Notas iniciais
Oi gente, até as notas finais!

POV OLIVER

Depois de finalmente conseguirmos explicar o que estava acontecendo para os meus pais e por muita insistência da minha mãe, Felicity finalmente cedeu em ficar para o almoço e se hospedar durante esses três dias na mansão. Consequentemente eu também ficaria aqui, apesar de querer fingir para eu mesmo que era apenas por causa das meninas.

Assim que o almoço acabou, todos se dissiparam, as crianças foram para a sala de jogos brincarem, meu pai foi para o escritório, minha mãe provavelmente organizar tudo para acomodar Felicity e Thea saiu com Roy, seu noivo, algo que eu não estava muito feliz ainda, mas isso não é importante agora. Felicity estava na sala, sentada no sofá enquanto passava um filme na TV que fingia assistir, pois mesmo estando tanto tempo longe dela, ainda conseguia ler os sinais do seu corpo e ela estava desconfortável agora.

Sabia que neste momento ela tinha um dedo na boca, mesmo que estivesse de costas, e isso era um sinal de que estava incomodada com algo, que eu julgo ser minha presença e não vou negar que saber que ainda causava alguma reação nela me animou. Eu estava sentado na escada, esperando para ver quanto tempo nosso silencio iria durar, já que estávamos assim há quase meia hora.

— Podemos conversar? – Quebrei o maldito silencio, se não o fizesse, sabia que ela também não.

— Quer falar sobre o que? – Devolveu no mesmo instante, virando-se na minha direção, o que só me deu mais certeza do quanto ela estava ciente da minha presença na escada o tempo todo.

— Não sei exatamente, talvez sobre Annie, quero saber como foi à infância dela.

Eu realmente não sabia por que queria tanto falar com ela, mas ouvi-la contar sobre quando Annie crescia podia ser muito bom e interessante. Vi um brilho em seus olhos, provavelmente porque pensava na filha.

— Bom, Annie sempre foi... – Mas a interrompi.

— Espera! Vamos fazer isso diferente, eu tenho algo que você gosta... – A vi erguer uma sobrancelha, inquisitiva sobre o que eu estava falando. – Lá na garagem, vamos?

— Você sabe que eu não entendo nada de carros Oliver. – Disse sorrindo.

— Eu sei, mas não é isso. – Ela ainda lembrava o quanto eu gostava de carros e até os colecionava.

— E o que é? – Perguntou bastante curiosa.

— Se não me acompanhar, nunca saberá.

Então me levantei da escada e sai em direção à porta da casa, enquanto isso pela visão periférica a vi se levantar também, mesmo parecendo um tanto quanto relutante. Diminui o ritmo das passadas para que ela pudesse me acompanhar e mesmo em silencio, já não era mais desconfortável.

Saímos porta a fora e passamos pelo jardim, contornando a casa. A garagem ficava atrás da mansão, na parte subterrânea, podíamos ter feito o trajeto por dentro de casa, mas estava um dia muito bonito para isso, ou melhor, ela estava muito bonita para não aproveitar mais de sua presença. Menos de cinco minutos e chegamos ao portão que eu abri com o controle remoto e logo estávamos descendo a rampa.

Só então notei que Felicity estava de saltos e com dificuldade de descer, fui até ela e a peguei em meus braços fazendo-a soltar um gritinho agudo de susto e me olhar espantada.

— Só estou te ajudando descer. – Me expliquei, mesmo que ela não tenha perguntado nada.

Posicionei-a direito nos meus braços de modo que ela pudesse ficar quase sentada e senti seu braço se agarrar ao meu pescoço. Olhei para o seu rosto e percebi que estávamos bem próximos e tive mais uma vez em menos de um dia uma vontade avassaladora de tomar os seus lábios com os meus, mas eu sabia que se eu fizesse isso, talvez ela fugisse e eu realmente queria passar um tempo conversando. Já estávamos a alguns segundos nos encarando e antes que eu não me aguentasse ou a situação ficasse constrangedora, comecei a descer a rampa.

Logo que acabou, voltei a coloca-la no chão, só que dessa vez peguei na sua mão, guiando-a por entre os carros.

— Bonitos carros, parece que a coleção aumentou. – Constatou ao olhar para a garagem.

— Na garagem do loft eu tive que fazer uma casa de boneca para Hallie, já que estava ficando difícil competir com as bonecas, peças de chá e todas as outras coisas de meninas. Então o espaço aqui era maior e quando eu vi... – Vi Felicity sorrir fraco e lágrimas inundarem seus olhos normalmente tão límpidos. – Eu disse algo errado?

— Não, não... – Negou prontamente. – É que eu percebi que só queria ter presenciado esse momento. – Limpou uma lágrima teimosa que acabou escorrendo. – Quem diria que uma garota te dominaria desse jeito?

Sorri com a lembrança de Hallie decidida a montar uma casa de boneca na garagem, logo me vi sendo expulso sem ao menos reclamar e agora ela já nem ligava tanto para a garagem, ou melhor, para Dreamhouse, como ela resolveu chamar.

— Eu nem sei como aconteceu. – Nossas mãos ainda estavam entrelaçadas, então resolvi continuar andando por entre os carros até chegarmos a uma porta.

— O que tem atrás dessa porta? Não me diga que você fez uma cave! – Disse bastante animada com a ideia, o que me fez gargalhar. Nós somos os maiores fãs do HQ do Arqueiro Verde e ela sabia que eu tinha vontade de fazer algo desse tipo, mas nunca fiz porque não teria nenhuma utilidade, talvez apenas para ser um escritório, já que eu não planejava salvar a cidade, pelo menos não sendo um herói sob um capuz verde.

— Excitante, mas não. – Abri a porta, deixando que ela entrasse na frente no ambiente escuro.

— Tudo bem, agora estou ficando com medo. – Disse séria.

Entrei e acendi a fraca luz, que apenas nos dava ideia do cotorno das coisas para que não esbarrássemos, revelando-a minhas prateleiras com vinhos.

— É o que os meus olhos estão vendo ou é um tipo de alucinação por estar no escuro? – Perguntou brincalhona.

— Como prova de que não é uma alucinação eu recomendo este. – Peguei um DRC Romanée Conti 2003 que estava já próximo da porta entregando a ela enquanto abria o armário logo à frente em busca de taças.

— Nós realmente vamos beber um vinho que custa mais de quatro mil dólares a garrafa? – Disse surpresa.

— Sim, nós vamos, um momento especial pede um vinho especial. Esse é do mesmo ano do nascimento das gêmeas.

Pude agora vê-la sorrindo, já que meus olhos finalmente se acostumaram com o escuro. Tomei o vinho das suas mãos para poder abri-lo, enquanto a observava olhando os vinhos que estavam guardados dentro do armário, até que pegou um na mão.

— E esse? – Perguntou soprando a garrafa e tirando o pouco pó que havia sobre ela. – Onde os sonhos se tornam realidade. – Leu o rótulo.

— Me custou anos de busca. – Me olhou intrigada. – É o vinho que tomamos no nosso casamento. Na verdade essa é outra garrafa. – Expliquei.

— Você comprou uma garrafa? – Indagou incrédula.

— Eu comprei a safra inteira.

— Podemos beber uma?

— Você a única com quem eu beberia. – Ela virou o rosto, passando a mão pelos olhos. – Precisa de um lenço?

— Não, não, é apenas um cisco. – Tratou de falar rápido.

— Não precisa ser sempre tão decidida. – Sabia que ela ainda tinha sentimentos por mim, como eu tinha por ela, só que diferente de mim, ela se esforçava para esconder.

— O problema é que já fazem onze anos, não podemos...

Mas a interrompi colocando minhas mãos no seu rosto e aproximei nossas cabeças, olhando dentro dos seus olhos, tentando ler se ela queria aquilo tanto quanto eu e finalmente quando percebi que concordava a beijei. Inicialmente foi apenas um roçar de lábios, mas logo aprofundei, podendo sentir de novo o gosto doce da sua boca e notei o quanto tinha sentido falta disso. Senti seus braços rodearem meu pescoço e desci as mãos para sua cintura, apertando e trazendo-a para mais perto de mim.

— Ollie. – Ouvimos uma voz feminina distante e o beijo foi quebrado, mas eu continuei a segurando. – Oliver. – Dessa vez a voz estava mais perto, então a soltei.

— Preciso ir, suba pelo elevador. – Falei para Felicity e sai.

Fui em direção a Helena e quando estava próximo o suficiente, a peguei pelo braço e levei para a saída parando no jardim.

— O que faz aqui?

— Por que toda essa brutalidade amor? – Perguntou inocente batendo os cílios, o que me irritou profundamente. Eu sabia que ela não dava ponto sem nó.

— Por que veio até a minha casa? Nós tínhamos combinado que...

— Sim, eu lembro o que combinamos, mas você não apareceu na empresa e não estava no loft. Eu te liguei tantas vezes e você não me atendeu, só fiquei preocupada. – Passou a mão pelo meu braço, o que me fez ter repulsa, depois de lembrar o que estava fazendo há cinco minutos.

— Eu tinha avisado que não iria para a QC durante essa semana, não finja que não sabia.

— Tudo bem, eu sei que não deveria ter vindo, mas eu estava com tanta saudade. – Subiu à mão colocando a na minha nuca e arranhando de leve e o que era para me excitar, só me fez ter vontade de tirar sua mão dali e manda-la embora, para não precisar ficar mais em sua presença.

— Helena, vá para casa. Te pedi que me desse uma semana com minha filha, até que ela processasse a informação. – Falei enquanto caminhávamos para a mansão.

— Eu sei, eu sei... Mas de que forma ela pode me aceitar se você nos afasta, como se eu quisesse de alguma forma lhe fazer mal. – Me olhou nos olhos. – Quero ser amiga da sua filha, me deixe conhecê-la melhor. – E la parecia sincera, então me vi concordando.

— Só tem um problema.

— Qual? – Perguntou inocente.

— Agora precisa conhecer minhas filhas.

— Você não me contou que tinha outra filha. – Disse surpresa.

— Longa história, depois te explico. – Disse enquanto as meninas se aproximavam correndo e Felicity saia pela porta da frente atrás das filhas.

— Pai... – Hallie disse arrastado. – Não vai me apresentar sua amiga?

Vi Helena abrir a boca em espanto e minhas crias darem um sorrisinho cúmplice.

— Esta é Helena, Hallie. – Annie respondeu por mim depois de um tempo em silencio, que quase podíamos escutar os grilos cantarem, se houvesse grilos ali.

— Sou a namorada do seu pai. – Apresentou-se, estendendo a mão e observei que o pequeno sorriso que Felicity ostentava com a confusão, sumiu, assim que entendeu de quem se tratava ser Helena.

— Está é minha mãe. – Hallie apresentou quando viu que Felicity estava se afastando para voltar para dentro de casa.

— E nós vamos sair todos juntos hoje! – Completou Annie animada.

— Mãe, vem cá. – Chamou Hallie e Felicity relutante se aproximou mais uma vez. – Essa é a amiga do papai. – Deu ênfase no amiga, o que me fez sorrir com sua teimosia e Helena fechar o semblante.

— Namorada! – Fez questão de corrigir e revirei os olhos sutilmente, o que só as gêmeas perceberam e sorriram.

— Que seja... E ela já está indo embora, porque iremos sair. – Disse Annie e eu lhe repreendi com o olhar pela falta de tato para despachar Helena, por mais que eu mesmo estivesse com vontade de coloca-la no carro e pedir que John fizesse o favor de leva-la para bem longe.

— Ela também vai? – Helena se virou para mim perguntando sobre Felicity com desdém.

— Claro, será um passeio em família. – Destaquei a ultima palavra na esperança de que ela entendesse que não estava inclusa.

— Tudo bem, então também irei. Será uma oportunidade perfeita para conhecer melhor as meninas.

— Faremos melhor. Já que gostaria tanto de conhecer minhas filhas, vão vocês. Já estou um pouco velha para essas coisas. – Felicity que estava omissa até agora, declarou.

— Mas mããããããããe... – choramingaram as gêmeas juntas.

— Mas nada meninas. – Seu tom não deixava brechas para discussão. – Essa é a oportunidade de vocês conhecerem a namorada do papai. – Praticamente cuspiu a última parte, por mais que tentasse disfarçar seu desdém a Helena. – E depois teremos ainda mais dois dias para passarmos todos juntos, inclusive com seus avós, tios e primo.

— Tudo bem. – Disseram novamente em uníssono.

— E para onde vamos? – Helena me sorriu, passando seu braço pelo meu.

— Acampar na fazenda. – Disse e vi o sorriso de Helena amarelar e sua face ficar desanimada.

— Bom, então já que ela não vai... – Apontou para Felicity que já tinha voltado para a varanda e estava atravessando a soleira da porta. – Eu não preciso ir.

— Mas pensei que gostaria de conhecer minhas filhas. – A olhei sério.

— E quero, mas imaginei que faríamos um passeio no shopping.

— Helena. – Ela me olhou atenta. – Olha para essas duas garotas. – Então desviou para as meninas, que sorriam abertamente, revelando toda a arcada dentária. – Elas precisam respirar ar livre, espaço para correr e se divertir e se você quer tanto conhecê-las como disse há pouco tempo atrás irá conosco para se divertir junto a elas, e não está aberto discussão para negação.

Tentei ser gentil ao lhe mostrar que ela não iria só arruinar o passeio em família, agora ela literalmente teria que descer do salto e enfrentar a floresta.

— Mas eu não trouxe roupa para isso.

Em timming perfeito Thea apareceu:

— Não se preocupe, tenho roupas perfeitas para você.

[...]

Já eram 16h quando resolvemos sair e quase ri da imagem de Helena usando roupas esportivas bem menores que seu tamanho, já que as mesmas pertenciam a minha irmã, que é muito menor que ela. A legging estava nas canelas e a blusa justa e curta demais.

— Esses sapatos estão machucando. – Reclamou para Thea.

— Deixa de bobagem, ouvi você dizendo uma vez que calçava 35... E esse ainda é 36! Logo você se acostuma. – Speedy disse venenosa com um sorrisinho bem diabólico.

Entramos no carro, as meninas atrás e Helena se sentou no banco do carona. Girei a chave e dei partida, enquanto Hallie e Annie acenavam euforicamente para a mãe, tia, primo e avôs. Helena fingiu entusiasmo até sair do campo de visão de Felicity e então desatou a reclamar da roupa. Sai um pouco da rota, indo em direção ao apartamento dela, para que pudesse pegar roupas adequadas, apesar de estar me divertindo com o seu desconforto, minha mãe tinha me ensinado a tratar bem as mulheres e eu não poderia deixa-la caminhar por tanto tempo naqueles trajes.

— Você tem 10 minutos para pegar todos os seus pertences, se não voltar neste tempo, seu cargo desce para recepcionista. – Decretei assim que estacionei em frente ao seu prédio. Sabia muito bem que ela faria de tudo para desistir agora e mesmo sendo rude ameacei.

— Não acredito que esteja me ameaçando. – Disse incrédula.

— 9 minutos e 30 segundos e recepcionista do setor da limpeza. – Falei, mesmo que não existisse recepcionista neste setor, mas eu bem poderia colocar uma mesa no almoxarifado e pensar nisto, até que me agradou.

A vi sair em disparada e enquanto eu pensava em como colocaria uma mesa no mesmo ambiente de tantas vassouras e produtos de limpeza, ela voltou, infelizmente no tempo previsto. Observei-a com uma mala de rodinhas média, ao lado do carro e então sai do mesmo, dando a volta e colocando a mala na caçamba do jipe, não sem antes comentar:

— Acho que esqueceu que estamos indo para um terreno árido e difícil de caminhar, onde claramente não dará para arrastar uma mala de rodas como se estivesse desfilando em um aeroporto.

Entramos de volta no carro e agora Helena ostentava uma carranca, enquanto as meninas sorriam cúmplices, sempre que achavam que eu não estava olhando. Sabia que elas iam aprontar, mas não fiz questão de adverti-las.

POV ANNIE

Dei um sorrisinho inocente para Hallie, mas em minha cabeça eu já tinha montando o esquema perfeito de “Como fazer Helena sofrer em um dia”. Eu não tinha vindo de tão longe para que a megera, quero dizer, Helena, estragasse meu plano de reunir meus pais de novo. Demorou um tempo até que estivéssemos atravessando a soleira do portão da fazenda.

— Bem vindas a fazenda Queen, onde Speedy e eu costumavam acampar e agora é a vez de vocês.

Papai saudou o lugar e parou o jipe perto de uma grande casa e logo um senhor de meia idade apareceu.

— Sr. Queen, não avisou que vinha. – Se dirigiu ao papai. – E trouxe vistas... – Continuou. – Ora se não são as gêmeas Queen’s, estou certo? – Indagou sorrindo. – Mas como?! Não importa! – Fez um aceno de desdém com a mão. – Desculpe a indelicadeza, mas eu não acho que seja a senhora Queen. – Disse para a Helena.

— Quem sabe em breve, não é amor? – Agarrou-se ao braço do meu pai e lhe sorriu.

— Não se preocupe Alfred, não vamos ficar na casa, viemos para acampar no lago.

— Faz anos que o Sr e a Srtª Thea não vão ao lago.

— Dessa vez estou trazendo as gêmeas para experimentar as aventuras de acampar ao ar livre.

— Não que seja da minha conta, mas como isso aconteceu? – Olhou de mim para Hallie, que estava ao meu lado.

— Longa história que prometo te contar em breve... Mas agora, preciso que me ajude a encontrar aquelas barracas e colchões, temos um longo caminho pela frente.

— Claro Sr. Queen. – Assentiu. – Meninas, pedirei que Charlotte venha ajuda-las a reduzir o tamanho da malas, deixando-as mais fácil de carregar, já que vocês iram caminhar bastante.

Não demorou muito para que uma garota de mais ou menos 15 anos aparecesse e trouxesse junto consigo mochilas. Helena ficou sentada na escada, mexendo no celular, enquanto Charlotte nos ajudava a separar o que seria realmente necessário para passarmos essa noite e contávamos-lhe como nosso passeio em família havia sido arruinado. “Bondosamente” Hallie e eu organizamos a mochila que Helena levaria, Hallie insistiu em colocar um repelente em spray e eu sabia que mesmo Helena sendo uma bruxa conosco que minha irmã era boa demais para fazê-la sofrer, então escondido, quando percebi que ninguém estava olhando, adicionei pedras grandes no fundo da bolsa, camuflando-as embaixo das peças de roupa.

Papai voltou trazendo as barracas amarrados em uma mochila própria e colocamos as nossas nas costas. Alfred nos entregou garrafas de água.

“Nos vamos andar por mais ou menos 30 minutos, estão preparadas para a caminhada? – Papai perguntou brincalhão.

— Vamos logo.... – Hallie e eu respondemos em uníssono enquanto Helena bufou baixo.

Meu pai começou a caminhar e nos os seguimos, logo entrando na mata que não era muito densa; Depois de uns cinco minutos de caminhada alguns mosquitos começavam a aparecer já que já era fim de tarde e não demoraria a escurecer. Helena pegou o repelente que Hallie colocou no bolso lateral da mochila dela e começou a espalhar pelo corpo. Charlotte nos alertou para passássemos antes, então os mosquitos não estavam nos incomodando.

Passados mais alguns minutos, ouvimos Helena que estava um pouco atrás de nos praguejar.

— Malditos mosquitos! E por que essa bolsa está tão pesada?! Preciso descansar!

— Não podemos parar. Falta menos que a metade do caminho e já está quase anoitecendo, não é bom que estejamos dentro da mata quando escurecer, acho que tem onça por aqui. –Hallie falou como se conhecesse o caminho.

Helena que tinha se sentado em uma pedra, levantou em um salto. Encontrei um lagarto pequeno no chão e o peguei, colocando-o embaixo da garrafa térmica de água.

— Tome uma água Helena, vai se sentir melhor.

Ela pegou a garrafa da minha mão e levou aos lábios e o lagarto em um timming perfeito com o meu plano, subiu do fundo para a lateral, ficando em frente ao seu rosto. Ela soltou um grito alto, que fez meu pai que estava mais a frente parar de supetão e olha-la. Quando ela fez menção de lançar a garrafa longe, segurei seu braço.

— Não machuque o lagarto. – Peguei a garrafa e tirei o bicho, devolvendo a arvore mais próxima.

— Foi você que colocou esse bicho asqueroso ai. – Me acusou. – Sua peste! – Gritou para mim.

— Hey Helena! – Meu pai interviu. – Veja como fala com a minha filha. – Disse sério.

— Ela colocou um bicho na garrafa de água!

— Não é verdade, pai. – Me defendi.

— Annie não faria isso, Helena. – Meu pai me defendeu, mal sabendo que eu fiz pior, o que quase me fez sentir culpada.

— Vai demorar muito para chegar? – Perguntou mal humorada.

— Se andarmos depressa, só mais 10 minutos.

Continuamos a caminhada, até que as arvores deram lugar a um terreno arenoso e um grande lago. Hallie e eu não tardamos a correr para explorar o lugar, mesmo assim não pude deixar de observar o sorriso que meu pai ostentava por nos ver juntas, enquanto Helena estava com cara de bunda (desculpe a expressão), parecendo que preferia estar sentada ao lado do diabo no inferno, do que conosco.

Depois de um tempo sentamos sobre uma grande pedra, enquanto meu pai acendia uma pequena fogueira que ajudaria a manter animais afastados e também para derretermos marshmallow. Helena estava dentro da barraca, que foi agilmente montado pelo papai há um tempo, porém não tardou a sair, praguejando com o repelente em mãos.

— Qual o problema com esse repelente?! – Exclamou agitada. – Parece que a cada vez que o passo, mais mosquitos aparecessem.

Meu pai pegou a embalagem e leu o rotulo até que resolveu espirrar um pouco na palma da mão, levando a mesma ao nariz, sentenciando:

— É porque isso é água com açúcar. – Olhou de Hallie para mim, buscando saber quem tinha aprontado aquilo, mas não disse sequer uma palavra, a não ser para Helena. – Você pode usar o meu, pegue na minha bolsa.

Assim que Helena voltou para a barraca murmurando que só conseguiria passar aquela noite com um comprimido para dormir, com cara de pouco amigos, porque infelizmente não era boba. Meu pai voltou a nos examinar, o que era bem pior do que se nos desse uma bronca.

— Tudo bem, fui eu. – Declarei, afinal a ideia era muito boa para eu sequer ter pensando nela, então peguei a autoria para mim, apesar de estar surpresa por saber que Hallie tinha um lado perverso como eu e também para que meu pai parasse de nos olhar assim.

— Na verdade fui eu. – Hallie confessou.

— Você?! Na boa, você é boazinha demais para isso. Obvio que fui eu! – Tentei ajudar minha irmã, mas ela não era muito inteligente para entender meu raciocínio.

— Tudo bem Hallie, papai pode lidar com uma arte minha, afinal eu quase nunca as faço.

— Justamente! O que só mostra que a culpa é minha.

— Já chega! – Meu pai disse firme, mas brando. – Não vou brigar com vocês, entendo que estejam frustradas por ser Helena aqui e não a sua mãe, porque para falar a verdade, também estou. Mas tentem não tornar pior o que está ruim o bastante para ela.

— Tudo bem pai. – Respondemos em uníssono.

— Vou ver se encontro a arvore das frutinhas azedas e já volto, vocês precisam experimenta-las.

O vimos se afastar e nos olhamos, primeiramente só nos encarando e depois começamos a rir sem conseguir nos conter.

— Não acredito que você foi capaz de trocar o repelente por água com açúcar. Só agora entendi sua insistência em coloca-lo na mochila e eu pensando que era porque você era boazinha demais. – Rimos juntas de novo.

— Acho que se esqueceu onde sua cama foi parar neste mesmo verão.

— Hallie! – Exclamei empolgada.

— O que foi? – Perguntou alarmada.

— Está é uma ideia incrível! – Falei extasiada.

— Não Annie, papai pediu para não fazermos mais nada.

[...]

POV HALLIE

Não acreditava que ia desobedecer meu pai pela primeira vez na vida. Não que nunca tivesse feito, mas era diferente, afinal nunca poderia chatea-lo com usar um vestido azul quando ele tinha escolhido o verde, enquanto que com isso que estava prestes a fazer sim. Mas mesmo assim estava acordada junto com Annie, esperando o momento certo para colocar o plano em ação.

— Você disse que o papai tem sono pesado e se a sorte colaborar, Helena realmente tomou o remédio para dormir, não vai ser muito difícil. – Declarou.

Saímos silenciosamente da barraca e fomos nas pontas dos pés até a barraca de Helena, que por sorte estava bastante longe da do papai para ele escutar alguma coisa. Abrimos o zíper lentamente e começamos a puxar o colchão em direção ao lago, o terreno arenoso nos ajudou a arrastar sem fazer barulho. Assim que vimos o colchão boiar com uma Helena adormecida como uma pedra, levamos a barraca dela para mais perto do lago, para não parecer que foi nossa culpa e voltamos para a nossa, surpreendendo a mim mesma por conseguir pegar no sono sem qualquer remorso.

POV OLIVER

Acordei de um sonho bom ao som do meu nome sendo gritado de longe, mas não menos alto. Até que percebi de quem se tratavam os gritos: Helena. Sai da barraca e vi as meninas também saindo sonolenta da delas, coçando os olhos.

— Será que uma onça está a devorando ou ela simplesmente acorda mal humorada? – Annie comentou sarcástica.

Olhei em volta em busca da voz, tentando encontra-la através do som distante dos gritos e a avistei exatamente no meio do lago, sobre o colchão inflável.

— Como diabos você foi parar ai? – Falei alto para que ela pudesse me escutar.

— EU VOU MATAR ESSAS PESTES! ASSIM QUE NOS CASARMOS VOU MANDA-LAS PARA UM REFORMATORIO!

Fiquei tão embasbacado com a frase de Helena, por primeira achar que eu cogitava a hipótese de nos casar e segundo por achar que eu trocaria minhas filhas por ela.

— O QUE ESTÁ ESPERANDO PARA ME TIRAR DAQUI? –Gritou ainda mais alto, nervosa.

— Não sei se percebeu, mas não tenho um barco, nem nada que possa usar para chegar até ai... – Falei bastante alto e parei dramaticamente. – Você pode usar os braços, comece a remar! – Gritei a ultima parte.

— OLIVER JONAS QUEEN! – Bradou mais alto do que um ser humano normal conseguiria.

— CUIDADO COM OS JACARES! – Gritei de volta por uma ultima vez. – Ontem estava muito escuro para conseguir colher as frutinhas maduras, mas achei a arvore e podemos experimenta-las agora, enquanto Helena não volta. – Falei para as minhas filhas sorrindo e elas assentiram, retribuindo o sorriso e me seguiram, enquanto por todo lado ecoavam os gritos agudos de Helena.

Notas finais
Queridos leitores, nao me matem! Esse capitulo estava pronto faz tempo, mas eu n tinha enho p digita-lo e quando tinha, confesso, eu fazia outras coisas... mas tenho uma boa noticia... se eu perceber que ainda tenho leitores e tiver um feedback legal, posto o outro ainda essa semana, estamos fechado assim? Bjs e até os reviews Qto ao dos cap passado, vou começar a responder AHHHHHH... E eu tive outra recomendação ♥.♥ To mega feliz e logo vou agradecer tbm direito, só n vou fazer agr pq to com pressa, tchauzin
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.