Operação Aurora.
3 Capítulo 3 de 4.
Notas iniciais
Filho de peritos criminais, o pai um investigador forense especializado em entomologia, e a mãe, uma perita digital forense, Shino decidiu desde cedo que queria ser policial como seus pais. Acostumados com o lado mais sombrio do trabalho, Shibi e Naoto não desejavam que o único filho seguisse seus passos. Foi só após ser recrutado por Gaara para trabalhar na delegacia de repreensão a crimes de natureza sexual, que ele compreendeu as reservas de seus genitores.
Ao ser designado como líder da Jaguar, pouco tempo após entrar para a polícia, o Sabaku colocou sobre seus ombros a responsabilidade sobre a vida dos agentes que compunham a equipe. Uma obrigação imensa sendo ele tão jovem. A exemplo de Kakashi, com os membros da equipe Lince, Shino acabou assumindo um papel não de chefe, mas de irmão mais velho dos agentes subordinados.
Ao longo dos anos que conviveu com Shikamaru, Kankuro e Sasuke, o Aburame percebeu que cada um deles tinha um jeito próprio de digerir e lidar com a dor que os assolava ao se depararem com o pior lado do ser humano no cotidiano de trabalho.
Considerado por muitos colegas como um sem noção, Kankuro fazia piada em qualquer situação, no entanto, com suas tiradas pontuais e humor ácido, ele era o membro da equipe que mantinha a mente de todos os outros sã.
Shikamaru agia como se não colocasse esforço em nada ou como se o trabalho que lhe era atribuído em prol do coletivo o deixasse exausto, mas o Nara era o primeiro a chegar e o último a deixar a delegacia. Ele estava sempre atento aos detalhes de seus apetrechos tecnológicos e vivia auxiliando os colegas, todas às vezes que estes lhe pediam ajuda.
Por último e não menos importante, tinha Sasuke. O Uchiha, era o mais novo e mais pavio curto da equipe Jaguar. Em momentos cruciais, o esquentadinho sempre colocava os disfarces deles sob riscos, no entanto, o jovem daria a vida por qualquer um de seus irmãos de farda ou qualquer vítima sem hesitar.
Quando Gaara lhe disse que os dois novatos que chegariam à delegacia e iriam para a Jaguar, que diferente da Lince, atuava na área investigativa, não na abordagem tática dos casos. Como líder de equipe, Shino soube que o delegado não os havia escolhido levianamente, todavia, ele não os queria como subordinados, principalmente o garoto Inuzuka. Ao pesquisar seu histórico, viu que Kiba não possuía um passado igual ao de Naruto, que sendo órfão desde bebê, passou por alguns lares provisórios e instituições socioeducativas até ser adotado na pré-adolescência por Umino Iruka, namorado de Kakashi.
Inuzuka Kiba era o filho caçula de uma família feliz e carinhosa. Além de frequentar boas escolas, praticar esportes e ser muito querido por todos seus amigos e conhecidos. A mãe e a irmã do Inuzuka sempre levavam comida durante os anos que o rapaz frequentou a academia de polícia, tornando-o alvo da gozação, mas também do carinho dos colegas que se formaram com ele e acima de tudo de seus superiores. O sorriso dócil de presinhas salientes que o garoto trazia estampado no rosto, era como a aurora preparando-se para iluminar tudo ao redor.
A Jaguar não era lugar para uma alma tão pura…
— Shino, o Uzumaki está aqui. — O alerta de Sasuke teve efeito imediato sobre o superior, fazendo-o se esquecer dos breves instantes de desatenção.
O Aburame olhou para a entrada do salão. Naruto e mais oito adolescentes estavam sendo levados por Anko e Konan, até o piso mais elevado que havia no centro do salão, local onde Mabui já os aguardava ao lado de uma espécie de púlpito. Todos os adolescentes aparentavam estar exaustos e assustados.
— Aparentemente ele está bem. — Dessa vez, a intenção do Uchiha era informar a Shikamaru e aos outros agentes por intermédio de sua escuta.
Sobre seu comentário, quanto a Naruto estar bem, ao pousar o olhar sobre o Uzumaki, Shino duvidou. O novato tinha o rosto inchado na área dos olhos e nem a maquiagem pesada que colocaram nele, amenizava os hematomas que o jovem possuía não só ali, mas também nas coxas, pescoços e braços...
Após analisar o estado do rapaz, Shino percebeu algo.
— O Inuzuka não está entre eles. — A exemplo de Sasuke, Shino expôs para os agentes tomarem ciência. — Além dele, faltam mais duas crianças — concluiu.
No último contato que Gaara fez com o informante, este havia informado que com Kiba e Naruto, dez crianças vieram no contêiner que veio do norte. Então onde estaria o Inuzuka e as outras duas crianças? O coração do Aburame apertou ao pensar na possibilidade de ter acontecido algo grave com o garoto, todavia não adiantava sofrer por antecipação, no momento precisavam se aproximar de Naruto, só assim saberiam o que havia acontecido com o parceiro dele.
*******
A madrugada dava indícios de seu início quando Sasuke ergueu o braço pela nona vez num intervalo inferior a dez minutos. O som do martelinho de madeira batendo contra o bloco de som sobre o púlpito, fez Mabui abrir um malicioso sorriso para o Uchiha.
— Você acaba de fazer um ótimo negócio, senhor Yuna! — Parabenizou a mulher.
— Obrigado. — Controlando-se para não ferrar o disfarce, Sasuke agradeceu e esperou que Anko levasse Naruto até à sua mesa.
— Você está bem? — Cuidadoso, o Uchiha apalpou o Uzumaki, logo que a kunoichi se afastou deles.
— Eu 'tô legal, mais 'tô preocupado com Kiba — Naruto respondeu de pé ao lado da mesa. — Ontem à tarde dois homens o levaram do alojamento onde estávamos, as irmãs Hyuuga, foram levadas com ele.
Aquele não era o momento oportuno para contar aos colegas o quanto Kiba foi corajoso e tudo que ele fez para que todas as crianças que viajaram com os dois, em especial, Hinata e Hanabi Hyuuga, consideradas pelo bando uma mercadoria valiosa, chegassem intactas, física e psicologicamente em Tokyo. Durante todo o traslado, com sua alegria contagiante, mesmo gravemente ferido, o Inuzuka passou dias e noites acordado, brincando e contando histórias, mas acima de tudo, fazendo-as esquecer que quem deveria protegê-las as entregaram nas mãos de indivíduos desalmados.
— Há uma semana ele fraturou algumas costelas ao bater de frente com dois canalhas que pretendiam abusar de algumas meninas do nosso grupo.
— Malditos. — Indignado, Sasuke se levantaria, contudo, o próprio Naruto o conteve.
— Kaguya não está aqui. Pegá-la é nossa prioridade. Kiba é esperto e sabe se virar. As meninas estarão seguras com ele.
— Naruto tem razão. — Shino compreendia que agir por impulso naquela altura, colocaria anos de investigação a perder, além da segurança dos adolescentes que estavam no espaço sob risco.
Kiba recebeu treinamento adequado para estar naquela operação, saberia como agir em qualquer situação.
— Kaguya raramente participa dos leilões que organiza, colocando sempre Mabui à frente dessas negociações. Sem o flagrante delito, ela pode se safar das acusa… — Shino não conseguiu concluir o raciocínio, pois Mabui o interrompeu.
— Parabéns aos últimos arrematantes. Vocês fizeram excelentes aquisições.
Era incrível como Mabui e as outras Kunoichis que circulavam pelo salão, agiam como se não estivessem cometendo um crime naquele espaço. Aquela mulher havia leiloado a primeira vez de oito adolescentes como se fossem apenas produtos em prateleiras de supermercado. Dentre os compradores, havia uma dupla de assistentes de dois conceituados políticos de Osaka e o manager de um famoso idol coreano que fazia um show na cidade naquela noite. Após efetuarem o pagamento, os três paus-mandados deixaram o espaço, levando quatro crianças inocentes que arremataram no leilão.
— Não fique preocupado. — Sasuke tocou o ombro de Naruto.
Nenhum deles poderia intervir para impedir que aquelas pessoas levassem as crianças no momento, contudo, em missões de maior complexidade, como a operação Aurora, da delegacia Gaara monitorava tudo.
Além de efetuar a prisão dos criminosos, o delegado acionava equipes de assistência médica e psicológica, para prestar atendimento das vítimas e contatar seus familiares. No primeiro momento, as crianças não eram levadas para o seio familiar sem a prévia avaliação da situação de seus responsáveis. Depois, com os genitores ou guardiões legais, as crianças resgatadas recebiam apoio de profissionais especializados e centros de apoio sociais para só então, no caso dos pais, se tornarem aptos para receber seus filhos de volta ao lar. No caso das crianças, para que estas aprendessem a lidar com as marcas que toda aquela droga acarretaram no seu psicológico.
— O pessoal do Gaara irá interceptá-los assim que deixarem a Akatsuki — Sasuke falou antes que Mabui falasse ao microfone novamente.
— Agora peço a atenção de todos. De antemão, adianto que o menu principal de hoje será um tanto exótico, contudo… — Num tom solene, a kunoichi fez suspense. — Para conduzir este momento especial, quero trazer a meu lado a pessoa responsável por tudo que vocês estão vendo aqui hoje. Ōtsutsuki Kaguya.
Kaguya adentrou espaço ao lado de Yuhi Kurenai, colocando-se diante dos empresários como costumava fazer em seus eventos beneficentes. Shino sabia disso, porque durante as investigações, havia participado de alguns desses leilões sob o disfarce de George Inouye.
— Boa noite a todos. — Simpática, Kaguya saudou os presentes.
Durante minutos, ela falou sobre a qualidade das peças que seriam vendidas em um lote único, para quem tivesse cacife para bancar, elevando aquela negociação a outro patamar.
— Meninas tragam as peças. — Kaguya se dirigiu a Anko, Mabui e Konan, enquanto Kurenai se mantinha de pé ao seu lado como um cão de guarda.
Os minutos seguintes correram com a Ōtsutsuki entretendo os presentes com piadas escrotas, sobre a noite que o comprador ou compradora daquele lote teria pela frente.
— Kiba. — Naruto arregalou os olhos ao deparar-se com o Inuzuka e as irmãs Hyuuga sendo trazidos pelas Kunoichis.
O rapaz estava vestido com roupas provocantes e sua maquiagem era pesada. As meninas também usavam lingeries e maquiagem que não condizia com suas idades. O rapaz andava com dificuldade e tinha hematomas por toda a parte descoberta do corpo. Ao julgar o estado do policial e como as duas garotas seguravam em suas mãos, a noite de nenhum deles havia sido fácil.
******
Após incitar lances numa disputa acirrada e chegar a absurda quantia de 55.727,61 mil euros entre os convidados, Kaguya soou animada ao ver Shino erguer a mão.
— Pelo visto, temos um comprador para esse exótico e delicioso lote…
— 85.000,00 mil euros! — Um sujeito aleatório, que não havia feito nenhum lance desde o início do leilão, ergueu o braço, desbancando a oferta do Aburame.
Incrédulo, Shino olhou para trás. Ele não poderia deixar aquele homem realizar aquela compra, pois precisavam de provas concretas para dar voz de prisão a Ōtsutsuki e suas comparsas, por isso fez um lance ainda mais alto.
Competitivo, o empresário parecia não queria ceder e fez um lance ainda mais alto.
Após o Aburame e o sujeito disputar a compra tête-à-tête por cinco lances consecutivos, Shino desconfiou que o homem agia de má-fé e a mando de Kaguya para aumentar o valor do lote.
— 150.000,00 mil euros! — Kaguya gritou e começou a contagem. — Ninguém dá mais? Então creio que temos um comprador.
— Parabéns, senhor Inouye. Creio que a sua noite será inesquecível. — A mulher lhe deu uma piscadela antes de pedir que Konan levasse Kiba e as meninas até sua mesa, para que ele conferisse a mercadoria antes de formalizarem a compra em seu escritório. Após despedir-se dos convidados e pedir que as kunoichis, exceto Kurenai, organizassem a saída deles, Kaguya deixou o grande salão.
— Você está bem? — Shino perguntou a Kiba, apalpando-o de modo semelhante ao qual Sasuke fez com Naruto anteriormente. Ele sentiu o peito apertar ao notar a desolação com a qual o Inuzuka falou em seguida.
— Chefe, precisamos tirar essas crianças daqui — Kiba sussurrou olhando ao redor. O rapaz estava ferido e ainda assim pensava nas crianças e adolescente que estavam ali. — Aquela mulher… todas as pessoas nesse espaço são monstros.
— Eu sei disso, não fique preocupado... — Impulsionado pelo instinto, Shino tocou a bochecha de Kiba com carinho. — Hoje isso tudo terminará e todos irão para a cadeia. Eu só preciso dar voz de prisão a Kaguya, depois, Kakashi e seus homens cuidarão do resto.
— Shino, você precisa ir — Sasuke alertou. — Deixa que eu cuido deles, até que o Hatake e seus homens entrem aqui.
De fato, Gaara já devia ter mandado seus homens cercar as ruas ao redor da boate para evitar fugas em massa, no entanto, eles não podiam esquecer do heliporto…
— Eu estou indo. — Mesmo preocupado com o estado físico do rapaz e das duas pequenas que estavam ao lado dele, Shino se encaminhou para o escritório de Kaguya, pois precisava fechar aquele negócio e obter a prova que faria aquela mulher e suas amiguinhas mofarem para sempre em uma prisão.
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