Opostos Perfeitos
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Capítulo 25
Narrado por Rafa:
Descemos a montanha depois do sol ter entrado totalmente e agradecemos ao casal de velhinhos pela oportunidade, a senhora sorriu abraçada ao seu marido e depois dele lhe dar um beijo na testa ela entrou na pousada.
— Não costumamos fazer isso, mas Allie disse que eram um casal especial. — o senhor sorriu e do mesmo jeito misterioso com o qual havia dito aquelas palavras, entrou na casa sem dizer quaisquer outras.
Voltamos para o hotel, a reunião da tarde havia sido transferida para a noite, no salão do hotel onde estávamos hospedados porque aconteceram alguns imprevistos na empresa, ainda tínhamos uma hora antes da reunião, era o último dia ali, no dia seguinte estaríamos voltando para o Brasil.
No quarto, tirei a roupa e fui tomar um banho, a água estava quentinha e gostosa, Enzo veio atrás de mim e tomamos banho juntos.
Coloquei uma roupa social e prendi o cabelo enquanto Enzo ajeitava a gravata. Sorri para o espelho enquanto via ele tentando ajeitar o nó da forma certa, balancei a cabeça e fui em sua direção.
— Deixa que eu ajeito. — falei e dei o nó da forma correta.
Enzo segurou minha cintura e foi chegando perto do meu pescoço enquanto eu terminava o ajuste.
— Eu adoro esse perfume... —falou dando um beijo no meu pescoço.
— Não começa... — falei com a voz suave, os lábios dele no meu pescoço era a mesma coisa que jogar gasolina no papel e acender um fósforo.
— A culpa é sua por estar tão linda... — ele disse baixinho.
— É, mas agora não temos tempo para isso. — sorri. — depois talvez... — me fiz de difícil brincando com ele.
— Depois... — ele repetiu baixinho no meu ouvido. Senti um arrepio.
Ficamos nos provocando mais alguns minutos e depois descemos para o salão onde seria a reunião. Fizemos as apresentações dos planos e firmamos um acordo de três anos.
— Foi um prazer fazer negócio com a Machiello. — disse Elsher, o diretor da outra empresa.
— O prazer é nosso, esperamos que continuem crescendo e estaremos dispostos a ajudar no que for preciso. — Enzo disse.
— Agradeça ao senhor Machiello pela confiança.
— Claro, obrigado.
Os dois apertaram as mãos selando o acordo e nos despedimos.
Entramos no elevador, Enzo parecia feliz e entusiasmado. Assim que as portas se fecharam ele me colocou contra as paredes e me beijou com vontade.
— Enzo! — censurei – tem câmeras aqui!
— Pelo menos assim os vigias têm com o que se divertir em vez de só ver caras emburradas esperando as portas se abrirem.
— Rá-rá! Engraçadinho. — ironizei. — Pode tirando a mão dai, agora! Se não eles vão é rir do tapa que você vai levar.
— Nossa, você está feroz... — ele sussurrou provocando no meu ouvido.
— Espere até não ter câmeras então. — devolvi no mesmo tom.
Enzo me olhou com desejo e olhou para os números dos andares. Em cinco segundos a porta se abriu e ele me levou rápido para o nosso quarto enquanto ríamos pelo corredor.
Na porta, Enzo me abraçou pela cintura enquanto eu passava o cartão, entramos e eu parei de olhos arregalados vendo o que estava em minha frente.
O quarto estava arrumado com pétalas de rosas e velas, duas taças de champagne, morangos e chocolate.
— Gostou? — ele perguntou no meu ouvido. — Achei que como é nossa última noite aqui, você gostaria que ela ficasse marcada.
— Enzo... — sussurrei, estava emocionada.
— Vem. — ele sorriu e me puxou pela mão fechando a porta em seguida.
Enzo segurou minha nuca e conduziu-me em um beijo calmo e intenso.
Pegou as taças de champagne e me deu uma, ligou o aparelho de som com o controle remoto e uma música romântica começou a tocar, Enzo me abraçou e eu deitei minha cabeça em seu peito aproveitando aquele momento.
Dançamos enquanto a música tocava, seus lábios percorriam meu pescoço e suas mãos abriam devagar minha roupa, logo estava sem a blusa e seus dedos dedilhavam o contorno das minhas costas de forma suave.
Depois de dançar lentamente, outra música no mesmo ritmo começou a tocar e ele me levou até a cama. Trocamos beijos e carícias e nos amamos de forma lenta e apaixonada.
— Sabe o que é mais incrível nisso tudo, tipo, o jeito como nos conhecemos ou como você entrou na minha vida, como você continua nela, os momentos que a gente passou juntos — ele passava a mão no meu braço — A viagem e tudo mais, sabe o que é o mais incrível?
— O quê?
— Você.
Sorri para ele e dei um selinho.
— E sabe o que é mais incrível ainda?
— O que?
— Ver o super, mega, inigualável Enzo Machiello admitir que está caidinho por mim. — falei brincando com ele.
— Eu faço uma declaração e você me agradece assim? — ele perguntou fingindo estar ofendido.
— Não. Eu agradeço assim. — deitei por cima dele e o beijei de um jeito sensual.
Depois de mais umas carícias, deitamos abraçados e dormimos juntinhos na nossa última noite em Aspen. No dia seguinte voltaríamos para o Brasil.
As sete horas Enzo e eu já havíamos levantado e arrumado a maioria das nossas coisas, depois de tudo organizado tomamos um banho de banheira demorado, era bom de mais sentir os lábios gelados dele na minha nuca enquanto suas mãos deslizavam pelo meu corpo desenhando cada parte dele.
As oito horas fechamos a conta do hotel e fomos para o aeroporto e logo depois estávamos voando de volta para o Brasil, no salão de embarque ainda achei em uma lojinha umas lembranças para o pessoal, sem falar na foto que tirei de um carinha loiro bonitinho para a Jú.
Dormimos todo o caminho praticamente chegamos no final da tarde no Brasil.
— E como a gente fica agora, Enzo? — perguntei enquanto desembarcávamos, Enzo estava com sua mão pela minha cintura levando sua pasta na outra, parecíamos um casal normal.
— Eu ainda não sei. Vou falar com meu pai essa semana e dizer que não vou me casar. — ele falou mas não senti segurança no que ele disse.
— Eu sabia... — falei baixo. — vai ser assim, cada um com sua vida, como se nada tivesse acontecido, ou melhor, talvez você ainda queira continuar me levando no jardim da empresa ou me pegando pelas salas sem ninguém ver, não é?
Paramos os dois um de frente para o outro.
— Não vai ser assim, Rafa, eu só preciso de um tempo para explicar para ele.
— Um tempo.
— Vou falar com ele amanha. — olhei para ele. — Prometo, vou tentar conversar com ele amanhã, tá? — Enzo passou a mão no meu rosto e voltamos a andar da mesma forma de antes, ele com seu braço em volta da minha cintura.— Eu ganho um sorriso? — Ele pediu me olhando enquanto caminhávamos.
— Só um bem pequenininho. — sorri só um pouquinho brincando com ele.
Ele me deu um beijo na bochecha e chegamos ao salão de embarque.
Paramos os dois na hora e Enzo tirou a mão da minha cintura. A Bianca estava em pé há uns dez metros de nós, de braços cruzados e uma cara de esnobe. Pela cara podia ver que ela tinha percebido a mão de Enzo na minha cintura, mas não quis dar na vista e veio correndo abraçá-lo.
— Oi meu amor! Que saudade de você, parece que foram meses!
Ah, qual é!
Bianca deu um beijo nele e Enzo sequer recusou. Ah, claro, com certeza eu deveria ser a coisa mais incrível da vida dele.
Fui em direção ao local das bagagens e peguei minha mala, o motorista que estava com a Bianca estava pegando as do Enzo.
— Pode deixar que eu levo, dona Rafaella. — O motorista disse.
— Não precisa, obrigada. Vou de táxi.
— Mas...
— Eu acho melhor deixar o casal matar a saudade em paz. — sorri irônica ao coitado que devia estar sem entender o porquê da minha reação.
Não olhei para saber o que Enzo estava fazendo, muito menos se ainda se beijavam ou se ele estava tentando fazê-la largá-lo. Saí do aeroporto e um táxi estava chegando para minha sorte. Dei o endereço e fui para casa. Eu sabia que seria exatamente assim, e sabia também que ele não falaria no dia seguinte com o pai dele e nem no outro. Talvez aproveitasse o final de semana para anunciar o noivado de uma vez!
Cheguei em casa e fui deixar minhas coisas no quarto, a Jú não estava, tomei um banho demorado e depois coloquei uma camiseta velha e um shorts, amarrei o cabelo meio folgado e desfiz a mala, não queria ocupar minha cabeça pensando no Enzo, mas quando acabei de arrumar minhas coisas e já não tinha mais com o que me ocupar, fui para a sacada e me apoiei na grade apreciando a vista e lá estava ele, como a reprise de um filme, nos meus pensamentos.
— Por quê é tão difícil? — perguntei a mim mesma. — Por quê eu sou tão idiota?
Meu celular tocou e fui atender.
— Alô?
…
— Eu não quero falar com você, Enzo.
…
— Já chega desse jogo tá bom? Acabou, acabou seja lá o que tenhamos tido.
…
— Por favor, Enzo. Me deixa em paz tá, esquece que eu existo, vai viver sua linda e perfeita vida com a Bianca, vocês pertencem ao mesmo nível, vocês são perfeitos porque são iguais, então vai viver sua vida com ela e me deixa em paz.
Desliguei o telefone e sentei no sofá com o rosto nas mãos. Como fui tonta!
— Amiga! — Jú abriu a porta e veio ao meu encontro.
— Jú! — levantei e abracei ela.
— Ei, o que é isso? Por quê você está chorando? O que aconteceu?
— Nada. Não quero falar disso.
— Mas... bom... então... como foi a viagem?
Suspirei, ia ser impossível não falar.
— Foi maravilhosa.
— Então porque está chorando, Rafa?
— Nós brigamos, hoje. Eu... terminei qualquer coisa que tivesse começado.
Ju ficou me olhando por um tempo.
— Se você quiser posso dar um jeito de botar pó de mico na roupa dele, ou ortigas... sei lá, você que sabe...
Sorri um pouco, ela era mesmo uma lesada.
Jú deu de ombros.
— Se precisar estamos às ordens. Ah, e por falar em favores — ela tossiu de mentira — e meu loiro, lindo, bonito e sensual?
— Nossa, você realmente se importa com meus sentimentos né? — ri dela.
— Claro, eu disse que botava ortiga nele... não faço isso por qualquer uma.
— Ai, sua boba!
Fui pegar minha câmera e disse que realmente tinha trazido um presente para ela, Jú adorou o loiro da foto.
No dia seguinte fui para a empresa sem vontade nenhuma, para minha sorte era sexta-feira, então só teria que encarar o Enzo hoje e depois teria o final de semana para pôr a cabeça no lugar e me recuperar.
Assim que cheguei o senhor Augusto mandou me chamar na sala dele, dois minutos depois o Enzo também entrava na sala, ele parou ao me ver e eu não o olhei.
— Fiquei sabendo que os negócios foram um sucesso e recebi elogios sobre vocês também, quero agradecê-los pelo belíssimo trabalho! — Augusto disse do jeito mais formal possível, depois apertou minha mão e a do Enzo. — Era só isso, obrigado.
Fiz um sinal positivo com a cabeça e me retirei da sala, Enzo veio logo atrás e assim que fechou a porta segurou meu braço.
— Olha, Enzo, por favor, chega desse jogo idiota tá bom? — falei com raiva já, eu não ficaria aguentando aquilo a vida toda.
— Você não pode me escutar pelo menos?
— Escutar o que? Você dizer que só quer um tempo, para falar, para seu pai aceitar. Quando a gente gosta de alguém a gente não precisa de um tempo pra tomar coragem e falar a gente vai e fala e enfrenta o que tiver que enfrentar de peito aberto, então a menos que você esteja disposto a dar meia volta, entrar nessa sala e enfrentar seu pai, não eu não irei te escutar!
Ele ficou me olhando sem se mover.
— Foi o que eu pensei. — soltei meu braço da mão dele e fui para a sala, teria que passar o resto do dia na mesma sala que ele.
Durante a manhã toda Enzo e eu não trocamos nenhuma palavra. Na hora do almoço decidi ir almoçar num restaurante ali perto, queria sair um pouco da empresa porque estava bastante estressada.
No estacionamento prendi o salto em uma pedra ele quebrou e ainda consegui derrubar os papéis que estava carregando. Realmente aquele não era o meu dia.
— Machucou? — Enzo apareceu do nada e segurou meu braço enquanto eu tentava me equilibrar para pegar o salto quebrado.
— Não, estou bem. — respondi sem olhar para ele.
Me abaixei para recolher as coisas antes que voassem e ele ajudou, fui mancando até o carro porque meu pé estava doendo, teria que ir até em casa só para buscar outro calçado.
— Ai, droga. — resmunguei quando pisei um pouco mais forte.
— Está tudo bem?
— Está!
— Você vai dirigir?
— Não, vou voar.
Enzo respirou fundo.
— Será que a gente não pode conversar como dois adultos.
— Não temos nada para conversar.
— Então tudo o que a gente passou essa semana em Aspen não significou nada?
Um curto silêncio se fez entre nós dois até eu olhá-lo nos olhos.
— Significou alguma coisa para você? Porque se significou eu acho que não entendi qual o significado que teve para você. Umas noites divertidas talvez? Sexo, é isso não é?
— Não Rafaella, não foi só sexo. — ele me encarou.
— E o que foi então?
— O que a gente teve lá, o que a gente vem tendo nesses meses, é mais que isso, é mais forte e você sabe, você também sente.
Olhei nos olhos dele.
— E de que adianta sentir quando você não tem coragem de viver esse sentimento, Enzo?
— Eu só queria que você entendesse...
— Entender o que?! Eu entendi da primeira vez, entendi da segunda vez, eu entendi até numa terceira vez, mas é isso que você quer que seja a nossa vida, eu entender cada vez que você precisar fingir que não existe nada entre nós porque seu pai quer que você case por dinheiro?! Você quer que eu entenda cada vez que ela te abraçar e te beijar, cada vez que eu tiver que abaixar a cabeça e ouvir ela me humilhar?! Você quer que eu viva uma vida “entendendo” os seus motivos para esperarmos mais um tempo? Quer que eu passe a minha vida sendo a outra, a secretária que vai com você nas viagens, tem umas noites incríveis e depois simplesmente volta a ser aquela que você vai amar escondido? Desculpa, Enzo, mas eu não quero metades. Não quero ser metade sua nem quero que seja metade meu, não quero só beijos escondidos e planejados, quero beijos quando der vontade de beijar, quero sua boca no meu ouvido quando der vontade de surrar palavras bobas, não me importa se for entre quatro paredes ou aqui nesse estacionamento para todos verem. Eu quero você inteiro não pela metade. E se não pudermos ser inteiros um para o outro, então prefiro que não sejamos nada, porque um coração pela metade não passa de um ponto de interrogação mal acabado que nunca dá a certeza de nada.
Entrei no carro e dirigi até em casa. Doía bastante, mas era melhor por um ponto final naquela história do que viver uma vida escondida.
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