Operação Roleta Russa
18 Ferragosto
Notas iniciais
Havia algo nas noites da Sicília que Bucky Barnes ainda não era capaz de compreender totalmente, talvez fosse o silêncio reconfortante preenchido com o som das ondas, talvez fosse o cheiro de maresia que, de alguma forma peculiar e quase mágica, combinava perfeitamente com o perfume característico de Roxanne Domenichelli que agora tomava conta de seus lençóis...
O fato é que havia paz ali, e isso era curioso de muitas formas. Afinal aquela ilha era o palco de uma organização criminosa que tramava planos de vingança durante o dia e, acima disso, o próprio Bucky nunca imaginou que suas noites seriam pacíficas novamente. Ele estava acostumado com a guerra de seus pensamentos.
Se moveu suavemente, de modo a não incomodar o corpo feminino que vinha ocupando sua cama nas madrugadas daqueles últimos dias. Apesar de tudo nos aposentos da Donna ser maior, ela não parecia gostar de dormir lá, três noites antes, quando viram um filme de animação juntos, foi a primeira e última vez que isso aconteceu. Não que Bucky se importasse com isso, afinal uma cama menor também significava que eles ficariam ainda mais perto durante toda a noite.
Não que houvesse acontecido qualquer coisa entre eles além de alguns beijos naqueles três dias, Roxanne ainda estava visivelmente abalada com o caso do maldito médico.
Bucky estava prestes a sair da cama a fim de fechar as portas da varanda porque o vento estava começando a soprar gelado, quando a italiana se remexeu desconfortável. Ele parou onde estava, observando a forma como ela tremia e suava, suas orbes se movendo abaixo das pálpebras em clara indicação de que ela estava no meio de um sono turbulento.
— Não... — Ela balbuciou em italiano. — Não me toca. Não quero mais fazer isso.
Um nó automático se formou na garganta de Bucky, era um pesadelo, e as palavras em tom perturbado e quase apavorado não eram um indicativo nada bom.
Ele tocou o braço feminino com delicadeza, murmurando o nome dela o mais baixo que podia, fez isso ao menos três vezes antes que os olhos negros se abrissem assustados e o corpo dela viesse no impulso para frente, um tabefe involuntário afastando a mão de Bucky para longe, enquanto Roxanne praticamente se encolhia para longe dele.
A sensação massacrante que tomou conta do peito de Barnes foi dolorosa e pesada, obviamente ele não levou nada daquilo para o pessoal, o motivo de sua preocupação instantânea eram os sinais. Eram claros demais para ignorar.
Algo havia acontecido com Roxanne e, a julgar pelos eventos recentes e por todas as informações que Bucky possuía, provavelmente o incêndio naquele colégio interno tinha tudo a ver com isso.
— Tudo bem... — Ele disse com a voz mansa e cálida. — Você está em casa, você está segura. Foi só um pesadelo.
— James... — Ela pronunciou o nome dele em um sussurro, enquanto piscava, olhando ao redor, algo de reconhecimento passando por suas íris escuras.
Ajeitou a postura então, agindo como se nada de mais houvesse acontecido. Bucky notou o quão bem conhecia aquela italianinha agora, porque conseguiu notar perfeitamente o momento em que ela vestiu uma máscara de força, como se nada no mundo fosse capaz de atingí-la.
Ele entendia que isso era necessário no dia a dia, no trabalho que ela fazia e para os propósitos que tinha. Porém ele sabia por experiência própria o quão perturbador podia ser um pesadelo realista e o quão vulnerável e solitária a pessoa se sentia quando acordava.
— Tem razão, foi apenas um pesadelo. Nada demais. Desculpe te acordar. — Ela disse como se tivesse o mundo sob controle.
Bucky moveu os lábios em um sorriso compassivo e reconfortante.
— Você não tem que ser a Donna comigo, Roxanne. — Rebateu calmamente. — Você pode ser apenas minha Italianinha. — Estendeu a mão na direção dela, já que estavam em pontos opostos da cama. — Vem aqui...
Ela hesitou por um momento, seu olhar escuro sendo incapaz de manter a máscara de força e brilhando em uma vulnerabilidade tocante. Quando enfim ela estendeu a mão na direção de Bucky, ele a puxou delicadamente para perto, a envolvendo e abraçando forte, pousando o queixo sobre os cabelos dela.
— Tudo bem... — Disse baixinho, enquanto acariciava os fios escuros. — Foi apenas um sonho ruim. Eu estou aqui com você agora.
Roxanne respirou fundo, seu rosto escondido na curva do pescoço masculino, sua respiração saindo longa e calmamente, enquanto ela desenhava círculos aleatórios na pele das costas dele, como um movimento distraído.
Bucky continuou ali abraçado com ela, deixando que o coração e respiração dos dois se acalmasse até que estivessem no mesmo ritmo. Depois de longos minutos em que não fez nada mais, além de deslizar os dedos pelo cabelo feminino, ele finalmente afastou um pouco o tronco, sem soltá-la, apenas para que seus olhares pudessem se encontrar.
Quis perguntar o que havia acontecido naquele pesadelo, mas sabia que era invasivo, porque ele próprio não se sentiria confortável compartilhando o conteúdo de seus sonhos perturbadores e sombrios com ninguém, sendo assim, apenas passou os dedos de vibranium pelo rosto feminino, afastando alguns fios grudados ali e sorriu calidamente.
— Quer ir dar uma volta? — Perguntou, no tom de quem propõe uma travessura.
— Agora? — Roxanne questionou e, embora seu timbre estivesse confuso, o modo como ela sorriu quase como se fossem cúmplices fez com que Barnes soubesse que estava no caminho certo.
— Vem. — Ele desceu da cama, estendeu a mão direita para ela, que aceitou quase no mesmo momento.
A conduziu para a varanda, pouco se importando que os dois estivessem em trajes impróprios, Barnes usava apenas um samba-canção de seda azul-marinho, e Roxanne uma camisola curta do mesmo material, mas em um tom mais royal.
Ele soltou a mão dela quando chegaram no peitoral de proteção e saltou direto paro o chão de areia lá embaixo.
— Você é louco?! — Roxanne meio gritou, meio sussurrou, olhando Barnes lá de cima. — O que você tem contra portas?
— Não seria tão divertido. — Ele deu de ombros, sentindo os pés descalços na areia fria da noite. — Vem...
— Eu não sou um supersoldado. — A italiana retrucou de forma óbvia. — E são uns dez metros.
— Eu te seguro. — Ele estendeu os dois braços. — Confie em mim.
Confiança era um tema delicado, Barnes sabia disso, principalmente com o rastro de mentiras que vinha deixando para trás, mas ele preferiu fingir que seu passado não existia e focou apenas naquele momento. A bem da verdade vinha fazendo isso há alguns dias já.
— Eu te odeio, sabia disso? — Roxanne resmungou feito uma criança birrenta, mesmo assim se empoleirou no peitoral e deu impulso para que o corpo caísse os dez metros que a separavam da praia.
Barnes a segurou com facilidade, antes mesmo que os pés femininos atingissem o chão, o braço de vibranium o redor da cintura dela.
— Odeia nada, Italianinha. — Ele retrucou, sorrindo de canto enquanto ajeitava alguns dos fios escuros dela com a mão livre.
Roxanne também sorriu, apoiando seus dois braços displicentemente nos ombros masculinos, o clima pesado que aquele pesadelo havia deixado sendo dissipado totalmente ali ao ar livre.
— Talvez eu odeie menos se você me der um beijo... — Ela soprou divertida e isso fez com que Bucky sorrisse abertamente.
— Então você quer um beijo? — Ele insinuou com o olhar travesso. — Vai ter que me alcançar primeiro.
Se afastou rapidamente, ganhando distância pela areia, enquanto Roxanne ficava para trás murmurando uma sequência quase inteligível de palavrões em italiano.
Mesmo assim, logo ela estava correndo atrás dele, afinal se havia algo certo sobre aquela Italianinha Impossível era que ela adorava um desafio e nunca desistia...
Bucky sabia que soaria piegas se dissesse algo assim em voz alta, porém ele realmente achou que havia algo de mágico naquele momento. A forma como o cabelo de Roxanne voava com a brisa, ou a risada dela se espalhando pelo ar e se misturando com o som das ondas, formando uma melodia única que com certeza ficaria gravada na mente dele.
Apenas um momento roubado, ainda assim, perfeito.
Quando ele eventualmente se permitiu ser capturado, os dois rolaram pela areia, até estarem um sobre o outro aos pés do mar, em uma bagunça de pernas e braços.
Bucky sorria, tentando sem muito sucesso arrumar o emaranhado de fios sujos de areia que haviam coberto o rosto da sua italianinha. A forma como a respiração dela ainda estava entrecortada pelo esforço e risadas a fazia uma visão adorável e memorável, algo além da Rainha da Máfia, como se houvesse uma parte dela tão escondida quanto um baú do tesouro e Barnes fosse a pessoa sortuda o bastante para encontrar essa preciosidade, sem mapa, por um simples acaso.
Era exatamente assim que ele se sentia: sortudo.
E feliz...
Muito mais feliz do que imaginou que poderia ser depois de todo o terror que havia dominado sua vida.
— Obrigada... — Roxanne agradeceu, fazendo com que seus lábios tocassem os de Bucky rapidamente em um beijo doce.
Ele sorriu, acariciando a pele feminina com a mão de vibranium, seu coração batendo depressa, tudo dentro dele se aquecendo de forma reconfortante.
— Sempre as ordens, Donna mia. — Respondeu, exibindo seu melhor sorriso charmoso.
Quando os tons da praia começaram a ficar mais alaranjados, Roxanne virou o rosto em direção ao mar, que repetidamente tentava alcançá-los e falhava.
— Olha... O Sol está nascendo. — Ela apontou com um movimento de cabeça, rolando para o lado e se sentando na areia, seus olhos presos no espetáculo natural.
Bucky se sentou também, e embora a paisagem fosse belíssima, seus olhos azuis mantiveram um único foco. Porque afinal ele ainda, e talvez mais do que nunca, tinha um único interesse ali na Sicília...
— O que foi? — Roxanne perguntou com uma risadinha confusa, quando o flagrou tão focado nela.
— Nada... — Barnes sorriu, movendo a cabeça de forma displicente.
Apenas outra de suas mentiras.
Porque, quando Roxanne voltou sua atenção para o nascer do Sol novamente, Bucky já havia se dado conta que existia apenas uma resposta honesta para aquele “O que foi?”.
Tudo.
Ele entendeu isso de um jeito quase melancólico quando outra palavra, também de quatro letras, brilhou em neon na sua mente, indicando aquilo que seu coração estava gritando há tempos e ele insistia em interpretar de forma mais suave.
Barnes absorveu a verdade como quem houve uma sentença de morte. Uma certeza cruel se instalando nele de forma dolorida... Nem todos os momentos roubados do mundo seriam o bastante.
Não mais. Não depois que a palavra paixão foi substituída por um sentimento muito mais intenso, verdadeiro e perene.
Amor.
Bucky nunca imaginou que sentir algo assim pudesse doer, mas, porra, doía pra caramba naquele momento...
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Seu banho foi longo, um momento solitário de reflexão onde Barnes não chegou a qualquer conclusão sobre a própria vida. Enquanto se trocava, seguindo as recomendações da Donna para que ele usasse roupas claras, tentou se convencer que nada havia mudado, já sabia que tinha sentimentos por Roxanne, por isso começou a roubar momentos com ela. Isso permaneceria dessa forma, afinal que outra escolhe ele tinha?
Precisa aproveitar cada segundo antes que tudo acabasse em tragédia.
Além disso, havia um certo conforto em aceitar como verdade que ele seria o único que se machucaria no fim de tudo. Era justo inclusive. Ele se convenceu que merecia o sofrimento de saber, a dor de conviver com o fim eminente, e, por último, a morte que seria sua sentença derradeira. Seria apenas um traidor da máfia, esquecido assim que o gatilho fosse puxado.
Saiu de seu quarto na mansão Domenichelli um pouco mais conformado. E, a bem da verdade, assim que seus olhos pousaram em Roxanne todo o resto simplesmente desapareceu como um estralar de dedos...
Ele sabia que a sugestão por roupas claras era o indicativo de que o dia seria leve e casual, afinal já havia percebido que a Donna alinhava a cor de suas roupas com o seu humor e com o propósito central de seus compromissos. Porém, Barnes estava tão imerso em suas questões internas que, quando escolheu aquela camisa branca de linho e a calça social de tecido leve na cor areia, ele sequer cogitou que tipo de roupa Roxanne usaria.
E mesmo que tivesse tentado imaginar, teria falhado em prever o impacto.
A própria italiana não havia seguido a recomendação de tons claros, ela estava vestida para se destacar tanto quanto um rastro de pétalas vermelhas na areia da praia.
Era esse o tom que Roxanne usava. Carmesim. Estava em seus lábios fartos e em seu vestido midi. E, podia parecer um pensamento meio ridículo, mas nenhuma outra cor pareceu combinar tanto com ela...
Bucky sequer piscou, subindo seus olhos gélidos ardentes através da peça de tecido leve que se moldava ao corpo de sua italianinha. Ele não conseguia entender como um vestido comum de comprimento médio podia deixar alguém tão sensual, mesmo tendo aquelas mangas delicadas e suavemente bufantes que davam a tudo um ar romântico. Talvez fosse o apelo da fenda que se abria na coxa esquerda, ou quem sabe a forma como o modelo destacava a cintura feminina pouco antes que o tecido justo se abrisse em um formato semi-rodado, mas provavelmente era a maneira como o corpete da peça subia até o busto da Donna, moldando os seios dela dentro de um decote coração.
Barnes nunca pensou que salivaria por mulher alguma, mas ele teve certeza que poderia babar se olhasse para Roxanne Domenichelli por tempo o bastante.
— O que? — Ela sorriu, o batom vermelho destacando ainda mais seus lábios voluptuosos, os cabelos negros soltos e suavemente ondulados caindo por seus ombros, fazendo dela a imagem perfeita de tudo que Bucky mais desejava no mundo inteiro.
Os pés dele cortaram a distância entre os dois com a paciência e lentidão intimidadora de um predador prestes a dar o bote.
— Você sabe muito bem... — Soprou, o desejo deixando sua voz dois tons mais rouca.
A proximidade era tanta agora, que fez com que Roxanne desse um passo para trás instintivamente. As costas femininas bateram contra a porta recém-fechada do quarto do qual ela havia acabado de sair.
Ambas as mãos de Barnes se moldaram a cintura feminina. O deslizar suave do toque sobre o tecido fazendo com que a Donna prendesse o ar, seus olhos negros presos no azul gélido que queimava exatamente como o tesão se espalhando pelo corpo masculino.
— Eu tenho compromissos hoje, não posso me atrasar. — Ela soprou, aquele sorriso ladino tingido com uma pitada de crueldade.
Bucky desconsiderou completamente as palavras que ouviu, a ponta de sua língua passando por seus dentes enquanto ele exibia um meio sorriso, até que seus lábios tocassem o queixo feminino, seguindo um caminho imaginário que cortava daquele ponto até o lóbulo da orelha de Roxanne.
— Achei que o propósito do feriado de Ferragosto era se divertir, ou estou errado? — Murmurou ao pé do ouvido dela, apenas para descer o rastro de beijos quentes em direção ao pescoço feminino, na intenção de provar a pele quente com a língua e sorver aquele perfume indecifrável de mulher bonita direto da fonte, como faria um simples viciado em drogas.
As mãos másculas subiram pelas curvas femininas, apalpando os lugares certos no caminho, até se moldarem aos seios de Roxanne com visível luxúria, sua língua já contornava o decote, o gemido mal reprimido da italiana arrepiando cada terminação nervosa no corpo de Bucky, e foi nesse exato momento que um som estridente se espalhou pela mansão.
— É a campainha... — Roxanne avisou, mas a forma entrecortada como sua voz saiu só fez o tesão queimar ainda mais o corpo de Barnes.
— A Benedetta abre. — Ele disse, tentando abaixar as mangas do vestido, para que isso também libertasse o decote feminino.
— Ela está de folga hoje. — A Donna colocou ambas as mãos nos ombros de Bucky e ele parou o que fazia.
Ela riu enquanto se afastava, arrumando o vestido e o cabelo no caminho para a escada. Antes de descer, porém, ela se virou novamente na direção de Barnes, suas íris de obsidiana medindo o corpo masculino dos pés a cabeça, parando no ponto especifico em que a calça social de tecido fino marcava a evidente ereção masculina. Roxanne segurou um sorriso lascivo com os dentes e, antes que Bucky tivesse oportunidade de cruzar o espaço entre eles, ela saiu correndo escada a baixo.
Barnes riu de canto, encostando a cabeça em uma das paredes, procurando uma forma de retomar o controle do próprio corpo, enquanto ouvia a Donna abrir a porta lá embaixo e saudar alguém.
— Bongiourno, Donna! — A voz feminina cumprimentou animadamente. — Está especialmente bonita hoje.
Bucky se aproximou da escada e, ocultado de olhares indiscretos pelo beiral de proteção, conseguiu olhar lá embaixo.
— Obrigada, Jack. Você também. — Roxanne agradeceu, fazendo um sorriso enorme e descontraído surgir no rosto de Jacqueline Pisanni.
— Tenho um encontro de Ferragosto. — A irmã de Nick rodopiou no próprio eixo, exibindo suas vestes descoladas. — Agradeça ao Barnes por isso, inclusive.
Bucky franziu as sobrancelhas, sem entender o sentido da frase, estava focado o suficiente na conversa para que seu corpo começasse a esfriar aos poucos.
— Aqui. Está entregue. — Jack colocou algo na mão de Roxanne. — Tudo perfeitamente ajustado.
A Donna agradeceu, dando um passo para dentro do Hall e entregando uma das chaves dos sedans para Jacqueline.
Bucky desceu alguns degraus, tentando ver o que Roxanne segurava na palma da mão. Felizmente sua curiosidade havia superado momentaneamente seu tesão, por isso, se fosse visto, não seria mais um problema.
— Nos vemos mais tarde na vinícola. — Jack se despediu da Donna e seus olhos foram atraídos para dentro da casa, por causa da movimentação nas escadas. Assim que reconheceu a figura masculina ela acenou efusivamente. — E aí, Barnes? Feliz Ferragosto!
Ele teve tempo apenas de acenar de volta, antes que Jacqueline se virasse em direção aos carros, deixando a propriedade logo em seguida.
Bucky ainda ficou parado no mesmo lugar, aos pés da escada, esperando com paciência enquanto Roxanne fechava totalmente a porta.
— Onde estávamos mesmo? — Ele questionou em tom rouco, pronto para cortar toda a distância que o separava de sua italianinha.
Era ótimo saber que Benedetta estava de folga.
— Nada disso. — Roxanne ergueu um dedo em riste para impedir Barnes de se aproximar. — Se controle, Soldado. É Ferragosto, não vamos ficar trancados dentro de casa só porque você não consegue conter seu apetite sexual.
Bucky riu de canto, incapaz de tirar seu olhar daquele corpo maravilhoso.
— Pois ficar trancado dentro de casa parece uma ótima coisa, se você quer saber. — Ele devolveu, com um sorriso ladino que deixava bem explicitas todas as suas intenções.
Azuis e negros trocaram um olhar quente, a Donna tinha um sorriso quase presunçoso nos lábios. Antes que Barnes conseguisse se aproximar o bastante para tocar o corpo feminino, ela ergueu a mão direita e balançou algo no ar.
— Tem certeza?
Bucky pousou seus olhos no objeto que a Donna exibia.
— Isso é...? — Ele reconheceu a chave-controle do carro de luxo de Roxanne antes mesmo de terminar a pergunta.
— O Ferragosto pede um veículo apropriado. — Ela disse apenas, dando meia volta e abrindo a porta novamente, pegando uma pequena bolsa clara que estava pronta sobre o móvel do hall, e saindo enfim para a área externa,
Então era isso que Jacqueline viera trazer.
Bucky teve a exatamente mesma reação deslumbrada de quando tinha visto aquela maquina de luxo pela primeira vez. O carro estava impecável, sem sequer uma poeira sobre o capô. Barnes deslizou sua mão sobre a lataria fria enquanto rodeava o veiculo em direção a porta do motorista.
Roxanne, no entanto, parou ali primeiro.
— Não. Não. — Ela ergueu o dedo em riste o movimentando de um lado para o outro, impedindo Bucky de assumir o volante. — Quem sabe eu te deixe dirigir se você for um bom menino hoje.
O sorriso aberto, que ele sequer sabia que estava exibindo, morreu completamente em seu rosto.
— Você é cruel, Roxanne Domenichelli. — Ele retrucou em um tom que era um misto de divertimento e birra.
— E, como é Ferragosto, eu vou deixar você fingir que não adora esse meu lado. — A Donna respondeu, roubando um beijo dele antes de se sentar atrás do volante.
Enquanto a capota se abria, deixando o carro conversível, Barnes deu a volta no veículo, seus olhos fixos em Roxanne, incapaz de negar o quão prazeroso e excitante era vê-la no controle daquela máquina, usando aquele vestido carmesim.
Ele se sentou no banco do passageiro, observando a Donna tirar de sua bolsa dois estojos de óculos de Sol para depois entregar um deles na mão de Barnes. Ele sequer se deu ao trabalho de questionar como ou quando ela havia conseguido um óculos masculino novinho, apenas colocou o acessório enquanto a própria Roxanne fazia o mesmo.
Eles trocaram um olhar e ela sorriu, pareando seu celular com o sistema de som, antes de fazer o motor roncar, para então guiar o carro de luxo para fora da propriedade Domenichelli...
Mesmo sentado no banco do passageiro, Bucky teve que admitir que gostaria que o caminho até o destino tivesse sido mais longo, afinal ficar sozinho naquele carro com Roxanne era infinitamente melhor do que perdê-la para os compromissos diplomáticos da Donna.
Barnes havia imaginado que o Ferragosto seria um dia de festa, e embora a ilha inteira estivesse com esse exato clima, com músicas e pessoas nas praças, comemorações em toda parte, aparentemente a posição de Roxanne pedia que ela trabalhasse também nesse dia.
Ela parou em várias festas, falou com muitas famílias de forma atenciosa e, mesmo que não parecesse tão disposta a isso, conversou até com políticos em alguns locais públicos. Bucky assistiu a essas interações há um ou dois passos de distância, em sua pose de Soldado Invernal, era interessante notar que a maior parte das pessoas lançava a ele um olhar assustado de primeira, mas depois apenas esqueciam de sua presença. Mas quem é que daria atenção a um simples soldado quando estava cara a cara com a Donna, não é mesmo?
Nas horas que se seguiram, Barnes viu Roxanne ser cercada com o carinho da imensa maioria, pessoas agradecidas pelas coisas que ela tinha feito, por provisões que havia mandado, pela segurança que fornecia. Eles a amavam.
E como não amariam?
Perto do horário do almoço, eles pararam no principal orfanato da ilha. Foi uma certa surpresa descobrir que o lugar era financiado pela Donna, isso incluía as verbas básicas e também a festa que acontecia no lugar exatamente naquele momento.
A verdade é que Barnes já não se importava mais com os crimes, com a máfia e com qualquer que fosse a lei que Roxanne Domenichelli havia quebrado ou ainda quebraria na vida.
Que a maldita balança da moralidade se fodesse, ele pensou, enquanto admirava sua italianinha cercada de crianças. O olhar dos dois se encontrou e ela sorriu, o tipo de sorriso genuíno com o poder de fazer o coração de Bucky acelerar.
E ele soube, com essa convicção assombrosa, que não haveria nenhuma outra coisa no mundo que ele desejaria mais, nenhum outro lugar onde ele gostaria de estar, mesmo que pudesse, apenas ali. Apenas com ela. E a verdade é que nenhuma Operação Roleta Russa mudaria isso...
Já havia passado do meio da tarde quando eles finalmente chegaram na vinícola, por lá a festa estava ainda mais animada, o lugar estava lotado. Pelo visto as Mamas haviam trazidos suas famílias para comemorar. Algumas pessoas tocavam instrumentos, outras cantavam, a maior parte dançava ou conversava, todas bebendo e comendo. Para onde se olhasse haviam mesas fartas e risadas.
A atenção da Donna era requisitada por toda a parte e é claro que Bucky acabou a perdendo de vista. Ele olhava por cima da multidão procurando pelo vestido carmesim que se destacaria entre as outras cores, quando notou que alguém acenava efusivamente para ele.
— Bello! — Niccolo gritou animado. — Aqui!
Barnes se aproximou do pequeno grupo que estava junto, parado ao lado de uma das mesas. Nick tinha uma garrafa de vinho na mão e bebericava direto do gargalo; Corinne se encontrava encostada sobre o tampo de uma das mesas; Pierre e a pequena Martinna dançavam juntos, batendo os pés no chão no mesmo ritmo da música; e Jacqueline estava encostada em uma mureta, praticamente colada em Georgina, a mão livre brincando com os fios ruivos.
Assim que viu que a atenção de Bucky estava sobre elas, Jack piscou para o americano, como se os dois fossem cúmplices em alguma coisa. Espera, então a Georgina era o encontro dela?
Barnes se deu conta que seu envolvimento fracassado com a ruiva, certamente havia aberto caminho para que Jacqueline ganhasse espaço. E elas faziam um belo casal, inclusive.
— Feliz Ferragosto! — Niccolo abriu um enorme sorriso, entregando a Bucky uma outra garrafa de vinho.
Aparentemente, todo mundo ali estava dispensando os copos naquele dia...
A conversa ao redor dele seguiu casual; algumas risadas de uma gracinha de Martinna; Corie e Nick implicando um com o outro; Pierre se gabando de um prato que havia feito para a festa e tinha acabado em questão de segundos; Jack roubando a cena com uma típica piada de “três homens entram em um bar”...
Bucky se encostou no muro, de forma que praticamente fechou o círculo disforme que eles formavam. Achou que se sentiria deslocado sem Roxanne ali, porém o clima divertido o deixou mais descontraído também.
— Não, espera. Agora pergunta séria aqui. — Corinne ergueu um dedo em riste, o semblante de quem tem algo muito importante para dizer. — Barnes você já fez parte dos Vingadores, certo? — Ele tentou não demostrar uma reação suspeita, com medo de que tipo de pergunta viria. Será que a francesa ainda desconfiava dele? — Então me diz... Por que a mulher do Hulk largou ele?
Bucky franziu as sobrancelhas de forma confusa, a pergunta e o sorriso que Corie abriu não faziam sentido algum.
— O Hulk não... — Ele tentou dizer, mas foi interrompido por um Nick muito entusiasmado, e certamente bêbado,
— Essa eu sei! Essa eu sei! — Ele sacudiu a mão no ar. — Ela largou o Hulk porque queria um homem mais maduro.
A pequena roda explodiu em risadas, Barnes acabou se deixando levar, um misto de alívio e descontração.
— Essa é possivelmente a pior piada que eu já ouvi na vida. — Ele apontou divertido, enquanto virava um gole de seu vinho. — E olha que eu tenho mais de cem anos.
Corinne se limitou a rir ainda mais, pelo visto aquela coisa não resolvida entre eles realmente havia ficado para trás.
— Ah, olha só, temos aqui um verdadeiro sommelier de piada. — Pierre acusou naquele mesmo tom descontraído, levando o grupo a mais risadas.
Pelo visto estava todo mundo um pouco bêbado.
— Uh! — Nick exclamou, largando sua garrafa de lado, assim que o pessoal com os instrumentos passou a tocar uma melodia mais animada. — É minha música! — Ele agarrou o braço direito de Bucky repentinamente. — Vamos dançar, Bello.
— Eu não sei dançar. — O Soldado tentou se defender, enquanto era praticamente arrastado em direção a roda que se formava.
— É claro que você sabe. — Jack soltou, enquanto passava ao lado dele segurando a mão de Georgina para conduzí-la em direção a música. — Ser pé de valsa era pré-requisito para viver nos anos 40.
— Como você tem tanta certeza disso? — A ruiva questionou em um misto de curiosidade e surpresa.
— Sei disso porque eu não sou estadunidense, ou seja, estudei história no ensino médio. — Jacqueline respondeu divertida e mais uma leva de risadas se espalhou pelo grupo.
— Vai lá, Barnes, mostra seu talento! — Corinne incentivou, erguendo sua garrafa como quem faz um brinde.
Bucky, no entanto, ainda não estava tão convencido assim. Nick parou então, focando nos olhos gélidos como faria um filhote que caiu da mudança.
— Você não negaria uma única dança a um pobre homem que está sem par em pleno Ferragosto, não é mesmo? — Disse, se fazendo de coitado.
Barnes acabou rindo. Talvez não custasse nada. Estendeu sua mão direita para o italiano então, como fazia lá nos anos 40, quando queria bancar o cavalheiro. Em seguida, conduziu Nick Pisanni para a o meio do povo que já dançava.
Não que Bucky tivesse qualquer experiência com aquele ritmo, mas a bem da verdade ninguém ali parecia ter. Estavam apenas pulando na batida da música alegre, rodando em círculos de um lado para o outro com os braços enganchados, era bem possível que, tirando as crianças que dançavam com ainda mais empolgação, todos os outros estivessem com a mente turva e leve por causa do vinho.
Mas Barnes não estava.
Tudo nele se encontrava plenamente ciente do ambiente ao seu redor e de toda a alegria que transbordava de cada uma daquelas pessoas. E, por isso, ele sabia com convicção que... bom... talvez ele pudesse de fato se encaixar ali.
Desde que a Hydra havia roubado sua vida, Barnes não se lembrava de ter estado tão feliz daquela forma, tão à vontade com um grupo. Sim, experimentou paz em Wakanda, sentiu-se alegre e acolhido entre a família e amigos de Sam Wilson. Mas aquilo era diferente.
Porque Bucky se sentia deslocado de alguma forma em todos esses lugares, mas não ali na Sicília, rodeado de estranhos que também tinham suas mãos sujas de sangue de uma forma ou de outra, mas que eram boa gente, pouco importava o que dizia o código penal...
Ainda estava com esse pensamento em mente, rindo do final da música e da insistência de Niccolo para dançar mais uma, quando teve aquela sensação inconfundível de que estava sendo observado. Seus olhos gélidos começaram a vasculhar o ambiente, não demorando muito para encontrar as íris abissais bastante conhecidas. Roxanne sorriu, algo único que indicava muito bem o segredo que os dois estavam compartilhando.
Por um instante Bucky desejou que eles não precisassem ser discretos, que ele apenas pudesse caminhar até ela, puxar sua mão para dentro da roda, envolver sua cintura e dançar com ela até o fim da festa, para que todos soubessem que ela era dele e de mais ninguém.
No entanto isso não podia acontecer...
E a pior parte era sequer poder sonhar com um futuro em que esse desejo se tornaria realidade, porque Barnes sabia muito bem que seu tempo ali era contado. Mas ele não queria pensar em nada disso naquele instante.
Roxanne fez um movimento mínimo com a cabeça e cortou por entre a multidão para o lado oposto. Barnes não tinha certeza do motivo, mas sabia que era um convite, por isso fez o melhor que pôde para sair dali discretamente, o que não foi difícil, afinal outra música havia começado e agora Nick dançava com a pequena Martinna, já que Pierre havia puxado a esposa para o meio da roda. No fim, todos ali estavam muito mais preocupados em se divertir.
Assim que conseguiu se afastar do núcleo da festa, Bucky começou a procurar por Roxanne, seguindo o caminho das videiras. Aos poucos a música ficava para trás, cada vez mais espalhada no ar e mais distante, conforme os pés de uva ficavam mais e mais abundantes, formando paredões longos de plantação a perder de vista.
— Estava se divertindo, James? — A voz da Donna soou alguns metros a frente.
— Na verdade, eu estava sim. — Ele sorriu enquanto respondia, olhando por entre as folhagens, apenas para ver o rasto vermelho do vestido da italianinha.
Ela estava há apenas alguns corredores de distância.
— Eu gostei de ver isso... — A voz feminina tinha um quê divertido de insinuação.
— Estão você está me espionando, é? — Barnes respondeu naquele mesmo tom.
Ele foi abrindo espaço por entre os pés de uva para avançar pelos corredores da plantação.
— Eu sou a Donna, tenho que saber tudo que meus homens estão fazendo na minha ausência. — A voz de Roxanne estava muito mais perto agora, a frase fez com que Bucky sorrisse de canto.
Ele finalmente saiu no exato corredor em que ela estava, ao lado do muro que delimitava a propriedade.
— Então quer dizer que eu sou seu homem? — Questionou, excluindo o plural na frase de propósito.
Roxanne estava parada de costas para ele, seu cabelo se movendo suavemente com a brisa leve.
— Você é? — Ela devolveu a pergunta, sem virar o corpo naquela direção, enquanto Bucky cortava o espaço entre eles.
— Desde que você seja minha italianinha. — Murmurou em resposta, afastando os fios negros para deixar um beijo suave no pescoço da Donna, pouco antes de segurar a cintura dela com as duas mãos e virá-la de frente, fazendo com que os olhares se encontrassem finalmente, no mesmo instante em que ele prensava o corpo feminino contra o muro, seus lábios exibindo um sorriso ladino. — Você não achou mesmo que podia fugir de um supersoldado, não é?
— E quem disse que eu estava fugindo? — Roxanne retrucou com o mesmo sorriso, puxando a camisa branca de linho em sua direção, para finalmente colar os lábios dos dois.
Bucky se deixou levar pelo intenso beijo que ele havia ansiado o dia todo, suas mãos deslizando pelo corpo feminino na mesma velocidade lenta em que as línguas se entrelaçavam. Era insano notar o quão cativo ele estava daquela italianinha, ele a queria a todos os instantes, seu corpo queimava por ela.
Segurou a coxa feminina exposta pela fenda do vestido, fazendo com que aquela parte do corpo de Roxanne se encaixasse no osso do quadril masculino, porque isso permitia que eles pudessem ficar ainda mais perto.
Quanto mais o beijo esquentava, mais os corpos se moviam um contra o outro, provocando o contato certo em todas as partes, fazendo com que um tesão visceral tomasse conta das veias de Bucky, culminando em sua ereção de forma dolorida.
Ele interrompeu o beijo bruscamente, virando Roxanne de costas ao segurar firmemente na cintura feminina, segundos depois envolveu os fios compridos com a mão direita, a fim de expor o pescoço dela completamente, para pudesse deixar um rastro de beijos e chupões leves por ali.
Seus corpos estavam colados, a ereção masculina perfeitamente encaixada na bunda feminina contra os tecidos das roupas, o prazer tomando conta de cada terminação nervosa de Bucky com qualquer mínimo movimento de Roxanne.
Ele a apertou um pouco mais contra o muro, sua mão de vibranium estimulando um dos seios dela de forma luxuriosa, enquanto seus dedos da outra mão se entrelaçavam aos da Donna, apoiados sobre a superfície de concreto.
O toque gelado de vibranium desceu pelo corpo feminino, encontrando a fenda do vestido e voltando a subir por ali, se infiltrando abaixo do tecido. Roxanne afastou um pouco mais as pernas, empinando a bunda no processo e fazendo com que Bucky chupasse a pele do pescoço delicado por puro impulso.
Ele a tocou por cima da renda da lingerie, seus dedos de vibranium deslizando pelos contornos daquilo que o tecido escondia, colocando a pressão certa para que Roxanne tivesse que engolir um gemido.
— James... — Ela murmurou o nome dele no tom de uma prece angustiada.
E como se fosse um deus benevolente, Bucky atendeu essa prece, afastando a renda para penetrar Roxanne com dois dedos de vibranium. A forma deliciosa como ela gemia, enquanto ele a estimulava sem pressa, quase o fez gozar bem ali.
— Eu preciso de você... — Murmurou rouco e excitado. Então a italianinha subiu o vestido com a mão livre, em um claro convite.
Ele arrumou o quadril feminino, fazendo com que ela empinasse um pouco mais a bunda, tirando os dedos de dentro dela para que pudesse lidar com as próprias peças de roupa. Difícil dizer se era o fato de estar queimando por ela desde cedo, se era o lugar e a situação que os rodeava, ou aquela posição específica e toda a loucura do momento, mas certamente deslizar entre as pernas de sua italianinha em uma só estocada firme naquele instante foi uma experiencia única e insana.
Ela apoiou as duas mãos no muro, passando a rebolar no mesmo ritmo em que ele estocava, deixando que seus gemidos se espalhassem pelo ar com a segurança de que estavam longe demais das pessoas para serem ouvidos e, mesmo que não estivessem, a música alta abafaria qualquer outro som.
Barnes estocava cada vez mais rápido e firme, dando vasão aos seus instintos enquanto enrolava os fios negros no punho de vibranium, pouco antes de estralar um tapa leve com a mão direita na bunda feminina.
Roxanne soltou um gemido misturado com um palavrão em italiano, totalmente rendida e entregue de uma forma que fazia o corpo masculino entrar em êxtase.
Ele se curvou um pouco sobre ela, apenas para sussurrar perto de seu ouvido.
— Isso é por você ter sido tão cruel comigo hoje mais cedo...
— Pelo carro, ou por ter te deixado de pau duro? — Ela ofegou de volta, uma pitada de desafio misturada ao tesão em sua voz.
Bucky desceu outro tapa casado com uma estocada mais forte, fazendo com que um gemido ainda melhor agraciasse seus ouvidos.
— Pelas duas coisas. — Ele respondeu, aumentando o ritmo ao sentir que estava muito perto do ápice.
— Não para. — Roxanne pediu manhosa e de pernas trêmulas. Os sinais claros de seu corpo provando que ela também estava quase lá.
Barnes apoiou sua mão direita na cintura feminina e manteve o ritmo até que o prazer completo do clímax se apossasse do seu corpo, a melodia afrodisíaca que sua italianinha emitia tornando tudo ainda melhor...
Quando os dois finalmente se separaram, ela encostou no muro, seus olhos focando nas íris gélidas, um sorriso bonito em seu rosto corado, a respiração desconexa indo e vindo sem qualquer ritmo.
— Não sinto minhas pernas. — Ela ofegou, fazendo com que Bucky risse de forma divertida.
Ele fechou as próprias calças e tirou alguns minutos para arrumar o vestido carmesim no corpo feminino, ajoelhando aos pés de Roxanne para tirar a calcinha dela que não estava mais em condições de ser usada.
— Eu fico com isso. — Ele enfiou a peça no bolso, aproveitando aquela posição para deixar um beijo na coxa feminina exposta pela fenda.
Se colocou de pé novamente, arrumando o decote da italiana e alinhando os cabelos dela da melhor forma que conseguiu.
— Odeio o fato de que você está pleno, sem sequer um pingo de suor no rosto. — Roxanne meio riu, meio ofegou, esfregando os dedos ao redor dos lábios masculinos, no intuito de limpar o batom que havia se transferido de um para o outro.
— Vantagens de ser um super soldado. — Ele sorriu, se aproximando um pouco mais para beijá-la de forma doce.
Existia um clima ameno e divertido no ar, além de ser evidente que eles haviam atingido um nível de cumplicidade e intimidade que Barnes nunca teve com mais ninguém.
Roxanne pousou os braços nos ombros masculinos, nenhum dos dois fazendo qualquer movimento para sair daquele cantinho escondido. Seus olhares presos e seus sorrisos sincronizados, como se nada mais no mundo existisse além dos dois.
— Vamos escapar de fininho enquanto eles se divertem? — Ela perguntou de repente, um quê de travessura em sua voz.
— Você que manda, Donna mia. — Barnes topou de imediato, ganhando um grande sorriso de presente.
— Me encontra no estacionamento. — Roxanne se desencostou do muro e começou a caminhar na frente. — Traga uma garrafa de vinho.
Bucky ainda esperou alguns minutos para que ela tivesse a vantagem, sabia que os dois saindo do mesmo caminho em momentos parecidos seria suspeito, por isso ele preferiu dar a volta no terreno, pegar a garrafa de vinho direto do estoque e acessar a área de estacionamento por trás.
O local estava vazio, a não ser pela grande quantidade de carros diversos, a música alegre chegava um pouco mais alta ali, Barnes notou que sorria e sequer saberia dizer o motivo.
— Sabe o que eu ouvi dizer, James? — A voz de Roxanne veio em um misto de diversão e superioridade.
Não foi difícil encontrá-la já esperando por ele, encostada em seu belíssimo carro de luxo.
— O que? — Ele perguntou em retorno, diminuindo consideravelmente a distância entre os dois.
— Que você foi um bom menino hoje... — Ela sorriu, trocando a chave-controle do carro pela garrafa de vinho na mão dele. — Ou melhor, você foi um ótimo menino.
O sorriso aberto de Barnes não escondia sua empolgação, algo que acabou fazendo a Donna rir enquanto se dirigia ao banco do passageiro.
Ele sentou no lugar do motorista, se sentia um garotinho que ganha o presente que sempre quis no natal. Deu a partida e deixou que o motor roncasse alto, suas duas mãos alisando o volante antes que ele acelerasse em direção a saída.
Aquele carro era certamente o veículo mais macio que Bucky já havia pilotado, sequer tremia na estrada, rodando liso sobre o asfalto, como se flutuasse um centímetro acima do chão o tempo todo.
Roxanne abriu a garrafa de vinho, bebendo diretamente do gargalo um segundo antes que seus olhos escuros encontrassem os azuis por um microinstante e eles sorrissem um para o outro.
— Vira aqui... — Ela apontou a saída a direita, um caminho totalmente diferente do usado para chegar à mansão Domenichelli.
— Pra onde estamos indo? — Bucky questionou curioso.
— Logo você vai saber, segue a estrada. — Roxanne respondeu apenas, se arrumando um pouco melhor para outra vez sincronizar seu celular com o sistema de som.
Em questão de segundos a melodia tomou conta do espaço, algo que combinava muito bem com a euforia crescente de acelerar aquele carro na estrada vazia.
Bucky estava feliz. Feliz do tipo leve e casual, como se ele fosse apenas um cara comum levando sua garota para uma viagem de verão no finzinho da tarde.
Os sapatos de Roxanne ficaram esquecidos sobre o tapete do carro enquanto ela se arrumava um pouco melhor no banco, a fim de colocar a garrafa de vinho sobre os lábios masculinos para que ele tomasse um gole da bebida. Algo que Barnes certamente poderia ter feito sozinho, afinal nada impedia que tirasse uma das mãos do volante, mas não teria tão divertido.
Pelos próximos vinte minutos ele apenas dirigiu, seguindo uma ou outra recomendação da Donna sobre o caminho. Logo surgiu diante deles uma enorme estrada plana que se perdia de vista, a região ao redor da pista dominada pela vegetação local, nenhuma única alma ou curva por todo o lugar que os olhos podiam enxergar, apenas o Sol sumindo no horizonte pouco a pouco.
Bucky sorriu, segurando o volante com firmeza antes de pisar mais fundo no acelerador, exigindo do motor tudo que ele podia dar. O vento entrando livre pela capota aberta, os cabelos compridos de Roxanne voando por toda a parte enquanto ela erguia as mãos e gritava no meio de uma risada. Não havia uma forma melhor de descrever aquela sensação de liberdade, euforia e felicidade, a não ser dizer que era um baita tesão.
— Você parece muito mais feliz colocando as mãos nesse carro do que colocando as mãos em mim, sabia? — A italianinha comentou divertida.
— Não me diga que está com ciúmes de uma máquina? — Barnes retrucou, alternando seu olhar entre a silhueta feminina e a estrada vazia.
— Não seja presunçoso, americano. — Ela devolveu, se ajoelhando no banco para dar a ele mais um gole de vinho.
Claramente foi proposital da parte de Roxanne ter deixado a bebida bordô escorrer pelo canto dos lábios de Barnes, apenas para se curvar e lamber a gota que escorria pelo pescoço, subindo a língua de volta pela linha da mandíbula masculina logo depois disso.
Aquilo teve impacto imediato no corpo dele, espalhando um arrepio quente por toda a parte, fazendo seu sangue correr mais rápido por suas veias.
— Será que uma máquina conseguiria fazer isso? — A Donna perguntou em tom insinuativo, pouco antes de beijar o pescoço de Bucky outra vez, seus lábios quentes chupando a pele com a pressão certa para que a sensação culminasse diretamente entre as pernas dele.
— Não me provoca, italianinha... — Barnes murmurou, apertando um pouco mais as duas mãos no volante, como se isso fosse manter sua sanidade.
— Por que não? — Ela riu, deixando um beijo bem no canto dos lábios dele. — Agora não é exatamente o momento seguro para te provocar?
— Defina “seguro”. — Bucky tentou não gemer quando levou outro chupão no pescoço.
— Você teve tudo que quis agora pouco, então está satisfeito, cansado e calmo. — Roxanne respondeu, continuando com sua provocação sem fazer ideia de que estava brincando com fogo.
Barnes riu, soltando uma mão do volante para segurar o pulso delicado, a fim de conduzir o toque feminino para uma parte muito específica do seu corpo.
— Será? — Ele devolveu, fazendo com que Roxanne apalpasse sua ereção.
Ela mordeu o lábio inferior em um misto de surpresa e apreciação.
— Você sempre esquece do fator supersoldado, não é? — Bucky lançou, se concentrando novamente na estrada. — Agora, para de me provocar e me deixa dirigir.
Pensou que isso fosse fazer com que Roxanne voltasse a se sentar direito, porém, ela continuava com a mão nele, colocando a pressão certa no aperto.
— Por que? — Devolveu em claro desafio. — Você não acabou de dizer que é um supersoldado? Cadê o seu foco então?
Ela o acariciou de forma mais ousada, espalhando uma dezena de arrepios prazerosos pelo corpo masculino. Bucky se limitou a rir, meio rouco de tesão, crente que aquela provocação não passaria de uma brincadeira.
Talvez por isso tenha deixado a italianinha continuar o que fazia, chegando a se arrumar melhor no banco quando ela quis abrir a calça social que ele usava.
Barnes tentou manter o foco na estrada enquanto era punhetado pelas mãos macias, mas quando Roxanne curvou o corpo na direção dele, o tocando com os lábios quentes...
— Porra... — O tesão da cena como um todo fez com que aquela fosse uma das experiências mais insanamente excitantes de toda a sua vida.
— Continue dirigindo, James. — A Donna ordenou, enquanto lambia todo o comprimento dele, pouco antes de deslizá-lo para dentro de sua boca.
Barnes pisou no acelerador, uma mão no volante e outra apoiada nos cabelos negros, enquanto Roxanne ditava o ritmo perfeito. Era quase irreal que aquilo realmente estivesse acontecendo.
A estrada vazia, o carro de luxo que ele dirigia em alta velocidade, a própria rainha da máfia pagando o melhor boquete de sua vida... Não tinha como Bucky aguentar muito, mesmo que quisesse...
E nem todos os palavrões do mundo teriam dado conta de expressar a sensação insana que foi se derramar nos lábios de Roxanne, apenas para se deliciar com a visão de vê-la engolir tudo.
— Feliz Ferragosto, Amore mio. — Ela declarou de forma divertida, logo depois de estalar um beijo na boca dele, finalmente voltando para seu lugar em seguida.
— Meu feriado preferido de todos os tempos! — Bucky respondeu, no auge da plenitude.
Não tinha como aquele dia ficar melhor...
Pelos próximos quilômetros os dois voltaram a casualidade, fazendo nada além de acabar com a garrafa de vinho, curtir a viagem e comentar sobre as festas acontecendo na cidade.
— Vai me dizer para onde estamos indo agora? — Bucky perguntou em certo momento, vendo que já haviam adentrado a noite e ainda não tinham chegado.
— Você é muito curioso. — Roxanne retrucou em uma repreensão divertida. — Só segue a estrada.
Bucky sorriu, notando o quanto eles haviam evoluído desde o momento em que o Soldado Invernal pisou na Sicília, estavam confortáveis um com o outro, o segredo que os tornava cumplices havia criado laços inegáveis entre os dois.
A verdade é que Barnes adorava se sentir importante para a Donna, mesmo que fosse apenas uma ilusão de momento.
— Então vai pelo menos me contar para onde você foi hoje quando sumiu? — Questionou, puxando um assunto qualquer.
— Eu estava falando com o Frank em chamada de vídeo, a operação deles para extrair a tecnologia Stark do DCD é hoje, deve estar acontecendo agora, inclusive. — A resposta provou que ele havia escolhido o assunto errado.
— Vai dar tudo certo, Roxanne. — Segurou a mão dela em um gesto de apoio.
— Eu sei. — A Donna soou convicta. — Vira aqui.
Felizmente esse assunto desagradável ficou de lado enquanto Barnes seguia a pequena estrada de terra morro acima, ele não queria estragar aquele dia perfeito com a realidade pesada que os espreitava.
Com as curvas estreitas no caminho, o próximo trecho foi lento, mas nenhum dos dois no carro parecia preocupado com isso, como se ambos estivessem tentando fazer aquele feriado ser mais longo.
Já era meio da noite quando a estradinha estreita finalmente se abriu em uma grande clareira no topo do morro, Bucky foi agraciado com uma vista de tirar o fôlego. Dali era possível apreciar toda a ilha, com suas luzes e cores, até que essa parte da Sicília se encontrasse com o mar lá embaixo. Era como se estivessem no céu, vendo como era o mundo de cima.
— Chegamos. — Roxanne declarou com um sorriso satisfeito.
— Uau! — Foi tudo que Barnes conseguiu dizer.
Eles desceram do carro e se encostaram no capô, a garrafa vazia de vinho sendo abandonada sobre o banco ao lado do celular de Roxanne, enquanto os sapatos dela permaneciam jogados ali no tapete do veículo. Por alguns minutos eles ficaram em silêncio, encostados no capô, apenas a música, agora bem mais calma, entoando entre eles através dos falantes.
Era impressionante notar que as estrelas no céu limpo pareciam de alguma forma refletir as luzes da cidade, Barnes pousou seus olhos em sua italianinha e ela estava visivelmente comovida com a vista.
— Eu amo esse lugar, sabia? — Ela comentou, e ele soube que não se referia apenas àquele morro em específico. Era sobre a Sicília como um todo. — É a coisa mais linda.
Roxanne sorriu, calma, relaxada, era tão evidente que aquela ilha estava em suas veias, a Sicília era bem mais que o lar da Donna, era parte de quem ela era. E a verdade é que Bucky não se importaria em viver ali para sempre se pudesse... Desde que fosse com a sua italianinha.
Uma outra música começou naquele instante, um misto de batida grave e acordes suaves que deixava um clima romântico e quente no ar.
— Me daria essa honra? — Bucky estendeu sua mão de vibranium na direção de Roxanne repentinamente.
— Sério? — Ela perguntou, parecendo um pouco incrédula demais naquela situação tão simples.
— Já que não posso dançar com você no meio de uma festa... — Ele manteve o convite aberto, a mão ainda estendida na direção dela.
Por um segundo, quando deslizou seus dedos sobre a palma de vibranium, mesmo com a parca claridade que iluminava a clareira, Barnes teve certeza que viu as bochechas femininas ficarem coradas.
Eles caminharam alguns metros para longe do carro, os pés descalços de Roxanne não fazendo qualquer som sobre a grama, a mão livre de Barnes deslizando na cintura dela e a puxando para mais perto. Os olhos negros exibindo um brilho que misturava vulnerabilidade, fascinação, surpresa, dúvida e algo mais, um olhar tão cativante que Bucky já estava hipnotizado mesmo antes de começar a dar os primeiros passos.
Suas atenções permaneceram focadas um no outro, mesmo quando fogos de artificio estouraram no céu escuro, vindos de alguma das festas na ilha.
— O que? — Bucky questionou em um sussurro, admitindo que era incapaz de decifrar completamente aquele olhar, mas querendo muito saber o que se passava na mente de Roxanne naquele momento.
— É só que... — Uma das mãos dela estava apoiada no ombro dele, enquanto os dois se moviam no ritmo da música. — Do jeito que você falou agora, realmente ficou parecendo que você gostaria de dançar comigo em público.
Barnes sorriu calmamente. Como era possível que Roxanne cogitasse duvidar daquilo?
— Eu dançaria com você em qualquer lugar, mesmo que o mundo todo estivesse olhando, Donna Mia. — Ele afirmou com convicção, cobrindo os lábios femininos com os seus delicadamente.
Talvez ele não soubesse descrever com exatidão, mas com certeza havia algo intenso e puro fluindo entre os dois naquele momento, enquanto se beijavam sem parar de dançar. Não era apenas tesão, era algo mais...
Bucky tentou avisar ao seu coração traiçoeiro que ele estava se iludindo. Sim, Roxanne tinha dito com todas as palavras que o queria, porém, querer, tesão, desejo, tudo isso era apenas químico e, por mais que fosse maravilhoso, ele não podia cair na armadilha de se achar algo mais que um segredo que ela se divertia em manter.
Roxanne era a Donna, a rainha de um império, e ele era apenas Bucky Barnes, um americano que tinha vivido um pouco mais do que devia e que acabou naquela ilha pelo motivo errado. Não podia se iludir achando que aquilo que queimava seu peito era mútuo, não podia pensar que significava algo mais para ela.
E, na verdade, não precisava significar, não precisava ser mútuo, bastava que Roxanne o desejasse o suficiente para querer manter aquele segredo por mais um tempo, pouco importava o motivo, não fazia diferença que fosse apenas pela química insana que eles tinham.
Ele ficaria ao lado de sua italianinha enquanto pudesse, enquanto ela ainda quisesse...
E depois que tudo viesse à tona ele seria apenas mais um gatilho que ela puxou. Algo que ela esqueceria em um simples piscar de olhos. Estava conformado com isso.
Até lá, faria valer a pena cada segundo...
Puxou o corpo feminino para mais perto do seu, segurando a cintura dela com o braço de vibranium e a erguendo do chão, fazendo com que Roxanne instintivamente cruzasse as pernas ao redor da cintura dele.
— O que você está fazendo? — Ela perguntou, deixando que uma risada descontraída escapasse de sua garganta.
— Você sabe muito bem... — Bucky se limitou a dizer, enquanto caminhava com ela firme nos braços em direção ao carro.
— Dio mio! — Roxanne meio xingou meio riu. — Você não cansa?
— De você? Nunca! — Ele respondeu convicto.
Precisava dela. Não apenas pelo sexo incrível, mas porque naquele momento, mais do que nunca, precisava sentir que os dois tinham uma conexão, algo deles, algo mútuo. Algo que fosse permanecer na memória dele mais do que qualquer terror que durou décadas...
Então eles voltaram para o carro. A camisa masculina manchada de vinho ficando em algum lugar da grama, junto com as outras peças, depois que Roxanne as tirou lentamente do corpo de Bucky. Os seios dela expostos, o vestido carmesim esquecido sobre o para-brisa, sem que nenhum dos dois lembrasse como foi parar lá. Os beijos quentes deixando marcas muito mais permanentes que qualquer coisa física que já tivesse acontecido com qualquer um dos dois.
As mãos dela firmes nos fios castanhos dele enquanto o corpo feminino subia e descia ao encontro do masculino, ambos sentados sobre o banco da frente, totalmente entregues ao momento, suas respirações sincronizadas, suas peles nuas em contato completo, seus gemidos soando em conjunto. Era mais que apenas sexo, foi nisso que Bucky quis acreditar, mesmo que estivesse se iludindo...
— Olha pra mim. — Ele pediu, apoiando sua mão direita sob o queixo feminino para que os olhos se encontrassem. — Me diz que você é minha.
Estava tão entorpecido pela mistura alucinante de amor e tesão que sequer pensou em como aquilo soaria para Roxanne.
— Eu sou... — Ela murmurou contra os lábios dele, sem parar de mover os quadris, ditando um ritmo cada vez mais intenso.
Não era o bastante para Barnes.
— Você é o que? — Ele insistiu, precisava que ela dissesse, nem que fosse uma só vez, nem que fosse mentira.
— Eu sou sua... — Roxanne declarou no meio de um gemido. — Eu sou sua, James.
Aquelas quatro palavras tão simples provocaram uma reação em cadeia nas sinapses nervosas dele, cada pequeno átomo de seu corpo colapsando de prazer.
— Porra... — Ele gemeu, embriagado pelo clímax, apertando o corpo feminino contra o seu. —Eu te amo tanto.
Roxanne tremeu em seus braços, o prazer pulsando nela de forma perceptível, o delírio disso fazendo com que os movimentos continuassem e fossem diminuindo bem devagar, até que os dois estivessem apenas meio deitados e meio sentados no banco daquele carro de luxo. Os dedos de Barnes fazendo desenhos imaginários nas costas femininas, em um carinho suave que refletia o que a própria italiana fazia no peitoral masculino.
Apenas uma música qualquer soando pelos autofalantes, o tipo ameno de melodia.
Nenhum dos dois parecia querer se mover mais do que o necessário para aquele carinho suave, não houve qualquer tentativa de se levantarem. Da parte de Barnes, sequer havia desejo algum de ir embora dali.
O sono se arrastava através da pele dele, suas pálpebras um pouco mais pesadas, ele disse a si mesmo que fecharia os olhos por apenas alguns segundos.
Um pouquinho só...
— James...? — Roxanne chamou baixinho, e o toque suave dela sobre o rosto masculino, fez com que Bucky piscasse desnorteado.
— Hum... — Ele se limitou a dizer, meio letárgico de sono.
— Temos que ir, vai amanhecer em algumas horas.
Ele franziu as sobrancelhas, as palavras fazendo pouco sentido.
— Mas a gente acabou de chegar aqui.
Roxanne riu baixinho.
— Você tirou um cochilo de algumas horas.
— Que? — Ele esfregou os olhos, se movendo e notando que estava sozinho no banco, coberto com uma manta fina e macia que ele certamente não sabia de onde tinha vindo.
Roxanne estava parada do lado de fora do carro, já de vestido, debruçada sobre a janela aberta, o capô estava fechado, provando que realmente Bucky havia apagado por um tempo.
— Quanto eu dormi? — Ele questionou, vendo que suas roupas estavam sobre o banco do passageiro. — De onde veio essa coberta?
— Do porta-malas, mantenho alguns itens de emergência por perto. — Ela começou a explicar enquanto ele fazia seu melhor para vestir a boxer no espaço diminuto do carro. — Começou a esfriar durante a madrugada, não queria que se resfriasse.
Bucky sorriu, podia dizer que, sendo um supersoldado que foi congelado várias e várias vezes, não era uma simples friagem da madrugada que o deixaria doente, porém, no fundo gostava de se sentir cuidado por Roxanne.
Ele pegou a calça sobre o banco, encontrando o celular da Donna abaixo da peça, o visor indicava as três da manhã.
— Caramba eu dormi mesmo. — Ele riu, focando no rosto feminino. — Você conseguiu descansar também?
Roxanne se limitou a mover a cabeça em afirmativa, mas Barnes já a conhecia bem o bastante para reconhecer uma mentira tão simples.
— Tudo bem? — Ele perguntou, descendo do carro, deixando a calça em qualquer lugar para tocar a Donna com carinho.
Ela não respondeu de imediato, seus olhares se encontraram e era como se o peso do mundo estivesse turvando as águas abissais das íris negras. Seja o que fosse, havia perturbado Roxanne no decorrer de todas aquelas horas.
— O que aconteceu? — Bucky insistiu, começando a se preocupar.
— Ontem quando... quando... você sabe. O que você disse era... — Ela não parecia capaz de completar as frases, quase como se tivesse medo das próprias palavras.
Barnes piscou algumas vezes, tinha dito muitas coisas na noite passada, levou dois ou três segundos para que ele se desse conta de quais eram as palavras questão. Algo que ele falou tão instintivamente que sequer notou naquele momento.
Algo importante.
O receio abateu o corpo de Bucky, e se a Donna achasse aquilo muito precipitado? E se ela não quisesse sentimentos envolvidos naquele segredo? Ela podia julgar que era um risco para sua missão?
Ele temeu que tivesse estragado tudo falando de mais, apenas por que se deixou levar por um dia quase mágico.
O silêncio fez com que Roxanne umedecesse os lábios de forma tensa.
— Olha... está tudo bem se foi... foi só algo que você disse por dizer no momento. — Ela balbuciou incerta, e foi só então que Barnes decifrou as incógnitas no olhar escuro.
— Você duvida de mim? — Ele questionou, sem se afastar um só passo, sabia que era uma pergunta traiçoeira devido a todas as mentiras que seguiam seu rastro. — Foi exatamente o que você fez quando eu disse que queria ter dançado com você na frente de todo mundo.
— Eu só... — As palavras travaram na garganta feminina. — Eu não duvido de você, James é só que... — Os olhos negros, agora marejados, encontraram os azuis de novo. — Você me faz muito feliz. E eu não... Não imaginei que pudesse ter isso um dia.
Oh...
Bucky não esperava ouvir algo assim, o coração dele bateu mais forte, suas mãos tremendo de emoção, uma sequência de pensamentos conflitantes disparando em sua mente.
Era mútuo. Mesmo que Roxanne ainda não fosse capaz de falar a palavra amor, ele não podia ignorar o que estava vendo nas íris dela. E isso mudou tudo.
Porque se era mútuo ele significava algo para ela. Algo importante. Algo que faria a diferença. Algo que deixaria uma marca...
Todo o tempo Barnes aceitou que seus momentos roubados resultariam em sua própria dor, e ele se conformou com isso, encararia a morte certa sem problemas.
O ponto é que não era mais sobre a dor dele, porque agora Bucky sabia que não seria apenas um idiota que traiu a máfia e morreu por isso, ele não seria esquecido com o tempo. A dor que sempre pensou que seria apenas dele, pertenceria a Roxanne também.
Ele despedaçaria o coração dela de dentro para fora.
E a pior parte é que Barnes já havia puxado o gatilho, não tinha mais como voltar atrás daquele ponto.
A única coisa que havia lhe restado era ser honesto, talvez alguma esperança nascesse disso...
— Ah, Donna mia... Eu nem lembrava mais o que era felicidade antes de você. — Segurou o rosto feminino entre as mãos, mantendo seus olhares unidos. — Eu falei sério quando disse que te amo. Muito sério.
A forma como Roxanne moveu as sobrancelhas com os olhos marejados foi extremamente comovente. Bucky sentia que sangrava por dentro.
— Olha... — Ele disse a primeira palavra tentando conter o medo e a incerteza. Será que na ânsia de proteger aquilo que mais queria, ele estava prestes a destruir justamente isso? — Eu tenho que te contar uma coisa...
— Pode falar... — A Donna murmurou meio incerta, totalmente alheia ao que estava prestes a acontecer.
Bucky abriu a boca, procurando a melhor forma de começar aquela narrativa cheia de verdades dolorosas, no entanto, o som que se espalhou pela clareira não foi o da voz masculina e sim o do toque de um celular, que provavelmente ainda estava conectado aos falantes do carro.
Do lugar em que estavam, Roxanne não teve que fazer muito mais do que mover a cabeça um centímetro para esquerda, para conseguir ver o visor do aparelho que estava sobre o banco. O rosto dela perdeu toda a cor imediatamente, a mudança foi tão drástica que Bucky olhou por cima do ombro, o contato ligando estava salvo como “pista de pouso”. Isso não dizia nada, além disso, era um péssimo momento para interrupções.
— Tudo bem? — Ele perguntou, vendo o peso nos olhos negros.
— Só tem um motivo para que eles me liguem da pista de pouso... — Roxanne balbuciou tensa.
Bucky não precisou de outra palavra, a resposta surgiu em sua mente como um lampejo:
— O Viktor está aqui.
Merda!
A pior parte era que o olhar escuro de Roxanne exibia as mesmas dúvidas que rodavam em looping na mente de Barnes:
Por que aquele maldito havia aparecido antes do planejado? E, o mais importante, onde estava o Frank que não avisou antes que aquela bomba atingisse a Sicília?
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