Notas iniciais
Oi, tudo bem? O Natal foi bom por aí? Segue mais um capítulo da nossa história especial de fim de ano. Espero que vocês gostem Boa leitura!!

Sasuke decidiu que não alteraria a rota de entrega dos presentes. Seria algo complexo demais, uma engrenagem a mais em um mecanismo que estava funcionando perfeitamente. As rotas haviam sido calculadas com precisão milimétrica. Mexer nisso agora seria como tentar reorganizar flocos de neve durante uma nevasca, tecnicamente possível, mas desnecessariamente complicado.

Não. Ele faria isso fora da operação principal. Uma missão paralela. Uma missão pessoal.

Sasuke caminhou até o vestiário dos operadores, onde dezenas de uniformes vermelhos pendurados em fileiras perfeitas aguardavam seus donos. Passou pelos trajes já designados, cada um com uma pequena etiqueta dourada com o nome do operador, até alcançar o fundo da sala, onde ficavam os uniformes reserva. Aqueles mantidos em perfeito estado para emergências, para quando algum operador adoecia ou quando, em raras ocasiões, um traje era danificado durante uma entrega particularmente complicada.

Pegou um dos conjuntos, sentindo o tecido macio e quente entre os dedos. Não era simplesmente roupa, era tecnologia e magia tecidas juntas. O vermelho vibrante nunca desbotava, o branco das bordas nunca sujava, e o material se ajustava perfeitamente a quem o vestia, mantendo temperatura ideal independente do clima. Mas o mais importante era o encantamento. Qualquer porta, qualquer janela, qualquer entrada se abria automaticamente para quem usasse o uniforme. Era o passe mestre definitivo, a chave que abria todos os lares onde a magia era esperada.

Sasuke se trocou metodicamente. Primeiro a calça vermelha, depois a camisa, o casaco com seus botões dourados, o cinto largo de couro preto, as botas que eram macias por dentro. Por último, o gorro tradicional com seu pompom branco na ponta.

Olhou-se no espelho.

Era estranho. Toda sua vida vira seu pai, seu irmão, inúmeros operadores usando esse uniforme. Mas vê-lo em si mesmo, ver como o vermelho contrastava com seus cabelos escuros, como o traje de alguma forma o fazia parecer mais... acessível, mais caloroso... foi um momento de estranheza e reconhecimento simultâneos.

“Eu sou o Papai Noel”, pensou, e a ideia era ao mesmo tempo ridícula e profundamente séria. “Pelo menos, por esta noite, para uma pessoa, eu sou.”

Sakura o encontrou na plataforma de embarque, segurando um presente perfeitamente embrulhado.

— Encontrei algo perfeito — ela disse, entregando-lhe a caixa com um sorriso. — Naruto é fã do Montreal Canadiens. Tem pôsteres no quarto, assiste todos os jogos, usa bonés do time constantemente. Isso é uma camiseta oficial de edição limitada.

Sasuke pegou o presente. O embrulho era laranja vibrante, a cor favorita de Naruto, segundo a ficha, com um laço prateado que brilhava suavemente sob a luz. Era do tamanho perfeito, tinha peso agradável, e Sasuke podia imaginar a expressão de Naruto ao abri-lo.

— Perfeito — concordou. — Obrigado, Sakura.

Então caminhou até o trenó que Sakura havia preparado, um modelo elegante, menor que os usados nas entregas principais, mas igualmente equipado. As renas já estavam atreladas, seis delas com pelagem marrom avermelhado. A que liderava o grupo, uma fêmea de pelagem mais avermelhada que as outras chamada Kurama, virou a cabeça na direção de Sasuke e fez um som suave de reconhecimento.

— Prontas para uma missão especial? — Sasuke perguntou, acariciando o focinho de Kurama. A rena bufou em resposta, e ele sentiu através do toque a concordância dela, a excitação pela jornada.

Subiu no trenó, acomodando o presente cuidadosamente ao seu lado. As rédeas de couro macio se ajustaram às suas mãos como se fossem feitas para ele. Respirou fundo, sentindo a magia do uniforme, do trenó, das renas, tudo convergindo em um único propósito.

— Vamos — disse simplesmente, e Kurama deu o primeiro passo.

O trenó deslizou pela pista de neve compactada, ganhando velocidade. As renas correram, mais rápido, seus cascos mal tocando o chão. E então, naquele momento mágico que nunca deixava de tirar o fôlego de Sasuke, elas se elevaram.

O Polo Norte ficou para trás em questão de segundos.

O trenó era rápido. Rápido igual a um avião, talvez até mais. O mundo abaixo se transformava em um borrão de luzes e sombras, passando como páginas sendo viradas. Mas a magia do veículo os protegia completamente. Não havia pressão atmosférica esmagadora, não havia vento cortante roubando o fôlego. Apenas uma brisa invernal suave, carregando o aroma de pinho e neve, acariciando o rosto de Sasuke enquanto as renas galopavam através do próprio ar.

Kurama liderava com confiança, as outras cinco seguindo em formação perfeita. Sasuke não precisava guiá-las muito, elas conheciam o caminho, sentiam o destino através da mesma magia que mantinha o trenó voando. Mas ele mantinha as rédeas firmes, conectado a elas, compartilhando a jornada.

O céu noturno se estendia infinitamente ao redor, estrelas brilhando com uma intensidade que nunca podia ser vista do chão. A lua, quase cheia, iluminava as nuvens abaixo como se fossem campos de neve celestiais. Era lindo. Era perfeito. Era magia em sua forma mais pura.

E em poucas horas, o Canadá surgiu abaixo dele.

Sasuke reconheceu imediatamente o lugar quando as renas começaram a descer.

A memória o atingiu com força inesperada. Ele tinha sete anos. Havia uma tempestade de neve, uma das piores que o Canadá e o norte dos Estados Unidos já haviam visto em décadas. Operadores foram acidentados, trenós danificados, a operação Natal daquele ano estava à beira do colapso. Não havia mais operadores reserva, todos estavam trabalhando, e Fugaku, que era o responsável por aquela região naquele ano, não teve escolha senão entregar os presentes pessoalmente.

Sasuke se lembrava claramente de ter implorado para ir junto. Itachi também. E Fugaku, talvez porque estava exausto demais para recusar, talvez porque queria que os filhos vissem o que significava realmente comprometimento com o legado da família, concordou.

Foi incrível. A primeira vez que Sasuke andou de trenó não em um voo de treino seguro, mas em uma operação real. Sentir a urgência, a responsabilidade, a magia pulsando através de cada entrega. Foi naquela noite, no meio daquela tempestade impossível, que a faísca acendeu em seu coração. Foi quando Sasuke soube, com absoluta certeza, que seguiria o legado da família. Que trabalharia para o Natal.

Mas o trenó que usaram naquela noite teve problemas. O sistema de propulsão mágica falhou temporariamente, consequência da sobrecarga causada pela tempestade. Ficaram encalhados por alguns minutos em algum lugar no Canadá, pousados em uma rua residencial enquanto Fugaku realizava reparos rápidos.

E o lugar era aquele.

Sasuke reconheceu a rua quando Kurama começou a descer. A mesma curvatura, as mesmas casas com seus telhados íngremes para lidar com a neve, os mesmos postes de luz que projetavam círculos amarelados sobre o asfalto.

Era a rua de Naruto.

Quase em frente à casa de Naruto, Sasuke percebeu com um choque de reconhecimento que fez seu coração acelerar.

Naquele ano, Naruto tinha sete anos também. Foi aquela noite que ele viu o trenó. Viu Fugaku, Itachi e Sasuke. Naruto devia ter acordado, olhado pela janela, e visto algo que marcaria sua vida para sempre.

Eles estiveram tão próximos.

Doze anos atrás, dois meninos de sete anos, um no trenó, outro na janela, conectados por um momento de magia pura que nenhum deles esqueceria.

A ideia fez algo estranho com o coração de Sasuke. Uma sensação de destino, de círculos se fechando, de que talvez nada disso fosse coincidência. Talvez a magia tivesse planos maiores.

Sasuke estacionou o trenó sem cerimônias em frente à casa de Naruto. O veículo era invisível aos olhos humanos em geral, apenas aqueles que acreditavam genuinamente no Natal e no Papai Noel podiam vê-lo. E como já eram quase uma da manhã da madrugada do dia 25, Sasuke acreditava que a maioria dos que podiam ver estavam dormindo.

E de fato estavam. A rua estava silenciosa, apenas o som distante do vento movendo galhos de árvores e o farfalhar ocasional de neve caindo de telhados.

Sasuke desceu do trenó, seus pés tocando a neve sem fazer barulho. Pegou o presente embrulhado em laranja e caminhou até a casa. Era menor do que ele imaginava, uma construção simpática de dois andares, com decorações natalinas por toda parte. Luzes coloridas piscando ao redor das janelas, um boneco de neve inflável no jardim, e uma coroa de azevinho na porta.

Parou em frente à janela da sala. A cortina estava aberta, provavelmente deixada assim de propósito, e Sasuke podia ver perfeitamente o interior.

Lá no sofá, estava Naruto.

O coração de Sasuke deu um pulo estranho.

Naruto estava dormindo tranquilamente, o corpo enrolado em uma posição que parecia desconfortável mas de alguma forma adorável. Ele usava aquele pijama ridículo de renas e bengalas doces que estava mencionado na ficha. Seus cabelos loiros estavam ainda mais bagunçados do que na foto, espalhados pelo almofada. Uma caneca vazia descansava no chão ao lado do sofá, e a garrafa térmica estava caída de lado, também vazia.

“Tentou ficar acordado”, Sasuke pensou com uma ternura que o surpreendeu. “Preparou tudo, esperou, mas o sono venceu.”

E então viu o rosto de Naruto iluminado pela luz suave da árvore de Natal. Mesmo dormindo, havia algo sereno naquela expressão. Os lábios curvados em um leve sorriso, como se estivesse tendo um bom sonho.

Um sorriso involuntário se formou no rosto de Sasuke. Ele era lindo pessoalmente. Mais do que a foto sugeria. Havia uma qualidade... viva nele, mesmo dormindo. Como se a própria alegria emanasse de cada poro.

A vontade de fazer um carinho nos cabelos despenteados surgiu forte e súbita.

Sasuke segurou a vontade com força, balançando a cabeça para si mesmo. “Profissionalismo”, lembrou-se firmemente. “Você está aqui para fazer uma entrega, não para...”

Mas ele não completou o pensamento.

Demorou um minuto para pensar qual seria a melhor abordagem para entrar. Descer pela chaminé era lenda, um mito perpetuado por um operador irresponsável décadas atrás que tinha o péssimo hábito de entrar por chaminés. Sempre causava confusão, quase sempre sendo avistado, mas de alguma forma a história se espalhou e se tornou parte do folclore. A realidade era muito mais simples e elegante.

O protocolo geral eram portas e janelas. E não importava se estavam fechadas, a magia do uniforme do Papai Noel automaticamente abria qualquer entrada. Era um dos encantamentos mais antigos e poderosos tecidos no tecido vermelho.

Sasuke optou pela praticidade e decidiu entrar pela porta mesmo. Aproximou-se, e antes que pudesse sequer tocar a maçaneta, sentiu a magia pulsar através do uniforme. A fechadura clicou suavemente, e a porta se abriu com facilidade perfeita, sem fazer nenhum som.

Entrou na casa, fechando a porta atrás de si com igual silêncio.

O interior era acolhedor. Paredes decoradas com fotos de família — Naruto pequeno sendo abraçado por uma mulher de cabelos vermelhos e um homem loiro, todos rindo. A árvore de Natal dominava um canto da sala, excessivamente decorada com o mesmo entusiasmo característico que Sasuke estava começando a associar com Naruto. E ali, pendurada na janela exatamente como a ficha mencionava, estava a meia vermelha com "NARUTO" bordado em letras brancas.

Na mesinha de centro, Sasuke viu o potinho de biscoitos amanteigados. Havia um bilhetinho ao lado, e ele não resistiu a pegar para ler.

"Oi, Papai Noel. Me leva para passear de trenó?"

A caligrafia era caprichada mas tinha uma qualidade juvenil, e algo no pedido tão direto, tão honesto, fez o coração de Sasuke apertar.

“Vou levar”, ele pensou, dobrando o bilhetinho cuidadosamente e guardando-o no bolso do casaco.

Caminhou até a árvore e colocou o presente cuidadosamente logo abaixo da meia pendurada. O embrulho laranja brilhava sob as luzes coloridas da árvore, perfeitamente posicionado para ser a primeira coisa que Naruto veria ao acordar.

Sasuke lançou um último olhar para Naruto, que ainda dormia como um anjo no sofá. A luz da árvore fazia seu cabelo brilhar como ouro, e aquela expressão serena, aquele sorriso suave nos lábios...

Dessa vez, a vontade de passar a mão no cabelo não foi controlada.

Antes que pudesse pensar melhor, antes que a racionalidade pudesse intervir, Sasuke se viu caminhando em direção ao jovem que dormia. Seus passos eram silenciosos, e ele se ajoelhou ao lado do sofá, ficando na altura do rosto de Naruto.

Sasuke estendeu a mão, hesitante por apenas um segundo, e então seus dedos tocaram os fios dourados.

Eram macios. Mais macios do que pareciam. Sasuke passou os dedos pelos cabelos cuidadosamente em um carinho suave.

“Por que estou fazendo isso?”, uma parte dele perguntou. Mas a resposta não importava. Ou talvez a resposta fosse simples demais para ser admitida, que era porque queria. Porque Naruto era lindo e especial, e porque algo nele chamava Sasuke de uma forma que não conseguia explicar.

Foi quando percebeu o que estava fazendo, ajoelhado ao lado de um estranho adormecido, acariciando seus cabelos como se fosse algo natural. O impulso de levantar rapidamente veio, forte e urgente.

Sasuke começou a se erguer, mas foi impedido.

Um par de mãos segurou a mão que estava nos cabelos, mantendo-a no lugar.

O coração de Sasuke parou.

Lentamente, seus olhos desceram para encontrar o rosto de Naruto.

Que não estava mais dormindo.

Um par lindo de olhos azuis, mais vibrantes, mais profundos, mais vivos do que qualquer foto poderia capturar, encarava Sasuke. Não com surpresa, não com medo. Mas com algo que parecia ser... reconhecimento. Alegria. Deslumbramento puro.

A voz que saiu dos lábios de Naruto era rouca de sono, mas carregada de emoção que fez o peito de Sasuke apertar.

— Sabia que você existia. É bom te ver, Papai Noel.

~*~

Sasuke ficou imóvel por um momento, seu cérebro trabalhando freneticamente para processar a situação e determinar qual seria a melhor forma de agir.

Não havia nada nos protocolos da Noel Foundation que explicitamente proibia ser visto pelos humanos que moravam fora do Polo Norte. Na verdade, a roupa de Papai Noel era encantada especificamente para permitir que apenas os crentes vissem o Papai Noel, era parte fundamental da magia, o reconhecimento visual que validava anos de fé. Porém, a interação direta não era recomendável. Quanto menos contato, menos chances de acidentalmente desfazer a magia do Natal através de algum deslize, alguma palavra errada, alguma ação que quebrasse a ilusão.

Sasuke pensava freneticamente na melhor maneira de sair daquela situação e interagir o mínimo possível. Deveria se levantar, dizer algo gentil mas breve, e partir rapidamente. Sim. Essa era a abordagem correta e profissional.

Mas então Naruto voltou a falar, e sua voz capturou completamente a atenção de Sasuke:

— Papai Noel, se eu te soltar, você promete não ir embora?

Havia algo na voz dele, uma mistura de esperança e vulnerabilidade, medo de que aquele momento fosse apenas um sonho que se dissiparia, que amoleceu completamente qualquer resolução que Sasuke tinha formado.

E ele só conseguiu acenar que sim com a cabeça, incapaz de formar palavras.

Após o aceno, Naruto imediatamente soltou a mão de Sasuke, mas seus olhos azuis permaneceram fixos nele, como se tivesse medo de que, mesmo com a promessa, o Papai Noel pudesse desaparecer em uma nuvem de fumaça.

Sasuke deveria sair o mais rápido possível. Cada segundo a mais ali era um risco, uma complicação adicional. Mas ele havia prometido que não iria embora, não poderia partir abruptamente assim. Isso poderia deixar Naruto com raiva, com desilusão, até mesmo com ódio ao Papai Noel. E isso, de acordo com as políticas da Noel Foundation, definitivamente não deveria ser estimulado.

“Apenas alguns minutos”, Sasuke decidiu. “Vou ficar apenas alguns minutos, garantir que ele está bem, e então partir gentilmente.”

Naruto olhou para os biscoitos na mesinha de centro da sala e notou que o bilhetinho que havia colocado não estava mais lá, mas o potinho de biscoitos permanecia intacto. Seu rosto se iluminou com uma compreensão súbita, o Papai Noel havia lido sua mensagem!

— Papai Noel, senta aqui — Naruto indicou o sofá, dando tapinhas no espaço ao seu lado com entusiasmo infantil. — Experimenta os biscoitos, eu fiz pra você!

Pegou o pote, abriu com mãos ligeiramente trêmulas de excitação, e entregou a Sasuke.

Sasuke pegou um biscoito, dourado perfeitamente, com aroma de baunilha e manteiga, e começou a comer silenciosamente. Estava delicioso.

Os olhos de Naruto brilharam.

— Então é verdade! Papai Noel gosta mesmo de biscoitos amanteigados!

E então, como se uma comporta tivesse se aberto, Sasuke foi disparado por uma sessão de perguntas:

— Você tá diferente da última vez que te vi, tá mais jovem! Como isso funciona?

— Na última vez que eu te vi você tava levando dois meninos no trenó, eles eram quem?

— Você me leva também?

— Papai Noel, posso te abraçar? Posso sentar no seu colo?

Antes que Sasuke conseguisse responder qualquer coisa, antes que pudesse sequer abrir a boca, Naruto se jogou no colo dele.

O impacto foi suave mas completamente desestabilizante. Naruto era sólido e quente, seu corpo encaixando-se contra o de Sasuke de uma forma que fez o coração do operador perder completamente o ritmo. Braços se enrolaram ao redor do pescoço de Sasuke, e Naruto enterrou o rosto na curva entre seu ombro e pescoço, abraçando-o com uma força que era ao mesmo tempo desesperada e terna.

— Obrigado por existir — Naruto murmurou contra o tecido vermelho do uniforme, sua voz abafada mas carregada de emoção pura. — Obrigado por ser real.

Sasuke começou a fazer um controle enorme para não desvirtuar do propósito que tinha ali. Ele era um profissional. Tinha treinamento. Sabia manter distanciamento emocional. Mas com Naruto no seu colo, agarrado a si como se Sasuke fosse a coisa mais preciosa do mundo, esse controle se tornava cada vez mais difícil.

O calor do corpo de Naruto penetrava através das camadas de roupa, sólido e reconfortante. E aquele cheirinho de baunilha vindo dos cabelos dourados que agora estavam tão próximos do rosto de Sasuke estava fazendo sua mente viajar para lugares completamente inadequados.

“Foco”, Sasuke ordenou a si mesmo severamente. “Você é o Papai Noel. Profissionalismo. Distância apropriada.”

Mas suas mãos, traidoras, já haviam se movido instintivamente, uma pousando nas costas de Naruto, a outra descansando levemente em sua cintura.

Sasuke finalmente conseguiu falar, sua voz saindo mais rouca do que pretendia:

— Respondendo às suas perguntas... eu gosto de biscoitos amanteigados, mas não sei se todos os Papais Noel gostam. E o Papai Noel que você viu anteriormente era outro Papai Noel. Desculpa por não ser aquele.

Naruto se afastou apenas o suficiente para olhar para o rosto de Sasuke, mas permaneceu confortavelmente instalado em seu colo.

— Outro? Tem mais de um Papai Noel?

— Nessa operação Natal, eu é que sou o responsável por esta região — Sasuke explicou, tentando manter o foco enquanto aqueles olhos azuis o estudavam com fascínio absoluto. — E sim, tem mais de um Papai Noel... — ele pausou, tomando uma decisão que sabia que provavelmente quebraria protocolos — ...e sim, você pode dar uma volta de trenó comigo.

O sorriso que explodiu no rosto de Naruto foi tão radiante, tão genuinamente feliz, que Sasuke sentiu algo apertar dolorosamente em seu peito.

— Você tá dizendo que tem vários Papais Noel? — Naruto insistiu, sua curiosidade claramente insaciável. — Como funciona isso? É tipo... uma família? Uma organização? Vocês se revezam?

Sasuke suspirou, percebendo que não havia como evitar a explicação agora.

— É mais complexo do que a lenda sugere. Existe a Noel Foundation, uma organização que trabalha para manter viva a magia do Natal. Minha família, os Uchiha, fazem parte dela há gerações. Existem vários operadores, cada um responsável por diferentes regiões do mundo. Quando você tinha sete anos e viu o trenó, era meu pai pilotando. Eu e meu irmão mais velho estávamos com ele naquela noite.

Naruto escutava tudo com atenção absoluta, seus olhos arregalados, completamente absorto em cada palavra.

Enquanto falava, Sasuke percebeu que, sem pensar, uma de suas mãos mantinha Naruto seguro pela cintura enquanto a outra havia começado a fazer carinhos distraídos em sua coxa.

Aquele momento era tão confortável para Sasuke. Tão certo, de uma forma que não deveria ser. Naruto encaixado em seu colo, ouvindo com fascínio genuíno, o calor compartilhado entre eles, a suavidade da interação. Ele não queria que se acabasse. Não queria deixar Naruto.

Sasuke se lembrou do presente, a razão oficial pela qual estava ali.

— Ah, eu trouxe seu presente. Está embaixo da meia que você pendurou.

Naruto pulou do colo como se tivesse levado um choque de excitação, e Sasuke imediatamente sentiu a ausência de seu calor como algo físico. Assistiu enquanto Naruto corria até a árvore, pegava o embrulho laranja e o abria com dedos ligeiramente trêmulos.

A felicidade estava estampada em seu rosto quando viu a camisa.

— Essa camisa é de edição limitada! — Naruto exclamou, segurando a peça contra o peito como se fosse feita de ouro. — Eu queria ela tanto! Só o Papai Noel pra saber que eu a queria tanto assim. Não contei pra ninguém, nem pros meus pais. Só mantive o link de compra salvo no meu celular!

Sasuke apenas sorriu, algo quente e suave se espalhando por seu peito ao ver a alegria genuína.

— Papai Noel, eu vou subir e guardar o presente no meu quarto — Naruto disse, apertando a camiseta contra si. — Mas promete, promete que não vai embora sem me levar pra andar de trenó!

Sasuke assentiu, e essa deveria ter sido a deixa perfeita. Naruto subiria as escadas, e Sasuke partiria. Ele sabia que era a melhor hora de deixar Naruto, que depois se tornaria mais difícil para ele se separar do jovem.

Mas quando Naruto desceu as escadas poucos minutos depois, agora vestindo um casaco grosso de inverno sobre o pijama de renas, gorro de lã cobrindo parcialmente os cabelos rebeldes, e viu que o Papai Noel ainda estava ali, esperando como prometido, seu sorriso se tornou tão radiante que praticamente iluminou a sala inteira.

— Você realmente me esperou! — havia surpresa e deslumbramento em sua voz, como se metade dele tivesse esperado que fosse um sonho.

~*~

O voo foi mágico no sentido mais literal da palavra.

Sasuke ajudou Naruto a subir no trenó, observando enquanto o rapaz acariciava o assento de couro macio com reverência, seus dedos traçando os entalhes decorativos com cuidado. Kurama, a rena líder, virou a cabeça para olhar para o passageiro novo e fez um som suave de aprovação.

— Posso tocá-la? — Naruto perguntou, já estendendo a mão mas esperando permissão.

— Claro.

Naruto acariciou o focinho de Kurama com delicadeza, e a rena se inclinou para o toque, claramente apreciando a atenção.

— Elas são tão bonitas — Naruto murmurou, maravilhado.

Sasuke se acomodou ao lado de Naruto, pegando as rédeas.

— Segure firme — avisou, e então, com um comando suave, Kurama começou a correr.

O trenó deslizou pela neve, ganhando velocidade, e então, naquele momento de pura magia, elevou-se.

Naruto deixou escapar um som, metade riso, metade exclamação de deslumbramento. Suas mãos agarraram a lateral do trenó, os olhos arregalados enquanto assistiam a rua ficar cada vez menor embaixo deles.

— Não acredito — ele sussurrou. — Não acredito que isso é real!

Sasuke guiou o trenó em um círculo suave sobre a cidade. As luzes de Natal abaixo criavam um tapete de cores, vermelhos, verdes, dourados, azuis, cintilando contra o branco da neve.

— É lindo — Naruto disse, sua voz carregada de emoção. — É mais lindo do que eu imaginei.

Sasuke olhou para ele, para o perfil iluminado pelas luzes da cidade abaixo, para a expressão de alegria pura e deslumbramento, e pensou que Naruto era mais lindo do que qualquer paisagem natalina poderia ser.

Voaram sobre a cidade por vários minutos, Naruto absorvendo cada segundo como se quisesse gravar aquele momento permanentemente em sua memória. O vento suave bagunçava ainda mais seus cabelos, e suas bochechas ficaram rosadas com o frio, e ele ria com uma alegria tão genuína e contagiante que Sasuke se pegou sorrindo também.

Foi quando começaram a descer, circulando de volta para a rua de Naruto, que o rapaz de repente se virou para olhar diretamente para Sasuke.

— Papai Noel, você é muito bonito, sabia? — Naruto disse com a voz suave. — Acho que vou sonhar com você por um bom tempo.

Sasuke sentiu seu rosto esquentar instantaneamente, agradecido pela escuridão parcial que esperava esconder o rubor que certamente estava pintando suas bochechas.

— Eu... isso não é... — ele gaguejou, completamente pego de surpresa.

Naruto apenas sorriu, aquele sorriso que já estava gravado permanentemente na mente de Sasuke.

— Papai Noel... posso te dar um beijo?

O coração de Sasuke parou completamente.

Isso definitivamente, definitivamente não estava nos protocolos. Isso era... isso era uma linha que não deveria ser cruzada. Mas quando Sasuke abriu a boca para recusar educadamente, para explicar que não seria apropriado, o que saiu foi simplesmente:

— Sim.

E ele virou o rosto, oferecendo a bochecha, porque isso pelo menos mantinha algum nível de apropriação, alguma distância segura.

Mas Naruto tinha outros planos.

Com mãos gentis mas firmes, ele segurou o rosto de Sasuke e o virou de volta, e antes que Sasuke pudesse processar o que estava acontecendo, lábios suaves pressionaram contra os seus.

O beijo foi um choque total. Sasuke congelou, seus olhos arregalados, o cérebro tentando processar a sensação de lábios quentes contra os seus, o gosto levemente adocicado de chocolate e baunilha.

Foi casto inicialmente. Apenas um pressionar suave de lábios, uma conexão simples e doce.

Mas então Naruto se afastou apenas um centímetro, respiração irregular, e voltou. E voltou novamente. Selinho após selinho, cada um um pouco mais demorado que o anterior, cada um fazendo o coração de Sasuke bater mais descontroladamente.

E então, entre um beijo e outro, Naruto entreabriu os lábios e deslizou a língua contra o lábio inferior de Sasuke, um pedido silencioso de mais.

Sasuke deveria parar. Deveria se afastar. Deveria lembrar quem era, o que estava fazendo ali, todos os protocolos que estava quebrando.

Mas em vez disso, ele entreabriu os próprios lábios e permitiu que Naruto aprofundasse o beijo.

E então não havia mais pensamentos coerentes.

A língua de Naruto deslizou contra a sua, explorando, experimentando, e Sasuke sentiu cada sensação como se fosse amplificada mil vezes. O calor, o gosto, a umidade, a suavidade. Cada movimento de língua, cada ajuste de ângulo, cada pequeno som que Naruto fazia contra seus lábios.

A mão de Sasuke, que ainda segurava as rédeas, apertou-as com força suficiente para embranquecer os nós dos dedos. A outra encontrou o caminho até a nuca de Naruto, dedos se enterrando naqueles cabelos impossíveis, mantendo-o próximo enquanto se entregava completamente ao beijo.

Naruto se pressionou mais perto, praticamente subindo no colo de Sasuke ali mesmo no trenó, e Sasuke o puxou, uma das mãos agora firme na cintura do rapaz, mantendo-o seguro e próximo.

O beijo ficou quente, desesperado, anos de espera de Naruto e semanas de tensão não reconhecida de Sasuke convergindo em um momento de necessidade pura.

Quando finalmente se separaram, ambos estavam sem fôlego. Naruto encostou a testa contra a de Sasuke.

— Melhor do que eu imaginei — Naruto sussurrou, e então sorriu, aquele sorriso que Sasuke estava começando a amar perigosamente. — Muito melhor.

E Sasuke, segurando aquele rapaz que acreditava em magia, que havia beijado o Papai Noel, soube com certeza absoluta que estava completamente, irrevogavelmente perdido.

A magia, afinal, sempre tinha seus próprios planos.

E Sasuke não estava mais lutando contra eles.

Notas finais
Obrigada por acompanharem essa história especial de fim de ano, como o próximo capítulo é só ano que vem... que 2026 venha com saúde, alegria, sonhos realizados e muitas histórias boas para lermos juntos. Beijinhos e até ano que vem!! Edit 14/02/26 - Oi, gente! Eu acabei perdendo o timing dessa história. A ideia era ter concluído logo após o Ano-Novo, mas surgiram vários compromissos pessoais e minha inspiração acabou se voltando para outros projetos. Não quero deixar essa história sem conclusão. Só que, sendo sincera, finalizar agora com a vibe mágica e natalina não combina mais com o momento. Por isso, decidi que vou concluir a história em dezembro de 2026. 💛
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.