Opheliac

3 As verdades


Notas iniciais
Mal consegui distinguir seu nome no crachá. Aliás, não me lembro dele. Somente o calor em meus pulsos que pareciam ainda aquecidos. E seus olhos, verdes como uma esmeralda. Uma linda e acolhedora esmeralda.

" Uma das primeiras verdades que precisas saber, são que as mentiras reinam neste mundo." — lollipoop.


A luz da lua entrava lentamente pela janela do quarto...

Branca.

Linda devo acressentar.

Levantei-me da cama muito rapidamente. Mal pus os pés no chão e a tontura me atingiu. A dor era praticamente um baque em sua cabeça.

- Onde pensa que vai? – Ouvi a voz do D.r Stevens ressoar atrás de mim.

Voltei-me a cama.

- O que aconteceu? – Eu perguntei o fitando.

Ele sorriu.

- Pena que terei que apresentar seu enfermeiro novamente. – Ele disse coçando a velha barba.

- Pensei que fosse talvez a Annia, voce mesmo disse que seria ela por enquanto, e... – Eu disse levantando as sobrancelhas.

- Ele chegou ontem mesmo. – Ele me interrompeu ainda sorrindo. – E bem na hora certa... Pontual o rapaz, não?

Eu revirei os olhos me apoiando na cama. Certamente na hora em que precisei, lembrar-me de agrade-lo, ou... Talvez não, esse é seu trabalho, sua responsabilidade.

Mal consegui distinguir seu nome no crachá. Aliás, não me lembro dele. Somente o calor em meus pulsos que pareciam ainda aquecidos. E seus olhos, verdes como uma esmeralda, uma linda e acolhedora esmeralda.

- O que foi dessa vez? – Ele perguntou se remexendo inquieto no sofá branco.

- Não entendi. – Eu disse coçando o braço e dando um bocejo.

- O que foi dessa vez? – Ele dizia olhando para o teto. – O que você viu?

Eu sorri sem humor. A risada meio baixa deu um ar macabro ao cômodo.

O quarto inteiro foi tomado por um silencio incomodo. Vi o D.R se remexer na cadeira e resolvi acabar com a tortura.

- Vi o de sempre. – Eu disse bocejando.

Ele ficou quieto por um momento.

- Resuma o termo “o de sempre”. – Ele disse prestando total atenção em mim. Não queria assustá-lo com minhas visões excepcionalmente sanguinárias, cruéis e repugnantes. Mas se assim o quisesse, eu não me importaria, afinal faz parte, ele é meu médico e é um piscicologo, nada mais justo.

Por mais que entenda a preocupação dele por meu estado, e a vã esperança dele de que eu saia da Gestalt, ainda não posso dizer toda a verdade. Isso seria me atirar em uma morte definitiva, uma morte na Gestalt.

Mas mesmo assim, eu tinha que falar, se algum dia eu tenha a mais remota esperança de sair da Gestalt, tenho que contribuir o máximo possível.

- Pessoas sendo assassinadas semanalmente. – Eu disse fixando o olhar na janela.

- Assassinadas... – Ele refletiu.

Eu suspirei olhando a lua completamente cheia e brilhante por trás do vidro fino na janela.

Não sou covarde, não me escondo, não fujo de minhas visões...

Mas as vezes acho que é pelo simples fato de não poder...

- Como?

- O que disse? – Eu perguntei confusa.

- Como são assassinadas. – Ele disse.

Eu suspirei pesadamente. Ele me olhava atento e desconfortavél, essa conversa de doidos não foi feita para uma pessoa como ele.

- Pergunta errada doutor. – Eu disse em reprovação. Não só por que se constasse as brutalidades que vejo, desencadeariam as visões novamente, mas eu na queria alarmá-lo antes do tempo.

Ainda era cedo, eu sentia, ainda não vi metade do que estava sendo reservado a mim.

- Então qual é a pergunta? – Ele ficou impaciente.

- A pergunta é por que. – Eu disse fingindo o movimento do piano no ar, uma brincadeira que adorava. – Mas infelizmente não sei responde-la. Nenhuma das duas.

O silencio voltou.

- Ophelia... – Ele disse. – Querida queria muito poder ajudar...

- Não confia. – Eu disse parando de tocar as notas no ar.

- Do que esta falando? – Ele perguntou.

- Não confia, ou acredita em mim. – Eu disse me agarrando ao fino dorsel da cama. – E fica difícil assim, tanto pra mim quanto pra você. Para você entender os meus problemas precisa confiar em mim, e se não confia. Bom, eu também não confio o suficiente em você.

O silencio reinou por muito mais tempo dessa vez. Ele ficou somente me fitando com aquela cara de preocupação.

Estevens é o típico diretor de hospital. Ele mal sai de Gestalt e quando sai é pra alguma conferencia. Longe realmente longe, fico com saudades e toco todo dia para ele, mesmo que não esteja aqui. Certamente um comportamento de louca, já estou até me acostumando com essa condição...

É... estou no caminho certo.

- Tem razão Ophelia. – Ele disse. – Mas me entenda...

- Já tentei, tento todo dia... – Eu disse com a voz embargada de repente. – Mas já perdi as esperanças. Ninguém acredita mais na minha palavra. Quem acreditaria em uma louca?

Ele suspirou.

- Não repita isso. – Ele disse caminhando até mim. – Sempre há uma solução.

- Onde está a minha? – Eu perguntei. – Por que ela ainda não veio?

- Por que é você que tem que ir atrás. – Ele disse beijando minha cabeça. – Não deixarei você desistir. Prometo.

Eu assenti. Ele sorriu.

- Querida tenho um compromisso. – Ele disse olhando o relógio que mostrava um brilho diferente do que vi hoje pela manhã. – Não vou poder ficar.

Eu assenti.

- Relógio novo? – Perguntei sinalizando com a cabeça para o relógio.

- Sim, ganhei ontem à noite. – Ele disse sorrindo.

- De quem? – Perguntei curiosa.

- Uma amiga. – Ele disse.

Eu gargalhei.

- Uma amiga... – Eu repeti piscando. – E por acaso esse compromisso tem haver com essa amiga? Por que voce sabe... Eu adoraria, sabe? Conhece-la melhor...

- Voce quer saber demais... – Ele disse saindo na porta.

O baque surdo da porta fez com que meu coração apertase.

Muito pelo contrário , esses acontecimentos me fizeram desejar a ignorancia mas do que tudo o que um dia cheguei a desejar.

As vezes não temos escolha, e se temos, elas chegam quando já agimos.

Tardias...

Assim como as verdades.

Notas finais
REVIEWS!!!!!!!!!!!!! POSTAREI O QUANTO ANTES O PROXIMO CAP.bejoxx :*