Opostos Perfeitos

40 Capítulo 39


Notas iniciais
Olá gente bonita, tudo bem com vocês? Eu to legal, quase caindo de sono, mas indo... haha, não dá para dormir sem deixar o capítulo de hoje né? E ele tá gigaaaaante, por isso, devorem-no! OBS.: Não deixem de ver a proposta que eu fiz lá no grupo da MIC & OP no face, AUHEAUE, quem ainda não participa do grupo, ele está no perfil aqui no nyah, é só convidar no fb que aceito :D Agora, boa leitura e divirtam-se! (aproveitem o barraco HAHA) Taca-lhe pau, Júlia! MUHAHAHAHAHAHA

Capítulo 39

Narrado por Rafaella:

No sábado acordei com o Enzo abraçado em mim, virei para ele e logo ele começou a se mexer abrindo os olhos e sorrindo.

— Bom dia! — Ele sorriu.

— Bom dia!

— Dormiu bem?

— Muito bem e você?

— Com um anjo.

Eu sorri para ele e me mexi para levantar e fazer minha higiene.

— Ah, não, está cedo... — ele reclamou e me puxou de volta para a cama me abraçando.

Ficamos brincando um com o outro e algum tempo depois decidimos levantar. Fizemos a higiene e fomos até a cozinha, Jú estava fazendo café.

— Ai que susto, meu Deus! — ela falou quando ergueu o olhar e viu o Enzo ao meu lado.

— Ei, eu sou bonito! — ele reclamou.

Dei um tapa em seu ombro e a Jú riu.

— O que você está fazendo aqui? Escalou o prédio e entrou pela janela?

— Tenho cara de Peter Parker? — Enzo riu. — Entrei pela porta ué. A Rafa me convidou. — falou piscando para a Jú.

— Hum, sei. — ela riu.

— Pode parando que a única safada nesse apê é você dona Júlia.

— Ah, só me faltava!

Nós rimos e tomamos café, Enzo foi embora depois e voltou mais tarde, o dia passou tão rápido que quando vimos já era hora de fazer a janta. Decidimos pedir uma pizza, a Jú tinha ido para a casa do Leê, ela queria deixar Enzo e eu aproveitarmos ao máximo nosso tempo juntos.

— Já pedi a pizza, chega em meia hora. — falei sentando no sofá ao lado dele.

— E o que a gente vai fazer até a pizza chegar? — ele olhou para mim com um sorriso safado no rosto.

— Começar a assistir ao filme. — falei fingindo não notar o que ele queria e ligando a TV.

— Ah, sacanagem.

— Não, sacanagem a gente faz mais tarde... — falei séria e ele deu uma risada baixinha me dando um beijo na bochecha.

Começamos a assistir ao filme e uns vinte e cinco minutos depois a campainha tocou.

— A pizza chegou. — falei me levantando e indo até a porta.

Abri a porta sorrindo e fiquei muda quando vi o Caio parado na minha frente olhando para a sala do apartamento. Merda.

— O que ele está fazendo aqui? — Caio perguntou olhando para mim.

— Não é da sua conta. — Enzo respondeu lá de dentro.

— Não falei com você.

— Hum... o Enzo... veio... falar com o Leê, mas eles não voltaram ainda...

— O Leandro e a Júlia estão jantando fora.

— Mas daqui a pouco eles voltam. — falei dando de ombros. — Você quer alguma coisa?

— Vim ficar com você... vi o Leandro e a Jú num bar e aí pensei que você estava sozinha e vim fazer companhia.

— Não precisa se incomodar, eu fico até o Leandro e a Júlia chegarem. — Enzo falou indo até nós dois na porta.

— A casa não é sua. — ele olhou para o Enzo com cara feia.

— Tá, já chega vocês dois. Caio, você não precisa se incomodar, a Jú vai voltar logo.

— Não tem problema, eu espero também. — ele falou encarando o Enzo.

E então fomos nós três para o sofá, Enzo, eu e Caio assistindo a um filme de suspense. Caio de cara fechada a minha esquerda, Enzo de cara nada boa a minha direita e eu com as duas mãos entrelaçadas em cima do meu colo tentando prestar atenção no filme e torcendo para que nenhum dos dois resolvesse começar uma briga comigo ali no meio.

A campainha tocou novamente e o Enzo se levantou dizendo que atenderia, eu agradeci, não queria levantar dali e deixar os dois sentados lado a lado.

Ele pegou a pizza e trouxe até a mesinha da sala, eu ajudei ele a pegar os copos e a coca na geladeira.

— Você quer também, Caio?

— Pode ser.

Peguei três copos e levei até a sala, Enzo trouxe a coca.

Abrimos a pizza e cada um pegou um pedaço, Caio deu uma mordida e quase se engasgou.

— Pimentão! — ele resmungou e saiu correndo para o banheiro.

— Ai, merda, esqueci que ele vomita se sente gosto de pimentão. — falei colocando a mão na boca.

— Bem feito, ninguém mandou ele se intrometer onde não foi convidado. — Enzo disse segurando o riso.

Olhei feio para ele e fiquei em pé esperando Caio voltar para a sala, ouvi a descarga do banheiro e ele voltou logo em seguida resmungando.

— Quem gosta de pizza cheia de pimentão nesse mundo, que merda!

— Eu gosto. — Enzo falou mordendo com gosto o pedaço que tinha.

— Tomara que você morra engasgado.

— Não sou tão idiota para me engasgar com um pedaço pizza. — Enzo falou dando outra mordida e Caio ficou vermelho porque ele havia se engasgado com a pizza.

— Eu não sabia que você ia aparecer, teria pedido outro sabor... — tentei consertar como um pedido de desculpas.

Caio sentou no sofá e tomou um gole de coca, Enzo e eu estávamos sentados no chão na frente da mesinha. Começamos a comer nossa pizza e Caio continuou a ver o filme.

— Ei, olha só que lambuzo. — Enzo falou apontando para o meu rosto e balançando a cabeça, depois passou o dedo perto dos meus lábios e eu sabia que o Enzo estava consciente de que o Caio estava ali.

Eu olhei para o Enzo o repreendendo e ele deu de ombros em resposta.

— Achei que vocês dois não se gostassem muito. — Caio falou me encarando.

— É a convivência. — falei disfarçando.

— Parecem bastante íntimos.

— E se formos? Você tem algo com isso? — Enzo ficou em pé e o Caio se levantou em seguida.

— Já chega! Caio, eu acho melhor você ir embora, não quero brigas nem discussões no meu apartamento.

— Por que você não manda ele embora?!

— Porque ela prefere ficar comigo do que com você. — Enzo falou zombando.

— Caio, o Enzo chegou primeiro e está esperando o Leê... por favor...

— Eu vou ficar na minha. — ele falou voltando a sentar e cruzando os braços.

Tão cedo não nos livraríamos dele.

Olhei disfarçando para o Enzo e ele estava com a cara amarrada.

— Que horas sai o nosso voo, Rafa? — Caio perguntou depois dos minutos de silêncio que havíamos feio mutuamente.

Enzo colocou o copo com um pouco mais força do que o necessário em cima da mesinha de centro.

— De noite, as nove e meia.

— Nós vamos ficar em um hotel quando chegarmos no domingo? — Caio me perguntou como se aquela conversa fosse normal (e seria, se ele não estivesse tentando provocar uma reação no Enzo). Vi o Enzo segurar o copo mais firme, os nós dos dedos brancos.

— Sim, não vou ficar na casa do meu pai sendo que ele não está lá.

— Você vai ficar em um hotel, com ele? — Enzo perguntou só para mim, tentando se manter calmo.

— Conversamos sobre isso depois. — falei mexendo somente os lábios para o Caio não ver nem ouvir.

— Hum... um hotel na Itália com você... é tudo que eu poderia querer. — ele falou e se aproximou piscando o olho de modo que o Enzo não poderia deixar de ver.

Enzo se levantou e foi para a cozinha. Eu olhei feio para o Caio e ele fez uma cara de surpresa.

— O que? Eu disse algo que não devia? Ele é seu chefe mas aqui é sua casa. — Caio falou como se fosse óbvio.

— Não quero que faça mais insinuações desse tipo, nós dois sozinhos ou acompanhados, Caio. Não há nada entre nós e nem vai haver, nem aqui nem na Itália, e se você fizer isso de novo, na frente de quem for ou somente para mim, eu viajo sozinha. — falei decidida para ele que me olhou mais surpreso ainda.

— Mas eu achei que você estivesse considerando o pedido que te fiz. — Enzo estava voltando para a sala. — Eu te pedi em namoro e você disse que aquele não era o momento, que éramos amigos somente, mas também disse que talvez no futuro...

Enzo estava parado atrás do Caio no sofá me encarando visivelmente magoado.

— Caio...

— Tá, tudo bem, vou esquecer isso por enquanto. Mas não vou desistir, como prometi que não desistiria. — ele falou e sorriu, depois se recostou no sofá e percebeu que o Enzo estava atrás dele. — Ei, está fazendo o que parado aí?

Enzo não respondeu, deu um olhar duro para o Caio e fez a volta no sofá sentando-se no chão como eu estava e olhando para a TV sem olhar para mim.

Ficamos os três, assistindo a um filme que se tornou completamente chato, sentados na sala, sem falar nada. A única pessoa que parecia confortável ali era o Caio que ria de vez em quando de alguma coisa no filme.

— A Júlia e o Leandro não iam voltar logo? — Caio perguntou quando os créditos do filme começaram a subir.

— Pois é. Vou ligar para ela e ver o que aconteceu, talvez tenham ido no cinema. — falei dando uma desculpa.

Levantei e fui para o quarto pegar meu celular, mandei uma mensagem para ela explicando o que estava acontecendo e pedi para ela vir, se pudesse.

Dez minutos depois Jú e Leê entraram, percebi que quando a Jú me olhou ela estava apreensiva, deveria achar que os dois tinham começado a brigar ali.

— Pegamos um cinema e perdemos a hora... desculpa ter te deixado sozi...— ela parou de falar, claro que eu sabia que ela estava fingindo e Enzo devia ter se tocado também, ela estava falando para nos ajudar. — Opa, não ficou sozinha então... — Jú sorriu disfarçando. — E aí, Enzo... Caio...

— Oi.

— Oi.

Os dois mal haviam respondido ela, um com a cara mais fechada que o outro, tinham acabado de encerrar mais uma discussão.

— Ei aí... — Leandro cumprimentou.

Enzo ficou em pé fingindo que ia falar com o Leê.

— Bom, já que vocês chegaram eu vou deitar, boa noite gente. — falei indo para o meu quarto, se eu ficasse ali era capaz do Caio querer ficar também.

— Boa noite. — O pessoal respondeu.

— Boa noite, princesa. — Caio veio até mim e falou sem que os outros escutassem.

Virei as costas e fui para o meu quarto. Não fechei a porta totalmente e fiquei escutando o que estava acontecendo na sala.

— Queria levar um papo comigo, cara? — ouvi Leê perguntar para o Enzo.

— Eu te levo até a porta, Caio. — Jú falou.

— Hã? Ah... eu... — ele estava arrumando uma desculpa, merda.

— Até outra hora. — Jú falou e eu sabia que ela estava empurrando o Caio para a porta contra a vontade dele.

— Tá, então. Tchau. — ele falou ainda exitando e depois ouvi a Jú fechar a porta.

Saí do quarto e fui até a sala, Jú sorriu e foi dar um beijo no Leê, os dois foram para o quarto.

— Boa noite vocês dois e se comportem. — ela piscou.

— Boa noite.

— Boa noite. — sorri.

Enzo foi até uma bancada e pegou sua carteira e chave do carro.

— Você não vai ficar? — Perguntei,

Ele se virou para mim. Eu podia ver que estava magoado.

— Acho melhor ir para casa... — falou tentando disfarçar, sem me olhar nos olhos.

Me aproximei dele.

— Eu gostaria que você ficasse. — falei olhando ele nos olhos.

Enzo respirou fundo.

— Você vai ficar com ele em um hotel... vão dividir um quarto... — Enzo falou evitando meus olhos.

— Eu não vou ficar no mesmo quarto que o Caio. — falei como se aquilo fosse óbvio, e deveria ser.

— Ele te pediu em namoro e você disse que no futuro talvez...

— Porque eu não estou fazendo planos. No momento o mais longe que penso é sexta-feira da semana que vem. E até lá eu sou sua. — falei fazendo ele me encarar.

Enzo chegou tão perto de mim que nossos corpos ficaram juntos, suas duas mãos foram parar ao redor do meu rosto e ele me beijou de leve.

Acordei no domingo de manhã com o Enzo abraçado em mim, me virei e ele abriu os olhos devagar.

— Bom dia — sorriu bocejando em seguida.

— Bom dia — sorri também.

Ficamos conversando sobre o que faríamos no domingo, Enzo não queria passar o dia em casa sem fazer nada então decidimos dar uma volta de carro de tarde e ir para outra cidade para podermos caminhar ao ar livre sem problemas, depois do almoço.

— Seu pai não está reclamando de você ter dormido fora quase toda a semana? — perguntei quando ainda estávamos deitados. — Ele não falou nada sobre isso?

— A Fer está me dando cobertura e ele nem percebe eu acho... — ele respondeu sem se importar.

— E a Fer já decidiu sobre a loja? Ela não fala mais sobre isso nada há meses.

— Ah, acho que ela cansou de discutir com o papai, só isso, mas não deixou os planos de lado. — Enzo sorriu e piscou — ela está guardando todo o dinheiro que ganha de mesada e do trabalho dela com os desenhos dos vestidos de gala que ela andou fazendo para umas lojas de grife aí...

— Sério? Ela nem contou que anda fazendo desenho para grifes! — falei sentida, Fer tinha se tornado uma amiga para mim e para a Júh e a gente andava se falando bastante.

— Ela não gosta, Rafa... Diz que as mulheres são esnobes e não gosta de ter que trabalhar para gente assim, se bem que ela ganha muito mais com os desenhos do que o pai dá para ela...

— Por que ele ainda da mesada pra Fer? Ela já é bem madura e não é uma menininha mimada com algumas... — falei me referindo a Bianca.

— Ele prometeu para a mamãe que a Fer ia receber mesada até que ela realizasse o sonho dela e se sustentasse completamente sozinha porque o papai sempre disse que queria que o homem da família assumisse a empresa... Ah, você sabe que ele ama aquela empresa e ele sempre foi assim. Então como a mamãe sabia que eu herdaria a empresa ela queria garantir que a Fer ganhasse tanto quando eu. — ele falou dando de ombros de novo. — Por mim a Fer poderia assumir a empresa a hora que quisesse e ela sempre soube disso, mas ela também não se interessa por aquilo.

— Ah, entendo. Eu acho que ela vai se sair bem. — sorri e Enzo me deu um beijo na bochecha.

— Ela é minha irmã ué. — ele disse se achando.

— Grande coisa. — falei arqueando as sobrancelhas. — e daí?

— Ela é muito boa porque é minha irmã e eu sou muito bom em tudo.

— Você é muito bom em ser convencido mesmo, isso sim.

Depois de ficarmos brincando feito bobos levantamos e fomos para a sala, Jú e Leê estavam assistindo TV, íamos almoçar juntos porque eu também queria um tempinho com minha melhor amiga antes de ir para a Itália.

Eu e ela preparamos o almoço, lasanha, enquanto os dois ficaram na sala assistindo TV. Logo depois de termos almoçado e arrumado a cozinha a campainha tocou. Jú foi até a porta e petrificou. Se virou com uma cara confusa para nós.

— O que foi? Quem é? — Perguntei.

— Bianca.

— Mas o que...

— ...Ela veio fazer aqui? — Enzo completou minha frase.

A campainha tocou de novo.

— Enzo, se esconde no meu quarto, é melhor que no da Rafa...

Enzo correu para o quarto da Jú e a campainha tocou mais uma vez. Jú girou a chave e abriu a porta.

— Oi. — Jú cumprimentou com um sorriso falso.

— Oi. — Bianca falou olhando Jú de cima abaixo.

— Posso ajudar?

— Não. Vim falar com ela. — olhou para mim.

— Hum... entra... — Jú falou meio a contragosto.

Bianca entrou na sala e olhou todo o apartamento avaliando tudo ao redor e fazendo cara feia para tudo também.

— Então...? — perguntei depois dela ter se demorando encarando o Leê com desdem.

— Quero falar em particular.

Jú e Leê se levantaram e Jú passou por mim virando os olhos.

— Se precisar lembra que tem o taco de golfe atrás da planta a sua direita. — Jú sussurrou e eu segurei o riso. Realmente tínhamos escondido um taco de golfe ali caso um dia fossemos assaltadas, mas, é claro, ele poderia ser usado para colocar uma patricinha mimada em seu devido lugar.

— Pronto, Bianca. — falei e cruzei os braços em pé.

— Meu namorado esteve aqui ontem? — perguntou me olhando como se fosse pular em mim em qualquer momento.

— Quem tem que saber por onde seu namorado anda é você. — falei encarando ela com um sorriso falso.

— Eu não vim aqui para brincar. Enzo esteve aqui?

— Eu não estou brincando, querida. O namorado é seu, você devia saber onde ele anda. Mas sim, esteve, veio falar com o Leandro, namorado da Júlia, que estava sentado no sofá...

— Ah, veio falar com o namoradinho da sua amiga... aham. E ele não dormiu aqui então? — Bianca acusou. — Ou melhor, não está aqui ainda?

— Não. — afirmei.

— Ah, não? — ela perguntou como se soubesse que eu estava mentindo.

— Você seria bastante liberal se aceitasse seu namorado dormindo na casa de amigos e sem te avisar ainda por cima... — provoquei.

— Sua...

— Baixa a bola, patricinha, porque você está na minha casa e eu já estou me segurando há algum tempo para não dar uns bons tapas nessa sua cara.

Bianca pareceu se surpreender por um momento.

— Então você bateria em uma mulher grávida? Tenho certeza que meu namorado não ficaria nada feliz com isso, você perderia seu emprego na hora e, com certeza, passaria um bom tempo na delegacia.

— Eu não vou ficar nesse emprego para ter medo de perdê-lo caso tenha esquecido e tenho certeza que não seria presa se eu alegasse invasão de domicílio, afinal você está na minha casa. — falei e encarei ela.

Bianca pigarreou desconfortável.

— Eu sei que o Enzo está aqui.

— Não, ele não está. Você devia cuidar melhor do namorado que tem. E não ficar perturbando o domingo das outras pessoas.

— Ele está escondido no seu quarto não é? — ela falou desafiando.

— Eu já falei... — comecei a falar mas Bianca atravessou a sala e antes que eu pudesse impedi-la foi até a porta do meu quarto, ela viu qual era o que a Jú havia entrado, então deduziu qual era o meu.

— O que você acha que está fazendo?! — Perguntei indo atrás dela.

Ela se abaixou e olhou em baixo da cama levantou rápido e olhou ao redor.

— Onde é seu banheiro? — falou como se faltasse uma parede no apartamento.

— Não tem banheiro no meu quarto. — falei como se fosse óbvio.

Bianca olhou com cara de desdém para tudo e abriu meu guarda-roupa antes que eu pudesse impedi-la. Também não fiz muita objeção já que Enzo não estava ali mesmo.

Ela fechou as portas novamente com um ar totalmente esnobe na cara, provavelmente pensou em perguntar onde estava o resto das minhas roupas.

Saiu do meu quarto apressada e abriu a porta do banheiro, olhando dentro do box e fechando de novo, então abriu com tudo a porta do quarto da Jú.

— Que merda você acha que está fazendo sua patricinha ridícula?! — Jú deu um salto da cama, ela estava se beijando com Leê e parecia furiosa.

— Ele está aqui, sei que está.

—Se você der mais um passo dentro do meu quarto eu juro que vou te colocar a pontapés para fora desse apartamento. — Jú ameaçou com um olhar que até eu teria ficado com medo se não tivesse segurando e disfarçando totalmente a minha vontade de explodir numa gargalhada.

— Enzo! — Bianca gritou.

Por um momento achei que ela o tivesse visto, mas não viu.

— Saia. Agora. Do. Meu. Quarto. — Jú falou dando passos para a frente.

— Ah, cala essa...

Mas ela não terminou de falar. Jú segurou a Bianca pelos cabelos com uma mão muito firme e começou a puxá-la para fora do quarto.

Bianca caminhava sendo praticamente arrastada.

Eu e Leê paramos vendo a cena de olhos arregalados, nunca tinha visto a Jú tão furiosa na vida e se eu não soubesse que a única coisa que ela faria seria pôr a Bianca para fora puxada pelos cabelos eu talvez tivesse interrompido, porque a Bianca estava grávida e bater nela seria covardia... por mais que eu quisesse dar uns bons tapas naquela cara nojenta.

Jú abriu a porta com a mão livre, Bianca segurava a mão da Jú que prendia seus cabelos com as outras duas mãos tentando se livrar do aperto. Achei que Jú fosse largar Bianca no corredor e fechar a porta, mas quando ela continuou andando lá fora Leê e eu corremos para a porta. Quando chegamos no corredor Jú já estava no elevador e as portas estavam se fechando.

Leê e eu nos encaramos de olhos completamente arregalados e corremos para a sacada, Enzo veio atrás perguntando o que havia acontecido o que estava acontecendo, ele parou escondido atrás da cortina e vimos quando a Jú apareceu na calçada em frente ao prédio. O motorista da Bianca ficou chocado e sem reação, como ele não fez nada, Jú abriu a porta de trás do carro e jogou Bianca lá dentro.

— E dá próxima vez que você sonhar em pisar na minha casa e principalmente no meu quarto, eu juro que vou esquecer que você está grávida! E mais uma coisa, — ela falou encarando a Bianca. — Se você se meter com a minha amiga de novo, queridinha, aí sim você vai ver o que eu faço quando fico enfurecida, porque neste momento estou levemente irritada por você ter atrapalhado um momento íntimo com o meu namorado só porque não sabe por onde o seu anda! — E dizendo isso ela bateu a porta com força e o motorista da Bianca ainda de boca aberta deu a volta no veículo e vimos ele partir.

Um minuto depois Jú entrava pela porta do apartamento. Enzo, Leê e eu estávamos parados na sala sem saber o que dizer.

— O quê? Eu sei que vocês queriam fazer isso tanto quanto eu.

E dizendo isso nós quatro caímos na risada ainda meio bobos com o que acabara de acontecer.

Depois de almoçarmos ficamos conversando mais um pouco sobre o que havia acontecido, como a Bianca sabia que o Enzo estava ali?

— Só se ela fala com o Caio, mais do que somente na agência... — Enzo comentou.

— Será que eles são amigos?

— Estranho que ele nunca comentou que era amigo dela, ele nem fala nela... Só disse uma vez que conhecia e que já tinham feito umas fotos juntos...

— Pois é, mas a única pessoa que sabia que o Enzo estava aqui era o Caio.

— Ele deve ter feito fofoca para ela, e talvez a Bianca tenha ido na sua casa e sei lá, seu pai percebeu que você não estava em casa...

— É. Nossa, ela deve ter ligado para o meu celular e está no silencioso. — Enzo pegou o celular e viu que tinha vinte chamadas perdidas.

— Credo, essa ai marca em cima. Se o cara não atendeu nas três primeiras vezes é melhor desistir... — Leê falou rindo.

— Ela vai querer saber onde você passou a noite... — falei apreensiva.

— Nunca dei muita satisfação para a Bianca. — ele deu de ombros. que se dane. Seria melhor ela ter me visto aqui, assim talvez desistisse de uma vez.

— Enzo! Ela poderia perder o bebê! — falei repreendendo ele.

— Enzo... — Jú falou baixinho. — Você tem... certeza? Tem certeza que ela está grávida mesmo?

Eu encarei a Jú por um momento, era claro que a Bianca estava grávida, já dava para ver uma pequena forma da barriga dela e ela sempre foi bastante magra, qualquer detalhe era perceptível.

— Tenho. Ela me mostrou o exame e eu conheço o médico, ele não falsificaria...

— Jú, já dá até para ver. — falei.

Jú se recostou no sofá e ficou olhando pela janela.

— Sei lá, ela só parece do tipo que faria algo assim. Se ela teve capacidade de vir até aqui só por pensar que o Enzo estava aqui então ela teria coragem para mentir dizendo que estava grávida só para prender o Enzo a ela de uma vez.

— Ai Jú, isso é coisa de novela, por favor, a Bianca pode ser uma patricinha mimada e tudo mais, mas ela não ia mentir que está grávida, seria muito fácil descobrir a verdade assim que a barriga não começasse a crescer depois de meses.

— Mas aí ela já estaria casada e poderia fingir que perdeu ou qualquer coisa assim.

— Jú, o Enzo confia no médico com quem ela fez a ultrassonografia...

Por mais que eu quisesse que a Jú estivesse certa, a Bianca estava sim grávida, não tinha como negar.

Mais tarde Enzo pediu para mim me arrumar que íamos dar uma volta.

— Uma volta onde? A gente não pode ser visto juntos... você sabe, ainda mais com a Bianca te procurando por aí... — falei.

— Ela não vai encontrar a gente, eu prometo. — ele falou e sorriu, piscou um olho e me abraçou pela cintura. — Vou te mostrar um lugar que você vai adorar.

Eu sorri e fui trocar de roupa, coloquei uma calça jeans e uma camiseta, calcei meu all star e arrumei o cabelo um pouco.

— Está bom assim? — perguntei quando ele entrou no quarto.

— Perfeita. — ele sorriu e me deu um selinho.

Saímos e fomos para o meu carro, Enzo pediu para dirigir então sentei ao lado dele no caroneiro. Ele saiu do prédio e ligou o rádio, estava tocando uma música legal enquanto ele se dirigia para a saída da cidade.

— Onde vamos? No mesmo lugar da última vez? — perguntei me referindo ao passeio para a outra cidade que tínhamos dado uma vez.

— Não, um lugar muito mais legal. — ele sorriu.

Enzo dirigiu por uns dez minutos então paramos no acostamento da estrada onde tinha uma pequena loja/restaurante.

— Espere aqui, eu já volto.

Enzo foi até o estabelecimento e entrou, voltou logo com uma cesta daquelas de piquenique.

— A gente vai fazer um piquenique? — perguntei sorrindo.

— Sim. — ele sorriu. — mas é num lugar especial.

— Me conta logo. — falei rindo, estava ficando curiosa com aquilo já.

— Você vai ver.

Ele voltou para a estrada e dirigiu por mais uma meia hora, as casas iam ficando cada vez mais afastadas umas das outras, os campos verdes encostavam no céu azul ao fundo e nada mais existia na paisagem exceto algumas árvores ou um e outro lago pelo caminho.

— Estamos chegando. — ele falou dobrando em uma entrada.

Paramos em frente a um enorme portão de ferro branco, a paisagem me deixou sem fôlego, Enzo apertou um botão em um controle e o portão se abriu, entramos e passamos por uma estradinha ladeada por árvores até chegarmos em frente a uma mansão de três andares.

— Enzo... onde, onde estamos?

— Essa casa era da minha mãe. Ela projetou cada centímetro desse lugar. — ele falou sorrindo. — Não venho aqui desde que ela morreu, ninguém mais vem.

— Mas... está tão conservada...

— Ah, tem o caseiro e a mulher dele que cuidam de tudo aqui, mas eu os dispensei hoje, queria ficar aqui só com você. — Enzo levou a mão até meu rosto e tocou de leve minha pele fazendo com que eu sentisse um arrepio, depois sorriu.

— Isso aqui... é como um sonho, é lindo...

— Eu sabia que você gostaria. Minha mãe também amava esse lugar.

Saímos do carro e Enzo segurou minha mão, começamos a caminhar devagar em direção a entrada da casa.

— Por que vocês não vêm mais para cá?

— A minha mãe era a luz e a alegria desse lugar. Meu pai não suportou mais ver isso aqui depois que ela se foi e a Fer não morava mais aqui no Brasil, eu não vinha porque sabia que sentiria mais ainda a morte dela estando aqui, era difícil. Meu pai quis vender a casa, eu não deixei, disse que se ele vendesse a casa destruiria minha mãe porque isso aqui sempre foi o sonho dela, seu lugar encantado. Ela cuidava de cada flor, de cada cantinho desse jardim por puro prazer, eu não conseguiria ver isso nas mãos de outra pessoa. Então meu pai disse que eu deveria me virar, ele não venderia a casa mas também não iria conservá-la. Então eu comecei a trabalhar na empresa e manter isso aqui. — olhei para ele, ele deveria gastar todo salário para manter esse lugar. — Não, não é tão caro manter isso aqui quanto parece. Célio e Anelise são os únicos empregados, eles cuidam de tudo, amavam minha mãe e recebem uma quantia por mês para isso, mas não é tanto assim. Sempre pude manter isso aqui e ainda assim gastar um monte por aí. — ele deu de ombros.

Naquele momento eu percebi que o Enzo havia mudado, e muito, desde que eu o tinha conhecido. Ele estava falando com humildade agora, não se achando nem querendo parecer que tinha um monte de dinheiro para jogar para o alto, ele falou como se esse dinheiro nem lhe importasse mais.

— Vem, vou te mostrar a casa. — disse abrindo a porta da frente com uma chave e nós entramos.

Nem nos meus sonhos eu teria imaginado um lugar mais bonito. Ele acendeu as luzes e tudo aquilo parecia o palácio encantado de uma Cinderela. O contraste entre as cores do ambiente era perfeito, havia quadros de bom gosto, flores, e cada coisa parecia estar num lugar tão perfeito para ela que se mexemos um centímetro o conjunto se perderia.

Passamos pelos outros cômodos, todos lindos, perfeitos e que me deixavam boba, aquilo era mesmo o sonho de uma menininha adolescente que quer encontrar o príncipe e viver feliz para sempre em um lugarzinho especial, só seu.

Depois de olharmos cada cômodo Enzo me levou até os fundos da casa, só naquele momento percebi que havia um rio, depois de um bom pedaço de gramado verde, chegamos ao dique e sentamos colocando os pés na água.

— Nossa, Enzo. É o lugar mais lindo que eu já vi na vida. — falei sendo sincera.

— Que bom que gostou. — ele abriu um sorriso lindo para mim.

Ficamos abraçados vendo o céu azul e aproveitando aquele silêncio cortado somente pelo canto dos passarinhos.

Um tempo depois Enzo buscou a cesta de piquenique, colocou uma toalha xadrez no chão e sentamos, conversamos, rimos e brincamos, e eu sabia que aquele dia ficaria para sempre na minha memória como outros tão perfeitos que passamos juntos. Deitada ao lado dele na grama, vendo ele sorrir para as nuvens no céu azul eu percebi que jamais esqueceria ele, mesmo que me apaixonasse novamente, tinha a certeza de que ele seria para sempre o único homem que eu realmente amei.

Notas finais
Contem-me o que estão achandoooo, logo logo vamos ter uma surpresa, sério vocês NÃO PODEM PERDER os três próximos capítulos SAHDSDHSIUHDSAI ~planos, muitos planos~ BEEEIJOS!