falar mais nada.

— Minha nossa! Isso é incrível. — Asle exclamou encantado ao ver o castelo feito pela Rainha.

— Você ainda não viu nada. — Elsa sorriu feito uma criança, mas continuo andar de sua forma elegante e contida sem demonstrar toda animação que sentia.

Asle não estava nenhum pouco preocupado em conter sua animação, ele estava empolgado e ansioso para ver mais. Ele queria poder entender e apreciar cada maravilha que Elsa podia criar. Como se fosse possível, o jovem estava ainda mais encantado pela Rainha do que antes.

— Não se assuste. — Elsa sinalizou ao terminarem de subir as escadas.

— Com o que? — antes que Elsa pudesse responder a resposta apareceu.

O gigante de gelo surgiu na frente deles saído do castelo. O monstro encarou Asle que não sabia se corria, tentava derretê-lo, ou simplesmente ficava ali desnorteado com aquela criatura colossal de aparência nada agradável.

— Ele vai me matar. — Asle afirmou pronto para entrar em chamas.

— Mama? — a criatura balbuciou como se pedisse autorização.

— Fiquem calmos. Marshmallow esse é Asle, um amigo. — Marshmallow recuou e esboçou um sorriso que Asle não conseguiu acreditar.

— Você o criou?

— Sim, ele surgiu como uma reação involuntária de segurança e hoje protege o castelo.

— Isso é inacreditável. — o estrangeiro não conseguia acreditar em seus olhos.

— Falou o cara que fica em chamas.

— Eu fico em chamas, mas nunca construí um castelo de gelo ou uma criatura.

— Mas deve fazer outras coisas impressionantes.

— Eu consigo voar.

— Viu? — Elsa falou defendendo seu ponto, só depois percebendo o que Asle havia falado. — Voar? Como os pássaros? — questionou incrédula.

O rosto descrente de Elsa indicava um desafio para Asle. Ele apenas sorriu de lado e sem responde suas perguntas, se jogou da plataforma do castelo. Elsa sentiu seu coração cair junto com Asle, uma onda de desespero se apossou dela, mas antes de qualquer reação, Asle ressurgiu voando impulsionado pelo fogo que queimava de suas mãos em direção ao solo.

— Você quase me matou de susto! — Elsa gritou com raiva e alívio.

— Você não acreditou quando eu falei. — respondeu ao voltar para a entrada do castelo com os pés no chão.

— Mas precisava se jogar assim?

— Se eu tomasse impulso daqui poderia derreter a plataforma. — respondeu com o sorriso largo de felicidade pela preocupação da Rainha.

— Mesmo assim você poderia ter avisado, sei lá. Só não faça algo assim de novo.

— Calma. Eu estou aqui. — tentou tranquilizá-la tomando a mão dela entre as suas e a olhando daquele jeito que a derretia por dentro.

— Eu sei. — ela quase sussurrou.

Quando ele a olhava assim algo dentro dela se movia, era uma sensação de calor que ela não conseguia descrever o quão bom era.

— Vamos entrar. — a Rainha ordenou se libertando de seu torpor e puxando Asle para dentro.

Assim que eles entram Asle teve outra surpresa, havia dezenas de pequenos bonecos de neve espalhados, com um maior de nariz de cenoura no meio. Isso já podia ser bastante incomum para Asle, mas obviamente o que mais o assustava era o fato deles terem vida.

— Elsa! — falou contente o maior deles indo até a Rainha que se agachou para abraçá-lo.

— Olaf! Eu estava com saudades. — falou voltando a posição normal.

— Eu também. Tem tanta coisa legal acontecendo aqui no castelo. Eu estou ensinando os meus irmãozinhos a cantarem várias músicas. O Marshmallow ama o nosso coral. E quem é esse burrinho estranho com você? — Olaf começou a falar do seu jeito empolgado.

— Burrinho estranho? — Asle questionou realmente ofendido, fazendo Elsa ri.

— Esse é o Asle meu novo guarda.

— Olá! Eu sou o Olaf e adoro abraços quentinhos. — falou se dirigindo a Asle.

— Abraços quentinhos. — Asle falou com um sorriso sugestivo.

— Asle, nem pense nisso. — Elsa o repreendeu seria.

— Eu não fiz nada. — respondeu com falsa inocência.

— Mas pensou.

— Elsa, você agora ler mentes? — Olaf perguntou com real inocência.

— Não.

— Então como sabe o que ele pensou?

— Estou começando a gostar desse boneco de neve. — falou Asle.

— Eu apenas o conheço bem. — respondeu lançando seu costumeiro olhar de reprovação para o estrangeiro.

— Ah, entendi. Você quer ouvir o nosso coral?

— Sim.

— Não. — Elsa e Asle responderam juntos, mas o sim de Elsa prevaleceu .

Os bonecos de neve cantaram algumas músicas como um belo e entrosado coral, Asle acabou gostando da cantoria e pedindo mais até os bonequinhos se cansarem, após isso Elsa o levou até o andar de cima para que ele pudesse ver o reino através da sacada. Uma visão de tirar o fôlego que deixou Asle ainda mais apaixonado por aquele lugar.

— Minha Rainha, não tem como não se apaixonar por Arendelle. Se você me permitir eu ficarei aqui para sempre. — Asle falou sem tirar olhos da vista e Elsa sentiu uma pontada de alegria ao escutar sua confissão.

— Isso só depende de você.

— Só depende de mim? — falou voltando seu olhar a Rainha.

— Sim, se você se comporta bem eu irei permite sua permanecia aqui. — como Asle odiava o jeito como Elsa parecia dona de tudo e ele parecia não ter controle nem sobre sua própria vida.

— Eu me comporto muito bem ao contrário de você, Vossa Majestade.

— De mim? Não fui eu quem usei um trauma de família para ofender alguém.

— Eu pensei que você já tivesse me perdoado.

— Eu perdoei só não esqueci.

— Você é uma rancorosa.

— Não sou rancorosa, só costumo me proteger de idiotas como você.

— Eu só não te respondo a altura, porque sou um cavalheiro.

— Você só não me responde a altura, porque é um medroso.

— Retire o que falou agora. — lá estavam os seus olhos flamejantes.

— E se eu não retirar, vai fazer o que? — e lá estavam os seus olhos de gelo.

— Isso. — e mais rápido do que Elsa pode pensar Asle a beijou.