Opostos Perfeitos
35 Capítulo 34
Notas iniciais
Capítulo 34
Narrado por Enzo:
Rafa pegou no sono quando estávamos assistindo TV, levei-a para o quarto e deitei ela na cama. Deitei ao seu lado apoiado no cotovelo e fiquei observando-a dormir, era linda, serena, doce. Passei os dedos pelos seus cabelos macios e acariciei seu rosto. Ela se mexeu de leve e logo voltou ao sono, parecia sonhar. Observei-a durante meia hora, depois dei um beijo em sua testa e levantei devagar para não acordá-la. Rafa começou a murmurar algumas palavras que eu não conseguia entender bem, então me aproximei e fiquei estático alguns segundos, escutando o que ela dizia. Senti meu coração acelerar dentro do peito, passei a mão por seu rosto e lhe dei outro beijo, cheio de carinho, depois fui para casa.
Acordei as oito e meia e levantei, se voltasse a dormir sabia que chegaria atrasado, me arrumei rápido e saí com um pedaço de pão na boca, comprei um café expresso no caminho.
— Bom dia, Beth. — cumprimentei sorrindo. — a Rafa já chegou?
— Claro que a Rafaella chegou menino, você acha que se ela dormir até as dez, seu pai vai deixar ela trabalhando aqui? — Beth respondeu como se fosse óbvio.
Eu ri depois passei por ela e fui para a minha sala, onde ela estava provavelmente. Abri a porta e a Rafa estava falando no celular.
— No sábado?
…
— Não tenho compromisso, mas queria aproveitar o sábado com a Jú...
...
Ela falava olhando através das janelas de vidro, não percebeu que eu havia entrado na sala.
— Fica melhor na semana sim...
…
— O dia que estiver bom pra você.
…
— Quinta-feira, pode ser.
…
— Sim, combinado. Não tem problema não. Até mais, Caio.
…
— Pra você também.
Ela desligou o celular e virou, eu a estava observando e ela pareceu surpresa de me ver ali.
— Bom dia, senhor Machiello. — falou em tom de brincadeira e sorriu.
— Oi. — respondi meio estranho, até eu havia percebido o tom estranho da minha voz.
— Está tudo bem? — ela perguntou.
— Então, você vai sair com o Caio na quinta? — perguntei casualmente enquanto ia para a minha mesa.
— Vou. — ela respondeu como se não fosse nada demais.
— Hum. — murmurei sem olhá-la.
Claro que eu tinha sentido ciúmes, como não ia sentir? Essas duas semanas eram para serem nossas, e aí ela vai sair com outro cara? Vão fazer o que depois? Ir para casa dela tomar um vinho também?
— O que foi? — ela perguntou de pé em frente a sua mesa me encarando.
— Nada. Achei que fossemos ficar juntos essas duas semanas.
— Mas nós vamos, só combinei de sair com o Caio na quinta, ele é meu amigo, não vejo nada demais, vou sair com ele um dia assim como vou sair com a Jú e o Leê. Você quer que eu fique com você essas duas semanas e não passe nenhum tempo com meus melhores amigos sendo que vou embora?
Sim.
— Não. Não é isso. É que... Com a Júlia tudo bem, mas você vai sair sozinha com o Caio, e depois, quer dizer, se ele quiser dormir na sua casa... — falei meio sem jeito, mal conseguindo disfarçar o ciúme.
— Você está com ciúmes? Acha que vai rolar alguma coisa entre Caio e eu?
— Eu acho que ele vai tentar alguma coisa, com certeza.
— Bom, eu sou solteira, não é? — ela me encarou. — se rolasse alguma coisa eu não trairia você... Você tem uma namorada, Enzo. Caio é meu amigo, só isso.
— Mas ele gosta de você.
— E você espera que eu faça o que? Fique a sua disposição exclusiva para quando você não puder ou quiser ficar com a Bianca? Porque é isso que dá a entender.
Não estávamos discutindo, estávamos apenas conversando, e eu sabia que ela era totalmente livre para ficar com quantos caras quisesse, e que tinha razão sobre eu ter uma namorada e exigir exclusividade, mas eu não ficava com a Bianca fazia tempo, sempre arrumava uma desculpa e fazia de tudo para não ter que vê-la, e a Bianca nem parecia se importar muito com isso. O que valia para ela era o status de namorar Enzo Machiello. Só isso. Mas o Caio parecia gostar da Rafa, ele queria ela.
— Desculpa. Você tem razão. Então, quando vocês vão jantar?
— Na quinta. Saio aqui da empresa, passo em casa para tomar um banho e me arrumar depois ele vem me buscar.
Concordei com a cabeça sem olhá-la.
— Em qual restaurante vocês vão?
Rafa me observou primeiro, depois pensou e respondeu.
— Naquele perto da praia, o Abrai'z.
— Comida indiana?
— É. Eles tem umas coisas legais, Jú e eu conhecemos o Caio e o Leê por lá.
Ficamos uns minutos em silêncio enquanto ligávamos os computadores, resolvi mudar de assunto, afinal eu não tinha direito de me meter na vida dela.
— Você vai essa sexta na academia? — perguntei.
— Vou sim. — ela sorriu.
— Podíamos lutar boxe de novo, o que você acha?
— Seria legal. — ela soltou um riso baixinho.
— Ei, o que foi? Está rindo do que?
— Nada, só lembrei de quando te coloquei na lona. — ela falou se achando e brincando ao mesmo tempo.
— Você está brincando né? Eu deixei você ficar por cima de mim aquele dia. — balancei a cabeça.
— Aham. — ela fez um ''cof, cof'' depois de concordar.
— Você está me desafiando? — brinquei.
— Com certeza. Que tal uma aposta?
— Claro, manda.
— Se eu ganhar, quero alguma coisa sua, para levar na viagem. — ela disse sem jeito e ficou um pouco vermelha. Eu sorri.
— E se eu ganhar?
— Estou aberta a sugestões.
— se eu ganhar você vai me deixar tirar um monte de fotos suas.
— Está maluco?!
— Só fotos, fotos normais! — me defendi erguendo as mãos. — Não fotos eróticas nem coisas desse tipo, não sou pervertido. — dei risada dos pensamentos dela. — Vou pegar uma câmera e tirar fotos de você a semana que vem toda, aqui na empresa, na sua casa, onde eu quiser, mas você estará vestida em todas elas, não se preocupe. Ah não ser que... — Ela fez uma careta — Ok, Ok, fotos simples, só simples, tudo bem.
Rafa deu uma risada.
— Ok, então pode ser.
O resto da manhã passou rápido, nós dois estávamos bastante ocupados, então quase não conversamos, mas, mesmo assim, em alguns momentos eu parava só para observá-la concentrada.
Ela tinha a mania de colocar a caneta na boca quando tinha alguma dúvida e batê-la nos lábios quando descobria a resposta. Quando estava fazendo alguma anotação e tinha que fazer rápido, colocava uma mecha do cabelo atrás da orelha. Percebi também que ela tinha uma ordem até para usar os clipes que prendiam os papéis. O dia passou rápido.
Antes de acabar o expediente meu pai apareceu na porta e avisou que eu deveria estar em casa até as oito horas, porque teríamos um jantar. Que saco.
— Acho que não vamos nos ver hoje então, né? — Rafa perguntou quando meu pai saiu.
— Que droga. — resmunguei. — Queria ficar com você.
— Mas seu pai está pedindo... Não tem problema. — ela sorriu.
— Só espero que não seja uma mesa cheia de idiotas falando de bolsa de valores e ações, porque ele não precisa de mim para isso.
— Bom, eu imagino que você prefira mesmo uma mesa cheia de mulheres bem-vestidas, com decotes fundos e bocas carnudas. — ela deu de ombros brincando.
— Não seria má ideia, até seria bom para o meu pai tentar se divertir um pouco. A ideia das mulheres é boa. — pisquei.
— Leva ele em um bordel então. — ela me cortou e eu percebi um toque de ciúmes em sua voz.
— Eu podia contratar umas prostitutas de luxo, não se corre nenhum risco já que elas apresentam exames ginecológicos... — falei fingindo pensar na ideia.
— Nossa, você conhece bem como elas trabalham. — Rafa foi irônica. — por que não espalha umas almofadas pela sala, fantasias de odaliscas, uvas e vinho e faz um arem? — falou fechando a cara. Levantei e fui até ela, sentei na ponta da mesa do lado dela e me inclinei para o seu ouvido.
— De que ia adiantar um arem se é você quem me agrada? — mordi o lóbulo de sua orelha e vi o pescoço dela se arrepiar.
Rafa estava usando uma blusa social branca com os dois primeiros botões abertos e uma saia social que delineava seu corpo de um jeito muito sexy. Ela ergueu o rosto devagar com um leve sorriso travesso nos lábios me encarando.
— Alguém andou melhorando as cantadas?
— Pra você ver o que uma mulher não faz. — concordei encarando ela da mesma maneira.
— Então vá tentar suas novas cantadas com as suas prostitutas de luxo! — ela me cortou e depois deu uma piscada.
Birrenta sempre.
— Eu podia montar um arem só pra gente, o que você acha?
— E que graça teria?
— Você nem imagina... — sussurrei no ouvido dela.
— Você tem algum tipo de fetiche? É isso? Vai querer me amarrar na cama e bater com chicote?
— Não é má ideia... — brinquei.
— Rá-rá! Vai sonhando Machiello!
— Eu poderia te dar umas uvas na boca... — passei a mão de leve no rosto dela e cheguei aos lábios fazendo o contorno deles com o dedo. — depois começar a beijar seu corpo... — me aproximei devagar do seu pescoço e dei uns beijos de leve. — Tirar sua roupa... — coloquei as mãos na blusa dela e abri um botão.
— Enzo... — ela repreendeu quase sem voz quando eu ia para o botão seguinte.
— Sentir sua pele macia... — aproximei meus lábios outra vez do corpo dela. — sentir seu cheiro...
— Enzo... pode entrar alguém... —ela estava paralisada na cadeira.
— Te dar prazer... — deslizei uma mão por cima da blusa dela chegando até a cintura da saia, Rafa soltou um suspiro de prazer.
— Enzo... chega...
Sorri para ela e estendi a mão para que ficasse em pé na minha frente, ela pareceu estar aliviada. Fechei os dois botões que havia aberto em sua blusa e coloquei uma mecha do cabelo dela atrás da orelha.
— Não quero participar desse jantar, quero ficar com você.
— Mas talvez seja importante para o seu pai...
— Você é importante para mim.
Ficamos alguns segundos em silêncio nos olhando, Rafa pegou a bolsa dela e abriu, tirou uma chave de dentro.
— Você pode vir depois do jantar e dormir comigo, quer dizer, se quiser. — ela me estendeu a chave. — tem uma reserva perto do extintor de incêndio... — deu de ombros explicando.
— Eu adoraria dormir com você. — sorri e peguei a chave dela.
— Então te vejo mais tarde. — ela falou e fechou a bolsa outra vez se preparando para sair.
— Até mais tarde. — falei e ela virou as costas para ir embora, no mesmo instante a puxei de volta e a beijei. — Agora sim, até mais tarde. — sussurrei quando soltei ela.
Rafa sorriu e saiu da sala. Fiquei sozinho alguns instantes até que a porta se abriu novamente e a Bianca entrou.
— Oi, amor!
— Oi, Bianca.
— Tudo bem com você lindinho?
— Aham, e você?
— Tudo ótimo.
— Eu já estou de saída, tem um jantar lá em casa hoje a noite... meu pai avisou agora a pouco. Não posso me atrasar... — falei aquilo como desculpa. — você quer alguma coisa?
— Eu sei, amor, seu pai me convidou para ir com você, meu pai estará lá também e outros sócios...
Não acredito. Não tem como ficar pior.
— E depois do jantar nós podíamos subir para o quarto... posso dormir com você hoje, não tenho fotos marcadas para amanha... — ela falou se aproximando de mim e segurando minha gravata.
Nunca pense que as coisas não podem piorar.
— Acho que fica ruim você dormir lá... eu tenho que trabalhar amanha.
Terminei de arrumar os papéis dentro da pasta, Bianca estava me encarando com as mãos na cintura.
— Você está me dispensando? Que tipo de namoro é esse? Nós vamos nos casar, Enzo!
— Só porque meu pai e o seu querem.
— Não, eu amo você, Enzo! — ela gritou. — É aquela garota, não é?! Aquela empregadinha! Vocês estão tendo um caso?! Ah, eu sabia! Mas eu sei que você só está se divertindo com ela, foi assim com as outras antes dela também! Nós sempre namoramos e você sempre foi assim! Eu sei que depois que ela for embora você vai voltar a me desejar como antes!
— Você não sabe o que eu sinto, você não sabe o que é gostar de alguém. Você só ama a si mesma! — devolvi.
— Isso vindo de você? — ela me olhou com sarcasmo. — Porque você se acha diferente de mim, Enzo? Você sempre olhou só para você mesmo. — Bianca jogou na minha cara.
— Eu nunca pedi você em namoro, você que fantasiou um conto de fadas na sua cabeça. Nunca jurei fidelidade a você.
— E a ela você jurou por acaso? — disse irônica. — Eu e você sabemos que você vai aproveitar enquanto ela está aqui e que ela vai embora e nós vamos nos casar, não é? Eu tenho certeza disso, e você sabe que é isso que vai acontecer.
Fiquei em silêncio, não sabia o que responder a ela. Quando a Rafa fosse embora tudo estaria acabado.
— Vejo você a noite, querido. — ela disse como se não tivéssemos acabado de ter uma discussão, me deu um beijo no rosto e saiu da sala.
Peguei minha pasta e saí atrás dela, aquilo não podia ficar daquele jeito. Quando cheguei na mesa da recepção pude ver a Bianca e a Rafa no elevador se encarando.
— Você é só mais uma piranha. — Bianca disse e as portas do elevador se fecharam enquanto a Rafa encarava a Bianca.
O-ou. Isso não era bom, nada bom.
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