Opostos Perfeitos
30 Capítulo 29
Notas iniciais
Capítulo 29
Narrado por Rafaella:
Depois que saí do serviço fui para casa e tomei um banho. No chuveiro desabei em lágrimas. Estava tudo acabado. Naquela noite adormeci com o choro ensopando o travesseiro. Era uma das piores sensações do mundo.
No sábado acordei tarde e não tomei café, estava sem fome. Jú levantou e veio até a sala, onde eu estava sentada olhando o nada pela janela.
— Rafa? O que houve? Nossa, você chorou a noite toda? O que aconteceu? — ela perguntou espantada sentando ao meu lado.
— Acabou, acabou tudo. — balancei a cabeça e não pude conter a nova onda de lágrimas que queria cair.
— Rafa, amor. — Jú me abraçou e eu deitei a cabeça em seu colo enquanto ela começava um cafuné. — o que houve?
— Eu decidi ir para a Itália.
— Como assim?
— A carta... meu pai... — falei. — e eu quero fugir disso tudo, não aguento mais. — solucei.
— Ah, amiga. — ela me abraçou e ficamos assim um tempo. — Eu sinto muito.
— Desculpe... sei que tem as despesas que a gente divide, mas...
— Não se preocupe com isso, eu dou um jeito, eu quero que você fique bem, se acha que isso é o melhor a fazer eu te apoio, não se preocupe comigo.
Conversamos mais e eu parei de chorar. Não almocei, não sentia fome, a tarde vi um filme na TV com a Jú, depois o Lê ligou e disse que estava vindo ali.
— Olá mulheres lindas. — ele disse animado. — Amor, consegui ingressos para o show do Jota Quest, de última hora um amigo meu disse que a namorada estava doente e me deu, vamos? Sei que você adora e eu também gosto, e é uma chance única! Vai saber quando vão voltar aqui... — ele disse.
— Ah, desculpa amor... a Rafa não está bem, não vou deixar ela sozinha. — Lê fez uma cara triste.
— Não mesmo, Júlia. Você vai sim. Não precisa se preocupar, eu estou melhor e vou ficar bem. Como o Lê disse é uma chance única. — eu sorri o mais convincente que pude.
— Você tem certeza? — ela perguntou ainda se sentindo culpada.
— Claro. Não precisa se preocupar. — sorri outra vez.
— Obrigada! — ela me abraçou.
Como já eram seis horas Jú foi tomar um banho e se arrumar. Lê ficou esperando ela na sala.
— Você não está com uma cara boa, o que houve? — ele perguntou.
— Eu e o Enzo, meio que... hum... brigamos.
— Ah... Não fica assim, isso passa, e hum... nunca se sabe das surpresas de um sábado à noite, né? — ele sorriu.
Hein? Lê estava meio maluco eu acho.
— Ah, e dona Rafaella, eu acho que você devia tomar um banho viu? — ele disse sem cerimônias.
— Estou fedendo? — perguntei me cheirando.
— Não, não... você devia deixar correr uma água no seu rosto e não ficar chorando, acho que até podia usar uma outra roupa, hein, esse pijama não está nada legal. — ele disse.
Lê conversou um pouco comigo e me distraiu, mas acabou me convencendo a tomar um banho e me sentir bonita, ele disse que era bom fazer isso em horas tristes e brincou dizendo que era coisa do grupo de mulheres que sua mãe havia feito uma vez. Apesar disso, achei que ele devia ter razão, ficar no meu pijama deprimente não resolveria nada. Depois que os dois saíram fui tomar um banho, demorei uns vinte minutos, saí enrolada na toalha e fui para o meu quarto, coloquei um shorts e uma blusa cinza de mangas compridas porque estava começando a refrescar, o tempo até parecia de chuva e fiz um coque folgado.
Indo para a sala respirei fundo sabendo que estaria sozinha a noite toda. Lá fora o céu estava escuro, prometendo uma chuva forte, já eram quase sete horas. Sentei e fiquei lendo. Eram oito horas quando a campainha do apartamento soou.
Achei estranho e fui até a porta, olhei pelo olho mágico e meu pulso acelerou.
Enzo.
O que ele veio fazer aqui?
Abri a porta com o coração quase saindo pela boca.
— Oi. — ele disse quase num sussurro.
— Oi. — respondi da mesma forma.
Ficamos em um silêncio terno por quase um minuto.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei para quebrar o silêncio. Meus batimentos estavam acelerados.
— Eu tenho uma proposta. — ele sorriu.
Uma... proposta? Pensei para mim mesma.
— Será que eu posso entrar?
— Ah... tá. Claro, entre. — falei dando passagem, estava agradecendo ao Lê mentalmente por ele ter dito para eu tomar um banho.
— Hum... Quer sentar? — mostrei o sofá meio sem jeito.
— Você andou chorando? — ele me olhou preocupado.
— Eu... Hum... não... — tentei, só tentei, ser convincente. — Então, você disse que tem uma proposta, acredito que qualquer coisa relativa ao meu trabalho eu já tenha conversado com seu pai, hum, Senhor Augusto.
— Por que está sendo tão formal? Você sabe que não estou aqui por causa do trabalho. Estou aqui por nós.
— Enzo...
— Escute o que eu vou dizer, pode ser? — ele pediu.
Dei um suspiro e concordei.
Enzo mudou de sofá e sentou-se ao meu lado, segurando minha mão e me olhando nos olhos.
— Rafa, eu gosto de você e sei que também gosta de mim. O que nós temos é... — ele balançou a cabeça — não encontro uma palavra, é fantástico, mais do que isso, eu nunca me senti assim antes, as coisas que descobri ao seu lado... Você... Você me dá vontade de viver, Rafaella. É como um sol para mim, quando eu te vejo meu mundo sai da escuridão, se ilumina. Olhar você, simplesmente ver você faz minha mente perder o controle. Tenho vontade de te tomar em meus braços cada vez que você entra naquele escritório, ou quando está rindo de alguma coisa distraída. Eu não quero ficar longe de você, não vou suportar isso.
— Enzo... não dá, não dá certo. — falei lutando contra mim mesma. Se ele soubesse a vontade que eu tinha de me jogar em seus braços e ser sua aquela noite inteira, o resto da vida.
— Me escute. Eu... eu não sei como vou fazer para ficar longe de você, para entender que tudo acabou. Eu quero te pedir uma coisa. — ele disse baixo.
— Me pedir uma coisa? O quê? — perguntei sem entendê-lo.
— Seja minha essas duas semanas, completa e loucamente minha. Sem pensar no futuro. Vamos aproveitar, nós dois esse tempo, por favor, diga que sim, diga que passa essas duas semanas comigo. Deixe eu ver você dormir e ter essas duas semanas de sorrisos seus. Não quero que vá embora e que passemos esse tempo nos evitando. Fique comigo. — ele pediu apertando um pouco mais minha mão e olhando intensamente nos olhos.
Enzo estava praticamente suplicando. Eu sentia toda a emoção de sua voz.
— Por que você quer isso?
— Porque quero ficar ao seu lado. Não sei o que eu sinto, nunca amei ninguém, nunca me apaixonei por ninguém, não sei definir o que eu sinto de verdade, mas só de pensar em te ver todos os dias e não poder sequer falar com você eu já fico doido. Não sei se será assim quando não estiver mais aqui... Eu só... eu gosto de você, Rafaella, não sei o quanto, mas gosto muito.
— Tudo bem. — respondi logo que ele terminou de falar e Enzo me olhou surpreso.
— Então você...
— Sim, quero aproveitar o tempo que temos juntos, mesmo que vá ser mais doloroso depois. — sorri um pouco.
— Rafa. — Enzo me abraçou forte, segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou apaixonado.
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