Open Your Eyes
33 Good Thing
Notas iniciais
–Mas Noah?-Comecei a susurrar ao me sentar na cama e ver que ele ainda sorria, suas mãos enluvadas cobriam as minhas ainda trêmulas, estava mesmo mais frio do que antes, percebi. Olhei para a janela mas ela estava fechada, por que tanto frio?
–Le é serio, está nevando, venha se troque, ponha várias blusas, use um casaco dos mais grossos, eu sabia que isso ia acontecer mas pensei que só iria nevar lá para os nossos últimos dias aqui... -Ele se levantou e esticou o braço para que eu pudesse me apoiar e ir me trocar, e foi isto que eu fiz, mesmo achando tudo tão, tão do nada.
Escolhi as roupas mais simples que poderia haver alí, coloquei duas blusas, sendo uma de lã como Noah havia dito, um casaco felpudo e por cima o casaco preto que eu havia comprado com Noah. Duas calças (mesmo achando que tudo aquilo era um exagero) , também fui obrigada a usar uma touca pois Noah não havia deixado eu usar somente o capuz do casaco. Tive que colocar um par de luvas também e um cachecol.
Saí do banheiro rindo um pouco, e ao me encontrar com Noah, ri mais ainda.
–O que? -Ele perguntou sorrindo enquanto eu me contorcia de rir.
–Você parece uma bola Noah, eu só consigo ver o que? Seus olhos? -Continuei a rir e ele veio me abraçar, o que foi mais engraçado ainda pelo fato de que antes ele conseguia dar voltas e voltas em minha cintura pelo fato de eu ser somente ossos e pele, agora Noah não conseguia nem fechar os braços na minha volta, parecíamos não, estávamos como duas bolas.
–Você também está redondinha, mas linda. -Noah pegou em minha mão e fomos em direção ao elevador. Parecia que aquelas pessoas não ligavam para a neve, pensei. Não havia ninguém nos corredores, ninguém na entrada a não ser as atendentes na recepção, ninguém com o mesmo entusiasmo que Noah tinha sobre aquela sensação.
–Por que ninguém aqui está indo para as ruas? Como naqueles filmes de natal? -Perguntei e noah começou a rir.
–Le, isso é natural para eles como estar chovendo é para nós. Neva sempre aqui então é como uma chuva, nós não saímos para fora para ver quando está chovendo. O mesmo acontece com eles. -Assenti achando as pessoas meio insensíveis. Neve não é como chuva, neve é algo tão... Tão especial..
–Uau. -Disse quando saímos do hotel, o chão que antes era dourado agora estava todo pintado de branco, como se as nuvens tivessem caído sobre eles e sobre as árvores que existiam pela rua. -Noah eu nunca ví isso !
–Bem, você chegou a ver umas quatro, cinco vezes. Mas enfim, é lindo... -Peguei na sua mão com dificuldade pelo fato das luvas e seguimos andando, uma pequena nevasca começava ainda a dar seus primeiros suspiros por alí. A rua estava deserta, acreditando agora mesmo no que Noah havia dito, somente os que nunca viram a neve tão de perto que se importavam com sua beleza.
–Noah? É verdade que aquele rio que tem no caminho de ida para o hospital lá da nossa cidade, quando neva ele vira uma pista de patinação? -Perguntei me lembrando do que minha mãe havia me dito quando eu saí do hospital.
–Sim, sempre quis te levar lá quando você não, bem... -Percebi que ele olhava para os pés tentando falar aquilo da forma menos frustrante.
–Quando eu era cega. -Disse para ele que suspirou e olhou para mim.
–É... só sei que sua mãe não me deixava te levar na pista, eu queria poder te ensinar a patinar sabe. -Sorri vendo que ele fazia o mesmo enquanto agora embaixo de uma árvore, observávamos a neve cair em seus mini flocos.
–Vamos fazer isto agora ! -Disse soltando a mão dele e pisando na neve fofa, tentei dar uns passos meio que tentando patinar mas meus pés não deslizavam, somente ficavam travados nos bolos de neve. Será que é por causa da perna problemática ?, pensei.
–Não ! Não é assim bobinha. -noah veio até mim rindo, mas eu não conseguia achar graça.
–E como é? -Perguntei enquanto tirava com minha mão um pouco da neve do capuz de Noah.
–Primeiro, não é na neve assim, tem que ser um local com água congelada. Por favor não faça mais isso, seu pé podia ter se prendido em algo. -Disse Noah me puxando para mais perto e voltamos a caminhar pelas ruas desertas, até encontrarmos um lago, que agora não soltava nem um pingo de água.
–O que você está achando? Disso tudo? Da Alemanha, da neve. -Perguntei me encostando na beirada do lago após afastar um pouco a neve para não molhar minha calça.
–Está sendo perfeito, e o melhor de tudo e ter você aqui do meu lado, podendo ver as praias artificiais, os jardins exóticos, a neve. Ah e se tudo correr bem, amanhã vamos à um palácio que agora serve de museu, aqui mesmo em Berlim, não fica tão longe. Só precisa parar de nevar um pouquinho... -Olhei para Noah que tentava segurar um sorriso e o empurrei de leve.
–Nããooo ! -Disse enquanto o empurrava. -Não quero que a neve acabe tão rápido.
–Ok, ok ! -Respondeu ele ao se encostar também na beira do lago. -Então vamos fazer coisas que só se faz quando tem neve, melhor assim? Que tal um chá quente no estilo alemão lá no hotel?
–Boa ideia. -Noah sorriu de volta aprovando. -Obrigada por isso tudo, vou agradecer enquanto eu viver.
–Xiu, não diga besteiras, é seu presente. -Achei isso estranho e então perguntei:
–Presente do que ? -Noah me abraçou pelas costas, eu adorava quando ele fazia isso, eu conseguia olhar para cima e ver ele pela sua altura maior.
–De aniversário Le, daqui vinte dias já entramos em dezembro, você vai fazer dezoito anos querida. -Naquele momento eu senti uma confusão de sentimentos, e entre todos o maior era a frustração.
–Noah... -Sussurrei o abraçando, ele havia sido pego de surpresa sobre isso, pensei. -Eu não sei, não sei que dia, e-eu nasci. -Noah me soltou e no mesmo momento tentei segurar as lágrimas que ameaçavam cair.
–Dois Le, dia dois. -Noah respondeu sorrindo, mas eu não sabia se tinha o direito de fazer o mesmo.
–Obrigada. -Ele assentiu se aproximando de mim e me beijando, rapidamente, somente para me fazer esquecer o fato ocorrido antes, ele não podia me fazer esquecer totalmente com aquilo, mas pelo menos eu conseguia me desligar do mundo a fora por uns segundos. Após me soltar, ficamos um tempo alí, quietos, somente olhando as árvores antes já brancas em suas copas, ficarem mais ainda conforme a neve caía e caía sempre na mesma velocidade.
–Alexia? -Noah me chamou pelo o nome, isso me deixou alerta e na hora “acordei” e olhei para ele.
–Sim. -Disse tentando não ficar tão assustada com o que poderia vir.
–Posso tirar uma foto sua na neve? -Sorri voltando a relaxar, não havia nada de errado, graças a Deus.
–Por que não nós ? -Noah sorriu e retirou a câmera do bolso do grande casaco.
☽ ☾● ◯
–Calma, não precisa sair da cama, eu vou buscar algo para comer. -Noah dizia para mim que mesmo com o que ele dizia, já ia em direção ao banheiro.
–Ok, eu vou tomar um banho.. -Disse já entrando na banheira que estava com a água fervendo, desde que começou a nevar, a água saia quente até das torneiras normais.
–Volto em meia hora, ah e você está anciosa para esquiar? -Ouvi Noah dizer enquanto vestia um casaco.
–Não sei, nem sei se vou conseguir fazer isto, mas enfim estou preparada. -Respondi meio desanimada enquanto passava um sabonete nos braços, eu me sentia tão tensa, isto sempre acontecia quando iria acontecer algo novo na minha vida.
–Le, você vai se sair bem, fique calma, eu já volto. -E então a porta se fechou, me deitei mais na banheira e fechei os olhos, esperando que aquilo só bastasse para que eu pudesse acreditar que ia me dar bem em algo.
☽ ☾● ◯
–Guten Tag, das Frühstück¹ ? -Disse Noah ao chegar ao balcão, em seguida pegou o cardápio e saiu marcando no mesmo o que queria. Após isto, saiu ele em direção há um canto, vendo que várias pessoas tomavam o café da manhã alí, mas algo o chamou a atenção. Num canto do grande hall haviam agora vários cartazes, em um deles havia uma foto de um par de patins, o que fez Noah se aproximar.
–Guten Morgen² -Disse um homem que observava os mesmos cartazes ao lado de Noah.
–Guten Morgen. -Respondeu ele enquanto via os cartazes e tentava focar e lembrar de todos os endereços de pistas de patinação e de esqui mais próximas.
–Lizenz, Sie sprechen Englisch?³ -Noah se virou desta vez para o homem que parecia já passar de seus trinta anos.
–Sim, algum problema? -Perguntou e o homem soltou um folheto e sorriu.
–Graças a Deus alguém que me entenda. -Noah começou a rir e assentiu para o homem que agora também ria. -Por favor, você pode me dizer mais ou menos como posso chegar neste endereço? -O mesmo apontou para o cartaz da pista de patinação que antes Noah também observava. -Bem, eu gostaria de levar minha esposa para conhecer, chegamos aqui ontem de manhã e eu não falo quase nada de alemão, enfim, há algum caminho fácil para chegar alí sem o carro?
–Sem o carro? Não é longe daqui mas por que não usar o carro? -noah perguntou sem entender.
–Bem, não sei se o senhor já saiu lá fora, mas nenhum carro está conseguindo passar pela neve, a nevasca não está forte mas o chão, o pneu não roda. -Noah passou a mão no cabelo.
–Nossa, como eu pude me esquecer disso ! -Disse ele suspirando. -Eu queria levar a minha namorada hoje também no local onde era o muro de Berlim, mas é tão longe.. Vou ter que arranjar um jeito de ir somente na patinação.
–Vocês também vão para este local? -O homem perguntou apontando para o cartaz e noah sorriu.
–Sim, pelo menos, eu pretendo. -Após dizer isto, o homem começou a rir e bateu no ombro de Noah.
–Se o senhor não achar isto estranho, mas se você e sua namorada quiser vir comigo e minha esposa não será um problema, nós iremos sair depois do café, alí está ela. -Ele apontou para uma mulher sentada numa mesa quase no fundo do mini restaurante, a moça parecia ter por volta dos vinte e sete anos, e estava feliz enquanto passava a mão na barriga, mostrando para todos que estava feliz com a gravidez.
–Serio? Ah nossa, muito obrigado. Prazer Noah. -Noah esticou a mão e o homem a apertou.
–Eddie. -Disse o homem se apresentando. -Bem, vou ver se o meu café está pronto, que horas podemos nos encontrar?
–Daqui meia hora está bom para vocês? -Perguntou Noah já indo também em direção ao balcão de entrada.
–Perfeito, a Savannah vai adorar companhia, ela é bem, como podemos dizer, ela gosta de ter pessoas por perto. -Noah sorriu assentindo e vendo que seu pedido também estava pronto.
–Obrigado mesmo, vou levar o café para o quarto, até mais. — Eddie assentiu também pegando o dele e levando a mesa, enquanto Noah segurava a bandeja e ia em direção ao elevador.
☽ ☾● ◯
–Perdão a demora !! -Noah disse ao entrar segurando uma bandeja, na mesma hora me levantei e o ajudei a colocar a mesma na mesinha que existia no canto do quarto.
–Tudo bem querido, e então, estava muito cheio lá em baixo? -Perguntei me sentando na mesa e tirando a tampa da bandeja, percebendo que Noah desta vez não havia exagerado na comida, havia pedido quase tudo que eu havia gostado na manhã anterior.
–Não muito, é que passei um tempo ainda conversando com um moço muito simpático. -Noah disse tirando da bandeja as duas canecas de chocolate quente e me entregando uma. Eu por minha vez já pegava a fatia de pão e passava com uma faca um pouco de Nutella.
–Ah sim, que legal. E conseguiu encontrar o endereço da tal pista? -Perguntei enquanto ele mordia o bolinho de chocolate.
–Sim, ah e tenho uma má notícia e uma boa, qual primeiro? -Fiquei meio confusa com aquilo e após tomar um gole do chocolate quente, respondi:
–A pior primeiro, por favor. -Noah riu da cara que fiz sobre aquilo, mas continuou:
–Não sei se você viu como está as ruas hoje Le, então se viu, percebeu que não há nenhum carro passando na rua por causa da neve que tomou conta de tudo. -Assenti entendendo o que ele queria dizer.
–Não vamos poder ir patinar, não é? -Perguntei mesmo sabendo a resposta, mas pelo contrário, Noah pegou na minha mão de leve e sorriu.
–Não é isso bobinha, nós vamos sim. Mas no que tem aqui à duas quadras ok? -Assenti sorrindo, eu até que estava mais anciosa agora.
–E então, a notícia boa? -Disse observando as duas fatias de bolo que ainda restavam na bandeja.
–Eu conversei com um cara muito simpático, que estava querendo ir também na pista de patinação, mas como está difícil ir de carro, e ele não sabe muito bem ler em alemão o nome das ruas, perguntou se nós não queremos ir com ele e a esposa. Claro que só vamos com eles se você quiser.. -Sorri para Noah e joguei uma uva nele, o que fez rir.
–Claro que eu quero, isto vai ser mais divertido do que eu imaginava ! Não vou ser a única pagando mico por não falar alemão e não saber patinar ! -Noah colocou a mão no rosto rindo.
–Por que você faz isto com tudo? Como você consegue isso? -Ele perguntou mas não entendi.
–Isso o que? -Disse curiosa agora.
–Achar graça em tudo, fazer piada de tudo, isso é o que eu mais amo em você, claro que depois desse cabelo, e do rostinho lindo, e também tem a … -Não deixei ele terminar e joguei mais uma uva.
–Não seja bobo, vamos, você tem que se arrumar, nós vamos patinar lembra? -Me levantei mostrando que eu já estava com as roupas, só faltavam o gorro, a outra jaqueta e as luvas. Peguei o chocolate quente que eu não havia ainda terminado e fiquei tomando em pé mesmo enquanto Noah se vestia no banheiro.
☽ ☾● ◯
Eu e Noah estávamos parados na entrada do hotel, a espera do tal casal que Noah havia dito que iria nos encontrar lá.
–Me desculpe a demora. -Um homem disse enquanto acenava para Noah. -Prazer sou Eddie e essa é minha esposa Savannah. -Sorri para a garota morena que fez o mesmo para mim.
–Muito prazer, Alexia. -Disse apertando a mão de Eddie. -Muito obrigada pelo convite.
–Não foi nada. -Desta vez, Savannah que respondeu, observei ela andar e percebi que ela estava grávida.
–Nossa... -Disse para mim messa enquanto eu andava ao lado de Noah. Agora já estávamos do lado de fora, não havia nenhum sinal do vento que antes soprava por alí, a neve caia timidamente por cima de nós que andávamos todos com cuidado, a neve estava bem mais fofinha no chão, um passo errado poderia causar uma queda. -Quer ajuda? -Perguntei vendo que a garota andava com dificuldade pela neve, soltei a mão de Noah e fui até ela.
–Ah sim, obrigada. O Ed é muito alto, é difícil segurar naquele braço ! -Savannah disse enquanto pegava no meu braço. -O que houve com sua perna?
–Ahn.. Bem.. -Pela primeira vez eu havia escutado aquela pergunta que sempre me deu medo, todos percebiam que eu mancava mas somente ela conseguiu ter a coragem de perguntar. -Foi um acidente muito feio.
–Perdão, não queria causar este incomodo. -Ela disse ficando meio agitada, mas sorri.
–Não tem problema, e você ? -Perguntei olhando para a grande barriga que ela carregava.
–Casamento, isso que aconteceu ! -Savannah começou a rir e fiz o mesmo. -São gêmeos e estou só com cinco meses, não sei quanto tempo vou aguentar, já está pesando dez quilos a mais.
–Mas, parece tão, ah sabe tão legal. Eu quero um dia poder ter isso. -Disse olhando para o chão.
–Estamos chegando ! -Ouvi Eddie dizer para Savannah que sorriu aliviada e suspirou um “graças a deus”.
–É especial, não tem o que dizer, não tem como explicar como eu me sinto sabe, mas pesa muito e eu ando um minuto e me canso, minhas pernas estão me matando agora. -Ela ria ao dizer aquilo tudo.
–São um casal? -Perguntei olhando para a frente, eu já conseguia ver a pista de patinação a nossa frente, sorri com aquilo.
–Não, são duas meninas, o Ed marcou esta viagem desde que casamos, é claro que ele não ia adivinhar que eu ia ficar grávida de gêmeos antes de ir, mas eu estou adorando isto aqui, vão ser os melhores quinze dias da minha vida até ela mudar toda. Eu não sei mais como vou arranjar tempo para viajar depois das duas nascer. -Assenti vendo que ela gostava de falar daquilo. Mas também se fosse comigo eu faria o mesmo, eu contaria para todas as pessoas qual a sensação de dar a vida a um novo ser.
–E então, como as meninas estão? -Noah disse vindo até nós, já estávamos na entrada da pista.
–As quatro estão bem. -Disse fazendo Savannah rir de mim e deixando noah sem entender.
–Precisamos saber qual o número que vocês usam para pegar os patins. -Eddie disse para Noah e para mim.
–Eu uso 39 e a Le 36. -Assenti vendo que Noah lembrava até o número que eu usava.
–Ok, vamos lá. -E então nós entramos na pista pelos cantos, me sentei ao lado de Noah e coloquei os patins que Eddie trouxe para nós minutos depois.
–O que foi? -Noah perguntou vendo que eu estava meio desligada.
–Nada... Noah, será que um dia eu vou ter um bebê ? -Noah começou a rir e pegou em minha mão me ajudando a ficar em pé no gelo, várias pessoas estavam patinando na pista sem perceber como eu “patinava” desajeitadamente.
–Não pense nisso agora, relaxe. -Noah sussurrou pegando na minha cintura e me deixando em pé parada no gelo seco e reto. -Você só precisa fazer este movimento. -Noah mostrou-me como fazer enquanto deslizava seu pé para frente. -E ir fazendo isto como se fossem passos, mas sem tirar os pés do chão, ok? -Assenti e tentei ir uma vez sem sucesso quase indo para trás.
–Oi ! -Eddie disse chegando ao nosso lado segurando Savannah da mesma forma que Noah me segurava.
–Está tão difícil ai para você do que para mim? -Ela perguntou para mim.
–Sim, isto é tão, impossível ! -Noah e Eddie começaram a rir.
–Vocês vão conseguir. -Noah disse rindo. -Vamos, mais uma vez !
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Noah passou mais de 1 hora me ensinando a como patinar, até que consegui. Era meio complicado ainda para mim fazer umas curvas, ainda mais as que eu precisava colocar peso na perna fraturada.
Noah havia ficado cansado. Comecei a rir ao lembrar. Quando eu consegui deslizar pelo gelo de verdade, quis ir fazendo outras coisas, mais complexas, e sempre mais e mais. De tantas voltas que ele havia dado comigo pela pista, ele disse que ia pegar uma bebida. Eddie fez o mesmo, fazendo uma cara engraçada. Sobramos somente eu, os desconhecidos que ainda patinavam e Savannah.
–Isto é muito melhor do que andar ! -Disse ela me tirando os meus pensamentos, estávamos há uns minutos patinando somente em volta da pista, indo e voltando entre ela. -Parece que minhas pernas não sentem os setenta quilos que estou pesando agora ! Mas me diga, de onde vocês são?
–Do Canadá. -Respondi sorrindo. -E vocês?
–Washington, sim é muito mais longe daqui ! -Ela começou a rir e passou a mão na barriga.
–Será que eu vou ser capaz de ter um filho ? -Perguntei para ela que riu de mim.
–Qual é o seu medo? É só fazer, esperar, ter, cuidar, educar... Sim dá medo eu sei... -Dessa vez ela não ria.
–Mas eu acho que você e o Eddie vão ser ótimos pais. -Disse tentando acalmar ela, que parecia meio assustada. Acho que ela tinha “acordado” para o que estava acontecendo.
–Não é este meu medo, mas ok, eu quero saber por que você tem medo? Quantos anos você tem agora? Não se apresse ! -Assenti e suspirei.
–Dezessete. -Savannah começou a rir.
–Alexia, com meus dezessete anos eu nem pensava em ter uma família ! — Ela pegou na minha mão e continuamos a patinar. -Você acha que vai ser com ele? -Disse apontando para Noah que estava sentado ao lado de Eddie, sorrindo enquanto me observava.
–Se não for, não será com ninguém... Bem , não sou muito comum se você não percebeu. -Ela não entendeu e riu.
–Não tenha medo de ser feliz, quando acontecer contigo vai ser quando ninguém mais esperar, vai ser natural. -Assenti. Ah se ela imaginasse que meu medo era não enxergar meus filhos, ou somente um dia esquecer da existência deles. Olhei para frente e ví que Noah estava nos chamando para sair da pista.
–Querida, vai cair uma nevasca, estão avisando, é melhor voltarmos logo. -Noah disse enquanto passava a mão no meu braço.
–Ah... eu estava adorando patinar ! -noah começou a rir e me deu um abraço.
–Você estava linda lá ! -Disse ele ao me soltar e corei de leve. -Vamos tirar os patins, amanhã se tudo der certo nós podemos vim aqui de novo, quer?
–Sim ! Obrigada ! -Me sentei no banco e tirei os patins, e no lugar deles, coloquei meu tênis simples e percebi que Noah já estava com os dele.
–Vamos? -Assenti e seguimos para a saída enquanto Eddie devolvia os patins no balcão de entrada.
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–Muito obrigada por nos acompanhar. -Savannah dizia enquanto se despedia de nós, já no hotel.- Qualquer coisa estamos no quarto 234, e não se esqueça de me ligar as vezes ! -Ela dizia para mim enquanto me devolvia o celular, eu sabia que iria ainda ligar muito para ela, ela conseguia tirar minhas dúvidas...
–Obrigada, eu ligo sim. -Ela me abraçou de uma forma estranha e sorri ao sentir algo estranho.
–Estão mexendo muito, nossa. -Ela olhou para mim e começou a rir. -Sim, pode ver, estão mexendo. -Coloquei a mão de leve na barriga dela e comecei a rir, até que percebi que Noah me observava o tempo todo. -Até mais Alexia.
–Até mais. -Eles foram em direção aos quartos e Noah passou a mão nos meus ombros.
–Respondendo sua pergunta de antes, você vai ter um bebê algum dia sim. -Ele beijou minha testa e sorriu. -Quer comer uma coisa muito boa?
–Uhum. -Disse e ele me soltou indo em direção ao restaurante do hotel. Chegando lá, Noah fez o pedido para o garçom que trouxe rapidamente. -O que é isso? -Perguntei vendo o prato de macarrão estranho.
–Käsespätzle -Olhei para ele de uma forma, sem entender nem como ele conseguia dizer aquilo. -É macarrão, queijo, cebolas, etc. -Peguei o garfo e comi um pouco, esperando para ver se era bom. -Gostou?
–Nossa, é bom... -Parei de falar e dei mais uma garfada, vendo que Noah também não queria dizer mais nada somente comer.
☽ ☾● ◯
–Vamos ver um filme? -Disse para Noah já no quarto. Tirei o gorro e as luvas e joguei dentro do armário de qualquer jeito, o que fez Noah rir. Em seguida tirei o casaco e me deitei na cama.
–Vamos sim, boa ideia. -Ele disse tirando o seu casaco e se deitando ao meu lado. -Nossa eu estou tão cansado !
–Eu também, qual filme você quer ver? -Perguntei para Noah que me abraçou, me fazendo deitar a cabeça em seu peito.
–Não sei, vamos ver algum que está passando na TV mesmo. -Assenti mas comecei a rir. -O que houve?
–Nada, só que tudo na TV não está em alemão? -Noah começou a rir mas mesmo assim ligou a TV.
–Para isto que servem os canais de filmes americanos ! -Sorri com ele e fiquei vendo o filme, até perceber que Noah tinha adormecido cinco minutos depois do filme começar. Dei um beijo de leve na bochecha dele e me sentei na cama. Peguei o celular que eu havia deixado na mesa de cabeceira, estava ainda muito cedo para dormir, pensei.
Fui até a varanda e ví que a nevasca estava começando a ficar mesmo mais forte, como Noah havia dito. Naquela hora me lembrei de John, e minha prima Rosie... Minha mãe... Preciso ligar para minha mãe !
Peguei o celular e fui até a agenda, e esperei os números de casa serem discados pelo mesmo. Após ele chamar várias e várias vezes, ouvi a voz de John do outro lado.
–Alô? -Disse ele.
–Oi John !! Que saudades, como estão as coisas ai em cas... -Mas não tive a oportunidade de terminar a frase, pois john começou a falar antes de mim.
–Lexie, aconteceu uma coisa bem complicada e ruim...-E após isso, John me fala com um tom de tristeza em sua voz que a mãe de Brandon estava morta.
OBS.: ¹-Bom dia, café da manhã?
²-Bom dia.
³-Licença, você fala Inglês?
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