Operação Zumbi

20 20 - Os Refugiados


— Me desculpe por isto. É apenas um teste para sabermos com quem estamos lidando. – olhei para aquele homem erguendo uma sobrancelha totalmente intrigada.

— Já tem uma resposta? – a pergunta fez com que ele sorrisse abertamente enquanto concordava com a cabeça.

— Seus amigos perguntaram a mesma coisa. Isso me deixa intrigado. Estão com roupas normais, estavam armados e mantinham um zumbi e um homem como refém...

— Não tínhamos refém. Quem é você?

— Não? – ele perguntou unindo as sobrancelhas. – Me disseram que estavam mantendo alguém como refém. – ele disse tirando a camisa de flanela para me entregar, sem se importar em ficar com apenas a blusa debaixo.

— Quem lhe falou está completamente equivocado. – respondi com um sorriso sarcástico no rosto, olhando o pedaço de tecido que ele tinha como blusa. Eu deveria está horrível para ele ser forçado a me entregar a própria blusa. Passei uma parte nos braços limpando o sangue fresco que me deixava pegajosa.

— Eu acho que não. – a voz veio da porta fazendo com que o velho homem se virasse me dando visão ampla da pessoa que estava ali. – Gritos, choros, súplicas... Isto para mim cheira a sequestro e tortura. – olhei para o homem encostado na soleira da porta tão desarrumado quanto o velho. Ele olhou para mim, para o zumbi e os vidros no chão se surpreendendo completamente. – Puta merda!

— Quando você voltou, Jude? – o velho perguntou atraindo o olhar do homem por dois segundos, o suficiente para que eu passasse o pedaço de camisa no rosto para limpar o sangue.

— Agora mesmo. – o homem respondeu voltando os olhos para mim. – Parece que ela passou no teste.

— Veja com seus próprios olh...

— Sim, ela fez. E talvez estejamos lidando com um dois. – o velho disse me interrompendo.

— O que quer dizer? – perguntei desviando meu olhar entre os dois.

— Significa que é treinada por soldados. – o homem, Jude, respondeu cruzando os braços musculosos sobre o peito musculoso. Fiz o mesmo erguendo o queixo para ele.

— Sim, eu fui.

— Deixe-me fazer isto direito. – o velho disse acenando para que o homem, Jude, saísse e assim ele fez, muito lentamente contra sua vontade.

— Me desculpe, eu não me apresentei. Sou Conrad. Faço parte dos Refugiados.

— Quem?

— Refugiados unidos para tentar salvar o mundo.

— Você não se acha um pouco iludido? – perguntei sem consegui evitar um sorriso, dando de ombros, de algum modo me desculpando pela grosseria.

— Iludido? – a voz do homem, Jude, ecoou do corredor em um tom irônico. Olhei para Conrad bem a tempo de vê-lo suspirar.

— Jude, você pode arranjar algo para fazer?

— Na verdade não. – ele respondeu voltando à soleira da porta. – Eu estou curioso, mas pode continuar. – ele disse balançando uma mão. – Ela disse algo sobre iludido.

— Eu ouvi bem o que ela disse. Bem, eu posso ser um iludindo com tudo, mas todos aqui seguem apenas uma direção. Nós queremos o fim dessa doença, Cora e não podemos nos dá ao luxo de pensar como você, assim estaríamos desistindo de tudo.

De repente um frio subindo em minha espinha, senti as mãos suadas fechando um punhos várias e várias vezes.

— Eu... Eu não lembro de ter dito meu nome.

— Eu sei que não. Nem mesmo precisou Coralina. – Conrad disse levando uma mão para o bolso da calça jeans.

Naquele instante eu estava completamente chocada em como aquele homem sabia meu nome. Olhei rapidamente para Jude encostado na soleira da porta apenas para vê-lo unir as sobrancelhas para o velho. Continuei apertando os punhos respirando lentamente sabendo que seria difícil lutar com os dois, porém, eu tinha que tentar se aquele velho puxar uma arma do bolso. Pensei nos cacos de vidro que estavam no chão perto de mim e na porta como uma saída de fuga.

— Eu conheço seus pais, Cora. – Conrad falou fazendo com que meus pensamentos se dissipassem. Ele desdobrou um papel que segurava e ergueu para mim. – Eles me deram isto para que eu a encontrasse.

Olhei completamente atordoada para o que via. Era minha foto. Eu. Era Cora ali. Mas não a Cora de quando meus pais estavam na Cidade e sim a Cora com dezessete anos. Observei meu rosto completamente natural enquanto olhava diretamente para a câmera, o que foi surpreendente já que eu não me lembrava de tê-la visto. Mas minha roupa e minha arma diziam que havia sido de minha última saída, na ponte fazendo o trabalho do Grupo B. Ergui meu olhar novamente para o velho que me observava com atenção, eu diria que pronto para me prender em qualquer movimento brusco.

— Onde eles estão? – foi tudo o que consegui perguntar.

— Conrad. – Jude se ergueu encarando o velho, estava completamente confuso. – Está dizendo que ela é uma Chadwick?

— Sou. Por que? – perguntei cruzando os braços. – Eles estão... Vivos?

— Vivos? Está brincando? – ele perguntou forçando uma risada. – Ela está brincando, não é? – ele perguntou para Conrad.

— Cora. – Conrad disse calmamente, ele parecia apreensivo com o que deveria falar. – Sim. Eles estão vivos.

— Aqui? – perguntei olhando de um para o outro.

— Eles estão vivos, mas não estão aqui.

— E onde estão?

— Seus pais fazem parte de um pequeno grupo que viaja o país a procura de sobreviventes, estão em constante movimentação para unir o máximo de pessoas realmente vivas e trazerem para cá.
Engoli duro.

— Onde meus amigos estão? – perguntei fazendo com que os dois me encarassem intrigados, pisquei várias vezes para não deixar que nenhuma lágrima descesse sem permissão. – Onde eles estão?

— Seu namoradinho está na sala ao lado. – Jude disse. – Queríamos deixá-los juntinhos.

— Conrad. – falei me virando para o velho, o único sério o bastante para ter uma conversa decente. – Me deixe ver meus amigos. Por favor.

Jude saiu sem uma única palavra, mas voltou rapidamente com Parker e seus pulsos presos. Eu mal pude esconder o alívio de vê-lo vivo e pela primeira vez em toda minha vida não hesitei em me aproximar o suficiente para abraçá-lo, porém, Parker do seu jeito menos sutil, deu um passo para trás erguendo as mãos presas enquanto dizia estar bem. Além dos pulsos presos ele estava com um hematoma em um olho e o canto da boca ferido. Olhei para Conrad, mas não iria esperar que ele desse permissão, desamarrei as cordas que prendiam Parker no instante em que Luke e Tony entraram na sala, estranhamente tão bem quanto eu, sem cordas ou hematomas.

— Cora! – os dois exclamaram ao me ver. – Você está bem? – Luke perguntou me encarando dos pés a cabeça. Provavelmente via o resto de sangue que havia ficado em mim.

— Estou.

— Creio que irão se comportar de agora em diante. – Conrad disse desviando seu olhar para Parker. – Como já sabem, eu sou Conrad e este é Jude. Vou explicar tudo o que quiserem saber, mas preciso saber se posso confiar em todos vocês antes disso.

Olhei para Tony, Luke e Parker antes de concordar com a cabeça. Eu ainda não sabia se poderia confiar nos dois, mas estava curiosa sobre meus pais, sobre tudo o que eles estavam fazendo fora da Cidade. Conrad e Jude trocaram olhares antes de saírem do quarto pedindo para que nós o seguíssemos. Luke foi o primeiro, confiando realmente naquele homem, ao contrário de Parker, que poderia dizer com toda certeza que não estava nenhum pouco a vontade ali. Seguimos por um longo corredor com inúmeras portas que mostravam quartos assim como o que eu estava, descemos um bom lance de escadas parando no hall frente a duas portas que Jude empurrou trazendo toda a luz do dia para nós.

Claramente estávamos em um prédio, um prédio como os que havia ao redor da cidade e quando saímos para a rua pude ter a resposta das sombras estranhas que via da janela, eram pessoas realmente vivas que andavam calmamente ali, olhando para nós com curiosidade e até surpresa. Algumas estavam armadas, apesar de eu não ver nenhuma ameaça para elas por perto. Jude liderava o caminho com Conrad logo atrás quando andavam na calçada para o prédio ao lado, meu grupo os seguia obedientes e eu só conseguia olhar para todos os lados tentando entender como haviam conseguido aquele lugar e em como ainda existiam pessoas não infectadas fora da Cidade. Olhei para meu grupo entrando no prédio vizinho, apressando os passos para segui-los. Parei na porta aberta para encontrar um espaço cheio de mesas e o cheiro de comida no ar, aquilo me fez lembrar do Shopping, das mesas próximas aos standes de comida o que fez meu estômago roncar.