Opostos Perfeitos
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Elsa abriu os olhos, mas teve a impressão de que eles ainda não estavam abertos. O lugar onde ela estava era escuro e úmido e se não fosse por seus poderes ela estaria tremendo de frio. Deitada no chão duro, escutou um som baixo de sussurros que chamou sua atenção.
— Nós vamos conseguir tudo o que queremos, Klaus. E o primeiro lugar que eu vou destruir será o castelo real das Ilhas do Sul, só sobrará pó daquele lugar e depois vou fazer os gêmeos pagarem por tudo que fizeram a nós dois. Os outros irmãos eu penso depois. — Hans falava sozinho em um canto, do que para Elsa parecia ser uma caverna.
— Isso tudo é só para você destruir os seus irmãos? — Elsa se manifestou já se acostumando com a escuridão.
— Elsa! Você acordou finalmente, estava ansioso para ter uma conversinha com você. — falou animado chegando perto dela.
Elsa assustada com a aproximação tentou se levantar, mas foi detida por algemas de névoa negra que estranhamente a prendia no chão.
— Ah, esqueci de avisar. Você está presa aqui pelas algemas do medo, eu que dei esse nome, porque elas obviamente te prendem pelo seu medo, algo que nós dois sabemos que você tem bastante. — explicou com satisfação.
— Você é doente. — a Rainha afirmou com nojo.
— Pode ser. Mas eu não quero falar de mim, eu quero falar de nós. — seu tom era malicioso.
— Não existe nós. — respondeu com raiva.
— É claro que existe! Porque se você aceitar ser minha rainha... a sua irmã, seu cunhado, o lindo bebezinho deles que vai nascer e toda Arendelle estará livre da escuridão e da minha ira. — explicou segurando Elsa pelo queixo e aproximando seu rosto do dela, a Rainha sentiu um um misto de medo e nojo a atingir, mas Hans logo a soltou e se afastou.
— Isso não faz sentido, você me odeia! — gritou.
— Não diga bobagens. Eu só tentei te matar, porque você estava no meu caminho. — explicou como um adulto que explica algo simples a uma criança.
— Isso continua a não fazer sentido, deve haver algo a mais.
— Você é esperta, diferente da tola da sua irmã.
— Não fale da Anna. — rosnou forçando as algemas.
— Desculpa! E eu te conto tudo se você aceitar ser minha rainha. — um sorriso maligno se formou em seus lábios.
— Eu aceito. — Elsa não conseguia acreditar nas suas próprias palavras, mas ela precisava saber os planos de Hans.
— Ótima escolha. Finalmente serei um rei completo. — Hans tocou o rosto de Elsa novamente, mas ela não se afastou, ela não podia se afastar, havia aceitado aquilo.
O rosto de Hans se aproximou do de Elsa que em um impulso se afastou com medo, mas Hans a segurou pelo queixo a mantendo perto.
— Temos um combinado, Elsa. Eu só conto tudo se você for minha rainha. E você tem que me provar que é minha rainha. — Elsa queria cuspir nele, mas isso acabaria com todas as suas chances de entender o que ele queria com ela.
— Desculpa. — respondeu com ódio de si mesma antes de Hans beijá-la.
Elsa se sentiu a pior pessoa do mundo ao sentir os lábios de Hans nos seus, ela se sentia violentada e suja, mas ela não tinha escolha. A tortura não demorou muito e Hans logo se afastou.
— Eu prometo não te beijar mais, por enquanto. Eu sei que você gosta do fogareiro e por isso vai continuar presa até eu matá-lo. — os olhos de Elsa se encheram de lágrimas e a coisa que a Rainha mais queria naquele momento era matar o ex príncipe, mas as algemas impediam a liberação dos seus poderes. — Mas eu também prometo não matá-lo na sua frente.
— Você não tinha que estar me contando seus planos? — Elsa questionou ríspida mudando de assunto.
— Você esta certa! Por onde eu começo? — falou se levantando. — Bem, eu e o meu falecido irmão dedicávamos muito tempo ao estudo da magia e principalmente a história dessa urna. — indicou a urna ao lado esquerdo de Elsa.
— Então essa é a urna. — Elsa tentou tocá-la, mas as algemas impediram a aproximação.
— É essa mesma, eu e Klaus sabemos tudo sobre ela incluindo como selá-la, mas isso você também sabe. O que você não sabe é que se eu matar você e o seu palito de fósforo, eu não fico livre para sempre dos Opostos Perfeitos. Tudo precisa de um oposto, de um rival e se eu acabasse com vocês logo nasceriam outros dois iguais a vocês. Mas se só um de vocês morre, não há como selar a urna e os Opostos Perfeitos só nascem em pares, assim você precisaria morre também para nascerem outros. — Hans explicou com a propriedade de um especialista.
— Mas eu não ficaria sem um oposto? — Elsa ainda não compreendia bem o tamanho dos seus sentimentos por Asle, mas ela já começava a não ver sentido na sua existência sem a dele.
— Eu seria o seu oposto, não o perfeito, mas ainda um oposto. Eu serei o representante da magia das trevas e você a da luz, mas obviamente você estará ao meu lado e eu vou garantir que nenhum mal te atinja.
— Você vai fazer de tudo para garantir que ninguém me mate e isso inclui eu mesma. — Elsa finalmente entendia todo o plano de Hans e ela não podia negar que era brilhante.
— Exato. Eu poderia fazer o contrário e deixar o idiota esquentadinho vivo, mas passar a eternidade com você é bem mais interessante do que com ele. — como Elsa queria quebrar o sorriso malicioso que se formava nos lábios de Hans.
— Eternidade? Eu não sou imortal. — informou como se ele você louco, na verdade ele era louco.
— Ainda! Com todo o poder que eu tenho posso te fazer imortal, assim como eu. — passar a eternidade com Hans não podia parecer pior.
— Mas pra que tudo isso? — Elsa ainda não conseguia entender as motivações de Hans.
— Eu prometi a Klaus que provaria a todo mundo que não eramos dois loucos esquisitos. E eu nunca mais serei invisível no meio da multidão, nunca mais me sentirei sozinho e rejeitado. — a dor era latente em cada palavra de Hans e em outra situação, talvez, Elsa sentisse pena dele.
xxx
— Eu não vou ficar aqui parado, esperando aquele maluco vir me matar, enquanto mantêm a Elsa refém. — Asle falou se levantando da mesa onde ele, Kristoff e Anna pensavam em uma solução para tudo o que estava acontecendo.
— Nós nem sabemos onde aquele monstro está. — Anna comentou quase chorando.
— Nós não, mas os trolls sabem. — Kristoff informou.
— Claro! Ele deve ter ido com Elsa para a tal caverna que guarda a urna e os trolls sabem onde ela fica. — Asle sorriu esperançoso dando as costas ao demais, pronto para ir atrás de Elsa.
— Espera! Você vai vestido assim? — Kristoff questionou, sinalizando que Asle vestia apenas uma calça desbotada, que haviam lhe arranjado após ele ter queimado toda a sua roupa no pátio.
— Eu não tenho tempo para isso agora. — gritou já próximo a porta.
Asle voou, literalmente, até o Vale das Rochas Vivas, desesperado por achar sua Rainha e salvá-la das mão daquele lunático.
— Vovô Pabbie! — gritou a plenos pulmões após aterrizar.
— Estou aqui meu jovem! — o troll rolou até ele.
— Eu preciso chegar na caverna que guarda a urna. Hans levou Elsa para lá. — falou rápido.
— Então o príncipe da Ilhas do Sul foi absorvido pelas trevas. — Pabbie comentou pensativo.
— Sim, foi ele. Mas a gente não tem tempo para conversa sobre isso agora. Eu preciso achar a Elsa. — falou de maneira enérgica.
— Sim, claro. A caverna fica no extremo norte, entre duas montanhas ligeiramente inclinadas para o oeste, você achará logo do alto. — informou sem mais rodeios sentindo o desespero do rapaz.
— Obrigado. — respondeu rápido levantando voou.
Como Vovô Pabbie havia dito, não demorou muito para Asle achar as duas montanhas, forçando seus poderes o fogo o impulsionou mais a frente e ele logo mergulhou para o chão em direção a entrada da caverna. A aterrizagem não foi nada suave devido a velocidade, mas Asle não se preocuparia com os arranhões causados pela queda nesse momento, pois agora ele tinha algo mais importante a fazer, salvar o amor da sua vida.
— Elsa, eu vim te salvar! — Asle gritou entrando na caverna sem se preocupar em usar o fator surpresa ao seu favor.
— Asle! — exclamou agitando as algemas que a impediram de se jogar em seus braços.
— Que emocionante! Pena que esse encontro não acontecerá de novo. E obrigado por ter me poupado o trabalho de ir atrás de você. — Hans debochou se aproximando de Asle que tinha as mãos e os olhos em chamas.
— Eu vou acabar com você. — Asle rosnou, lançando uma rajada de fogo contra Hans que escapou em uma cortina de fumaça, essa ação se repetiu mais algumas vezes até que Hans envolveu o pescoço de Asle com a névoa que parecia enforcá-lo.
— Asle! — Elsa gritou desesperada vendo o amado perdendo o ar.
— Você veio salvar a Elsa, mas quem parece precisar ser salvo é você. — Hans riu debochado.
Asle sentia o ar acabar, mas ele não podia se render, com muito esforço fez do seu quadril pra cima pegar fogo, enquanto atingia Hans com uma rajada de fogo contínua. Hans gritou de dor, mas manteve a a névoa em volta do pescoço de Asle.
O botão no centro da urna começou a brilhar como se pedisse atenção.
— Asle a urna. — Elsa chamou a atenção de Asle que instintivamente com a mão livre, lançou uma rajada de fogo continua sobre o botão que começou a flamejar pela metade.
— Elsa eu não vou aguentar muito tempo, eu preciso de você. — Asle pediu quase sem voz.
— Eu não posso, eu estou presa. — as lágrimas começaram a rola pelo o rosto da Rainha.
— Você é mais forte que ele, você consegue. — incentivou sentindo sua visão escurecer.
— Eu estou com medo. — Elsa gritou sacudindo as algemas.
— Você consegue. Eu preciso de você, eu preciso que você me salve. — a voz de Asle era ainda mais fraca e o fogo que fluía dele também perdia forças fazendo Hans prevalecer.
— Eu te prometi não matá-lo na sua frente, mas não vou poder cumprir. — Hans falou com falso pesar.
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