Opostos Perfeitos

36 Capítulo 35


Notas iniciais
Olá gente linda, tudo bem com vocês? Eu estou bem, cansada porque hoje foi um daqueles dias bem quentes em que dá vontade de fazer absolutamente nada UAHEUA mas vim aqui postar mais um capítulo da Opostos Perfeitos para vocês *-* Então, sem enrolar muito, boa leitura e divirtam-se!

Capítulo 35

Narrado por Rafaella:

Quando saí da minha sala passei pela escrota da patricinha mimada, ela estava indo falar com o Enzo. Fiquei na recepção conversando com a Beth alguns minutos, depois Beth teve que ir até a sala do Augusto e eu disse que iria embora, fui em direção ao elevador e enquanto apertava o botão sabia que a Bianca havia saído da sala do Enzo e pegaria o mesmo elevador que eu. As portas se abriram e eu entrei, cinco segundos depois ela estava parando ao meu lado naquele quadrado que de repente ficou incrivelmente pequeno, claustrofóbico.

— Ora, ora, se não é a empregadinha. — falou estúpida olhando as unhas. — Você devia pegar o elevador de serviço, baby.

— Você por outro lado nem deveria estar aqui, afinal vacas não costumam pegar elevadores, nem de serviço, caso não saiba. — respondi direta e reta mantendo o tom profissional e calmo encarando-a.

— Você é só mais uma piranha.

Bianca disse aquilo e me encarou com um sorriso esnobe no rosto.

— Se você soubesse como uma piranha age veria que quem está tentando abocanhar o Enzo por causa do dinheiro, como se fosse carne, é você e não eu. Logo a única piranha aqui é você.

— Você se acha grande coisa não é garota? Eu posso fazer você estar despedida amanha!

— E o que eu tenho a perder? Se você quiser posso te dar um motivo para fazer isso e quebrar a sua cara agora.

— Você não encostaria um dedo em mim dentro desta empresa. — ela se gabou.

— Exatamente por isso que vou te acompanhar até a saída.

Bianca se calou e pareceu surpresa, ela sabia que eu não daria um show no elevador para as portas se abrirem no primeiro andar e eu protagonizar uma cena, então resolvi provocá-la, porque também sabia que ela tinha medo de mim.

— Existem seguranças lá fora.

— Pois é, mas acidentes acontecem, um atropelamento por exemplo.

— Isso é uma ameaça?

— Claro que não. Elevadores tem câmeras. É só um aviso para você cuidar ao atravessar a rua. — pisquei. — amiguinha.

A porta do elevador se abriu e eu saí na frente dela, quase podia vê-la paralisada ainda dentro do elevador me vendo sair da empresa.

Fui para casa descansar, aquele dia havia sido cheio e para completar tive um papinho com a Bianca no elevador, eu merecia um banho relaxante, chocolate quente, sofá e algum seriado bom na TV.

— Nossa, você trabalhou hoje né? Parece acabada.

— E lá se vai o resto da minha autoestima. — brinquei. — o dia foi cansativo e para completar tive que aguentar a Bianca no elevador.

— Uau, e sobre o que vocês conversaram?

— Nada de mais... Eu expliquei para ela que é preciso ter cuidado para atravessar a rua, atropelamentos acidentais acontecem toda hora... — falei ligando a TV depois de já ter tomado um banho quentinho.

— Você assustou ela? — Jú disse rindo.

— Ela quem começou.

— Por isso que você é minha amiga. — Brindamos com nossas xícaras de chocolate quente. — E ai, teremos visitinha hoje? — ela piscou para mim.

— Ele tem um jantar com o pai dele... Deixei minha chave e disse para ele vir me fazer companhia na madrugada. — pisquei.

— E ele vem?

— Falou que viria. — dei de ombros.

— Hum. Vou tomar um sonífero então, ai vocês ficam super a vontade.

— Rá-rá, sua tonta. — joguei a almofada nela. — E o Leandro? Já resolveram quando vai ser o casamento.

— Não vai ter casamento, não por enquanto... — ela piscou. — convidei ele para vir ficar aqui no apê comigo enquanto você estiver viajando.

— Nossa, coitados dos vizinhos de baixo!

— Engraçadinha.

Ficamos conversando enquanto assistíamos a um programa de humor, as dez horas Jú foi deitar, fiquei acordada mais um pouco, Enzo não chegaria tão tarde também, na verdade deveria chegar já.

Resolvi ligar para ele para perguntar se ele viria. Liguei do fixo da casa para o celular dele e uma voz de mulher atendeu, era a Bianca. Ela disse alô e perguntou quem era, desliguei o telefone.

Não precisava ouvir mais. Ou não tinha janta nenhuma e ele arrumou aquilo como desculpa para ir passar a noite com ela, ou a janta era com ela e o pai, ou ainda o jantar era com ela e ela passaria a noite com ele, por isso ele estava ali comigo. Eu realmente queria acreditar na hipótese mais sensata, mas algo me dizia que ele passaria a noite com ela.

Fui para o quarto e vesti meu pijama, deitei na cama e fechei os olhos, tentando dormir.

Era quase meia-noite quando o meu telefone tocou.

— Alô? — atendi meio sonolenta.

Do outro lado da linha Enzo perguntava se eu já estava dormindo.

— Estava.

Ele perguntou se eu havia ligado.

— Queria saber se você ia vir, mas como sua namorada atendeu eu desliguei.

Ele perguntou se eu estava chateada. Não, Enzo, estou dando pulinhos por imaginar você abraçando e beijando ela enquanto eu esperava como uma idiota no sofá da minha sala, e estou mais feliz ainda de saber que você esperou ela dormir aí do seu lado para me ligar e dizer que não viria.

— Não estou chateada.

Ele respondeu com um “que bom, então será que eu posso dormir com você na sua cama? Acho que o sofá aqui da sala vai me deixar com dor no pescoço”.

Desliguei o celular e levantei da cama, fui até a sala e ele estava em pé ao lado do sofá, desligou o celular também.

— Oi. — sorriu.

Eu sorri de lado e ele veio até mim e me abraçou. Fomos para o quarto, ele praticamente me guiando por eu estar caindo de sono, deitei na cama e ele tirou a roupa e deitou também.

— Desculpa ter demorado, eu não sabia que o jantar era com a Bianca e o pai dela e tinha outros sócios também. Ela atendeu meu celular porque eu estava no banheiro... nem havíamos jantado aquela hora ainda, deixei ela em casa e depois vim para cá.

Como sempre, a hipótese mais sensata é a primeira a ser descartada, mas, são raras as vezes em que a hipótese mais sensata é a certa, até porque tentar se iludir com a pessoa que gostamos é mais fácil do que aceitar que ela talvez não seja boa o suficiente para nós.

Eu murmurei um “tudo bem” para ele e depois adormeci em seu peito, dessa vez nem tive tempo para pensar em outras hipóteses como “como vocês se despediram?”, “vocês se beijaram?”, “fizeram algo a mais?”, mas por outro lado eu sabia que não podia cobrar isso, sabia onde havia me metido e naquele momento o que importava é que ele estava ali, comigo.

Meu despertador tocou e eu acordei, o Enzo estava abraçado em mim e ainda dormia, acordou quando eu desliguei o despertador.

— Bom dia. — sorri.

— Muito bom dia. — ele bocejou e me deu um selinho.

— Então, dormiu bem?

— Nas nuvens.

— Nossa, minha cama é tão boa assim? — perguntei brincando.

— A companhia que é.

— Suas cantadas definitivamente melhoraram. — dei um selinho nele. — Vamos tomar café?

— Já? Não, é cedo ainda. — ele perguntou bocejando.

— Mas alguém precisa passar em casa e trocar de roupa antes de ir trabalhar não é?

— Ah, é.

Levantamos, Enzo colocou a roupa dele e eu fui tomar banho, depois me arrumei e fui para a cozinha.

— Nossa, você já sabe ligar o fogão? — falei tirando com ele.

— Rá-rá. Engraçadinha.

— O que? Me surpreendi só.

— Posso fazer muitas coisas na cozinha tá?

— O que por exemplo?

— Esquentar água, abrir a torneira e colocar miojo na panela. — ele deu de ombros.

— Uau, você é um chef profissional já.

— Posso fazer outras coisas na cozinha também. — ele falou me puxando pela cintura e colando nossos corpos.

— Espertinho. — falei irônica. — vou fazer sanduíches pra gente já que você só colocou a água esquentar. — me soltei dele e fui pegar as coisas na geladeira.

— Ei, nem é assim, fiz um suco pra você, está ai na geladeira. — ele falou e apontou, eu peguei a jarra.

— Como sabe que eu tomo suco de manhã?

— Você não gosta de café. — ele deu de ombros.

— Hum... você lembrou. — falei brincando com ele.

— Pra você ver. — Enzo piscou.

Tomamos o café da manhã e depois de trocarmos alguns beijos Enzo foi para casa trocar de roupa.

Terminei de me arrumar e depois fui para a empresa.

— Bom dia, Rafa. — Beth sorriu quando cheguei.

— Bom dia, Beth! — respondi feliz.

Fui para a minha sala e comecei a arrumar as coisas por lá, estava arrumando minha mesa de costas para a porta quando o Enzo chegou, ele veio até mim e me agarrou pela cintura beijando minha nuca.

— Seu maluco! Para! — ralhei ele me virando rapidamente, ele havia deixado a porta aberta para me agarrar antes que eu virasse.

— Só depois de um beijo. — falou me segurando ainda.

— Enzo! Seu pai ou qualquer pessoa pode passar aí, para!

— Meu beijo? — ele falou fazendo bico.

— Sai, larga Enzo. — tentei afastar ele enquanto começava a rir das caretas.

— Um beijinho, vamos, vamos.

Dei um selinho nele e ele me agarrou começando um beijo calmo, todo o som sumiu e éramos só nós dois, no nosso mundo.

A porta se fechou e Enzo e eu nos soltamos rápido, nossos corações a mil quando viramos.

— O que é isso aqui, hein? Sabiam que é proibido esse assanhamento em local de trabalho, ainda mais com a porta aberta desse jeito?

Enzo eu respiramos aliviados, o Gui havia entrado e fechado a porta para nos assustar.

— Filho da mãe, vou te despedir, Guilherme.

— Aham, aham... — ele fez um sinal para o Enzo de descrença. — Então, que agarramento é esse? Não sabem que isso aqui é uma empresa séria? — brincou.

— É melhor ser muito importante para você ter interrompido, eu e a Rafaella estávamos discutindo um assunto muito... cof cof... sério.

— Sim. Sério. — Gui virou os olhos e nós rimos. — Eu queria levar um papo contigo... — Gui falou parecendo um pouco preocupado agora.

— Fala aí.

— Eu e a Fer brigamos ontem, agora ela está chateada e não atende o telefone, então queria saber se você não pode, sei lá, me dar algum conselho, de como agradar ela... — ele pediu sem jeito.

— O que você fez?

— Não, nada... a gente só discutiu por besteira... ela está estressada.

— Ah... Sei lá cara, não sou o melhor pra dar conselho nesse assunto, você sabe... não tenho muita prática com o lance de romance... — Enzo deu de ombros.

— Gui, por favor né, se é só uma briga por nada compra umas flores e leva lá na casa dela. — falei como se fosse óbvio. — mulher adora isso, ainda mais se você for até lá. Se ela tá estressada é só você agradar um pouco ela, seria legal, sei lá, levar para o campo, onde é tudo mais calmo, ela gostaria, eu garanto, além do que vocês poderiam ficar sozinhos, a Fer ficaria mais calma, mais feliz... E qual é, toda mulher adora um cara que leve ela para um piquenique onde estejam só os dois, tudo calmo, uma vista bonita... Aposto que vocês se resolvem e ainda vão aproveitar muito.

— Como sempre, minha salvação! — Gui veio até mim e me abraçou dando um beijo na bochecha.

— Ei, ei, ei, pode largar, já deu, falou?

— Mas a Rafa tem um perfume tão bom... — Gui falou brincando vendo que o Enzo estava com ciúme.

— Pois é, eu sei, mas só quem pode ficar dando beijos e cheirando ela sou eu, então larga! — ele falou olhando feio para o Gui.

— Cara, você é muito ciumento. A mulherada não curte isso não é Rafa?

— Com certeza. Parece possessivo. — concordei entrando na brincadeira do Gui para deixar o Enzo com mais ciúme.

— Rá-rá. Sou muito possessivo sim. Você é minha e não tem desse aí ficar abraçando. — ele apontou para o Gui brincando também.

Fiquei feliz e ao mesmo tempo triste, feliz porque se o Enzo sentia ciúmes era porque gostava de mim e triste porque ele se sentia no direito de sentir ciúmes quando eu devia entender o fato dele estar com a Bianca. Mas eu não deixaria aquilo me fazer brigar com ele então simplesmente deixei os pensamentos se perderem.

— Eu sou muito minha, isso sim, ouviu senhor Machiello? Nada dessas suas possessões aí. — respondi brincando.

— Ih, não to gostando. — ele reclamou brincando também.

— Isso mesmo, Rafa, não deixa ele te governar não. — Gui disse piscando.

— E porque ele não governaria se é o chefe dela? Ela tem mais é que obedecer as ordens dele. — Bianca chegou e estava parada na porta olhando para nós de cara feia. Ela realmente não sabia em que assunto havia se intrometido, porque estava afirmando que eu deveria obedecer ao Enzo, o que naquele caso implicaria em nós dois, no chão daquela sala, neste momento.

— Ouviu, Senhorita Belmontt, você deve obedecer minhas ordens. — Ele falou para mim, virado de costas para a Bianca e me olhando de um jeito sexy.

— Ah, corta essa, Enzo. — respondi virando os olhos, odiava quando ele se achava daquele jeito, mas logo percebi que tinha feito merda, porque a Bianca estava me matando com os olhos.

— Quem você pensa que é para se dirigir ao seu chefe pelo primeiro nome dele? Por acaso existe esse tipo de intimidade nesta empresa?

— Ah, existe ué, eu chamo ele de viado o tempo todo. — Gui respondeu cortando a Bianca e fazendo ela ficar ainda mais fula.

— O dia que eu precisar da sua opinião eu faço compras em um brechó.

— Nossa, você me ofendeu tanto agora, vou ir para casa chorar. — Gui falou irônico e eu segurei a risada.

Enzo estava imparcial, apesar de parecer estar se divertindo com o Gui cortando a Bianca.

— Amor, você pode pedir para os seus subalternos se retirarem, precisamos ter uma conversa. — ela foi até o Enzo e falou segurando a gravata dele.

— É, hum... Na verdade essa sala é da Rafaella também, então não posso pedir para ela se retirar em pleno expediente... — Enzo deu de ombros.

— O que?! Vocês dois estão dividindo a sala?! Porquê?!

— Seu namorado trabalha melhor do meu lado. — respondi e vi a cara dela se fechar com raiva.

— Você se acha de mais para alguém que mal consegue pagar as contas no final do mês.

— Vindo de você é elogio já que quem paga suas contas é seu pai. Pelo menos eu me sustento.

— Já chega. O que você veio fazer aqui, Bianca? Estou trabalhando, você não pode aparecer no meu trabalho o tempo todo. — Enzo cortou a nossa discussão.

— Eu vim ver você, amor, e trouxe alguns catálogos de lojas para escolhermos seu terno. — ela deu um pulinho toda feliz. — Já estou fazendo as provas finais do meu vestido, está perfeito!

Aquilo foi um soco no estômago para mim.

— Nós podemos ver isso outra hora, meu pai não vai gostar de saber que não estou trabalhando...

— Já falei com seu pai, querido, ele disse que podemos usar o tempo que for preciso.

Gui estava encostado na parede e eu havia sentado no meu lugar.

— Gui: Bom, então vou voltar ao trabalho. — ele ergueu as mãos se despedindo e saindo da sala.

O clima ficou bastante estranho, eu na minha mesa, Bianca em pé na frente do Enzo encarando ele enquanto ele me olhava.

— Enzo! — ela chamou. — Você não pode mandar ela sair?

— Não.

— Bom, então o que se pode fazer. — Bianca deu de ombros e um sorriso esnobe surgiu no rosto dela. Eu virei os olhos e recomecei meu trabalho.

Enzo sentou na cadeira dele e a Bianca tirou várias revistas da bolsa, distribuiu-as em cima da mesa e deu a volta indo sentar no colo do Enzo.

Enzo fechou os olhos e depois olhou para mim para ver como eu estava com aquela cena enquanto a Bianca começava a falar. Não sei definir minha face naquele momento, mas eu deveria parecer surpresa e ao mesmo tempo desgostosa porque aquilo havia me afetado de uma maneira ruim, chegou a doer.

— … muito bonito, mas talvez você prefira o mais escuro. — ela estava falando e eu nem havia ouvido.

— Bianca... — ele falou censurando ela.

— O que? — ela pareceu confusa.

— Você podia sentar numa cadeira, estamos num escritório. — ele falou baixo mas pude ouvir.

— E daí, Enzo? Já estive muitas vezes no seu colo nesta mesma sala. — ela falou e depois me olhou com uma cara vitoriosa.

Enzo respirou fundo e olhou para as revistas enquanto ela recomeçava a falar.

Ela ficou por algum tempo ali até perceber que o Enzo não estava prestando atenção e que estava me observando, eu continuei a fingir que digitava no computador sem prestar atenção.

— O que você tanto olha para ela, hein? — Bianca perguntou baixo mas eu escutava bem e ouvi fingindo que não ouvia.

— Nada, Bianca, só não estou interessado em ficar escolhendo roupa, escolha você qualquer coisa aí. — ele falou parecendo estressado.

— Mas é o nosso casamento, Enzo. Não entendo porque você me ignora tanto, você gostava de mim, gostava de ficar comigo, mudou tudo de uns tempos para cá. — ela ainda falava baixo, mas escutar aquilo fez meu coração doer.

— Gostar não é amar, Bianca. — ele respondeu baixo também. — você só está comigo porque vai ser conveniente para os nossos pais.

— Nós vamos ser muto felizes juntos, você gosta de mim sim, você só está com medo porque vamos nos casar, só isso. — ela deu de ombros como se fosse dona da razão.

O celular dela vibrou e ela pegou na bolsa se levantando.

— Estou com meu noivo.

…

— Sim, claro. — um sorriso que eu considerei estranho se formou no rosto dela. — Já vou. — então ela desligou e guardou o celular. — Vou ir na agência fazer algumas fotos, acho que sairemos da cidade hoje, então será que podemos nos ver amanha, querido? Ah, eu acho que o terno preto liso da 26 combina mais com você, deixo a cor da gravata por sua conta, querido. Até amanha. — ela se curvou sobre ele e deu um beijo.

Bianca saiu da sala antes mesmo que o Enzo respondesse qualquer coisa mas sem deixar de me dar uma olhada com ar de superioridade.

— Rafa... ela...

— Não, Enzo. Você não tem que se explicar. — levantei da minha mesa e fui até a porta.

— Onde você vai? — ele se levantou surpreso.

— Só vou ao banheiro. — respondi e saí da sala.

Passei pela Beth e sorri de leve para ela que retribuiu da mesma forma, parecia que a Beth via quando eu não estava bem. Fui até o banheiro e me escorrei na pia de costas para o espelho. Minha vida estava de cabeça para baixo, totalmente virada do avesso por causa de uma paixão. Eu amava o Enzo, tinha certeza disso, mas de que adiantava todo o meu amor se eles iriam se casar inevitavelmente? A Bianca estava grávida! E eu ali, com o Enzo como se só nós dois existíssemos no mundo.

Voltei para a nossa sala e Enzo estava em pé me esperando quando entrei.

— Você está bem?

— Sim, tudo bem. — respondi indo em direção a minha mesa.

Enzo segurou meu braço e me puxou me abraçando, em seguida segurou meu queixo de leve e me beijou com calma, doce. E eu me rendi. Sem demora, sem delonga, mesmo sabendo de todos os poréns e tudo que nos separava, me rendi ao que me faria sofrer mais tarde.

Aquele dia acabou passando de forma rápida. A noite falei para o Enzo que queria ficar com a Júh um pouco, ele disse que tudo bem, então não nos vimos. Falei aquilo mais porque queria ficar sozinha mesmo, precisava de um tempo para respirar e entender o que eu estava fazendo. Não era certo, eu sabia, mas seriam só aquelas duas semanas e depois cada um seguiria sua vida, eu esqueceria aquilo, Enzo esqueceria. Ele iria ser um homem casado, seria pai. Tudo mudaria depois da próxima semana, e eu sabia disso.

A manhã de quinta na empresa foi cansativa, reuniões, reestruturação e papéis para revermos. A correria só cessou depois das quatro horas da tarde, quando finalmente organizamos tudo.

Eu estava sentada em minha mesa e soltei um suspiro, o telefone da minha mesa tocou.

— Empresas Machiello, boa tarde. — falei formal.

…

— Ah, oi Caio!

…

— Tudo bem sim, um pouco cansada, mas tudo bem, e você? — Enzo estava me olhando disfarçadamente. Segurei uma risada.

…

— Claro. Você pega que horas?

…

— Está ótimo. Até depois. Outro.

Desliguei o telefone e mexi em uns papéis em cima da minha mesa. Enzo estava quieto mas eu sabia que ele queria me perguntar alguma coisa.

— Você vão sair mesmo? — perguntou disfarçando o interesse.

— Sim, por quê?

— Não, nada. — deu de ombros.

Voltei a fazer o que estava fazendo.

— Vocês vão... só jantar ou tem algum plano para mais tarde?

— Bom, ele me convidou para jantar, mas não tenho um toque de recolher. — respondi.

Me irritava o modo como ele queria me controlar sendo que faria o mesmo com a Bianca e que provavelmente os dois iriam muito além de um jantar, vai ver ela ganharia sobremesa na cama!

— Por quê a Julia e o Leandro não vão também? Quer dizer, vocês são todos amigos... — ele tentou não dar importância.

— Enzo. Por favor. — respondi cansada já.

— Tudo bem então. Bom jantar com seu amiguinho.

— Ótimo jantar com a sua futura esposa! — respondi de volta e levantei da minha mesa saindo da sala com alguns papéis que precisava deixar com a Beth.

Quem ele pensa que é? Quer tomar conta da minha vida agora?!

Tomei água para me acalmar e fiquei uns dez minutos na sala de café, depois voltei para a minha sala e sentei no meu lugar com a compostura já refeita.

— Não vamos brigar... — ele se aproximou de mim e tocou meu rosto.

— Não temos porque brigar, só estamos nos divertindo por duas semanas, depois cada um segue sua vida como se o outro nunca tivesse existido, simples assim. Você vai casar, vai ter um filho e eu vou ter uma vida também. — falei calma dando de ombros, era aquilo que iriamos fazer.

— Eu não posso dizer ao meu pai que não vou casar, ainda mais a Bianca estando grávida. Eu... eu... vou ser pai. — ele falou e eu percebi que o Enzo estava feliz com aquela ideia. Não era só medo do pai dele, ele queria aquele filho.

Fiquei calada e assim permanecemos até o término do expediente. Eu sentia meu coração quebrado dentro de mim, mas nem coragem de ficar brava ou magoada com Enzo eu tinha, se estivesse esperando um filho me sentiria da mesma forma que ele.

Fui para casa e tomei um banho relaxante, as oito e meia Caio viria me buscar para irmos jantar na orla da praia. Coloquei um vestido que ia até um pouco acima do joelho, justo na cintura e solto na parte de baixo, era preto com três brilhos na alça direita, fiz uma maquiagem leve, deixei os cabelos soltos e usei um salto não muito alto.

— Uau, tudo isso para jantar com o Caio? — Jú ergueu a sobrancelha piscando o olho depois.

— Aff, nem me amola dona Júlia. — ri.

— Aham, sei hein.

— Quieta. — ameacei brincando.

Mais tarde Caio chegou e tocou o interfone, desci em seguida.

— Nossa, você tá linda. — ele sorriu quando cheguei lá em baixo me dando um beijo na bochecha.

— Obrigada. — sorri agradecendo.

Fomos em direção ao carro do Caio, ele me acompanhou segurando meu braço por cima do dele de um jeito meigo. Abriu a porta do carro e eu entrei. Enquanto Caio dava a volta para entrar no lado do motorista vi um carro escuro do outro lado da rua que eu conhecia. Era do Guilherme, mas o que o Gui faria ali aquela hora? Será que queria falar comigo? A janela estava um pouco aberta mas o motorista estava bem encostado ao banco, então eu não conseguia vê-lo. Quando Caio entrou no carro vi a janela começar a subir e o motorista se inclinar para a frente para dar a partida... Aquele cabelo bagunçado, o perfil do rosto mesmo estando escuro...

Enzo.

O que ele estava fazendo ali?! Me vigiando?!

O carro do Gui saiu dobrando uma esquina, Caio deu a partida e fomos para o nosso restaurante.

— Você realmente está muito linda. — Caio disse enquanto éramos encaminhados para uma mesa.

— E você está me cantando pra caramba. — reclamei brincando.

— Fazer o que se você está encantadora. — ele piscou.

Eu ri e depois sentamos em nossos lugares, fizemos os pedidos do jantar e vinho branco para acompanhar.

Conversamos bastante sobre coisas bobas, Caio nem parecia o mesmo que havia aparecido lá em casa surtando porque tinha visto alguém comigo. Jantamos e estava muito agradável, eu me sentia bem e feliz. Sem o peso de saber que aquilo tinha que acabar ou que ele era comprometido, ou então que seria pai.

— Vamos dar uma volta na praia? — Caio convidou depois do jantar.

— Claro.

Saímos do restaurante e atravessamos a rua, não tinha mais muita gente na praia, tinha algumas pessoas sentadas nos quiosques, mas pouca gente. Caio e eu fomos para a areia caminhar um pouco.

— Então... você vai mesmo para a Itália?

— Vou, tenho vontade de conhecer meu pai também, e pode ser a última chance para isso.

— Hum... — ele ficou em silêncio olhando para frente.

Por alguns minutos nenhum de nós dois disse nada.

— Você... hum... quer... companhia para a viagem? Posso pegar uns dias na agência e ir com você... — ele falou e nós dois paramos de caminhar, olhei para o Caio.

— Você iria comigo? — perguntei surpresa.

— Claro que eu iria com você se você quisesse. — ele sorriu.

— Eu... nem sei o que dizer.

— E eu posso ir só como amigo se você ainda não estiver pensando no que te falei esses dias. — ele sorriu de novo.

Aquele não podia ser o Caio. Eu queria muito que alguém fosse comigo e a Jú não conseguiria folga do trabalho. E saber que o Caio queria ir comigo me deixava tão feliz, eu queria tanto que fosse o Enzo me dizendo aquilo, que ele deixaria as coisas dele para ir comigo, porque o importante era estar do meu lado, mas... Chega Rafaella. Chega. Sorri para o Caio.

— Eu ficaria muito feliz... — respondi e ele me abraçou sem que eu completasse a frase.

Notas finais
Eeeeeeita, e aí? Contem-me o que acham disso nos comentários MUHAHAHAHAHAHAHA PS: Obrigada de coração, Queen Of Nárnia pela tua liiiinda recomendação viu *-* Fiquei muito feliz! ~meus personagens pervertidos também~ kkkkkkkkkkk ri alto com isso kkkk Beeeeeijão !