Opostos Perfeitos

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Espero que estejam gostando pessoal! Boa leitura, e devoreeem ;D

Capitulo 7 – Olhos nos olhos

Narrado por Rafaella:

Maravilhoso.

Foi a única palavra que encontrei para tentar chegar ao alcance do que meus olhos viam.

Assim que Enzo tirou a mão dos meus olhos e eu pude enxergar, congelei. Se eu falava demais, agora estava completamente muda. A visão era linda, estonteante. Um imenso jardim, cercado por todos os tipos de flores, rosas, orquídeas, lírios de todos os tipos, chuva de prata, bouvárdia, celósia, cravos, frésias – lindas frésias coloridas – gloriosa, tulipas perfeitas e ao centro do canteiro principal, não pude deixar de notar as lindas margaridas.

O local era coberto de verde com diversos canteiros coloridos espalhados pelo enorme espaço, cercados pelo gramado verde e pelas pequenas estradinhas de pedra que faziam os caminhos por entre as flores e levavam até uma pequena tenda de madeira, onde mais flores estavam suspensas no ar e pelo chão em vasos lindos. Em baixo da tenda, sob o chão de madeira dois sofás brancos e a frente deles uma mesinha de centro, por ali também tinha uma rede sofisticada, uma aparelho de som e um divã, que mais parecia uma cama aconchegante. O teto era cercado por vidro e então percebi que também existiam paredes de vidro naquela pequena sala no meio do jardim, o que explicava a conservação dos moveis, assim eles não ficavam sujeitos a chuva... Tudo isso tinha tirado completamente a minha fala e apesar de terem se passado apenas cinco segundos era como se eu estivesse parada ali, ''viajando'', a horas, me senti tonta.

– Enzo... — consegui murmurar depois dos cinco segundos.

– Rafa, tudo bem? — ele passou o braço pela minha cintura vendo que eu estava tonta.

– É... é... é lindo. — consegui dizer.

– É lindo mesmo. — ele sorriu me olhando. — Minha mãe que criou esse lugar.

– Sua... sua mãe?

– Sim. — ele desviou o olhar, preferi não continuar com o assunto.

– Margaridas. — Encarei ele sorrindo.

– Essas eu que plantei. — ele mordeu o lábio sem jeito.

– Sério? — perguntei sem reação.

– Aham. Por falar nisso, agradeça a Jeni. — ele riu.

Jeni. — pensei.

– Ela que me deu as mudas.

– Ah... — suspirei. — Estão lindas.

– Plantei há um mês. — Enzo mordeu o lábio de novo, como que indeciso. Estávamos caminhando lentamente pela estradinha que levava a tenda, enquanto eu admirava tudo a minha volta.

– Há um mês? — fiquei curiosa, um mês atrás havíamos brigado.

– É. — ele passou as mãos no cabelo e deu um sorriso torto. — Eu queria pedir desculpas pelo modo como agi com você na praia... Fui... um idiota.

– Nisso nós concordamos. — respondi relembrando.

– Estou desculpado? — ele sorriu ainda com o braço em volta da minha cintura me conduzindo pela estradinha.

– Com ou sem margaridas, com certeza estaria. Esse lugar é lindo de mais. — fechei os olhos sentindo os diversos aromas das flores, senti também o perfume dele perto de mim.

Entramos na tenda, eu achei que seria horrivelmente quente lá dentro por causa do sol que batia no vidro, mas foi totalmente o contrario, ali dentro era geladinho, como se tivesse um ar condicionado escondido em algum canto ali. Se tinha, eu não vi.

– Aqui é mais friozinho. — ele sorriu vendo que eu me arrepiei. — É um vidro especial... — ele deu de ombros.

– É bom de mais aqui dentro. — Eu tinha mesmo paixão por locais frios.

– Quer sentar? — ele apontou o sofá branco maior.

Sentei e Enzo sentou do meu lado esticando os braços e apoiando as pernas na mesinha de centro.

– Você vem sempre aqui em cima? — perguntei.

– Todos os dias eu passo aqui, nem que seja só pra dar uma olhada. — Enzo olhou para a mesinha onde o som estava em cima, tinha quatro caixinhas de cds e um porta-retratos com uma mulher loira incrivelmente bonita ao lado.

– É a sua mãe? — perguntei vendo que ele olhava a foto.

– É. — Ele se levantou e pegou o porta-retratos, depois voltou a sentar.

– Ela é linda. — sorri leve.

– Ela era muito linda. — ele disse. — minha mãe morreu há sete anos.

– Eu sinto muito. — foi a única coisa que consegui dizer depois de ver os olhos dele.

– A culpa não foi sua. — Ele sorriu de leve. — A última coisa que fez foi esse lugar. Ela era arquiteta, sabia? — ele sorriu.

– Ela era muito boa, realmente. — admirei o lugar mais uma vez.

– Demais.

– O que aconteceu com ela? — perguntei curiosa.

Acho que não deveria ter feito aquela pergunta a ele. Um minuto em silêncio se passou. Enzo respirou fundo.

– Acidente de carro. Há sete anos atrás. Eu e meus pais estávamos voltando para casa de um coquetel, a Fer não estava junto, tinha ficado na casa de uma amiga, eu tinha quatorze anos, meu pai estava dirigindo, tinha bebido um pouco, mas nada que o deixasse impossibilitado... Ele e minha mãe... começaram a discutir, eu fingia que não prestava atenção, mas ele gritava com ela... e então passamos um sinal vermelho. A carreta atingiu o lado da minha mãe em cheio, ela morreu na hora. — Enzo contou tudo aquilo de olhos fechados e quando os abriu eu pude ver eles marejados. — O que mais dói, é que ela estava discutindo por causa de mim, estava me defendendo de uma traquinagem de moleque. E eu nem tive tempo de dar um último abraço ou de fazê-la ouvir o quanto eu a amava.

– Ei, a culpa não é sua. — olhei nos olhos dele tocando seu rosto. — Eu sei como dói pra você. Mas a culpa não é sua.

Enzo ficou em pé.

– Eu fui o motivo da discussão. — ele pôs o porta-retratos no lugar. — E você não sabe como eu me sinto. — falou baixo.

– Eu sei sim. — afirmei baixinho, Enzo virou para me olhar e voltou a sentar ao meu lado.

– Sua mãe... — ele não terminou.

– Ela morreu quando eu nasci. — olhei o nada. — Eu nunca dei um abraço sequer nela. E ela era divina. — Sorri suspirando e sentindo o nó na minha garganta. — Já vi vários vídeos dela, fotos, conheci amigos e pessoas que ela ajudou... E todos diziam que eu era tão parecida com ela. — Balancei a cabeça. — eu nunca serei nem metade do que ela foi. Os médicos diziam que ela deveria abortar, logo no inicio da gravidez porque era muito arriscada e ela não resistiria, mas ela não deixou que a tocassem, nem por um segundo deixou que ameaçassem a vida daquilo que a mataria. Eu sim tenho culpa do que aconteceu com ela. — olhei nos olhos do Enzo e não pude conter uma lágrima.

– Você não tem culpa, ela te amava, ela era sua mãe, qualquer mãe daria a vida por um filho. — Enzo falou isso abraçado em mim, minha cabeça estava em seu peito e ele beijou de leve meus cabelos. — E seu pai? Ele vive aqui?

Me afastei do Enzo, aquilo era algo que eu não queria lembrar, mas ao mesmo tempo sentia que se existia alguém com quem dividir aquilo, era com ele.

– No mesmo dia em que nasci meu pai foi embora para a Itália. E única coisa que sei sobre ele é isso. Minha avó me criou até meus dezessete anos, quando estava para fazer dezoito ela morreu de câncer. No hospital ela me disse que meu pai ligou algumas vezes na minha adolescência e que ela chegou a mandar fotos para ele, mas ela não sabia onde estava o endereço dele e eu nem queria saber também. – dei de ombros. – O dia mais triste foi quando ela fechou os olhos — depois de dizer que eu era exatamente como minha mãe e que ambas tinham orgulho de mim — e morreu. – Encarei o Enzo com uma lágrima ainda caindo. – Tentei forçar um sorriso a sair, não gostava de lembrar de tudo aquilo, doía de mais ter que relembrar a covardia do meu pai ao me abandonar. – Depois disso fui morar com a Jú. Éramos amigas desde pequenas e sempre brincávamos que um dia iriamos dividir um apartamento, acabou que resolvemos fazer isso mesmo. – Dei de ombros e sorri.

– Você e a Jú moram juntas a quatro anos? — ele mudou um pouco o assunto e eu agradeci por isso.

– Sim. Quatro anos que eu aturo aquela lá me acordando com travesseiros na cara. — sorri de novo.

– Não querem um homem na casa não? Eu podia morar lá né? — ele disse pensativo.

– Tá louco? Nem morta eu concordaria com isso, Machiello. — ri pois percebi que ele falava brincando.

– Ué, porque? É sempre bom ter a proteção de um homem...

– Ah, claro, você ia acabar fazendo eu e a Jú de escravas, mal acostumado como você é...

– Tá me chamando de preguiçoso? — ele abriu a boca incrédulo em tom de brincadeira.

– Você? Preguiçoso? Imagina, Enzo! Eu jamais diria algo assim de você. — segurei o riso mantendo a irônia da minha voz.

– Eu passei a tarde de sexta-feira dando baixas em notas, tá lembrada? — ele me encarou com um sorriso torto.

– Você?! — Dessa vez não consegui conter a gargalhada. — Minha mão tá com um calo até hoje! — abri a mão mostrando, mas era brincadeira.

– Sério? — ele arregalou os olhos e pegou minha mão procurando o inexistente.

– To brincando bobo. — dei risada.

– Ah. — ele riu ainda segurando minha mão, nossos sorrisos se encontraram e tudo aconteceu muito rápido, em um segundo já estava tudo quieto e nos olhávamos nos olhos profundamente.

Enzo se aproximou de mim devagar sem desviar os olhos, segurou meu rosto com uma mão, já podia sentir a eletricidade entre nossos corpos.

E o celular dele tocou.

– Droga. — ele resmungou se jogando para trás no sofá e rindo.

Eu ainda estava totalmente perdida com o que quase acabou de acontecer. Fiquei parada em um quase estado de choque enquanto ele procurava o celular no bolso da calça. Enzo atendeu.

– Oi, Beth.

…

– A Bianca?! — ele ficou em pé. — Não, diz que eu estou almoçando, mas já to chegando ai, manda ela esperar na minha sala.

…

– Cinco minutos e eu chego. — ele suspirou e me olhou, eu voltei ao normal logo que ele pronunciou o nome ''Bianca''. — valeu.

Enzo desligou o celular, eu fiquei em pé pegando minha bolsa.

– Acho melhor eu descer antes. — falei colocando a bolsa no ombro.

– Rafa... — ele chamou enquanto eu já me dirigia para a porta por onde entramos.

– Aqui é lindo, Enzo. Obrigada por me mostrar. — dei um sorriso breve fechei a porta. Atravessei o pequeno corredor e peguei o elevador, só respirei quando as portas do mesmo se fecharam, ainda vi Enzo abrindo a porta do corredor e parar antes delas fecharem completamente.

Saí do elevador e fui direto para a minha mesa.

– Rafa, tudo bem com você? — Beth disse preocupada.

– Tudo, eu só preciso de uma água. — Fui até a salinha que tinha ali beber água, Beth veio atrás de mim.

Eu tomei um copo de água e ela parecia preocupada, me perguntei qual seria o estado da minha cara, pânico? Tristeza? Descontentamento? Surpresa? Eu não sabia o certo, devia parecer desespero.

Saímos da sala.

– Tem certeza que está bem mesmo? Aconteceu alguma coisa com você Rafa? Alguma noticia ruim? — ela perguntou enquanto chegávamos ao nosso lugar de novo.

– Não, eu to bem... eu só... — parei de falar porque o elevador se abriu outra vez e o Enzo apareceu ali. — to bem. — completei rápido para a Beth.

Olhei para o Enzo, ele veio em minha direção, mas a Beth me salvou.

– Enzo, Bianca está na sua sala.

Ele olhou para ela, respirou e assentiu.

– Ok.

Ele foi para a sala dele e fechou a porta em seguida. Respirei.

Notas finais
Não esqueça de comentar, é muito importante para mim! Obrigada *--* Agradeço por ter vocês aqui! E o próximo capítulo já está pronto esperando para ser postado assim que tivermos comentários ;D beeijos ;*