Opostos: One-shots de Miraculous
9 Madame
Notas iniciais
Não era um dia normal, era para ser um dia especial, era para ser minha despedida de solteiro, mas como aquilo pode acontecer? Acordou com dor de cabeça, fedendo a álcool, uma puta dor nas costas e em uma cama de uma cela. Olhei para os lados, claro devagar, a tontura de sentir a minha cabeça sendo esmagada por uma bigorna não precisava aumentar.
Nino parecia um bebe encolhido no chão, com algo que deveria ser o travesseiro.
Felix estava sentado desacordado entre a parede e a grade da cela, ele parecia confortável, estava até babando!
Por último Plagg, que estava aconchegado agarrado na minha cintura como se fosse uma almofada fofa.
— Era só o que me faltava.
Tentei me levantar, mas o peso, do meu querido (já não tão querido mais) amigo que tinha sugerido irmos para aquele bar, não deixava. O pior foi ter que ouvir o murmuro dele “Hoje não tem aula mãe, me deixa dormir.” Juro que só não grito na orelha dessa anta porque tem um alienígena devorando meu cérebro.
Mas agora estava mais preocupado em como sair dali, para isso eu precisava saber como fomos parar naquela cela, e estávamos sozinhos ali, decidi falar com o mais sensato, ou que pelo menos parecia ser, já que estava preso também, Felix. Depois do tremendo esforço, de uma pessoa com muita ressaca, consegui me libertar de Plagg com seu murmuro “Mais 5 minutos mamãe...”
Me arrastava de forma lamentável até aquele loiro que também era meu irmão e que deveria estar me salvando dessa merda que me meti, não estar comigo nela. Se bem que agora tinha um cúmplice, e as críticas da família seriam divididas.
— Ei. – Empurrava o ombro de Felix, com o máximo de força que conseguia. – Felix!
— O que? – Ele acordou um pouco assustado. – Onde estamos?
— No quarto da vovó. – Revirei os olhos.
— Hum... Vovó redecorou?
— Sim, Felix, uma decoração minimalista, chamada: Estamos presos. – Ele finalmente pareceu entender o que estava acontecendo.
— Como viemos parar aqui? – Felix estava com os olhos arregalados.
— Era o que eu ia te perguntar. – Meu irmão começou a ofegar.
— Ok... – Ele estava assustado e ofegante. – Vamos ficar calmos... – Tentou se levantar, mas não conseguiu.
— Felix.
— O que!? – Estava claramente assustado.
— Você está o contrário de calmo agora.
— Bridgette vai me matar Adrien! – Felix colocou as mãos no rosto.
— Oh! Você fez uma bela imitação de “O Grito” agora. – Estava inexpressivo.
— Você não está preocupado!?
— É claro que estou, mas com a sua crise, um de nós tem tentar entender o que está acontecendo! – Disse alto, e graças a isso, um martelo parecia ter batido na minha cabeça.
— O que aconteceu? – Dessa vez Nino se levantou do chão, com a boca seca, isso que dá dormir com ela aberta.
— Estamos presos. – Respondi.
— O que? Por que!?
— É o que estou tentando descobri! – Respondi de novo, dessa vez estava começando a me irritar. – Mas que coisa, parem de parecer idiotas e me ajudem a pensar no que aconteceu! – Falei de novo alto, minha dor dessa fez foi insuportável, comecei a achar que a morte seria mais fácil.
— Tudo bem, do princípio... – Felix começou a relatar. – Decidimos ir no novo bar do bairro porque nos disseram que era muito bom.
— Quem teve essa ideia mesmo? – Nino perguntou.
— Plagg.
— Faz sentido. – Nino deu de ombros. – Fomos para o bar de Uber, porque sabíamos que iriamos beber muito, queríamos fazer isso.
— Pelo menos fomos sensatos nisso. – Cada um estava contribuindo reunindo os fatos, dessa vez estava me lembrando de algo. – Quando chegamos lá descobrimos que o lugar era temático dos anos 90. – Informação um pouco irrelevante.
— Nós não demoramos muito para ir ao bar. – Felix continuava a história. – Depois disso... Não me lembro de muita coisa, mas lembro de Adrien procurando uma tal de Madame.
— É verdade Adrien, você estava louco atrás dessa Madame.
— Como assim? Que Madame?
— Não sabemos quem era, mas você andava de cima a abaixo procurando por ela. – Nino e Felix olhavam preocupados.
— Adrien... Será que você... – Felix colocava a mão na boca.
— Trair Marinette!? – Me exaltei. – Não seria capaz disso! Nunca a trairia! Amo Marinette mais que tudo! E isso não explica como viemos parar aqui.
— Ok, ok, entendemos. Você provavelmente não traiu Marinette. – Nino pedia calma com as mãos.
— Eu NÃO trai Marinette. – Fiquei tão irritado que tinha esqueci minha dor de cabeça, que avisou que inda estava lá, com outra martelada em minha cabeça.
— Gente, vamos tentar entender o que fizemos para parar na delegacia. – Felix chamou nossa atenção. – Estávamos bêbados, e o álcool nos faz perder o filtro social... Ah Meu Deus.
— O que?
— Me lembrei de vidro quebrando, uma vitrine.
— Uma vitrine? – Nino arregalou os olhos. – Roubamos algo? – Especulou.
— Não seriamos capazes... Seriamos? – Me preocupei. – Por isso estamos aqui?
— Também me lembro de Plagg arranjando briga... – Nino olhou para mim e Felix, depois para Plagg que ainda estava desmaiado na cama.
— Espera! Estamos presos por assalto e briga?
— Calma, estamos tirando conclusões precipitadas. – Disse olhando para Plagg. – Será que ele se lembra de algo?
Me aproximei da anta desmaiada a sacudi, tentei acorda-lo, e que se levantou tão rápido que me senti tonto por ele.
— Estamos presos? – Ele me encarou de forma maluca, que só pude concordar com a cabeça lentamente. – Foi tudo culpa daquele unicórnio! – Ok! Temos um louco entre nós. – Avisei Nino e Felix.
— Unicórnio?
— Sim, aquele unicórnio de crina cor de rosa.
— Tudo bem... – Fiz o que qualquer pessoa faria quando se depara com um louco, me afastei lentamente, sem movimentos bruscos.
— Gente, estou falando sério! – Plagg se levantou da cama e foi até o canto da cela, onde estávamos. – Foi culpa de um unicórnio.
— Se você falar mais uma vez de unicórnios vou começar a te chamar de Tikki2 pelo resto de sua vida. – Felix ameaçou.
— Mas...
Com a gritaria o Tenente Roger apareceu na nossa frente, fora das grades, ele estava sorridente.
— Ah! Que bom que acordaram!
— Roger! Por favor, o que aconteceu para estarmos aqui? – Felix se aproximou das grades.
— Nos roubamos algo? Brigamos com alguém? – Nino também se aproximou da grade.
— Está tudo bem meninos, quando achamos vocês imploraram pra não ligar para ninguém, e como não estavam em condições de se manter em pé, decidimos mantê-los aqui, além do mais isso é uma detenção pelo vandalismo.
— Vandalismo!? – Nós quatro dissemos espantados.
— Calma meninos, não foi nada muito grave. Deixe-me explicar:
Flashback
Plagg, Nino, Felix e eu estávamos sentados no bar, tínhamos pedido uma bebida de cada do cardápio para cada um de nós, sim, a vontade de beber era muito. Já tínhamos completado, pelo menos, metade do cardápio, tanto que quando olhava para os lados ficava com uma vontade imensa de abraçar meus amigos e dizer o quanto os amo. Mas consegui me controlar, Graças a Deus.
Foi a primeira vez que vi Felix bêbado, era incrível como ele ria e chorava ao mesmo tempo.
— Bridgette é tão fofa! – Ele falava para Nino, com o sorriso bobo, que logo desapareceu. – Mas porque ela tem que ser fofa com todo mundo!! – Disse manhoso, e o bichinho do ciúmes ataca.
Já Nino era do tipo filosofo.
— Meu amigo, essa é a personalidade de sua esposa, e a personalidade se define pela vivencia e criação de alguém, dependendo também de seu contexto social, econômico, e muitos outros fatores, porque na verdade, nós constantemente. – Blá, blá, blá, chato, chato, chato. – Nos deparando com situações diferentes... – Eu juro, juro que Nino é uma pessoa legal.
Mas estava divertido, vários bostas sendo ditas e ouvidas, até que Plagg que é do tipo barraqueiro misturado com desafiador, mas os desafios não são dele, para ele, são dele para os amigo se fude. Descobriu que nesse glorioso lugar existe uma bebida, de nome muito atraente, Madame Satã, que é uma mistura de vodka, rum, gim, conhaque, tequila, whisky e para dar um toque final qualquer tipo de licor. Isso é cirrose na certa.
— Adrien. – Plagg se agarrou no meu pescoço, nós quase caímos do banco. – Meu amigão aqui. – Disse apontando para o barman, que sim, já tinha virado nosso amigo, para ver como o nível de álcool não estava baixo. – Falou que ninguém até hoje conseguiu beber um drink inteiro de Madame Satã, então te desafio a beber esse drink inteiro, e se conseguir lhe dou, como presente de casamento... – Plagg pensou um pouco. – Melhor, substituo você nas seções de fotos para as revistas Agreste mostrando as coleções novas, durante um ano. Será a edição especial Plagg
As seções de fotos para as revistas Agreste aconteciam de três em três meses, com a mudança de estação, e eu fico um mês, praticamente internado no estúdio, tirando aquelas fotos, e ter Plagg, que era um modelo tão famoso quanto eu, tirando essas fotos por mim, no meu primeiro ano de casamento, seria mais tempo com Marinette. Estava com um sério medo de entrar em coma alcóolico? Estava. Mas não ia deixar passar essa chance, além do mais, agora que meu pai se afastou da empresa, Felix e eu estamos com muito mais trabalho.
— Fechado. – Apertei a mão de Plagg, e na minha frente já estava a tal Madame Satã.
Apreensivo tomei o primeiro gole, e eu juro, que minha cabeça foi para um lado e meu cérebro foi para o outro, tomei mais um gole, eu já via estrelas e devia estar com um cara de peixe morto, mais um gole, não sei como, nem porque, mas estava abraçado com Nino e Felix cantando Viva la Vida do Coldplay. Quando olho para minha bebida, vejo o meu desafiador tomando meu drink, então, possuído pelo Espírito Ragatanga, causado pelo álcool, na minha alta maturidade de 23 anos, gritei:
— MINHA MADAME! – Quando Plagg ouviu isso, ele igualmente maduro, correu pelo bar com a bebida na mão. – MADAME! – Gritava e tentava correr trás dele, já que, de novo, por causa da bebida, ele ia inclinado para a esquerda e eu para a direita. – Madame! – Já tinha começado a choramingar.
E todo o Trem da Alegria se uniu quando Nino e Felix decidiram que era uma boa ideia correr atrás de mim, então a situação se resumia em, eu correndo atrás de Plagg, porque ele estava com minha bebida, Felix correndo atrás de mim com uma alegação de que tínhamos que pedir para Marinette novos modelos para a coleção de inverno, e Nino correndo atrás de Felix porque ele decidiu que seria legal.
No fim, depois de umas duas ou três voltas pelo salão do bar, dois seguranças nos jogaram para fora como se fossemos cachorros sem dono. Acho que naquelas condições realmente éramos.
— Hoje eu não vou pra academia! – Nino gritou com os braços para cima. – Já corri hoje!
E como se fosse uma decisão mutua e silenciosa, decidimos voltar para casa a pé, andávamos nos arrastando no chão, eu e Plagg mais acabados, por causa da Madame Satã. Estávamos quietos, cada um no seu mundo de bêbado, até que Plagg focou encarando a vitrine de uma loja infantil, como se fosse um gato prestes a avançar no rato.
— Tá zoando cominha cara mano!?
Ele gritou indignado para... para um unicórnio de plástico que decorava a vitrine da loja infantil, que ele decidiu que seria seu maior inimigo. Ele começou a bater no vidro com o ombro. E o resto de nós? Como somos bons amigos a muito tempo, ajudamos Plagg a quebrar o vidro. Sim, o alarme disparou. Nós ligamos? Não! Acho que nem se quer ouvimos, estávamos entretidos demais torcendo para o unicórnio vencer de Plagg enquanto ele dava um mata leão no plástico, no chão da loja.
Não demorou muito para a polícia chegar, e enquanto nós, bêbados felizes estávamos vendo um UFC da terra das fadas, o Tenente Roger deve ter visto uma cena não só constrangedora, mas de dar pena mesmo. Depois de implorarmos para ele não ligar para nossas esposas, no meu caso, minha futura esposa, ele viu que não estávamos em condição nenhuma de voltar para casa daquele jeito, e isso foi bom porque poderíamos adiar os olhares de reprovação de Alya, medo de Bridgette, irritação de Tikki, e o de preocupação de Marinette.
E no fim dormimos todos na cela.
Fim do Flashback
— Eu disse que a culpa foi do unicórnio! – Plagg disse empinando o nariz, me aproximei dele dando um peteleco na sua nuca. – AI!
— A culpa foi sua, idiota.
— Não vem com essa, vocês concordaram em ir naquele bar. Todos nos divertimos.
— De qualquer forma, está tudo bem agora, vocês só precisam pagar o vidro da loja. – Roger acalmou meus ânimos.
— Ok, eu cuido disso. – Felix se prontificou, Roger o direcionou para a mesa de um policial.
— Como sabe de tudo isso? – Nino saiu da cela, acompanhado de Plagg.
— Pelas câmeras de segurança, e também o segurança desse bar é um velho conhecido meu.
— Ah! Bem, obrigado Tenente. – Nino agradeceu, indo para a parte de fora da cela, junto com o causador de nossa prisão.
— Você ligou para elas, não é? – Perguntei saindo da cela também.
— Mas é claro que sim, não iria deixar as amigas da minha querida Sadrina ficarem a noite acordadas pensado que aconteceu o pior com seus companheiros. E não vou nem começar a falar do meu dever como policial.
Ele sorriu de lado e apontou com o dedão atrás de seu ombro. Andei um pouco e vi o que já devia ter previsto quando decidimos sair para encher a cara:
Tikki discutindo com Plagg enquanto ele encolhia os ombros e ouvia umas verdades merecidas.
Nino implorando perdão para Alya enquanto ela batia o pé e fingia não ouvi-lo com o rosto virado.
Felix incomodado e apreensivo com o olhar penetrante de Bridgette, querendo explicações, enquanto ele assinava o chegue para pagar o vidro.
E bem na porta de entrada vi Marinette, chegando cada vez mais perto, a passos pesados e rápidos, eu rezava baixinho, ela estava com os olhos vermelhos, isso partiu meu coração, odiava vê-la assim, principalmente se for por minha causa.
— ADRIEN AGRESTE! – Ela gritou quando estava bem pertinho, eu abaixei minha cabeça sentindo a dor da ressaca. – Tá com dorzinha na cabeça? Tá? – Matinette começou a bater no meu ombro. – Vai ficar com mais depois de me ouvir! – Por sorte os soquinhos dela não eram fortes, mas eram constantes, em um lugar que já estava machado.
— Ai! Agressiva! – Reclamei, mas porque fui abrir minha boca no momento errado? Ela bateu mais forte
— Você me deve umas boas explicações, Adrien Agreste, depois de passar a noite da delegacia. Não me mandar mensagem durante todo o tempo que ficou no bar. Ter quebrado a vitrine de uma loja. Sabe que nem eu, e nem nenhuma das meninas dormimos de noite? Você sabe disso, não sabe? Seu... depravado, idiota. Te odeio!
Quando os socos ficaram mais fracos eu percebi que Marinette estava começando a chorar de novo, não perdi a chance de abraça-la, era tão bom sentir o cheiro dela depois de dormir com um homem agarrado na minha cintura, mesmo ela estando irritada comigo. Marinette foi aos poucos me abraçando de volta.
— Você cai casar com esse depravado, idiota que odeia. – Falei encostando a bochecha no topo da cabeça dela.
— Não vou aparecer no altar. – Falou convencida.
— Vai sim. Você não pode resistir a mim.
— Posso sim, principalmente com esse fedor de álcool que você tá. – Ela se afastou de mim, com o rosto ainda cansado, só que mais feliz.
— Desculpe Marinette, vou te explicar tudo.
E no fim, como punição, Plagg, fez o ensaio de fotos no meu lugar.
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