Notas iniciais
Espero que gostem!

Os primeiros raios de sol começavam a riscar o céu de Arendelle, ao mesmo tempo em que Elsa e Asle começavam seu caminho até a morada dos trolls. O caminho foi silencioso, Elsa se sentia ansiosa e preocupada, já Asle evitava falar para não deixá-la ainda mais nervosa, ele tinha consciência de que as conversas deles em algum momento se tornavam uma discussão, e brigar era a última coisa que a Rainha precisava no momento.

— Você conseguiu dormir? — Asle perguntou após selecionar um assunto que com total certeza não iria causar uma briga.

— Um pouco. — respondeu cansada parando em frente a um vale coberto por pedras.

— Elsa, vai ficar tudo bem. — tentou reconfortá-la.

— Eu vou me sentir melhor agora, sabendo o que os trolls querem falar comigo.

— Trolls? — Asle soou confuso.

— Sim. — respondeu Elsa com naturalidade.

— Kristoff é de uma família de trolls? — questionou incrédulo.

— Algum problema, meu jovem? — uma pedra rolou até Asle fazendo a pergunta.

— Ai meu Deus! — exclamou levando um susto. — Tudo fala nesse reino? — Elsa riu com a reação de Asle.

— Falou o cara que pega fogo. — disse outra pedra, enquanto outras pedras começavam a ganhar vida.

— E eu achava esquisito a ex namorada do meu irmão ter sido criada por fadas.

— Fadas são ótimas criaturas, mas agora vamos tratar de coisas importantes. — falou Vovô Pabbie indicando que eles o seguisse.

Vovô Pabbie os levou até uma pequena caverna acompanhados de perto pelos outros trolls. O chefe dos trolls indicou que Asle e Elsa se sentassem em um conjunto de pedras, de frente para uma parede rochosa. Em um movimento de cabeça de Pabbie, luzes irregulares dançaram na parede da caverna, até uma forma estranha flamejante, que parecia ser uma espécie de peixe de fogo, tomou o lugar das luzes dançando solitária na parede, mas não demorou para que outra forma similar, só que de gelo, se junta-se a dança e logo as duas formas se uniram formando um circulo dividido irregularmente entre fogo e gelo.

O circulo pulsava na parede brilhante até explodir em uma confusão de luz, que formou uma outra imagem, a imagem de uma urna com runas desenhadas nas laterais e um grande circulo que se assemelhava a um botão no meio.

— Isso que vocês estão vendo agora é o berço de toda a magia desse mundo, a imagem anterior é o selo dessa urna. — Vovô Pabbie informou.

— Eu não compreendo. — Elsa questionou assustada.

— Há muitos e muitos anos, um mago de outro mundo trouxe magia a esse mundo, com o objetivo de fazer daqui um mundo melhor e para que isso acontecesse, ele enterrou no chão da caverna mais escura desse reino o berço da magia, mas tudo vem acompanhado do seu oposto e por isso junto com a magia da luz veio a magia das trevas. Para evitar o mal, o mago prendeu toda a magia das trevas na urna selada com o simbolo dos opostos.

— Então a magia das trevas está segura. — Asle conclui otimista.

— Eu não teria tanta certeza, porque se ela estivesse... acho que não estaríamos aqui. — rebateu Elsa com seu forte senso de realidade.

— Você está certa, Elsa. Existe uma forma da urna ser aberta. Um coração desesperado. A pessoa dona do coração mais desesperado, solitário e determinado é capaz de atrair as trevas de tal maneira que poderia abrir a urna.

— E se isso acontecesse? — Elsa tinha medo da resposta.

— A pessoa seria engolida pelas trevas e forjada por elas, até que estivesse pronta para se torna dona de toda a magia negra desse mundo. E essa pessoa seria quase invencível.

— Quase? Então teria como vencê-la. Como? — Asle questionou ansioso.

— A única forma de vencer essa pessoa é a junção dos Opostos Perfeitos.

— Opostos Perfeitos. — Elsa falou sentindo um estalo em sua mente.

— Quem são esses? — Asle perguntou sem entender.

— Nós. — a Rainha respondeu antes de Pabbie.

— Para vencer o novo Dono das Trevas, vocês precisariam prender a magia de volta na urna, usando os seus poderes em conjunto. Para a sorte de vocês, a pessoa que destravou a urna depende dela nos primeiros meses até se adaptar completamente.

— Quando a urna foi destravada? — Elsa questionou pensando em uma forma de agir.

— Não sei ao certo, pelo sinais a uns dois dias no máximo.

— Quanto tempo a gente tem até esse tal Dono das Trevas se manifestar? — Asle perguntou começando a se preocupar de verdade.

— Alguns dias, talvez uns três dias.

— A festa de abertura dos portões. — Elsa concluiu sentido seu coração bater mais forte.

— A gente não sabe se essa coisa virá diretamente nos atacar, Elsa. — Asle tentou acalmá-la.

— É claro que sabe. Matar um de nós significa ser invencível.

— Ela está certa, vocês precisam se preparar para o pior.

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— Elsa! Elsa, calma! — Asle gritou segurando a namorada pelos braços e a abraçando de costa para o seu peito.

— A gente precisa reforça a segurança, pensar em uma estratégia de manter esse monstro longe daqui. A festa de abertura dos portões! Tenho que cancelá-la. — Elsa falou rápido enquanto seu corpo rígido começava a tremer.

— Não vamos tomar decisão nenhuma agora. Primeiro você tem que se acalmar. — falou a virando em seus braços e a abraçando mais apertado.

Elsa encaixou o rosto na curva do pescoço quente de Asle se permitindo chorar.

— Ei! Não chora. Você acaba comigo assim. — pediu segurando o rosto de Elsa entre as suas mãos.

— Eu estou com medo. — a neve começou a cair e Asle sentiu seu coração apertar, ao ver os olhos úmidos e angustiados de Elsa.

— Eu sei, meu amor. Mas vamos dar um jeito

— Eu não sei o que fazer.

— Nós sabemos que esse Dono das Trevas se alimenta do medo e da escuridão. Dessa forma, não podemos deixar o povo saber disso, por isso a festa não pode ser cancelada.

— Se ele aparecer na festa?

— Nós iremos vencer. Nem que seja a última coisa que eu faça. — Asle estava decidido e isso fez com que Elsa temesse ainda mais.

— Não posso te perder. — a confissão saiu em um sussurro.

— Eu vou fazer o meu melhor. — Elsa ainda tinha medo, mas resolveu acreditar.

Elsa conseguiu continuar a realizar suas obrigações ao lado de Asle, que sabia que os próximos dias seriam muito difíceis para sua Rainha. Ele sabia que ela carregava nas costas a responsabilidade de proteger o reino e que tinha medo de falhar. Ele sabia bem, que ela escolheria a morte em troca do bem estar do seu povo e Asle também escolheria a morte, se isso significasse a vida e o bem estar de Elsa.

Após o jantar, Elsa se retirou para seu quarto com uma expressão que denunciava que sua noite não seria nada confortável, mas Asle sabia que ela recusaria sua presença e apenas se despediu permanecendo na sala de jantar com Anna e Kristoff.

— Asle, eu estou preocupada com a Elsa. — a confissão de Anna era também um pedido de ajuda.

— Eu também. Nós decidimos manter toda essa situação em segredo e as atividades do reino como estavam, enquanto estudamos mais sobre esse problema e planejamos um novo plano de segurança — informou como um oficial que era.

— Pode parecer egoísmo, mas eu estou mais preocupado com o emocional da minha irmã do que com qualquer outra coisa. Ela está com medo e esse sempre foi o maior inimigo da Elsa. Eu queria fazer algo especial para o aniversário dela, mas com tudo isso não há condições.

— Aniversário? — Asle questionou surpreso.

— Claro! Essa festa foi criada próxima a coroação, que aconteceu porque Elsa alcançou a maior idade no seu aniversário. — Kristoff explicou as datas.

— Óbvio! Eu sou muito desligado. Mas deixa comigo, Anna. Eu vou dar um feliz aniversário a Elsa, só vou precisar da sua ajuda. — falou sorrindo já planejando o aniversário perfeito.

— Pode contar comigo. — respondeu a cunhada

— Comigo também. — Kristoff emendou.