Opostos Perfeitos
50 Capítulo 49
Notas iniciais
Capítulo 49
Narrado por Enzo
Saí do quarto com a enfermeira e ela deu alguns passos até onde se encontrava um homem de terno, percebi que devia ser o chefe do hospital.
— Senhor Machiello? — ele perguntou, assenti — houve um problema na maternidade, nós estamos resolvendo...
— Que problema?
O senhor olhou para a enfermeira.
— Alguém entrou na maternidade e sedou a enfermeira que estava cuidando dos bebês da ala...
O homem estava muito reticente, escondendo o que tinha a dizer e então eu percebi o que havia acontecido.
— Onde está minha filha?
— Nós notificamos os guardas, ninguém vai sair do hospital, com ou sem criança, ninguém vai sair até que encontremos sua filha...
As palavras pareceram não fazer sentido. Minha filha, tinham roubado minha filha!
— Como assim até encontrarem minha filha?! — Perguntei como se ainda não tivesse entendido. — Eu quero a minha filha agora! Que tipo de lugar é esse aqui?!
— Senhor Machiello, se acalme por favor, sua mulher não deve ouvir isso, ela está frágil ainda, não podemos alarmá-la. — A enfermeira falou preocupada.
— Por favor, fique calmo, vamos encontrá-la. — O médico completou.
Meu celular tocou naquele momento, olhei para o visor, era o pai da Bianca.
— Enzo... Bianca fugiu do sanatório outra vez. Achei melhor avisá-lo, coloquei meus homens para procurá-la e a polícia, ela ainda não se recuperou, fazia desenhos estranhos na parede do sanatório... Estou cuidando de tudo, mas achei melhor preveni-lo já que o seu nome e o da Rafaella apareceram em vários desenhos dela...
Eu estava em silêncio. Bianca. Bianca estava com minha filha.
— Está tudo bem, Enzo?
— Estou no hospital, Senhor Ruchell, minha filha... — não terminei a frase.
— Bianca fez alguma coisa com sua filha? Eu não sabia que a criança já tinha nascido...
— Há poucas horas... e agora minha filha sumiu... — Ele suspirou desolado do outro lado da linha. Eu ainda parecia travado, sem entender o que realmente aquilo significava. Bianca estava com a minha filha!
— Eu vou fazer de tudo para encontrar a Bianca, Enzo, ela não vai fazer nada com sua filha, está transtornada mas ela não machucaria uma criança...
— Eu espero que o senhor a encontre antes de mim, porque se eu encontrá-la... — falei sem terminar a frase.
— Enzo... Bianca não está bem, entenda...
— Se ela tocou em um fio de cabelo da minha filha... — Falei ameaçando, eu nunca a perdoaria. Eu não tinha ideia do que seria capaz se ela tivesse machucado minha filha.
— Eu vou encontrá-la.
Desliguei o telefone e olhei para o senhor e a enfermeira.
— Eu acho que sei quem pegou minha filha, o nome da mulher é Bianca, vocês já viram as câmeras de segurança?
— Sim, mas de alguma forma as câmeras da ala maternal foram desligadas, ainda não sabemos como, não há digitais, já chamamos a polícia, mas gostaríamos de pedir que o senhor não divulgue nada na mídia, isso seria péssimo para o hospital.
Olhei o homem nos olhos e acho que ele entendeu que devia calar a boca e se retirar dali porque se eu não encontrasse minha filha aquele hospital não teria só uma nota ruim na mídia.
Tentei me acalmar porque precisava voltar ao quarto e falar alguma coisa para a Rafa. Respirei fundo e entrei.
— O que aconteceu com a Camila? Enzo?! — ela quase gritou assim que entrei, fui até ela.
— Está tudo bem, amor, eles vão precisar ficar com ela mais um pouco precisam fazer alguns exames. — menti.
Gui me encarou por alguns instantes, ele percebeu que eu estava mentindo.
— Vou precisar sair um pouco, tudo bem? — falei dando um beijo na testa dela — E você precisa descansar um pouco, pode ser? — tentei sorrir.
— Não quero descansar, quero minha filha.
— Mais tarde vão trazê-la, amor.
Pedi para as meninas ficarem com a Rafa, elas também perceberam que alguma coisa estava errada, Gui e Leê saíram do quarto comigo.
— O que houve? — Guilherme perguntou do lado de fora do quarto.
— Bianca. Ela esteve no hospital. Pegou a Camila. — Eles ficaram sem ação por um segundo.
— E as câmeras de segurança? — Leandro perguntou olhando em volta.
— Nada, alguém desativou.
— Alguém viu ela sair com o bebê? Não é possível que ninguém tenha visto, e a enfermeira do berçário?
— Bianca deu um sedativo nela.
— Mas e só tinha aquela enfermeira por ali?! E nos corredores?
— Eu não sei... — o chefe do hospital disse que eles fecharam todas as portas mas... não sei... — Passei as mãos pelos cabelos pela milésima vez, estava desesperado agora.
— Calma, cara, a gente vai encontrar a Camila e a Bianca. — Gui falou — vamos nos separar e procurar por todo lado, nós conhecemos a Bianca então fica mais fácil do que só os enfermeiros procurando uma mulher e uma criança.
Nos separamos e começamos a procurar, ela tinha que estar em algum lugar ali. Reviramos o hospital, Leê foi olhar as câmeras que estavam funcionando na hora que ela fugiu, se tivesse passado por alguma que não estava desativada também ajudaria a encontrá-la. Meu celular tocou.
—Enzo, vi ela em uma das câmeras, há meia hora, ela desceu até o primeiro andar e depois foi pelas escadas.
Enquanto Leandro explicava fui até a sala em que ele estava.
—Pelas escadas? Mas os guardas estavam nas portas já... — Falei chegando nele.
—O chefe de segurança disso que tem uma saída de emergência nas escadas.
— Desgraçada! Ela pegou minha filha, eu vou matar a Bianca.
—Enzo, a gente vai achar a Camila, vai ficar tudo bem. — Lendro disse. Gui chegou ali naquele momento também.
— Alguma coisa?
— Bianca conseguiu sair do hospital. — Respondi.
— Nós vamos dar um jeito de encontrar ela.
— Como?
— Já tentaram rastrear o celular dela? Talvez ela tenha pego quando fugiu do sanatório... —Leandro sugeriu.
— Vou ligar para o Ruchell ver isso. — disquei o número e ele logo atendeu — Alô? Senhor Ruchell? Vocês tentaram rastrear o antigo telefone dela?
— Não, mas ela não tentaria pegar quando saiu do sanatório, ele fica na secretária, está sempre cheia de médicos e ela conseguiu sair... mas vou rastrear, um minuto.
Aguardei na linha.
— Ela pegou o celular. — ele falou após alguns minutos.
— Onde ela está?
— Na Rua Mansueto Pierotti, 365. Estou indo para lá também.
Desliguei o telefone e saí imediatamente do hospital. Dirigi até a rua, Guilherme e Leandro foram comigo. Eu precisava encontrar a minha filha, aquilo não podia estar acontecendo. Minha vontade era de matar a Bianca quando eu a encontrasse, mas antes eu precisava ter a certeza de que Camila ficaria bem.
Chegamos ao endereço e desci logo do carro correndo para a casa, Leandro parou um instante.
— Essa casa é do Caio. — Leandro me olhou.
— Caio? — perguntei com raiva. — ele está ajudando ela. Eu vou matar esse cara.
Me aproximei da porta e dei um chute forte para abri–la, Caio estava sentado em um sofá da sala e deu um pulo quando ouviu o barulho.
— Mas que merda é essa?! Quem você pensa que é cara?! — ele gritou vindo em minha direção.
— Onde está a minha filha? Eu quero ela agora e é bom não enrolar porque eu não to com paciência. — falei segurando ele pela gola da camiseta.
— Sua filha? Como eu vou saber onde está sua filha? A Rafaella já saiu do hospital por acaso? Você devia começar procurando lá!
— Ou você me fala onde está a Bianca ou eu juro por Deus que acabo com você, Caio.
— Eu não sei onde está a sua filha e também não sei da Bianca!
— Você pode mexer comigo se quiser, se não gosta de mim ou qualquer coisa, mas não toque na minha família, não mexa com a Rafaella e principalmente não mexa com a minha filha, eu quero saber onde a Bianca está e não vou perguntar de novo.
Gui e Leandro já estavam procurando por toda a casa.
— E eu já disse que não sei onde ela está! — ele falou com calma.
Não aguentei e dei um soco na cara dele, Caio caiu no chão com sangue escorrendo da boca.
— Seu idiota! — ele levantou e tentou revidar, desviei e bati nele outra vez.
— Eu vou matar você, eu juro que vou, ou você me diz onde a Bianca está escondida com minha filha ou eu vou matar você, filho da puta. — falei segurando ele novamente e o prendendo contra o sofá.
— Bianca esteve aqui há uma hora mais ou menos, eu não sei de nada sobre a sua filha, estou falando sério, ela chegou aqui toda nervosa, eu achei que ela estivesse internada cara, ai deixei escapar que a Rafa estava no hospital, eu ia sair com uma colega de serviço da Júlia e ela desmarcou porque a Júlia pediu licença para sair do trabalho. Não faço ideia de onde a Bianca esteja e não imaginei que ela fosse tentar alguma coisa com a sua filha em um hospital.
Ele falou aquilo meio apavorado porque eu estava ameaçando dar outro soco nele.
— Eu rastreei o celular da Bianca e ele está aqui, então a Bianca está escondida aqui em algum lugar, Caio eu não estou brincando, você está ajudando ela a mexer com a minha filha e eu não vou perdoar isso, então eu acho bom você entregar ela de uma vez!
Gui e Leandro voltaram para a sala naquele momento.
— Nada dela. — Gui falou.
— É o último aviso Caio.
— Eu não sei, eu juro, ela deve ter deixado o celular aqui em algum lugar, eu sei lá caramba!
Ele pegou o celular dele e discou um número, uma musiquinha começou a tocar e eu fui até a mesa que havia perto da porta de entrada, o celular estava ali dentro de um pote. Respirei fundo e passei as mãos pelos cabelos nervosamente. Aquilo não podia estar acontecendo.
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