Operação Cupido
1 Oneshot
Notas iniciais
Espero que vocês gostem.
Victoria Williamson respirou fundo quando seu pai parou o carro na frente na nova escola. Tudo estava mudando tão rápido. Sua avó, quem cuidava dela na inglaterra, tinha falecido a algumas semanas. E então, seu pai, que já passava boa parte do tempo no Brasil a trouxe de vez para cá. Darcy suspirou a ver a expressão aérea dela.
— Vicky, filha, eu sei que esses dias tem sido difíceis para você. Sem sua avó, em outro país. Eu queria poder fazer algo para facilitar as coisas para você.
— Está tudo bem papai. Uma nova escola é uma nova chance, certo? — Sua vó costumava falar algo assim. — Quem sabe nessa as meninas não gostam de mim?
— Eu virei te buscar, está bem? E qualquer coisa peça a madre superiora para ligar no meu escritório.
— Tudo bem. — Ela balançou a cabeça e abriu a porta do carro. Porém seu pai segurou seu braço antes dela sair.
— Eu te amo. — Ele falou, vendo os olhos dela, um espelho dos seus.
— Eu também te amo.
Assim que Victoria desceu do carro e ajeitou a saia, ela encarou a escola. Era outra escola só de meninas. Ma essa era católica. Era nem ela católica. Mas segundo seu pai, era a melhor escola de São Paulo. Ela entrou e foi procurar a madre, que explicou qual era a sua turma e a levou até a noviça que seria sua professora. A noviça falou que ela poderia entrar e assim ela fez. Escolheu uma mesa na frente, perto da professora. Na sua antiga escola, era a única que conversava com ela. Mas quando o sinal tocou e as outras meninas entraram na sala, ela começou a ficar ansiosa. Pediu a professora que não a apresentasse para a turma. Ela tinha muita vergonha. E assim, a professora começou a aula normalmente. Algumas meninas a encaravam, mas quando a aula já estava no meio, a madre superiora entrou na sala.
— Bom dia, turma.
— Bom dia, madre. — As meninas responderam em uníssono.
— Vocês já foram apresentadas a nova colega de turma? — As meninas balançaram a cabeça negativamente, fazendo que madre desse um olhar de reprimenda a professora. — Levante-se, querida. — Ela falou a Victoria, que suspirou e levantou-se. — Esta é Lady Victoria Williamson. Ela estudará com vocês. Quero que todas façam o possível para fazer ela se sentir em casa. Afinal, vocês estão tendo a honra de estudar com uma condessa.
Victoria deu um sorriso amarelo e a madre deixou a sala. Todas as meninas voltaram a cochichar, mas logo passaram a puxar conversa com ela. De onde ela era? Ela era da nobreza? Conhecia alguma princesa? Victoria não sabia o que fazer. Nunca tinha visto tantas meninas interessadas em ser sua amiga. Na hora do recreio, no entanto, enquanto se dirigiam ao refeitório, viu que uma menina de sua sala se sentou sozinha, pondo uma boneca de pano na sua frente. Quase todas as outras meninas estavam com ela.
— Quem é aquela? — Victoria perguntou para Mariana.
— Ah, é a Louise.
— E por que ela está sentada sozinha?
— A gente não fala com ela.
— Por quê? — Victoria quis saber.
— Bem, ela não tem um pai. — A menina sussurrou.
— E daí? Eu não tenho mãe.
— Mas ela a mãe dela é mãe solteira. — Outra menina sussurrou. Victoria não entendia. Seu pai também era solteiro.
— E vocês não falam com ela por isso?
— E também porque ela é pobre. Minha mãe disse que ela é o caso de caridade da Madre Ester. — Victoria encarou a garota de cabelos vermelhos. Ela parecia não se importar. Conversava animadamente com a boneca enquanto abria a lancheira. Ela sabia exatamente como a menina se sentia. Na outra escola, ela era aquela menina. E ela se viu numa encruzilhada. Poderia ignorar, e continuar com as suas novas várias amigas, ou, poderia ir lá, falar com ela. Mas tinha uma leve sensação que isso acabaria com a sua recém adquirida populariedade. Ela tentou ignorar a menina, mas não conseguiu. Por fim ela apenas levantou, pegou sua lancheira e disse para as outras meninas.
— Não é legal não falar com as pessoas. Machuca os sentimentos dela.
— Ah, mas a Louise já está acostumada. — Alguém lhe respondeu.
— É, ela não se importa. — Mas Victória as ignorou e foi até a mesa da menina.
— Olá. Eu posso me sentar com você?- A garota levantou os olhos para ela e olhou em volta.
— Comigo?
— É.
— Está bem. — Louise pegou a boneca que estava sentada na sua frente a apontou a cadeira para Victoria.
— Me chamo Victoria Williamson. — Ela estendeu a mão.
— Eu sei. Eu sou Louise Benedito. Você sabe que não deveria estar falando comigo não é?
— Por que você não tem um pai? Eu não tenho uma mãe. — Ela encarou o lanche de Louise: bolos e biscoitos, além de suco. O dela era duas maçãs. Seu pai não sabia preparar nada e eles ainda estavam sem empregada. Louise a viu encarando e dividiu seu bolo em dois pedaços e a entregou um.
— O que aconteceu com sua mãe?
— Ela morreu quando eu nasci. — Victoria mordeu o bolo- Isso está muito bom. E o seu pai?
— Obrigada. É de cenoura. Eu não tenho. Eu tive um, antes. Mas meus pais de sangue morreram na guerra. Então minha mãe me adotou.
— Ah. Meu avô também morreu na guerra. E você gosta da sua nova mãe?
— Ela é a melhor, mais bonita e mais inteligente mulher do mundo! O nome dela é Elisabeta.
— Poxa, eu queria ter uma mãe.
— Você pode brincar com a minha.
— Sério?
— Claro.
— E o seu pai? Ele é legal?
— Ele trabalha muito. E é péssimo cozinheiro. Ontem ele tentou fazer macarrão mas foi a pior coisa que já comi. — Ela riu. — Mas ele é muito bonito e legal. Ele é muito bonzinho. — Ela pôs os dedos no queixo. — Também posso te emprestar.
— Maravilha! E como é ser uma condessa?
— Eu não sou uma condessa. Sou filha de um conde.
— E não é a mesma coisa?
E assim, Victoria Williamson e Louise Benedito se tornaram amigas. Melhores amigas. A verdade é que, quando se tem oito anos, tudo que você precisa para ser melhor amiga de alguém é alguma coisa em comum e disposição para isso. E como nossas duas pequenas heroínas tinham isso de sobra (além de uma incrível necessidade de amizade a ser preenchida) esse sentimento foi quase espontâneo. O que elas não sabiam, é que o caminho dos seus pais quase se cruzaram o dia inteiro. Darcy parou no semáforo e Elisabeta atravessou a rua naquele momento. Eles tomaram café no mesmo lugar, com uma pequena diferença de minutos. O jornal em que ela trabalhava ficava no mesmo bairro da empresa dele. E quando eles foram buscar as filha quase se chocaram. Quase.
Louise estava saltitando quando Elisabeta apareceu para pegá-la. Estava atrasada de novo. tinha ficado presa no jornal.
— Eu sei, eu sei. Sorvete. — Elas tinham um acordo. toda vez que Elisa se atrasava mais que meia hora para pegá-la, ela pagava Louise um sorvete.
— Mamãe, você não vai acreditar o que aconteceu na escola hoje! — Elisabeta respirou fundo. Já imaginou alguma das meninas implicando com a filha. Lhe chamando de cabeça de fósforo e pequena órfã.
— Quem foi dessa vez? Que eu vou logo na madre, e …
— Não mamãe. Dessa vez foi bom. Eu fiz uma amiga.
— Uma amiga? — Elisabeta olhou para ela empolgada.
— Sim! O nome dela é Victoria e pai dela é um conde! Dá para acreditar? E ela também não tem uma mãe então ela não se importa em eu não ter um pai. Ela é muito legal. Ela usa óculos, igual a tia Cecília!
— Mas isso não é fantástico?
— É incrível! — Ela respondeu enquanto elas esperavam o bonde para ir para casa.
Do outro lado da cidade, Victoria tinha uma conversa semelhante com o pai. Darcy ficou feliz de ver a filha animada de verdade com algo. Quando ele queimou a carne, Victoria falou:
— Vamos jantar fora?
— Excelente ideia. E eu juro que vou entrevistar alguém.
Mas o trabalho do seu pai o mantinha muito ocupado. Passado duas semanas, Darcy não tinha conseguido encontrar ninguém, mas ele só tinha entrevistado duas pessoas. Se sentia um fracasso. Louise sempre dividia seu lanche com ela e depois de um tempo passou a levar tudo dobrado.
— Eu falei com minha mãe que seu pai era péssimo cozinheiro. E depois daqueles biscoitos queimados, ela teve que concordar. — Louise levou um como evidência para a mãe. — Aliás, ela perguntou se você não quer ir brincar lá em casa, depois da aula.
— Eu adoraria! Eu vou pedir meu pai quando ele chegar.
E assim, aquele dia, quando chegou para buscar Victoria, com a notícia de que ele tirara a tarde para entrevistar cozinheiras, foi abordado não só pela filha, mas por uma garotinha de cabelos flamejantes e sorriso de gato.
— Lou, esse meu pai. — A Victoria fez o pai sair do carro, para conhecer a amiga.
— Uau, você tinha razão, Vicky. Ele é mesmo um pão. — Darcy riu ao escutar aquela expressão da garotinha. Era muito engraçado. Enquanto Victoria era alta para a sua idade, aquela menina parecia pequena. Enquanto a filha tinha cabelos curtos escuros, a garotinha tinha fios longos e vermelhos. Mas era muito claro que elas se adoravam. — Muito prazer lorde Williamson, eu sou Louise Benedito. — Ela estendeu a mão. Darcy beijou a mão dela, ainda sorrindo.
— Muito prazer, senhorita.
— O senhor é muito alto. E muito bonito. Tem namorada? Minha mãe está precisando de um namorado. — Darcy gargalhou. — Mas vamos direto aos negócios.
— Negócios. — Ele repetiu.
— A Vicky pode ir brincar lá em casa? — ela levantou os olhos. Cabiam o mundo nos olhos daquela menina.
— Claro, não vejo porque não. Quando?
— Hoje. — Louise respondeu.
— Hoje? — ele questionou.
— Não vejo porque não. — Ela respondeu, abrindo um sorriso felino.
— Você é boa.
— Eu sei. Minha mãe me diz que eu serei uma excelente advogada.
— Você quer ser advogada?
— Não sei. Talvez. Definitivamente, é uma possibilidade. — Darcy a encarou.
— Quantos anos você tem?
— Vou fazer oito. — Ele olhou para Victoria.
— Ela é sempre assim? — ele perguntou para filha.
— Resistir é inútil. — Victoria deu de ombros.
— Bem, você tem um emprego na minha empresa quando terminar a faculdade. — Ele riu. — Pode sim. — Ele se voltou para filha. Que abraçou Louise e as duas começaram a pular.
— Minha mãe vai vir buscar a gente, mas ela sempre se atrasa. O senhor quer anotar o telefone lá de casa?
— Claro. — E assim, Darcy anotou o telefone das Beneditos e saiu, prometendo a filha que naquela tarde eles teriam uma cozinheira.
— Papai, qualquer uma. Não aguento mais biscoito queimado. — Darcy fez uma cara triste, mas concordou. Não achava seus biscoitos tão ruins.
Quando Elisabeta chegou, quase uma hora atrasada, já havia pensado no sunday que pagaria a Louise. Mas ela estava sentada com uma menina de cabelos cacheados, e as duas brincavam de adoleta.
— Olá. — Ela disse, chamando a atenção das meninas.
— Mamãe! — Louise correu até ela e a abraçou. Depois a puxou até a garotinha tímida, de óculos. — Essa é a Vicky.
— Sua melhor amiga. — Elisabeta sorriu.
— Do mundo inteiro. — Louise concordou.
— Olá Victoria. É um prazer finalmente conhecer você. Como estão os biscoitos de seu pai? — Victoria gemeu e Elisabeta tentou não rir.
Elisa às levou na sorveteria do seu Manuel. Elas dividiram um sunday e falavam sem parar. Na verdade, Louise falava sem parar. Victoria pontuava as histórias. Então Ela começou a lhe fazer perguntas. Ela gostava de São Paulo? Sentia falta de Londres? Louise começou a responder as perguntas pela amiga, mas a mãe logo a repreendeu.
— Deixe Victoria falar. É feio falar pelas pessoas.
Victoria tentou dizer que não tinha problema, mas Louise deu de ombros. Então ela contou sobre sua vida antes, sobre a sua avó, sua mãe que nunca conheceu. Elisabeta se apaixonou pela menina. Se ela não tivesse um pai, tinha certeza que adotaria ela também. Não soube explicar porque, mas teve o mesmo sentimento ao encarar aqueles olhos azuis que teve ao encarar os olhos de Louise. Então, quando foram para casa, ela deixou sua coluna de lado e pulou corda com as meninas. Brincaram de amarelinha e esconde-esconde. No fim do dia, o pai de Victoria ligou, mas Louise atendeu.
— Residência das Benedito! — Darcy pediu para falar com a mãe dela, mas ela explicou que sua mãe estava muito ocupada arrumando o cabelo de Victoria. E ele então pediu que dissesse a filha que tinha contratado um motorista, uma cozinheira e alguns empregados, então o novo motorista ia buscá-la enquanto ele terminava de firmar os contratos. — isso quer dizer que eu não preciso mais levar lanche para a Vicky?
— Você levava lanche para a Vicky?
— O senhor não achava que ela comia aqueles biscoitos, não é? — Ela balançou a cabeça em descrença. — Aiai, senhor Lorde Williamson. Ainda bem que o senhor é bonito. — E dito isso, desligou.
E assim, Darcy e Elisabeta, mais uma vez não se encontraram. Mas já sabiam bastante ao seu respeito. Victoria falou de como o pai era inteligente e gentil. Louise lhe disse que ele parecia um astro de cinema. Victoria só sabia falar de Elisabeta, e de como ela realmente era a mulher mais bonita e legal e inteligente de todo o mundo. Na semana seguinte, foi a vez de Louise ir dormir na casa de Victoria. Quando Louise chegou no quarto da amiga e viu o tanto de bonecas ela suspirou.
— Eu nem sabia que era possível ter tantas bonecas assim. — Ela foi até uma boneca de louça loira e passou a mão pelos cabelos.
— Você quer? Pode ficar! — Victoria lhe respondeu.
— Mamãe não deixaria. Ela é muito orgulhosa.
— Mas eu tenho muitas. Não faria diferença.
— Pelo menos podemos brincar com elas agora. -Louise deu de ombros.
Darcy participou do chá da tarde, brincou de teatro, faz-de-conta e até escovou o cabelo das bonecas. Quando as duas melhores amigas estavam prontas para dormir, Louise estava apaixonada pelo pai da melhor amiga.
— Queria ser mais velha para poder me casar com seu pai. — Victoria fez cara de nojo.
— Eca, Lou-lou.
— Mas ele é o menino mais bonito e legal que eu conheço. E olha que o namorado da tia Cecilia é médico. — Louise bocejou. Estava exausta. Fechando os olhos, ela soltou o comentário. — Não seria incrível se nossos pais casassem?
Ela dormiu logo em seguida, mas Victoria não. Não seria incrível? Se seu pai casasse com a mãe dela, Elisabeta seria sua mãe! E Louise sua irmã! Ela não conseguia pensar em nada mais perfeito. Sendo assim, quando Louise acordou, Victoria já tinha escrito todo um plano no seu diário. Quando ela terminou, se virou para a Louise.
— O que você acha?
— Bom, eu adoraria ter você como irmã, mas acha que eles só precisam jantar juntos para se casarem? — Victoria bateu a testa na mão impaciente.
— Não é só o jantar, Lou. É a… atmosfera. Vai estar tudo planejado, tudo muito romântico. Como nos filmes. — Louise ainda não parecia acreditar muito, mas concordou.
— Não custa tentar não é. Em que restaurante está pensando?
— Eu e o papai sempre vamos em um italiano. se chama Pricellis. — Louise deu seu típico sorriso travesso.
— Ora, ora, estou começando a gostar de seu plano.
Então ela explicou a amiga que aquele restaurante era da melhor amiga de sua avó, e que podia ligar para dona Nicoletta e pedir ajuda. Assim, no meio da semana, elas já tinham convencido dona Nicoletta a separar a mesa mais romântica do restaurante e arrumar exatamente como Victoria planejara.
— Só falta convencer nossos pais. — Disse Vicky para amiga.
— Ah, isso é fácil.
Na sexta, ao se despedirem, Louise estava ansiosa e saltitante. Victoria, por mais nervosa que estivesse, era o retrato da calmaria.
— Não se esquece. — Louise segurou a mão da amiga quando o motorista chegou. — Amanhã, as sete horas. Em ponto.
— Lou, eu sou inglesa.
— E?? — Victoria apenas riu e balançou a cabeça.
No dia seguinte, enquanto se arrumavam, Louise insistiu para que a mãe usasse seu vestido de mangas laterais e corpete marcado, levemente rodado.
— Posso saber por que devo usar meu melhor vestido para ir comer macarrão da dona Nicoletta?
— Victoria me disse que nós devemos sempre andar o melhor possível.
— Victoria é uma Lady inglesa.
— Ou seja, ela sabe mais disso que a gente.
Elisabeta tentou protestar, mas Louise também usou seu melhor vestido, um azul marinho com bordados brancos e achou que a filha estava tão bela, com o laço de fita da mesma cor que concordou em usar seu vestido vermelho. Victória, no entanto não conseguiu convencer Darcy.
— Eu não vou usar um smoking para ir comer pasta, filha.
— Mas por quê? O senhor é um Lorde, meu pai. Deve estar sempre bem alinhado.
— E por isso usarei um excelente terno. Mas não smoking.
— Pelo menos põe a gravata vermelha.
As sete em ponto, os Williamsons chegaram ao restaurante. Victoria olhou para os lados e não viu a amiga. Luccino os recebeu e piscando para pequena, os encaminhou para mesa. Estava exatamente como Victoria planejara. Velas, toalha branca. Dois lugares, taças de vinho.
— Acho que nos deram a mesa errada. — Darcy olhou para aquilo.
— Não deram não. — E em sua deixa, Louise e Elisabeta entraram no restaurante, sendo levadas até eles pelo Luccino. Victoria as encarou e sorriu, então Darcy olhou para trás e perdeu um pouco o ar. Acompanhando a pequena Louise estava a mulher mais bela que ele já vira. Ela usava um vestido carmim e os olhos verdes o encaravam com curiosidade. Victoria se levantou e correu até a amiga. Depois abraçou a moça.
— Elisa!
— Vicky! — Ela abraçou a menina. Darcy se levantou. Louise caminhou até ele.
— Lorde Williamson. — E fez uma pequena reverência, antes de se atirar nos braços dele.
— Olá, Lou-lou. — Assim, quando os abraços se desfizeram, Louise segurava a mão de Darcy, Victoria a de Elisa. Eles se encararam. Elisabeta exalou. Sua filha estava absolutamente correta. Ele parecia um astro de cinema.
— Mamãe, este é Darcy Williamson.
— Papai, esta é Elisabeta Benedito. — Ela deu um sorriso angelical.- E esta é a mesa de vocês. achamos que já tinha passado da hora de vocês se conhecerem. Elisabeta conseguiu quebrar o encanto em que estava presa e encarou a filha.
— Isso é coisa sua.
— A ideia foi minha, Elisa. — Victoria a encarou e ela suavizou um pouco. — Só achamos que vocês precisavam se conhecer.
— E essa é a mesa de vocês. Nós vamos comer lá com a dona Nicoletta. — Ela soltou a mão de Darcy e pegou a mão da amiga. — Sejam legais um com o outro. — Ela falou por cima do ombro, enquanto saltitava para cozinha.
Darcy e Elisabeta ficaram parados, incrédulos vendo as filhas sairem de mãos dadas. Ele enfim disse.
— Acho que armaram para gente. — Estendeu a mão e falou. — É um prazer finalmente conhecê-la, senhorita Benedito. Corre o boato em minha casa que a senhorita é a mulher mais bela, legal e inteligente do mundo todo. — Elisa estendeu a mão para tocar a dele e sentiu um arrepio percorrer a espinha.
— O prazer é todo meu, Lorde Williamson. Ouvi muito sobre o senhor. E seus biscoitos. — Ele puxou a cadeira para ela, que se sentou.
— Poxa vida. Acho que perdi minha chance de causar uma boa impressão.
— Um pai que tenta fazer biscoitos para a sua filha? Realmente, de uma vilania...
Os dois riram. Darcy e Elisa se encararam por um tempo. Ele pensou que daria uma boneca para cada uma por aquele encontro. Elisa agradeceu o fato de ter deixado a filha escolher sua roupa. E os dois tiveram uma noite agradabilíssima. Como todo primeiro encontro deve ser. Riram, se conheceram, se encantaram. Quanto às nossas heroínas? Elas estavam na cozinha, decidindo o nome dos irmãos. Se fosse menino, Thomas. Se fosse menina, Alice.
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