Opostos
7 A proposta
Notas iniciais
Como não quero ver nenhuma de vcs sem dedos e unhas por não conseguirem controlar a ansiedade, aqui vai mais um capítulo pra vcs.
Esse dedico a mais uma das minhas queridas leitoras que sempre me acompanham
lucianhi
Ótima leitora queridas, espero que gostem =)
Mais uma vez o despertador toca. Cecília faz seu ritual de todas as manhãs. Dentro de algumas horas está na escola. Observa Mateus e Patrícia juntos. Sente o sangue ferver de raiva.
— Cissa, de boa, quer dar mais bandeira ainda pra esse mané? – diz Fabiana.
— Claro que não, mas parece que ele faz de propósito, pra me atingir.
— Não parece, ele está fazendo pra te atingir. Ele se diverte sabendo que você gosta dele.
— Não sou obrigada a ficar aqui vendo isso, vou pra sala.
— Mas o sinal nem bateu.
— Não me importa, ao menos lá não tenho que ver o casalzinho. Pode ficar aí, to de boa.
Cecília então vai para a sala e fica lá lendo uma das apostilas até dar a hora da aula.
— Isso sim é uma aluna exemplar. O sinal nem tocou e já está na sala estudando.
— Ah, oi Murilo. – diz Cecília fechando a apostila. – Tudo bem?
— De boa e com você? Está melhor da sua cólica? – pergunta com um ar de desconfiança.
— Um pouco, obrigada.
— Que bom, fico feliz.
— Ah Murilo, aproveitando que estamos aqui, qual era a proposta que queria me fazer?
— Era não, é. Não mudei de idéia.
— Enfim, qual é afinal?
— Ficou curiosa é? – pergunta com um sorriso convencido.
— Um pouco. Não sou acostumada a receber propostas de ninguém, só isso.
— Sei... Bem, notei que você é ótima aluna e não têm dificuldade em matéria nenhuma especialmente as que têm números, fórmulas e tal.
— não é bem assim. Tenho minhas dificuldades também.
— Pode até ter, mas aprende rapidinho. Mas então, como eu dizia você tem notas boas e aprende tudo muito rápido, além de ensinar bem também.
— Ensinar bem? Eu?
— É, você. Não entendi nada do que a professora falou, mas quando você explicou consegui entender. Você é boa.
— Caraca, obrigada por achar isso. Mas onde entra a proposta?
— Você não é obrigada a aceitar, mas queria pedir se tinha como você me dar uma força nos estudos. Daqui a pouco vão começar as provas e eu não quero começar o ano mal sabe? Quero me garantir logo no começo do ano.
— Ah ta, quer que te ajude a estudar então. Tudo bem, sem problemas.
— Mas ia ter que ser à noite.
— À noite?
— É o único horário que posso. Quando saio daqui vou direto pro serviço, saio só no fim da tarde.
— A noite é complicado pra mim. Ter que voltar sozinha pra casa.
— Isso não é problema, eu levo você pra casa sem problemas.
Cecília fica pensativa.
— Você não é obrigada a aceitar, se não quiser tudo bem, vou entender.
— Não, tudo bem. Eu te ajudo sim, mas com uma condição.
— Eu te levar pra casa? Já disse que faço isso.
— Não, outra coisa.
— O que?
— Eu te ajudo com as matérias em que tiver dificuldade, mas você vai me ensinar a jogar xadrez.
— Só isso? Tranqüilo.
— Então tudo bem. Quando quer começar? – pergunta Cecília.
— Pode ser amanhã?
— Tudo bem, até melhor, assim já aviso a minha mãe.
— Combinado então.
Ao terminarem de falar o sinal bate.
— Vou pro meu lugar agora, bancar o bom aluno – diz Murilo sorrindo e fazendo Cecília sorrir também.
Em poucos minutos a sala de aula é tomada por diferentes vozes, a turma já estava completa. Porém Cecília dá falta de Fabiana e Luis, que chegam depois de um bom tempo. Luis parece sério, mas Fabiana tem um sorriso tímido no rosto.
— Meu Deus, é o que estou pensando? – pergunta Cecília a amiga.
— É sim, pediu pra ficar comigo. Nem acredito Cissa! – dizia Fabiana baixo, mas eufórica.
— Que legal, fico feliz por você, de verdade.
— Obrigada amiga! Mas não se preocupe, logo será você e o Mateus.
Cecília olha para Fabiana com um semblante não muito feliz, mas logo desvia o olhar com a chegada do professor.
Aula após aula e enfim hora de ir embora.
— Boa sorte com o Luis, depois me conta tudo hein!
— Pode deixar, contarei todos os detalhes! Tchau amiga.- diz Fabiana saindo as pressas da sala de aula. Luis a esperava na porta.
Cecília sorri vendo a empolgação da amiga enquanto arruma o material para ir embora. Bem ao seu lado passam Mateus e Patrícia abraçados e trocando carinhos.
Cecília fecha os olhos e respira fundo. Não sabia por quanto tempo agüentaria aquilo.
— Tudo bem Cecília?
— Ah, tudo bem sim. – diz para Murilo, que agora estava ao seu lado.
— Sua “cólica” costuma atacar sempre na escola não é?
— Podemos dizer que sim, mas deixa isso pra lá. – diz desviando do assunto.
— Ok.Tudo certo para amanhã então né?
— Por mim tudo, mas não sei onde você mora, como vou à sua casa?
— Não é muito longe do meu serviço, mas se quiser, passa lá na papelaria perto das 18hs, que é o horário que saio. De lá vamos pra minha casa.
— Certo. Até amanhã então.
— Até amanhã. – sorri Murilo saindo da sala de aula.
Cecília sorri em resposta e também vai embora. Ao passar pela porta da sala, alguém se esbarra nela.
— Desculpa flor.
— Tudo bem, relaxa. – diz em tom seco.
Era Patrícia. Parece ter esquecido algo na classe e voltou para buscar.
Cecília sai sem acreditar.
“Incrível, quanto mais rezo, mais assombração aparece!” – pensava nervosa enquanto andava.
Fez o caminho de costume até sua casa e acabou vendo de relance Fabiana e Luis aos beijos na praça. Ficou feliz pela amiga.
Ao chegar em casa almoça com a mãe e aproveita para falar sobre Murilo.
— Ah mãe, a partir de amanhã vou ajudar um colega de classe a estudar ta.
— Tudo bem. Ele vira aqui depois da escola com você?
— Não, ele trabalha depois da aula. Eu que vou a casa dele, mas fica tranqüila, já falei com ele e quando terminarmos ele me traz em casa, pra eu não voltar sozinha a noite. Ta tudo bem né?
— Filha, sei que você é ajuizada, confio em você. Mas procura não demorar muito, porque seu pai pode encrencar.
— Já tinha pensado nisso mãe, está tudo sob controle. – diz sorrindo – Agora vou dormir um pouco, to com muito sono.
Cecília escova os dentes e vai para o quarto. Liga o rádio e deita na cama, fechando os olhos. O sono não demoraria a chegar.
Pensa na alegria da amiga por estar ficando com o cara que estava afim, mas ao mesmo tempo lembra de Mateus e Patrícia. Como ela odiava aquela garota! Porque tinha que aparecer logo agora?
O problema maior era que não conseguia esquecer Mateus, pelo contrário, agora parecia ainda mais difícil tendo que ver ele todos os dias com Patrícia.
Ajudar Murilo a estudar iria a ajudar também, ficaria com a mente ocupada. Aquela proposta veio no momento certo. Quem diria que o cara que enfrenta um dos professores mais assustadores da escola e deixa os demais alunos pé atrás com sua aparência poderia estar ajudando tanto a ela, mesmo que sem saber?
Cecília sorri com a lembrança de Murilo e enfim pega no sono.
Notas finais
Conseguem se conter até a próxima postagem? =)
Enquanto esperam, deixem seus reviews, indiquem para seus amigos, façam uma escritora feliz =D
Bjão e até o próximo!
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