Opostos Perfeitos
27 Capítulo 26
Notas iniciais
Capítulo 26
Narrado por Enzo:
Ela tinha toda a razão, o pior era eu saber disso e ter que admitir, estava na hora de tomar alguma decisão mas eu não tinha coragem para isso, eu estava trocando toda a minha vida por causa de uma mulher e não sabia como tinha chegado a aquele ponto, ao ponto de eu querer deixar qualquer coisa para trás para ficar com ela e mesmo assim ter medo de fazer isso.
— Ei, e aí cara, tudo bem? Ouvi você e a Rafa. — Gui chegou ali.
— Oi. — falei sem ânimo e me apoiei no meu carro.
— O que você vai fazer?
— Eu não sei.
— Achei que iriam se acertar na viagem...
— Ai que tá. A viagem foi... a melhor coisa que eu já fiz na vida. Mas parece que aquele encanto acabou para ela.
— Você espera o que, Enzo? Que ela realmente vá se submeter a ser amada desse jeito? Cara, eu posso não ser um sábio, mas se tem uma coisa que eu tenho certeza é que mulheres gostam de ser valorizadas e a Rafa no mínimo deve achar que você tem vergonha ou medo de enfrentar as coisas por ela, sei lá, ela deve pensar que para você o dinheiro é mais importante, e quer saber de uma coisa? Se eu não tivesse visto o quanto você mudou nesses meses eu concordaria com ela. Só que eu vejo que você percebeu que o seu dinheiro pode comprar todas as mulheres que você quiser, mas vai ser sempre só isso. E com a Rafa é diferente, você ama ela, e sabe que o seu dinheiro não a compra. Você quer um conselho?
— Quero.
— Se você ama ela mesmo, para de pensar em agir e age de uma vez, porque vai chegar um momento em que vai ser tarde demais, meu amigo.
Gui bateu no meu ombro e me deixou sozinho. Entrei no carro e fui para um restaurante almoçar.
Quando cheguei no restaurante percebi o carro da Rafa no estacionamento. Ela estava almoçando ali, era bom porque poderíamos conversar um pouco, estava na hora de decidir as coisas e eu já tinha uma decisão tomada, ia romper com a Bianca e com meu pai se fosse preciso mas ficaríamos juntos, e eu precisava dizer isso a ela.
Entrei no restaurante e procurei a Rafa com os olhos em alguma mesa. Perto de uma das janelas estava ela sorrindo e conversando com o Caio.
Ela realmente era rápida. Desistiu de mim e em menos de meia hora estava almoçando com outro cara. E eu aqui, feito um otário apaixonado. Ela me viu e parou de rir, tentou permanecer séria e disfarçou para que o Caio não virasse e me visse. Mas eu não ia dar o gosto de sair dali para ela rir com seu novo amor pelas minhas costas. Pedi uma mesa ao garçom e ele providenciou. Sentei do outro lado do restaurante e fiz o pedido do almoço. Quando sentei em minha mesa Caio me notou no restaurante e segurou a mão da Rafa.
Meu almoço veio e comi fingindo não dar atenção a eles, quando, na verdade, eu observava cada movimento e por mais que ela estivesse tentando parecer normal eu sabia que ela estava fingindo. Caio não sabia o que havia entre nós, ou vai ver no fundo era tudo armação deles. Eu não queria pensar isso dela, mas se em menos de meia hora ela está com outro cara e eles já eram “amiguinhos” antes de nós dois nos conhecermos eu vou pensar o que?
Os dois terminaram o almoço e saíram do restaurante, eu os observei pela janela enquanto iam para o estacionamento.
Caio parou na frente dela segurando suas mãos, ele iriam beijá-la mas Rafa virou um pouco o rosto e ele lhe deu um beijo na bochecha. Conversaram alguma coisa e ela foi para o carro e ele para o dele. Paguei a conta e também fui embora. Voltei para a empresa.
— Enzo, não o vi ontem, menino. Como foi a viagem? — Beth veio me dar um abraço.
Abracei ela forte, Beth era como uma segunda mãe e eu estava precisando de um abraço.
— Enzo, querido, o que houve? Nunca vi você assim antes. O que você tem, meu filho?
— Eu não estou bem. Não quero falar sobre isso. — pedi.
— A viagem não foi o que você esperava? — ela perguntou.
— Não, a viagem foi muito boa. Voltar é que não foi nada bom. — sorri de leve para ela com a cara triste.
— Entendo... mas não fique assim, essas coisas passam, logo você está bem de novo.
— É. Tudo passa.
Fui para minha sala e quando abri a porta vi que a Rafa já estava lá. Sentei na minha cadeira e fiquei um tempo pensando no que dizer. Ela estava digitando algum relatório no computador.
Pigarrei.
— Então... Você esquece bem rápido as pessoas que você diz que ama não é? — falei normalmente para ver o que ela faria. O almoço dela devia ter sido ótimo.
— E você substitui mais rápido ainda as pessoas que VOCÊ diz que ama não é? Afinal é prático para você passar uns dias dizendo que ama uma mulher, chegar de viagem em um aeroporto com ela e beijar outra sem nem ao menos se importar com o que aquela que você disse que ama sente quando vê você e a outra se beijando. Não é Enzo? — ela disse com lágrimas nos olhos.
Eu devia ser mesmo muito babaca.
Rafa se levantou limpando uma lágrima e se moveu para porta, se a deixasse sair sabia que a perderia para sempre. Fui mais rápido e fiquei na frente da porta impedindo que ela saísse. Tranquei a mesma e segurei o rosto da Rafa com uma mão, outra lágrima escorreu.
— Me desculpe, por favor, me desculpe... — pedi abraçando-a forte. — eu não deveria ter dito aquilo, eu sou um idiota.
Rafa não disse nada, mas estava abraçada em mim também e eu podia sentir que chorava.
— Rafa, por favor, me desculpe por isso. — segurei seu rosto fazendo com que ela olhasse em meus olhos.
Ficamos nos olhando até eu sentir que ela havia me desculpado, seus olhos estavam molhados e elas os fechou permanecendo assim um instante, depois me olhou outra vez e nos beijamos. Nos beijamos com saudade, pedidos de desculpas e a vontade de que aquele beijo durasse a eternidade.
Ela segurou forte meus cabelos enquanto eu segurava seu rosto e o beijo se tornou mais ardente, mais apaixonado. Virei nossos corpos e a prendi contra a porta levantando-a levemente do chão, suas pernas foram parar na minha cintura enquanto nos beijamos com voracidade. Levei-a até o sofá da sala enquanto ela desabotoava minha camisa, tirei a dela e deixei-a de sutiã, momentos depois estávamos nus. Uni meu corpo ao dela com todo o desejo que tinha e nos amamos no sofá do escritório.
Depois de um tempo abraçados vestimos nossas roupas e ficamos sentados um ao lado do outro vendo o movimento da cidade pelas janelas da sala. Alguém bateu à porta e tentou abri-la, ainda estava trancada. Rafa e eu nos olhamos e ela sentou em sua mesa enquanto eu fui destrancar a porta.
— Por quê esta porta estava trancada? — meu pai perguntou me encarando.
— Não sei, não me lembro de ter trancado. Você trancou a porta, Rafa?
— Hum... hã? — ela fingiu estar absorvida pelo trabalho.
— A porta... estava trancada.
— Ah, hum... é... eu não me lembro de ter trancado, mas talvez o tenha feito porque tenho a mania de entrar em casa e chavear a porta... desculpe...
— Bom, tudo bem. Preciso que deem baixa nesses arquivos e confiram o registro daquela empresa nova e depois liguem para Aspen e confirmem se o Andrew virá ao Brasil na semana que vem.
— Certo. — falei pegando as pastas que meu pai havia trazido.
Rafa também fez um sinal com a cabeça e meu pai se retirou, fechei a porta outra vez e ela respirou aliviada.
— O que nós vamos fazer? — Rafa perguntou iniciando o assunto que eu sabia que ela iniciaria.
— Não sei. Não sei como falar com ele.
Rafa suspirou e desviou o olhar.
— Eu sei que tenho que falar mas não sei como.
— Recebi uma carta ontem. — ela disse sem me olhar ainda.
— Uma carta?
— É. Abri hoje de manhã só porque não tinha coragem de abrir antes e também não comentei antes porque essa carta me fez te dizer aquilo de meio-dia. Dizer que não quero uma vida pela metade.
— Eu não estou entendendo.
— Lembra que te falei do meu pai?
Fiquei em silêncio esperando que ela continuasse.
— Eu contei para você que antes da minha avó morrer ela me disse que trocava algumas correspondências com ele algumas vezes por ano e que chegou a mandar fotos minhas... Quando você e eu estávamos viajando a mulher que comprou o apartamento da minha avó deixou uma carta na Jú e a Jú me entregou hoje de manhã... é... do meu pai.
— Mas ele escreveu uma carta depois de tanto tempo? Por quê?
— Minha avó não respondeu as últimas que ele mandou, eu acho, porque estava no hospital, ou nem sequer devem ter chegado ao nosso antigo apartamento, enfim, essa chegou e a mulher me entregou ela. Ele está com uma espécie de tumor, eu não entendi bem, mas entendi que está em um hospital, na Itália e na carta ele pedia a minha avó que pedisse para eu ir vê-lo, porque ele queria pedir perdão por ter abandonado a mim e minha mãe quando eu nasci e ela morreu. — Rafa ainda não estava olhando para mim. — Então, eu resolvi que vou para a Itália. Por isso que disse tudo o que disse hoje de manhã. Não vou ficar aqui esperando você resolver se vamos viver juntos ou não. Vou para a Itália cuidar do meu pai o tempo que for necessário. — ela terminou de falar e me olhou.
— Mas... e a gente?
— A gente, Enzo? A gente o que?
— Como nós ficamos?
— Vai mudar alguma coisa? Eu estou aqui perto de você e mesmo assim estamos separados, a única diferença que vai ter quando eu me mudar é que estaremos distantes e separados, mas afinal, que diferença faz se estamos separados de qualquer jeito?
— E o tempo que a gente passa juntos? Isso não conta.
— É claro que conta, e você não sabe o quanto doeu tomar essa decisão, mas como te disse no estacionamento, eu não quero metades.
Ficamos os dois sem dizer nada por alguns minutos.
— Quando você vai?
— Segunda.
— Isso é em dois dias praticamente, Rafa! — me assustei com a ideia de não tê-la mais ali depois do final de semana. — Existem burocracias, empecilhos, e... e... aqui na empresa, você precisa dar aviso-prévio de trinta dias, não pode sair assim de uma hora para a outra! — eu tentava achar qualquer motivo.
— Eu sei sobre o aviso-prévio, Enzo, por isso vou falar com seu pai agora, explicar minha situação e pedir se ele pode entender.
— Mas... Rafa...
— Vai ser melhor pra nós dois, Enzo. Você vai poder viver sua vida, cumprir com o planejado pelo seu pai e seguir em frente como você seguiria de um jeito ou de outro e eu também vou seguir minha vida, vou recomeçar na Itália e esquecer tudo. Assim como você vai esquecer.
— Esquecer cada hora que passamos juntos? Os momentos, os beijos, o amor que fizemos? É isso? Você vai esquecer isso tudo? Assim, tão fácil? — perguntei sentindo como se ela tivesse apunhalado meu coração.
— Eu não estou dizendo que vai ser fácil, porque pelo menos para mim eu sei que não vai. Mas estou dizendo que com o passar do tempo você vai me esquecer sim e vai continuar a sua vida. Porque é assim que funciona.
Rafa se levantou, ela falaria com meu pai, foi até a porta.
— E se eu não quiser esquecer você? — perguntei em pé pronto para ir segurá-la outra vez em meus braços.
— Mas você vai. — Ela sorriu tristemente e saiu fechando a porta atrás de si.
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