Open wounds, closed heart
17 Dia 17
26/08/2017
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Apesar de ter passado a última tarde inteira dormindo, o que eu menos desejava era ter tido que acordar tão cedo neste sábado, mas lamentavelmente eu já havia concordado em ir para a casa de Guang e deixar ele e Leo esperando seria errado. Depois do sucesso do bolo de cenoura do mês passado, nós três decidimos fazer algo juntos, e então irmos juntos para o GAPAD quando tudo estivesse pronto.
Durante o caminho, em meio a conversas sem assuntos específicos, pude sentir que um peso havia sido tirado de minhas costas e eu sabia que as coisas terem finalmente se acalmado no meu trabalho era apenas um dos motivos.
Eu estava honestamente feliz que Leo mostrava sinais de que daria mesmo uma chance ao Victor. “Estou começando a achar que Phichit estava certo. Você tem uma quedinha por ele, né?”, Leo comentou, sua voz mostrando sua satisfação em me provocar, depois que eu disse que ele não se arrependeria de deixá-lo se redimir, pois Victor era super agradável e gentil. Neguei sua implicação, provavelmente mais do que era necessário, e perguntei porque ele achava isso. “Você fala muito dele e parece se preocupar verdadeiramente com ele”, ele disse, e Guang concordou.
Talvez pela conversa ter perdido o tom de brincadeira, vi-me de repente bastante envergonhado. “Somos amigos.”, falei, um tanto nervoso, ciente do rubor que havia se espalhado em meu rosto, “Amigos se preocupam uns com os outros. É normal. Também me preocupo muito com vocês”. Leo e Guang riram e agradeceram, o assunto morrendo ali. Mas, apesar da mudança de tópico, a agitação em meu peito permaneceu por mais um tempo considerável até ser enfim abafada.
Enquanto deixávamos os bolos na mesa nos fundos do salão, Victor veio em nossa direção. Assim que descobriu que havíamos cozinhado juntos ele comentou de como deve ter sido divertido e perguntou se poderia se unir a nós na próxima vez. Então, ele avisou que não era muito bom na cozinha e que, por isso, precisaria de um pouco de paciência. Leo imediatamente disse que não parecia ser um boa ideia, o que deixou todos tensos até que ele complementasse dizendo que não sabia se Guang conseguiria lidar com dois desastres de uma só vez, pois ele já tomava todo o seu tempo. “Mas talvez Yuri possa te ajudar. Ele pareceu saber se guiar bem na cozinha.”, Leo acrescentou enquanto piscava em minha direção, algo que eu desejei que ele não tivesse feito. Victor virou em minha direção e disse “Acho que estarei em suas mãos, então” e eu não consegui evitar de corar.
Perante o meu óbvio e indesejado rubor, Victor perguntou o que eu tinha e Leo e Guang começaram a rir discretamente. Leo então deu um tapa amigável nas minhas costas e, junto de Guang, ele se afastou, deixando-me sozinho com Victor antes que eu pudesse protestar. Quando enfim tive coragem de olhar em direção a Victor, notei que apesar de sorrir ele parecia bem confuso com a situação; e, dependendo de mim para maiores explicações, ele continuou assim.
Sem mais enrolar, nós fomos atrás de lugares onde nós quatro pudéssemos nos sentar. O que se seguiu então foi um silêncio desconfortável que eu sabia ser minha culpa. Eu estava nervoso e, apesar de não saber bem porque, sabia que era por causa do Victor.
Eu não gostava mesmo dele, gostava? Eu só estava reagindo assim porque Leo ficou me provocando mais cedo, certo? Quero dizer, eu mal o conhecia… Dá para gostar de alguém que você não conhece nada além do primeiro nome e do fato que ele tem um cachorro? Ah, tinha aquela foto também... Até hoje não sei qual é a daquela foto.
“Yuri, você está bem? Você parece pensativo.” Ao ouvir sua voz, notei que ele me observava atentamente, preocupação visível em seus olhos. Respondi de imediato que estava tudo bem. Ele me perguntou sobre o meu livro e eu disse que estava tudo caminhando bem agora.
Foi então minha vez de fazer perguntas.
Perguntei se ele estava bem e ele disse que sim. Perguntei com o que ele trabalhava e ele respondeu que no momento nada. Pensei em perguntar mais sobre o assunto, pois certamente não era normal alguém da idade dele não fazer nada da vida, mas o jeito como os olhos deles perderam todo o brilho como se uma memória o atormentasse foi suficiente para eu me afastar do assunto. Eu não queria que ele se chateasse e lembrasse de coisas ruins apenas para acabar com a minha curiosidade. Não importava o quanto eu quisesse saber mais sobre ele e sobre os segredos que ele tanto escondia, eu me controlaria e aguardaria até que ele se mostrasse a vontade para conversar sobre o assunto.
Leo e Guang só se juntaram a nós quando a palestra estava para começar, e algo me dizia que esse gesto foi feito com segundas intenções que não sei se eu aprovava ou não. As coisas continuavam muito confusas em minha cabeça e eu ainda não sabia dizer o que sentia em relação ao Victor. Pelo menos, graças a palestra eu tinha algo para me distrair; só não me distrai mais do que a palestrante. Minako estava tão agitada e animada sobre falar sobre aplicativos, e de como ele podiam ser úteis para nós termos controle do nosso emocional, que se esqueceu de nos dar um intervalo para sequer irmos ao banheiro. Aparentemente, ela gostava de como a tecnologia influenciava nos tratamentos modernos, pois estendeu o assunto até não poder mais. Quando ela enfim disse que podíamos ir comer, todos se levantaram e se dispersaram.
Parados junto à mesa, tentávamos provar um pouco de tudo. Victor comentou que o bolo de brigadeiro estava ótimo, apesar de estar um pouco queimado, e Leo imediatamente admitiu ser culpa dele. Distraído pelo clima agradável, não pude evitar de olhar para Victor com um sorriso involuntário em meus lábios.
Não demorou até que fosse hora de partir. Guang e Leo foram os primeiros a irem embora, usando de desculpas para me deixarem sozinho com Victor apesar de eu não entender porque eles faziam isso. Não é como se eu tivesse pedido isso deles, e eles tampouco tinham algo a ganhar fazendo isso. Talvez eu devesse perguntar a respeito no grupo mais tarde, mas não sei se eu quero saber a resposta.
Enquanto eu me perdia em meus pensamentos, Victor de repente me agradeceu, o que me deixou bem confuso até ele explicar que ir ao GAPAD estava sendo mais legal e menos uma obrigação desde que nós nos tornamos amigos. Ele então prosseguiu dizendo que Leo e Guang também eram ótimos, mas eu já não estava mais o dando a atenção que deveria porque estava ocupado demais com os sentimentos que borbulhavam dentro de mim, gritando para serem ouvidos. Meu coração batia acelerado e eu tentava me convencer de que não gostava dele, mas isso não parecia mais funcionar.
Era tarde demais e eu já estava apaixonado pelo Victor.
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