Opostos
2 Henry
Notas iniciais
Estava tão linda com aquele rabo de cavalo, seria uma delicia puxar esse cabelão durante o sexo, e aquele batom acentuando seus lábios só me fazia ter vontade de beija-la. Forço-me a sair desse devaneio sem noção, eu e Candice não pode rolar, que nojo, seria como beijar um homem, por mais que o modo como ela fala comigo me incomoda, poderia mostrar para essa toco de amarrar burro que eu posso ter qualquer mulher para mim, inclusive ela. Resolvo voltar para festa quando escuto sapatos batendo no corredor. Quem subiu? Avisei que a festa é só lá em baixo, vou de encontro ao barulho até encontra-la. Como queria saber o que se esconde por baixo dessas roupas largas.
—A festa é lá em baixo.-Digo só para provoca-la e tenho a resposta que esperava
—Eu sei, só estou atrás de um banheiro.-Retruca se virando para mim com aqueles olhos grandes demais para o seu rosto pequeno. Já disse que ela é minuscula? Estou lá pelo 1.80 de altura enquanto ela deve ter seus 1.50 de altura ou menos, ela é toda miúda e isso só faz com que meus desejos cresçam.
—Pode usar o meu.-Digo finalmente.
Nem espero ela responder, abro a porta do meu quarto e dou passagem para ela entrar que o faz sem questionar olhando tudo a sua volta, é bem curiosa.
—É naquela porta.-Aponto para a porta e ela segue ainda em silêncio, cadê suas respostas na ponta da língua?-Achei que não fosse mais sair daí.-Digo quando saí do banheiro, incentivando-a a voltar a grosseria de costume.
—Mas saí e já estou indo. Obrigada.
—Não há de quê.-Sorrio de lado a encarando.-Pode usar meu banheiro sempre que quiser.-Minha cama também.
—Não, obrigada, aqui eu não volto nunca mais.-Diz e eu comemoro internamente, voltou a costumeira grosseria.
—Para quê essa agressividade toda gatinha? Sei que queria conhecer meu quarto assim como muitas querem.
—Realmente muitas devem querer mesmo, mas eu não sou uma delas.-Revira os olhos e toma o rumo da porta, mas eu a impeço ao segurar o seu braço e a puxar para mim, tento alcançar seu lindos lábios, porém antes que eu perceba sou atingido por um tapa seu.-Nunca mais se atreva a tocar em mim!-Grita com o rosto vermelho e corre para longe de mim, e eu não sei o que me irrita mais, ter recebido esse tapa ou a sua recusa em me beijar.
Despacho Candice Mikaelson da minha mente e volto a minha festa, porque ela não vai de forma nenhuma acabar com a minha noite. Na sala, depois de beber uns dez copos de cerveja meus olhos encontram os de Louise, uma ex namorada, e eu sorrio. Vai ser você mesmo. Penso comigo e vou atrás da foda da noite.
Acordo na manhã seguinte com certa dor de cabeça da ressaca, mas isso não me incomoda, sempre me sinto assim pós festa e o quanto me diverti ontem compensa essa dorzinha, não de muita coisa depois de ter fodido Louise na sala da mesa de sinuca, acho que os moleques arrumaram a bagunça, nem sei como cheguei na minha cama. Espreguiço e forço-me a levantar da cama que me atrai a continuar nela, então vou até o banheiro para tomar um chuveirada.
Recordo-me da noite passada e de Candice. Como pode ela não me querer? Todas querem, sempre querem, qual será o problema dessa garota? Será que é lésbica? Nunca a vi com um namorado, muito menos falar dela com alguém. Essa só pode ser a resposta para me rejeitar, é, exatamente isso. Coloco meu casaco de couro preto que tanto gosto e desço as escadas com minha mochila nas costas, hoje as aulas voltam, ou seja, o lugar onde eu sou o rei volta a funcionar.
—Bom dia querido.-Fala minha mãe no momento em que entro na cozinha.
—Bom dia mulher mais lindo do universo.-Respondo plantando um beijo rápido em sua bochecha que cora levemente.
—Acho que você está atrasado.-Diz duro, mas há um sorriso em seu rosto e isso que dizer que a noite passada com o meu pai foi boa, tem a ver pelo cabelo amaranhado também.
—Eu estou.-Pego uma maçã para não ficar com a barriga vazia, mesmo meu estomago não querendo aceitar nada, por conta do álcool da noite passada.-Por isso já estou indo. Até daqui a pouco, senhora Salvatore.-Mordo minha maça e saio de casa subindo em minha moto, em poucos instantes estou na escola.
—E aí, Big Henry?-Jason me recebe.-Pronto para arrasar as menininhas da Mystic Falls High School?-Diz me empurrando para perto de Tyler.
—Óbvio que sim.-Sorrio.-Sabe que quanto mais melhor.-Tyler ri e nesse momento passamos pelo fracasso do Matt.
—E aí bichona?-Tyler derruba seus livros e aquilo me incomoda um pouco, não acho legal ficar humilhando as pessoas, muito menos as que são fracassadas.-Chegamos!
—Para que fazer isso velho?-Repreendo Tyler, mas continuo andando indo para longe de Matt que pega seus livros sem dizer nada.
—É divertido.-Reviro os olhos e nesse momento ela me chama atenção, Candice passa pelo corredor com sua irmã e algumas garotas que eu acredito já ter levado para cama, é, pelo menos duas delas, mas não são elas, nem o batom vermelho de Hope que me chamam a atenção, mas é ela com esse moletom grande cobrindo seu corpo, fico imaginando o que há por trás dele, também seus olhos expressivos provavelmente entediados com o papo daquelas garotas, ela fica de lado enquanto as quatro fofocam e riam alto, com certeza está ali porque Hope insistiu.-Hum... conheço esse olhar.-Tyler me retira do devaneio.
—Que olhar?-Volto a atenção para meu armário.
—Viu isso Jas? Parece que nosso Big Henry tem uma nova caça.
—Gostou das Mikaelsons, né? Primeiro Hope, agora Candice.-Jason zoa.
—Candice? Até parece. Essa menina é estranha demais para mim. Parece até um homem.
—Ah para com isso, ela é até gatinha.-Tyler diz encarando Candice da cabeça aos pés e isso de alguma forma me incomoda.
—Eu e ela não vai rolar.-Bato a porta do armário e tomo o rumo da aula.
—O que foi? O Big Henry está com medo de uma nerd?
—Eu não tenho medo de ninguém Tyler.
—Então pega ela.
—Eu não quero.
—Não quer ou não pode?-Tyler provoca tentando me tirar do sério.-O que acha de uma aposta Jason? Aposto 100 pratas que ele não pega ela.
—Beleza, aposto 100 que ele pega.
—Não vou entrar nessa.
—Ah vamos lá Salvatore, as aulas começaram e esse é nosso último ano, vamos nos divertir.-Jason fala tentando me convencer e eu cedo.
—Ok, aposto mais 100 que consigo não apenas beijar ela, mas também levar para cama.
—É disso que estou falando!-Tyler comemora e eu solto uma risada de quão idiota ele é.
Mais tarde entro no Grill, o único barzinho de Mystic Falls, depois de uma corrida e vou até a balcão do bar ofegante e peço um garrafa de água para a atendente que não disfarça ao passar os olhos pelo meu peitoral nu, sorrio de lado e pisco para ela que se atrapalha toda ao ir pegar a garrado, sorrio satisfeito e olho para as mesas onde tem pessoas comendo e conversando, seria legal adivinhar o que passa em suas mentes, então meus olhos encontram olhos castanhos a me encarar, Candice está sentada numa mesa no mundo com um livro e acredito que um copo de café, ela esconde o rosto atrás do livro e eu sorrio. Então estava me olhando é senhorita Mikaelson? Parece que não é tão imune a mim.
—Sua água senhor.-Diz a atendente de uma forma um tanto sexy, com certeza querendo me seduzir, até que é bonita com seu cabelo cacheado preso num coque mal feito e seus seios fartos escapando pelo decote, essa visão muito me agrada.-Esse é o meu número.-Passa uma folhinha com uma letra rabiscada com o número e seu nome acompanhado de um coração.-Se quiser me ligar.-Sorri para mim, passando seus dedos finos na minha mão quando pega o dinheiro pela garrafa e volta ao trabalho.
—Ok...-Sorrio confiante e vou até Candice que não tira os olhos do livro, por mais que eu saiba que tem consciência da minha presença.
—O grill ficou tão mal frequentado de repente.-Resmunga e eu sento a sua frente.
—Deve ser porque você está aqui.-Provoco fazendo-a olhar para mim.
—Esta mesa esta ocupada, não vê?-Dou de ombros e pego o livro da sua mão.-Ei!
—O que está lendo?
—Não é da sua conta.-Arranca da minha mão irritada.-O que você quer?
—Quero te convidar para ir numa festa.-Olha-me por um instante desconfiada até dizer.
—Por que?
—Porque sei que se você for, Hope também vai.
Ela não pode saber de cara que meu objetivo principal e conquista-la.
—Então convida ela, não estou afim.-Profere e volta a leitura.
—Você me entedia, sabia? Parece uma velha de 80 anos. Será que já sorriu algum dia ou se divertiu?
—Me deixa em paz.
—Vamos lá Mikaelson, se divertir um pouco não vai te matar.
—Não vou a nenhuma festa.
—Sabe o que eu acho?
—Não sei, nem quero saber.
—Mas vou dizer mesmo assim.-Pego o livro da sua mão novamente para ter sua atenção que consigo com sucesso.-Acho que você tem medo.
—Medo?-Levanta uma sobrancelha e cruza os braços ficando em posição defensiva.
—Sim. Você tem medo de encarar a vida, de ser feliz, por isso vive nessa vida monótona.
—Então acha que não me divirto?
—Acho não, tenho certeza.-Desafio e vejo seus olhos inflamarem de raiva.
—Eu me divirto e muito.-Levanta pegando seu livro de volta.-Só que há uma diferença entre a minha diversão e a sua. Eu sou feliz sem precisar ficar me embriagando ou machucando todos ao meu redor, muito menos viver de cama em cama, minha diversão é comigo mesma em tudo que vejo e sinto, não preciso sair fora de mim para me divertir. Você acha que sabe viver Salvatore? Pois eu te digo, não, você só sabe ser um otário e por mais que viva com várias pessoas ao seu redor você está sozinho, e ainda não encontrou a felicidade que você tanto corre atrás através de festas e mais festas, entrando na cama de qualquer uma, comendo todas sem ver a quem. Prefiro parecer uma velha com 80 anos sabendo quem eu sou do que um jovem maneiro e superficial.-Cospe e sai do grill como um furacão me deixando boquiaberto com suas palavras.
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