Opostos Perfeitos

20 Capítulo 19


Notas iniciais
Olá gente bonita, alguém aí morrendo de curiosidade para saber o que houve depois de Bianca soltar aquela no capítulo passado? Pois então, ai embaixo, um super capítulo para vocês MUHAHAHAHA está gigante, por isso preparem seus corações, e... Divirtam-se! Boa leitura! ;)

Capítulo 19

Narrado por Rafaella:

Bianca falou que estava grávida sem mais nem menos e o vaso de flores que eu ajeitava em cima da mesinha ao lado do sofá escorregou das minhas mãos e caiu no chão.

— Sua destrambelhada! — Bianca falou me olhando como se eu fosse anormal.

Olhei para o Enzo sem reação, ele estava mudo.

— Des... desculpe... Vou pegar uma vassoura e limpar essa sujeira. — Saí da sala rápido.

— Rafa... — Escutei Enzo chamar enquanto eu saía.

— Você vai querer estar junto quando eu falar com seu pai ou não, Enzo?! — Bianca ainda disse.

Passei rápido pela Beth e fui procurar uma vassoura para limpar a merda que tinha feito. Como eu pude ser tão trouxa meu Deus? É óbvio que tudo aquilo lá em cima, todo aquele sentimentalismo, tudo era fingimento dele. Nossa Rafaella, você realmente se superou dessa vez! Incrível! Você foi muito otária mesmo!

Peguei a vassoura com raiva do mundo todo e fui rápido para aquela maldita sala onde eu teria que passar o resto do dia. Limpei os cacos de vidro e ainda consegui cortar o dedo, maravilha. Limpei tudo lá e depois peguei um bandeid na bolsa, sempre tinha coisas assim perdidas lá dentro, achei até uns cupons da loteria que eu e a Júlia tínhamos jogado no final de ano por zoação, nem chegamos a conferir os bilhetes, talvez fossemos milionárias e nem sabíamos, de qualquer modo os bilhetes não valeriam mais agora... As coisas nas quais você pensa quando está nervosa... É, minha amiga me fazia bem mesmo não estando perto de mim para me dar o ombro.

— Rafa... eu... eu não sei o que aconteceu. — Enzo entrou na sala e fechou a porta.

— Ah, você não sabe... Vai ver a cegonha colocou umas sementinhas no pão matinal da Bianca, ela engoliu e agora vai nascer um bebezinho dentro dela! — falei irônica.

— Rafa, é sério, você tem que acreditar em mim, eu não tinha ideia... ela parou de tomar os comprimidos... eu não sabia...

— Você nunca ouviu falar em camisinha então?! Deixa de ser ridículo!

— Não usei camisinha com você também e não disse nada.

— Eu tomo meus comprimidos em dia. E pode ter certeza que se por acaso ficasse grávida de você eu sumiria da sua vida.

— Você não teria o direito de fazer isso comigo.

— Ah, por favor! Como se você se importasse! Contaria pra você para que? Para você me jogar na rua como um lixo dizendo que eu queria te dar o golpe do baú?! Quer saber, vai se danar! Você já tem um filho para criar, não se preocupa que não vai ter outro, pelo menos não comigo. — Eu não aguentava mais olhar para a cara dele, saí da sala e o deixei sozinho.

— Rafa? O que aconteceu? — Beth perguntou, limpei o rosto, estava a ponto de chorar quando cheguei a frente do escritório.

— Eu... parece que eu vou explodir Beth, não quero chorar, mas é tão... — respirei fundo — não posso chorar, só que é tão difícil! Droga!

— Calma, querida, – falou em tom maternal – vem comigo.

Beth me levou até a salinha onde já havíamos conversado várias vezes e fechou a porta. Sentou-se ao meu lado.

— Você está apaixonada pelo Enzo, não é? — foi direta.

— Eu... não...

— Está na sua cara isso.

— Eu estava, tá bom, estava!

— E por que não está mais?

— A Bianca está grávida.

— E daí? O Enzo não está na barriga dela.

Olhei para o rosto da Beth achando que ela estava zoando com minha cara, mas ela permaneceu séria.

— Escuta, Rafa, o que eu quero dizer é que um filho não segura uma família hoje em dia. Antigamente sim, as coisas eram diferentes e se uma mulher aparecesse grávida casavam na hora, mas os tempos mudam querida, as coisas não acontecem mais assim hoje em dia.

— E o que espera que eu faça? Ou melhor, o que espera que o Enzo faça? Que ele abandone a Bianca e fique comigo?! Ele nunca faria isso por mim, ele só quer diversão, e eu não aceitaria que ele deixasse ela sozinha.

— Rafaella, já chega. Será que é tão difícil entender que o Enzo também está apaixonado por você?! — ela me pegou de surpresa. — Eu não estou dizendo que ele tem que abandonar a Bianca para ficar com você, estou dizendo que ele é o pai da criança e que deve agir como um pai, mas pra ser pai ele não precisa casar com a Bianca! Ele pode muito bem criar o filho estando com outra pessoa, ser pai não é amar somente a mãe do filho, aliás, ser pai é amar ao filho e não a mulher, amar a mulher é ser marido, não pai! E ele não precisa amar a Bianca para amar a criança que ela está esperando! E de você, eu espero que tenha consciência de que o filho da Bianca não é a Bianca, e espero que o trate como uma criança deve ser tratada porque ele não tem culpa de ter sido gerado na barriga dela. Eu sei que você é uma pessoa muito ética e responsável, querida, e não espero outra atitude de você a não ser essa!

— Eu sei Beth, eu sei, não conseguiria fazer mal a criança, entendo que ela não tem culpa, mas, mesmo assim, o Enzo vai ter que casar com a Bianca, isso já está escrito para os dois. E ele não vai dizer não, o que aconteceu entre nós dois não passou de diversão pra ele. — balancei a cabeça.

— Espera... — Beth pensou e eu percebi que havia feito merda. — como assim o que aconteceu entre vocês dois? Vocês...

— Sim.

Beth me olhou surpresa, mas, ao mesmo tempo, parecia feliz, a porta da salinha se abriu.

— Rafa... — Enzo falou.

— Eu acho que vocês precisam conversar. — Beth se levantou e saiu.

Enzo sentou ao meu lado e segurou minha mão, viu o bandeid no dedo e passou a mão por cima acariciando.

— Me perdoa. — falou olhando nos meus olhos.

— Você não tem que me pedir perdão. — balancei a cabeça.

Eu estava muito confusa, poderia dizer que estaria ao lado dele e que ficaria com ele se ele quisesse ficar comigo, mas, ao mesmo tempo, mil coisas giravam na minha cabeça e por mais que eu quisesse dizer aquilo, a única imagem que surgia na minha cabeça era ele em um altar casando-se com a Bianca. E aquilo me torturava por dentro e minhas ideias mudavam, de uma hora para outra eu queria explodir com ele de novo e pedir que me deixasse em paz e um segundo depois tinha vontade de estar em seus braços outra vez.

— Eu não queria que isso acontecesse. — ele disse de cabeça baixa. — Se eu soubesse...

— Enzo, olha, eu não estou bem e você também não, minha cabeça está muito confusa e eu tenho certeza que a sua também, então será que a gente pode esquecer isso hoje? Será que podemos passar o resto do dia sem falar nisso? Por favor... — pedi. — Eu... eu não aguento mais ter que pensar nisso e não quero dizer algo para você que faça eu me arrepender depois, então...

— Tudo bem, eu entendo você. — ele segurou minhas duas mãos e me olhou nos olhos. — Eu gosto de você, nunca me apaixonei antes e não sei se o que eu sinto é amor de uma vida toda porque simplesmente não sei definir o que eu sinto, só sei que quando escutei a Bianca e vi a expressão no seu rosto... eu... eu queria poder de alguma forma tirar aquela expressão de você. E eu percebi que o resto não importava, eu só queria encontrar um jeito de ver você sorrindo de novo. Não sei dizer o quanto, Rafa, só sei que gosto muito de você, muito mesmo.

Então ele levantou e me deu um beijo na testa. Enzo me deixou sozinha na salinha e eu pude respirar finalmente, nos últimos segundos havia prendido a respiração e segurado a vontade de chorar. Sim, existiam muitos casos como o que estávamos passando, muitos pais que não amavam as mães de seus filhos, que se apaixonavam por outras pessoas, que tentavam viver outros romances, mas e como eu me sentiria impedindo uma criança de crescer ao lado do pai todos os dias? Eram os tempos de hoje. Mas quem disse que a minha cabeça girava em torno desses tempos? Eu havia crescido sem meu pai e sabia o quanto aquilo doía, e se eu sabia dessa dor, por que fazer uma criança sem culpa alguma passar por isso? Enzo não abandonaria o filho como eu fui abandonada, mas será que isso seria suficiente? Apesar disso, eu conseguiria ficar longe dele?

Naquele dia, Enzo e eu tentamos nos concentrar ao máximo em nosso trabalho e esquecer os problemas. A noite, depois de tomar banho e estar na minha cama, repassei todo o meu dia criando forças para decidir por lutar ao lado dele, se ele gostasse de mim como dizia, eu ficaria ao seu lado.

No dia seguinte cheguei no horário de sempre, fui para minha sala e logo o Enzo chegou também.

— Oi... — ele esboçou um sorriso fraco.

— Enzo... Oi. — sorri, queria abraçá-lo e dizer que ficaria ao lado dele, mas me contive. Levantei da mesa e ele chegou até mim, estava de costas para a porta, segurou minha mão e deu um sorriso um pouco melhor, parecia que tinha lido em meus olhos que eu estava do seu lado.

A porta abriu.

— Enzo, Rafaella, venham à minha sala, por favor. — falou e saiu deixando a porta aberta para que o seguíssemos.

Olhei para Enzo e o sorriso havia saído de seu rosto.

Entramos na sala do Augusto, ele fechou a porta e foi até sua mesa, sentou e nos convidou a sentarmos também. Ajeitou uns papéis em cima da mesa e começou a falar.

— Enzo, depois do almoço você precisa ir comprar o terno para o jantar de sábado. Você está convidada, Rafaella, será no Plaza Club as oito horas da noite. — Augusto sorriu, parecia de bom humor. — Ah, e a propósito, logo depois do jantar preciso que os dois embarquem para os Estados Unidos, tem algum problema para você, Rafaella?

Ele havia me pegado totalmente de surpresa, com duas notícias ainda, primeiro, o jantar de noivado já seria no sábado, segundo, uma viagem para os Estados Unidos? Enzo e eu?!

— Eu... bem... eu... é. Certo, posso. Mas o quê...

— Preciso que o Enzo pegue uns papéis para mim em uma multinacional filial da empresa, estávamos com um projeto de ampliação no Colorado, enfim, está tudo aqui. — ele me estendeu uma pasta. — faça uma cópia para você e dê este ao Enzo, preciso que estejam a par da situação da empresa para saberem como agir lá.

— Mas porque eu... quer dizer... Não acha melhor a Beth ou o Guilherme irem com ele?

— Preciso da Beth aqui e o Guilherme é de outro setor, além de que perto de você o Enzo parece ter mais vontade de trabalhar, então, ficarão lá até o meio da semana, chegarão no domingo de madrugada e pela manhã terão uma reunião, os horários estão aí na pasta, domingo a tarde, segunda e terça pode aproveitar para conhecer o Colorado — ele sorriu. — e na quarta terão mais uma reunião a tarde, estarão de volta na quinta de manhã e serei bonzinho dando o dia de folga. Alguma pergunta?

— Que horas é o voo?

— As nove, por isso o jantar será as oito, será algo rápido e não muito grande. Só para oficializarmos de uma vez isso. — Augusto sorriu satisfeito, para ele era um grande negócio unir as duas empresas. — Podem ir agora.

Levantei e fui saindo da sala. Enzo vinha atrás de mim.

— É demais para mim isso. — falei quando sentei em minha mesa.

— Não, na verdade é perfeito. — Enzo disse pensativo.

— Perfeito? — olhei incrédula para ele, ele achava perfeito noivar com a Bianca no sábado então?

— É, porque eu não vou noivar com a Bianca.

— Rá-rá! — ri irônica. — E vai fazer o que? Quer que eu te sequestre antes do jantar e te arraste para o aeroporto para fugirmos e sermos felizes para sempre?

Enzo ficou calado com um olhar determinado me encarando.

— Espera aí... Você quer mesmo que eu te sequestre?

Enzo assentiu com a cabeça.

— Você está de brincadeira comigo?! Quer que eu faça o que? Me vista de Batman e te tire do jantar com o batmovel?!

— Na verdade eu pensei em você e o Guilherme usarem máscaras de assaltantes e me tirarem de lá, aí antes das nove eu “fugiria” dos bandidos e embarcaria com você, o jantar seria adiado, a gente podia dar um pulo em Las Vegas e se casar em uma daquelas capelas de cassinos e quando voltássemos eu já estando casado não poderia me casar com a Bianca, isso deixaria meu pai um pouco... estressado, mas resolveria o problema. Agora se você preferir ir de Batman e Robin me sequestrar... aí é com você.

E ele falou tudo isso com a maior naturalidade do mundo, como se o único empecilho fosse eu me vestir de Batman.

— Talvez eu devesse ser o Robin então, sou mais baixinha que o Gui. — O encarei ele séria também. Enzo pareceu gostar da ideia. — Você está maluco?! Andou fumando alguma coisa?! Você acha que seu pai vai dar um jantar sem nenhum esquema de segurança, e mais, acha mesmo que vou me vestir de Batman??!!

— Robin... — ele me corrigiu.

Eu estava com uma dúvida cruel naquele momento, pulava nele e tentava estrangulá-lo ou dava com o vaso de flor que ainda estava inteiro em sua cabeça?

— Você só pode estar brincando né? — eu o olhava sem ação.

— Você tem alguma ideia melhor?

— Eu não vou sequestrar você, Enzo. Sem chances.

Gui entrou na nossa sala.

— E aí... mandou chamar?

— Sim, ajuda a Rafa a me sequestrar no sábado.

— Você escutou isso, Gui? — virei os olhos. — ele bebeu, se drogou, sei lá.

— Beleza, quando, como, que horas e assim... não que seja da minha conta, mas por quê?

— Ah! Claro, os dois são amigos, os dois fumaram juntos, só pode! — ergui as mãos para o alto e me joguei na cadeira, dois malucos.

— Sábado, antes do noivado...

— Saquei. Como vamos fazer?

— Vou fazer um esquema com os seguranças, tentar contratar um pessoal e deixar eles a par da situação, aí vocês chegam, assaltam e me pegam como refém, a gente vai embora, se esconde em algum lugar por um tempo e depois eu apareço lá, perto das nove dizendo que consegui fugir, a gente embarca e deu, não vou noivar com a Bianca.

— Ah, claro, desse jeito parece fácil, mas e seu pai vai deixar você fugir e não vai avisar a polícia nem nada? Se liga Enzo, sem chances disso dar certo!

— A gente se esconde e qualquer coisa queimamos as máscaras, se a polia nos pegar eu digo que vocês dois estavam me ajudando a fugir dos assaltantes.

— Isso não vai dar certo.

— E eles não vão sentir falta da gente no jantar, Enzo? — Gui, finalmente, pareceu mostrar algum sinal de lucidez.

— É, isso mesmo! Viu, é melhor desistirmos.

— Qualquer coisa vocês dois não foram porque estavam juntos...

— O quê?! — falei espantada.

— Nossa, Rafa, não sou tão feio assim. — Gui riu.

— Não... é que... ah. Esquece, não vou conseguir te fazer mudar de ideia né?

— Não. — ele deu de ombros.

— Mas também não vou participar dessa loucura.

— Vai, Rafa, é o único jeito de conseguir um tempo. — ele pediu segurando minhas mãos. — se eu noivar vai ser pior depois.

— Enzo, é loucura!

— Ah, não é tão doido assim, é só um sequestro e deu. — ele deu de ombros.

— E se der errado? Eu vou perder o emprego e é capaz de me prenderem!

— E eu lá ia deixar te levarem presa, Rafaella?! — ele sorriu e passou a mão no meu rosto.

— Tá, tudo bem. — concordei, aquela era a ideia mais estúpida do mundo, mas, afinal o que eu tinha a perder? Meu emprego... minha liberdade... Mas perderia muito mais se deixasse ele noivar com a Bianca, perderia o Enzo.

Notas finais
Então? O que me dizem? comentários, comentários, vamos lá, favoritamentos vão fazer minha felicidade e recomendações então nem se fala... HAHAHA Beeeeijão gente linda ;*