Opostos Perfeitos
38 Capítulo 37
Notas iniciais
Capítulo 37
Narrado por Rafaella:
As palavras dele eram lindas, Enzo parecia ter virado outra pessoa, era difícil acreditar que o cara que eu quase quis matar quando conheci pudesse me fazer tão feliz. Era estranho ver que aquele idiota, mal educado, sem noção e estúpido tinha um coração. Um coração lindo.
Estávamos deitados na lona do ringue, nos encarando.
— Eu não consigo imaginar você indo embora em uma semana. — ele confessou baixinho.
— Enzo, somos adultos, você entende que é o melhor e o certo a fazer. — falei — Você vai ser pai, vai noivar e logo estará casado. Não podemos continuar com isso. Quando eu aceitei essas duas semanas prometemos um ao outro que seria somente isso, que nos amaríamos, que seríamos felizes. — falei com a voz embargada.
— Eu quero que possamos continuar sendo felizes. — ele respondeu.
— E eu queria muito acreditar que conseguiríamos. Mas não é assim que vai ser. Eu não vou mais dizer que você deveria ter encarado seu pai há muito tempo porque agora tem uma criança em jogo. — falei. — Não posso fazer isso, Bianca envenenaria seu filho contra você e contra mim, nossa vida seria uma confusão, e também, quando você senti-lo, ele será a coisa mais importante da sua vida. — Encarei Enzo com uma lágrima escorrendo pelo meu rosto.
Sim, Enzo, eu sei o que estou falando. Quando você sentir seu filho, quando pegá-lo no colo, quando abraçá-lo... você vai saber o que quero dizer. Ele será o que há de mais importante no mundo para você e você vai querer que ele cresça feliz, sem confusões. É isso que eu quero para o filho que estou esperando, o nosso filho. E é por isso que vou embora.
— Por que você está chorando? Não chore. — ele me puxou para perto sem entender porque eu chorava. — Eu vou amar meu filho, eu sei disso, não se preocupe, não vou abandoná-lo.
Eu sei que não vai, Enzo, e é por não querer que você o abandone que vou embora. Sei que posso criar nosso filho com muito amor e carinho, mas Bianca não faria isso pelo filho que ela está esperando e eu só quero um pouco de paz, quero começar minha vida de novo e prometo amar nossa criança e jamais vou privá-lo de saber quem você é e que você não tem culpa de eu ter ido embora, vou fazer que ele lhe ame como eu amo.
— Rafa, por que você está chorando tanto, o que há? O que você tem?
— Nada, eu só... só... não sei. — menti.
Ele me fez levantar e sentar na lona, me abraçou novamente e eu me aninhei em seu peito. Aos poucos me controlei e controlei os soluços.
— Ei, não é essa a imagem que eu quero da minha primeira foto de prêmio viu? Eu quero o seu sorriso mais lindo. — ele falou ainda me abraçando e me fazendo sorrir um pouco.
— Eu não sou nada fotogênica, as fotos ficarão feias, você só vai perder tempo. — falei em defesa.
— Você não tem ideia do quanto é bonita, não é? — ele me afastou um pouco para ver meu rosto e colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
— Idiota. — dei um empurrão de leve nele com um meio sorriso no rosto.
— Olha só a marrenta falando.
— Fica quieto. — reclamei.
— Até parece que me manda...
— Não mando em você. — dei de ombros.
— Eu sei. Mas eu mando em você. — ele falou e eu fiz uma cara do tipo “você que pensa”.
— Só nos seus sonhos.
— Não, não, lá na empresa mesmo... — falou se achando.
— Você se acha demais, Machiello.
— Eu posso.
— Ridículo.
— E você fica de quatro. — ele piscou.
— Como é?!
— O que você ouviu ué. — ele disse segurando um sorriso.
— De quatro eu vou deixar você agora! — falei e pulei em cima dele tentando fazê-lo cair para trás.
Enzo e eu começamos a rolar pelo ringue um por cima do outro rindo e trocando selinhos. A porta estava fechada e estávamos tentando não fazer barulho para que ninguém fosse ver o que estava acontecendo.
— Ai, calma, calma, daqui a pouco vou vomitar! — falei porque senti uma pequena pontada no estômago. Eu sabia que o enjoo não seria somente por rodar no meio do ringue, mas ele não perceberia aquilo.
— Você é fraquinha, hein. — ele riu.
— Ah, nossa, e você é muito forte né? — falei irônica.
— Eu sou, levanto duas de você. — ele se gabou.
— Sim, sim, acredito. — falei virando os olhos.
— Ah é? — me olhou com as mãos na cintura e com uma cara do tipo você vai pagar por esse deboche.
— Sim, você fala muito e faz pouco. — provoquei.
— Você percebeu que não tem pra onde correr não é? — ele falou e eu percebi que ele tinha razão.
Opa.
Enzo sorriu vendo minha cara e quando eu tentei me afastar ele me segurou no mesmo instante e me ergueu em seu colo roubando um selinho e rindo depois.
— Viu? Ergueria fácil mais uma de você.
Eu balancei meus pés no ar e dei risada dele, meus braços estavam enlaçados no seu pescoço e ele estava sorrindo feito um menino.
— Rafa... — ele suspirou me olhando nos olhos. — Você tem ideia de como é bonita?
— Nossa, que galanteador. — falei brincando mas ficando corada.
— Deixei alguém envergonhada? — ele me olhou erguendo a sobrancelha.
— Para. — ri para ele pedindo para que parasse. Enzo estava me olhando de um jeito que eu poderia descrever como sendo a cena de um filme, apaixonado. E sim, aquilo me fazia corar e acelerava meu coração.
— Como pode? — ele me perguntou e eu o olhei confusa.
— Como pode o quê?
— Alguém ser tão perfeita como você.
Mordi o lábio sorrindo.
— Ah, você não é nada mau também sabia? — falei para ele brincando.
— Ah, é? Isso quer dizer que você acha bonito?
— Só um pouquinho, não precisa abrir um sorriso tão grande, ok?
— Como não? Você acabou de confirmar que eu sou bonito, lindo, gostoso e maravilhoso... Sei que sou tudo isso — ele disse se achando mas em tom de brincadeira — mas saber que você acha tudo isso de mim... é muito melhor.
— Nossa, você se acha de mais garoto! — falei dando um tapa de leve nele.
— Eu posso. — ele deu de ombros ainda me segurando nos braços.
— Seu metido! — resmunguei virando os olhos. — pode me por no chão agora.
— É melhor mesmo, você tá pesadinha. — ele me colocou em pé na maior cara de pau.
— Eu estou no peso ideal, querido, você que é fraquinho mesmo. — pisquei para ele respondendo e tirando com a cara dele que era o que ele queria fazer comigo.
— Ei, assim magoa. — ele fez bico.
— Nossa, não me aguenta e agora está todo emotivo... Eu hein... — falei segurando o riso. — Isso não é coisa de homem... — fiz um cof, cof, cof e ele virou o rosto para o lado me encarando com um leve sorriso.
— Você está me chamando de fracote?
— Eu pensei em maricas, mas fracote é legal também... — respondi séria fingindo que aquilo não era importante.
No mesmo instante Enzo me puxou para ele segurando meu cabelo forte em uma de suas mãos e fazendo pressão na minha cintura com a outra, sua língua encontrou a minha de maneira feroz.
Enzo puxava meu cabelo com força fazendo com que minha cabeça ficasse inclinada para trás enquanto me beijava, a mão que estava na minha cintura começou a subir pela minha barriga nua, eu estava usando um top de ginástica, ele deu um apertão forte e subiu mais sua mão, soltei um gemido baixo em sua boca e seus lábios começaram a percorrer a linha do meu pescoço.
— Enzo... — sussurrei enquanto meu corpo sentia o calor de seus lábios.
Puxei a camiseta dele expondo seu abdômen definido, eu adorava aquela parte esculpida de seu corpo em forma de V. Eu adorava cada parte do corpo dele na verdade.
— Me dê um motivo para não fazermos, aqui, agora. — ele pediu no meu ouvido com sua voz sensual.
Eu não tinha motivos. Dane-se que atrás daquelas portas destrancadas haviam algumas dezenas de pessoas que poderiam abri-la a qualquer momento. Dane-se que precisávamos ir ou nos atrasaríamos para o trabalho.
— A porta... — eu consegui falar com um grito da sanidade que ainda não havia sumido.
Suas mãos deslizaram por todo o meu corpo enquanto ele voltava a me beijar e senti um vazio quando ele descolou nossas bocas e corpos e me olhou com a respiração alterada. Enzo me deu um selinho e com um movimento pulou as cordas do ringue e desceu indo até as portas com três passos, girou a chave e trancou-a. Em cinco segundos eu estava em seus braços presa contra as cordas do ringue e sua boca me desejava com intensidade.
— Nós vamos nos atrasar. — sussurrei passando a mão pelo seu peito enquanto estávamos deitados no chão do ringue.
— Mas eu não quero ir ainda... — ele choramingou.
— Eu acho melhor a gente ir... — sorri dando um beijo no ombro dele.
— Hmm... isso é bom. — ele virou o rosto para me olhar com um sorriso.
Eu sorri e me levantei, joguei a camiseta dele para ele, Enzo levantou e se vestiu, ninguém havia batido na porta enquanto estávamos trancados lá dentro, isso me deixou menos vermelha para sair de lá.
Arrumamos nossas coisas e Enzo destrancou as portas, saímos como se não tivéssemos acabado de nos amar no ringue de boxe da sala. Enzo andava do meu lado com um braço pelas minhas costas, agarrado na minha cintura.
— Enzo... as pessoas estão vendo... — olhei para ele censurando.
— Ah, essa sensação é tão boa.
— que sensação?
— De você ser minha. — ele sorriu.
— Eu acho melhor você parar porque a Bianca também vem aqui.
— Ah. — ele reclamou e tirou a mão das minhas costas.
Saímos e nos separamos, eu fui para casa tomar um banho rápido antes de ir para a empresa e o Enzo fez o mesmo.
Cheguei na empresa em cima da hora, Enzo chegou uns cinco minutos, atrasado, mas ninguém percebeu. Ele entrou em nossa sala e fechou a porta.
— Olá secretária gostosa, sorria para mim. — Falou entrando na sala e eu levantei o rosto fazendo uma careta para o modo como ele havia me chamado.
Click.
Enzo tirou uma foto minha quando ergui a cabeça e sorriu.
— Como é legal ganhar uma aposta. — ele piscou.
— Enzo! Apaga, essa deve ter ficado horrível, melhor, não tira mais nenhuma, vai estragar a máquina. — reclamei.
— Tá maluca? Deve ser a foto mais bonita que essa câmera já registrou.
— Ah, é? — falei erguendo uma sobrancelha e rindo da bobeira dele.
Click.
— Correção, essa deve ser a mais linda.
— Enzo...
Click.
— Isso mesmo, faça todas as caras.
Click.
— Para com isso, eu estou trabalhando. — falei voltando o olhar para o computador.
Click.
— Enzo! — falei levantando e andando em direção a ele com a mão estendida para tirar a câmera.
Click.
Click.
Click.
Quando fui puxar a câmera ele segurou minha mão e me puxou para ele me dando um beijo.
Click.
— Você me faz tão bem. — Sussurrou em meus lábios.
— Eu gosto de te fazer bem. — Sorri com meus braços em volta do pescoço dele.
— E se eu for com você para a Itália sábado? Eu podia fugir.. Mais do que deixar meu pai maluco não iria...
— Você seria deserdado, para dizer o mínimo, você mataria seu pai com isso e tem a Bianca. E... é... hum... o Caio vai comigo.
— O Caio vai com você? — Enzo se afastou de mim para me encarar.
— É... hum... na quinta depois do jantar ele perguntou se eu gostaria que ele fosse comigo, e eu respondi, mas eu não terminei de responder e ele entendeu meio errado, quer dizer, eu disse que gostaria que ele fosse e eu ia completar dizendo que achava melhor não, mas não terminei de falar então...
— E você não falou depois para ele? Não explicou que você vai sozinha, quer dizer... você ainda pode falar com ele, claro... você podia ligar agora... — Enzo falou passando a mão nos cabelos, ele parecia um pouco desconcertado.
— Hum... não... tudo bem ele ir comigo, acho que até me sentiria perdida sozinha na Itália, não conheço nada nem ninguém lá, assim pelo menos tenho o Caio... — falei com cuidado, não queria magoar o Enzo e sabia que ele não gostava do Caio.
— Ah... Assim você tem ele. Claro. Perfeito. — Enzo falou tentando disfarçar a ironia.
— A Jú não tem como ir comigo e achei legal o Caio se oferecer para ir junto, ele até vai pedir folga na agência.
— Ah, sim. — Enzo falou ainda irônico e sentou em sua cadeira passando a mão nervosa pelo cabelo. — Que ótimo. Ele é um babaca, um oportunista, isso sim. — Enzo resmungou algo baixo que não entendi direito.
— Olha, Enzo, o Caio é meu amigo e se ofereceu para ir comigo, eu não quero estar sozinha num país que não conheço nada nem ninguém e que também não domino a língua.
— Mas você não vê que ele só está fazendo isso porque ele sabe que vocês vão se envolver lá?! Ele quer ficar com você, quer dizer... ele quer ir com você para isso, para te conquistar... — a voz do Enzo foi morrendo.
— E daí, Enzo? — perguntei para ele baixo, sem encará-lo. — O que você quer que eu faça?
Ele quer me cobrar o quê? Quer que eu não namore ninguém enquanto ele casa e vive a vida dele?
— Eu... — ele suspirou e colocou as mãos no rosto. — Eu sei que não posso te pedir isso, mas... mas eu... eu não quero perder você. — Enzo falou baixo.
— Enzo, pare de dizer essas coisas se você não vai ficar comigo, para que torturar a nós dois? Você gosta de mim, eu sei, e eu também gosto muito de você, mas se não vamos ficar juntos está na hora de começarmos a aceitar.
— Eu sei. — sua voz saiu como um sussurro. — Só que imaginar você com outro dói.
Naquele momento a porta do escritório se abriu e Augusto entrou.
— Bom dia. — ele disse olhando para mim, Enzo estava com um olhar dolorido. — Enzo... você está bem?
— Não, pai. Eu não...
— Bom, então tome uma água e peça a Beth algum remédio, temos uma reunião em dez minutos e eu preciso dos dois lá.
Augusto saiu e fechou a porta e eu olhei para o Enzo com pena enquanto ele abaixava sua cabeça incrédulo.
— Você viu? Você entende o quero dizer quando não consigo falar com ele? Ele não me ouve, nunca. Nada que eu digo importa para ele.
— Enzo... — falei e fui até ele parando ao seu lado. Puxei a cabeça dele e coloquei na minha barriga sentindo um tremor no meu corpo, ele passou os braços em volta de mim e me abraçou.
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