Opm - para Salvar e Resgatar!
7 Lobisomens no México.
Notas iniciais
OPM – Para salvar e resgatar!
Começou a despertar lentamente, estava tão confortável debaixo daquelas cobertas que tampavam seu corpo e o aqueciam de uma maneira confortante. Se encolheu um pouco mais e abriu os olhos lentamente vendo que ainda se encontrava no quarto que dividia com Anne na OPM. Se sentou rapidamente e mirou a todos os lados para logo pegar seu celular que se encontrava na mesa que tinha entre as camas e olhar a hora. Eram as três da tarde em sua cidade, mas então o que estaria fazendo ali? Seus pais não teriam notado sua falta? Tinha escola naquele dia como poderia ainda estar na sede?
Rapidamente jogou as cobertas para o lado e levou os pés para o chão, mas sentiu como algo lhe incomodava a perna. Não era dor, alguma coisa pressionava sua canela com força a fazendo sentir ligeiramente sua pulsação no lugar. Olhou para baixo e se encontrou com aquela faixa rodeando sua canela e logo as lembranças da ultima missão encheram sua mente, mas não sentia nenhuma dor no lugar, como se o ferimento de faca que tivera não estivesse mais lá.
Inclinou seu tronco para baixo levando as mãos até a faixa tirando os durex que a prendiam e começou a desenfaixar sua perna lentamente. Quando acabou e aquela faixa um pouco amarelada saiu de sua canela percebeu que realmente não havia nada lá, seu ferimento tinha sumido e nem cicatriz tinha deixado para trás. Pisou com força no chão deixando seu corpo toda apoiado nessa perna confirmando que realmente não tinha nada, e como previa não sentia nenhuma dor. Só agora que notara também que já não sentia mais as dores do resfriado, estava completamente curada!
De repente a porta se abriu e fazendo virar o rosto para a mesma. Dela entrou Anne carregando uma bandeja com o que parecia se um delicioso lanche que era composto por pedaços de bolos de chocolate, dois copos de chocolate quente e alguns biscoitos com pedacinhos de chocolate. Um lanche bem açucarado, mas que não deixava de ser delicioso. Anne deixara a bandeja na mesa e só depois que se colocou novamente ereta é que percebeu que Luly estava acordada e mirando de uma maneira faminta o lanche que havia trazido.
— O que está fazendo em pé? – perguntou desconcertada, mas logo que olhou para a perna da garota tomou um susto ao não ver a faixa enrolada na mesma. Luly praticamente correu até a mesa e começou a devorar um pedaço de bolo com gula sorrindo com o saboroso gosto. A tempos não comia um bolo tão bom. – Por que tirou a faixa? Seu ferimento vai...
— Ele sumiu. – interrompeu Luly falando com a boca um pouco cheia e pegando outro pedaço de bolo, dando uma potente bocada no mesmo. – Acordei e ele havia sumido como se nunca estivesse estado lá.
— Mas e sua febre? – perguntou mais uma vez, impressionada com o fato de sua amiga ter se curado tão rápido. Se ajoelhou perto da mesa de centro onde tinha colocado a bandeja e pegou um biscoito, mordendo um pequeno pedaço do mesmo enquanto sua amiga devorava os pedaços de bolo e dava fortes e enormes goles com seu chocolate quente sem se importar com o quanto quente estava.
— Também sumiu. Ao parecer aquele cochilo me fez bem. – disse para logo depois tomar mais um gole de seu chocolate quente. Só agora percebera que seu estomago estava mais que vazio e que morria de fome. – Nossa nunca pensei ficar com tanta fome! Guaaa!
— Claro, depois de tudo o que passou e ainda por ter dormido sem comer nada e ficado praticamente um dia inteiro sem nem se quer se mover de tão profundo que dormia. – falou Anne divertida pegando um dos últimos pedaços de bolo e comia pouco a pouco, dando pequenas bebericadas em sua bebida. – Se não estivesse com fome eu ia assustar.
— Como diria o Arthur eu estaria virando uma vampira. — disse Luly divertida dando uma ligeira piscada para Anne que riu junto com ela.
— Acho que Nick não ia gostar nada de ouvir alguma coisa assim. – disse Anne fazendo as duas rirem ainda mais. Como os poderes de Nick estavam selados igual aos de Deimos ele tinha que comer como um humano normal, apesar de ainda apreciar o sangue, mas podia viver sem ele. Podia se dizer que qualquer ofensa ou comentário sobre vampiro o fazia ficar com uma cara feia, comprovado especialmente por Anne que a pouco tempo havia feito um comentário sobre os sugadores de sangue e o garoto fechou a cara no mesmo instante.
As duas lancharam prazerosamente em seu quarto, conversando animadamente uma com a outra. Anne contara que agora elas ficariam ali por tempo integral já que Roger mandara um informativo para seus pais dizendo que tinham ganhando uma bolsa para um internato. Luly já contara tudo o que tinha acontecido com ela enquanto estavam separadas ressaltando o fato de quanto queria que ela estivesse presente para ajudá-la ou dar-lhe confiança. Quando o lanche finalmente terminou as duas já estavam deitadas no chão lado a lado rindo do que Anne falara sobre o desespero de Deimos em saber se ela estava bem.
— Quer saber? – perguntou Luly se sentando e se virando para ver sua amiga com um extenso sorriso no rosto. – Por que não vamos explorar mais esse lugar? Vimos tão poucas coisas dele quando viemos aqui outras vezes e agora temos tempo de sobra para olhar cada cantinho dele.
— Concordo com você. – disse Anne se sentando também e sorrindo para sua amiga. – Vamos olhar esse lugar de cima a baixo! Quem sabe o que podemos encontrar nele?
As duas se levantaram e foram até a porta abrindo-a e saindo do quarto enquanto conversavam animadamente. Andavam lentamente pelos corredores analisando cada coisa que pudesse chamar a atenção delas. Cumprimentavam as varias pessoas que passavam sendo elas criptos ou não e fazendo de vez em quando alguns comentários sobre alguma pessoa que passava como se tivesse tentando adivinhar que tipo de cripto poderia ser.
Em um certo momento as duas chegaram perto de uma porta um pouco diferente das que costumavam passar, não só a porta era diferente como a paredes que rodeavam a sala também. Tudo era de vidro, revelando o conteúdo da sala que era na verdade lotada de equipamentos eletrônicos dos mais diversos tipos, sendo que eles ocupavam praticamente todo o espaço dando uma leve impressão de bagunça e desordem. As duas se entreolharam curiosas e logo abriram a porta entrando na sala lentamente e mirando todos os lados.
— Ola! – chamou Anne olhando para todos os lados naquela bagunça para ver se poderia ter alguém ali. Cada invento que tinha tanto nas mesas que já nem mais se via quanto no chão eram completamente estranhos, alguns até pareciam ter vida própria por causa de seus movimentos automáticos. – Tem alguém aqui?
Não houve resposta. O lugar parecia estar deserto e o silencio era predominante, sendo apenas quebrado pelos leves barulhos das engrenagens das invenções se movendo ou pelo barulho de eletricidade de fios ainda não conectados. Era quase impossível andar ali, ficar e fazer alguma coisa então era bem mais complicado ainda.
- Parece que não tem ninguém. – falou Luly em um murmuro, mas logo que terminou de falar um forte gemido saiu de debaixo de um dos montes cheios maquinas ou pedaços de maquinas. Um braço logo saiu daquele amontoado balançando de um lado para o outro como se quisesse indicar que estava ali.
Anne e Luly se entreolharam e logo foram na direção daquele braço, pulando dos pedaços de metal e fios que tinham no chão o máximo que podiam. Chegando naquele amontoado que estava o braço, começaram a tirar cada peça que estava ali e colocar no chão ao redor, liberando lentamente a pessoa que estava ali debaixo. Depois que aquela pessoa já estava completamente livre as meninas puderam ver o que parecia ser um coiote enorme com toques um pouco humanóides. Ele tinha o pelo negro forte entrando em contraste com o pelo mais claro que tinha no focinho que devia ser um cinza meio escuro, as orelhas eram finas e em pé, com apenas as pontas caídas parecendo ligeiramente com as de coelhos, suas mãos estavam cobertas por luvas negras e usava um jaleco branco que chegava até seus joelhos com uma blusa branca por baixo, uma calça negra de moletom e uma bota também negra. Ele estava sentado no meio dos pedaços de metal parecendo até um pouco zonzo.
— Obrigado. – disse ele com uma voz meio rouca, mas não muito, logo depois delas o ajudarem a se levantar. Ele logo abriu os olhos que estavam antes fortemente fechados por causa da tontura, revelando assim duas orbes verdes escuras reluzentes e bem humanas, cheias de sabedoria e animação. Ele mirou as duas garotas de cima a baixo e logo parou diretamente em seus olhos sorrindo ligeiramente. – Meu nome é Dok. E quem são vocês?
— Meu nome é Anne e essa é minha amiga Luana, mas prefere ser chamada de Luly. – disse Anne apresentando as duas enquanto apertava ligeiramente a mão do coiote ainda um pouco impressionada por ver algo daquele tipo. Quem diria que um coiote falasse e tivesse uma aparência tão... Humana. – Mas o que estava fazendo debaixo desse monte de amontoado de coisas?
— Pois eu e meu amigo... – logo que mencionou essa palavra alguma coisa estalou em seu cérebro e ele logo começou a olhar de um lado para outro como se procurasse alguma coisa no meio daquela confusão toda. – Onde esta o Speed?
De repente outros dos montes se mexeu e logo depois praticamente todos os objetos que o compunham foram lançados para todos os lados fazendo os três que observavam se abaixarem para não serem atingidos. Debaixo desses objetos estava um papa-léguas que agora estava completamente livre daquelas coisas, suas penas eram vermelhas e belas, seu bico de um amarelo meio alaranjados e seus olhos era um azul intenso e reluzente. Ele tinha a mesma aparência humanóide que o coiote com o mesmo brilho humano nos olhos, ele usava uma blusa vermelha que praticamente desaparecia em seu corpo, uma calça negra larga nas pernas e um tênis que ao parecer era de corrida, suas mãos também eram cobertas por luvas, negras iguais as do amigo.
— Estou bem aqui, por algum momento fiquei inconsciente debaixo daqueles pedaços de metal, o que é estranho já que não costumo perder a consciência com muita freqüência, mas logo acordei e saiu de debaixo daquilo tudo e aqui estou. Hehe. – ele falava de uma maneira extremamente rápida fazendo algumas palavras até mesmo se embolarem enquanto outras ficavam perdidas no meio do contexto. Ele logo se virou para as duas garotas que o observavam meio atordoadas. – Ah! Visitas! É raro receber alguém por aqui, normalmente só ficam eu e o Dok aqui trabalhando, trabalhado, trabalhando, trabalhando... Como se chamam? O que estão fazendo aqui? São novas na organização? Querem alguma coisa para comer? Minha mãe me ensinou a fazer um biscoito delicioso, claro que o meu nem se compara com o dela, mas ainda sim é uma delícia. Gostam de suco? Refrigerante? A...
Antes que o papa-léguas pudesse continuar o coiote colocou a mão envolta de seu bico o fazendo ficar quieto, apenas soltando alguns múrmuros incompreensíveis por causa de suas tentativas de continuar falando. Anne e Luly não sabiam se riam ou se continuavam com sua confusão inicial.
— Pois como eu estava dizendo antes dele aparecer. Estávamos fazendo algumas pesquisas quando de repente alguns dos outros inventos caíram encima de nós e ficamos presos de baixo deles até vocês aparecerem. – respondeu o coiote mirando reprovativamente seu amigos que continuava tentando falar. – Esse é meu amigo Speed e somos os cientistas do lugar, todas as invenções dessa organização são feitas por nós.
— Vocês que criam todos esses equipamentos? – perguntou Anne impressionada. Desde que chegara se perguntara como essa organização poderia ser tão moderna e agora tinha a resposta, mas mesmo assim não conseguia acreditar. O coiote assentiu com a cabeça espocando um sorriso orgulhos nos lábios, mas tendo uma pontinha de humildade nos mesmos indicando que estava um pouco constrangido com o fato. – Incrível!
— Então você poderia dar uma olhada na minha bota? Dês da minha primeira missão ela não quer mais funcionar. – falou Luly erguendo uma perna para mostrar sua bota que ainda estava usando. O coiote apontou para um pedaço da mesa que não tinha nenhum equipamento eletrônico e a garota sentou no mesmo.
Dok pegou algumas ferramentas que não pareciam muito comuns aos olhos das duas garotas e logo começou a mexer na bota. Foi mais rápido do que a garota esperava, depois de alguns segundos apenas observando o que o coiote fazia ele terminou, fechando um pequeno compartimento na sola que estava cheio de fios e logo depois se afastando um pouco pedindo para a garota tentar usar a bota. Luly pulou da mesa e bateu os calcanhares fazendo os propulsores se ligarem e ela flutuar a centímetros do chão como se fosse patinar no mesmo a qualquer momento.
— Muito obrigada, essa bota estava me fazendo falta. – disse Luly desligando o equipamento e sorrindo para Dok com gratidão. Logo depois mirou a sua volta vendo a novamente a bagunça que estava o lugar. – Que tal se arrumarmos um pouco essa bagunça? Assim vocês não vão mais precisar se preocupar com serem soterrados novamente por esse tanto de coisa.
Os dois se entreolharam e assentiram com sorrisos no rosto. A muito tempo não tinham uma companhia e aquelas garotas pareciam estar tendo a boa vontade de ficar com eles. Assim começou a arrumação, eram varias coisas a colocarem em ordem, algumas não funcionavam e iam para o lixo, outras eram para o concerto e ficavam em uma área separada e aquelas ainda em construção ficavam em uns cinco armários que tinha no lugar. Pouco a pouco a aparência do lugar mudava, as duas mesas brancas que tinham no mesmos com computadores modernos e bem equipados começaram a aparecer, o chão com um piso de metal branco também começava a se mostrar, enquanto os armários pareciam ter uma aparência cada vez mais organizadas.
Luly e Anne colocavam cada coisas em seu lugar com as orientações de Dok que também ajudava, mas a maior parte do trabalho era feito por Speed que como seu próprio nome indicava era bem rápido e colocava as coisas em seus lugares com uma velocidade que devia se comparar com a do som. Logo terminariam tudo e mesmo sendo um trabalho chato o de limpar as duas se divertiam vendo de vez em quando algumas trapalhadas dos dois cientistas, sem contar as delas também que acabam tropeçando ou escorregando em alguma coisa.
Só havia mais algumas coisas no chão e logo terminariam com tudo, e as duas garotas se impressionaram com o tamanho da sala, que parecia ter sido reduzida quando estava abarrotada de coisas e agora mostrava sua imensidão. Luly colocava algumas das varias invenções de Dok e Speed no armário quando de repente visualizou algo brilhando no chão que chamou sua atenção. Andou lentamente até ele e se abaixou para ver melhor o que era. Era uma esfera vermelha que parecia reluzir, emitindo brilhos mais suaves ao seu redor e que aumentavam ligeiramente seu tamanho.Ela parecia estar flutuando e pulsando ligeiramente encantando ainda mais a garota que não pode evitar passar as duas mãos debaixo daquele pequeno objeto deixando as mãos na firma de concha e levantando ligeiramente aquela esfera.
O contato fora ainda mais confortável, aquele objeto transmitia um calor aconchegante que ao entrar em contato com sua mãe se espalhava pelo resto do corpo, principalmente para seu rosto que estava mais próximo. Ele também pulsava, como o pequeno palpitar de um coração que parecia se compassar com o seu fazendo entrar em um ritmo só, aconchegante e alegre. Era um objeto bem pequeno, do tamanho de uma bola de gude, mas que pode causa de seu brilho ficava mais ou menos do tamanho de uma bola de tênis, o que dava a impressão de delicado e uma forte vontade de protegê-lo. Fechou os olhos prazerosamente e aproximou seus braços de seu peito, segurando com muito carinho aquela pequena esfera.
— O que você tem ai Luly? – perguntou curiosamente Anne que se aproximara lentamente de sua amiga. A mesma se levantou e se virou com um enorme sorriso no rosto. Ela fez um pequeno sinal para Anne colocar as mãos em forma de concha, a mesma sem entender fez o que ela pediu e logo viu como sua amiga colocava aquela estranha esfera em sua mão, fazendo a sensação que antes Luly sentia passar para ela. – WoW! O que é isso?
— É uma armadura de ataque. – respondeu Dok se aproximando das duas com um pequeno sorriso no rosto. – Ela tem a capacidade de aumentar mais de dez vezes a força de uma pessoa e ainda tem transmite uma sensação confortável para assim aumentar a coragem da pessoa nas missões.
— Incrível! – exclamaram as duas impressionadas e mirando muito surpresas a pequena esfera que ainda se mantinha na mão de Anne. Dok então se afastou um pouco e abriu um armário parecendo procurar mais alguma coisa.
— Tenho certeza que tem outro por aqui... – murmurou enquanto remexia nas coisas que tinha lá dentro, Luly o mirava atentamente junto com Speed enquanto Anne ainda estava muito concentrada no pontinho brilhante que tinha na mão. – Achei! – exclamou Dok, mas no mesmo instantes soltou um ligeiro grito de dor tirando rapidamente a mão de dentro levando com ela um objeto do mesmo tamanho e formato que o que Anne segurava, só que seu brilho era azul. Dok andou até onde eles estavam enquanto sacudia uma das mãos enquanto a outra carregava o objeto. – Aqui está.
Ele entrou o pequeno objeto para Luly que o pegou com todo o cuidado enquanto pareia que ele flutuava em sua mão.Primeiramente a garota ficou novamente encantada com os batimentos leves e doces que a esfera produzia, mas logo depois dirigiu sua atenção para Dok que esfregava ligeiramente a mão esquerda, ele havia tirado a luva e agora mostrava um pouco de seu pelo queimado e um pequeno ferimento na mão. A garota rapidamente deixou a esfera em uma das mesas e se dirigiu até Dok o mirando com preocupação.
— O que houve? – perguntou mirando a mão do coiote que parecia estar com uma queimadura bem feia. Alguns de seus pelos tinha sido completamente queimados enquanto outros só tinham ficado um pouco chamuscados, e na palma de sua mão estava uma mancha um pouco amarronzada que cobria toda a palma e descia um pouco para o pulso.
— Não foi nada. – resmungou o coiote aparentemente sentindo muita dor já que sua fala saíra em um murmuro forçado, como se prendesse a respiração para não gritar. – Ao parecer um dos equipamentos guardados ainda estava ligado e muito quente, então quando encostei ligeiramente nele acabei me queimando um pouco.
— Deixa eu ver. – pediu a garota pegando ligeiramente na mão do coiote e a erguendo um pouco para ver melhor, mas no mesmo instante que fez isso um brilho meio esverdeado rodeou sua mão, acabando por fim iluminando a mão do coiote também. Os outros dois que estavam de fora do acontecimento se aproximaram para ver melhor e quando os quatro presentes perceberam o machucado já estava se curando, sem deixar nenhuma cicatriz para trás, fazendo toda aquela mancha marrom desaparecer.
— Wow! Luly por que não me disse que podia fazer isso? – perguntou Anne vendo como as mãos da garota paravam de ter aquele brilho esverdeado logo depois do machucado do coiote estar completamente curado. A mesma separou suas mãos e as mirou com os olhos arregalados e sem saber exatamente o que dizer.
— P-porque e-eu não sabia que podia fazer isso. – respondeu ainda impressionada com o que acabara de acontecer. Pelo o que ela sabia nunca teve essa capacidade de cura, mas isso bem que explicava o fato de seu machucado na perna ter se curado tão rápido e seu resfriado ter passado, sem falar que nunca fora de ficar doente, por mais que ficasse exposta a alguma coisa que causasse isso, podia ser por esse poder também. – Vivendo e aprendendo.
— Isso vai te ajudar muito nas missões, afinal nunca vi se machucar tanto. – falou Anne dando uma ligeira piscada para sua amiga que corou ligeiramente e sorriu um pouco envergonhada. – Mas como posso entender vocês dois se são criptos? – perguntou Anne mirando dessa vez aos seus novos amigos.
— Porque não somos criptos. – respondeu Dok com um ligeiro sorriso fazendo as duas garotas ficarem confusas pelo fato. Elas se entreolharam e logo voltaram a ver os dois cientistas.
— Somos de outro planeta, fica a algumas galáxias do seu, um pouco longe, mas fomos contratados para ajudar a criar novas maquinas para a organização. – disse Speed com seu típico tom rápido e quase incompreendido, enquanto corria ao redor das garotas. – Muitos dos planetas do universo que tem vida admiram essa organização por defender os seres incríveis de seu planeta apesar de achar os terráqueos inferiores.
— Por muito acaso tivemos a sorte de vir para cá. – continuou Dok sorrindo ligeiramente para as duas que tinham os olhos ligeiramente abertos. Um extenso sorriso apareceu nos lábios das duas e quando já tinham aberto a boca para bombardear os outros dois de perguntas quando de repente a porta da oficina se abriu chamando a atenção dos quatro. Bem ali na porta esta Deimos com uma cara não muito amigável e indo na direção das duas garotas.
— Vocês deviam avisar quando quisessem fazer um passei pela sede. Procurei vocês por todos os lados desse lugar! – exclamou o garoto indo na direção das duas.
— E a que nos damos essa honra? – perguntou Luly com um tom divertido sem entender por que Dok e Speed ficaram tensos atrás dela. Sorriu ainda mais quando viu Deimos franzir ainda mais o cenho e a mirar de maneira reprovativa.
- Temos uma nova missão. – respondeu o garoto encarando diretamente nos olhos de Luly, sem perceber as outras pessoas que estava a sua volta. – Nick já esta esperando junto com Roger na sala do computador. Desse vez vamos ver os Lobisomens no México.
— Por que será que isso não me agrada? – se perguntou Luly em um suspiro de desanimo ao ouvir aquela palavra. Se lembrava bem Clariza era uma Lobisomem. – Já estamos indo. – logo se virou para Dok e Speed sorrindo gentilmente e entregou as pequenas esferas que ela e Anne carregavam, o coiote negou.
— Pode ficar para vocês. – falou sorrindo ligeiramente e apertando ligeiramente as esferas fazendo-as deixar sua forma original e deslizar como pequenas cobras pelos braços das garotas e pararem como um pequeno pontinho em suas testas parando de brilhar. – Os lobisomens não são fáceis de líder e talvez precisem disso.
As duas agradeceram e depois acompanharam Deimos para fora da sala se despedindo dos outros dois. Anne e Luly passaram a maior parte do caminho conversando sobre as coisas que tinham visto naquele laboratório, podiam dizer que nunca viram tantas coisas diferentes e interessantes na vida, mas ao parecer a menor dos três que andavam lado a lado não queria entrar no assunto da missão que teriam agora pela primeira vez. Anne tentava acalmá-la, apesar de também ter um mal pressentimento quanto aquela missão, mas sabia que quando sua amiga ficava paranóica ela agia de maneira um pouco diferente do que estava acostumada.
Chegaram a sala do enorme computador encontrando com Nick que já os esperava junto com Roger que se mantinha sentado na cadeira na frente do enorme teclado, onde começara a digitar logo que vira as garotas entraram junto com Deimos. Na tela começou a aproximar as imagens das Américas, chegando muito próximo do México, em uma das florestas ao sul. Uma floresta tropical densa onde poderia se esconder qualquer animal diferente, como os criptos.
— O que temos que fazer agora? – perguntou Nick mirando atentamente a área que indicava a tela do computador. A câmera com custo passava as copas das arvores que eram bem grudadas umas nas outras e de um verde escuro e viscoso, muito belo.
— Parece que eles estão tendo problemas com as pessoas de sua própria tribo. – falou Roger mostrando alguns vídeos de lobisomens atacando aos seus próprios parceiros, os olhos faiscando de insanidade, parecendo de certo modo opacos e vazios, como se estivesse inconscientes, enquanto mostravam suas presas e garras que quase sempre faziam ferimentos terríveis em seus amigos. – Quando se transformam perdem o controle e atacam a seus parceiros sem piedade, e depois quando voltam ao normal não se lembram de nada que aconteceu.
— E você quer que vejamos o que esta acontecendo e que resolvamos o problema? – perguntou Deimos de braços cruzados e mirando atentamente a tela do monitor. Roger assentiu enquanto os mirava atentamente. Deimos e Anne não pareciam se importar muito com o fato de terem que lidar com lobisomens, mas Luly e Nick já tinham uma expressão um pouco incomoda. A pequena apertava os punhos com força e tentava manter uma expressão indiferente enquanto Nick já nem se importava em contorcer o rosto em desgosto. – Então vamos.
Os quatro saíram do lugar andando lentamente pelos corredores indo na direção do tele-transporte, aquela sala estranha que tudo o que tinha era eram círculos no chão e um vidro que servia como parede e porta. Roger ficara preocupado, aquelas criaturas não eram de se brincar, e ao contrario dos vampiros não conseguiam compreender as coisas com facilidade. Eram cruéis com que não gostavam e sabia que Luly corria perigo naquele lugar por ter mexido com Clariza, mas eles era os únicos que sobravam para fazer essa missão, o grupo da mencionada anteriormente havia desaparecido desde que foram em uma missão e não deram noticias, e os outros de ranking A estavam todos em missões.
Kioro não poderia ajudá-los também, já que estava tendo problemas com seus familiares então a garota só poderia contar com seus amigos. Só esperava que Deimos não fosse tão orgulhoso para deixar a garota sozinha, ele era o único que poderia mantê-la totalmente segura.
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Queria que a terra lhe engolisse nesse instante, ou que pelo menos pudesse se esconder atrás de Anne que estava do seu lado. Mas não, tinha que ficar ali enfrentando todos aqueles olhares de ódio e raiva sobre se como se fosse a pessoa mais desalmada desse planeta. Por que agora tinha certeza que os lobisomens não gostavam nada dela. No meio daquela aldeia cheia de pessoas morenas com cabelos escuros e miradas de todos os tipos de cores, percebeu que realmente não gostava de ser os centro das atenções, afinal queria mais do que tudo desaparecer de onde estava e mesmo assim andava no centro daquilo tudo como se nada estivesse acontecendo.
Clariza sim tinha ficado com raiva. Devia ter espalhado um bocado de coisas por seus iguais e agora estava nessa situação. E quem disse que o orgulho a deixava fazer alguma coisa para sair daquele lugar? Se voltasse para a sede ou se escondesse atrás de alguém a noticia se espalharia e seria a mesma coisa e falar para a própria Clariza que tinha medo do povo dela. Sempre admitia em voz alta, era orgulhosa, como qualquer outro ser vivo. Enfrentava a humilhação de cabeça erguida como fazia aqui agora e mesmo com seu coração aos saltos seu rosto se mantinha indiferente e serio, como se fosse apenas mais uma situação costumeira, coisa que não era muito fora da realidade.
— Onde esta Clariza? – perguntou um ancião que chegava perto deles com uma bengala de madeira na mão e junto com mais duas pessoas mais jovens. O velho tinha uma barba branca que entrava em contraste com sua pele morena, já não tinha mais cabelos na cabeça e seu corpo era magro, parecendo não ter nenhuma carne mais no mesmo, sendo coberto por uma calça marrom de moletom um pouco suja e rasgada e uma capa da mesma cor que chegava a arrastar no chão.
— Ela esta ocupada em outra missão com seu grupo. Fomos os enviados para ajudá-los, algum problema? – perguntou Deimos o mirando com um olhar intimidador. Luly percebeu que todos ali se estremeceram e se encolheram no lugar, até mesmo o ancião. Ao parecer os demônios eram mais que temidos já que ninguém ousava questionar o que Deimos falava. E pensar que ela o enfrentava quase todo o tempo e não via nenhum problema nisso.
— N-não é nada disso, não tem problema algum. – disse o ancião um pouco nervoso e se afastando um pouco de Deimos, mas logo mirou as duas garotas e a Nick com um olhar acusador e cheio de asco. – Mas não esperávamos que enviassem um vampiro e duas humanas. Que por acaso tem um péssimo cheiro.
— Oye! – reclamou Anne por causa do insulto. Luly se encolheu ligeiramente em seu lugar, admirava essa coragem que Anne tinha no momento, mas sentia que ela levaria a pior nessa. – Tomamos banho hoje mesmo então não venham dizer que fedemos!
— Que garota maus ignorante! – exclamou o ancião mirando a Anne de uma maneira reprovativa.
— Você a começou com as ignorâncias. – rebateu Luly em um tom baixo, mas que todos foram capazes de ouvir. No mesmo instante as pessoas da aldeia começaram a grunhir de maneira ameaçadora para a garota que continuava com seu jeito indiferente. O ancião se aproximou e ficou bem perto de seu rosto.
— Se eu fosse você garota, ficava calada. – disse o velho bem próximo de se, sendo que ela não havia mexido ou afastado nem um pouco, fazendo aquele alito podre de carne se chocar direto com sua cara, o que era pior que o cheiro de cachorro molhado que já possuíam. A garota odiou a se mesma por ter o habito de mirar sempre nos olhos das pessoas, porque nesse momento ela fazia exatamente isso, encarando aquelas orbes negras do velho que eram carregadas de raiva por sua pessoa. – Sua opinião nesse lugar pode custar sua vida.
Luly não falou nada. Queria comentar que não podia falar nada delas já que o cheiro que possuíam já era horroroso, mas preferiu ficar calada para não atrapalhar a missão. Alguma coisa em seu interior estalou. As imagens de seus tempos na antiga escola que estudava voltaram a sua mente e isso fez seu peito apertar e a indiferença em seu rosto e em seus olhos aumentarem de uma maneira que todos seus amigos perceberam. Aquele brilho de animação que a garota normalmente tinha, aquela loucura que possuía igual a de sua amiga haviam desaparecidos virando apenas um redemoinho de tristeza e indiferença sem luz.
Deimos, que tanto estava acostumado a ver a garota apenas sorrir ou emburrar a cara de uma maneira infantil não gostou nem um pouco daquela nova face que estava vendo. Nick já se identificou na garota, por alguma razão via a se mesmo recordando de coisa que não gostava e voltando a ser o que era antes. Anne ficara mais que preocupada, queria sua amiga de volta, aquela que tanto a entendia e que a alegrava e fazia rir com as palhaçadas que ambas faziam, queria sua gêmea de volta, não queria essa capa vazia que havia ficado dela.
— Socorro! – todos deixaram de prestar atenção no que estava acontecendo no que estava acontecendo para se virar na direção de uma das entradas de floresta. Dela entrava uma garota de cabelos negros como a noite, longos, quase do mesmo tamanha do que os de Luly, alta com a pele morena e os olhos de um prata quase branco que dava a impressão de ser sega. Ela carregava com muita dificuldade um garoto que devia ser da sua idade, os cabelos de um castanho escuro bagunçado, os músculos bem formados e de estatura alta com a pele morena. Ele tinha um enorme machucado no peito que sangrava sem parar fazendo o garoto ficar cada vez mais fraco e incapacitado. – Por favor, fomos atacados por nosso companheiro logo que ele se transformou. Fomos pegos de surpresa e precisamos de ajuda!
— Deixa comigo. – disse Luly dando a volta no ancião e se aproximando do garoto que fora deixado cuidadosamente no chão pela garota que o havia trazido. Luly se ajoelhou perto o garoto que se encontrava sentado no chão com a respiração o fegante e logo começou a aproximar as mãos do peito machucado dele. – Não se preocupe. Vou te ajudar.
— Não encoste em mim! – gritou o garoto que ao ver quem estava na sua frente teve a mesma reação de ódio dos outros. Ele levou a mão direita até o rosto da garota arranhando-o com suas garras de lobo que substituíram suas unhas. Luly apenas virou o rosto para o lado, sem poder evitar o golpe, fazendo com que o arranhão rasgasse seu rosto desde perto da orelha até o inicio da boca.
Anne soltou uma exclamação de surpresa junto com seus amigos, enquanto os outros lobisomens ali perto riam ligeiramente. Luly tinha a franja de seu cabelo solto tampando seus olhos enquanto sentia o sangue quente escorrer pelo mesmo tomando velocidade lentamente. Deimos e Nick tamparam os narizes na hora para evitar a tentação do sangue enquanto Anne vez menção de ir até a amiga, a mesma apenas levantou a mão pedindo para que ficasse no lugar e logo virou a cabeça na direção do garoto ainda com a franja tampando seus olhos.
Ele resistiu mais um vez, levando uma mão até o pescoço da garota e o apertando levemente. Luly apenas ignorou o fato e levou a mão até o peito do garoto fazendo suas mãos adquirirem aquele mesmo brilho verde que tivera com Dok e começar a fechar lentamente a ferida que o licantropo tinha no peito. Todos ali, exceto Anne que já tinha visto isso, ficaram impressionados com a capacidade tão rara da garota. Até mesmo o garoto ficara tão surpreendido com o sumiço repentino da dor que soltou o pescoço da garota que tossiu algumas vezes por causa do tempo que tinha ficado sem poder respirar.
Todos estavam boquiabertos com o que havia acontecido, no peito do garoto só haviam as manchas de sangue que tinham saído antes, não tinha mais nada que indicasse que havia se machucado, nem mesmo cicatrizes. Luly passou a mão levemente pelo pescoço e se levantou passando a manga de sua blusa negra pelo rosto tirando um pouco do sangue do mesmo mostrando que os cortes já estavam desaparecendo e logo mirou a todos com um olhar frio e indiferente que nem mesmo Deimos ou Nick conseguiam fazer algum dia.
— Mais alguém precisa de curar alguma ferida? – perguntou a garota olhando em volta. Todos se entreolharam e logo começaram a aparecer varias pessoas com feridas de mordidas, arranhões profundos, braços quebrados entre outras coisas, cada um com uma má vontade aparente em se aproximar daquela garota, mas sabiam que só assim poderiam estar curados.
Anne mirava o que sua amiga virara com tristeza. Perguntava-se o que teria acontecido para ela ter se tonado aquilo, mas tinha a impressão de que sua gêmea não ter contado tudo para ela nesses anos que se conheciam. Serrou os punhos com força, queria fazer alguma coisa, queria tirar ela daquele lugar onde todos estavam danificando-a, tanto física quanto emocionalmente, mas sabia que ela era orgulhosa de mais para dar um passo a trás, mesmo que fosse para seu próprio bem.
— O que houve com você Luly? – murmurou enquanto via como ela ajudava cada pessoa que aparecia levando como retribuição um empurrão ou um enorme arranhão, mas ao parecer a garota nem se importava. Os olhos se encheram de lágrimas e a vontade de ir até ela e arrastá-la até um lugar isolado para que pudesse conversar a tentava mais do que conseguia imaginar, mas antes que pudesse dar um passo alguém colocou a mão em seu ombro a prendendo no lugar, virou o rosto e se encontrou com o rosto serio de Nick. – Por que ela esta desse jeito?
— Não sei. – disse o garoto mirando na mesma direção que sua parceira, enquanto Deimos se aproximava lentamente. – Talvez essa situação que esta passando nesse momento a lembre de algo que tentou escapar no passado e por isso ela se tornou assim. – no mesmo instante que Nick terminou de falar Luly levou mais um murro no rosto sendo jogada no chão com o lábio ligeiramente ferido, mas ela apenas limpou a ligeira gota de sangue que escorria e voltou a curar aqueles que estavam ali. – Talvez, com a tentativa de Clariza de excluir a garota ela tenha criado uma coisa que nem ela mesma pretendia. Uma garota sem emoções.
— Tenho que trazê-la de volta. – disse Anne começando a andar na direção da amiga, mas Nick segurou seu braço com um pouco de força e negou um pouco com a cabeça. – Dessa vez não Nick. Se tivéssemos ido salvá-la quando eu falei na ultima missão ela talvez não teria se machucado ou viçado resfriada, não vou deixar de ajudá-la dessa vez!
— Não é isso Anne. – resmungou ele. – É só que... Não sei se é uma boa idéia falar com ela agora. Olhe como ela esta, não parece dar atenção a ninguém e mesmo sendo você a que vai falar com ela duvido que ela escute.
— Não custa nada tentar. – disse Anne soltando seu braço e indo na direção de sua amiga, que continuava com seu trabalho. – Luly! – chamou ficando do lado da garota que não a mirou nem mesmo para ver quem era. – Precisamos conversar.
— Anne, estou meio ocupada e não acho que seja necessário conversarmos nessa hora. – respondeu a garota ainda com seu trabalho, sem se importar com os insultos que eram lançados em sua pessoa. – Por favor, vá descobrir o que esta acontecendo aqui, isso é mais importante.
— Não Luly! Você é mais importante! – gritou a garota sem nenhuma intenção de arrastar o pé de onde estava. No mesmo instante Luly terminara de curar um dos lobisomens da fila e o mesmo dera um forte chute no peito da garota, a lançando fortemente para trás e se não fosse Anne para segurá-la ela provavelmente teria batido com força a cabeça no chão. – Ei! Ela estava te ajudando, seja mais agradecido!!
— Ela não merece isso de nós. – respondeu o garoto dando as costas para as duas e andando para longe. Anne estava preste a ir atrás dele para falar umas poucas e boas ou até mesmo mostrar a ele que devia se respeitar as pessoas quando Luly segurou levemente sua mão enquanto levantava lentamente, sem a mirar.
— Por favor, Anne. – pediu a garota enquanto sua amiga a mirava de maneira preocupada. – Vá ver o que esta acontecendo e me deixa aqui. Não me importo com o que esta acontecendo.
Anne ia dizer mais alguma coisa, mas Luly foi até onde o próximo ferido estava e não deixou a garota se pronunciar mais. Tristemente, Anne se afastou sem deixar de mirar preocupada o que agora era sua amiga. Ela foi na direção de Deimos e Nick que miravam a tudo com tristeza, nunca imaginaram que veriam algo desse tipo.
— Vamos, temos que saber o que esta acontecendo. – falou Nick se virando tristonho dando as costas para o que estava acontecendo e indo na direção do ancião que os havia “recebido” quando chegaram. Anne e Deimos fizeram o mesmo com um pouco mais de hesitação, todos os três sentiam uma raiva de todos os lobisomens presentes, aqueles que transformaram sua amiga no que era agora. – Senhor. – chamou Nick quando chegou perto do ancião, o mesmo se virou para vê-los e mirou a Nick com um pouco de desconcerto. – O que esta acontecendo aqui exatamente?
O velho parecia pronto para dar uma má resposta quando olhou para Deimos e viu o quanto furioso o garoto estava. O corpo praticamente esquelético do velho se estremeceu e ele logo chamou uma mulher que estava mais próxima dele e logo ela chegou com um pequeno garoto de mais ou menos sete anos grudado a seu corpo. Anne e Nick se abaixaram para analisar melhor a criança e logo eles perceberam uma coisa muito peculiar. Uma espécie de cólera metálica cheia de luzes presa no pescoço da criança. Os dois se entreolharam e logo Anne se aproximou do pequeno fazendo que em sua pulseira aparecesse o raio lazer.
- O que vão fazer com meu filho?! — perguntou a mulher prestes a se aproximar e tirar seu filho de perto dos dois, mas Deimos a impediu com um olhar penetrante e mal humorado. A mulher se encolheu e se afastou um pouco, intimidada pelo demônio.
— Eles vão tirar a causa de todo o problema de seu filho. – respondeu Deimos vendo como Anne levantava ligeiramente a cólera que tinha no pescoço do garoto e ligando o lazer que deu direto no pedaço de metal. Ficou por alguns minutos assim, mas ao desligarem o aparelho perceberam que não tiveram o menor efeito naquela coleira. – É mais resistente que a outra.
— Ao parecer eles aprenderam desde a ultima vez. – resmungou Nick se levantando enquanto Anne ainda mirava atentamente a cólera. Tinha alguma coisa nela que não lhe agradava. – Será melhor pedir para todos que a tem não se transformarem por enquanto até arrumarmos uma maneira de tirar isso deles.
— Mas o que é isso exatamente? – perguntou o velho mirando a cólera no pequeno com atenção. O mesmo correu até sua mãe e a abraçou com força.
— São equipamentos criados pela empresa Evil para controlar os criptos. – respondeu Deimos cruzando os braços e com o olhar perdido na floresta a sua frente. – Ao parecer quando vocês estão na forma humana eles não te afetam, mas quando se transformam eles podem controlar cada ação que fazem.
— Então não podemos nos transformar? – perguntou o ancião um pouco desconfiado, mas Deimos assentiu e o mirou de uma maneira raivosa percebendo o tom de desconfiança na voz do velho.
— Todos aqueles que tem as coleiras não podem se transformar até acharmos uma maneira de tirá-las. – falou Deimos e logo se virando para seus parceiros que também se encontravam pensativos. – Temos que procurar todos aqueles que têm cóleras e dar o aviso.
— Você fala para aqueles que estão aqui, eu e Anne procuraremos dentro da floresta aqueles que estão desavisados. – falou Nick segurando levemente o braço de Anne e a puxando para dentro da floresta enquanto Deimos se preparava para dar a noticia ao pessoal da vila.
Enquanto caminhava Anne tinha um tanto de perguntas na cabeça. Primeira: Por que a Evil estava mandando os lobisomens atacarem uns aos outros? Segunda: O que dera em Luly para ela estar desse jeito? Terceira: Por que todos tinham tanto medo de Deimos? Quarto: Por que todos ali tinham tanta raiva de sua amiga? Quinto: O que Clariza fez para ser tão importante para eles e fazerem eles acreditarem em tudo o que ela fala? E mais um bocado de perguntas mais.
— Sei que esta querendo perguntar algumas coisa e não me incomodo nem um pouco em responder. – falou Nick a seu lado. Ele percebera as caras de confusão que Anne fazia e sabia que a garota estava mais perdida que tudo naquele momento.
— Por que a evil esta mandando os lobisomens atacarem uns aos outros? Isso não faz sentido. – disse a garota já um pouco mais aliviada por poder falar o que pensava.
— Acho que é porque assim eles os tornam fracos para assim capturá-los depois. – respondeu Nick não muito confiante do que dizia.
— O que a Clariza fez para todos acreditarem tanto nela? – perguntou, só que dessa vez trincando os dentes de raiva. Se por acaso encontrasse aquela garota ela mesma daria o que ela merecia.
— Ela conseguiu resolver varias missões quando ainda era uma iniciante igual a você e a Luly. Por isso muitos confiam nela e acreditam que ninguém pode superá-las, até vocês chegarem. – falou, sendo que as ultimas palavras saíram quase como um murmuro.
— E por que todos temem tanto a Deimos? Não vejo nada de assustador nele. – voltou a perguntar Anne mirando curiosamente Nick que olhava para frente com os olhos perdidos.
— Só passei a conhecê-lo quando entramos na OPM, mas os demônios são temidos por todas as criaturas mágicas por serem devoradores de almas. – respondeu Nick um pouco tenso. – Eles são como os varredores do planeta, as almas que não podem reencarnar eles a devoram poupando um acumulo desnecessário. Mas por sua natureza normalmente cruel eles não só devoram almas errantes, mas retiram de qualquer ser vivo que quiserem.
— Mas Deimos não é assim é? – Anne estava preocupada. Luly era muito próxima a Deimos, podia notar pelo olhar dela que ela gostava da presença do garoto apesar dos dois sempre discutirem. Não queria que sua amiga corresse perigo.
— Não, bom... acho que não. – Nick não parecia muito confiante no que dizia agora. Ele abaixou o olhar e suspirou. – Não sei muito sobre Deimos. Ele chegou na OPM antes de mim e ficamos amigos depois de um tempo, mas ele nunca me contou sobre seu passado. Toda vez que alguém menciona o assunto ele se esquiva rapidamente. Ao parecer ele não gosta muito do que foi ou do que passou antes de entrar na organização.
— Com a fênix, ela disse que não era muito comum ter Demônios e vampiros na organização, por que?
— Por que essas duas raças são problemáticas. Os vampiros adoram causar confusão e, apesar de não terem alma, são de espírito livre, não gostam de seguir ordens. Os demônios são solitários e quando andam em grupo tudo o que se surge é desastre. Sua natureza é maligna e não são capazes de ajudar ninguém. Eu e Deimos somos exceções a regra. – falou em um suspiro e logo olhou para cima vendo como o céu já se escurecia e a lua começava a pairar sobre suas cabeças. – Droga! Está anoitecendo!
— Qual o problema? – perguntou Anne não entendendo a preocupação do garoto.
— Os lobisomens quase nunca conseguem resistir a se transformar nesse horário, é como se a lua os hipnotizassem. – falou rangendo os dentes de raiva. — Temos que encontrar os outros componentes da tribo antes que as coisas piorem.
— Que tal nos separarmos? – ofereceu a garota inocentemente. Nick a mirou de maneira reprovativa e mal humorada. – O que?
— Você pensa mesmo que vou te deixar perambulando por uma floresta dessas a noite, sozinha e com vários lobisomens perigosos controlados pela Evil por ai? – perguntou o garoto com um tom de desconcerto. – Sem chance.
— Se ainda não notou eu sei me defender sozinha, e tenho meus equipamentos para me ajudar. – rebateu a garota apressando o passo e parando na frente do garoto e o fazendo parar também. – Eu vou ficar bem, sem falar que conseguiremos cobrir uma área maior.
O garoto pareceu parar para pensar um pouco, mas ao olhar para os olhos suplicantes da garota não soube como dizer não. A palavra de negação parecia ter saído de sua mente e tudo que pode dizer foi um “tudo bem”. A garota logo desapareceu atrás das densas arvores e no mesmo instante bateu com força a mão em sua própria testa. Como poderia se deixar cair tão fácil? Nunca dera o braço a torcer então por que com aquela garota era diferente?
Estava precisando de um psicólogo urgente.
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Já tinha terminado de anunciar o que todos tinham que fazer e agora estava sentado encima de um tronco apenas olhando Luly acabar de curar os feridos que ainda restavam. Se segurava para não ir lá dar umas boas lições para esses lobisomens, mas isso só arrumaria problemas para eles e não podia arriscar estando sem poderes. Olho para o céu sombrio divagando em pensamentos de sua vida antes de entrar na OPM. Será que eles ainda se importavam com ele? Como estaria tudo por lá?
— Ai. – olhou para o lado e viu como Luly sentava do seu lado cheia de machucados. Eram de hematomas a arranhados, todos se curando lentamente sem deixar nenhuma marca em seu corpo, mas a garota ainda sentia dor, podia ver em seus olhos. Prendeu rapidamente a respiração logo que o cheiro do sangue dela chegou até seu nariz, era tentador de mais para ignorar.
— Não devia deixá-los fazerem isso com você. – falou em um tom reprovativo tentando ignorar o cheiro doce do sangue dela. Desde que fora selado não bebia nem uma gota de sangue e nem comia uma alma e ao parecer o selo começava a se abrir já que ele agora podia ver ligeiramente a aura da garota a rodeando com leveza. Ela deu de ombros sem dar muita importância e sorriu com tristeza. – Por que esta agindo desse jeito? Você não é assim!
— E você me conhece? – perguntou a garota se virando para vê-lo com aqueles olhos frios e indiferentes que perderam todo o seu brilho. O rosto da garota podia ter um sorriso, mas ele era irônico e sem brilho. Ela estava opaca, sem nada por dentro.
— Te conheço o bastante para saber que essa não é sua atitude costumeira. – respondeu ignorado o fato do sangue dela e de sua aura a mirando atentamente. Aquele sorriso irônico desapareceu e ela desviou o olhar virando o rosto para o chão. – O que houve para você ser tão afetada por esses lobos idiotas?
— Quando eu ainda estudava em uma escola da minha cidade. – começou ela em um tom distraído, como se ela falasse sem nem mesmo perceber. – Eu cheguei nela como uma desconhecida, e mesmo com o passar dos anos eu me sentia assim o tempo todo. Como uma desconhecida para eles. Era como se não fizesse parte daquele lugar e isso mês afastava de todos, chegou ao ponto de eu não conseguir me encaixar nem mesmo perto da minha família. Comecei a me sentir uma estranha naquele mundo e o único conforto que encontrei foi escrevendo essas minhas historias. Mas quando vim para cá e todos me olharam dessa maneira eu me lembrei dos momentos que fiquei excluída das pessoas, do momento em que eu era apenas uma peça que não fazia parte do quebra-cabeça.
— Mas você tem a gente. – Deimos passou o braço ao redor do ombro da garota e a mirou com carinho, uma coisa rara sabendo o que era. – Você tem a Anne que faria tudo para te ver sorrir. Você tem o Nick que mesmo não demonstrando se preocupa com você. Você tem a mim. Eu me preocupo com você e estou aqui para te ajudar. Não ligue para essas pessoas que estão te fazendo se sentir dessa maneira.
— Não é tão fácil assim Deimos. – comentou a garota com um sorriso triste no rosto. – Sabe? Eu queria ser como você. As pessoas te respeitam, não te acusam de nada e sua palavra é como uma ordem cheia de verdade e sentido para todos. Ninguém nunca me entendeu e nunca me escutou. Sempre falei com as paredes.
— E eu queria ser um humano normal. – confessou o garoto. – Queria que as pessoas parassem de me mirar com medo e tentassem saber quem sou de verdade. Queria que discutissem comigo, me falassem que estou errado, como você faz quase sempre.
— Ridículo. – falou Luly em uma gargalhada sem humor. – Eu que sempre te irrito e você quer que todos façam o mesmo? Não te entendo.
— Talvez me entendesse se pudesse voltar ao seu lado normal e pensar direito. – falou o garoto um pouco irritado se separando da garota que não fez questão nenhuma em reclamar ou dizer mais alguma coisa.
O silencio se tornou incomodo e Deimos se sentia cada vez mais tentado em beber o sangue da garota a seu lado. A raiva e a preocupação o haviam distraído, mas agora não tinha mais nada que o fizesse. A garota a seu lado parecia não estar mais em esse mundo. Seus olhos opacos estavam perdidos em algum ponto. De repente alguém pigarreou chamando a atenção dos dois que levantaram a cabeça para ver quem era. Deimos rangeu os dentes ao ver a garota que aparecera com o garoto que quase enforcou Luly, ela mexia os dedos das mãos nervosamente e desviava o olhar algumas vezes.
— Você foi uma das garotas que libertaram os criptos na cordilheira dos Andes não foi? – perguntou a garota nervosa e não conseguindo mirar diretamente os olhos dos dois que estavam ali.
— Sim, foi eu e minha amiga. Por que? – falou Luly mirando inexpressivamente a garota. Deimos grunhiu, nesses momentos ela normalmente miraria a garota com confusão enquanto um singelo sorriso apareceria em seu rosto, mas não, ela estava daquela maneira. Daquele jeito morto.
— Eu queria agradecer. Era uma das que estavam presas lá e graças a você consegui escapar. Muito obrigada mesmo. – disse a garota fazendo uma pequena reverencia na direção de Luly que continuava da mesma maneira.
— Não foi nada, apenas fizemos o nosso trabalho. – falou sem dar importância e se levantando do tronco que estava sentada. – Se me dão licença vou descansar um pouco.
Deimos olhou a garota se afastar e logo deu um forte murro no chão assustando a garota que havia ficado. O garoto levou as duas mãos a cabeça e removeu fortemente seus cabelos com desespero. O que faria para fazer essa garota voltar ao normal?!
— Mas que droga! O que vocês fizeram com ela?! – gritou mirando com raiva a garota a sua frente que tremia de medo. – O que a Clariza falou para vocês a tratarem dessa maneira?!
— E-ela d-d-disse p-para t-t-todos q-que ela t-t-tinha i-i-insultado a t-t-todos os l-l-l-lobisomens. – falou a garota em gaguejos. Deimos ficou ainda mais furioso. Quando encontrasse essa maldita garota faria questão de matá-la com suas próprias mãos.
*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?
Caminhava tranquilamente pela floresta procurando qualquer sinal de vida. Já havia anoitecido e agora a única coisa que iluminava o caminho era uma lanterna que havia encontrado em sua mochila. Não tinha medo do escuro e tão pouco andar naquela floresta sozinha, mas não queria encontrar nenhum animal venenoso ou perigoso, claro que os insetos eram os que mais incomodavam.
De repente ouviu o barulho de alguma coisa se rompendo, como se alguém tivesse pisando em um galho. Virou-se rapidamente e apontou a lanterna para todos os lados, procurando alguma coisa que pudesse ter feito esse barulho. Mas nada encontrou, talvez fosse apenas sua imaginação lhe pregando uma peça. Se virou para continuar seu caminho, mas logo que o fez se deparou direto com a cara de um enorme lobo de pelagem negra e os olhos de um vermelho vivo e perigoso. De tão perto que seu rosto estava do dele, podia sentir o hálito fétido que tinha sem falar das rajadas quentes vindas de sua respiração.
Aquele enorme lobo logo levantou uma pata e tentou atingir seu rosto, mas conseguiu se abaixar e desviar do forte golpe, pena que não teve tanta sorte com o próximo e acabou sendo lançada para trás e atingindo suas costas em uma arvore. Ficou um pouco atordoada, mas conseguiu ver ligeiramente a pata do lobo se dirigir em sua direção novamente e com um rápido movimento ela se abaixou fazendo as garras do lobo atingirem o tronco da arvore e ficarem presas no mesmo.
Começou a engatinhar para longe, mas o lobo percebeu e, sem conseguir tirar as garras da arvore mordeu a gola da blusa de Anne a lançou para trás fazendo com que batesse novamente as costas em uma arvore, só que dessa vez a garota bateu a cabeça com força no tronco da arvore, fazendo perder lentamente a consciência. Pode ver de uma maneira um pouco borrada como o enorme lobo tirava suas garras da arvore e ia em sua direção. Tudo que soube antes de desmaiar completamente foi que o lobo mordeu novamente a gola de sua blusa e a ergueu do chão, logo depois tudo que viu foi negro.
*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?
Estava preocupado. Nick e Anne ainda não tinham voltado e já estava na metade da noite e não era boa idéia ficar na floresta nesse horário. De repente varias pessoas gritaram e quando voltou a ver o que era se espantou ao ver um lobisomem transformado carregando Anne, desmaiada, em seus afiados dentes. O mesmo se sacudiu um pouco e logo lançou Anne para o lado fazendo a garota bater as costas em uma arvore ali perto.
Ficou em uma posição defensiva e logo viu que Luly fazia o mesmo, mas antes que pudessem fazer qualquer coisa vários outros lobisomens começaram a aparecer, rodeando os dois e mais algumas outras pessoas que não se viam capaz de machucar a seus parentes ou amigos. Em um desses aparecimentos veio Nick que lutava para se defender de um dos ataques de um dos lobisomens. Tinham que fazer alguma coisa antes que a situação piorasse.
De repente Luly tirou aquele pontinho azul que tinha na testa e o apertou com força fazendo o mesmo reluzir de uma maneira incrível e logo rodeou o corpo da garota, envolvendo-o em uma armadura azul que cobria todo seu corpo e era justo no mesmo. Ele também cobria a cabeça da garota, formando uma espécie de capacete que tinha um vidro negro na frente, tampando o rosto da mesma. Ela logo ligou as botas que usava e que não tinham seus propulsores tampados e deslizou na direção do lobisomem que havia atacado Anne. Deu um forte murro no mesmo o fazendo ser lançado para longe e foi na direção de sua amiga, mas antes que pudesse chegar perto da mesma um lobisomem se lançou contra ela a derrubando e se colocando encima dela, tentando mordê-la.
— Anne! – gritou tentando acordar a amiga que estava a apenas alguns metros de onde estava. Seu braço direito estava no inicio do pescoço do enorme lobo encima de se e tentava o máximo possível impedi-lo de aproximar os afiados dentes de seu rosto que estava a apenas alguns centímetros de distancia. – Anne acorda!! – gritou ainda mais alto e dessa vez conseguira acordar a garota que ainda parecia um pouco atordoada. – Pega a esfera que o Dok nos deu e ajuda aqui!!
Anne sacudiu a cabeça tentando recuperar o foco e logo tirou o pequeno objeto da testa apertando-o com força. A mesma coisa que aconteceu com Luly aconteceu com Anne, só que a armadura que envolveu a garota era da cor vermelha ao invés de azul. Ela logo se levantou e deu um forte murro no lobo encima de sua amiga, a ajudando.
Estavam em desvantagem, isso era obvio, e tinham que resolver o problema o quanto antes. De repente Luly se lembrou do que havia acontecido com seus equipamentos enquanto estavam no labirinto do minotauro e talvez encontrara a solução do problema que tinham no momento. Rapidamente se afastou um pouco da briga e começou a mexer nos botões que tinham no braço de sua armadura.
— Achei! – exclamou, mas logo um grito de cuidado a tirou de sua felicidade e tudo o que sentiu depois foi alguém a empurrando para o lado. Era Anne que percebera que um dos lobisomens fora atrás de sua amiga que estava distraída de mais para perceber, então a empurrara recebendo todo o golpe que a lançou para longe.
Luly mirou sua amiga com a respiração agitada e antes que pudessem ser atacadas mais uma vez apertou o botão que queria, lançando uma onda eletromagnética que fez todas as cóleras desligarem e se abrirem caindo do pescoço de cada um dos lobisomens que as tinham. A luta logo parou e todos aqueles que antes estavam sendo controlados miraram a todos os lados confusos, sem entender o que estava acontecendo.
Luly desfez sua armadura e correu até Anne que estava caída no chão com sua armadura já de volta aquela esfera vermelha de antes. A sentou com cuidado e logo começou a usar seus poderes para curar as feridas que tinha.
— O que eu falei sobre não fazer uma coisa dessas?! – gritou de maneira reprovativa, mas tudo o que Anne podia ver eram aqueles olhos ainda opacos sem a conhecida animação que costumavam ter. – Você poderia ter se matado Anne! As coisas não são como nos jogos que você pode começar tudo de novo se morrer! Se alguma coisa acontecesse...
Antes que a garota pudesse continuar seu sermão um forte tapa foi proferido em seu rosto a fazendo virar o rosto com os olhos arregalados. Nick e Deimos que se aproximavam para ver se estava tudo bem pararam na hora, surpresos com o que acontecera. Anne ainda tinha a mão levantada e mirava irritada sua amiga que virava lentamente o rosto de volta para o lugar e levava uma mão até a área que ardia por causa do forte tapa.
— Mas o que... – Luly não conseguia completar a frase, não entendia a atitude de sua amiga nem mesmo a razão do tapa. A mirou direto nos olhos e viu como os mesmos estavam marejados, com as lágrimas prestes a sair.
— Eu quero minha amiga de volta. – disse Anne mirando atentamente Luly que ainda não entendia o que estava acontecendo.
— Do que você esta falando? Eu estou bem aqui! – falou um pouco irritada e confusa. Anne negou com a cabeça e logo as lagrimas começaram a sair.
— Não, você não está. Você sumiu a partir do momento que chegamos aqui. – respondeu Anne mirando com tristeza sua amiga que ainda não compreendia do que se tratava.
— Você ficou maluca Anne?! Eu não fui a lugar nenhum! Eu não sumi! – gritou frustrada.
— Então cadê a alegria que você tinha nos olhos?! – gritou Anne de volta fazendo sua amiga se calar e arregalar os olhos. Era disso que se tratava? Do jeito que ela estava agindo? – Cadê a garota que a pouco tempo estava rindo e se divertindo comigo naquele laboratório lá na sede da OPM?! Onde está a garota que me fazia rir e gostava de implicar com o Deimos?! Onde esta aquela garota doida e tão parecida comigo?! Onde está minha gêmea?!
— Anne... eu... – Luly não sabia o que dizer, via as lagrimas escorrendo pelo rosto de sua amiga e não podia acreditar naquilo. Sabia o quando ela odiava chorar, o quanto achava que isso era uma fraqueza, e la estava ela, chorando e quase suplicando que voltasse a ser o que era antes.
— Não me importo com o que esses idiotas dessa vila pensam de você! Não me importa o que Clariza disse para fazer todos te mirarem dessa maneira! Eu só sei que não quero que você fique desse jeito, não quero te ver dessa maneira! – gritava a garota segurando fortemente o ombro de sua amiga que ainda estava atordoada, mas sentia as lágrimas começarem a acumular em seus olhos. – Quero que você tenha o brilho de alegria de novo nos seus olhos! Eu quero você de volta! Não sabe o quanto me dói, o quanto me incomoda ver que esta sofrendo dessa maneira e se antes você me apoiou em meus momentos de crises agora é a minha vez! Estou aqui para te ajudar, estou aqui para te ouvir! Seja o que for que esteja te fazendo ficar dessa maneira eu estou aqui para te ajudar! Não precisa carregar tudo isso sozinha!
Anne então começou a chorar com força, enquanto segurava com força os ombros de sua amiga. Agora era a vez de Luly chorar. Era complicado uma lagrima escorrer de seus olhos, quase nunca a garota chorava, mas nesse momento as lagrimas saiam como se seus olhos fossem uma torneira aberta e com um grande impulso abraçou sua amiga com força enquanto ela retribuía o abraço.
— Desculpa. – sussurrou enquanto as lagrimas ainda saiam e tentava conter os soluços. – Eu não queria machucar ninguém com isso. Eram problemas do meu passado, eram apenas fantasmas de uma época distante. Não devia ter misturado isso com o presente. Sinto muito, realmente sinto muito.
Deimos e Nick apenas observavam tudo de longe sorrindo ligeiramente ao ver que agora tudo tinha voltado ao normal. Deimos soltou involuntariamente um suspiro de alivio que não passou despercebido por Nick que sorriu ainda mais ao ver seu amigo mais calmo.
*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?*?
Já era hora de irem embora, sabiam que não receberiam nenhum agradecimento pelo o que tinham feito, mas mesmo assim a sensação boa que tinham de ver todos ali bem já era tudo o que precisavam. Luly tinham voltado a sorrir com sinceridade sendo ela mesma com o brilho de alegria e loucura nos olhos, o que era um alivio para os amigos. Agora só tinham que apertar um botão para irem para casa e tornar essa apenas mais uma missão das que já tinham resolvido.
— Esperem! – os quatro miraram curiosos quem os chamaram e viram a mesma garota que tinha agradecido Luly antes pelo o que fizera na Cordilheira dos Andes. Ela tinha um enorme sorriso no rosto e parou na frente dos quatro com a respiração um pouco agitada. – Queria agradecer em nome de todos aqui a ajuda que nos deram, e pedir desculpas pelos problemas que causamos a vocês. – disse ela mirando ligeiramente a Luly que tinha um singelo sorriso no rosto. Ela logo pegou a mão da pequena e colocou na mesma um pequeno pingente que tinha o formato de um lobo parecendo estar uivando para a lua. – Sei que não é muito, mas é uma maneira de mostrar o quanto agradeço a vocês. Principalmente a você que salvou a vida do meu marido apesar dele tentar te matar.
Luly sorriu constrangida e sussurrou um “não foi nada”. Logo a garota se afastou e acenou com a mão um adeus para os quatro que logo se tele-transportaram de volta para a sede com mais uma missão cumprida.
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