Opostos Perfeitos
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Capitulo 13 – Sentimento crescente
Narrado por Rafaella:
Enzo e eu nos beijamos de novo, eu não podia acreditar. Depois de ter passado a noite jurando que aquilo não voltaria a acontecer, eu o beijo, duas vezes ainda.
Beth deu um susto em nós dois, mas acho que ela não viu nada. Pelo menos ela não disse nada nem me olhou desconfiada quando voltei à minha mesa. O resto do dia passou intenso, aquela empresa dava trabalho mesmo.
A semana passou rápido. Enzo tentou me beijar outras duas vezes, na quinta no horário de almoço e na sexta, na hora da saída. Me esquivei nas duas vezes, aquilo não poderia acontecer. E mesmo assim, eu não sabia dizer porque isso ainda mexia tanto dentro de mim. Eu queria poder beijá-lo.
Mas de que adiantava? Eu tinha certeza de que os beijos para ele não tinham passado de beijos comuns. Ele sempre tinha todas aos seus pés mesmo. E eu ficando cada vez mais balançada. Aquilo precisava parar.
Na sexta Jú foi dormir na casa do Leandro, e acabei ficando sozinha, gostei muito, estava precisando de silêncio mesmo. Fui dormir cedo. Sábado, levantei pelas nove da manhã, dei uma ajeitada na casa e perto do meio dia meu telefone tocou. Era a Jú.
– Oi capenga. — falei carinhosamente.
…
– Que horas?
…
– Certo.
…
– Qual biquíni? O azul?
…
– Aff, levo sim sua tonta. — dei risada, Jú parecia bêbada aquela hora da manhã, se bem que ela parece bêbada até quando dorme...
…
– Tá, tchau, não esquece a camisinha, hein.– falei e ri, dava para ouvir o Leandro chamando ela para cama ao fundo.
Desliguei o celular e fui arrumar minhas coisas, Jú tinha me chamado para ir para a praia a tarde, ela disse que o Gui e a Fer tinha convidado. Liguei o som de casa e fiquei ouvindo música.
De tarde, pelas três horas Lê e Jú passaram em casa para me pegar e nós logo fomos para a praia. Sentamos na areia e ficamos conversando, Gui e Lê estavam contando piadas bobas, como se os brasileiros já não implicassem o suficiente com os português e algum Manoel em Portugal com certeza deveria estar com as orelhas vermelhas. Depois de algumas risadas, Enzo apareceu ali.
– E aí. — ele cumprimentou e sorriu, logo se jogou bem ao meu lado. Nem engoli areia quase.
– Eca, joga mais areia em mim. — reclamei.
– Ah, coitadinha, deixa eu limpar vai. — ele disse e mordeu o lábio passando a mão na minha perna enquanto fingia limpar a areia.
– Tira a patinha, tira? — falei cínica enquanto dava um empurrão no corpo dele.
– Só fui ajudar. — ele fez bico.
– Aham. Sei. — falei com a cara irônica. O pessoal nem estava prestando atenção em nós dois, estavam vendo uma galera surfando.
– Olha, a menina manda bem. — Fer apontou uma garota que devia ter uns dez anos e já surfava.
– Nossa, sempre quis saber surfar. — falei fazendo bico.
– Então bora lá aprender! — Enzo disse na hora ficando em pé e me estendo a mão.
– Está maluco? — encarei ele.
– Vamos, anda logo, vou te ensinar a surfar.
– Mas nem que a vaca tussa, você vai é me afogar, isso sim. — fiz cara de assustada.
– Aff, fica quieta. — ele deu uma risadinha e logo fez careta. — Vamos logo antes que eu te carregue.
– Não, estou bem aqui. — falei sentada ainda.
– Ela está doida para que eu a pegue no colo... — Enzo disse se achando e eu mandei o dedo do meio para ele.
– Encosta em mim e eu faço um omelete aqui e agora. — encarei ele ameaçando.
– Meio difícil se você estiver com as pernas no ar e não puder chutar. — Enzo disse e me pegou nos braços logo em seguida.
– Tá, tá, tá! Eu vou, eu vou, caramba, já falei que vou, me põe no chão!
Bufei com o Enzo e ele me colocou no chão. Fiz uma cara de raiva para ele, ele pegou a prancha de surf e apontou para eu ir andando na frente dele.
Saí pisando firme enquanto o pessoal dava risada de nós dois. Entramos no mar até onde a água dava na minha cintura.
– Eu não sei fazer isso. — reclamei fazendo bico.
– Não tem segredo, é só questão de equilíbrio... Vai, deita aí em cima.
Deitei em cima da prancha como ele falou.
– Agora tenta ficar em pé, com calma, eu vou segurar a prancha para ela não virar.
Fiz o que ele mandou, e até foi fácil com ele segurando a prancha bem firme, mas logo depois eu já caí na água. O certo não seria tentar aquilo na areia primeiro?
– Eu não devia tentar na areia? — perguntei.
– Demora demais e eu sou um excelente professor, por isso vamos logo às aulas práticas. — ele disse.
– Ser paciente é bom, sabia? — Eu tinha bastante paciência quando o assunto era aprender algo novo.
– Não sou nada paciente... — ele fez careta. — E você sempre vai cair... mesmo que tente na areia primeiro, então vamos aos tombos logo. — ele deu de ombros.
Dei de ombros também e tentei de novo, dessa vez fiquei uns dez segundos em pé, e caí só quando ele soltou a prancha e a pequena ondinha fez ela balançar.
Nós ficamos um tempo ali juntos, com ele tentando me ensinar daquele jeito, até que depois fomos um pouco mais para o fundo e Enzo me fez tentar ir ''surfando'' até a praia de novo, até que deu certo, eu consegui me manter em pé, mas não tinha pegado uma ''onda'', era só impulso de uma onda já quebrada.
Mesmo assim, foi legal.
– Uau, é demais. — falei rindo, estava sentada na prancha.
– Ei, vamos tentar vir juntos? Sempre quis tentar ficar numa prancha em dupla. — ele disse rindo. Enzo era meio doido eu acho. Eu mal conseguia ficar em pé e ele já queria tentar ficar ali em cima comigo. Com certeza não daria certo e seria hilário, mas achei a ideia legal.
– Vamos. — falei rindo. — mas não vai dar certo...
– Deixa de pessimismo. — ele riu.
– Correção: Realismo. — falei e ri de novo.
Fomos até um lugar um pouco mais fundo que provavelmente não daria pé, mas não era tão fundo também. Enzo viu que a gente não ia conseguir ficar em pé juntos ali, era óbvio.
– Então vamos sentados mesmo, ué. — ele deu de ombros pulando para cima da prancha e sentando atrás de mim nela.
Um pequeno impulso da água veio e foi empurrando a gente para a praia de novo. Era legal até, não tinha tanta emoção mas o Enzo estava dizendo tanta bobagem ali atrás que me fez cair na risada.
– Vai, vai, abre os braços, é o Titanic! — ele disse pegando meus braços e me fazendo abri-los como no filme do Titanic, mesmo estando sentados em uma prancha.
Eu dei risada mais alto ainda. Era bom de mais.
Já perto da areia, Enzo se jogou para o lado da prancha caindo na água, eu fiz o mesmo para o outro lado e nos seguramos na prancha, a água dava um pouco acima da cintura ainda.
– Vamos voltar lá com o pessoal? — perguntei.
– Tudo bem. — ele disse e fomos andando para a areia.
Enzo pegou a prancha e eu fui andando ao lado dele quando já tínhamos saído da água. Quando estávamos fazendo o caminho para ir lá no pessoal, a Bianca apareceu do nada em nossa frente.
– O que significa isso?! — ela perguntou braba encarando o Enzo logo depois de me olhar de cima abaixo.
– O que? — Enzo ficou confuso, talvez com o que ela estivesse perguntando, talvez com ela ter aparecido do nada na praia.
– O que você está fazendo com essa aé?! — ela perguntou de novo, com nojo na voz. Senti raiva.
– Essa aí tem nome! — falei de volta e Bianca me encarou com desprezo.
– Saía da minha frente sua vagabunda sarnenta. — Só faltou ela cuspir em mim.
Eu abri a boca sem acreditar no que ela havia acabado de dizer, aquela garota era desprezível.
–Eu tenho pena de você. — falei com a cara séria. E eu realmente tinha pena dela, por ela ser tão esnobe, tão dona de si, como se ela fosse mais que qualquer outra pessoa.
E outra vez, vi o cara ao meu lado mudo. Encarei o Enzo e balancei a cabeça virando as costas e saindo dali. Caminhei rápido para onde o pessoal estava sentado, eles tinham visto a cena, mas não ouvido. Juntei minhas coisas do chão com raiva.
– Rafa? O que aconteceu? Rafa? — Jú me chamou e eu não dei ouvidos.
Peguei as minhas coisas e fui em direção ao meu carro estacionado na orla. Eu não ia aguentar ser humilhada por aquela patricinha, e também não ia dar a ela o gosto de me ver chorando. E eu não ia chorar. Por isso estava indo para longe dela. E o Enzo? Outra vez...
Já estava na calçada, perto do carro, longe da praia, fora da vista do pessoal de lá. Uma mão me puxou.
– Me deixa! — Gritei assim que virei e vi que era o Enzo.
– Rafa, espera, para! — ele segurou meu corpo enquanto eu tentava me soltar dele. — calma, calma!
Senti os braços do Enzo envolverem meu corpo e uma lágrima escapou. Eu a sequei rapidamente com uma mão evitando que ele visse. Meu rosto estava em seu peito.
–Me deixa, por favor, eu quero ir embora. — Pedi.
– Não. Espera. — ele pediu erguendo meu rosto, o encarei. — Ela foi tosca com você, de novo. Eu mandei ela parar com isso. Por favor, Rafa, não fica chateada comigo, eu não vou aceitar que Bianca tenha aquele tipo de atitude.
– E você ficou quieto mais uma vez, não é? — acusei ele.
Mas também, o que afinal, eu queria que ele fizesse? Porque ele me defenderia?
– Não, eu falei para ela. Mandei que ela parasse. — ele disse me olhando fundo nos olhos.
– Por favor, eu quero ir embora. — falei de novo desviando o olhar.
– Rafa... — Enzo falou baixinho erguendo meu rosto de novo. Nossas testas se colaram. — Tem alguma coisa em você... eu... não posso te ver assim. Por favor? — ele pediu suplicando. — Por favor, sorria.
Eu fiquei sem reação naquele momento.
– Se você quiser... eu posso plantar bananeira ali no meio da rua agora, mas não fique desse jeito. — ele disse e na hora um leve sorriso se formou nos meus lábios enquanto eu imaginava a cena do Machiello plantando bananeira no meio da rua. Para me fazer sorrir.
– Isso, bem assim. — ele sorriu de leve também segurando meu queixo ainda.
E tudo ao nosso redor saiu do lugar, o som sumiu e nossos lábios se tocaram num longo selinho. Logo os lábios dele deram outros selinhos de leve no meu rosto enquanto eu vivia aquilo de olhos fechados, sua boca tocou a minha mais uma vez e senti como se voasse. Borboletas no estômago, um pedaço do céu em mim boca, um sabor doce, inconfundível.
Fale com o autor