Opostos Perfeitos

16 Capítulo 15


Notas iniciais
Capítulo dedicado a todas as leitoras lindas que estão acompanhando a OP, muuito obrigada pelos comentários, não sabem como me deixam feliz! Assim como as favoritações, acompanhamentos e recomendações (Annie, obrigada por recomendar linda >

Capitulo 15 — Desejo

Narrado por Rafa:

Voltei para a cozinha arrumando os cabelos, Jú estava encostada na bancada da pia e me olhava com uma cara safada.

– Desembucha vadia. Agora. — ela mandou.

– O quê? Não fiz nada. — disfarcei indo pegar a panela de novo.

– Rafaella Belmontt, eu vou dar com essa panela na sua cabeça! Sinta-se avisada! — Ela segurou a panela apontando para mim.

– Estou falando sério, não fiz nada de mais. — olhei para ela que me encarava desconfiada.

– Você estava agarrando o Enzo, né? Confessa safada! — ela falou chegando perto de mim e parando com as mãos na cintura fingindo uma cara de “mãe superprotetora”.

– Eu?! Imagina! — fiz a maior cara de pocker face para ela.

– Sua bitch! — ela riu e me deu um empurrão leve. — O Caio lá fora e você aqui dentro se amassando com o Enzo? — Jú deu risada alto.

– Calada! — tapei a boca dela com a mão. — me ajuda logo com essa pipoca. — não aguentei e dei risada leve. — E eu não tenho nada com o Caio, você sabe, ele que me beijou antes e só não levou um tapa na cara porque eu fiquei com pena, os garotos iam ficar dando risada.

Jú deu um gritinho.

– Saaaaaabia! — ela pulou. — Você é muito vaca mesmo. — me olhou fazendo uma cara toda safada.

– Claro né, eu sou sua melhor amiga, como eu não ia ser vadia, é a convivência. — dei de ombros e depois ri.

– Poxa, quanto amor hein? — ela fez beiço.

– Own, que pessoa mais carente! — abracei a Jú.

Fizemos a pipoca e depois voltamos para a piscina, passamos o resto da tarde ali, Enzo voltou lá para fora também. A Fer e o Gui foram embora antes, queriam dar uma volta na praia... E a gente finge que acredita.

Pelas cinco horas Jú e eu decidimos que estava na hora de voltar para casa também.

– Vamos? — Jú perguntou.

Lê e Caio concordaram.

– Aham, vão indo lá no carro, só vou pegar minha blusa, deixei no banheiro. — falei para eles, eu tinha tirado a blusa para ir para a piscina.

Entrei no banheiro e peguei a blusa, coloquei ela por cima do biquíni. Quando fui sair do banheiro, Enzo me empurrou de volta lá para dentro e fechou a porta.

– Está maluco?! — perguntei quase gritando.

– Não, só queria me despedir. — ele disse calmo.

– Podia fazer isso lá fora. — falei.

– Na verdade, acho que não, o seu “ficante” podia sentir ciúmes. — ele disse ainda paciente.

– Hã? Por quê? — perguntei confusa.

– Ele não ia gostar de ver isso.

Enzo terminou de falar e na mesma hora me puxou e beijou. Suas mãos seguraram firme em meus cabelos e fiquei outra vez contra a parede.

– Seu, seu... seu... MALUCO! — me soltei dele e saí batendo a porta do banheiro.

Enzo estava passando dos limites, quem ele achava que era para me agarrar a hora que quisesse?!

Fui para o carro batendo os pés, entrei com raiva.

– Que cara é essa? — Jú perguntou quase rindo.

– Cara de quem está muito a fim de matar um nesse momento. — bufei.

Nessa hora Enzo se encostou na janela do carro.

– Falou, parceiro. — ele fez um toque de mão com o Leandro. — até mais, gente.

– Até. — Jú sorriu.

Olhei para ele encarando séria, estava braba e ele mantinha aquele sorriso bobo e doce e me deixava mais irritada ainda.

– Até amanha, Rafinha. — sorriu todo cínico para mim.

– Isso se você estiver vivo até amanha né. — respondi cínica também.

– Por quê?

– Ué, nunca se sabe né, vai que você morre à noite, ou vai que cai uma bomba na sua casa, ou sei lá... um míssil talvez... ou ainda, um atirador de elite, uma granada...

– Imaginação fértil. — ele sorriu. — mas não se preocupa, prometo estar inteirinho amanhã, sei que você adora passar o dia todo comigo na empresa.

– Nossa, adoro tanto. — respondi irônica.

Enzo riu, a Jú também já estava segurando a risada, olhei feio para ela. Caio que estava em seu carro atrás do Leandro deu uma buzinada, então Lê acelerou e fomos embora. Enzo ficaria ali na casa do Gui até ele e a Fer voltarem.

Logo chegamos em casa. Caio foi embora, ele tinha algum compromisso. Lê ficou lá com a gente, ele e a Jú estavam cada vez mais apegados, estava escrito na cara dos dois. Dentro do elevador pareciam recém-casados.

– E o que você vai querer que eu te faça hoje? — Lê perguntou segurando Jú pela cintura.

– Hum... que tal se a gente fizer um chocolate quente e ir olhar um filme lá no quarto. — ela sorriu de lado e ele beijou a bochecha dela.

– Qualquer coisa com você.

– Ok, ok, será que dá para parar com a melação? Esse açúcar todo está me dando dor de dente, ok? — reclamei rindo.

– Se fecha aí, falou? — Jú disse rindo. — você não pode falar absolutamente nada! — ela mordeu o lábio.

– Muito pelo contrário, querida, eu não estou com melação nenhuma com ninguém. Sou livre, leve e solta. — dei de ombros.

– E apaixonada. — ela falou baixo mas eu escutei.

– Só se for pelo Batman, porque outro homem normal e decente por aí está muito difícil.

– Cof cof. — Lê fez que tossiu, eu encarei ele.

– O que? Você está incluso sim, senhor Leandro, porque de decente você não tem nada.

– Ei. — Jú falou de cara feia e depois riu.

– Ah, não vai me defender? — Lê olhou para a Jú fingindo estar ofendido.

– E a Rafa disse alguma mentira por acaso? — Jú perguntou brincando.

Depois que entramos em casa, os dois foram para o quarto, eu tomei um banho, assisti TV e fui dormir.

Segunda.

Fui para a empresa, como sempre Enzo chegou quase uma hora atrasado.

– Bom dia, Beth. — ele sorriu para a Beth e me olhou, começou a andar em minha direção. — Oi, Rafinha, sentiu saudades?

– Nem nos seus sonhos. — retruquei.

– Mau humor essa hora já? Nossa senhora, hein. — ele fez uma cara de dó que eu quase, quase, dei risada.

– Se você acha que eu estou mau humorada agora, espera para me pegar na tpm. — sorri irônica.

– Hum... vai deixar eu te pegar quando estiver de tpm também? — ele mordeu o lábio.

– Vá. Se. Foder. — falei devagar e mandei o dedo do meio para ele, discretamente.

– Vem comigo. — ele tinha se aproximado mais e falou perto do meu rosto.

– Nem morta. — sorri irônica.

Enzo deu uma risadinha e foi para a sala dele.

Meia hora depois ele saiu da porta de sua sala e me chamou.

– Rafa, vem cá um pouco? Preciso de ajuda com uns papéis. — pediu.

– Vem você, ué, o caminho é o mesmo. — falei e depois a Beth me olhou espantada. Virei os olhos, ela não entenderia.

Levantei e fui até a sala dele. Acho muito bom ele querer realmente ajuda em alguma coisa sobre a empresa.

Entrei na sala e ele fechou a porta ficando parado atrás de mim.

– Quer ajuda com o que? — perguntei e virei, nossos corpos quase se chocaram.

– Hmm... com... umas coisas aí. — ele falou mordendo o lábio e se aproximando sem desviar os olhos dos meus.

– Sai, Enzo. — coloquei minhas mãos entre nossos corpos, elas estavam no peito dele, senti um enorme calor mesmo por cima de sua camisa.

Tirei as mãos rápido.

– Está fugindo por que? Eu estou vendo que você quer. — ele falou baixo.

– Não, eu estou trabalhando, e... e... eu não quero absolutamente nada. Você que fica... tentando me agarrar. — falei olhando os lábios dele.

– Eu fico... tentando... — ele se aproximou um pouco mais, lentamente. — fico tentando... agarrar você... e você odeia isso não é? — ele sussurrou com os lábios quase colados aos meus, sua mão já segurava minha cintura.

– É... — dei um passo para trás, ele deu outro para frente ficando perto ainda. — você... a culpa é sua...

– Eu assumo a culpa, a culpa é minha. — ele falava baixo, seu olhar na minha boca, meu olhar nos lábios dele.

– Não... você não pode... assumir... sozinho... quer dizer...

– Quer dizer que você quer sim. — ele disse ainda olhando meus lábios, senti a mesa dele atrás de mim.

– Eu...

– Você...?

– Vem cá. — puxei ele pela nuca e beijei.

Paramos o beijo devagar, minha respiração estava ofegante, as mãos dele ficaram segurando minha cintura, as minhas ficaram em seu pescoço.

– Isso... não está certo. — falei e encarei ele. — O que você acha que eu sou?

– Eu não acho nada. — ele respondeu. — Para de negar que você também sente atração. Para negar que você também quer o que eu quero. — ele completou mais baixo.

– O que você quer?

Ouvimos três batidas na porta, nos soltamos rápido.

Bianca entrou.

– Amor! — ela disse feliz e desfez o sorriso assim que me viu.

– Precisa de mais alguma coisa então? — perguntei ignorando a vadia.

– Não, só isso, valeu, Rafa. — ele sorriu sem jeito e eu passei pela Bianca na mesma hora antes que ela falasse alguma coisa.

Um tempinho depois a mocreia saiu da sala do Enzo, eu estava sozinha ali na recepção, ela veio até mim e parou em frente a minha mesa. Desliguei o telefone.

– Vou avisar você só uma vez, sua vadiazinha, — me olhou com nojo – fica longe do meu Enzo, nós vamos nos casar, e eu vou tirar você daqui, entendeu? Se afasta do meu namorado, garota, ou você vai me conhecer de verdade.

Eu encarei ela com uma sobrancelha erguida. Se ela estava mesmo achando que eu ia ouvir aquilo e ficar quieta, ela que iria me conhecer.

Bianca foi dar as costas para sair, eu fiquei em pé atrás da minha mesa.

– Escuta aqui, você. — falei devagar e ela virou surpresa. — Em primeiro lugar, Enzo e eu não temos nada, em segundo lugar, você nem morta vai me tirar da empresa, não você. — apontei ela. — E em terceiro lugar, fica na sua, ou quem vai conhecer alguma coisa aqui vai ser você, mocreia.

Na mesma hora Augusto abriu a porta da sala dele e veio em nossa direção.

– Bianca, querida, olá! — ele sorriu e deu um beijo na bochecha dela. — Como vai?

– Olá! Tudo bem, e você? — ela sorriu para ele e logo em seguida me dirigiu um olhar vitorioso.

Sentei em minha cadeira e fingi arrumar alguma coisa no computador.

– Estava só passando, vim dar um oi para o meu futuro marido. — ela sorriu outra vez.

Fiz uma careta.

Logo depois ela foi embora, Augusto a acompanhou até o elevador e depois pediu uns papéis para mim.

A manhã passou lenta e as palavras da Bianca me atormentavam. Ela era muito escrota mesmo.

Na hora do almoço fiquei na empresa, Beth tinha coisas para resolver. Almocei e ainda tinha bastante tempo livre até a hora do expediente recomeçar. Fiquei com vontade de subir ao terraço e ficar no jardim, ninguém me veria lá aquela hora mesmo... Ninguém subia lá aquela hora... E eu sabia onde a chave ficava. O pior que poderia acontecer era eu perder meu emprego. E não conseguir nenhum outro na cidade... Mas, eu ainda queria ir até o jardim. Entrei no elevador e subi, logo que abri a porta do corredor escuro uma brisa mexeu meus cabelos, a sensação era muito boa.

Observei tudo ao redor extasiada como sempre. Aquele lugar era lindo, e parecia mais lindo a cada vez que eu ia lá. Fui até a casinha de vidro e fiquei olhando as coisas, na estantezinha pequena da TV tinha uma gaveta, abri e vi um álbum de fotos, sentei no sofá para olhá-lo. Vi várias fotos do Enzo e da Fer pequenos, e dos pais deles juntos e felizes. Estava olhando o álbum quando escutei um barulho na porta de entrada, meu coração disparou. Me escondi atrás do sofá rapidamente e logo em seguida escutei as vozes do Enzo e do Augusto se aproximando.

– Eu não quero me casar pai, não quero isso, não amo a Bianca!

– Você não ama ninguém, Enzo, só ama a si mesmo. Você vai ver que com o tempo aprenderá a gostar dela.

– Eu não quero isso! — Enzo falou estressado, me escondi mais ainda atrás do sofá rezando para que eles não me pegassem ali. Eu estaria muito ferrada.

– Nós já conversamos sobre isso! Sua mãe queria esse casamento.

– Não, ela queria que eu fosse feliz. Isso que ela queria. Ela nunca me obrigaria a casar com alguém como a Bianca.

– Mas o que há com você?! Há alguns meses você concordava em peso nisso. Bianca vai ser um negócio incrível! A maior sociedade já vista na região!

– Eu não sou mercadoria, pai. O senhor sempre pensando nessa maldita empresa! — Enzo gritou – É só com isso que você se importa. Não está nem aí para o que eu quero, nem para o que a Fernanda quer. Só essa maldita empresa! Sempre!

– O que você acha que está dizendo?! — Augusto também elevou a voz. — Isso tudo aqui sempre foi por vocês, para o bem-estar de vocês!

– Bem-estar não é a mesma coisa que felicidade, pai.

– Ah, por favor, pare com esses papinhos de adolescência. Você já está bem grande para entender o quanto essa sociedade vai significar. Não estrague tudo, Enzo. — Augusto disse aquelas palavras e percebi que ele virou as costas e foi para a porta de entrada.

Augusto saiu e o Enzo chutou dois vasos de flores que se quebraram em pedaços.

– Eu quero que essa maldita empresa vá a puta que a pariu de uma vez por todas. — ele ainda estava muito irritado e se jogou no sofá. O sofá se moveu alguns centímetros e bateu em mim sem querer.

– Ai! — gemi baixinho pelo susto, logo coloquei a mão na boca tentando esconder o som.

Na mesma hora Enzo ficou em pé e olhou atrás do sofá. Merda.

– O que você está fazendo aqui?! — perguntou com raiva.

Eu fiquei sem resposta. Ele parecia muito irritado.

– Hein?! O que veio fazer aqui?! Quem deu permissão para subir até aqui?! — ele gritou.

– Eu... eu... sinto muito. — falei já em pé encarando o Enzo. Eu sentia muito não por estar ali, mas pela discussão que ele tinha tido com o pai.

Enzo ficou sem reação alguns instantes também.

– Não... tudo bem... desculpa ter gritado com você... eu só... — ele não completou a frase, voltou a sentar no sofá com a cabeça apoiada nas mãos.

– Calma, Enzo... — sentei ao lado dele e passei meu braço em volta das suas costas puxando ele para mais perto.

Enzo precisava urgentemente de um abraço. E foi isso que fiz.

– Não se preocupa, ele vai entender você. Quer dizer... é a sua vida. Você decide o que quer.

– Como se fosse assim fácil com ele como pai... — Enzo disse baixo.

– Ué, se você não quiser casar, deixe ela plantada no altar, aí seu pai vai ver que fala sério. — Falei com humor e Enzo sorriu.

– Sabe que é uma boa ideia? — ele me encarou. — Você podia esperar do lado de fora com o cavalo-branco...

– Acho que os papéis estariam invertidos aí. — Falei rindo.

– Ué, as mulheres não vão dominar o mundo? Então... — ele sorriu outra vez e nos encaramos.

No instante seguinte ele me beijava como se o mundo pudesse acabar em seguida.

Eu não sabia explicar o porquê de me sentir daquele jeito toda vez que ele me beijava. Eu nem sabia se existia explicação e se aquilo acontecia realmente ou se eu era louca o suficiente para imaginar tudo. Mas aquelas mãos descendo pelo meu rosto e puxando meu cabelo não eram imagináveis. Eram as mãos dele, os lábios dele e eu já não sabia mais dizer ao certo o que aquilo significava.

Eu não sabia mais se era certo ou errado. Mas ainda parecia muito errado.

Notas finais
Então? Como estamos? Comentem, favoritem, recomendem, acompanhem, façam-me feliz u.u UAHEAUEHAU :3 Obrigada por estarem comigo, gente bonita ;) Muita água para rolar nos próximos capítulos u.ú Enzo casar com a Bianca? E agora? MUHAHAHA ~risadinha maléfica~ beeijos ;*