Notas iniciais
Oie! Vamos ver se vai dar merda ou vai dar bom hoje... PS: no Banner um personagem novo que vocês vão conhecer já no começo, e a Georgina. Boa leitura!

A figura masculina cruzou as ruas vazias e geladas daquele pequeno condado aos pés de White Montain, no Alaska. Ele puxou seu sobretudo um pouco mais, abrigando-se do frio típico daquela parte do mundo, ajeitando seu chapéu pouco depois, com as mãos cobertas por luvas de lã. Não era de seu feitio andar sozinho por locais tão ermos, porém sem apoio de seu costumeiro exército, Vicenzo Domenichelli sabia que era necessário improvisar.

Ele encontrou o local que procurava, no fim de uma rua sem saída, um galpão, com suas portas fechadas com grossas correntes. Não era bem o que esperava, ainda assim parou ali e aguardou.

Quando fugiu da Itália, ainda não tinha certeza se seu contato lhe responderia, porém o procurou por aquele antigo e-mail combinado há mais e uma década, e para sua surpresa a resposta veio bem antes do esperado, agora estava ali, no Alaska, aguardando por alguém que não via há tempos.

Dezoito anos, embora fossem apenas treze para Vicenzo, por causa do blip. Impressionante o quanto a vida podia mudar em pouco mais de uma década...

Esperou, ultrajado pela falta de pontualidade e cortesia de seu contato. Porém, aquele homem que encontraria nunca foi alguém provido dessas qualidades.

— Como vai, velho amigo? — A voz ainda carregava uma mistura de sotaques indecifrável, algo digno de alguém que havia viajado o mundo todo desde o nascimento.

Vicenzo virou naquela direção, seu contato estava parado sob o poste de luz no fim da rua sem saída, difícil dizer de onde tinha vindo, talvez de alguma entrada alternativa do próprio galpão.

Era estranho dar de cara com ele depois daquele tempo todo, o cabelo claro tinha alguns fios grisalhos agora, o rosto algumas rugas que não estavam lá antes. Mas no geral era exatamente o mesmo, com aquele estilo despojado demais para ser distinto, os fios em um penteado muito mais jovem do que sua idade real, os olhos fundos e extremamente claros encapsulados pelas pálpebras e um sorriso neutro nos lábios finos.

Frederik Schmidt, ainda era o mesmo maldito nazista que Vicenzo conhecia bem... E a verdade é que, em momentos de crise, o mal conhecido era muito melhor que a ameaça desconhecida vinda da própria família.

— Vejo que envelheceu bem. — O italiano disse em tom neutro, enquanto cortava a distância até o outro para que ambos estivessem do mesmo lado da calçada. — Presumo que tenha sumido no blip também?

— Na verdade foi você quem envelheceu muito mal. Eu estive aqui todo esse tempo, sozinho, vendo o mundo lidar com a catástrofe.

A palavra em ênfase fez com que Vicenzo entendesse de imediato qual era o assunto.

— Mas ele voltou agora. — Presumiu neutro.

— Sim, como todo mundo. — Frederik respondeu, ainda parado onde estava, as mãos no bolso do casaco, fazendo com que o Patriarca Domenichelli também ficasse atento, pronto para sacar a arma se isso fosse necessário. — O que quer, Dom Vicenzo? Nunca pensei que me contactaria.

O titulo de Dom soou bem aos ouvidos do italiano, o respeito que ele merecia, mesmo daqueles que não eram exatamente seus aliados.

Porém antes de falar ele olhou ao redor, desconfiado de tudo que lhe cercava.

— Não se preocupe, tudo aqui é meu, estamos seguros para conversar. — O loiro declarou, analisando a postura do italiano.

Difícil dizer se Schmidt estava se referindo as propriedades que cercavam a rua sem saída ou se falava de algo mais. Se Vicenzo bem conhecia o homem, então o mais provável era que ele fosse o dono de todo o condado...

— Eu quero ajudar você. — Foi direto ao ponto.

Você? — Frederik riu incrédulo, aquele quê despojado de sarcasmo em sua voz, algo que ele sempre teve, e que lhe fazia parecer mais descolado e mais novo do que era.

Isso porque Frederik Schmidt era um camaleão, ele se adaptava aos países, culturas e adversidades em seu caminho como nenhuma outra pessoa, ele navegava por cada lugar contando mentiras elaboradas, escondendo sua real personalidade abaixo de camadas e camadas de máscaras e papeis a serem encenados. Vicenzo sempre achou que aquele homem sequer sabia quem era de verdade. Mas Frederik não precisava saber, porque ele sempre teve o privilegio de ser quem quisesse.

— Nós fomos um dia unidos em um mesmo propósito, nossa parceria deu certo. — O patriarca Domenichelli relembrou, querendo mostrar o valor que possuía dentro daquela transação.

— Se você pensa assim... — Frederik, ainda com as mãos nos bolsos, deu de ombros.

— Se eu disser o que sei, vai firmar aliança comigo? — Vicenzo, uma vez mais, foi direto ao ponto, não tinha mais idade ou paciência para rodeios.

Mesmo porque, o tempo estava correndo e, se Roxanne tivesse metade da influência que parecia ter, ele estaria sendo caçado naquele instante.

Aquela garotinha petulante arrancou dele tudo que importava, mas Vicenzo não estava disposto a deixá-la alcançar seus objetivos. Pensou em dar a ela apenas desprezo, mas se podia — em segredo — alimentar os inimigos dela, então assistiria de camarote a queda da garota e de todos aqueles que traíram a lealdade do verdadeiro Dom.

— Se for útil. — Frederik disse apenas, qualquer uma de suas emoções reais perfeitamente escondida por trás daquele sorriso neutro.

Novamente Vicenzo ponderou o peso e a relevância de suas palavras, assim como previu o impacto delas a longo prazo. Sim, estava decidido. Roxanne precisava pagar. E, acima disso, ela precisava ser impedida antes de se aproximar demais de assuntos que não lhe diziam respeito.

— Minha filha está noiva de um dos seus líderes. — Ele revelou por fim, a cabeça erguida e a postura firme para passar credibilidade.

Frederik Schmidt riu, era como se tivesse acabado de ouvir que o céu é azul e a grama verde. Ele já sabia.

— Viktor Strovalenko não é um líder, ele é um garoto com pretensões tolas que está sendo útil. E aqueles jurando lealdade a ele agora são apenas tolos ou oportunistas. — O homem retrucou sem emoção. — Mas estou ciente do noivado de sua filha, por que eu me preocuparia com ela?

Vicenzo não gostou de saber que sua melhor informação não valia de nada, mesmo assim, manteve sua postura distinta.

— Eu acho que ela está vindo atrás de você. — Revelou, encarando o outro com a postura firme de um Dom. — Pra se vingar. — Parou por um instante, desviando o olhar e falando a próxima frase sem de fato querer dizê-la em voz alta. — Ela tem o controle da máfia agora.

Era ultrajante dizer que uma garotinha mimada e carente de atenção e aprovação tinha conseguido tirar um império dele, mas Vicenzo sabia que aquela parte da informação era crucial para que Frederik entendesse a seriedade da ameaça.

Roxanne podia ser uma garotinha, mas ela tinha um maldito exército e estava se aproximando da Hydra tão sutilmente quanto uma cobra pronta para dar o bote.

Essa informação tinha que valer de algo.

— Hum... Então você perdeu tudo e está com medo. — Frederik estreitou o olhar, seu sorriso sendo venenoso o bastante para parecer debochado. — Afinal se ela está vindo atrás de mim, cedo ou tarde ela vai descobrir tudo.

— Eu estou tentando te ajudar! — Vicenzo retrucou, irritado com aquela falta de respeito.

— É claro que está, isso nada tem a ver com seu medo de ser descoberto. — O outro estava realmente debochando agora. — Porque se ela deseja se vingar de mim, o que ela fará com você quando souber a verdade?

— Eu fiz o que tinha que fazer por minha honra e você concordou com tudo. — O antigo Dom acusou mordaz.

— Concordei. — Frederik moveu os ombros em descaso. — Mas eu não sou o pai dela, sou?

Havia algo ácido em sua voz, um tipo de desafio talvez. Os dois homens se encararam sob o poste de luz, a rivalidade antiga entre eles rastejando sob a pele de Vicenzo. Todas as coisas que foram deixadas de lado em nome do dinheiro e das aparências.

O patriarca Domenichelli devia saber, no instante em que Frederik Schmidt pisou na Sicília pela primeira vez, que ele seria a ruína de sua vida. Mas ele não desconfiou e aquele homem foi plantando a discórdia pouco a pouco, até que tudo isso eclodiu em tragédia.

Vicenzo tinha tudo, a máfia, o povo sob seu controle, vivendo das migalhas que ele dava, o dinheiro e a lealdade que o nome Domenichelli inspirava, a esposa dócil e perfeita, uma filha adequada para ser doutrinada de modo correto... Mas Frederik Schmidt chegou, e alguns anos depois restou apenas aquela garotinha com os olhos infiéis da mãe.

E no fim Roxanne se provou tão traiçoeira quanto.

Então que Frederik Schmidt destruísse a vida da garota também, pouco importava agora, Vicenzo já havia perdido tudo que lhe interessava, começou com a esposa que devia ser leal, então a fortuna se foi, o respeito do povo ridículo que não mais se contentava com as migalhas que mereciam, e por fim a liderança da máfia.

Mas se Vicenzo não podia ter a Sicília a seus pés, então ninguém mais teria. Que a Hydra queimasse a ilha toda até o chão. Que tudo virasse cinzas, inclusive Roxanne e seus olhos infiéis, tão iguais aos da mãe dela.

O fato de ser sua filha, seu sangue e carne, não fazia mais diferença alguma. Vicenzo nunca foi um Domenichelli, o sobrenome lhe serviu por décadas, mas agora era hora de voltar a ser um lobo solitário. Roxanne era apenas uma extensão da mãe dela.

Traidoras as duas.

— O que vai fazer com essa informação? — Ele questionou em voz alta, vendo que Frederik tinha dado o primeiro passo para partir, como se a conversa estivesse finalizada.

— Como eu disse, eu já sabia de tudo, e também desconfiava do restante. Não se chega onde cheguei subestimando as ameaças, mesmo as mais improváveis. Então continuarei fazendo o que tenho feito desde que descobri... — O homem olhou por sobre o ombro e sorriu. — Vou esperar para ver o quão longe Roxanne Domenichelli está disposta a ir por seus objetivos. Acho que vai ser um aprendizado construtivo sobre a mulher que pretende me matar. Quem sabe se ela for uma garota tão interessante quanto a mãe, eu apareça para dizer um “oi”. Dizem que casamentos são ótimas ocasiões para reunir a família, não é?

Ele continuou seu caminho em direção ao único lado da rua que tinha saída.

— Tenho certeza que meus colegas da Hydra vão adorar rever o Representante. — A voz de Frederik Schmidt se espalhou pelo beco. Ele pretendia um retorno triunfal usando sua antiga alcunha.

— E eu? Fui útil. Temos um acordo? — Vicenzo questionou em voz alta.

Foi nesse instante que uma figura encapuzada surgiu na esquina, a penumbra tornava impossível distinguir algo mais que sua silhueta mediana, a única coisa visível na escuridão era o reflexo vermelho vivo vindo do lugar onde deveria estar seu rosto...

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Bucky Barnes se encarou no espelho, ajeitando a gola de sua jaqueta de couro antes de vestir as luvas do mesmo material. Trajava também uma calça jeans escura e camiseta de algodão azul, com mangas compridas e três botões na gola. Algo bem casual, comparado com os ternos com os quais saía todos os dias.

As luvas também eram uma novidade, ele julgou que seria melhor não chamar atenção para sua mão de vibranium naquele dia. Já era um estrangeiro naquela ilha, isso por si só já atraía olhares.

Desceu as escadas com a cabeça erguida, o celular e os Euros no bolso da jaqueta. Pronto para dar de cara com Roxanne e lembrá-la sobre a noite livre combinada. Antes de deixar a vinícola havia marcado um jantar com Georgina ainda naquele mesmo dia.

Era a oportunidade perfeita para resolver tudo que precisava. Não podia permitir que a tecnologia Stark caísse nas garras da Hydra.

Por isso estava preparado para debater com Roxanne caso necessário. Porém, quando parou na sala da mansão, não a viu em lugar algum. Mas presumiu que ela estivesse no escritório, por isso seguiu naquela direção. No caminho, no entanto, foi interceptado por Benedetta.

— A Donna já se recolheu, disse que se o senhor desejar sair pode usar qualquer um dos sedans. — Ela então estendeu um chaveiro para Barnes. — Essa é a chave da cozinha para quando voltar, lhe envio o código do alarme por mensagem.

Em seguida ela também estendeu o próprio celular para que ele anotasse seu número novo.

Pensou que Roxanne dificultaria um pouco aquela “noite de folga”, mesmo porque, no fundo Bucky acreditava que ela tinha dito aquelas coisas da boca para fora. Pelo visto estava errado.

Não comentou mais nada com Benedetta, apenas uma lançou uma despedida comum antes de sair pela porta da frente. Barnes ainda olhou em todas as janelas pelo caminho, mas Roxanne não estava em parte alguma. Talvez precisasse aceitar que ela não se importava com ele.

Entrou no sedan, cuidando de escolher o mesmo que usava para levar Roxanne para a vinícola todos os dias, mesmo que houvessem três outros ali. Ligou o motor e enquanto saía pelos portões da mansão, foi repassando os pontos da missão. Sabia que precisava avisar o Alto Conselho do plano de Strovalenko. O próprio Barnes iria até o DCD se pudesse, mas sair da Sicília naquele momento estava fora de cogitação, sendo assim, teria que trabalhar com as ferramentas que tinha a disposição.

Possuía um telefone agora, e sabia muito bem que uma ligação era coisa fácil, porém não era ingênuo, todas aquelas pequenas regalias de Roxanne podiam ser um voto de confiança, ou então podiam muito bem ser uma armadilha no estilo “vou dar corda até que ele mesmo se enforque”.

Era provável que Bucky estivesse sendo monitorado, não de perto, Roxanne não era burra, jamais colocaria alguém para seguir um homem com o treinamento do Soldado Invernal, ela faria isso de forma mais sutil, um localizador no carro, uma escuta no celular talvez, ou mesmo um monitor de chamadas.

Ou podia ser tudo paranoia...

Não. Roxanne Domenichelli tinha planos para todas as ocasiões, com certeza ela pensaria em ver o que Bucky faria em seu primeiro dia de folga. Mesmo que ela confiasse totalmente nele, ela ficaria atenta naquele dia, era de sua natureza. Um beijo não mudaria isso.

Sendo assim, ele sabia muito bem que tinha que ser extremamente cauteloso com seus próximos passos. Mas já havia pensado em tudo.

Dirigiu direto para a floricultura. Com o celular no bolso, pediu pelo buquê de peônias.

— O que mais vocês costumam levar para um jantar? — Perguntou para a atendente.

Ela não falava inglês e Barnes sabia muito bem que não podia cometer o deslize de falar em italiano sem a certeza de que o telefone em seu bolso possuía uma escuta ou não. Felizmente o menino mais novo ali, filho da dona talvez, intermediou a conversa.

— Ela disse que um vinho é sempre de bom tom. — O garoto respondeu e Bucky sorriu em agradecimento.

Tinha agora um álibi para parar em uma loja de conveniências. Precisava de um telefone descartável.

Colocou as flores no carro e partiu, parando no estacionamento do próximo destino em questão de minutos, infelizmente não era seguro comprar o telefone direto do caixa. Não sabia quanto Roxanne possuía da lealdade de todas as pessoas ao redor, por isso aquilo tinha que parecer uma parada comum para comprar uma garrafa de champagne — não vinho, por motivos óbvios.

Mas a oportunidade foi ideal para que ele furtiva e rapidamente pegasse um desses pequenos aparelhos descartáveis do expositor, derrubando os Euros correspondentes em um lugar discreto, mas não conectado ao celular, para que fosse achado depois e o dono não tivesse qualquer prejuízo.

Evidente que conferiu os ângulos das câmeras antes de fazer isso. Tinha sido treinado para ser um fantasma, aquilo tudo era irrisório de tão fácil.

Voltou para o carro, fazendo uma busca por escutas e nada encontrando. Era de se esperar, aquele era o veículo de trabalho de Roxanne, Bucky o escolheu de propósito. A julgar pela falta de câmeras dentro da mansão, era bem óbvio que a Donna não permitiria escutas justo no transporte que usava diariamente.

Não daria tempo de implantar nada complexo enquanto Bucky tomava banho, sendo assim ela só poderia usar uma escuta simples e essa ele teria encontrado naquela busca. Não havia nada.

Checou a rota até a casa de Georgina, tinha vinte minutos apenas. Teria que ser o bastante. Ligou o motor e o aparelho de Som, colocando seu celular estrategicamente perto dos autofalantes traseiros, usando suas duas luvas de couro para que houvessem várias camadas de proteção acústica, seria como se Barnes estivesse com o aparelho no bolso, e com a música alta ligada no carro. Nada além disso poderia ser ouvido.

Com o telefone descartável já em mãos, ele discou o número que havia decorado exaustivamente antes da missão.

— Valentina... — Murmurou o nome quando a chamada foi atendida no segundo toque.

Mesmo com o som do carro ligado era melhor prevenir.

— Sargento Barnes, eu não esperava uma ligação tão rápido. Algum problema? — A Condessa questionou, ela sabia que uma chamada para seu número pessoal era algo importante.

Barnes respirou fundo. Ponderando por um segundo se era mesmo o certo fazer aquilo. No entanto não havia tempo para duvidar, existiam coisas importantes em jogo e aquela podia ser a única oportunidade segura de contato. Sendo assim, ele narrou em poucas palavras o que a Hydra pretendia...

— E você sabe quem é esse homem que contatou Strovalenko? O nome dele? — Valentina questionou interessada depois de ouvir todas as informações.

— Não. Sem nomes ainda. — Barnes mentiu. Decidindo, talvez rápido demais, não sabotar todo o plano da Donna daquela forma.

Se falasse sobre Kurt Werner o Alto Conselho iria atrás dele, e isso podia alertar o tal Representante, que era quem Roxanne queria atrair. Talvez isso afetasse diretamente o resgate de Damian Domenichelli. Bucky preferiu então, omitir essa parte da informação, até ter certeza dos efeitos colaterais disso.

— Tudo que sei é que a Hydra vai colocar as mãos na tecnologia Stark e isso não pode acontecer. — Ele prosseguiu aos sussurros. — Você tem que impedí-los, Valentina. Mas não pode ser uma operação pública e você não pode alertar as forças especiais. Porque eles vão saber que alguém repassou informações e isso pode destruir toda a Operação que estou construindo aqui.

Bucky estava confiante que podia ter tudo, manter seu disfarce na Sicília, proteger a tecnologia Stark, preservar a integridade do pessoal da Donna e não arriscar em nada o plano dela.

— Você só tem que realocar a tecnologia Stark para local confidencial, eles vão pensar que foi um procedimento interno e vão dar de cara com um cofre vazio, quando iniciarem a operação deles. — Instruiu impassível. — Acha que vai conseguir fazer isso a tempo?

— Eu vou dar um jeito, não se preocupe com isso. — Valentina garantiu calmamente. — Está fazendo um bom trabalho, Barnes. A tecnologia Stark nas mãos da Hydra seria desastroso.

— Eu sei... — Ele respondeu com um suspiro.

Compreendia o quanto estava se arriscando, se algo desse errado seu disfarce poderia ser comprometido e o envolvimento com o Alto Conselho também. Se fosse qualquer outra coisa, talvez Bucky não se importasse, mas era tecnologia Stark, havia uma dívida a ser paga ali. Era questão de honra.

— Aproveitando que ligou. — Valentina começou, antes que ele pudesse desligar. — Já que está na Sicília, presumo que esteja colendo material sobre a máfia italiana, certo?

— Estou trabalhando nisso. — Barnes respondeu de imediato. Outra mentira. Andava contando muitas dessas ultimamente.

A verdade era que não havia colhido uma só prova de nada em todo aquele tempo, e isso de modo algum tinha a ver com dificuldade ou impossibilidade. Ele inclusive teve acesso há muita coisa comprometedora naqueles dias... Simplesmente não quis colher as provas ainda.

Sabia que teria que fazer isso cedo ou tarde. Não podia continuar omitindo informações e contando pequenas mentiras para o Alto Conselho, estava ali com um propósito afinal. No entanto, não parecia o momento certo para comprometer Roxanne.

No fundo ele ainda acreditava que haveria um jeito de conciliar sua razão e emoção em conflito. Talvez a Donna estivesse certa afinal. Barnes estava esperando que tudo o que ela fazia deixasse de ser crime.

— Ótimo, quanto mais provas, melhor. — Valentina prosseguiu com a conversa. — Enquanto isso, resolvi investigar mais a fundo o passado de Roxanne Domenichelli, acho importante saber o que esperar agora que você tem esse tipo de aliança com ela. O que foi bem inteligente inclusive. Manipular a moça pra conseguir informações incriminadoras sobre o pai dela é um tanto genial, devo dizer.

As palavras causaram desconforto imediato em Barnes. Ele não estava manipulando ninguém.

— Por que investigar mais o passado dela? — Questionou, sem saber se devia se preocupar com isso ou não. — Achei que já tinham passado por essa etapa.

— Fizemos o básico, ela era apenas a noiva de Strovalenko e a filha do Dom, agora ela é sua informante, então achei prudente saber com quem estamos lidando e preencher as lacunas. — A Condessa explicou casualmente. — Mas não descobri quase nada de diferente do que sabíamos.

— “Quase”? — Bucky repetiu, franzindo levemente as sobrancelhas.

— Ainda estou tentando entender e ver se é relevante, mas parece que um dos internatos em que ela esteve pegou fogo. Roxanne Domenichelli tinha quatorze anos na época. — Valentina contou sem parecer realmente impactada por nada daquilo. — O incêndio foi declarado um acidente, e por isso não entrou em nossas primeiras pesquisas.

— Se foi declarado acidente, por que te chamou a atenção? — Barnes segurava o volante com uma das mãos e o telefone com a outra, se beneficiando de seus sentidos de supersoldado para dirigir.

— Não sei... — A mulher ponderou do outro lado da linha. — Chame de pressentimento. Dei uma olhada nos arquivos e muita gente morreu naquele dia, incluindo o diretor, e embora todas as mortes tenham sido consideradas efeito colateral do incêndio, a autopsia desse homem estranhamente não consta nos arquivos.

— O que você está dizendo, Valentina? — Bucky franziu as sobrancelhas, estranhando toda aquela história.

— Por enquanto, nada. — A Condessa respondeu. — Mas cuidado, Barnes. Fazer a garota se apaixonar por seus lindos olhos azuis, a fim de que ela cooperasse com você, foi inteligente, mas uma traição pra esse povo da Itália é coisa imperdoável, principalmente quando envolve autoridades. Se você trabalhasse pra outra máfia podia até ser poupado, mas sendo agente do Alto Conselho? Eles fariam fila para atirar em você, a filha do Dom inclusive.

— Estou ciente disso. — Bucky contraiu o maxilar para conter as emoções diversas que se espalharam por suas veias. — Tenho que ir agora. Ligo quando puder. Não deixe que eles peguem aquela tecnologia, Valentina.

Ele ainda ouviu a Condessa concordar e se despedir, antes de desligar o aparelho e despedaça-lo com a mão de vibranium, para então atirar os restos o mais longe que podia. Fez o que tinha que fazer sem deixar nenhum rastro.

Agora bastava que o Alto Conselho fizesse sua parte.

Terminou o trajeto até o endereço de Georgina, parando o sedan em frente a um grande arco de pedra que dava acesso a uma micro-vila, onde sobrados eram construídos lado a lado formando um círculo. Alguns deles tinham dois andares, outros três. Todos com pequenas sacadas de ferro e a arquitetura típica da Sicília, algo charmoso e atemporal que em nada lembrava os prédios de Nova York ou as casas da Louisiana.

Barnes pegou o buquê de peônias e a garrafa de champagne, parando um segundo nesse amplo pátio circular procurando pela porta certa.

— É a amarela. — Uma voz feminina declarou em um inglês bastante fluente.

Bucky ergueu seu olhar para as sacadas em direção a interlocutora, reconhecendo de imediato a moça de cabelos verdes que ele havia visto na vinícola mais cedo. Jacqueline Pissani.

Ela estava debruçada no peitoral, um cigarro entre os dedos.

— Obrigado. — Foi tudo que Barnes respondeu, antes de bater na tal porta amarela.

— Oi. — Georgina atendeu segundos depois, um sorriso enorme em seu rosto. — Entra, você chegou bem na hora.

Bucky deu o primeiro passo para dentro quando a ruiva abriu passagem, ela e Jacqueline ainda trocaram um cumprimento casual, antes que a porta fosse fechada.

Pela primeira vez naquele dia, Barnes realmente pensou no que estava fazendo, ficou tão focado em falar com Valentina sem levantar suspeitas que sequer se preocupou com o fato de que havia marcado um encontro.

Se sentiu repentinamente estranho com isso. Seu último encontro, o primeiro e único depois que voltou a ser ele mesmo, não tinha sido uma experiência tão agradável assim, e depois só teve aquele beijo com Roxanne...

Freou o rumo das próprias reflexões rapidamente, nada de pensar na rainha da máfia pelo resto da noite. Levaria a sério aquela coisa de tempo livre.

Ou ao menos tentaria.

— Aqui, trouxe pra você. — Estendeu o buquê de flores para Georgina, tentando ser agradável e casual.

Ela piscou algumas vezes, a pele clara de suas bochechas ganhando tons quentes e um sorriso enfeitando seu rosto.

— Como sabia? Peônias são minhas preferidas. — A ruiva pegou o buquê como se fosse algo frágil e muito precioso também.

Barnes resolveu não responder aquela pergunta, porque teria que citar o nome de Roxanne e estava decidido a se empenhar para tirar aquela italianinha impossível da cabeça e do coração.

Ao invés disso, ele simplesmente se limitou a também estender a garrafa de champagne.

— Achei que vinho não era uma boa opção para alguém que passa o dia todo em uma vinícola. — Ele forçou um gracejo.

Georgina aceitou a garrafa com uma risadinha que pareceu um pouco exagerada, como se ela estivesse se esforçando demais para agradar. Reforçou sua gratidão pelos itens presenteados e pediu para que Bucky ficasse à vontade, enquanto ela se afastava para procurar um vaso a fim de colocar o buquê de flores.

Ele aproveitou para dar uma olhada na casa enquanto caminhava pela sala. Era um lugar aconchegante, tudo ali tinha cara de real, não parecia projetado por um arquiteto ou algo assim, não tinha cores combinando e coisas caras onde a vista podia tocar. Não era a mansão de uma ricaça.

O primeiro andar era composto por essa sala com dois sofás confortáveis, uma estante com a televisão e diversos porta-retratos, uma mesa de jantar e alguns móveis menores, dali era possível ver a escada que subia para o segundo andar e duas portas. Uma delas, por onde Georgina voltava agora com o jarro em mãos, devia ser a da cozinha, e a outra provavelmente era um banheiro.

— Senta. — A dona da casa ofereceu. — Mais uns cinco minutinhos e o queijo já vai ter gratinado.

Bucky se deu conta que nunca tinha de fato olhado para Georgina, não de verdade, com interesse e atenção o suficiente para gravar os detalhas. Ela era uma mulher bonita, mas talvez ele fosse um pouco suspeito para dizer algo assim, afinal sempre foi um conhecido apreciador da beleza feminina.

Devia ser uns vinte centímetros mais baixa do que ele, os cabelos compridos naquele loiro-acobreado tão vivo, combinavam com o tom claro de sua pele e com as diversas sardinhas quase imperceptíveis em seu rosto, seus traços eram delicados, e perfeitamente harmônicos, nada se destacando demais a ponto de ofuscar o resto, mesmo seus olhos azuis eram um contraste interessante, porque pareciam refletir a nuance quente vinda dos fios.

Provavelmente Georgina já havia passado dos trinta, e parte de sua beleza estava exatamente nessa maturidade vinda das linhas de expressão, que combinavam tão bem com o humor jovial que a ruiva sempre exalava.

Barnes gostou do que viu, verdade, mas no fundo ele ficou esperando por um arrepio quente vindo de algum lugar, pelo impacto que lhe abatia sempre que encarava certos olhos de obsidiana...

— Eu não sabia que você e Nick eram vizinhos. — Ele comentou, já setando no sofá, querendo afastar qualquer pensamento intruso.

— Ah não, o Nick não mora com a irmã. — Georgina respondeu, colocando duas taças na mesa já posta. — A Jack mora aqui sozinha, e na verdade muitas das Mamas vivem nessa vila, a Donna é a proprietária de tudo aqui e não precisamos nos preocupar com o custo de nada.

Bucky assentiu, se arrependendo de ter feito uma pergunta que trouxesse Roxanne à tona na conversa. Mas a verdade é que durante a próxima hora isso aconteceu várias vezes.

Qualquer assunto culminava na Donna de alguma forma, enquanto jantavam, logo depois de abrir a champagne, Georgina falava sobre seus pais, que moravam na fazenda da família, ela fez questão de dizer que o lugar só continuou com eles porque Roxanne pagou a hipoteca atrasada antes que o banco tomasse a casa.

— Você não faz noção da diferença que ela causou nessa ilha. — Georgina comentava com muito de admiração na voz. — Esse lugar era tomado pela ganancia e sofrimento, o povo mantinha as aparências, mas a verdade é que vivíamos das esmolas dos turistas. Nossas crianças entravam para o tráfico muito cedo e ser mulher aqui era... — Ela parou por alguns segundos, balançando a cabeça de um lado para o outro como se revivesse momentos ruins. — A Donna causou mudanças significativas, coisa que o pai dela nunca se preocupou em fazer e que os políticos sempre prometiam que levaria algum tempo pra alcançar, só que esse “algum tempo” nunca chegava. Mas a Donna não veio com promessas, ela só fez, por isso a maior parte do povo ficou do lado dela.

— Em troca vocês só têm que trabalhar pra ela. — Bucky apontou neutro, entre uma garfada e outra.

— Na verdade não, tem muita gente que foi beneficiada pela Donna que não trabalha para ela. Podemos fazer o que quisermos, na época do Dom as coisas eram diferentes, qualquer pequeno favor gerava uma dívida que nunca findava, as pessoas eram obrigadas a sujar a mão por ele, era isso ou ver alguém da própria família sofrer. No fim tudo sempre era pago com sangue, de um jeito ou de outro. — A conversa prosseguiu. — Ela tem regras e leva muito a sério seus segredos, mas ela respeita a gente, somos pessoas com valor real, não apenas números e recursos como na época do Dom. Quer dizer, os homens eram números e recursos, as mulheres eram apenas inferiores, não eram contabilizadas pra nada.

Georgina gostava de falar, o que não chegava a ser um problema para Bucky, porque a bem da verdade ele havia voltado a seu comportamento padrão de ser muito calado. Sem aquela conversa provavelmente o clima estaria estranho, porque ele não saberia o que dizer.

E mesmo que quisesse parar de falar de Roxanne, ele apenas deixou que a ruiva continuasse.

— Antes eu era só um rosto bonito e um corpo desejável, agora eu posso lutar de verdade por coisas que eu acredito, pelo lugar em que eu vivo. Isso é muito recompensador. — Era evidente que ela estava bastante orgulhosa daquilo.

Bucky pensou em apontar que crimes eram cometidos no processo, mas pareceu a coisa errada a se dizer naquele momento. E, sendo honesto, a palavra “crime” sozinha tinha pouco impacto perto da lista de boas coisas que eram creditadas a Roxanne Domenichelli.

Olhando a vida pela perspectiva de Georgina, era quase como se o crime realmente compensasse.

Barnes não sabia o que pensar disso, porque seu cérebro não era capaz de formular um argumento com peso o bastante para refutar o que sua percepção absorvia no dia a dia da Sicília.

O conflito crescia dentro dele segundo a segundo, suas convicções sendo atingidas por essa admiração crescente. Poucas pessoas conseguiam impactar positivamente a vida de tanta gente... E quando o faziam sequer era de propósito.

Na verdade, se pensasse de forma crítica, esse foi o caso de Steve. Ele não ergueu aquele escudo e a alcunha de Capitão América porque queria ajudar as pessoas. Apenas trilhou o caminho dele baseado em uma convicção ferrenha de “fazer o que é certo”, e Bucky sabia bem, por anos e anos de amizade, que antes do soro Rogers perseguia o conceito de certo para se provar. Depois do soro isso virou um dever. Steve tinha se tornado alguém que precisava retribuir, por ter mais poder que o restante. E ele retribuiu por toda a vida, fazendo o que achava certo, o impacto positivo que isso teve nas pessoas foi inegável, mas era também, apenas efeito colateral.

E provavelmente era o mesmo para a maioria dos outros Vingadores, eles precisavam fazer o certo, tinham esse instinto dentro de si, o heroísmo latente de salvar e combater o mal. Mas nenhum deles fazia isso especificamente para mudar a vida das pessoas para melhor...

Era uma diferença pequena, verdade, porque o impacto positivo existia, metade do mundo estava ali para provar isso.

Mas era justamente nessa pequena diferença que Roxanne residia, porque ela não acordava de manhã e dizia “vou fazer o certo”, ela simplesmente erguia a cabeça e fazia o necessário para ajudar e melhorar a vida das pessoas pelas quais se julgava responsável. Pouco importava que tivesse que fazer coisas erradas para isso.

Isso fazia o impacto positivo que ela causava nas pessoas menos valioso?

Ou nesse caso os fins justificavam os meios?

Bucky não sabia... E isso o estava matando aos poucos.

— Está tudo uma delícia. — Elogiou o jantar, torcendo para que o comentário levasse a conversa para outro rumo.

— Que bom que gostou, é receita de família. — Georgina respondeu sorridente. — Mas acho que já falei muito sobre minha família e sobre mim, por que não fala um pouco sobre você?

— Não tem muito pra falar na verdade... — Barnes tomou um gole de champagne, pontuando mentalmente que devia ter escolhido uma garrafa com mais qualidade, porque aquela estava horrível. — Sou bem desinteressante, se quer saber.

— Ah, mas disso eu duvido. — A ruiva retrucou animada. — Aposto que tem várias histórias legais do seu tempo com os Vingadores ou com o Capitão Rogers.

Barnes riu um tanto sem-graça, não queria explicar que nunca foi um Vingador, tampouco reviver histórias de um passado que nunca voltaria. Ainda assim ele se esforçou para falar um pouco de Steve, muito mais por educação do que por vontade de fato.

Era péssimo perceber, segundo a segundo, o quão deslocado estava ali e o quão irritante isso era. Porque Georgina era bonita e agradável, com gostos simples e descomplicados, mas tudo que a mente de Bucky conseguia fazer era voar de encontro a mulher mais complicada que ele conhecia, alguém que estava totalmente fora do alcance dele, que tinha um noivo e um império do crime para controlar.

Teve que admitir para si mesmo, enquanto a conversa com Georgina fluía aos trancos, que o que sentia por Roxanne Domenichelli não sumiria por causa de um único desentendimento. Aquilo continuava lá, latente em seu peito, não importava o quão diferente os dois pensassem sobre vários assuntos, mesmo com as divergências de prioridade, a Italianinha ainda estava impregnada no coração de Barnes

E ele não sabia o que fazer sobre isso...

No fundo desejou que Georgina tivesse capturado todo o seu interesse, não por ela ser a pessoa mais adequada, — afinal era uma mafiosa também, — mas porque isso provaria que o único problema de Bucky era abstinência de contato humano, atenção, e todo o resto... Se fosse assim, qualquer pessoa poderia suprir isso.

Mas esse não era o caso. Roxanne Domenichelli continuava a ser uma exceção improvável e impossível.

E a verdade, no fim, seria uma só: Barnes teria que continuar na Sicília por um tempo, então não haveria como evitar a Donna para sempre. E talvez ele nem quisesse isso...

O jantar já havia acabado e todos esses dilemas ainda tumultuavam a mente de Barnes. Estava ajudando Georgina a levar os pratos para a cozinha. Ela ria de alguma coisa que ele sequer lembrava de ter dito e os dois pararam perto um do outro na pia.

— Deixa, eu faço isso depois. — Ela tirou os objetos das mãos dele, seus olhos claros focando no rosto masculino.

Bucky não era idiota, ele conhecia os sinais. Georgina umedeceu os lábios e deu um passo para mais perto...

Podia ter deixado acontecer, ver onde chegava, testar a reação de seu corpo ao sentir o gosto de outra boca. Mas pareceu algo desonesto, porque no fundo Barnes já sabia, não precisava de um teste. Só havia um beijo que ele realmente desejava.

Pousou as duas mãos nos ombros de Georgina delicadamente, a impedindo de prosseguir.

— Me desculpa, Georgina... — Pediu, sendo o mais gentil que podia. — Eu não posso fazer isso. Você é incrível, eu só... não estou pronto pra isso ainda. Pensei que estava, mas não estou. As coisas na minha vida são muito recentes.

Era uma mentira, mas pareceu a forma menos cruel de fazer aquilo.

— É... claro, eu entendo. — Ela respondeu, forçando um sorriso que nada tinha de real. — Não se preocupe com isso. Ainda podemos ser amigos, certo?

— Com certeza. — Bucky garantiu, se afastando dela alguns passos. — Acho melhor eu ir agora.

Georgina assentiu, evidente que o clima ficou imediatamente estranho, por mais que ela tenha se esforçado para ser simpática e educada quando o acompanhou até a porta.

— Sinto muito se fiz alguma coisa errado. — Disse ao se despedir dele.

Bucky se sentiu péssimo por ter deixado tudo aquilo ir tão longe.

— Você não fez, garanto. — Ele respondeu já do lado de fora. — A noite foi agradável.

Ela tinha feito tudo certo, Georgina só não era a italiana certa.

Bucky teria então que digerir o fato de que a tal italianinha certa estava fazendo coisas erradas, e não havia como mudar isso.

Assim como também não havia como mudar o que ele sentia por ela...

Restava agora achar um jeito de lidar com esse dilema moral.

Notas finais
Evidente que o Vicenzo não ia simplesmente sumir e deixar por isso mesmo. A gente só não imaginava que ele tinha um contato direto com o Representante em pessoa, Frederik para os íntimos. Hydra saindo do bueiro aos poucos feito baratas. Parece que tem bem mais coisa rolando do que a Roxanne imagina... E quanto ao Bucky, de vez em quando a gente subestima ele, mas o bichinho é esperto sim, cheio nos truques nas mangas. Infelizmente não tem um simples truque pra tirar a Roxanne da cabeça kkkkkkk Ainda mais quando todo mundo ao redor elogia ela. Tadinha da Georgina, cozinhou pro boy e não ganhou um mísero beijo... sorte zero pra gata Agora o Bucky viu que os conflitos morais são imensos, mas nada disso muda o fato de que ele gosta da rainha da máfia. Vamos ver o que vem por aí, considerando que a Roxanne ainda tá desconfiada dele. Nos vemos sexta que vem Beijos e até!