Opostos Perfeitos
26 Capítulo 27
Notas iniciais
— Segura firme, Elsa. — Asle pediu ajeitando o corpo da noiva em suas costas.
— Eu não acredito que estou fazendo isso. — respirou fundo prendendo as pernas com firmeza no quadril do estrangeiro.
— Se você tá com medo podemos ir a cavalo. Eu realmente gosto dessa posição, mas preferia que você tivesse na minha frente e não nas minhas costas. — brincou mesmo com todo clima de tensão.
— Asle! Não é hora para gracinhas! E temos que ir o mais rápido possível. Vamos logo, pode levantar voo. — respondeu severa, porém sem afastar o medo de voar.
— Seu desejo é uma ordem. — sem demora o Príncipe levantou voo.
Mesmo na escuridão da noite Arendelle de cima era uma bela visão, apesar disso não era hora de contemplar a paisagem. Asle se concentrava ao máximo para não perde a estabilidade, ele já estava muito acostumado a voar, porém com um peso a mais a tarefa que já não era simples se tornava ainda mais complicada, equilibrar o peso de Elsa e a falta de mobilidade plena por tê-la tão próxima era algo muito complicado e como se não fosse o bastante, ter Elsa tão perto ao alcance de suas mãos cálidas era quase torturante. E Elsa tentava ao máximo não olhar para baixo e controlar o medo de estar cruzando os ares.
— Elsa, você pode continuar a segurar firme, mas afrouxa um pouco as pernas. — pediu com os olhos fixos no cenário a baixo.
— Estou te machucando? — perguntou preocupada.
— Não, mas você já estar tão colada, a sua coxa contra o meu quadril e sua perna tão perto de minhas áreas sensíveis está me desconcentrando.
— Asle! Por favor, isso não é hora.
— Eu sei! Por isso que estou te pedindo isso.
— Só se concentra, Asle. Se concentra!
— Ok.
Elsa arriscou olhar para baixo tentado localizar Louis entre as montanhas cada vez mais próximas, seu olhar atento e temeroso varria os montes que já assumiam a coloração branca, até se fixarem nas montanhas que nunca perdiam o aspecto alvo provocado pela neve, as montanhas mais afastadas do reino. E entre a neve que cobria a montanha olhos atentos como os da Rainha podiam notar algo se mexendo em direção a base da montanha.
— Louis! Ele está lá! — Elsa gritou chamando atenção de Asle.
— Onde? — questionou acelerando.
— Nas montanhas mais distantes do reino.
— Vamos pegá-lo.
Asle mergulhou em direção as montanhas com velocidade e Louis como se percebesse a aproximação se soltou das cordas e ganchos, se permitindo cair com o intuito de chegar mais rápido a caverna, a queda foi brusca o suficiente para deixá-lo machucado e dolorido. Contudo, Louis não ia se deixar parar por uma queda, a voz em sua cabeça nunca esteve tão alta, tão urgente, ele tinha que ir até a urna, e em um movimento rápido se levantou do chão e entrou na caverna, mas antes que pudesse tocar a urna e ser sugado pelas trevas, Elsa e Asle aterrizaram a tempo de detê-lo.
— Louis, por favor! Não faça isso! — Elsa gritou suplicante o fazendo recua já agachado diante da urna.
— É tarde demais! — respondeu como se o Louis que Elsa conhecera não existisse mais.
— Não, não é tarde. Eu sei que você não é uma pessoa ruim. Você não precisa fazer isso. — a Rainha falou tentando se aproximar, mas Louis se voltou para urna pronto para tocá-la.
— Sim, eu preciso. — seus dedos estavam centímetros da superfície.
— Antes que você encoste nisso eu te transformo em cinzas. — Asle sinalizou sério.
— Bem que você quer fazer isso, principezinho. O interessante é que eu não sei se você quer me matar por precaução ou por ciúmes. — Louis sorriu irônico e provocador, mas afastou a mão da urna.
— Se eu realmente precisasse ter ciúmes de você não estaríamos aqui, correto? Porque se eu tivesse motivos para ter ciúmes, você teria chances com Elsa e nós sabemos bem que você não tem chances. Afinal, se você tivesse chances não teria um coração desesperado e solitário. — Asle rebateu de forma insensível.
— Asle, sai daqui! — Elsa exigiu irritada.
— Você está louca? É claro que não. — respondeu como se seu pedido fosse absurdo.
— Asle, confie em mim. — a Rainha pediu olhando nos olhos do seu noivo. — Me espere do lado de fora da caverna e ilumine o local, por favor.
— Está com medo que ela não consiga se proteger? Acredite ela consegue lidar com isso melhor que você, nós dois sabemos bem quem é que gosta de fugir das responsabilidades e sumir por um tempo. — Louis tentou rebater a provocação de Asle.
— Se está insinuando que eu sou um covarde, saiba que o único covarde aqui é você. — o Príncipe respondeu caindo na pilha de Louis.
— Asle, por favor! Sai! — ela podia ter usado o “por favor”, mas aquilo era uma ordem.
— Fica tranquilo fogareiro, qualquer coisa ela me congela. Ou a sua preocupação é que ela resolva me dar uma chance? — o guarda normalmente não provocaria alguém dessa maneira, mas a urna a cada segundo fazia mais efeito sobre ele.
— Ela nunca ficaria… — Asle se deteve ao notar os olhos penetrantes de Elsa sobre os seus, e só então percebeu o quanto aquilo estava sendo uma guerra de egos para ele, fazendo com que se desviasse do verdadeiro propósito de estar ali.
— Eu nunca te congelaria, Louis. E Asle acho que está na hora de atender meu pedido, só confie em mim. — Elsa falou com uma tranquilidade que não era real.
— Te espero lá fora. — Asle falou por fim, saindo da caverna.
Elsa respirou pausadamente tentando se convencer de que tudo ficaria bem, voltou o seu olhar de forma cautelosa para Louis e se agachou diante dele se aproximando.
— É melhor se afastar, Elsa! Se não eu toco essa urna sem hesitar. — Louis ameaçou.
— Não, não toca. — respondeu convicta.
— Por que? Mudou de ideia sobre me congelar? — riu sem humor.
— Não, eu já disse que nunca te congelaria. Você é meu amigo, Louis. Meu melhor amigo, talvez o único amigo de verdade, já que tecnicamente não temos a obrigação de sangue de nos dar bem. Você é meu amigo, porque em um momento de solidão você me mostrou que eu podia seguir em frente, você é meu amigo, porque cuidou de mim quando eu mesma não queria cuidar, você é meu amigo, porque você viu além da rainha, você viu a Elsa que poucos conhecem. — a loira abriu seu coração sem rodeios, sem nem mesmo a intenção de fazê-lo mudar de ideia, ela só queria mostrar a ele que realmente eram amigos.
— Isso não é o bastante! Nunca é o bastante! Eu nunca sou o bastante! — Louis gritou e sentiu o seu interior se revoltar, ele estava confuso, se sentia triste e sozinho e sobre a influência da urna, mas ao mesmo tempo não queria decepcionar Elsa.
— Não diga isso.
— Digo! Porque é verdade, não sou o bastante para os meus pais, por isso tiveram um filho que amam mais, nunca fui o bastante para os meu colegas, eles sempre achavam outro mais interessante e esqueciam de mim, nunca fui o bastante para as garotas, sempre muito tímido, elas logo se entediavam. E o pior de tudo, não sou o bastante para você, Elsa. — lágrimas sorrateiras começaram a escorrer pelo rosto bonito, porém claramente sofrido.
— Ai está o seu erro, Louis. Você não tem que ser o bastante para ninguém, você tem que ser o bastante pra você. — Elsa tocou rosto de Louis na intenção de secar suas lágrimas, mas ele se afastou caindo sentado um pouco afastado da urna como uma criança birrenta.
— Eu não entendo o que você está falando. — resmungou irritado sentindo seu conflito interior se intensificar.
— Você realmente não é o bastante pra mim.
Os olhos de Louis se fecharam e seu dentes cerraram como se ele tivesse sido socado com força no estômago, tonto de raiva tentou se levantar para se aproximar da urna, mas Elsa o segurou pelos ombros o mantendo sentado.
— Nem você, nem Asle são o bastante pra mim, ou Anna e minha sobrinha. Ninguém nunca será o bastante pra mim se eu não for o bastante pra mim. Eu sempre amei a minha irmã e ela sempre esteve ao meu alcance, mas até que eu me libertasse dos meus medos e inseguranças não pude ser feliz com ela. Só quando eu me aceitei do jeito que eu sou, só quando eu me amei de verdade e vi valor em mim, pude amar a Anna como eu deveria. Só quando eu me tornei o bastante pra mim, consegui acrescentar outras pessoas na minha vida. — olhos de Louis se abriram diante das palavras de Elsa e a fitaram com admiração e atenção, porém o desespero e a solidão ainda gritavam forte.
— Mas você tem motivos para se amar. E todos tem uma metade que os completam, por que eu também não tenho? — a agressividade havia sumido da sua voz, mas o desespero consumiam seus olhos azuis.
— Você é o homem mais doce que eu conheci, tem motivos de sobra para se amar e isso é verdade porque eu te amo. — Louis sabia que aquilo não significava o que queria, mas mesmo assim era bom de ouvir. — E sobre a metade, isso não existe é só um mito.
— Como pode ser só um mito? E você e Asle?
— Nós nos amamos e realmente fomos feito um para o outro, mas eu sou uma pessoa completa sem ele e ele o mesmo sem mim, aprendi isso após Hans ter me trazido até esse lugar, ele me mostrou como eu poderia viver sem Asle e depois que meu Príncipe foi para Zandara, eu também sobrevivi. E mesmo se ele nunca tivesse voltado, eu poderia viver, porque eu sou uma pessoa completa e só por ser uma pessoa completa posso compartilhar uma vida com ele, sem tornar a vida dele mais pesada por minhas insuficiências. É certo que me sinto mais completa com ele, isso porque ele ressalta e deixa mais bonito aquilo que já existe em mim.
— Você acha que eu posso ser feliz com quem eu sou? — sua pergunta era sincera e seu coração já não era desesperado e nem tão solitário.
— Todos podemos e se não estamos satisfeitos, podemos melhorar e uma hora encontrar alguém que nos torne ainda mais completos do que já somos.
— Eu entendo. — falou mais para si do que para Elsa.
— Esqueça que tivemos aqui, só volte comigo para o castelo e decida ser feliz consigo mesmo. — a Rainha pediu olhando para o amigo com um carinho fraternal.
Louis sacudiu a cabeça positivamente antes de abraçar Elsa com força, sentido a tranquilidade voltar ao seu coração. Ele não estava mais sozinho, ele tinha Elsa como amiga e o mais importante, ele tinha seu amor próprio para conquistar. Elsa afagou os cabelos castanhos do rapaz se sentindo aliviada por fazê-lo desistir de ceder ao mal e por ter seu amigo de volta.
Elsa e Louis se levantaram e saíram da caverna abraçados, Asle não gostou nem um pouco da cena, mas se conteve, ele sabia que o amor de Elsa pertencia a ele e que era um grande alivio Louis não ter cedido as trevas sem nenhuma medida extrema.
— Parece que tudo acabou bem. — o Príncipe comentou tentando não parecer enciumado.
— Desculpa por tudo. Principalmente por ter tentando me meter entre vocês dois. E obrigado por ter confiado nela e não ter me incinerado. — Louis se desculpou e agradeceu se soltando de Elsa e oferecendo a mão para Asle em um gesto de paz.
— Sem problema, no fundo eu sempre soube que você era um cara legal, talvez por isso sentia ciúmes. — confessou apertando a mão de Louis.
— Mas você não tem motivos para ter ciúmes, ela te ama e eu nunca mais me meterei na relação de vocês.
— Isso é maravilhoso, talvez vocês possam se tornar grandes amigos. — Elsa comentou se sentido feliz.
— Com certeza. — Asle respondeu puxando Louis para um abraço que o castanho acabou aceitando mesmo se sentido sem graça.
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