Opostos Perfeitos
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Capitulo 12 – Quase pegos
Narrado por Enzo:
Eu nunca senti uma coisa tão forte quanto isso, se eu acreditasse naquelas histórias encantadas falaria em magia. Beijar a Rafa foi como... como esquecer que existe um mundo ao nosso redor. Eu devia estar ficando louco, só podia ser isso. Aquilo nunca havia acontecido comigo antes, nunca. E foi a melhor coisa que eu já senti na vida. Os lábios dela nos meus. Era como se de alguma forma, na hora em que nossas bocas se tocaram, eu me sentisse inteiro, completo.
Fiquei com um sorriso bobo na cara vendo aqueles olhos brilhantes dela, eram tão lindos, e aquele sorriso... Minha vontade era agarrá-la de novo, e de novo e de novo outra vez. Podia parecer o que quer que fosse, mas eu sentia vontade de pegá-la nos meus braços e sair feito louco correndo e brincando com ela. Tão linda...
Nossos corpos só haviam se afastado uns poucos centímetros, o suficiente somente para ver os olhos um do outro, a mão dela ainda estava no meu rosto, e era tão bom... Toquei o rosto dela também e ela fechou os olhos.
– O que foi isso? — Rafa sussurrou a pergunta.
– Um beijo. — falei baixo no ouvido dela abraçando seu corpo em seguida.
Ela pousou a cabeça no meu peito e ficou assim por alguns minutos, que para mim pareceram milésimos. Então se afastou e me olhou um pouco assustada.
– Enzo... isso... desculpa, não devia... Eu... preciso ir. — Disse se soltando de mim e indo em direção a saída.
– Não, Rafa, espera! — chamei, ela virou corri até ela.
– Enzo... você não podia ter feito isso! Não podia!
– Mas, Rafa...
– Não, Enzo, não. — ela balançou a cabeça confusa. — olha, eu preciso mesmo ir, por favor, não me segue. Desculpa... eu...
Tentei segurar a mão dela, mas ela já tinha virado as costas e ido em direção a porta. Uau. Que mudança de humor. Agora ela parecia assustada.
Voltei ao local onde eu e ela estávamos parados a poucos segundos, me encostei no muro de proteção e fechei os olhos erguendo a cabeça para o céu.
– O que foi isso meu Deus? — perguntei a mim mesmo. — Que beijo foi aquele?
Fiquei assim por dois minutos e depois olhei para baixo. Lá longe no chão, minuscula, a Rafa entrava em seu carro e saía da empresa. Respirei fundo e fui sentar no sofá da casinha do jardim.
Deitei a cabeça para trás no encosto do sofá e fiquei de olhos fechados. Devo ter passado uns vinte minutos só com o nosso beijo na mente.
Eu queria ela. Queria a Rafa para mim.
Meu celular tocou.
– Oi, Bianca... — atendi.
…
– Ah... hum... ok. Sim, já to saindo daqui.
…
– Tá, tchau.
…
– Uhum... eu também.
Desliguei o telefone e soltei um suspiro cansado. Bianca iria jantar lá em casa. Provavelmente o pai dela, Edgar Ruchell, iria também.
Saí do jardim, tranquei a porta e coloquei a chave ali do lado, no preguinho. Só quem conhecia o lugar sabia que a chave estava logo ali ao lado, porque ficava no escuro e não dava para vê-la. Desci, peguei o carro e fui para casa.
– Oi Maninho. — Fer disse quando cheguei.
– Oi chata. — sorri bagunçando o cabelo dela.
– Ei! — ela reclamou mas riu. Fer era bem largada mesmo, não tinha jeito algum para patricinha, fazia muito o estilo surfista. Por isso eu amava minha irmã.
– Bianca já chegou?
– Sim, ela subiu para o seu quarto e o papai está ali no escritório com o Edgar.
– Hum. — falei sem animo.
– Ah, e vê se dá jeito naquela lá em cima, quase dei na cara da sua Bianquinha antes. — Fer disse virando os olhos.
– O que ela fez dessa vez? Falou do seu cabelo? — perguntei zoando.
– Não, dessa vez ela implicou com minha calça mesmo. — Fer apontou pra calça larga de moletom que ela usava. — É sério Enzo, a sua Bianca me tira do sério.
– Se eu pudesse mandava a Bianca pro inferno. — reclamei.
– Nossa, há um tempo atrás você diria que ela era ''comestível''. — Fer me zoou.
' — O tempo passa, e as coisas mudam. — afirmei brincando e falando sério ao mesmo tempo. — E se eu pudesse mandava mesmo.
– Ai Enzo, não vai dizer que você vai mesmo casar com ela só porque o papai e o Edgar querem. — Fer me olhou incrédula.
– Tá doida, Fernanda? Eu casado? — falei rindo. — Até parece que não me conhece.
A Fer riu alto.
– Verdade. Mas e ai, vai inventar o que? O ''noivado'' é em menos de dois meses Senhor Gostosão.
– Que se foda. — dei de ombros. — não vou noivar.
– Se você diz. Mas quero ver peitar o papai. — ela disse, bagunçou meu cabelo e foi para a cozinha.
Eu subi para o quarto, precisava de um banho.
– Amor! — Bianca veio me abraçar assim que entrei no meu quarto.
– Oi, Bia. — falei desviando do selinho que ela ia me dar.
– O que foi?
– Nada não, só quero tomar um banho. — falei soltando dela e indo para o banheiro.
– Quer ajuda bebê?
– Não, não. Relaxa ai. — falei entrando e fechando a porta do banheiro.
Tomei um banho demorado, pensando na Rafa. Saí com a toalha na cintura. Bianca não estava mais no meu quarto, devia ter decido já. Coloquei uma calça jeans e uma camiseta branca polo. Fiquei de chinelo mesmo e desci.
Fomos todos para a sala de janta.
– Olá, Enzo, tudo bem? — o pai da Bianca perguntou me estendendo a mão.
– Tudo bem, e o senhor?
– Muito bem.
Começamos a jantar, o assunto principal da noite era a empresa e a sociedade das empresas Machiello e Ruchell. Depois Edgar mudou um pouco o rumo da conversa e foi parar na Fernanda.
– E você, Fernanda, pretende exercer a profissão de estilista logo? — ele sorriu.
– Ah, sim. Pretendo abrir minha própria loja em breve. — Fer disse animada.
– Que ótimo! Já tem locais em mente?
– Na verdade sim, apesar de ser mais que formada na elite social, pretendo desenhar moda praia e abrir uma loja a beira-mar mesmo.
Meu pai deu um suspiro pesado.
– Já conversamos sobre isso, Fernanda. — ele disse sério.
– Papai, eu vou seguir aquilo que eu gosto. Não vou criar a grife Machiello social & esporte chique. Vou seguir o que gosto e o que gosto é moda praia. — Fer disse decidida.
– Pois então não conte com meu dinheiro para isso. — meu pai disse iniciando a discussão de sempre.
– Com licença. Perdi o apetite. — Fer disse largando o guardanapo na mesa e se retirando sobre o olhar severo do meu pai.
– Hum... fiz algo errado? — Edgar perguntou.
– Não, Edgar. Fernanda que está com essa ideia estupida de abrir uma lojinha qualquer na beira da praia. — meu pai falou com desprezo.
Edgar mudou a conversa outra vez, pra pior.
– E você, Enzo, está pronto para assumir as Empresas Machiello?
Assumir a empresa significava praticamente: ''casar com minha filha, Bianca''. E a resposta em ambos os casos era um ''não'' bem grande.
– Na verdade...
– Logo Enzo estará pronto. — meu pai afirmou me cortando. — Mais algum tempo e logo ele estará cumprindo seu papel.
''Cumprindo seu papel'', era como dizer que logo eu estaria matando qualquer chance de vida.
Eu e a Bianca estávamos bastante calados nessa fase da conversa, mas logo Edgar deu um jeito de nos fazer falar. E assim foi o jantar, tédio puro.
Depois de uma hora de janta e mais uma hora de conversa na sala de reunião, Edgar resolveu ir embora.
– Augusto, foi bom vê-lo de novo, amigo. — ele disse.
– Eu digo o mesmo. — meu pai sorriu apertando a mão do Ruchell.
– Foi bom, vê-lo, Enzo. — se dirigiu a mim.
– O prazer foi meu. — sorri falso apertando a mão de Edgar.
– Se despeça do Enzo, querida, já vamos ir. — ele disse à Bianca.
– Tchau amor, vejo você logo, eu espero. — ela falou segurando na minha camiseta, meu pai e Edgar tinham saído da sala.
– É, eu também. — menti.
Ela me deu um beijo.
Eles foram embora e eu fui dormir. Era estranho deitar na cama e ficar relembrando uma única parte do meu dia, como se mais nada tivesse acontecido. Como se todo o meu dia tivesse sido aquele beijo com a Rafa.
Acordei na terça atrasado como sempre. Tomei um banho rápido, peguei minhas coisas e fui para a empresa. Entrei e não vi a Rafa na mesa dela.
– Bom dia, Enzo. — Beth sorriu.
– E ai, Beth. — sorri. Olhei para o lado e disfarçando perguntei pela Rafa. — é... hum... e a Rafa?
– Ali na salinha tomando uma água. — ela sorriu e voltou a digitar no computador.
Entrei na salinha de lanche e a Rafa estava em pé na frente do bebedor, me aproximei devagar e fiquei parado atrás dela, bem perto. Ela bebeu a água e colocou o copo descartável na lixeira logo ao lado sem me notar, virou para trás e nossos corpos praticamente ficaram colados.
– Ai caralho! — ela gritou com o susto e logo colocou a mão na boca se contendo.
– Ei, não sou tão feio. — falei encarando ela e segurando o riso.
– Você quer me matar do coração, garoto? — ela disse me encarando feio.
Garoto? Olhei cético pra ela.
– Você vai ver quem aqui é garoto.
Sem dizer uma palavra mais segurei na cintura dela e prendi seu corpo no meu segurando firme seus cabelos e iniciando um beijo quente. Bem quente.
Depois de alguns segundos nos beijando eu afastei nossos corpos para encarar a Rafa. Ela me olhou com raiva e deu um tapa na minha cara.
– Nunca mais faça isso. — disse me encarando. — Se você quer que eu vá embora dessa empresa, me despeça de uma vez, não precisa ficar me beijando para eu ser mandada embora. — ela disse e eu fiquei confuso. Era isso que ela pensava?
– Eu não deixaria você sair dessa empresa nem que você pedisse demissão. — falei depois de ter segurado o braço dela, olhando em seus olhos.
– E porque não? — ela disse parando com o rosto a centímetros do meu.
– Porque... Porque... Não. — gaguejei sem resposta.
– Me poupe dos seus papinhos, ok? Eu não sou nenhuma idiota. E quer saber? Você deveria é estar beijando a Bianca, que é com ela que você vai casar e não comigo. Então me faça um favor, pare de ser esse otário que você é. Se vai casar com ela, porque essa necessidade de me beijar? — Rafa deu um puxão soltando seu braço da minha mão.
– Eu não vou casar com a Bianca. — falei decidido.
– Você diz isso agora, mas não fala nem um ''A'' quando ela diz qualquer coisa. — entendi nessa hora que Rafa falava sobra a vez em que Bianca a humilhou.
– Eu queria ter dito, Rafa, sério, eu fiquei sem reação. — falei pedindo que ela entendesse.
– Não. Você concordou com as coisas que ela disse, por que senão teria dito algo. Ou então, vai ver é isso, você não tem coragem de dizer não a ela ou ao seu pai.
No fundo, ela estava certa. Eu não conseguia enfrentar meu pai.
Rafa saiu da salinha e me deixou ali sozinho. Sentei no sofá pensando. Quem ela achava que era para agir daquela maneira comigo? Quem eu era? Há um tempo atrás eu a teria mandado embora na primeira sílaba. E agora... Simplesmente não saberia imaginar aquele lugar sem ela. Mas, eu era Enzo Machiello, e se aquela garota achava que ia me passar sermão, ela estava enganada.
Saí da sala logo atrás da Rafa e a puxei pelo braço empurrando-a para a minha sala.
– Ei! — ela falou alto assim que fechei a porta da minha sala.
– Não! ''Ei'' pra você! — falei chegando mais perto dela. — Você não tem direito nenhum de me dar qualquer que seja a lição de moral, entendeu? Eu sou seu chefe aqui dentro, e não vou ficar ouvindo você me insultar.
Rafa me olhou com raiva.
– Ah, claro, agora você é o chefe né? Você nem sequer chega na hora aqui! Não se esforça pra nada, Enzo, por favor. — ela falou com amargura.
– E porque você acha que pode falar alguma coisa para mim? Eu vou ser dono disso tudo aqui um dia. Acha que a sua opinião importa?
Ela me olhou com magoa.
– Me desculpe. — disse com a voz baixa e desviando o olhar. Eu a tinha magoado.
– Não... Eu... Eu não queria... — falei erguendo o rosto dela com uma mão minha. — Rafa, desculpa... eu fui grosso... eu não queria ter falado assim.
Ela olhou nos meus olhos.
– Desculpa. — falei aproximando meu corpo do dela, e agindo por impulso e vontade, envolvi o corpo dela em um abraço.
Ela encostou a cabeça no meu peito como tinha feito no dia anterior e meu coração acelerou um pouco. Passei a mão no cabelo dela e ela ergueu o rosto me olhando.
Naquele momento, era como se as coisas ao redor tivessem desaparecido. Eu não sabia o que aquilo significava, nunca me sentia daquele jeito quando estava prestes a beijar qualquer mulher, mas ela não era qualquer mulher. Ela era diferente.
Os meus lábios tocaram os dela devagar e Rafa segurou na minha nuca, senti seus dedos acariciando minha pele e o beijo foi calmo e devastador.
Ouvimos três batidinhas na porta e nos afastamos rápido. Beth entrou.
– É... hum... eu... — ela deu uma tossida voltando ao normal, deve ter achado estranho Rafa estar ali comigo, mas eu não achava que ela tivesse visto o beijo... — Preciso que dê uma lida nesses papéis, Enzo, seu pai pediu. — ela me entregou uma pasta.
– Ok. — respondi.
Beth saiu e Rafa me olhou segurando o riso. Eu segurei o riso também, Assim que a porta fechou eu e ela demos uma risadinha leve. Quase pegos.
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