Opostos Perfeitos

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Olá gente bonita do meu coração, como vocês estão? Espero que estejam gostando da OP *-* Mais um capítulo saindo quentinho para vocês, DIVIRTAM-SE! PS: uma surpresa gostosa espera vocês aí em baixo ;D

Capitulo 11 – Primeiro beijo

Narrado por Rafaella:

Saí da empresa e o Caio tinha vindo me buscar, achei fofo da parte dele, de manhã eu tinha ido a praia e a gente se encontrou, nos beijamos, foi legal.

Fomos para a minha casa.

– Que tal se a gente subir e ficar juntinhos no teu quarto? — Caio disse todo malicioso mordendo minha orelha.

– Ah, Caio, hoje não vai dar. — fiz careta, tinha marcado a boate com a Jú e não tava afim de chamar o Caio pra ir comigo, queria ir sozinha e me acabar naquela pista de dança.

– Hum. — ele fez bico. — Rafa, eu acho que a gente precisa conversar. — ele disse mais sério.

– Fala.

– Rafa, eu não quero mais isso, ter que ficar com você só as vezes... Quero você como namorada, todos os dias, sempre que eu te vejo me dá essa vontade de te jogar na cama... — ele mordeu o lábio falando no meu ouvido.

– Caio, eu já falei pra você que não to afim de namoro sério.

– Porque não?

– Ah, sei lá, só não to afim de ficar amarrada a uma pessoa. Não quero compromisso sério.

– Você não tá gostando daquele cara né? — ele me encarou. — Você tem alguma coisa com o Machiello?

– Com o Enzo? — arregalei os olhos, como o Caio podia achar que eu tinha alguma coisa com o Enzo? Quer dizer, tudo bem que da minha parte até tinha aquele desejo, mas... ah, droga. — Eu não tenho nada com o Enzo, porque tá perguntando isso?

– Não mesmo? — ele acusou – então porque ele estava me encarando quando eu te abracei na empresa?

– Ele estava? — perguntei confusa e curiosa.

– Sim.

– Hum, bom, eu não tenho nada com ele e pelo que eu sei o Enzo tem namorada... ou sei lá. — dei de ombros – vai ver ele estava encarando porque esses dias eu mandei ele a merda.

Caio ficou pensativo um tempo, depois pareceu voltar ao ''normal''.

– Ah, ele também não interessa, o que interessa é a gente. — ele sorriu e me puxou para me beijar.

– Caio... — repreendi, mas ai ele já tinha colado nossos lábios, e o Caio sempre foi legal comigo e era legal ficar com ele, então correspondi o beijo.

– Rafa, namora comigo? — ele pediu no meu ouvido.

– Caio, por favor... — virei os olhos. — acabei de dizer que não quero nada sério.

– Tudo bem, não precisa dizer agora. Mas se alguma hora você mudar de ideia... — ele sorriu.

Conversamos mais um pouco e depois o Caio foi embora, subi e tomei um banho, caí na cama até a hora de me arrumar para a boate, depois que acordei tomei outro banho e comecei a me arrumar. A Jú logo ficou pronta também, eu usei um vestidinho preto e saltos pretos também, prendi o cabelo de um jeito alto e legal, Jú pôs uma saia florida escura e uma blusa branca, saltos pretos e deixou o cabelo solto. Saímos.

Logo chegamos na boate, fomos de táxi mesmo, a Jú estava me contando uma coisa que tinha acontecido no lugar onde ela trabalha e eu dei risada das besteiras que ela falava.

– É sério! — ela riu.

– Você é doida. — balancei a cabeça.

Dois carinhas passaram por nós secando, eu e a Jú nos olhamos e piscamos pAra nós mesmas.

– É, hoje a noite é nossa. — ela disse.

– Totalmente nossa. — segurei o riso e virei o rosto pra dar uma olhada pela boate, e ai meu olhar encontrou ele.

Enzo estava perto do bar, bebendo com uma garota do lado dele, ela dava risada de tudo que ele dizia, parecia uma idiota, virei os olhos e encarei a Jú.

– Que foi? — ela perguntou.

– Olha quem tá por ai também... — murmurei e ela olhou para o bar.

– Ah! Que maravilha, o Lê também veio! — ela disse toda feliz. — tudo bem que eu to afim de pegar esses gostosos ai atrás da gente – ela sussurrou – mas não abro mão de dar uns pegas no Leandro!

Jú me puxou e me fez caminhar atrás dela para o bar, acho que ela não viu o Enzo lá. Ou viu.

– Oi, Lê — ela disse sorrindo quando chegou perto do Lê. A menina que estava com ele deu uma olhada pra Jú de cima a baixo.

– Jú? — ele parecia surpreso e ao mesmo tempo com medo, ele devia estar pensando que a Jú estava brava por ver ele com outra menina, mas eu sabia que ela era de boa quanto a isso, diferente de mim.

– Tudo bem? — Jú deu um beijo na bochecha dele e ele retribuiu.

– Tudo e ai? Oi Rafa. — ele sorriu pra mim.

– Oi, Lê. — sorri de volta sem desviar os olhos daquelas três pessoas, porque se eu olhasse para o lado veria o Enzo e a garota com ele.

– Legal te achar aqui, a gente se vê depois? — ela perguntou e eu senti que por mais que a Jú negasse e não demonstrasse, ela tinha sentido uma pontadinha de ciúmes do Lê.

– Claro. — o Lê sorriu todo doce encarando a Jú, até arrisco que os dois tenham esquecido que estavam com mais pessoas ao redor deles depois daqueles olhares.

– É sua amiga, Leandro? — a guria que estava com o Lê perguntou.

– É sim. — ele sorriu, mas nem olhou a guria. Só encarava a Jú.

– Jú... — cutuquei ela.

Eu cutuquei a Jú pra ela se ligar no que estava acontecendo, ela se ligou, mas nessa hora o Enzo virou para trás e viu que eu estava ali com a Jú.

– Rafa? — ele sorriu quando me viu e girou a cadeira pra ficar de frente para mim, a menina do lado dele não gostou muito, eu até percebi que ela tinha ficado me cuidando depois da reação do Lê com a Jú.

– Hum, oi. — falei sem olhar muito para ele, eu estava chateada mas não dava pra ser mau educada também. Sorri para a menina com ele. — Oi. — disse a ela também.

– Oi. — ela respondeu.

– Quer beber alguma coisa? — ele perguntou para mim praticamente ignorando a garota do lado dele.

Ela encarou ele incrédula.

– Não, de boa... Acho que sua companheira deve estar querendo beber alguma coisa. — falei tentando fazer ele se tocar da menina ali do lado.

– Querem ficar aqui com a gente meninas? — Lê convidou, Jú me olhou e depois sorriu, eu sabia o que ela ia dizer.

– Não. Fiquem ai curtindo. — ela sorriu para o Lê e puxou meu braço para pista – a gente vai curtir os gostosos ali na pista.

Jú piscou e mordeu o lábio, eu vi que os dois carinhas que tinham passado pela gente na entrada da boate estavam por ali nos encarando.

Deixamos eles lá com as peguetes no bar, a Jú é muito louca cara, ela não tem vergonha de nada mesmo, já eu... E a doida inventou de ir até aqueles caras.

– Oi! — ela disse com um sorriso enorme. — Tem duas garotas aqui, tipo, muito afim de dançar, mas ninguém está afim de dançar com elas, sabe? — Jú fez o melhor jeitinho de menininha inocente dela e os caras sorriram, eu sorri também.

– Tem dois caras aqui super afim de dançar sabia? — o loiro disse olhando a Jú e sorrindo.

– Eu acho que eles deviam tirar as meninas para dançar, agora. — eu sorri para o moreninho.

O moreninho colocou a mão na minha cintura e me puxou para perto dele, a música não era lenta, nem nada assim, mas dava para dançar juntinho, o loiro agarrou a Jú e ela adorou.

– Você está linda, sabia? — o moreninho disse no meu ouvido, eu pirei com aquela voz.

– Obrigada, você também sabia? — ri de leve e o cara colocou a mão no meu rosto.

– E a linda tem nome? — ele sorriu me encarando.

– Rafaella, prazer.

– Prazer eu posso te dar na cama. — ele se aproximou e mordeu minha orelha, — Sou o Gean.

Gean puxou um pouco de papo comigo e depois ficamos nos beijando, a Jú também beijou o loirinho. Depois de um tempo ali com o Gean eu olhei para o bar, por reflexo, e vi o Enzo nos encarando de lá, ele desviou o rosto na hora, depois tomou mais um gole da bebida dele e levantou, veio em nossa direção.

– Posso dançar também? — primeiro ele olhou para mim, depois encarou o Gean, Gean me olhou.

– To dançando já. — respondi para dispensar o Enzo dali.

– Ah, vai fazer isso comigo Rafinha?

– Enzo, você está bêbado? — perguntei tentando não rir depois da cara que ele fez.

– Dança comigo vai? Também quero. — Enzo fez outro bico tenso e então segurou meu braço.

Gean deu um empurrão nele.

– Sai fora. — Gean disse para o Enzo que tinha dado um passo pra trás com o empurrão, mas eu não gostei, o Enzo não estava me forçando, nem me machucando quando segurou meu braço, ele só segurou.

– Ei! — falei pro Gean antes que ele fosse para cima do Enzo.

– Hã? — ele me olhou confuso.

– Tá tudo bem, Gean, o Enzo é meu amigo. — Logo me arrependi de dizer ''amigo'', deveria ter dito ''conhecido'', só para ele ver.

– Ah... foi mal ai. — Gean fez uma careta se desculpando com o Enzo.

Enzo estava de cara fechada. Encarando o Gean.

– Foi mal mesmo. — Enzo respondeu.

Eu vi que o clima estava esquentando e que o Enzo já estava bêbado, não queria provocar uma cena na boate.

– Gean, eu vou dançar aqui com o Enzo, depois a gente se fala, pode ser?

– Hum... tá. Qualquer coisa to ali do lado... — ele sorriu para mim.

– Qualquer coisa to ali do lado. — Enzo imitou o Gean depois que ele saiu.

– Qual é a tua? Porque fez isso? — encarei ele com raiva.

– Ah, vai, eu te salvei daquele ali, ele estava praticamente te comendo viva aqui no meio.

Eu ergui uma sobrancelha encarando o Enzo.

– E o que você tem a ver com isso?

Enzo ficou confuso.

– Eu... achei que... você não estava gostando. — ele disse.

– E isso é da sua conta?

– É que...

– '' É que...'' nada. Em vez de cuidar da minha vida você devia cuidar da sua, e a propósito, não trouxe a namorada não? Já colocou quantos galhos na cabeça dela até agora?

Filho da mãe, tudo bem que eu odiava a Bianca, mais do que tudo, mas achei uma sacanagem o Enzo ali pegando todas aquelas meninas.

– Ela não é minha namorada. — ele retrucou.

– Ah não? — encarei ele irônica.

– Aff. Mas eu não considero.

– Mas devia né? Em dois meses vocês vão casar. — respondi rápido.

– Nem morto que eu vou me casar. — ele riu.

– Meu Deus, como vocês dois estão parados no meio da pista de uma boate, ao som de uma música eletro, cheio de gente dançando e bebendo ao redor e eu ainda escuto a palavra ''casar''?! — Júlia disse parecendo inconformada, ela estava muito bêbada já.

– Nossa Senhora viu? — Lê ajudou dando risada com a Jú.

Eu acabei rindo também e o Enzo acompanhou, voltamos a beber e dançar ali no meio da pista, logo o Gean apareceu de novo.

– Oi gatinha. — ele puxou minha cintura e envolveu o braço nela. — E ai, pensou naquilo que eu falei antes? — disse no meu ouvido.

– Hum, no que? — perguntei meio tonta já.

– Em eu te dar prazer. — ele mordeu minha orelha.

– Acho melhor não. — ri. — eu mau te conheço.

– Vem comigo agora. — ele falou dessa vez sério para mim e apertando meu braço.

– Me solta. — falei

– Ou vem por bem, ou eu te levo por mau. — ele fez meu corpo tocar na cintura dele e senti alguma coisa lá, devia ser uma faca, ou arma, sei lá. Fiquei com medo. E agora?

Ele me tirou da pista, estávamos passando perto dos banheiros.

– Tá, tá, calma, eu vou! — falei parando. — mas me deixa ir no banheiro antes, por favor, preciso mesmo, não vou fugir.

O Gean parecia bêbado, drogado, sei lá. Só sei que de algum jeito ele me deixou ir no banheiro. Entrei lá dentro e me tranquei em um reservado, eu precisa fugir dali e não tinha uma janela grande naquele lugar, eram só mini janelinhas onde mau passava minha mão. E agora? E agora? Pensa Rafaella!

Peguei meu celular, liguei pra Jú e para o Lê e nada, eles não atendiam, nem deviam estar com os celulares. Eu não sabia o que fazer. Escutei uma batida na porta. E agora?

Não tinha outra escolha, ia ter que correr o risco de levar uma facada ou um tiro pedindo ajuda para alguém da boate. Abri a porta do banheiro e era uma mulher.

– Preciso vomitar! — Ela entrou no meu lugar correndo, estava completamente bêbada.

Me olhei no espelho e fingi lavar as mãos. Eu tinha que sair. Fui devagar até a saída do banheiro, ia tentar não ser vista pelo Gean, ele tinha ficado parado do lado esquerdo, então fui indo pelo lado direito e nem olhei para o outro lado quando saí do banheiro. Bati com tudo em um homem – ele – pensei e na hora senti o impulso de gritar.

– Shiu! Calma! — Enzo me segurou nos braços dele depois que nossos corpos se chocaram.

– Enzo. — arfei. — Enzo... — suspirei aliviada. — o Gean... ele... tem alguma coisa, me tira daqui. — pedi rápido.

– Ele foi embora. — Enzo falou.

– Foi? — olhei para trás para confirmar e não vi nada na parte esquerda da lateral do banheiro, além de outras pessoas... — Ah, nossa. — coloquei a mão no rosto. — ele tinha...

– Eu sei. — Enzo me cortou. — Eu vi que você tinha ficado assustada e... vim atrás. — ele olhou como que pedindo desculpas por bisbilhotar.

– Ah, valeu. — agradeci. — mas ele não fez nada contigo?

– Não, tá de boa. Só mandei ele vazar antes que eu mesmo tirasse ele pra fora. Ele tinha uma garrafinha de ice na cintura. — Enzo riu.

– Ah, fala sério? — falei incrédula, fiquei assustada com uma garrafinha de ice. Lindo isso.

– É. Quer voltar para a pista e dançar? — Enzo passou a mão no cabelo e sorriu torto. Lindo.

– Vamos sim. — concordei.

Voltamos para a pista e eu curti o resto da boate com a Jú, o Lê, o Gui, a Fer e o Enzo. Não fiquei com mais nenhum carinha, uma hora fui sentar no bar, a Fer e o Gui foram comigo.

– Nossa, to acabada! — Fer falou se escorando no Gui.

– Ah, que pena. — Gui mordeu o lábio.

– Eita, olha a putaria em público. — falei e ri, peguei uma garrafinha de ice e tomei. Olhei para a pista enquanto a Fer e o Gui brincavam um com o outro, o Enzo estava beijando uma loirinha oxigenada. Virei os olhos.

– Aff, ele é muito puto mesmo. — reclamei batendo a garrafinha de ice no balcão.

Fer e Gui me olharam sem entender.

– O Enzo. — virei os olhos e apontei.

– O que tem? — Gui perguntou.

– '' O que tem?'', ele namora né!

– Ah, por mim ele que coma todas dessa boate, se é pra por chifre na Bianca... — Fer riu.

Fiz uma careta e olhei feio para lá de novo. Escutei a Fer e o Gui rindo de mim ali do lado e fiz careta pra eles também.

Que se foda também. — pensei – Enzo que engula aquela lá.

Mais tarde, depois de eu ver o Enzo beijando mais umas cinco, fui para casa com a Jú e o Lê.

Dormi e passei o final de semana na praia e na casa do Lê. Nem vi o Caio nesse final de semana, o que foi estranho... mas nem dei bola.

Segunda.

Cheguei na empresa no horário de sempre, Beth tinha tirado folga hoje, fiquei ajeitando umas papeladas que eu precisava deixar no andar de baixo. Peguei os papéis e fui em direção ao elevador, quando eu ia abrir a porta para o corredor, a mesma se abriu e os papéis caíram da minha mão se espalhando no — Ah, merda! Ops, desculpa! — falei rápido corrigindo o palavrão, olhei pra cima temendo que fosse algum executivo.

– Putz, foi mal. — Enzo disse se abaixando na mesma hora que eu.

Nossas mãos se tocaram e nós nos encaramos devagar, o rosto dele a centímetros do meu, a respiração na minha boca.

– Hum... é... foi... mal.... — gaguejei e me afastei um pouco. Bem pouco.

– Não... eu que... — ele também ficou todo confuso. — deixa eu ajudar a pegar isso aqui... — Enzo disse ajudando a recolher os papéis.

– Ah, que droga, vou ter que organizar tudo de novo, por data ainda! — fiz uma careta de tortura, eu tinha levado duas horas ajeitando aquilo tudo.

– Eu... posso ajudar. — Enzo disse, eu encarei ele.

– Me ajudar? Você? — perguntei confusa, desde quando aquele ali queria algum trabalho que não fosse erguer as pernas para cima na mesa dele?

– É... quer dizer, eu não sei o que fazer, mas não sou burro também. — ele mordeu o lábio de lado e sorriu torto, que puto sorriso lindo que ele tem.

– Hum... eu... agradeceria. — sorri concordando.

Juntamos todos os papéis que pareciam ter sido jogados para o alto de tão espalhados que estavam e fomos para a minha mesa. Sentei na minha cadeira e o Enzo pegou um banquinho giratório na sala da água, colocou do meu lado e sentou lá.

– Então, começa como? — ele disse fazendo uma careta para bagunça à nossa frente.

– Começa desde maio, por ordem de dia e mês.

– Só isso?

– Aham. — eu sorri.

Começamos a separar as coisas, uma e outra vez minha mão tocou na do Enzo e eu sentia como se uma corrente de eletricidade passasse por nós dois. Era como imas se atraindo, positivo com negativo.

– Pronto, última folha! — Enzo disse quando acabamos de reorganizar tudo, e nem tínhamos gasto uma hora completa.

– Bom trabalho, Machiello. — sorri para ele, e para minha surpresa Enzo me deu um abraço envolvendo meu corpo de lado.

– Valeu. — ele sussurrou. — dá mais vontade de trabalhar com você por perto. — Enzo riu de leve, eu sorri.

– Até que fomos bem, menos de uma hora. — falei vendo o relógio, Enzo ainda me abraçava.

– Somos uma boa dupla. — ele disse e depois se afastou um pouco, sem perceber o choque que aquilo provocou em mim, era estranho ter sido abraçada pelo meu ''chefe'', praticamente. Quer dizer, ser abraçada daquela forma por ele.

O olhar do Enzo tinha paralisado na porta de entrada e eu tomei um susto quando vi o Augusto parado lá. Enzo ficou em pé, eu me ajeitei na cadeira.

– Bom dia, Enzo, Rafaella. — ele disse com um sorriso discreto nos lábios, como se tivesse acabado de chegar.

– Bom dia. — eu sorri como sempre.

– Oi, pai. — Enzo sorriu de leve.

Augusto pareceu estranhar ouvir a palavra ''pai'' daquele jeito, eu também, normalmente ela saía da boca do Enzo com estresse, nervosismo ou descontentamento. Hoje havia saído mais como algo alegre.

– Estão fazendo o que ai? — ele perguntou vendo que Enzo tinha o banquinho do meu lado.

– O Enzo estava me ajudando a separar uns papéis.

– Que ela já tinha separado antes, mas que eu fiz caírem no chão e se espalharem de novo... — ele explicou.

– Não foi culpa sua... — defendi.

– Não, eu devia ter cuidado quando abri a porta...

– Tudo bem, eu que devia ter cuidado melhor...

– Não... fui eu...

– Você é sempre cabeça dura assim? — perguntei e não escondi o riso leve.

Augusto pareceu gostar e riu também.

– Mais cabeça dura que esse ai não tem...

– O senhor que pensa... — Enzo disse só pra mim ouvir, ele estava falando do Augusto, com certeza. Eu tive que segurar o riso.

– Bom ver que você está se empenhando um pouco, Enzo. — Augusto outra vez deu um leve sorriso, bem sútil e depois foi para sua sala.

– Vou levar isso aqui lá para baixo. — levantei pegando os papéis.

– Precisa de... ajuda?

– Com os papéis?

– É... — ele disse meio... sem jeito?

– Ah, não, tudo bem. — sorri enquanto passava por ele no banquinho.

Levei os papéis e quando voltei o Enzo já não estava mais ali, na hora do almoço fiquei no refeitório porque a Beth estava de folga. A tarde passou rápida até, tive bastante trabalho o que me fez não ver o tempo passar, quando olhei no relógio faltava só dez minutos para acabar meu expediente. Enzo saiu da sala dele e veio até mim.

– Oi. — ele sorriu quando chegou na minha mesa.

– Oi. — sorri.

– Ei, quero te mostrar uma coisa hoje, você tem um tempinho depois que acabar aqui?

– Eu? — perguntei confusa.

– É.

– Hum... tenho?

– Então vai ajeitando suas coisas ai e sai comigo depois. — ele sorriu de um jeito misterioso que me deixou meio bamba por dentro, mas porque aquilo? Porque aquela vontade louca de beijar o Enzo?

Vontade de QUÊ?!

Eu estava com vontade de BEIJAR ELE?

Me assustei com meus próprios pensamentos e logo em seguida balancei a cabeça. Tinha viajado longe nas ideias, eu nunca iria beijar ele. Não quero nada com esse galinha, só porque ele é lindo? Ah, que se foda, aquela boca não vai tocar na minha. Não vai. Nunca.

Nunca diga nunca. Uma voz do meu subconsciente parecia ter falado comigo, ou talvez ela estivesse tirando com a minha cara. Eu havia acabado de ''dizer'' nunca. Eu nunca beijaria ele.

Enzo já tinha voltado para a sala dele. O que será que ele queria... comigo?

Todos os outros funcionários saíram aquele horário dali, Augusto não, ele sempre ficava até tarde na empresa. Enzo saiu da sala dele depois que só restávamos mais nós três naquele andar e veio até mim.

– Então, vamos lá. — ele sorriu.

Peguei minha bolsa e acompanhei ele até o elevador, eu estava confusa, mas então um sorriso enorme apareceu nos meus lábios quando ele apertou o botão do térreo. O jardim, eu estava louca para poder voltar lá, aquele lugar era lindo demais.

– Térreo? — perguntei com a surpresa.

– É, vou te mostrar a vista que esse lugar tem essa hora da tarde. — ele sorriu.

Fiquei animada e ansiosa. Logo as portas se abriram e deram naquele pequeno corredor escuro. Enzo se aproximou do meu ouvido.

– É a segunda vez que você vem para um canto escuro e deserto com um homem, sabia? — ele sussurrou como daquela última vez, pra me fazer sentir medo, ao invés de ficar alarmada como da primeira vez, eu ri.

– Como se você fosse me machucar. — zoei ele.

– E quem te garante que não? — senti ele se aproximar.

– Se você pudesse ver agora, enxergaria meu joelho no meio das suas pernas, pronto para te deixar de quatro. — falei baixo, ameaçando ele.

Senti a mão do Enzo tocar no meu joelho que eu realmente havia colocado entre as pernas dele sem tocá-lo. Escutei uma risadinha safada dele, e se eu pudesse ver acho que ele estaria mordendo o lábio.

Enzo pressionou a mão na minha perna e fez eu abaixá-la, dando um apertão acima do joelho depois, então senti a parede nas minhas costas e o rosto dele muito perto do meu.

– Você provoca né? — ele sussurrou no meu ouvido.

O que estava acontecendo ali? A boca dele a centímetros da minha, um arrepio no meu corpo e aquela vontade de calar a boca dele com a minha.

Mas era jogo.

Jogo dele.

Ele era assim, porque era um tremendo galinha, safado.

Me esquivei para o lado.

– É, bom... acho melhor... você me mostrar logo o que quer mostrar... eu preciso ir... — falei puxando o ar.

Enzo riu.

– Ok. Vem. — ele puxou minha mão e outro arrepio me percorreu. O que estava acontecendo comigo nesse dia? — pode fechando os olhos. — ele disse colocando outra vez a mão no meu rosto e tapando minha visão.

– Pra que? Eu já vi isso aqui. — protestei.

– Não como agora. — ele disse e abriu a porta ainda tapando meus olhos. — Vai seguindo em frente, Bellmontt. — ele sussurrou meu sobrenome no meu ouvido. Que arrepios sinistros são esses?

Enzo ainda não tinha destapado meus olhos enquanto caminhávamos pela estradinha no meio do jardim. Então paramos e eu compreendi que devíamos estar perto do final do prédio, na vista que dava para o mar ao longe.

Ele parou ao meu lado.

– Pronta? — ele perguntou, eu quase podia imaginar o sorriso que ele devia ter no rosto.

– Vai logo. — falei com um sorriso também.

Enzo tirou a mão dos meus olhos e eu os abri devagar.

Faltou o ar.

Como podia ser tão lindo?

Aquele pôr-do-sol era o mais lindo que eu já havia visto em toda vida, ao longe o mar e sob ele o sol parecia fazer contato com a água, as nuvens estavam tingidas de um rosado clarinho, quase alaranjado, era completamente lindo e de tirar o folego, especialmente cercada de flores de todos os tipos e ao lado de um cara com um sorriso torto perfeito.

Por alguns minutos fiquei parada sem reação, somente apreciando aquela coisa mágica. Nem senti a lágrima que se formou no meu olho, minha boca estava aberta levemente e eu parecia ter esquecido como se respirava. Senti ao longe o toque do Enzo no meu braço, sua mão pegou na minha e desviou um pouco minha atenção me trazendo de volta para a realidade, ele estava virado de frente para mim e eu fiz o mesmo depois que sua mão tocou a minha e meus olhos encontraram os dele.

E então, alguma coisa que era linda e que antes havia me feito perder o folego, simplesmente sumiu e eu só enxerguei aqueles lindos olhos castanhos profundos.

Senti uma brisa leve tocar meu rosto e tirar alguns fios de cabelo do lugar, lentamente a mão dele colocou a mecha para trás da minha orelha e seu corpo foi se aproximando do meu aos poucos, uma mão continuava no meu rosto enquanto a outra parou nas minhas costas puxando meu corpo para perto. Seus olhos se fecharam devagar, junto com os meus, e sem pressa alguma, nossos lábios se tocaram. Em três segundos senti o corpo dele mais firme ao meu e minhas mãos entrelaçaram o cabelo e a nuca dele, as unhas passando de leve pela pele morena enquanto os outros dedos puxavam o cabelo bagunçado. E tudo ao meu redor desapareceu, flores, pôr-do-sol, nuvens, ar. A única coisa da qual eu tinha consciência eram aqueles lábios macios e quentes nos meus, e por alguns minutos, senti como se estivesse caindo sem paraquedas de um avião. E era a melhor sensação da minha vida.

Aos poucos, a boca dele foi se separando da minha, seu nariz permaneceu colado ao meu e suas mãos me seguravam, ainda bem, do contrário acho que teria desmaiado. Ele não abriu os olhos, aproximou os lábios dos meus de novo e eu provei seu gosto outra vez, um pouco mais rápido agora, mas com a mesma calmaria, em algum momento ele me tirou do chão e me sustentou em seus braços, e eu segurei mais firme seus cabelos, esquecendo todo o resto outra vez.

Então, aos poucos nossos lábios se separaram e nossas cabeças se afastaram alguns poucos centímetros, Enzo olhou nos meus olhos se piscar, eu fazia o mesmo ainda segurando seus cabelos, passei a mão pelo rosto dele, sem nem perceber e ele fechou os olhos outra vez com o meu toque, seu rosto pousou na minha mão e um sorriso perfeito iluminou aqueles lábios rosados.

Senti meus pés tocarem o chão outra vez, mas seu corpo não se afastou do meu, eu sorri também, sorri completamente feliz, me sentindo completa, como o encaixe de uma peça do quebra-cabeça na outra.

Notas finais
Faça-me feliz, comente, favorite, recomende e acompanhe a história, o próximo capítulo chegará rapidinho daí *-* Não deixem de dar sua opinião, é muito importante para mim! :) Beeijão