Opostos Perfeitos
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Capitulo 4
Narrado por Enzo:
Dei um beijo de boa noite na Rafa, um meio selinho, foi tão estranhamente bom aquele toque, chegar tão perto dela, aquele cheiro de banho recém tomado me chamando... Era estranho como eu fiquei perto dela, me senti... diferente. Completo.
Voltei para a sala e o pessoal estava vendo um filme de terror, sentei num sofá e fiquei lá esticado vendo a porta do quarto da Rafa fechada, dava vontade de voltar lá e dar um beijo nela, colocar contra a parede e só parar de beijar quando não tivesse mais jeito de respirar. Estava viajando nos pensamentos, quando escutei a Júlia falando com a Fer.
– Fer, dorme por aqui hoje?
– Não vou incomodar?
– Aff, só faltava né! — Júlia deu uma risada. — é obvio que não!
– Ah, e eu? — O Guilherme fez bico.
– Fica também ué. — Júlia deu de ombros.
– Vai ficar também, Enzo? — Júlia me chamou.
– Eu?
– É, pode ficar ai também, a Rafa vai adorar acordar e dar de cara contigo. — Ela disse e o pessoal riu.
– É, eu que sei o quanto ela vai gostar. — dei risada também. — eu fico.
Tinha três quartos no apê, a Fer e o Gui ficaram no que sobrava e eu fiquei com o sofá da sala mesmo, já que a Rafa devia ter trancado a porta do quarto... Ri pensando nisso.
Júlia ajeitou tudo ali para mim, logo que deitei peguei no sono.
Acordei já eram quase dez horas da manhã, tinha tirado a camisa para dormir e como estava tudo quieto achei que o pessoal ainda estava dormindo, levantei, fui no banheiro rápido, passei uma água no rosto e na boca e fui para a cozinha, coloquei água para esquentar e tinha um bilhete na geladeira dizendo que eles tinham saído para caminhar, Júlia, Leandro, Fer e Gui. Achei que a Rafa tivesse ido também já que estava um silêncio na casa. Peguei uma xícara e fiz um café. Virei para sair da cozinha e quase derramei café na Rafa, ela vinha esfregando o olho com o cabelo todo bagunçado e bocejando. Rafa arregalou os olhos quando me viu e eu não consegui segurar a risada.
– Tá rindo do que palhaço? — perguntou de muito mau humor.
– Tomou choque foi?
– Fica quieto. — ela disse ainda esfregando o olho meio sonolenta, depois pareceu acordar, me encarou. — O que... O que você está fazendo aqui?
– To tomando café ué.
– Isso eu vi né, quero saber porque você está tomando café na minha casa?!
– Porque eu estava com preguiça de ir na padaria? — respondi dando de ombros.
– Enzo, acho que você não está entendendo, quero saber o que você está fazendo na minha casa essa hora da manhã!
– Ah, isso? — ri da cara dela – eu dormi aqui.
– O QUÊ?!
– Dormi, passei a noite... — falei e ela ainda estava confusa.
– Porque você dormiu aqui?
– A Jú que convidou, nem vem... — falei me esquivando do olhar matador dela.
– Júlia! — a Rafa gritou e saiu andando em direção ao quarto da Jú.
– Nem adianta, eles saíram... — falei indo atrás dela, ela se virou e deu com tudo em mim.
– Caralho, isso tá quente! — gritou com o café ensopando a blusa do pijama dela.
– Ah, não brinca? — falei irônico segurando o riso.
– Você. É. Um. Idiota. — ela disse pausadamente olhando pra blusa, depois me encarou.
– É melhor você tirar a blusa... pode queimar. — falei mordendo o lábio.
– Vai a merda. — ela xingou e foi para o quarto batendo a porta.
– Credo, coitado do que casar com essa ai, TPM é foda. — resmunguei comigo mesmo.
Sentei no sofá e liguei a TV, estava passando um jogo de basquete, deitei e estiquei os pés, estava cheio de almofadas ali no sofá, joguei todas para o chão, era melhor de deitar. Rafa voltou ali para a sala com um shorts, uma blusinha curta e os cabelos amarrados num rabo de cavalo.
– Você ainda está aqui? — ela perguntou brava.
– To ué.
– Vai querer almoçar também? — disse com sarcasmo.
– Eu ia ir embora, mas já que você me convidou, eu fico sim. — sorri.
– Enzo, você tem amor a sua vida? — ela perguntou calma.
– Claro.
– Então tira os pés desse sofá agora, coloca uma camiseta e arruma essas almofadas e dá no pé antes que eu volte da cozinha com uma faca e faça picadinho de você para o almoço. — ela disse séria e foi para a cozinha.
Levantei do sofá e fui me esconder no quarto dela, parei atrás da porta.
Uns cinco minutos depois ela entrou ali no quarto, ia fechar a porta quando me viu.
– AH! — Rafa gritou colocando a mão no peito. — Filho da mãe! Quer me matar do coração? O que vcê está fazendo aqui ainda? O que você está fazendo no meu quarto?
– To olhando só. — segurei o riso.
– Aff! — ela resmungou. — Desisto! — disse e saiu do quarto indo para a sala, fui atrás.
Rafa sentou no sofá, colocou uma almofada no colo e ficou olhando para a TV, sentei do lado dela e logo deitei no sofá colocando meus pés em cima da almofada que ela segurava só para ver ela irritada.
– Só faltava! — ela reclamou empurrando meus pés.
– Faz massagem Rafinha? — fiz cara de coitadinho.
– Nem nos seus sonhos! — ela riu.
– Ah, vai, seja boazinha. — sorri.
Levantei e mudei de lado, colocando minha cabeça na almofada no colo dela.
– Um cafuné pelo menos? — fiz bico.
– Você é folgado né?
– Eu? Eu não. — sorri e fechei os olhos.
Acho que dei uma cochilada, um tempo depois senti os dedos dela nos meus cabelos e escutei ela rindo de alguma coisa na TV. Abri os olhos e fiquei olhando a Rafa um tempo, até ela olhar para baixo e notar que eu estava observando ela. Ela parou de mexer nos meus cabelos.
– Porque parou? Estava bom. — fechei os olhos de novo.
Senti um empurrão e caí do sofá.
– Vai, arruma a bagunça que você fez ai. — ela apontou para o chão.
Eu encarei ela com uma sobrancelha erguida. Ela estava me mandando arrumar a casa? Só faltava, nem minha cama eu arrumo. Fiquei em pé.
– Eu não. — dei de ombros. — arruma você.
– Nossa, você é folgado e mau criado né? Passa a noite na casa dos outros e ainda abusa da hospitalidade. Deus me livre. — ela reclamou fechando a cara. — Você é um metidinho, sabia?
– Não sou metido. — respondi.
– Ah, sim claro. Imagina se fosse então. — ela disse com sarcasmo.
– Pronto, to arrumando já! — falei colocando as almofadas para cima do sofá. — tá bom assim?
– Idiota. — ela resmungou.
– Você que se acha a tal e eu que sou idiota? — respondi.
– Eu me acho? — ela riu. — Eu me acho? — disse de novo incrédula. — E você faz o que então?!
– Ah, cala boca. — me estressei com ela.
– Cala a boca você! — ela ficou em pé. — Você se acha o dono do mundo só porque tem dinheiro. Vai se ferrar, Enzo! — ela falou e foi para o quarto batendo a porta.
Fiquei sentado um tempo ali na sala, vi que tinha esquentado a cabeça e resolvi pedir desculpas. Levantei e fui até a porta do quarto da Rafa. Bati.
– Rafa? — chamei.
– O que é?
– Posso entrar?
– Não.
Abri a porta do quarto dela devagar, ela estava sentada na cama com as pernas cruzadas tipo índio.
– Eu disse não. — ela respondeu, ignorei e fui até ela.
– Desculpa? — sentei ao seu lado.
– Senhor Machiello pedindo desculpas? — Rafa me encarou, depois respirou fundo quando viu minha careta. — Tudo bem, tudo bem, desculpado.
– Sou meio idiota as vezes. — falei. — E você é tão diferente de mim, eu nunca precisei falar duas vezes, muito menos pedir desculpas, sempre tive as coisas nas minhas mãos... sei lá. — dei de ombros.
– É, você é acomodado, egocêntrico, metido e se acha o dono de tudo e todos. — ela me encarou.
– E você não pode falar muito não. — retruquei.
– Acho que você está errado. — ela disse, eu sabia que estava, mas não era comum ter alguém apontando essas coisas para mim. — mas tudo bem, eu não sou perfeita, não.
– Ah, é? E quais são seus defeitos? — sorri com o jeitinho dela.
– Eu sou esquentadinha, principalmente com pessoas como você, ricas, eu quero dizer. Eu sempre tive que trabalhar para ajudar em casa e para conseguir minhas coisas, e você não tem ideia do quanto é chato ver gente que tem tudo de mão beijada pisando em você, se achando mais que você só porque tem dinheiro. Eu acho essas pessoas muito medíocres. Não dão valor a nada. Claro que ter dinheiro, ser rico, é algo muito bom, desde que você nunca esqueça de quem você é por dentro.
Fiquei escutando as palavras dela e ai eu percebi o porquê dela ter conseguido a vaga que conseguiu na empresa do meu pai. Ela era realmente demais.
– O que você faria com um milhão de reais? — falei para descontrair, mudando um pouco o assunto.
– Eu? — ela riu da pergunta boba. — Hum, acho que ia viajar por ai, talvez ir pra Inglaterra, em Cumbria, é perfeito, ou iria para o Colorado, nos Estados Unidos! Nossa! Imagina? Neve! — ela disse toda animada já.
– Você é louca. — ri dela, ela riu também.
– E o que você faria com um milhão de reais? — ela riu, virando os olhos. Eu tinha um milhão de reais para gastar.
– Eu fugiria. — respondi e encarei ela.
– Fugiria para onde?
– Para qualquer lugar do mundo que me permitisse viver. — dei de ombros.
– E porque não foge, quer dizer, você sabe que pode. — Ela deu de ombros também, eu sorri.
– Sabe que eu não sei. Acho que seria muito desgosto para o velho Machiello. — Sorri.
– Com certeza, ele ficaria chateado em ter alguém que chegasse na hora na empresa. — Rafa mordeu o lábio brincando e eu ri.
– É, ele realmente ficaria decepcionado se não tivesse com quem brigar por lá.
Escutamos a porta da frente.
– O pessoal voltou. — ela disse se levantando. — Vamos lá?
– Vamos.
Saímos do quarto dela e voltamos para a sala, antes de chegarmos lá eu puxei ela pelo braço, seu corpo quase se chocou no meu, as mãos dela estavam no meu peito, encarei ela nos olhos.
– O que... — ela disse confusa. — O que foi?
– Nada, é só que... — eu não sabia o que responder. — é... obrigado. — falei.
– Pelo que?
– É tão fácil ser eu mesmo com você. — olhei ela nos olhos.
– Rafa, Enzo? Estão ai? — a Júlia chamou lá da sala.
– Aqui, Jú. — Rafa falou de volta.
Voltamos os dois ao normal e fomos para a sala. O pessoal estava esticado por lá. Caio tinha voltado com eles. Não fui com a cara desse aí.
Conversamos um pouco, depois as meninas foram para a cozinha, logo a Fer e a Júlia voltaram e sentaram com a gente na sala.
– Ué, e a coisa chata? — falei brincando me referindo a Rafa.
– Chata é a mãe, entendeu? — ela apontou a cabeça para fora da cozinha com uma colher de pau na mão.
– Você vai cozinhar? Droga, alguém tem o numero da pizzaria ai? — brinquei.
– Rá-rá. Muito engraçadinho viu? — ela me fuzilou com os olhos, a galera riu. — Se você é tão bom, porque não vem me ajudar? — ela desafiou e voltou para a cozinha.
Levantei e fui atrás dela, o pessoal riu de mim, eu não sabia nem fritar um ovo.
– Pronto chefe, o que manda? — perguntei entrando na cozinha e me apoiando na mesa.
– Eu estava brincando. — ela riu.
– Azar o seu, vai me ensinar a cozinhar agora. — dei de ombros.
– Aff. — ela reclamou. — Tá. Pega duas cebolas e três tomates na geladeira.
Peguei e coloquei na pia.
– Agora pica tudo.
Olhei pra ela com uma sobrancelha erguida.
– Aff, Enzo, não tem mistério, é só picar isso ai. — ela riu e pegou a faca se metendo na minha frente para mostrar como era.
Fiquei parado atrás dela olhando por cima do seu ombro.
– Viu? — ela virou o rosto pra mim e por um dedo sua boca não encostou na minha.
– Vi. — falei olhando ela nos olhos, tinha rolado um clima ali.
Me aproximei um pouco mais, coloquei a mão na cintura dela e inclinei um pouco o corpo, ela virou o rosto ficando toda de costas pra mim de novo, minhas mãos subiram pela cintura dela e eu a agarrei firme por trás, ela me empurrou para trás, tudo isso aconteceu em poucos segundos.
– O que você acha que está fazendo? — ela perguntou baixo para não chamar atenção do pessoal na sala.
– É difícil resistir a você, Senhorita Belmontt. — sussurrei no ouvido dela.
Vi o pescoço dela ficar arrepiado e aquilo só me deixou mais louco, eu tinha vontade de agarrá-la ali mesmo e fazer mil e uma coisas naquela cozinha.
– Sai de perto, Enzo. — ela virou e me encarou de cara feia. — Você está achando o quê? Que só porque eu trabalho na empresa do seu pai você pode fazer o que quiser comigo? Se você fazia isso com as outras estagiárias, saiba que... — cortei ela.
– Fica quieta, Rafa. — mordi a orelha dela de leve, ela segurou meu pescoço.
Escutamos a Fer chamando.
– Enzo, teu celular. — Fer gritou da sala.
– Vai... vai atender. — Rafa me afastou dela.
Fui até a sala e o pessoal brincou comigo, por eu estar ajudando a cozinhar, eu ri e atendi o celular, era a Bianca.
– Oi, Bianca.
….
– Não vai dar, to na casa de uns amigos. Fica pra amanha, pode ser?
….
– Uma galera ai. Amanha a gente se vê.
…
– Tá tchau, eu também. Outro.
Desliguei o telefone e o Gui me jogou uma almofada.
– Patroa ligando? — Gui zoou.
– Pois é. — ri e joguei o telefone de volta no sofá.
– O que ela queria? — Fer perguntou curiosa.
– Sair, mas eu falei que não dava.
– E aquele ''eu também''? Hmm... — Fer era mesmo chata. Virei os olhos.
– Fazer o que se ela me ama? — dei de ombros.
– Enzo caidinho pela Bianca. — Fer zoou, ela sabia que eu estava é de saco cheio daquela lá.
– Nossa, caindo aos pés. — dei risada e ela acompanhou. — Que isso maninha, você sabe que seu irmãozinho aqui nunca vai se amarrar né.
– É, disso eu sei. Porque coitada da que se amarrar em você. Não sei como a Bianca passa na porta da casa dela, ela devia podar aqueles galhos na cabeça.
O pessoal riu, eu também, virei para voltar para a cozinha e a Rafa estava parada na porta que ia da sala para a cozinha. Ela virou e entrou outra vez no cômodo.
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