Notas iniciais
Primeiro querer pedir desculpas para as pessoas que comentaram e eu disse que ia att ontem, mas eu não consegui terminar de escrever, só consegui agora e avisando que como estava ansiosa, revisei o capitulo só uma vez, então pode ter erros e erros grotescos kkk Bom, eu vejo vcs lá nas notas finais, vou parar de atrapalhar a leitura.

POV Annie

Fazia algumas horas que estávamos sozinhas no chalé mais afastado do acampamento. Eu sabia que era uma punição por ter aprontando, mas que tipo de acampamento é esse que deixa duas crianças longe de todos, no meio do mato?

— Será que eles não pensaram na hipótese de que pode aparecer um urso a qualquer momento aqui? – Ouvi a chata da Hallie dizer.

— Na verdade eu estou torcendo para que um apareça. – A vi arregalar os olhos em descrença ao que eu disse. – E te devore.

Ela abriu a boca para dizer algo, mas um barulho nos assustou. Arrependi-me instantaneamente de desejar ver um urso, o que fez com que eu me aproximasse de Hallie, tanto quanto ela também vinha em minha direção e nós abraçarmos, tentando achar conforto nos nossos últimos minutos, ou quem sabe, segundos de vida.

— O que vocês estão fazendo? – Vi o garoto na soleira da porta, depois de tê-la aberta com brusquidão. – Vocês são amigas agora?

Só então me dei conta que abraçava a garota mais chata que eu conheci em todos os meus curtos 11 anos de vida. Soltei-a com pressa e fui para a minha cama.

— O que você está fazendo aqui Connor? Ou melhor, como chegou aqui?

— Bom, eu te disse que meu pai e o seu pai me contaram alguns esconderijos, caminhos e algumas outras coisas sobre esse acampamento. E acho que eles passavam muito tempo aqui também, mesmo quando não estavam isolados. Essa parte eu não entendi muito bem, porque eles fizeram uma cara estranha, pareciam compartilhar uma piada interna.

— Tudo bem, eu já entendi. – Ouvi Hallie dizer. – Achava que quem falava muito era eu, mas você tem me superado.

— Eu mal posso esperar para ver, quando você resolver ganhar do seu amigo em tagarelagem. – Fui completamente irônica.

— Desde que eu saiba falar e não use palavras como “tagarelagem”, aposto que até mesmo você vai parar para ouvir. – Disse petulante, arrebitando o nariz.

— Tudo bem, vocês são iguais, achei que os doppelganger se entendiam.

— Nós não somos iguais! – Gritamos em uníssono.

— Não comece com isso Connor, a última vez nos fez parar aqui e eu não quero passar mais um minuto além do tempo que eu preciso ficar com essa garota. – Hallie disse ao garoto.

— Tudo bem duplicata... — Contrariando tudo que ela disse, Connor se dirigiu a mim como cópia. Abri a boca para replicar, mas então ele continuou. – Ou seria você? – Disse olhando para Hallie. – Na boa, não sei. Isso é muito confuso, até mesmo para mim. Bom, meu nome é Connor Merlyn e o seu?

— Annie Smoak. Da onde você conhece a coisinha ali?

— Hallie é minha prima, quer dizer, não de verdade. Nossos pais cresceram juntos, e o meu passava muito tempo na Mansão Queen, já que ele perdeu a mãe criança, então vovó Moira, que é a vó de verdade da Hallie, o adotou. – Fez aspas na ultima palavra. – Desde que nasci passo mais tempos com os avós da Hallie do que com o meu.

— Você mora em uma mansão? – Perguntei para Hallie.

— Na verdade nossos avós, ela mora em um loft com o pai.

— Connor, você veio para contar a minha vida ou tinha um propósito?

— Bem, não, mas a gente pode aproveitar e explorar o lugar.

— E correr o risco de ser devorada por um urso? Eu passo! Leva a Hallie e de preferência, não a traga de volta.

— Vocês sabem que o acampamento é rodeado por muros altos e que não tem a menor chance de um urso entrar aqui né? – Disse Connor.

— Claro, eu estava apenas brincando. – Tentei soar o mais convincente.

— Não parecia quando me abraçou. – Ouvi Hallie dizer.

— Foi você quem me abraçou. – Acusei.

— Tudo bem meninas, não precisam começar a 3ª Guerra Mundial. Vamos?

— Eu passo, mas obrigada pelo convite.

— Tudo bem, vamos Connor.

Vi os dois saírem e me ajeitei melhor na minha cama me cobrindo. Não tinha nada para fazer sozinha e naquele chalé, então fui dormir.

[...]

Acordei com uma ventania entrando pela janela, carregando alguns papeis que eu tinha colocado sobre o criado mudo. Tentei fechar a janela, mas ela estava emperrada. A porta abriu e mais uma lufada forte de ar entrou, enquanto eu via Hallie passar e fecha-la correndo. A me ver tentando fechar a janela, sem êxito, se aproximou e me ajudou e juntas conseguimos. A vi começar a juntar os papeis que tinham se espalhado e comecei a fazer o mesmo.

— Estragou alguma coisa? – Disse me entregando.

— Só o meu pôster do Arqueiro. – Peguei os papeis da mão dela. – Obrigada.

Então ela me deu um sorriso. O primeiro que eu via e que lembrava muito o meu, mas não iria admitir.

— Meu pai também tem um. Deixa-me ver. – Falou.

— Eu achei esse nas coisas da minha mãe, ela não gostou muito, mas de tanto insistir acabou me deixando ficar com ele. – Mostrei o pôster para ela. – É o herói preferido dela.

— Do meu pai também. – Sorriu mais uma vez. – Me conte como são os seus pais.

— Eu só tenho mãe, meus pais se separaram quando eu ainda era um bebê.

— Os meus também. – Disse tristonha.

— Então, você mora com sua mãe?

— Com o meu pai, mas passo muito tempo com os meus avós e tia. Eu gostaria de saber como é a minha mãe, mas eu só tenho uma foto dela que ainda está rasgada ao meio.

— E eu gostaria de saber como é o meu pai, mas também só tenho uma foto rasgada dele. – Fui em direção à porta quando vi meu estomago reclamar de fome. Estava quase na hora do café e levaria um tempo até chegar ao refeitório. – Vamos descer para comer?

— Como você pode pensar em comida em uma hora dessas? – Olhei-a confusa e apenas arqueei minhas sobrancelhas em sinal de que ela explicasse. – Você não percebe?

— Não percebo o que? – A segui para dentro do chalé de novo.

— Quando você faz aniversário? – A vi mexendo nas gavetas do seu criado mudo.

— Trinta de Janeiro, por quê?

— Isso não é coincidência! Nós fazemos aniversário no mesmo dia, somos parecidas, eu moro com o meu pai e tenho só uma foto rasgada da minha mãe, você mora com o sua mãe e só tem uma foto rasgada do seu pai. Você trouxe a sua foto?

— Não saio sem ela. Espere ai. – Fui em direção ao meu criado pegar a foto.

— No três. – Falou para que juntássemos a foto na contagem.

— Um. – Eu mesma disse, não aguentava mais de curiosidade.

— Dois. – Foi à vez da Hallie.

— Três.

POV Hallie

Ao juntar as fotos, tomei um susto e podia me ver pela reação da Annie, não porque somos iguais, mas sim porque ambas estávamos com olhos arregalados e perdemos a cor do rosto.

— Nós somos... – Disse espantada.

— Irmãs. – Completei.

Senti-me ser abraçada, algo que nunca esperaria de Annie com seu jeito independente e petulante.

— Não acredito que somos irmãs! Passei a minha vida inteira sozinha, sem nenhuma amiga, quando eu tenho uma irmã.

Toda vez que ela dizia irmã, a palavra soava surreal. Mas tê-la me abraçando fazia tudo ser real.

[...]

Depois de muito tempo conversando sobre como era nossos pais, o lanche foi até esquecido e já estava quase na hora do jantar.

— A gente podia trocar de lugar. – Ouvi Annie dizer e olhei-a perplexa. – Por favorzinho. Eu não conheço a mamãe, você não conhece o papai. Eu quero conhecer a mamãe, você quer conhecer o papai. Ninguém vai descobrir, nós somos idênticas.

— Só parecemos na aparência, você é totalmente diferente de mim.

— Quer saber a verdadeira diferença entre nós? Eu tenho classe e você não, eu sei esgrimir e você não. – Me olhou pidona. – Vai, por favor, eu já sei até te imitar.

Eu não estava muito certa sobre trocar de lugar, apesar de querer muito conhecer a minha mãe, então joguei minha ultima carta.

— Mas eu não posso vir para um acampamento de cabelo curto e voltar com ele grande desse jeito em oito semanas. – Vi a boca dela se abrir em um perfeito ‘o’.

— Meu cabelo não! – Falou alto.

— É pegar ou largar.

— Tudo bem, eu corto. Pegue uma tesoura.

Não acreditei que ela iria cortar os cabelos. Ainda a olhei com uma olhar de descrença, mas ela mesma foi até uma gaveta e encontrou uma tesoura.

— Toma, corta.

Peguei a tesoura e fui até ela que já tinha se sentado em um banco. Olhei onde estava minha franja e medi a dela, coloquei a tesoura e fechei os olhos.

— Não fecha os olhos!

— Tudo bem.

Então comecei a cortar, no final não ficou tão ruim. Nós duas nos surpreendemos com o resultado quando ela se olhou no espelho.

— Fiquei bonita, este corte combinou comigo. – Disse sorrindo.

— Claro, você está igual a mim.

[...]

Com o passar dos dias na cabine de isolamento, como era conhecido o chalé que estávamos, começamos a tramar nosso plano e arquitetar as estratégias. Através de mapas feitos a mão e fotos que tínhamos trazido, fomos apresentando a casa e a família. Depois que acabou ficamos mais unidas e ninguém acreditava que as garotas do inicio do acampamento que queriam esfolar a outra viva, estavam se dando tão bem agora. Acho que todos perceberam que éramos gêmeas, mas não dissemos a ninguém ao fim dos dois meses, nem mesmo a Connor, pois não queríamos que nossos planos fossem arruinados.

Então, Annie agora estava indo para minha casa conhecer meu pai e eu estava indo para a sua conhecer minha mãe. Abracei Annie e a desejei sorte, quando a limusine que a levaria se aproximava. Pela ligação de 15 minutos a cada semana que tive com mamãe, eu iria embora com Barry de novo. Ou melhor, pela primeira vez. Annie me instruiu a chama-lo de tio, pois se não o fizesse seria estranho, já que eu supostamente o chamava assim desde que me conhecia por gente.

Depois de 15 minutos que Annie partiu para viver a minha vida, vi Barry, ou melhor, tio Barry acenando para mim. Eu o conhecia pelas fotos que minha irmã me mostrou. Chama-la assim ainda aquecia meu peito, apesar de fazer dois meses que descobri.

_ Olá tio Barry.

Ele me deu um sorriso tão genuíno e travesso, que gostei dele instantaneamente.

— Não está esquecendo-se de nada? – Perguntou. Então me lembrei do aperto de mão secreto que Annie me ensinou.

— Mas o aperto de mão não é secreto? – Perguntei confusa.

— Bom, é, mas não tem ninguém olhando.

Então ele me estendeu a mão e a apertei, giramos em torno de nos mesmo, fizemos algumas batidas de mão e me surpreendi por não ter errado, giramos mais uma vez e apertamos as mãos. Assim que acabou, fui abraçada e beijada no topo da cabeça.

— Senti sua falta, pirralha.

— Também senti a sua, tio Barry.

— Vamos?

— Não vejo a hora.

Entramos no carro e coloquei o cinto. A viagem foi longa e cansativa, era mais longe que minha casa. Acabei adormecendo e acordei com tio Barry me chamando para sair do carro. Desci e olhei a casa a minha frente. Aquela seria minha casa agora. Eu sabia que era ela, pois Annie tinha desenhado e como ela tinha muito talento nisso, ficou fácil reconhecer. Não tardei a correr para encontrar minha mãe. Ao abrir a porta da frente, encaro a faixa de “Bem-vinda Annie”, apesar de não ser exatamente para mim, fiquei contente.

— Mãe? – Chamei baixo, testando primeiro. – Mãe? – Dessa vez soou mais alto.

— Aqui em cima Annie.

Corri pelas escadas, tomando cuidado para não cair, pois eu era bastante desastrada.

— Mãe? Cadê você? – Perguntei para descobrir em que cômodo ela se encontrava.

— No quarto.

Eu não lembrava onde era exatamente o quarto, mas segui o som da voz e abri a porta. Então ela apareceu de repente e me abraçou, beijando meu rosto em todos os lugares que alcançava.

— Como senti sua falta.

— Eu também sentia a sua, você não sabe o quanto, a vida inteira. – Comecei a chorar.

— Mas só foram oito semanas filha. – Riu.

— Eu sei, mas pareceu como se fosse a minha vida toda.

— Eu também acho. – Me abraçou mais forte e limpou minhas lágrimas. – Vamos comer?

Assenti, pois quando ela falou em comida, senti meu estomago se manifestar.

POV Annie

Entrei na limusine preta. Então dei de cara com John Diggle. Na verdade, ele me assustava, não sei como Hallie disse que ele era legal e bonzinho. Aquele tamanho e músculos me fizeram ficar calada.

— Tudo bem Hallie?

— Beleza e você?

— Beleza? – Perguntou, arqueando a sobrancelha.

— Quer dizer, tudo bem e você?

— Estou bem. Vejo que você mudou muito nesse acampamento.

— Talvez um pouquinho. Onde está o meu pai?

Senti o carro parar e vi Diggle sorrir. Não entendi nada, até a porta do passageiro abrir, revelando meu pai. Ele era lindo e entendi porque mamãe se apaixonou. Diggle saiu do carro e depois de um tempo, o senti se mover de novo.

— Surpresa! – Disse sorrindo.

— Eu não acredito que é você pai! – Então pulei no seu colo, abraçando-o.

— Também senti sua falta pequena.

— Eu não vejo a hora de chegar em casa, pai.

— Seus avós estão te esperando com um banquete e sua tia deve ter comprado todos os balões da loja.

— Quero muito conhecê-los, pai.

— Você quer conhecer os balões? – Riu e então percebi que quase me entreguei.

— Sim, pois deve ser muito legal se a tia Thea quis comprar todos, pai. – Então dei a desculpa mais chula para reparar o dano.

— Por que você me chama de pai toda vez que termina a frase?

— É por que eu passei minha vida toda sem dizer essas palavras, quero dizer, essas semanas todas, e senti muita falta de dizê-las, pai.

— Também senti muita falta de ouvir você dizê-las.

Abraçou-me mais forte e beijou o topo da minha cabeça. Depois disso não demorou muito a chegar em casa. A mansão era enorme e mesmo ainda estando passando pelo portão, já podia ver alguns balões na varanda.

— Eu disse que sua tia exagerou. – Ouvi meu pai dizer.

— Acho que está perfeito, pai.

Assim que o carro parou, saltei para fora e corri em direção a casa, estava muito ansiosa para conhecer minha família. Ao colocar a mão para girar a maçaneta, ela abriu antes, revelando a pessoa que devia ser minha tia. Ela me abraçou antes que eu pudesse ter qualquer reação.

— Espero que tenha aprontando muito e tenha boas historias para contar. Agora entre, antes que sua vó tenha um terceiro filho e se ele for parecido com seu pai, estaremos perdidas.

— Eu ouvi isso Speedy.

— Nada além da verdade Ollie.

Depois de ser liberada do abraço, adentrei a casa e dei de cara com meus avós. Abracei primeiro minha avó e senti o abraço ser retribuído em um aperto forte. Aspirei seu cheiro.

— O que está fazendo? – Perguntou.

— Só sentindo o seu cheiro, para nunca mais esquecer. – Ela ainda intensificou mais o abraço.

— Agora é minha vez. – Ouvi vovô dizer e fui puxada para os seus braços, o apertei forte, era tão bom conhecer meus familiares, ao mesmo tempo em que me sentia triste por não o ter feito antes.

Depois de toda a recepção, até mesmo dos empregados que trabalhavam ali, inclusive Raisa, que tinha sido babá do meu pai e também ajudou a cuidar de mim, fomos comer tudo que tinha sido preparado para a minha volta, ou no caso a de Hallie, mas aquilo me deixou feliz do mesmo jeito.

[...]

Já fazia alguns dias que tinha chegado, estava me adaptando à rotina da minha nova família, mesmo achando tudo muito legal, eu sentia falta de algumas coisas. Hoje eu finalmente iria para casa com o meu pai, tinha mais um tempo até as aulas voltarem, então ele decidiu tirar um tempo para ficar comigo. Estava ansiosa para ver como era o loft, que eu tinha ouvido de Connor desde o acampamento.

Falando em Connor, ele vinha para a mansão quase todos os dias e sempre reclamava que eu estava diferente. Tinha vontade de soca-lo, mas essa não seria a reação de Hallie e então eu seria descoberta. Eu tentava desconversar todas às vezes, até que um dia ele simplesmente soltou que eu estava muito parecida com Annie. Percebi silencio na mesa e então pisei no pé de Connor, o fazendo dar um sonoro “ai”, e quando perguntaram o que houve e ele estava prestes a dizer o que eu havia feito, belisquei sua coxa, fazendo o engolir o grito e as palavras, murmurando apenas um “nada não”. Depois desse dia resolvi lhe contar a verdade e evitar que o babaca revelasse meu segredo, tendo assim mais um cúmplice.

Também conheci tio Tommy e tia Laurel, os pais de Connor. Eles eram muito legais e por conversas que peguei no ar, entendi que eram amigos desde sempre. Comecei a juntar as peças do quebra-cabeça que era a vida dos meus pais e descobri que meu Tio Tommy, tia Laurel, meu pai e minha mãe se conheciam desde crianças e que o romance deles começou daí. Então entendi que toda a hesitação da minha mãe em me deixar ir para o acampamento tinha a ver com o meu pai. Acho que foi lá que eles se conheceram, mas não tenho certeza, preciso averiguar melhor.

— Vamos Hallie? – Ouvi meu pai me chamando para irmos finalmente para casa.

Eu já amava meus avós e tia, até mesmo Diggle que me pareceu assustador no inicio, mas não via a hora de ir embora da mansão e conhecer o pedacinho de lugar que morava com o meu pai. Com certeza um loft era mais parecido com a realidade que eu vivia em Central City e me sentiria mais a vontade.

Caminhei em direção ao carro do meu pai e que carro, devo acrescentar. Hallie me disse que ele tinha uma coleção e que na garagem onde ficam esses carros, tinha uma adega secreta, onde ele guardava vinhos muito especiais. Estou curiosíssima para ir até essa garagem, mas ficará para a próxima vez que eu vier à mansão.

Divagando a respeito de muitas coisas, senti o carro se mover, meu pai dispensou o motorista e qualquer empregado, estando ele a dirigir.

— Pronta para passar a semana com o seu pai?

— Nunca estive mais pronta. – O vi sorrir e percebi que aquilo era só um reflexo do eu fazia também.

Estava muito feliz em conhecer meu pai, apesar de não temos tido muito contato na primeira semana por conta da empresa, ele resolveu tirar umas curtas férias e ainda disse que tinha uma surpresa. Liguei para Hallie para lhe contar, normalmente nossas ligações eram feitas a noite, quando achávamos que todos já estavam dormindo, para podermos conversar como estávamos indo com os nossos pais. Ela estranhou a surpresa e me disse que meu pai não era muito disso, mas disse que de qualquer forma, eu a aproveitasse e com certeza eu faria.

Finalmente chegamos ao local, eu queria abrir minha boca em espanto, mas deixaria transparecer minha surpresa por descobrir que até mesmo o loft era luxuoso. Não que a minha casa fosse ruim, minha mãe era sócia de uma grande empresa, sempre tinha grandes projetos e ganhava muito bem, mas ela preferia algo mais simples. Mesmo assim, ainda pude ver que apesar de morar um homem naquela casa, ela era bem alegre, quem decorou tinha personalidade. Talvez tivesse sido Hallie que o ajudou a escolher, já que parecia que meu pai tinha um gosto estranho por verde, preto e flechas. Percebi isso em um lado da parede da sala, pintada de verde e com quadros de flechas e até mesmo algumas de verdade, colocadas como decoração. Achei essa parte tão maneira que fui passar as mãos e descobri se eram de verdade.

— Hallie, o que eu te disse sobre mexer nas flechas? – Disse em tom repreensivo, mas pude notar um brilho de divertimento nos olhos.

— Foi mal.

— Acho que te mandar para o acampamento não foi uma boa ideia, você saiu daqui com um vocabulário perfeito e voltou falando gírias.

— Desculpa, eu passei muito tempo com uma garota e ela costuma falar assim.

— Ah é? E de onde é essa garota?

— Central City. – O vi arregalar minimamente os olhos.

— Qual o nome dessa garota? – Perguntou, se aproximando mais.

— Annie. – Testei e vi seu rosto empalidecer. Percebi que ele sabia da minha existência, então tratei de inventar algo que não revelasse que tínhamos trocado de lugar. – Annie Allen.

Meu pai soltou a respiração devagar, mostrando alivio. Fiquei desapontada, ele estava aliviado em não me conhecer? Mas tão logo comecei pensar nisso, ouvi a campainha tocar.

— Vou atender, suba e troque de roupa. – Não entendi o que havia de errado com as minhas roupas, para mim eu estava ótima de jardineira, mas obedeci.

Chegando ao armário de Hallie, descobri diversos vestidos e conjuntinhos de saia e blusa social. Gemi frustrada. Que estilo era aquele? Eu não podia acreditar que teria que usar aquilo. Peguei o vestido que achei mais bonito e confortável e passei ele pela cabeça. Olhei no grande espelho dentro do closet, suspirei e desci. Na próxima vez que eu fosse a mansão, traria as roupas que tinha no meu quarto de lá. Provavelmente foi a tia Thea que as comprou.

Ouvi uma voz feminina e pensei que fosse a tia Laurel, mas me deparei com uma ruiva perto do meu pai. Nem precisei a olhar direito para saber que eu não gostava dela. Apesar de parecer sair de uma capa de revista, com seu corpo esbelto e roupas caras, exalava um sinal de ser pobre de espírito.

— Hallie. – Meu pai me notou. – Essa é Helena, minha namorada.

— Surpresa querida! – Disse a megera, quer dizer, Helena. – Espero que sejamos amigas. – E sorriu, mas não chegou aos olhos.

— Essa era a surpresa? – Perguntei para o meu pai.

—Sim, eu gostaria que vocês se conhecessem e fossem amigas. – Disse sério. – Estamos entendidos?

Neste momento eu odiei com todas as forças ter trocado de lugar com Hallie. Eu precisava fazer alguma coisa, não podia deixar aquilo acontecer. Ao descobrir isso, percebi que no fundo, eu tinha um plano de juntar meus pais e com esse empecilho, seria impossível.

— Entendi. – Eu disse e fui andando em direção as escadas novamente, para ir ao segundo andar. – Preciso fazer uma ligação.

POV Hallie

Se tinha uma coisa que eu podia chamar de maravilhoso, isso era passar todo o tempo possível ao lado da minha mãe. Logo quando eu cheguei, fomos entregar o projeto que ela passou essas semanas que estive fora trabalhando e o chefe dela, o Sr. Palmer a agraciou com duas semanas de férias, então eu tinha muito tempo para passar com mamãe. Mesmo que ela estivesse de férias, todo dia à noite eu a ouvia falar no telefone com seu chefe, apesar de ele ser muito legal, percebi o claro interesse que tinha pela minha mãe, mesmo ela recusando seus infinitos convites, que eu podia jurar que eram para jantar.

Estava tudo sendo maravilhoso e essa palavra ainda era pouco para demonstrar o que eu sentia em estar morando com a minha mãe. Tio Barry e Tia Caitlin sempre vinham jantar conosco e ele sempre dizia que eu estava mudada, muito mais do que o cabelo.

Hoje no jantar, eu usei uma frase em francês e minha mãe me perguntou se tinha me mandado para um acampamento ou para um curso intensivo, então eu inventei uma desculpa que tinha aprendido com uma garota no acampamento. Eles me perguntaram qual era o nome e quando respondi Hallie, quase vi todos terem uma sincope, menos Caitlin que ficou indiferente. Minha mãe perguntou qual era o sobrenome da garota e para que eu não fosse descoberta, inventei que era Hallie Diggle.

Depois disso, vi mamãe e tio Barry suspirar em alivio. Confesso que me senti ofendida e triste, pois aquilo fez parecer que eles não queriam me conhecer. O telefone tocou e mamãe atendeu, com um semblante confuso, dizendo que era Hallie. Atendi correndo.

— O que eu disse sobre ligar a essa hora? A gente combinou de se falar só de madrugada. – Eu disse baixo já correndo escadas acima para o meu quarto.

— Mas é uma emergência! Eu preciso que você conte a mamãe que trocamos de lugar e que vocês venham até aqui.

— Não Annie, eu não vou fazer isso. Você precisa se virar sozinha, estou tendo muitas experiências legais com a mamãe, não posso ir agora.

— Mas é realmente uma emergência.

— E que emergência é essa? – Perguntei brava.

— Papai tem uma namorada. – Demorei alguns segundos para absorver a informação.

Só então percebi porque mesmo Ray Palmer sendo um cara legal, gostar da mamãe e de mim, ou no caso de Annie, de verdade me dava tanta aversão. Eu tinha um desejo profundo de que meus pais voltassem a ficar juntos.

— Tudo bem. – Respondi depois de um tempo. – Nós iremos.

Finalizei a chamada e percebi que tio Barry e tia Caitlin já haviam ido embora, o que me deixou mais aliviada, assim seria mais fácil contar a verdade para a mamãe.

— Essa Hallie tem a voz bastante parecida com a sua. – Disse mamãe assim que notou minha presença.

— Bom, é porque eu não sou a Annie.

— Como assim? – Indagou assustada.

— Eu sou Hallie. Hallie Queen. Nós trocamos de lugar no acampamento.

O rosto da minha mãe ficou branco e ela sentou na cadeira mais próxima. Ela ficou em silencio por um bom tempo, até que soltou:

— Precisamos destroca-las. – Aquilo doeu, pois me fez parecer apenas um objeto que foi trocado por engano, mas assenti e subi para o meu quarto sem dizer uma palavra a mais.