Opostos

1 Capítulo 1 - Morando com ele?!


Flashback.

—Eu vou. -Dizia Kira, enquanto tremia dos pés a cabeça. -Um ''não'' não mata ninguém.

Ela gostava do Lucas desde o primário, mas nunca teve coragem o suficiente para se confessar. Ela é simpática e bonita, ninguém rejeitaria alguém assim. E se rejeitar, deve ter algum problema na cabeça. Se é que não já tem.

Por que esse filho da puta é tão popular?! Famoso por rejeitar garotas. Ah, se você rejeitar a Kira.

—Se ele te rejeitar é um babaca.

—Estou com medo...

—Por quê? Garotos gostam de peitos grandes, e isso você tem de sobra. -Sorrio.

—Guilherme! -Ela ri. —Tudo bem, eu vou.

Ela tomou coragem, e foi até ele, que caminhava com seu grupinho.

—Pode falar. -Lucas sorri.

—Não sei como dizer... Eu... Gosto de você. Gosto de você desde o primário, Lucas Martins! -Ela exclamou.

Ele ficou em silêncio, depois deu uma risada irônica.

—Quem é você mesmo?

Nesse momento Kira desabou. Ela saiu correndo, chorando, afinal... Ela gostava dele desde o fundamental.

Ah, esse garoto vai me pagar!

O sinal tocou e todos subiram para sala. Eu não vi a Kira, mas vi o Lucas subindo as escadas.

—Você! —Eu gritei. —Quem você pensa que é?!

Eu o joguei contra a parede.

—Hein?

—Você rejeitou a Kira, seu sem noção. Cê tem ideia do quanto ela gosta de você?

—Quem? -Ele sorriu, sem entender nada.

—Ela se confessou agora á pouco...

—Qual delas? Só hoje recebi, hum... seis confissões. Não conheço essa ''Kira''.

Convencido?

—Como não? Vocês são da mesma sala desde o fundamental. —Eu fuzilo ele com o olhar. —Como ele não pode lembrar dela?!

—Ahhhh!

Ele lembrou.

—Não. —Ele sorriu, e subiu mais um degrau.

Por puro impulso, eu segurei ele pelas mangas do uniforme, e ele tentou sair, mas acabou caindo escada a baixo.

MEU DEUS, EU TO FERRADO.

—V-você está bem?!

—Não pior que você agora.

—I-impulso!

—Está esperando oque?! Me leve pra enfermaria!

Eu apoiei seu braço no meu ombro, e o carreguei até a enfermaria. Droga, estou fodido.

—Meu deus, Lucas. —A enfermeira gritou, desesperada.

Ele nem está sangrando. Por quê diabos todo esse ''mimo''?!

E se ele falar que fui eu?! Meus dias nesse colégio acabaram, do jeito que até a diretora paga pau pra ele. Ah, foi péssimo enquanto durou, mas minha mãe vai me matar enforcado, me fritar, e comer com molho shoyu. Tantos anos me matando de estudar pra isso!

—Eu cai sozinho. —Ele sorriu.

Eu morri por um segundo.

—É, ele caiu sozinho. —Suspiro.

Depois de alguns minutos, saímos de lá.

—Ei, delinquente. -Chamei ele. —Obrigado.

—Não. Não agradeça agora.

—Hein?

—Você vai cozinhar pra mim. —Ele sorriu. —HOJE.

—Ahn?! Cozinhar pra você? Não, eu vou cozinhar VOCÊ!

—Não. Me. Importo. —Ele se aproximou e sussurrou no meu ouvido, pausadamente.

(...)

Voltamos para o apartamento. Eramos vizinhos, infelizmente. Quer dizer, nunca demos nem um bom dia. Como ele sabia que eu morava aqui?!

—A cozinha é ali. —Ele apontou, se sentou no sofá, e pegou uma revista provavelmente pornô para ler.

Folgado.

Fui pra cozinha, mesmo sem saber oque vou fazer. Peguei qualquer ingredientes, coloquei numa panela, e cochilei.

(...)

—GUILHERME!!!!

—AHN?!

—VOCÊ EXPLODIU MINHA COZINHA.

—QUE?!

Eu olhei pro lado e só via fumaça.

Já vi essa cena antes.

Fim do Flasback.

O juiz decidiu que, como eu era de menor, ele deveria morar comigo por dois meses.

DOIS MESES.

E foi assim que esse ''príncipe'' folgado veio parar no meu sofá, lendo revistas de mulheres, com as pernas esticadas e comendo salgadinhos.

—Guilherme.

—Oque você quer?!

—Refresco. -Sorriu, tranquilo.

Eu ainda mato esse garoto.

+

Depois daquele dia horrível, eu acordei pensando em como contar pra Kira que o garoto que ela gosta está morando no mesmo lugar que eu, seu melhor amigo, que prometeu matá-lo. Isso soa mal, né? Foda-se. Ela nunca vai saber.

—Ei, seu otário. -Gritei.

Ele está deitado a onde? No sofá? Não. Aquele folgado ficou com minha cama. Por que eu deixei? Ah... Agora me lembro.

~Flashback~

—Ei! O sofá fica ali, não no meu quarto.

—Sim, pode ir lá.

—OQUE?! SAI DA MINHA CAMA!

—-Oh, estou com tanta dor desde que me derrubou daquela enorme escada! —-Ele coloca a mão no rosto. —Minha mãe ADVOGADA vai ficar muito triste com isso, ainda mais depois do incêndio no meu apartamento. Sou mesmo um irresponsável, né Gui?

–Gui é o caralho! Sai da minha cama!

–Ah, sim... Vou ligar pra minha mãe, rápi...

–NÃO! Espera.

Oque eu fiz pra merecer isso? Será que foi porque roubei um brigadeiro da festa quando tinha 7 anos?! Eu era uma criança, senhor! E mesmo assim, pedi desculpas pra dona da festa depois.

~Fim do flashback~

—Delinquente, acorda. -Eu balanço ele.

Ele coloca o travesseiro na cara.

—Ah é? -Peguei um copo d'água e joguei na cara dele.

Viu? Ele acordou rapidinho ♥

–EU VOU TE MATAR. -Ele pula em cima de mim, e antes de afastá-lo, sinto minhas bochechas arderem. Que diabos?! –É que é hora de ir pra faculdade. Quer ser um delinquente pro resto da vida? E NÃO CONTA PRA KIRA, PELO AMOR DE DEUS.

–Quem é Kira?

Falo mais nada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.