Operation Swan

29 The Last Step: Believe!


Notas iniciais
Oie bbs, Como vão vocês?! Que vácuo absurdo o meu, né? É que foram tantas coisas... não pude estar aqui antes. E assumo, é muito difícil escrever o ultimo capítulo. Foram semanas e mais semanas tentando, até conseguir algo realmente satisfatório (ou pelo menos espero que esteja). Não quero falar muito mais, só quero que vocês leiam, e se despeçam da OS, assim como eu. Foi lindo chegar até aqui. Agora vamos ao que interessa!

London,

July 06, 2018.

A palestra já tinha acabado há mais de duas horas. Harry Potter, que dedicara grande parte do último tempo para fotos e autógrafos, se despediu do público e saiu do camarim improvisado. Ele cumprimentou e agradeceu ao diretor Nott e ao resto de toda a equipe no backstage, e seguiu em direção a saída.

Perto do seu carro alugado, Hermione o esperava, de braços cruzados. Ele sorriu ao ver a postura levemente revoltada da amiga. A mulher levantou uma sobrancelha, descrente com o afronte.

— Boa noite, Mione. – disse, maroto.

— Eu não acredito que você veio a Inglaterra sem me avisar, Harry Potter! – ela reclamou, ignorando totalmente a saudação.

Harry sorriu outra vez.

— Me desculpe, mas eu nunca desperdiçaria a oportunidade de ver Hermione Granger impactada.

Mione deu um tapinha de leve no ombro de Harry, mas esboçou um sorriso animado. O homem a abraçou.

— Veio dirigindo? – ele perguntou, quando se afastou.

— Não. – Hermione negou com a cabeça. – Agora que a Rose tirou a carta para dirigir, vive sumindo com a chave do carro.

Harry riu.

— Ótimo! – disse, com uma certa empolgação. – Vem comigo, eu te levo.

...

Hermione, minha querida, parabéns! Você estava maravilhosa!

Era a oitava ou nona pessoa que mandava mensagens daquele tipo no whatsapp da mulher em menos de dez minutos. Mione franziu o cenho, confusa, e respondeu mais uma vez, sem entender o que estava acontecendo.

De soslaio, Harry percebera o semblante assustado da amiga.

— O que houve? – ele indagou, como quem não queria nada.

— Não sei. – ela respondeu. – As pessoas estão me dando parabéns e eu não faço a mínima ideia do motivo.

— Será que hoje é seu aniversário e você esqueceu?

— Ha ha ha, Harry Potter.

Hermione fez uma careta e Harry riu. Ele deu seta e virou a esquerda.

— Para onde você está indo? – Mione indagou, desconfiada.

— Preciso passar em um lugar antes de te deixar.

— Achei que íamos jantar juntos.

— Infelizmente não será possível. Mas você não ficará decepcionada com isso.

Mione abriu a boca para contestar, outra vez desarranjada, quando suas vistas se fixaram no outdoor do lado de fora. A mulher arregalou os olhos, assustada e boquiaberta. Era a sua foto ali.

— Harry... – ela sibilou, mas não conseguiu completar.

Enquanto o carro seguia e passava por cada principal, os outdoors e posts de anúncios públicos traziam fotos de Hermione. Fotos que ela tirara há muito tempo atrás. Até onde Mione se lembrava, o pacote com aquelas imagens estava guardado dentro de uma pasta, perdida em alguma de suas gavetas.

Fora Ron que batera aquelas fotografias para uma campanha da PowerSet que nunca fora publicada. O ruivo dissera uma vez, antes de todo o processo de separação, que aquelas fotos eram lindas demais para serem compartilhadas com o mundo e que, por isso, elas seriam só dele. Para sempre.

Contudo, dezessete anos depois estava ela, estampando a nova propaganda da empresa. Era difícil de acreditar.

Os olhos de Hermione se encheram d’água.

— Eu não sei o que te dizer. – ela falou, por fim.

Harry sorriu.

— Não me diga nada, Mione. – ele replicou, tranquilo. – Não foi minha ideia, embora eu tenha achado muito boa. – completou. – Você sempre foi o rosto da PowerSet. E também sempre foi a principal inspiração do Ron.

Hermione passou a mão pelos cabelos. Ela estava completamente atônita.

— O Ronald fez isso? – perguntou, admirada.

— Na verdade a edição de imagem foi do James e a criação de texto foi da Rose. Mas a ideia e a divulgação foi do Ron. Ele vem trabalhando nisso há semanas.

Ele vem trabalhando nisso há semanas...

A frase ecoou nos ouvidos de Hermione. Aquelas foram as semanas que Ron sumira, sem dar notícias a ela. O coração da mulher começou a bater mais rápido, nervoso. Mil coisas passavam pela sua cabeça, entretanto, o que ela mais queria naquele momento era se encontrar com o ruivo e entender melhor o que estava acontecendo.

Adivinhando as vontades da amiga, Harry parou o carro na frente do prédio suntuoso da PowerSet.

— Sobe lá. – disse. – Vai falar com ele.

Mione assentiu com a cabeça. Ela e Harry trocaram um abraço apertado e cúmplice.

— Obrigada. – ela agradeceu, sincera. – Muito obrigada.

— Não há de quê. – ele afagou os seus cabelos. – Eu te disse que nunca perderia a oportunidade de te ver impactada.

Hermione sorriu e desceu do carro, em direção a corporação.

...

As portas do elevador se abriram e Hermione deu de cara com o terraço. Ela avançou dois passos para frente, saindo do cubículo de metal, e observou um pouco mais o espaço antes de seguir. O tempo estava agradável, morno, mesmo sendo noite. E as estrelas brilhavam lá em cima, no céu. Algo raro de se ver em meio a tanta iluminação artificial dos prédios.

Debruçado a beira da mureta, um ruivo de ombros largos e cabelos esvoaçantes também admirava o horizonte, plácido. Mione enfim tomou coragem para continuar a andar e partiu até perto de onde uma mesa de jantar fora improvisada.

A superfície de vidro descansava debaixo de um toldo branco, muito bonito, feito de um tecido meio transparente. Vasos de flores brancas e vermelhas estavam dispostos ao longo do espaço do toldo, e velas de cera amarela as acompanhavam, formando uma cabana aconchegante.

No canto, uma minicozinha também fora equipada. Haviam pratos e talheres dispostos, e uma refratária de vidro com alguma sobremesa de chocolate dentro. Do lado, algo borbulhava em uma panela, em cima de um suporte de aço e aquecida por queimador de mesma cor. O cheiro estava bom e lembrava alguma comida que Hermione gostava muito.

Ao perceber que não estava mais sozinho, Ron se virou, sem pressa. Ele e Hermione se encararam por alguns segundos, calados.

O ruivo se aproximou.

— Oi. – suas mãos descansavam dentro dos bolsos da calça jeans.

O semblante de Hermione era de alguém completamente descrente com o “oi” que acabara de escutar. Ronald riu com gosto.

— O que significa tudo isso, Ron? – ela perguntou. – O que está acontecendo?

Ron suspirou.

— Você sabia que eu odeio essa sua mania de fazer perguntas a toda hora? – indagou.

Hermione franziu a testa e cruzou os braços.

— Ah, eu também odeio quando você cruza os braços desse jeito. – ele completou. – Nossa, como isso me deixa nervoso!

— Acho que você não veio aqui dizer o quanto você não gosta do que eu faço. – ela rebateu.

— Na verdade eu vim sim.

Hermione abriu a boca para dizer algo, porém Ron deu mais alguns passos para frente, com o dedo indicador apontado.

— Viu, você está prestes a contestar outra vez...

Ela resolveu se calar de súbito, emburrada.

— Algumas coisas nunca mudam mesmo.

— Você não pode controlar o fato de eu estar com raiva de você agora, Ronald.

— Não estou surpreso. – ele deu de ombros. – Você é bem previsível às vezes.

— Ah, claro que sou! O que você esperava? – ela sorriu com desdém. – Ou melhor, o que eu estava esperando quando subi aqui?! – se perguntou, irritada. – Você sumiu há semanas e a primeira coisa que me diz quando me vê é que odeia o meu jeito?!

— Você não pode controlar o fato de que eu tenho uma lista de coisas que eu não suporto em você, Hermione.

Mione pôs as mãos na cintura.

— Então porque todas aquelas fotos lá embaixo?! Por que todas essas flores, todas essas velas e essa droga de mesa de jantar no meio desse maldito terraço?! – questionou, irritada.

Se era isso que Ron queria, assim iria ser. Ela estava com os nervos à flor da pele e pronta para discutir.

— Me diz, por que você está aqui, Ronald?!

Ron a fitou nos olhos.

— Porque eu te amo. – disse, sério. – E porque provavelmente eu não te amaria se você não fosse exatamente assim.

Uma massa de ar repentina tomou os pulmões de Hermione, afogando-a. A mulher sentiu-se desnorteada, dentro de uma situação totalmente fora do seu controle. Ronald sorriu outra vez, sabendo o quanto Mione estava perdida naquele momento.

— Eu... – ela balbuciou. – Eu não estou entendendo...

O ruivo acariciou o rosto da mulher, que não rechaçou o seu toque.

— Foi pensando nos seus defeitos que eu passei o ultimo ano achando que nós dois não dávamos mais certo, Mione. Só que eu não podia estar mais errado. – o ruivo falou. – Eu fui egoísta. Me deixei levar pelo meu cansaço do dia a dia, pelos meus estresses... esqueci o quanto você é maravilhosa em todos os aspectos. O quanto você é linda e eu sinto orgulho que o mundo saiba disso. O quanto você é extremamente inteligente, a mulher mais esperta que eu já conheci na minha vida. E a mais generosa... – Ron tomou um pouco de ar e umidificou os lábios. – Porque, para cada erro que eu achava que você cometia, provavelmente devem existir umas três coisas erradas sobre mim que você nunca se importou em aguentar.

Hermione escutava cada palavra de Ron com atenção. O homem continuou desabafando, pondo para fora tudo que ele queria ter dito há muito tempo.

— Eu senti saudades de cada pedaço seu, porque toda vez que eu busco algo na minha memória, sobre qualquer momento, tanto os bons assim como os ruins, você sempre esteve presente. E não te ver participando mais doeu em mim, além do que eu posso suportar.

O ruivo sorriu, nostálgico.

— Deus, eu achei que estava louco, mas eu senti falta até de você reclamando sobre a toalha molhada em cima da cama!

Mione esboçou um sorriso, com os olhos molhados de lágrima. Ron afagou as bochechas úmidas da mulher.

— Depois que o Hugo nasceu que eu percebi que fui um completo idiota, como sempre. Te afastei cada vez mais de mim, quando o que eu mais queria era ter você por perto. Os meses que passei aqui em Londres, contigo e com as crianças... era como estar vivendo tudo aquilo de novo com você, Mione, mas de um jeito até melhor. Quando eu voltei para New York eu soube que o maior pedaço de mim ficou aqui. Vocês.

Ron engoliu a saliva e soltou o ar do pulmão, aflito.

— Eu preciso desse pedaço de volta. – admitiu. – Eu quero o meu pedaço de volta.

Hermione soluçou, de olhos fechados e em silêncio. As lágrimas escorriam pela lateral da sua face, molhando cada pedaço de pele por onde passava. Ron estava se segurando para não explodir de agonia ali mesmo, mas, embora fosse difícil, manteve-se controlado, esperando.

Ele enxugou mais uma vez as maçãs do rosto da mulher e afagou a sua têmpora com o polegar. Devagar, Hermione abriu os olhos. Suas íris castanhas estavam límpidas, iluminadas pelo horizonte.

Ela pôs os dedos finos por cima do dorso da mão do ruivo, que ainda pousava em sua bochecha e o encarou.

— Eu também não me sinto completa sem você. – disse.

E aquilo foi o necessário para fazer a emoção desabar nos olhos de Ron. Seu peito encheu-se de alívio e felicidade. Ele puxou Hermione pela cintura com a urgência e a beijou com o máximo de amor e desejo que pode exprimir. Mione retribuíra com vontade, com saudade e com contentamento.

Quando se afastaram, não sabiam quanto tempo havia se passado, porém, ambos sabiam que nunca seria o suficiente.

O celular no bolso de Ron vibrou insistentemente, mais uma vez. Ele limpou o rosto antes de pegar o aparelho e ler o que estava na tela. A mensagem o fizera sorrir de forma genuína.

— O que foi? – Mione indagou, curiosa.

Ron não respondeu, mas digitou algo rapidamente no celular com uma mão, sem soltar a mulher com a outra.

— Ron...? – Hermione insistiu.

Ele a beijou mais uma vez com carinho, antes de vira-la em direção ao elevador, no momento que as portas do cubículo se abriram. O rosto iluminado de Rose aparecera. Ela trazia o pequeno Hugo no carrinho de bebê. Para Rose, ver a mãe e o pai juntos era mais que um sonho. Era uma realização.

Quando a menina avançou em sua direção, Hermione balançou a cabeça de forma marota. Ela sorriu para os filhos, que retribuíram, principalmente Hugo, que em sua extrema inocência, tentou se levantar no carrinho, empolgado em ver os pais ali, o encarando.

Eles pararam junto ao casal. Hugo estendeu os bracinhos para que o pai o carregasse. Rose abraçou a mãe.

— Oh, meu amor...! – Hermione apertou a filha, chorosa.

— Não chora, mamãe. – Rose respondeu, já emocionada como a Hermione. – Assim eu vou chorar também e o Huguinho vai ficar assustado.

Mione sorriu com a preocupação da filha e deu uma sequência de beijos no rosto de Rose. A ruiva riu com gosto. Ron e Hugo somaram-se ao abraço e foram aceitos com todo o amor do mundo.

Assim que se afastaram, Ron apertou a bochecha da filha.

— Ai papai! – a ruiva reclamou.

— Você está vermelha. – Ron tirou sarro.

— É, estou. – confirmou, envergonhada. – Acho que vou terminar de arrumar a mesa ali para deixar vocês sozinhos terminando de fazer as pazes. – disse rapidamente. – E, por favor, permaneçam em paz até eu ficar velha. Não sei se tenho mais animo para montar outro plano como esse.

Os pais da menina riram. Rose pegou o irmão do colo do pai e seguiu em direção ao toldo e a mesa de jantar. O casal a observou arrumar o irmão no carrinho de bebê com cuidado, deixando espaço para que ele pudesse se mover e enxergar a todos.

Hugo, no entanto, insistia em desfazer o que a garota estava ajeitando, curioso, o que fazia a ruiva reclamar com ele a todo o momento, sem sucesso. Em resposta, o bebê dava gritinhos, apertavam as mãos gorduchas e balançava a cabeça.

Ron passou a mão pelos ombros de Hermione, afetuoso.

— É bom ter a minha família de volta. – disse.

— É sim. – Mione confirmou sorridente, também a observar os filhos.

O ruivo segurou as mãos da mulher.

— Obrigado. – ele agradeceu.

— Pelo quê?

— Por existir.

O sorriso de Hermione se alargou. Ela esticou-se na ponta dos pés e beijou o ruivo com ternura.

— Eu te amo, Ronald Weasley.

— Eu te amo, Hermione Granger. – ele respondeu feliz. – E futura Weasley outra vez. – sussurrou no ouvido da mulher, com certa malícia.

Mione ergueu uma sobrancelha, divertida, enquanto os dois caminhavam até a mesa de jantar improvisada.

— E quem disse que eu vou aceitar?! – indagou, desafiadora.

— Claro que você vai aceitar. Você não é louca de me dizer não!

— Faça outra surpresa dessas e quem sabe eu te digo sim.

— Ah, é assim? Vou ver se você está merecendo mesmo então.

A mulher deu um tapinha no ombro do ruivo, que segurou a sua mão e beijou o dorso, antes de trazê-la para si outra vez. A brisa noturna agitou os seus cabelos e as suas peles se arrepiaram, mas, não necessariamente por causa de nada vindo de fora. O corpo só emanava as suas vontades. Vontades que os anos seriam os encarregados de sanar dali em diante.

E assim, eles sentaram-se a mesa em seguida. Os quatro. Pai e mãe. Filho e filha. Comeram, beberam, brincaram, sorriram e sorriram mais uma vez. Os quatro reunidos a luz das velas, das estrelas, e dos prédios da vizinhança.

Juntos e felizes, como toda família sempre deveria ser no final.

Notas finais
E então, meus amores? Mais do que nunca preciso da opinião de vocês! Um ciclo lindo se fechou e que outros comecem a partir deste ♥ Beijos e obrigada por vocês terem chegado até aqui!