Opostos
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Juliana era daquelas garotas que adoravam passar horas e horas em frente ao computador escutando musicas e vendo tudo o que rolava no "mundo da moda" .
Não gostava de sair muito de casa, e quando saia era pra ir a casa de sua melhor amiga Lia. Lia namorava Dinho, o seu ex namorado de quando tinha 15 anos... Apesar desse ocorrido, Juliana nunca ficou sem falar com Lia por ela namorar seu ex, afinal a gente nunca escolhe por quem vai se apaixonar...
POV JULIANA :
O despertador ja começou a tocar e eu não acredito que já está na hora deu ir pro colegio ...
Enquanto me arrumava para tomar café Lia me mandou uma mensagem:
Oi gatinha, n esquece de levar o
meu livro de historia q eu esqueci ai
na sua casa ontem, bjs miga ;*
Lia era uma esquecida por natureza, só não esquecia a cabeça porque está grudada ao corpo.
Peguei o livro da Lia, coloquei na minha mochila e desci pra tomar café... minha mãe tinha deixado um bilhete na geladeira dizendo que não ia voltar pra casa até as 9 horas da noite, porque ela tinha que fazer plantão no hospital...
Desde que meus pais se separaram minha mãe está tendo que dar duro pra sustentar a gente, vive tendo que fazer plantão no hospital pra ganhar um pouco a mais...
Pensei comigo mesma... se minha mãe não vai estar aqui na hora do almoço, quer dizer que eu vou ter que preparar minha comida, e eu sou péssima na cozinha ! Ótimo meu dia ja começou mal.
Cheguei atrasada no colegio pois tive que ir caminhando e eu não sou daquelas garotas muito atleticas sabe...
Mal coloquei meus pés dentro do Quadrante que logo tocou o sino... Sai correndo em direção a porta da sala de aula sem nem olhar pros lados e acabei esbarrando em alguma coisa, ou em alguem... Cai de bunda no chão.
Olhei pra cima e vi um garoto se abaixando para me ajudar a pegar meu material que acabou caindo junto comigo no chão e disse em um tom alto:
— Devia tomar mais cuidado !
e em um tom sarcastico e baixo, quase sussurrando o garoto falou.
- E você devia olhar mais por onde anda...
Olhei em sua direção e vi seus olhos pretos e grandes olhando bem para mim. Notei na hora que nunca tinha visto aquele garoto em minha vida e nem um olhar tão vivo e sincero como o dele !
Ele estava usando uma bandana preta em sua cabeça e notei que ele era muito bonito, porém devia ser mais um daqueles meninos super bonitos mais com um cérebro do tamanho de uma ervilha.
- Você vai ficar babando ou vai querer minha ajuda. — ele disse dando um lindo sorrindo pra mim como se tivesse lendo meu pensamento.
O professor abriu a porta da sala e falou em bravo.
- senhorita Rodrigues já pra dentro !
entrei correndo e vi que Lia estava tirando sarro da minha cara.
- voce não devia ficar sentada no chão paquerando aquele menino Ju. — Lia disse dando risada
- vai se ferrar Lia, aquele garoto não olha por onde anda e esbarrou em mim ! — disse brava.
- se voce esta dizendo... ah voce trouxe meu livro de historia né, ja levei 2 advertencias por esquecer esse maldito livro !
- Trouxe...
– Prestem atenção – o professor falou – eu só vou repetir uma vez. Eu vou tirar um mês de férias, preciso viajar e provavelmente só volto aqui no fim do bimestre.
Nesse momento tive que me segurar para não me levantar e começar a gritar o quanto eu estava feliz por receber essa noticia, só de imaginar 1 mês sem o chato do professor de historia parecia até ser um sonho. Algumas pessoas começaram a falar baixinho tentando expressar sua felicidade.
– Eu ainda não terminei. Como estarei fora não vou poder passar nenhuma matéria nova ou prova e é por isso que eu decidi fazer um trabalho com vocês, ele vai valer a nota toda do bimestre, ou seja se tirarem uma nota ruim adeus férias de julho. – ele usou seu sorriso mais sínico. – o trabalho vai ser em dupla.
Olhei para Lia que assentiu com a cabeça aceitando fazer o trabalho comigo. Percebendo que todos já estavam formando suas duplas o professor gritou outra vez.
– E serei eu quem formara essas duplas. – uma enorme vaia fluiu na sala inteira – Sem reclamações!
Ele começou a formar duplas que não tinha nada a ver uma com a outra, duplas que nem se quer se falavam. Um nerd ficou com a menina popular super irritante, Orelha com Fera o maior pegador da escola, Lia ficou com Fatinha sua prima chata e assim por diante.
– Quem ficou sem parceiro?
Levantei a mão, não sei se é de proposito, mas ele sempre se esquecia de mim, já estava acostumada.
– Ah, Juliana você pode fazer com... – ele encarou toda a sala, ninguém mais estava sobrando, porém muito deles me encaravam com um olhar de “faz comigo por favor”.
– Eu faço sozinha.
– Ah que isso, você pode fazer comigo Ju – Artie falou lá da frente.
Sorri gentilmente pra ele. Ainda preferia fazer sozinha, aquele jeito lento dele me dava náuseas. A unica que eu toparia fazer o trabalho ali era a Lia e como ela ja tinha uma parceira minha melhor opção era fazer sozinha mesmo.
– Não seja por isso – Lia exclamou – ela pode muito bem fazer comigo a Fatinha nem vai ligar de fazer sozinha não é?
– Na verdade Lia eu vou ligar sim, faça você sozinha! — juro que vi Lia mostrar a lingua pra ela e me segurei para não rir.
Todo mundo começou a falar no mesmo tempo armado a maior confusão. Ninguém estava satisfeito com o seu parceiro.
– SILÊEENCIO! – Gritou novamente – Vocês parecem um bando de maritacas!
– Eu faço o trabalho sozinha. – repeti – não vejo problema. o Professor revirou os olhos como um adolescente.
Ele pensou por um tempo e então quando estava quase para concordar com minha ideia eis que surge um ser estranho dentro da sala. Era garoto alto, aquele que esbarrou em mim na porta da sala de aula, com uma pele branca de quem nunca havia saído no sol, seu cabelo era de um loiro, talvez um castanho bem claro e bem desarrumado, seus olhos eram de um castanho claro. Pelas suas roupas dava para dizer que ele tinha um jeito todo boyzinho. Porém seu all star estava todo surrado, parecia que nunca havia sido lavado, fiquei mal pelo tênis.
O garoto entregou um papel para ele e ficou ali parado enquanto o professor assinava alguma coisa. Depois de devolver o papel para o garoto, ele olhou diretamente para mim com um sorriso vitorioso.
– Problema resolvido Juliana, você irá fazer o trabalho com Miguel, nosso novo aluno.
O garoto novo, ou melhor,Miguel virou-se para mim e sorriu. Foi só nesse momento que fui reparar melhor nele. Miguel usava uma camiseta com xadres com apenas alguns botões fechados, vestia uma calça jeans que defenia bem o seu corpo e o all star branco surrado. Ele definitivamente devia ser um tedio. Revirei os olhos não acreditando que teria que fazer o trabalho com ele.
Em passos lentos Miguel caminhou até o final da sala. Quase todas as garotas da sala o acompanharam com os olhos, achei a cena hilária, elas nem conseguiam fechar a boca direito.
– Quer um babador? – sussurrei para Lia que também parecia hipnotizada pelo garoto.
Ela fez uma careta e voltou seu olhar para o professor.
– Que sorte heim. – Fatinha olhou para mim e movimentou a boca.
Dei um sorriso como resposta.
– O trabalho será mais ou menos assim, eu darei os nomes de alguns personagens históricos e quero que vocês façam uma busca sobre eles. Quero que tragam cartazes, fotos, vídeos, maquetes, textos... vocês devem ser criativos, essa nota do trabalho vale para o bimestre inteiro, não terá outro trabalho então me surpreendam.
Enquanto algumas pessoas reclamavam ele deu as costas para todos e começou a escrever vários nomes na lousa. Preciso confessar que no meio daqueles nomes o único que eu conhecia era o Hitler pois havíamos visto um filme sobre ele no mês passado. Me virei para encarar Miguel para ver se ele também estava perdido como eu, mas fiquei surpresa ao ver que ele estava brincando com sua borracha e nem prestava atenção no que o professor falava.
– Juliana – O professor falou – Pode ser a primeira a escolher sobre quem vai pesquisar, aceite isso como um pedido de desculpas por ter te esquecido.
Dei um sorriso falso e voltei a encarar Miguel que ainda brincava com sua borracha.
– Hey – o chamei – vamos escolher qual?
Ele deu de ombros e voltou a jogar sua borracha para o alto igual a um bobão. Suspirei fundo. Nem haviamos conversado ainda e ele ja me irritava.
– Hitler – li alto o único nome que eu conhecia ali. Enquanto outras pessoas da sala também escolhiam um nome, ouvi vagamente Miguel resmungando.
– Eu odeio o Hitler.
Quase me virei e o mandei ir a merda, mas em vez disse usei a tática que Lia havia me ensinado, fechei os olhos e contei até 10.
– Que sorte amiga! – Lia exclamou enquanto entravamos para a fila da cantina – Ele é um gato!
Revirei os olhos. Era a milésima vez que ela repetia isso, e de verdade eu já estava perdendo a paciência.Tudo bem que o novo garoto era sim bonito, mesmo sendo um mal criado, mas juro que se ela falar mais uma vez o quanto Miguel é lindo não vou me segurar e vou vomitar na cara dela.
– Queria poder trocar com você – ela resmungou enquanto pegava seu lanche
– Ah Lia, já está mais do que na hora de você e a Fatinha se acertarem, tudo bem que ela é uma coisa irritante, mas supera amiga.
Ela balançou a cabeça.
– Ela é uma vadia. – quando percebeu o palavrão que havia falado bateu em sua própria boca – viu o que ela faz comigo? Já estou até falando palavrão. Arg, eu odeio ela amiga!
Ri comigo mesma, Lia ficava engraçada brava.
– De onde será que ele é? Nunca o vi na cidade, deve ser novo não é? – Lia mudou novamente de assunto, voltando a falar do novo menino.Nem precisei segui seu olhar para saber que ela encarava Miguel. Ele estava sentado sozinho perto do banheiro masculino observando o nada.
– Lia – gritei – Dá pra parar por favor de falar nesse garoto? Já deu né?
Ela me encarou assustada.
– Para de ser chata Ju, ele é só um garoto muito lindo. Carne nova no pedaço, sabe como é né?
- Eu não gosto dele.
–Você nem conhece ele Juliana, você tem que parar com essa mania idiota de julgar as pessoas, isso é feio!
– Ah, então é assim? Eu acho então que você deve aprender a perdoar as pessoas, isso é feio Lia. – a provoquei.
Ela fez cara de brava, provavelmente se lembrando de Fatinha. Nunca entendi muito bem o porque da briga delas, pelo que Lia me contou a sua prima chata rasgou a coleção de cardes do rebelde dela. Isso quando eram crianças, mas desde então elas não se falam direito e vivem brigando. Meio bobo não é? Para mim elas brigam mesmo é por causa do Dinho. Á uns tres anos atras a Lia ja era louca por ele. Eles até tinham combinado de sair juntos, mas a Fatinha foi mais rapida e abocanhou ele. Para mim esse é o real motivo para tanto odio.
– Lia... – a chamei.
Ela se virou e me encarou com um olhar frio.
– Eu não quero brigar Juliana . Acho errado o que você faz, mas não posso fazer nada em relação a isso. Então para preservar nossa amizade o melhor que eu posso fazer é sair daqui, porque eu nunca vou mudar o meu jeito de pensar e a gente só vai acabar brigando mais ainda.
Dito isso ela se virou e saiu. Ao longe Miguel observava toda a cena com um olhar curioso. Quando viu que eu o encarava desviou o olhar.
Peguei meu livro e subi para a sala.
Fale com o autor