Open wounds, closed heart
22 Dia 22
23/09/2017
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Este foi um daqueles dias em que eu preferia não escrever nada. Não que tenha sido um dia ruim… Okay, talvez seja esse justamente o caso. Todos as conversas, a atividade, tudo… Tudo parecia estar se arrastando, como se um minuto se prolongasse por horas.
Assim que cheguei ao familiar salão onde ocorriam as reuniões do grupo de terapia, cumprimentei os meus colegas que me aguardavam junto ao portão. Conversamos sobre nossas semanas, comentamos de alguma novidade que tivéssemos para compartilhar e eles me provocaram por causa dos meus sentimentos em relação ao Victor… O de sempre.
Para a atividade montamos juntos um enorme quebra-cabeça, um grupo buscando as peças que haviam sido espalhadas pelo salão enquanto o outro as organizava, colocando cada uma em seu devido lugar. Foi monótono, ou pelo menos foi para mim. Nem mesmo os sorrisos que Victor me mostrava sempre que vinha me avisar que tinha achado mais uma peça pareciam ser capazes de melhorar o meu humor.
Eu desejava ficar sozinho.
Eu não estava triste, ou ansioso, só… cansado. Por isso, quando o intervalo começou e tive enfim a oportunidade de me isolar, mesmo que apenas por alguns minutos, não perdi tempo e fui para o banheiro, uma atitude que não precisava de maiores explicações. Não quero conversar agora.
Quando retornei ao grupo, encontrei os três sentados juntos em um canto do salão. Victor estava ao lado de Guang, seus dedos tamborilando sobre suas pernas inquietas. Assim que me viu, porém, ele pareceu relaxar um pouco. Sentei ao seu lado e ele imediatamente me perguntou como eu estava. Eu anui a cabeça, silenciosamente, nos meus lábios um sorriso cansado cujo único propósito era tentar tranquilizá-lo um pouco.
Eu realmente estava bem, logo não era uma mentira; eu apenas não estava ótimo.
Durante a roda de conversa, Minako perguntou como todos estavam e as respostas foram tão chatas quanto o meu dia.
Por fim, voltei com minha mãe para casa, mas não sem antes ser recomendado algumas horas de sono. Meu cansaço, aparentemente, era tão evidente para eles quanto para mim. Como resposta, eu agradeci pela preocupação enquanto internamente pensava que seria bom se fosse o meu corpo que estivesse cansado.
Quando a alma está cansada, o tempo de recuperação é uma incógnita.
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