Opostos Perfeitos
48 Capítulo 47
Notas iniciais
Capítulo 47
Narrado por Enzo:
Deixei a Rafa com as meninas e saí com o Leandro e o Guilherme para aproveitar minhas últimas horas de solteiro, fomos os três surfar.
— Não vai ter nenhuma festinha de despedida de solteiro mesmo velho? — Le perguntou quando estávamos quase chegando.
— A Rafa tiraria meu coro. — respondi rindo.
— Ih, tá sendo mandado pela mulher antes do casamento já? — Gui zoou.
— Que mané mandado o que, sou mandado por ninguém não moleque.
— Aham, sei. Só pela Rafa né?
— Olha quem fala, quem vê diz que a Fer te da muita liberdade né?
— Vocês são dois paus mandados, isso sim.
Leandro falou dando de ombros, Gui e eu olhamos para ele.
—Desculpa né, esqueci que você e a Luana tem tanta liberdade que quando você deixou a toalha em cima da cama, detalhe: na sua casa, ela surtou e saiu te xingando pela casa toda né?
— Como é? Eu não fiquei sabendo disso. — falei rindo.
— Ei cara, essas coisas a gente deixa em off né. — Ele falou para o Gui.
Chegamos na orla da praia e os dois desceram.
— Pega as pranchas aí, gente, vou estacionar mais ali na frente porque aqui não dá...
Os dois pegaram as pranchas e eu fui estacionar o carro, meu celular tocou e eu atendi, o número era desconhecido.
— Você vai mesmo me trocar por aquela garota?
— Bianca?
— Eu não vou deixar, Enzo, você está jogando tudo fora, tudo.
— Você precisa de ajuda Bianca, onde você está? Eu posso te ajudar.
— Você viria atrás de mim para me ajudar? — ela falou com uma voz cheia de esperança.
— Eu posso ajudar você, posso pagar uma clínica, seu pai também está preocupado.
— Você está preocupado comigo?
— Sim, Bianca, tivemos uma história. Onde você está? Posso ir encontrar você.
— Eu sabia, você sente minha falta, você nem quer casar com ela, você me ama...
— Onde você está?
— Eu estou perto do prédio dela.
— Eu vou buscar você, tudo bem?
— Sim, meu amor, eu sabia que você desistiria dessa ideia louca de casar com aquela lá, ela não é nada comprada a mim. — A voz da Bianca era cheia de esperança e era aquilo que eu precisava que acontecesse para conseguir agir.
— Me espere do outro lado da rua do prédio, está bem?
— Sim, meu amor.
Desliguei o telefone e liguei para o pai da Bianca, precisava avisar ele, a Bianca precisava ser parada, antes que ela conseguisse fazer alguma coisa contra a Rafa.
Depois de ligar para o Sr. Ruchell e nós dois termos combinado o que faríamos fui em direção ao prédio da Rafa, estacionei o carro e vi a Bianca sentada em um banco, ela estava com os cabelos embaraçados e parecia não ter tomado banho a alguns dias já.
Saí do carro e ela ficou em pé, percebi que outro carro chegava e estacionava um pouco atrás do meu, eram seguranças do pai da Bianca.
— Enzo! Meu amor, eu sabia, sabia que viria!
Ver a Bianca naquele estado me fez sentir pena dela, de como a cabeça dela havia se transformado por causa de dinheiro, ela não me amava de verdade, disso eu sabia, aquilo não era nem de longe parecido com amor, mas mesmo assim, ela parecia uma moradora de rua em estado deplorável. Evitei fazer qualquer careta quando ela me chamou de ''meu amor'', precisava que ela acreditasse que estava ali por ela.
— Eu sabia que você gostava de mim e que aquela lá era só por diversão, vocês terminaram não é? Não vai mais ter casamento não é? Você veio para me pedir para voltar para você?
Enquanto a Bianca se derramava em obsessões, os seguranças saíram do carro e se aproximaram disfarçadamente, ela estava tão debilitada que nem percebeu.
— Vou me casar com a Rafaella, Bianca. — falei quando ela já estava quase encurralada. — eu a amo e vim aqui porque você precisa de ajuda e eu preciso saber que a Rafa e meu filho estarão seguros.
Quando terminei de falar ela pareceu sair de um transe, mas era tarde de mais, os seguranças do pai dela já a tinham segurado e mesmo ela tentando se soltar foi impossível.
Bianca me olhou com ódio quando parou de se debater.
— Você me traiu, me trocou por aquela pobre, aquela... aquela vadia. Eu acreditei em você e você me traiu, você sempre me traiu. Você não veio aqui por mim, veio por ela. Eu vou fazer você sentir o que eu estou sentindo agora, uma raiva tão grande que você vai desejar nunca ter me conhecido, vou fazer você sofrer como você está fazendo comigo.
— Adeus, Bianca.
— Quando você menos esperar... — ela falou ainda antes de os seguranças arrastarem ela para o carro.
Eles saíram dali levando ela e eu me encostei no meu carro. Havia acabado, o pai dela daria um jeito nela agora. Voltei para a praia e contei ao Gui e Leandro o que tinha acontecido.
— Finalmente, eu sempre disse que ela era meio louca, agora pelo menos o pai dela vai dar um jeito nisso.
— Eu espero que dê. — falei lembrando da ameaça dela.
Depois de passar a tarde na praia aproveitando o dia para surfar fomos para a casa do Gui, tínhamos deixado nossas roupas na casa dele já que a Fernanda me proibiu de voltar para casa e tentar ver a Rafa antes do casamento.
— Sai logo desse banheiro, Enzo, quem atrasa é a noiva não o noivo caramba, a gente vai chegar na Igreja e a Rafa já vai estar sentada de tanto esperar.
— Cala boca mané, to ficando bonito pra minha futura esposa.
— É, tá certo mesmo, pra melhorar essa cara precisa de uma hora dentro do banheiro... — escutei o Gui tirando.
— E eu que achava que era só mulher que demorava pra se arrumar.
Saí do banheiro e os dois ainda ficaram tirando com a minha cara, depois de algumas risadas fomos para a Igreja, eram sete horas. Estava tudo arrumado e pronto, como eu queria que fosse, parei no altar e o Gui e o Leandro estavam lá de padrinhos. As sete e vinte eu comecei a ficar preocupado.
— Será que aconteceu alguma coisa? Será que ela desistiu?
— Calma cara, mulher é assim mesmo, e noiva adora deixar o noivo meio pirado, vai ser assim depois de casados também, ela vai te deixar maluco...
— Muita experiência que tu tem né mané. — falei rindo, Gui conseguia isso.
— Velho, eu sou guru de casamento.
— Ah, é? E vai pedir minha irmã em noivado quando?
— Estou esperando um sinal das estrelas. — ele falou tirando.
— Sei.
— Estou esperando esse sinal pra Júh também. — Leandro comentou rindo. Os dois estavam me fazendo relaxar.
A Igreja já estava com todos os convidados, não era muita gente, alguns amigos e pessoas da empresa amigas também. As sete e quarenta eu já não parava mais quieto.
— Vou ligar, está demorando demais. E se a Bianca... não...
— Relaxa Enzo, vai dar tudo certo, elas já devem estar chegando e você deu um jeito na Bianca, relaxa cara. — ele colocou a mão no meu ombro porque viu que eu estava muito nervoso. — Quando a Rafa entrar por aquela porta isso tudo desaparece...
Assim que Gui terminou de falar ouvimos a primeira nota musical da marcha nupcial. Todos levantaram, Gui e Leê ficaram em seus lugares e as portas da Igreja se abriram, como uma princesa à vi sorrindo quando seu olhar se encontrou com o meu e todas as minhas preocupações sumiram, sem perceber eu estava sorrindo também, para o olhar da mulher mais linda que eu já havia visto na vida.
Rafa caminhava sorrindo em minha direção e meu coração estava disparado, ela parecia tão tranquila e eu estava paralisado com um sorriso bobo no rosto. Desci dois degraus para encontrá-la na frente do altar, ela chegou até mim.
— Você está linda. — falei soltando o fôlego e me aproximei para lhe dar um selinho.
— Você também está lindo. — ela disse sorrindo com um olhar radiante.
Segurei sua mão e a conduzi até o altar em frente ao padre. Ele começou a cerimônia.
— Caríssimos irmãos e irmãs, estamos aqui reunidos para celebrar a união de Enzo Machiello e Rafaella Belmontt...
Enquanto o padre falava, eu tentava prestar atenção, mas tudo estava sumindo da minha cabeça e só parecíamos nós dois, um ao lado do outro e um laço dourado ao nosso redor, nos unindo para o resto de nossas vidas. Pensei na sorte que tive de encontrá-la, de encontrar a mulher da minha vida, algo que nunca pensei ser possível, pensei em como queria que minha mãe estivesse vendo aquele momento e de como estava feliz por meu pai estar ali, na primeira fileira de bancos com um olhar de felicidade no rosto, a Beth estava sentada ao lado dele e tinha um imenso sorriso no rosto também. Pensei em nosso filho, em toda a história que ainda iríamos construir e sorri quando os olhos dela encontraram os meus.
— Rafaella Belmontt, aceita Enzo Machiello como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
— Aceito. — Rafa estava com os olhos marejados e um sorriso intenso no rosto.
— Enzo Machiello, aceita Rafaella Belmontt como sua legítima esposa, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte os separe?
— Aceito. — falei olhando nos olhos dela e prometendo com meu coração que a amaria por todos os dias da minha vida.
— Então, você já pode beijar a noiva.
Me aproximei mais da Rafa e coloquei uma mão em seu rosto acariciando, seu sorriso era perfeito. Lentamente nossos lábios se tocaram para se unirem em seguida e saboreei seu beijo doce e profundo, por segundos tudo ao nosso redor sumiu e éramos só nós dois novamente, como da primeira vez.
Todos em pé começaram a bater palmas sorrindo, soltei-a lentamente e deixei nossos rostos perto.
— Eu amo você. — sussurrei.
— Eu amo você. — ela sussurrou de volta em meus lábios.
Segurei sua mão e fomos passando pelo corredor da Igreja enquanto todos felizes aplaudiam, ao nosso redor só haviam sorrisos e palavras de carinho.
Um carro estava esperando por nós fora da Igreja para nos levar ao local da festa, Rafa não queria nada grande, mas eu havia preparado uma surpresa.
Falei ao motorista que ele podia ir.
— Será que agora você já pode me dizer onde vai ser a festa? — ela perguntou sorrindo.
— Claro. — sorri. — Na nossa futura casa.
Rafa me olhou sorrindo e surpresa.
— Você montou a casa tão rápido assim?
— Só precisei arranjar a decoração, a casa já estava perfeita. — falei misterioso.
— Enzo...
— Você gostou da surpresa da Igreja não é?
— Sim, estava lindo, perfeito!
— Então eu tenho certeza que você vai gostar da nossa casa. — sorri e a beijei.
O motorista dirigiu e percebi que a Rafa não estava lembrando do caminho, eu só a havia levado lá uma vez e era afastado da cidade, mas, aos poucos ela foi se lembrando e quando estávamos quase chegando ela me olhou de boca aberta.
— Enzo... você... nós... a casa da sua mãe... eu...
— A nossa casa agora. — falei sorrindo.
Chegamos em frente ao portão e logo estávamos parando na frente da porta. Vários convidados já estavam ali porque eu pedi ao motorista que fizesse o caminho mais longo para chegarmos depois dos outros. Saí do carro e dei a volta fazendo sinal para que o motorista me deixasse abrir a porta da Rafa.
Abri e segurei-a pela mão. Ela saiu com um sorriso deslumbrante no rosto. Subimos os degraus da escada e um dos empregados contratados abriu a porta. Eu segurei a Rafa pela mão e ela parou.
— Você sabe que a mulher precisa ser levada no colo para dentro da casa no dia do casamento não é?
— Enzo, está todo mundo lá dentro...
— A casa é nossa ué. — falei e a peguei no colo, Rafa deu um gritinho leve do susto e começou a rir sem parar, eu a levei para dentro e todos adoraram a ideia fazendo comentários,
Coloquei a Rafa no chão e dei-lhe um selinho demorado, muitas pessoas estavam ali na sala nos esperando e depois fomos todos para o quintal da casa onde seria a festa, eu havia contratado um pessoal para arrumar o quintal com tendas e luminárias, estava tudo muito bonito, havia contratado também uma pequena orquestra composta por violino, flauta, e um piano branco de cauda, eu sabia que a Rafa achava-os lindos, minha mãe tinha um, meu pai também tocava quando jovem, a paixão em comum dos dois era a música.
Rafa apertou minha mão um pouco e eu olhei para ela, seus olhos estavam cheios de lágrimas.
— Enzo... é... a coisa mais linda que eu já vi na vida.
— E é como você imaginava? — perguntei sorrindo.
— Não, Enzo, é mil vezes mais lindo e mais perfeito do que eu sonhava.
Segurei seu queixo e lhe dei um beijo demorado. Depois fomos nos sentar na mesa reservada para nós, Fer, Gui, Leandro e Júlia estavam lá sentados também. Conversamos bastante com todos que estavam presentes enquanto a orquestra tocava uma música leve de fundo, depois tivemos a janta e já perto da meia noite meu pai se aproximou do microfone com uma taça de champagne e todos ficaram em silêncio.
— Eu gostaria de propor um brinde, em homenagem ao meu filho e a Rafaella, minha querida nora. — ele sorriu — que vocês dois sejam muito felizes juntos e que vivam sua vida baseados no amor e na confiança, assim como eu vivi com sua mãe, Enzo. — Ouvir aquelas palavras da boca do meu pai foi surpreendente, ele sempre tão fechado em relação aos sentimentos, abria-se ali para todos.
Todos ergueram suas taças e brindaram em um silêncio feliz pois meu pai ainda parecia ter algo mais a dizer.
— Agora, eu gostaria de convidar Enzo e Rafaella para a valsa de casamento, é tradição na família. — ele abriu um sorriso, acho que era uma das poucas vezes que via meu pai fazer uma ''gracinha'' daquela forma tão despojada, tão normal.
Mas a maior surpresa tive naquele momento em que eu levantei e segurei na mão da Rafa conduzindo-a para a pista de dança, meu pai fez um sinal para o pianista e este se levantou, então ele se dirigiu ao piano e sentou-se. Por um momento fiquei parado sem entender, pude ver que a Fer chorava sem conter as lágrimas. Sentado ao piano, meu pai ajeitou-se e tocou uma nota no teclado. Só então entendi que ele tocaria a valsa. Ele nunca mais havia tocado em um piano desde que minha mãe se fora, a música era o universo deles e quando ela morreu foi como se o universo houvesse quebrado, e então, ali estava meu pai, começando a dedilhar no teclado a música dele e de minha mãe.
Rafa pareceu entender tudo que estava acontecendo comigo, ela viu meus olhos cheios de lágrimas, assim como muitas outras pessoas que conheciam meu pai, Beth também estava emocionada. Fer olhou para mim e suas lágrimas se misturavam com um sorriso que para mim pareceu de esperança, e então sorri para a Rafa e segurei sua mão enlaçando sua cintura.
Meu pai tocou e a música era a única coisa que se ouvia na noite clara e morna. E os olhos dela nos meus, que falavam mais do que quaisquer palavras.
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