Opostos Perfeitos
53 Capítulo 52
Notas iniciais
Capítulo 52
Narrado por Rafa
Acordei na cama do hospital sem saber direito o porquê de todos aqueles fios estarem ligados ao meu corpo, virei a cabeça para os lados procurando por Enzo ou por alguma pessoa, não havia ninguém ali. Quanto tempo eu estava naquela cama? Que dia era hoje? E Camila? Camila estava bem? Eu precisava vê-la... Tentei me levantar mas não consegui, meu corpo estava dolorido e eu me sentia tão cansada que até erguer a mão parecia pesado demais.
Fiquei olhando para o teto e ouvindo o monitor apitar do lado da minha cama por algum tempo, até que um senhor de jaleco e cabelos brancos entrou no quarto e veio até mim. Devia ser o médico.
— Você acordou, Rafaella, que boa notícia. — sorriu. — como está se sentindo?
— Cansada — falei. — Onde está a minha filha? Posso vê-la? E Enzo?
— Calma, paciência. Você levou um tiro a queima roupa, precisa descansar, o cansaço que está sentindo vai passar em algumas horas, é efeito dos remédios ainda... Mas vai precisar continuar tomando alguns analgésicos para a dor... Sua filha está bem, está com o seu marido no quarto em que você estava antes... Vou avisá-los que acordou, mas nada de se exaltar, está bem? Vou deixar que ele venha aqui com a sua filha só por alguns minutos, depois você precisa descansar.
— Obrigada. — agradeci.
O médico saiu e voltou alguns minutos depois, abriu a porta do quarto e deixou que Enzo entrasse, Camila estava em seu colo.
— Amor... — ele sorriu vindo em minha direção.
— Pensei que tivesse me deixado aqui. — falei brincando.
— O médico não me deixou ficar... — Ele se desculpou.
— Brincadeira, bobo. Eu sei. — Enzo se inclinou e me deu um beijo.
— Obrigado por não me deixar. — Falou baixinho. — Não sei o que faria sem você. — Eu sorri e passei a mão em seu rosto.
— Como está a nossa menininha? — perguntei enquanto ele sentava na cama.
— Com vontade de ver a mamãe. — ele disse. — Foi a muito custo que conseguir fazer ela pegar no sono de madrugada. — Ele riu mostrando Camila que agora dormia toda encolhida, seu rostinho tão pequeno enrolado nos cobertorezinhos.
— Me ajude a segurá-la... — Pedi.
Enzo ergueu um pouco a cama com um controle e eu fiquei quase sentada, então com cuidado colocou minha filha em meus braços. Não pude controlar as lágrimas que caíram. Minha menininha, tão pequena, tão linda...
— Ela tem a sua cara. — Enzo disse sorrindo. — Fica com covinhas nas bochechas quando ri.
Eu sorri para ele.
— Iguaizinhas a essas! — ele falou me dando mais um selinho.
— Eu acho que ela parece um pouco com você também, o narizinho! — falei encantada com minha filha.
— Pode ser. — ele observou Camila. — Se ela puxar o pai vai ficar uma gata... vou ter que comprar aquela blusinha “papai só deixa namorar depois dos 30”.
— Convencido!
— Realista...
Virei os olhos para ele.
— Ela pode puxar a mãe também porque a mãe dela... nossa... a mãe dela é uma gata, sabia?
— Ah, é? — falei erguendo uma sobrancelha.
— Sim, linda, cheirosa, inteligente, tem um sorriso... — Ele falou me olhando nos olhos. — Eu não conseguiria viver sem ela.
— É, tudo bem, se ela puxar o pai também vai ser bonitinha... — brinquei com ele. — Quando vamos poder ir para casa, amor?
— —ocê vai precisar ficar aqui até amanhã eu acho...
— E amamentar a Camila? Eu posso?
— Acho que precisamos falar com a doutora antes... por causa dos analgésicos que você tem que tomar, amor.
Fiz uma cara triste, queria tanto amamentá-la, mas teria que esperar um pouco ainda pelo jeito.
— Enzo... o que... aconteceu com a Bianca? — Perguntei com um pouco de receio de tocar no assunto.
— Não precisamos mais nos preocuparmos com ela, definitivamente. Ela está na cadeia, vão transferi-la para um complexo da prisão destinado aos doentes mentais.
— Me desculpe por não ter te ligado, eu precisava salvar a Camila... Não pensei direito.
— Está tudo bem, Gui e eu conseguimos chegar a tempo e você está bem também. Se algo tivesse acontecido... eu...
— Estamos bem agora. — falei segurando a mão dele. Enzo me olhou nos olhos.
— Eu amo você.
— Eu também amo você, amor.
Enzo se aproximou e me deu um beijo demorado, com cuidado para não acordar Camila. Sua mão estava segurando meu rosto. Como eu estava com saudade do beijo dele. Do cheiro dele, do seu calor.
— Eu quero ir para a nossa casa logo. — Choraminguei quando ele se separou de mim.
— Eu também quero, amor. Dormir e acordar ao seu lado. Já não consigo mais ficar sem isso sabia. — ele falou passando a mão em meu rosto.
O doutor abriu a porta devagar.
— Enzo... Acho que precisamos deixar a Rafaella descansar agora. — ele sorriu,
— Doutor, será que eu não posso ir para casa hoje? Estou cansada desse hospital já. — Falei. — Não sei como o senhor aguenta passar o dia todo aqui.
— Ah, mas eu adoro passar o dia aqui, não tem nada melhor!
— Com certeza... Uma perna para costurar aqui, um braço ali, uma bala na outra sala, ataque cardíaco... é, para mim isso soa a férias de verão mesmo... — falei brincando.
— Bom, o seu humor parece que já está ok . — Ele riu. — E se quer saber, eu gosto mesmo, mas só quando o paciente se recupera bem como você. Aí sim eu encaro a coisa como umas férias de verão... — Ele riu. — é bom ver que está bem e disposta, mas precisa ficar essa noite ainda pelo menos, ok? Se você se comportar direitinho penso em te dar alta amanhã pela manhã, que tal?
— É... acho que é um bom negocio, mas você deveria incluir Enzo e Camila comigo aqui no quarto ainda pra ficar realmente bom...
— Você é bem esperta hein? — Ele riu.
— Eu concordo com ela, doutor. — Enzo ajudou piscando o olho para mim.
— Isso não vou poder fazer, mas talvez consiga arrumar mais uma visita hoje a tarde e outra a noite, o que parece?
— Se é o melhor que vou conseguir... — falei sorrindo. — obrigada, doutor.
Ele sorriu enquanto Enzo pegava Camila dos meus braços, dei um beijinho rápido na testinha dela e Enzo me deu um selinho.
Eles saíram e alguns minutos depois uma enfermeira veio ver como eu estava, me deu um remédio para a dor que me deixou sonolenta e fiquei o resto da manhã até a hora do almoço meio acordada meio dormindo.
A tarde, pelas cinco horas o doutor deixou Enzo e Camila ficarem comigo no quarto por uns dez minutos, depois os levou embora de novo para voltar só as nove da noite.
Camila chorou um pouco, peguei ela no colo e ela logo parou voltando ao seu sono tranquilo. Enzo ficou conversando comigo, trocamos carinhos e beijos e meia hora depois o doutor disse que eu precisava dormir se quisesse ganhar alta de manhã, Enzo me deu um beijo de boa noite e depois uma enfermeira me trouxe um comprido, logo eu mergulhava ansiosa em um sono profundo esperando que o dia raiasse logo.
Acordei as nove horas, Enzo estava sentado em uma cadeira perto da minha cama, estava cochilando, me mexi um pouco e ele abriu os olhos.
— Bom dia! — Sorri.
— Bom dia, amor. — Ele disse bocejando. — Está acordada há muito tempo?
— Não, acordei agora pouco. Onde está a Camila?
— Júlia está com ela, a doutora me mandou dormir um pouco... — ele sorriu. — Ai ela deixou que eu dormisse aqui...
— Por que você não me acordou? Podia ter deitado aqui comigo, dormiu nessa cadeira... — Falei fazendo cara feia, ele devia estar com dor no pescoço.
— Você precisava dormir, amor, e a cadeira é estofada...
— Nós já podemos ir para casa? Posso dormir o dia inteiro com você do meu lado. — Sorri.
— Essa é uma boa ideia. — ele sorriu. — Daqui a pouco o doutor virá dar alta...
Esperamos até o doutor vir, ele preencheu alguns papéis e depois me liberou, Júlia veio até nós carregando a Camila e passou ela para os meus braços. No saguão do hospital encontramos Fer, Gui e Leandro nos esperando, junto com eles Augusto e Beth.
Todos vieram ao nosso encontro, Augusto era o que caminhava mais rápido ansioso para conhecer a netinha. Ele pegou Camila com cuidado do meu colo e ficou todo bobo com um sorriso enorme e olhos umedecidos.
— Que linda essa menininha! — Beth falou para mim depois de ver Camila. — Parece muito com você, Rafaella!
— Obrigada por ter vindo, Beth, fiquei muito feliz! — Falei dando um abraço nela.
— Não é a netinha mais linda do vovô, não é? Quem é a menininha do vovô? Quem é? — Augusto estava brincando com a Camila e todos riram.
Depois de todos darem uma olhada na pequena Camila, ela finalmente voltou para os meus braços, combinamos de fazer uma janta no dia seguinte, e depois, Enzo, Camila e eu nos despedimos deles e saímos do hospital. Camila em meu colo e Enzo com um braço por cima da minha cintura, ele me deu um beijo na testa quando paramos no estacionamento, guardou a malinha da Camila no banco de trás e depois abriu a porta para que eu entrasse.
— Agora estamos quase completos. — Ele sorriu enquanto dirigia para a nossa casa.
— Quase? — Perguntei sem entender.
— Claro, falta mais dez para completar o time de futebol... — Deu de ombros.
— Enzo! — falei espantada.
— Ah, é! Eu quase esqueci que tem que ter o juiz e os bandeirinhas ainda, bem lembrado amor!
Ri da bobeira dele e depois conversamos até chegarmos em casa, ele estacionou o carro e deu a volta para abrir a porta para mim.
Saí do carro e fomos para a casa, Enzo abriu a porta e sorriu dando passagem para mim. Parei no hall de entrada com Camila em meu colo, esperando Enzo fechar a porta, ele então veio até mim e segurou meu rosto, me deu um selinho demorado.
— Em nosso cantinho, enfim.
— Em nosso cantinho. — Sorri enquanto ele novamente segurava meu rosto e me dava um beijo prolongado, cheio de saudade.
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