Open Your Eyes

5 Illuminated


Notas iniciais
Suddenly my eyes are open Everything comes into focus, oh (Eu tive uma grande influência dessa musica essa semana então escolhi ela para este capítulo tão especial, e é o maior capítulo que eu já escrevi ! )

Haviam se passado quatro dias do acontecido das batatinhas, desde aquele dia não havia acontecido nada demais, somente umas visitas como sempre e até agora meu pai não havia me visitado. Isso me deixava meio assustada pois eu sabia que ele trabalhava demais mas eu queria que ele pudesse pelo menos me dar um oi... E até agora minha mãe sempre desviava o assunto quando eu perguntava como ele estava... Tinha algo de errado ai.
Rosie veio aqui como John prometera pedir, foi uma mini- luta explicar pra ruivinha que não havia problema nenhum no ocorrido de antes e que ela não era a culpada por nada.
Já havia dois dias em que minha mãe estava pegando tudo o que havia no quarto, fotos, brinquedos, flores, tudo o que estava há quase a seis anos ali mofando.

–Lembra disso querida? -Minha mãe me perguntava me fazendo parar de viajar nos meus pensamentos e "acordar" pra realidade.

–Oi mãe, perdão eu estava meio fora do ar ! -Eu disse fazendo ela sorrir e mostrar um quadro.

–Esse verão se lembra ?

–Ah.. Não mãe. -Parece que a cada vez que eu não me lembrava de algo minha mãe ficava meio abatida. -E o pai ?

–Ah querida já venho tenho que colocar essa caixa aqui no carro do John. -Mais uma vez... Bingo ! Ela não fala nada do meu pai... Será que eles se separaram ? ai Deus...
Enquanto eu estava sozinha no quarto, fiquei pensando que, se minha mãe está embalando já as coisas, quer dizer que eu vou para casa logo... Como será a minha casa em si? Sei que tem uma escada (eu sempre tropeçava ao subir os degraus), e um grande jardim onde eu brincava nas folhas na época do outono... Será que é tudo mais bonito do que como eu desenhava em minha mente ?

–Bu. -E então olhei para o lado e vi que era Rosie falando ao entrar pela porta branca de vidro.

–Oi Rosie. -Eu disse e então atrás dela veio seu irmão e meu primo ,John.

–Como a mocinha está se sentindo? -John perguntou se sentando ao lado da minha cama, o que estranhei pois sempre ele ia até a bancada tirar os materiais para checar tudo em mim, mas mesmo assim , tentei ficar normal.

–Bem John. -Respondi e sorri e então ele começou a, sim ele começou a rir da minha cara...

–Você não sabe mesmo que dia é hoje? -Ok, o que está acontecendo?, pensei.

–O que é hoje? Meu aniversário? Será que meu problema me faz esquecer dias? -E então Rosie começou a rir também.

–Hoje você vai sair ! -Rosie disse e então eu entendi. Mãe arrumando tudo, todo mundo sorrindo e pera.. John saindo da sala e pegando Milk Shake não. Ah meu Deus !

–Ah não acredito, sério? Para não brinca com isso . -Eu não conseguia acreditar que eu ia conseguir ter agora sim, uma vida de verdade.

–É sério, e toma isso. -John me entregou o copo com Milk Shake.

–Posso ir agora? -Eu não via a hora de ir logo para minha casa.

–Calma ai né. -Rosie disse rindo.- O John me disse que tem que dar baixa em um monte de coisa para te dar alta então calma ai e vamos curtir andar pelos corredores.

–Andar nos corredores? Ah vamos agora. -Eu queria andar, mas andar de verdade, queria conhecer tudo aquilo e por meus pés no chão e correr mas...

–Então vou pegar a cadeira de rodas.

–O que Rosie? -Não , fala sério eu não quero passar por essa humilhação.

–Eu vou pegar a cadeira de rodas para você andar comigo por aqui, conhecer o hospital, diversão? entende? -Claro que eu entendia mas ela não entende que eu queria andar?, pensei.

–Quero me divertir sim Ro, mas andando. -Que frustração....

–Você não pode andar enquanto não conseguir se firmar nas suas pernas ok? -John disse ao lado duma cadeira de rodas.

–Mas sem tentar andar eu não vou me firmar nas minhas pernas nunca. -Olha, isso era até que a pura verdade, percebi quando John sorriu e estendeu a mão para mim.

–Então vem. -John disse sorrindo e Rosie se afastou. Então é isso, vou ter que ir andando para provar que consigo, ok eu vou conseguir.
Coloquei minhas duas pernas para fora da cama, ai que pernas feias e brancas Alexia... E então John disse:

–Se você não acreditar em si mesmo não vai conseguir.- Depois de ouvir isso decidi ser mais confiante do que nunca e fui indo para a frente até que consegui ficar em pé. O chão estava tão gelado que tive vontade de voltar e me cobrir, mas continuei.

–Vai Lexie, você consegue. -Rosie dizia para mim enquanto eu me segurava com uma mão na cama e olhando para o chão. Um pé, depois o outro, calmamente, dei um passo e então tentei soltar a mão do lado da cama mas não deu muito certo e então John veio ao meu lado e somente pegou a minha mão e disse:

–Solta. -E confiando nele soltei e vi que conseguia ficar em pé e sorri. -Pegando pela mão você consegue se apoiar. Infelizmente quando tudo... quando isso aconteceu coisas foram danificadas, como sua perna... Não sei se você vai conseguir colocar muita força na perna esquerda ok? Mas você consegue andar, quer tentar? -Eu tinha mais um defeito... Bingo ! Nada em mim vinha sem um defeito junto. Mas mesmo assim eu sorri e falei que sim, e com isso John pegou a mão de Rosie e fez ela segurar como ele estava segurando e com isso eu consegui ir andando até a porta como uma pessoa normal !

–Como você está se sentindo? -John perguntava mais orgulhoso do que eu mesma.

–Eu estou ótima. Melhor impossível, John eu ando ! — E Rosie foi comigo até o corredor. Aquele corredor eu conhecia muito bem pelo fato de eu querer comer e ir como uma idiota atrás de batatinhas... E isso me fez lembrar vagamente o garoto que queria me ajudar, mas esse pensamento foi afastado quando eu percebi que tinha uma coisa puxando o meu braço e então Rosie começou a rir e chamou John que voltou rindo até o encontro de nós. Eu ainda estava com um cabo do soro no pulso e nem percebi !
Depois de seguir por mais uns vinte corredores totalmente ou parcialmente iguais ao que levava ao meu quarto, chegamos a um lugar que Rosie disse que era a ala onde as crianças mais debilitadas ficavam quando não podiam mais voltar para casa.

–Eu nunca vim aqui não é mesmo? -Perguntei e Rosie olhou para mim e falou:

–Eu fiquei aqui.

–O que houve contigo Ro? -Ou eu era muito desligada ou burra mesmo pois quase nada eu entendia... aiai....

–Nada, eu vinha aqui brincar quando meus... quando meus pais vinham te visitar. -Senti o tom de voz de Rosie mudar quando ela falou a palavra "pais".. O que me assustou um pouquinho. -Sabia que eu conheço quase todas as crianças que ainda não sairam daqui... Se bem que crianças é meio estranho de dizer, estão tão adultos.

–Eles não podem sair nunca daqui? -Perguntei um pouco chateada por saber que haviam pessoas que estavam como eu, mas não dormindo, bem acordadas e não podiam ver coisas que agora eu poderei ver...

–São doenças sérias Lexie, tem gente que nasce aqui e nunca sai até,... Você sabe. Mas não vamos falar disso, que coisa deprimente. -E então seguimos rindo e incrivelmente era verdade, a cada quarto que Rosie passava ao meu lado, alguma pessoa ou dizia algo ou acenava, uma garota até chegou a gritar de sua cama " Ela acordou, que maravilha"... Não foi uma boa cena de ver, eram tantos aparelhos ligados a garota...
Corredores mais para frente, havia um jardim onde, naquela hora estava vazio, mas Rosie disse que costumava ficar cheio de médicos que faziam vários plantões no dia.

–Ta ai uma coisa que eu não queria ser, médica ! Eu não conseguia nem olhar um corte no meu próprio pé, imagina ver sei lá, um coração ! -Rosie não parava de falar várias e várias coisas , e eu ficava atenta a cada segundo no que ela dizia, eu queria aprender até a falar com esse estilo dela. Ela parecia ser comum para a sociedade, eu queria voltar e ser um pouco parecida com ela.

☽ ☾● ◯


Noah estava em seu apartamento tediante, quando decidiu ligar para o irmão e contar toda a verdade.

–Aló. -John respondeu do outro lado da linha.

–Oi John. -Disse Noah para John, que então pareceu um pouco mais animado ao saber quem era.

–Noah, não acredito, cara onde você estava?

–Na cidade vizinha, sabia que da última janela do prédio da para ver o hospital todo? -Noah disse e então John começou a rir.

–Não acredito que você não foi embora, eu sabia que você não ia se afastar ! — E dessa vez Noah que começou a rir um pouco.

–Você sabe que eu não consigo. E então como ela está? -John sabia muito bem como era sua relação, pelo menos a dele sentimentalmente com Lexie.

–Cara você ligou no dia certo, ela sai hoje a tarde, se quiser ver-lá. -John disse animado mas então Noah se lembrou de uma coisa que o deixou um pouco abalado.

–Não posso ver ela , lembra? -Noah disse esperando que o irmão concordasse mas ele disse algo super diferente.

–Você não precisa jogar a verdade na cara dela, seja amigo dela. Um novo amigo ! Noah... Ela precisa de pessoas perto dela, e em você confio.. pelo menos mais do que na doida da nossa irmã ! -E então os dois riram. E em seguida John continuou:- Dê uma chance a ela sem falar nada ok?

–Que horas ela sai? -Noah perguntou.

–Ao meio dia ela está saindo daqui, não precisa vim aqui hoje, da uma passada la na casa essa semana e tudo feito. -Mas Noah já tinha planos em sua mente, planos que seriam mais perfeitos do que a idéia de John...

–Ta ok, obrigado mesmo John. -Disse Noah e o irmão respondeu e disse que precisava sair para explicar onde a filha estava para Anne, o que deixou Noah meio pensativo sobre onde estaria Alexia naquele momento.

☽ ☾● ◯

–Cade ela John? -Anne estava um pouco preocupada somente, sabia que a filha só poderia sair do hospital com sua assinatura, mas seu medo era de ela não estar bem.

–Está andando por ai com a Rosie. -John disse na maior naturalidade como se ela sempre "andasse por ai" com a prima.

–Como assim John? Andando? Ela já consegue? -Anne não parava de fazer perguntas para o sobrinho.

–Como eu havia te dito antes tia... Sim aconteceu aquilo mesmo, mas ela consegue andar. -John disse fazendo o sorriso de sua tia sumir.

–Raio de acidente ! -Anne explodiu. -Ela vai mancar muito?

–Não tia, é coisa pouca fica calma, ela se acostuma, jaja está correndo por ai, está certo? -E mesmo não gostando nada daquilo, Anne sorriu de leve.

☽ ☾● ◯


Me aproximando da porta mais conhecida da minha até os dias de hoje, vi minha mãe na porta me esperando para me abraçar e ai percebi que eu era um pouco mais alta que minha mãe.

–Ah querida como é bom te ver assim. -Minha mãe disse e eu só consegui sorrir para todos ali em minha volta e então peguei na mão dela como John me mostrou e seguimos para o quarto, eu já estava mais acostumada a andar, era tão boa a sensação.
Ao me sentar no pequeno sofá ao lado de minha mãe, percebi que John queria dizer algo e me parecia bom pelo jeito que ele sorria.

–Preparada para ir embora? -John disse e então eu senti que ia chorar sem querer.

–Eu.. Ah, meu Deus eu não tenho o que vestir... -Não, eu não sabia mesmo o que dizer então escolhi falar isso por falar.

–Já escolhi e preparei tudo isso. -Rosie respondeu mais emocionada do que eu ali, e então minha mãe saiu da sala, e eu sabia que ela iria chorar, mas nunca na minha frente...
Segui com Rosie até o quarto ao lado onde tinha umas roupas e então Rosie me ajudou a me vestir... Poder ver o vestido que eu vou usar para mim, era uma novidade, e era tão bom. Era todo azul com pequenas flores, mesmo parecendo bem diferente do que eu via Rosie usar, eu havia gostado da estampa e de tudo no vestido simples que serviu em mim perfeitamente e em seguida um par de sapatilhas da mesma cor e tom do vestido, eu sabia que era Rosie que havia preparado isso para combinar, aiai Ro.

☽ ☾● ◯

–Precisamos dar um jeito nisso depois. Urgente ! -Rosie disse se referindo ao meu cabelo que estava bem comprido eu podia sentir que caiam muito abaixo dos ombros em minhas costas. E então eu afirmei olhando para o par de sapatilhas novas e começamos as duas a rir, e com isso eu consegui começar a chorar.

☽ ☾● ◯

Anne que havia ficado no quarto com John, acabou com o silêncio que havia ficado ali depois que a filha tinha saído.

–John ela não vai encontrar o pai... -Anne disse mas John somente tentou ajudar.

–Vamos conseguir arranjar algo para fazer em relação a isso, mas agora não é hora de pensarmos em problemas, daqui menos de uma hora ela vai voltar para casa e lembrando, se ela não lembrar de alguma coisa não tente explicar, somente deixe que ela esqueça do assunto, ela não pode ficar desmaiando toda hora ok? -John disse e com isso Anne respirou fundo e disse "ok". E em seguida Rosie bateu na porta e chamou o irmão para ajudar a prima chegar no carro.

☽ ☾● ◯

–Voltei com eles Lexie, então como eu ia dizendo, tenho presentes para você, quando você chegar eu vou te dando um por um ! -Rosie dizia enquanto John seguia comigo pelos corredores e minha mãe segurava os papéis que ela entregou á uma enfermeira segundos depois e quando eu ia entrando no elevador, ouvi aquela enfermeira que havia me ajudado com as batatinhas dizer "Boa sorte com a vida Alexia". Não me dava medo conhecer o mundo lá fora, eu estava com muita vontade de sair e respirar o ar de verdade, fora das paredes eternamente brancas, mas eu tinha um certo receio em "viver em sociedade", muitas coisas eu nunca havia aprendido ou somente me esqueci.. Eu somente queria ficar nesse momento um pouco em casa me acostumando com essa idéia de viver.
Chegando a porta, John abriu ela um pouco e quando se voltou para nós sorriu e disse:

–Acho que eu já tenho que dar meu presente para você. -E após dizer isso, John tirou de sua maleta um pacote e me entregou.
Com ajuda da minha mãe, consegui abrir o pacote e tirei de lá um porta-óculos e fiquei meio assustada com aquilo, será que eu também tenho problemas de visão? Quando os defeitos vão parar de aparecer em mim, pensei. Mas fiquei aliviada ao abrir e ver que era uma linda armação de óculos escuros, totalmente trabalhada no preto, o que me fez lembrar do meu primeiro óculos antes do que eu usava quando não podia ver mais nada... Mas este era diferente, pensei.

–As luzes do sol não podem te ferir, ainda há coisas muito sensíveis em você Lexie, então use ele toda vez que for sair de casa e estiver um dia muito ensolarado, está bem? -John disse e eu coloquei os óculos no mesmo instante e ouvi elogios de minha mãe e prima como "está lindo, ah querida, que perfeito que ficou em você".

–Muito obrigada John, eu amei. -E então sem ter tempo nem de voltar para minha realidade, John abriu a porta e olhou para mim que estava totalmente deslumbrada com a vista da rua, cheia de carros de todos os lados, e pessoas andando, não somente os médicos que eu estava acostumada a ver, mas pessoas com suas rotinas solitárias e vidas, cada uma indo para um lugar específico, e eu ali somente achando isso a coisa mais linda do mundo. Após várias risadas sobre minha expressão de felicidade, seguimos para o carro de John, que era um mercedes lindo e cinza. Totalmente bem cuidado, deve ser onde John coloca sua atenção quando não está no hospital cuidando das pessoas.
Entrei na parte de trás do carro ao lado de Rosie e com John e minha mãe a frente, ele deu a partida.
Olhar a vista da cidade pelo carro foi a coisa mais perfeita, John não fazia questão de correr, ele ia bem lentamente pelo caminho que ele e minha familia tanto conhecia e eu não me relembrava.

☽ ☾● ◯

–E aquele mãe? -Perguntei mais uma vez me referindo a mais uma coisa que eu conseguia ver, eu queria lembrar de cada lugar de onde eu passava e saber todas as informações necessárias sobre o mesmo.

–Ali é um rio que enche muito no tempo de chuva e quando neva muito vira uma pista de patinação perfeita. -Minha mãe me respondeu rapidamente como boa moradora da cidade há anos, e conhecia tudo dos pés a cabeça.

–pista de patinação? Mãe quando neva? -perguntei fazendo todos no carro rirem juntos.

Minutos depois John parava na frente de uma casa muito linda toda em tijolinhos e madeira no estilo mais antigo e gótico que eu poderia ver em minha vida.

–Chegamos querida ! -Minha mãe disse ao abrir sua porta no carro e seguir com John tirando as caixas e bolsas do porta malas e deixando Rosie abrir a porta para mim e me ajudar a chegar a porta da casa... Eu jurava que naquele momento meu pai iria sair na porta e ir correndo me abraçar, mas isso não aconteceu ....
A porta era de madeira escura e brilhante, minha mãe disse do carro para eu entrar com Rosie e ela me mostrar tudo, e assim obedecemos e eu abri a porta e dei de cara com uma cozinha linda.

–Meu Deus... -Disse eu ao ver que quase tudo ali era construída em madeira de cor marfim, será que sempre fora assim, eu perguntei a mim mesma e percebi que era quando vi a pia e comecei a rir ao me lembrar que eu sempre batia o braço ali, naquele pequeno cantinho daquele armário de cozinha situado em baixo da pia com duas torneiras em cada lado como sempre havia sido, eu sabia que a da direita era de água quente.
Na outra parede tinha um grande armário que cobria toda a parede e mais um canto da outra, ali estava tudo tão perfeitamente arrumado e alinhado e ao lado de tudo um fogão totalmente branco e uma geladeira no mesmo estilo.
Quando olhei para a mesa, vi que era a única coisa que havia mudado ali, essa tinha um vidro totalmente limpo no meio e cadeiras da mesma madeira da mesa e do resto da cozinha acolchoadas, as nossas antigas cadeiras eram tão duras, lembrei.
Havia uma abertura bem grande entre a mesa de oito cadeiras que havia ali e onde estava o sofá duplo que também não havia saído dali nem quando eu fui embora, pensei.
Era totalmente preto e com almofadas do mesmo couro preto mas em tons de marrom, ele cobria também duas paredes pois era bem grande e a tv, ah essa sim havia mudado !
Do tempo que eu me lembrava de assistir televisão com... Não me lembro quem... Enfim...
Era uma televisão cinza, que hoje dava lugar a uma totalmente preta e mais fina do que minhas pernas (brincadeirinha). Em baixo havia somente uns aparelhos que antes não existiam e umas três caixas de som médias que fiquei me perguntando para o que serviriam.
Ao lado havia a escada, ah a mesma escada que levava aos quartos ainda existia, e ainda tinha os seus quinze e antigos e mesmos degraus. Ela era ainda totalmente de madeira escura, diferente da madeira mais clara que existia na cozinha.
Subindo as escadas ao lado de Rosie que tomava o maior cuidado em me segurar, cheguei a um corredor com várias portas iguais, todas se pareciam com a da entrada, haviam trocado todas as portas, percebi.
Quando abri a primeira porta, me dei de cara com um guarda roupa grande e espaçoso e uma cama de casal na outra parede e com isso, percebi que ali era os quartos dos meus pais.
Sem nem entrar no quarto dos meus pais, passei para o quarto mais a frente e o abri e vi que ele era todo em tons de rosa e lilás e então Rosie começou a rir e percebi que ali era o quarto dela.
Em frente a aquela porta havia outra do lado oposto que eu abri e percebi que era um quarto de hóspides, e rapidamente me lembrei de John quando vi suas maletas de médico e sus roupas brancas jogadas na cadeira perto da varanda do seu quarto. Nem todos os quartos tinham varanda, percebi. Até agora eu só havia visto ela no quarto de John.
E por último, no fim do corredor havia uma porta frontal que fechava o corredor, e quando abri ele vi que tudo era ainda sem cor, mas ali havia uma grande varanda e uma porta que quando eu me estiquei mais um pouco percebi que era um banheiro. Não era um quarto normal, era uma suíte linda e quando ouvi Rosie dizer 'bem vinda ao seu quarto', pensei que eu estava sonhando.
Entrei no quarto e me sentei na cama de solteiro que era tão larga que parecia mais de casal, tinha um guarda-roupa lindo de portas de correr, onde uma porta era preta e as outras no tom de branco, as paredes eram beges claras e havia uma pequena cômoda com três gavetas do outro lado do quarto, nas mesmas cores que o guarda roupa. Ao lado da cama tinha um criado mudo lindinho onde estava uma caixa, e então Rosie se levantou e pegou a caixinha rosa e me entregou.

–Está aqui um dos seus presentes.- E com isso eu abri a caixa e vi que estava escrito umas coisas que eu não entendia mas mesmo assim tirei a outra caixa e abri ela e vi que era um celular.

–Mas Ro, não eu não posso aceitar isso.-Eu disse segurando o aparelho e vendo que vinha também na caixa um carregador e fones de ouvido.

–Claro que pode, é para o seu bem, já baixei alguns aplicativos para você sempre que quiser possa conversar comigo e com o John, tem telefones de emergência, e todos os contatos da família e pessoas que você deixou para trás há anos! Você precisa de um desse, qualquer coisa é só teclar ! -Rosie dizia coisas que eu não entendia...

–Teclar? Não tem teclas ! -Disse eu e ela começou a rir.

–É Touchscreen, aperta esse botão aqui e desliza o dedo para o lado. -E eu fiz e abriu um menu com várias coisas que eu não fazia a miníma do que eram. Mas Rosie continuou: -Agora tecla nessa bolinha verde aqui, se chama WhatsApp, aqui está vendo? Tem os contatos, e olha eu aqui, tecla onde tem o meu nome . -E eu fiz. -Agora tecla na barrinha e veja o teclado aparecendo. -E é verdade tem um teclado mesmo, pensei.- Agora por ai você digita o que quer, e envia aqui nesse botão, ah querida hoje a noite posso ficar te explicando tudo o que tem nessa belezinha.

–Está bem Ro, muito obrigada por isso, não precisava. -E ela me abraçou e disse:

–Fica quieta e vem ver a minha outra surpresa. -E eu disse baixo " e tem mais? " e ela abriu o meu guarda roupa e eu vi que tinha várias roupas já nele.

–O que ? Você comprou tudo isso com qual dinheiro? -Eu não sabia parar de rir e então consegui me levantar sem problema e passei minha mão pelo monte de roupas que haviam ali. -Por que é tudo preto? -Perguntei e ela começou a rir.

–Preto vai com tudo gata, mas primeiramente, tem outras corres destes lados ! -Rosie disse se sentindo orgulhosa de seu feito.

–Mas é setenta por cento preto? -Eu falei e Rosie sorriu e assentiu e então eu disse: -A-D-O-R-E-I ! -E começamos a rir e eu decidi descer as escadas e Rosie disse:

–Ah sim, nos esquecemos do jardim ! -Disse ela. Ah meu Deus ainda tinham o sonhado jardim, pensei.
Seguindo para os fundos da sala, encontramos uma porta de vidro e quando abrimos ela vi que não havia nenhuma proteção contra o sol e coloquei os óculos que John havia me dado.
Indo em direção ao meio do jardim, eu consegui me lembrar de várias coisas que eu havia passado ali, tantas noites no balanço que não existia mais... Tantos dias escuros passados ali....

–O que achou de tudo? -Minha mãe perguntou ao entrar no jardim e eu me virei ainda segurando na mão de Rosie.

–Ah mãe é tudo tão lindo... -E então minha mãe me interrompeu.

–Eu sei querida, mas agora está na hora do almoço ! -Disse ela me chamando para dentro e eu consegui ver John segurando vários pratos e tirando algo do forno.
Ao chegar na cozinha e me sentar na mesa, percebi que o almoço não ia ser uma coisa convencional, estavam esquentando pizzas feitas mais cedo ! E eu estava louca para experimentar.
Levantando um copo de refrigerante de laranja, John disse:

–Á Lexie ! -e todos começaram a rir.. Eu queria muito perguntar do meu pai ali, mas eu não iria estragar o "almoço" com nada, não agora !

☽ ☾● ◯

Horas mais tarde, criei coragem de me olhar no espelho e levar um sustinho...
Ao chegar no banheiro me segurando e mancando um pouco, me olhei no espelho e levei um susto ao ver que meus cabelos estavam mais claros do que eu lembrava, tinham passado do tom Castanho escuro para o Castanho claro.
Eram tão grandes e sem corte que estavam me deixando estranha.. Eu vou cortar, decidi.
Olhei para meus olhos escuros e vi que eles eram até que grandes e bonitos, meu nariz parecia normal (eu acho), e meus lábios, é são legais... Meu rosto não era mais tão oval como eu lembrava, eu estava parecendo um esqueleto só que com um pouquinho de músculos no rosto...Dizer que não havia quase nada que eu tinha mudado era mentira.
Decidi chamar minha mãe quando sai do banheiro e aos poucos consegui voltar para a confortável e nova cama.

–O que houve?- minha mãe perguntou ao me ouvir chamar.

–Mãe me leva no cabelereiro ? -E então minha mãe começou a rir.

–O que Alexia? -Perguntou.

–Quero cortar meu cabelo ! -Eu respondi.

–Mas agora querida? Você não pode andar muito você sabe...

–Mãe eu peço ao John, por favor libera.. -Disse com minha carinha de "cachorro abandonado" melhor e então ela sorriu.

–Vou perguntar ao John. -E quando fechou a porta do quarto eu relaxei e comecei a imaginar como eu queria que fosse o corte do meu cabelo.

☽ ☾● ◯

Já haviam se passado uma hora e eu estava ali, sentada na cadeira esperando a cabelereira terminar uma "progressiva" para ser a minha vez.
Eu tinha folheado umas vinte revistas e já sabia exatamente o meu corte, não era comum como aqueles que eu havia visto no caminho nas mulheres que passavam nas ruas, era mais radical, mas não tanto para eu matar minha mãe e ... Pai... enfim, para eu não assustar meus parentes com uma coisa meio louca !
–Fiquei sabendo que você é uma cliente muito especial ! -A cabelereira disse ao chegar perto de mim enquanto a moça da tal progressiva saia da cadeira para me dar o lugar.. John já havia contado para a cabelereira que eu era um robô sem peças ou ela havia percebido algo estranho no meu modo de "mancar", pois andar... bem eu nem andava.

–É sim.. -Eu estava vermelha, pensei.

–Vamos lá, quer ajuda? -Ah que perfeito todo mundo no salão estava olhando para a mini inválida se segurar a mulher para se sentar na cadeira.
Ao me sentar, disse tudo o que eu queria e a cabelereira disse:

–Fácil Fácil ! -E então ela começou a fazer o seu trabalho e cortar todo aquele cabelo desnecessário de mim.
Menos de meia hora depois, eu vi uma nova Alexia no espelho, era tudo tão lindo ! Eu havia cortado uma franja mas de um lado só, nem curta mas nem comprida demais, ela poderia ou ser jogada para o lado ou cair no olho a cabelereira disse.
Meu cabelo estava totalmente repicado e curto na altura dos ombros, eu me sentia totalmente mais leve sem aquele monte de cabelo pesado ! John agradeceu e pagou a mulher que sorriu para mim e se despediu.

–Nossa ficou muito bom, cuidado ! Não vá já arrumar namorados por ai ! -John disse me fazendo rir.

–Namorado? Quem é o louco de querer a analfabeta, manca, que esquece lembranças e que não pode nem sair no sol sem óculos ! -Era para ter soado como uma brincadeira mas John não entendeu e ficou quieto ao me ajudar a entrar no carro e após se sentar ao volante ao meu lado, disse:

–Desculpa se não te curei por completo... -Ah que merda, pensei.

–John não é isso, me desculpa, eu já estou feliz de estar viva, por favor não pensa assim e não fica com esse jeito... -Tentei arrumar esse erro e felizmente consegui !

–Ta tudo bem Lexie, ta tudo bem, quero que você vá depois, nessa semana mesmo, que vá comigo numa loja comprar uns cd's para você não ficar tediada ! -John mudou o assunto tão rapidamente como o mesmo chegou.

–eu nem sei o que vocês escutam ! -Mas John riu.

–Vamos escolher o seu estilo juntos ok? -Ah agora sim eu sentia que John parecia mesmo um irmão mais velho para mim, ele não era um primo distante, era muito mais próximo do que o normal, e eu amava isso nele !

–Está bem ! -respondi e com isso continuamos seguindo para casa.

☽ ☾● ◯

Chegando em casa, comecei a me preparar psicologicamente para o que minha família iria dizer sobre o meu corte novo, mas fui interrompida com um papel na caixa de correio.
Como não havia portões em minha casa, a caixa de correio ficava na parte de baixo da porta, fixada para dentro, mas quem deixou a carta não colocou ela totalmente para cair ali dentro pois estava metade da carta para fora.
Como John não havia visto nada e ainda estava arrumando uma coisa no carro ali mesmo na garagem, peguei a carta e senti que não era qualquer carta, era como aquela antiga que eu tinha recebido semanas antes no hospital, ela estava totalmente em braille.
Estava meio que na cara que a carta era para mim, então coloquei-a rapidamente no bolso do casaco antes que alguém visse e falasse algo e abri a porta.
Eu já estava mais acostumada em andar por ai sem ter que me segurar nas paredes, eu já sabia que ficaria andando com dificuldade para sempre então nem me preocupava tanto. Ao entrar vi que ninguém estava por ali perto e então comecei a subir as escadas até..

–Ai meu Deus o que você fez com seu cabelo ? -Minha mãe disse rindo e então somente me virei e vi que a franja caia em meus olhos e a afastei.

–Gostou mãe? -Perguntei tentando encurtar a conversa.

–Ah querida está lindo ! Agora até conseguimos ver mais os seus olhos ! Já está conseguindo subir bem? Quer alguma ajuda? -Disse minha mãe animada em me ver ali.

–Não mãe, já estou bem, o John jaja entra ai, eu vou subir um pouco ok? -Disse e consegui subindo o mais rápido possível.

–Está bem, qualquer coisa pode chamar ! -E minha mãe seguiu sorridente para a cozinha e eu consegui chegar ao topo da escada e seguir para o meu quarto.
Depois de me olhar no espelho um pouco e ver que eu havia mesmo ficado bonita com o cabelo, me deitei um pouco na cama e peguei a carta em meu bolso e comecei a ler...


LEXIE...
Eu tive muito tempo para pensar em várias coisas, entre elas tem um desejo que tomei coragem de realizar, e agora quero realizar, sem medo, sem ressentimentos, apenas pense na resposta.
Então é o seguinte: Soube que você saiu do hospital, tive a impressão que a cidade toda sabe, bom vou direto ao ponto...
Gostaria de me encontrar com você amanhã as duas da tarde na Av.Brolley, naquela pracinha com uma cachoeira antiga que é cercada por árvores.
Caso não se lembre, é onde você aprendeu a andar de bicicleta com o senhor Nicholas, seu pai. Como sei de tudo isso? Eis que amanhã te PROMETO tirar todas suas dúvidas.
Sinta-se livre para não ir caso não queira, mas garanto que não vai se arrepender, e se for, por favor que seja sozinha.
Um grande abraço, e pense com carinho.
_Desconhecido.

–MÃE ! -gritei do meu quarto. -SERÁ QUE EU POSSO SAIR AMANHÃ AS DUAS?

Notas finais
Ficou maior do que eu imaginava ! Postei uns dias antes pois não estarei aqui esse fim de semana