Operation Swan
15 Step Six: Relieve!
Notas iniciais
Los Angeles,
April 8, 2017
Harry Potter mexia nos guardanapos de papel, hiperativo.
— Eu quero saber até quando vocês vão ficar nessa.
— Vocês...?
Hermione franziu a testa.
— Acho que você não entendeu bem a situação, Harry.
— Eu entendi perfeitamente. – ele rebateu. – Vocês estão se pegando de novo, como diriam os meus filhos.
A mulher o encarou, horrorizada.
— Não é bem assim... – ela negou, vacilante. – Aconteceu uma vez e...
— E aí depois disso aconteceram muitas outras vezes. – Harry a interrompeu, impaciente. – Porque vocês dois quiseram que acontecesse.
Hermione não respondeu. Pela porta de vidro, ao longe, ela viu uma figura conhecida surgir. Ron olhou para os lados, como se estivesse procurando algo.
— Eu tenho que ir. – ela disse, apressada.
— Você está fugindo. – Harry tinha visto o mesmo.
— Não estou.
— Tudo isso porque não quer assumir que voc...
— Dá pra você calar a boca, Harry?! – dessa vez a Hermione que o interrompera, irritada.
— Ok, ok! – o homem ergueu os braços em rendição, prendendo o riso. – Não vou falar mais nada!
— Melhor assim.
A mulher bebeu o último gole de café em sua xícara. Sem dizer mais nada sobre o assunto, Hermione se levantou e atravessou o restaurante do hotel apressada. Ela começou a subir as escadas em direção ao quarto onde a filha estava.
— Tia! – vozes a chamaram. – Ei tia, espera!
Duas cópias de Harry Potter praticamente corriam em sua direção. Mione esperou que os meninos se aproximassem parada a beira do degrau.
— O que vocês aprontaram? – ela indagou, desconfiada.
James e Alvo andando juntos nunca era uma combinação confiável.
— Nada. – Jay respondeu, sorridente. – Ainda...
Hermione semicerrou os olhos para o afilhado.
— Tia, precisamos da sua ajuda. – Alvo falou.
— Minha ajuda...? – a mulher questionou, confusa.
— Sim. – James confirmou – Queremos encaixar o Malfoy na festa da Rose.
— Scorpius?
Ela tinha certeza que havia dado um convite à Rose há algumas semanas, destinado ao garoto, e a filha havia devolvido emburrada.
— Ele não estava na Argentina? – Mione franziu a testa, sem entender.
— Estava. – Jay disse. – Do verbo não está mais. O voo dele já deve tá quase chegando.
— Ele vem pela Rose, tia.
A constatação de Alvo esclareceu o assunto. Hermione entendeu onde os meninos estavam querendo chegar e sorriu, achando bonitinha toda aquela armação.
— Ah... – a mulher abriu a boca teatralmente – Captei...
Os irmãos riram.
— E então? – Al perguntou. – A senhora vai ajudar?
Mione suspirou levemente. Porque não? Perguntou-se. Ela sempre gostara de Scorpius, até mesmo quando ele e Rose brigavam a todo o momento. Era como se a relação dos dois se parecesse bastante com a dinâmica que ela possuía com certo ruivo, no qual ela estava tentando não pensar a alguns dias.
— Vou. – a mulher disse por fim.
— Ótimo! – James exclamou. – E o que faremos agora?
— Só me avisem quando o Scorpius chegar.
— E o que a senhora vai fazer?
— Por enquanto nada. – Mione respondeu, sorrindo e canto. – Mas tenho algumas ideias em mente.
Ela levantou uma das sobrancelhas, pensativa. Alvo e James se olharam, curiosos. Tratando-se da tia, a ideia deveria ser boa.
—-- Ω ---
— Se preparem! – Lily anunciou saltitante. – Ela tá descendo!
Da entrada do saguão, Rose rolou os olhos. Ela sorriu logo em seguida para disfarçar a vergonha que estava sentindo com todas as perspectivas ao redor focadas em sua direção.
— Para com isso, Lil. Tá todo mundo me olhando.
— E não é esse o objetivo?
— Pelo amor de Deus, não!
Lily gargalhou. A filha mais nova dos Potters não parecia se incomodar com um pouco de holofote.
— Ela está certa, meu amor. – Hermione comentou, ao lado da filha. – Hoje a noite é sua.
A frente do hotel, o resto da família já as esperava. Harry, Alvo e James faziam caretas entediadas, encostados em um dos automóveis. Ginny acenou para a afilhada, animada, quando esta chegou perto o suficiente.
— Você está tão linda, Rosie! – a ruiva mais velha elogiou, a fazendo sorrir.
— Obrigada, tia.
— Não vejo a hora de Lily fazer dezesseis anos também...
— Eu já disse que não quero festa, mamãe. – Lily reclamou.
Ginny ignorou. Ela se virou da direção da cunhada.
— Você também está maravilhosa, Mione.
— Então posso dizer que estamos nós duas.
A ruiva sorriu outra vez.
— Obrigada, amiga. – ela agradeceu. – E vocês três desencostem desse carro empoeirado agora! – ralhou com o marido e os filhos, que praticamente pularam do lugar onde estavam.
— Já tá na hora de ir? – Harry perguntou, emburrado. – Eu já não aguento mais ficar em pé aqui.
— Está sim. – Hermione respondeu, olhando no relógio de pulso.
— Onde está papai? – Rose indagou, preocupada.
— Ron...?! – Ginny franziu a testa. – Ele estava do meu lado alguns minutos atrás...
— Aqui!
Ron despontou de trás de uma van, que estava mais a diante.
— Um fornecedor importante ligou. – ele se justificou. – Eu tive que...
O homem parou de falar quando viu a mulher e a filha. Aos seus olhos – e de todos os outros – as duas estavam bem mais que lindas.
— Ir atender... – completou, inteiramente admirado.
O ruivo percebeu que seria capaz de passar o resto da noite inteira ali, somente admirando as duas.
– Você está tão perfeita, minha Rosie.
O ruivo afagou a bochecha da filha, que exprimiu um sorriso genuíno, derretida.
— Obrigada, pai.
Ron sorriu de volta e acarinhou a filha mais uma vez. Nesse instante, seu olhar cruzou com o de Hermione por alguns segundos. Ron deu alguns passos vacilantes para frente.
— Bom, já estamos todos aqui... – Mione quebrou a comunicação visual, acelerada. – Podemos ir agora.
Sem dizer mais nada, a mulher arrastou a filha para o carro principal. Harry e Lily foram atrás.
— Fecha a boca, Ronald. – Ginny comentou, marota. – Você já babou bastante por hoje.
— Ha ha ha... – o ruivo ironizou – Engraçadinha, Ginevra.
Os meninos riram. Os quatro entraram no veículo que estava mais atrás. Foi Ginny que voltou a puxar assunto quando Ron se colocou ao volante.
— E então... – ela começou. – Como vai você e a Mione?
— Bem, obrigado. – o ruivo respondeu. – Ela no canto dela e eu no meu.
— Ronald?
— O que é?!
— Eu já sei de tudo.
James e Alvo prenderam o riso, sentados no banco do fundo. Pelo retrovisor, Ron os viu.
— Pelo visto agora eles também... – o homem comentou, fazendo cara feia para irmã.
— E isso é um problema, por acaso? – Ginny o enfrentou.
Ron não respondeu. Ele parou o carro na sinaleira.
— Eu não acredito que você seja tão lerdo assim.
— Gin, você fala como se fosse fácil.
— Você sabe o que fazer para tornar fácil.
— Não é bem assim que as coisas acontecem.
— Então como é? – a ruiva questionou, sem entender. – Você não é mais um adolescente, Ron!
— Então você não confia em mim?! – Ronald replicou. – É isso?!
— É claro que eu confio em você. Você é o meu irmão. Eu pus a segurança dos meus filhos na sua mão, do outro lado do planeta. Se isso não é confiança, desculpe, mas eu também não sei o que é.
— Então qual o problema?
— O problema é que você tá fazendo burrada. De novo. – Ginny suspirou. – Eu só espero que você consiga um dia enxergar que não é só a sua felicidade que está em jogo.
Sem dizer mais nada, a ruiva se virou na direção da janela. O sinal abriu. Pensativo, Ron arrastou o automóvel.
O cerimonial onde a festa seria realizada não era muito distante do hotel. Assim que Ron e Harry estacionaram, foram recepcionados pela cerimonialista. Educada, a mulher guiou a família até o pavimento superior, enquanto explicava o roteiro do evento. Hermione, Ginny e Rose se concentraram em escutar, enquanto os garotos foram se espalhando, aos poucos.
Mais a frente, Amy, a namorada de James, já esperava junto às mesas. Ela andou até Rose e a parabenizou vestimentas, logo após cumprimentar a todos. Seu olhar se concentrou por um tempo a mais em Ron, que estava um pouco distante. Tímida, a garota se aproximou.
— Mr. Weasley. – ela o saudou.
— Ah... – Ron apertou os olhos. – Amy é o seu nome, certo? Namorada do James?
— Isso mesmo.
Amy sorriu.
— Prazer em conhece-la.
— O prazer é meu. Na verdade é uma honra. – a garota corou. – Fiz um trabalho sobre o senhor, no semestre passado.
Ron estava surpreso. Ele se ajeitou, encarando a menina.
— Sobre mim? – perguntou, interessado.
— Sim. – Amy confirmou. – Era um trabalho sobre as grandes referências em marketing e administração da contemporaneidade.
O ruivo abriu a boca algumas vezes. Ele nunca imaginara que um dia estaria em um posto como esse.
— Nossa. Eu nem sei o que dizer. – assumiu. – Mas obrigado por me elevar a esse posto.
— Eu não sou a única. Muita gente na universidade o enxerga assim. O senhor é um exemplo.
Ron se sentiu extremamente lisonjeado.
— Obrigado, Amy. – repetiu.
— Não há de quê.
A garota se afastou, voltando para o lado do namorado. Ron sorriu, pensando em tudo o que escutara.
—-- Ω ---
O corpo de Rose girava, envolto pelo vestido, no meio do salão. A sua frente, Scorpius Malfoy a conduzia com certa graciosidade. A garota parecia atipicamente feliz e o mesmo poderia ser dito do loiro. Hermione observava a cena, distraída.
Nesse momento uma mão a puxou firmemente. Quando ela se viu, já estava nos braços de um dos seus sobrinhos. Eles se inseriram na valsa.
— Al! – reclamou, porém com um sorriso no rosto.
— A senhora precisa que participar dessa dança. – Alvo replicou, malandro.
— Preciso é?!
— Com certeza!
Do outro lado do salão, Ron também fora arrastado. Ele e Lily giravam pelo salão. A menina gargalhava aos montes, provavelmente por algo que o tio estava dizendo ou talvez pela forma desengonçada que ele se movia entre os outros pares.
Alguns segundos se passaram e mais uma vez houve uma troca de casal. Seguindo a tradição, aquela era a hora do pai dançar com a aniversariante. Ron se esforçou ao máximo para não fazer a filha passar vergonha. Rose, no entanto, não parecia se importar. Ela apoiou a cabeça no peito do ruivo, confirmando que ali sempre fora o seu porto seguro.
— Vamos trocar outra vez... – a garota se manifestou, já quase no fim.
— Essa música não acaba? – Ron reclamou.
Rose riu.
— Acabará quando for necessário, papai...
Mais um giro e Ron, assim como todos os outros, se viu trocando de par. Amy apareceu a sua frente.
— Olá outra vez! – ela disse, animada.
— Olá! – Ron sorriu de volta.
— Ok, Mr. Weasley. Vamos lá.
Ronald franziu a testa.
— Vamos para onde? – ele inquiriu, sem entender.
— Na verdade eu não vou. – Amy falou. – Quem irá é o senhor.
Antes que Ron pudesse falar algo, Amy pegou impulso na coreografia o se soltou, fazendo com que ele girasse dessa vez. Perdido, Ron segurou a parceira que apareceu de relance ao seu lado. Assim que a tocou, percebeu que era Hermione que agora ocupara o espaço entre braços.
O ruivo olhou para o trás e viu Amy se afastar com James, ambos rindo. Eles provavelmente haviam armado aquilo. A valsa enfim terminou. Seu toque fora substituído por uma suave melodia de alguma banda adolescente. A luz do salão foi diminuindo, aos poucos.
Hermione tentou se afastar, porém o ruivo não tirou a mão de suas costas. Já que ele havia sido posto naquela situação, não custava nada se aproveitar um pouco disto.
Como se estivessem ali sozinhos, Ronald deslizou a mão até a cintura de Hermione e a travou bem rente ao seu corpo.
— Você não vai fugir de mim de novo. – avisou.
— Ron, estamos na frente de todos... – Hermione salientou.
— E daí? – ele deu de ombros. – Eu não me importo.
O semblante da mulher aquiesceu-se.
— Não...?
— Não. Eu não quero mais ficar escondendo nada de ninguém.
Mione não conseguiu controlar o sorriso que brotou dos seus lábios, tímido.
— Eu achei que você quisesse manter tudo em silêncio. – ela disse.
— Eu também. – Ron assentiu. – Mas às vezes eu sou um imbecil.
— Nisso temos que concordar.
— Eu sei que você gosta de mim desse jeito.
Hermione arqueou a testa e Ron soltou uma risada alta, fazendo-a rir logo em seguida. Eles dançaram mais um pouco, de olhos fechados, somente acompanhando o ritmo.
— Mione...? – o ruivo a chamou, devagar.
— Sim... – Hermione respondeu, ainda de olhos fechados.
— Vamos seguir sem pressão, tá?
A mulher suspirou lentamente.
— Tudo bem. – aceitou, por fim. – Sem cobranças.
Ron sorriu outra vez. Lentamente, ele abaixou a cabeça, procurando os lábios da sua ainda esposa. Mione passou os braços ao redor do pescoço do ruivo, receptiva.
O primeiro toque foi acanhado. Eles não faziam aquilo em público havia mais de seis meses. Contudo a timidez se limitou somente ao inicio. Aos poucos, a intensidade do contato aumentara. Em poucos segundos, o casal estava imerso em um daqueles beijos de capítulo final de novela.
Pararam para respirar. Era preciso. Foi então que por cima do braço de Hermione, Ronald vira Rose se afastar agitada, segurando o vestido. Scorpius seguia em seu encalço. Até agora Ron estava se perguntando de onde o loiro saíra. Ele não estava ali antes. Vê-lo se afastar com a sua garotinha explicava muita coisa.
— Aonde aqueles dois pensam que vão?!
Hermione se assustou com o comentário. Ela virou a cabeça para trás, para poder enxergar qual era o motivo do estresse do homem. Ela prendeu o riso ao ver do que se tratava.
— E você ri? – ele questionou, inconformado.
— O que você quer que eu faça? – Mione rebateu.
— Me apoie, talvez?!
— Pelo amor de Deus, Ronald. Eles são adolescentes!
Ron juntou uma grande quantidade de ar nos pulmões. Hermione estava certa. Rose não era mais uma criança.
— Deixe-os aproveitar. – a mulher disse. – Já estava na hora deles dois se acertarem.
O ruivo assentiu com a cabeça. Um olhar malicioso brotou em sua íris azulada. Hermione percebeu.
— O que foi? – ela perguntou, curiosa.
— Acho que eu quero me acertar com você também. – ele respondeu, divertido. – Naquele cantinho ali.
Em meio aos risos, os dois se afastaram da pista de dança.
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