Open Your Eyes
38 Falling Fast
Notas iniciais
Noah corria m direção à saída do hospital, ele que antes estava com medo do que poderia acontecer com a tal reprogramação, agora estava vendo seu maior pesadelo voltar a ser real, ela não sabia mais quem era ele, havia esquecido de todas as noites, todos os momentos, todas as risadas que compartilharam, agora ele era somente um mísero e simples primo...
–Eu não aguento mais isso...-Noah disse para si mesmo enquanto andava pelas ruas desconhecidas, ele não iria conseguir voltar para a casa dela e se fazer de primo, ele não era primo de ninguém ali naquela casa, ele era mais do que isso, pensou. -Mas o que adianta agora isso tudo... -Noah parou e observou a rua vazia e se sentou no meio fio, tampando o rosto e deixando a tristeza tomar conta de sí.
☽ ☾● ◯
–Rosie, mas o que você acha que aconteceu com ele? -Perguntei mais uma vez enquanto andava ao lado de minha prima, indo até a saída do hospital.
–Não sei Lexie, deve ser algo pessoal. -Respondeu Rosie num tom estranho, mas ignorei e entrei no carro ficando no lado da janela. Ao meu lado esquerdo estava Brandon que ainda não tinha falado nada, me virei para ele e sorri enquanto colocava a cabeça em seu ombro.
–Oi. -Disse para ele que riu.
–Você ainda lembra de mim, isso é bom. -Empurrei ele de leve o fazendo sorrir. -Como você está se sentindo?
–Por que todo mundo anda perguntando isso agora para mim, eu estou ótima. -Respondi sussurrando pois eu não queria mostrar minha insatisfação para mais ninguém.
–É só preocupação Lexie, todo mundo tem isso. -suspirei ao ouvir aquilo e mesmo sem soltar Brandon fiquei olhando para a janela, até que passamos por uma ponte e abaixo dela um rio não muito fundo formava pequenas ondas, naquele momento tive vontade de perguntar para minha mãe sobre o rio, mas algo dentro de mim dizia que eu já tinha feito isso antes...-Está com sono? -Ouvi Brandon perguntar.
–Um pouco. -Disse rindo e Rosie começou a rir do outro lado.
–Até que vocês combinam. -Sussurrou ela para Brandon achando que eu não tinha escutado, naquele momento senti meu rosto esquentar um pouco. Anos atrás, quando eu perdia a visão aos poucos, me lembro de toda minha família culpando Brandon pelo acontecido, mas ninguém nunca soube que mesmo antes de eu sofrer a queda onde tive que fazer exames na retina e com isso descobriram que eu estava perdendo a visão, eu já sofria de dores, e somente Brandon sabia disso, ele aceitou levar a culpa mesmo sem ter a mesma, eu sentia uma coisa estranha enquanto crescia e via ele lá no canto da janela de seu quarto sem poder falar comigo ou com meus primos, aquilo me fazia sentir coisas sobre ele, não sei quem ele era agora para minha vida, mas não me incomodaria se fosse tão próximo como está parecendo.
–Estamos quase chegando, e tinha planejado um jantar especial para o dia de hoje, mas como é sexta feira, que tal a gente deixar para amanhã? -Minha mãe disse enquanto John estacionava o carro, olhei pela janela traseira parte da minha casa, eu conhecia ela mais do que eu mesma, todos os lugares ainda estavam “frescos” na minha cabeça, eu tinha aprendido a “ ver “ cada coisa que estava por ela mesmo sem conseguir enxergar. Quando abriram a porta , coloquei os pés para fora do carro e como um vulto percebi uma marca numa das pernas, o mais estranho é que eu não ligava para aquilo, e quando dei meus primeiros passos mancando, também não me importei de perguntar o por que daquilo, era como se meu corpo já estivesse acostumado com isso.
Olhei para os lados e ví que ninguém ainda tinha dado um passo em direção à entrada, sorri de leve e fechei meus olhos , toda a imagem estava ainda salva na minha mente, e então comecei a dar uns passos, contando cada um deles.
–Um.. dois... três.. quatro... cinco... seis... cheguei. -Disse para mim mesma e estiquei a mão até a maçaneta que também não tinha saído do lugar. Depois de mais dois passos me virei e topei com uma mesa. -Eita. Uma coisa nova … -Ri sozinha e decidi seguir marcando os passos com os olhos mesmo fechados. Não tinha mudado muita coisa, e eu não conseguia mais andar sem marcar passos, era uma coisa que eu teria que me acostumara deixar de lado, pensei. Subi três degraus na escada e me sentei na mesma, esperando os outros entrarem em casa, o que fizeram segundos depois. -Eu estou em casa. -Sussurrei sorrindo.
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Ouvi duas batidas no porta e ignorei, eu sabia que Rosie ia acabar entrando, e isso era novidade, ela não batia antes, pensei.
–Oi Ro. -Disse enquanto mexia nas peças de roupa do guarda roupa sem me virar para a porta.
–Caramba to vendo que seus poderes sobrenaturais voltaram. -Ri com ela me lembrando que a mesma dizia a mesma coisa quando tínhamos sete anos e eu já não enxergava 80 por cento da visão, quando comecei a perceber a diferença dos passos dos meus parentes.
–Mas eles nunca foram embora. -Respondi e ela se sentou na minha cama. -Obrigada por isso. -Disse passando o dedo encima das etiquetas que tinham pequenos pontinhos que mostravam a cor e o tipo da peça no cabide.
–Como você sabe que fui eu? -Perguntou Rosie e me virei após fechar o guarda roupa e me sentando ao seu lado.
–Não sei mas algo em mim diz que foi, então bingo, um à zero para meus poderes de cega. -Ri daquilo com Rosie que passou a mão no álbum de fotografias que eu tinha pegado numa das minhas gavetas para dar uma olhada segundos antes.
–Muitas coisas mudaram nesse tempo todo Lexie. -Rosie disse para mim enquanto folheava o álbum.
–Eu sei Ro, inclusive meu quarto, eu ainda achava que ele era pequeno, com as paredes rosas e minha mini cama, por que eu tenho uma cama de casal ? Eu sou casada? Eu casei e ninguém me contou? Quem é o azarado? -Disse rindo mas ela não fez o mesmo.
–você mesmo mudou, faz tempo que você não faz tantas piadas assim. -Não entendi aonde ela queria chegar então somente me levantei e fui até a varanda, percebi então que eu estava cansada, minha cabeça parecia estar pesada demais para meu corpo aguentar.
–Rosie, posso te pedir um favor? Me chama antes da minha mãe colocar o jantar? Eu acho que vou dormir um pouco, minha cabeça está estranha, eu estou ainda meio confusa e zonza. -Rosie assentiu e me abraçou o que era novidade.
–É bom te ter de volta Alexia, eu te chamo, bom descanso. -Assenti e ela foi em direção a porta a fechando atrás de si.
Me sentei na cama após puxar o lençol fino cinza de cima da mesma, e então olhei para minha mão pela primeira vez, notando um anel quase branco com risquinhos.
–Que lindo. -Disse tirando ele do meu dedo anelar e vendo que dentro tinha uma mancinha de outra cor. Ri de mim mesma ao pensar que aquilo poderia ser ouro branco. -Acorda Alexia, impossível. -Disse abrindo a pequena gaveta e colocando a bijuteria dentro da mesma e fechando em seguida. Em cima da minha cama tinham ainda umas fotos soltas que tinha se desprendido do álbum, peguei uma em especial que me fez rir. Nela eu e Noah estávamos num balanço, não em qualquer um, pensei, naquele que tinha no parque da rua de baixo, Noah tinha tampado meus olhos com as duas mãos e sorria para a foto, eu me lembro dela, minha mãe que tinha tirado.
Me deitei na cama após colocar as outras fotos na mesma gaveta que o anel ficou e me virei ainda segurando a foto de antes, coloquei ela embaixo de meu travesseiro como uma vez Noah havia me ensinado quando eu tinha por volta de meus nove anos e sofria com pesadelos. “coloque uma coisa boa embaixo do travesseiro que o pesadelo não vem”. Sorri ao lembrar de como ele me ajudava e agora, que tinha virado um homem tão lindo e responsável, não queria mais minha amizade, o que eu havia feito para ele?, pensei.
–Calma Alexia, coloca uma coisa boa em baixo do travesseiro e vai qe se realiza. -Disse para mim mesma me lembrando da foto , da época que éramos tão unidos, o que teria mudado tanto...
☽ ☾● ◯
Brandon olhou para a sala e percebeu que estava sozinho novamente. Rosie havia ido ver um filme em seu pc no quarto, John teve que voltar para o hospital e a mãe de Alexia estava ajudando num buffet com o restaurante.
–Aqui estou eu. -Disse ele para si mesmo e então pegou o notebook de Noah que estava no sofá de canto, colocou no colo e o ligou. Brandon sabia a senha pois o dono havia passado, após abrir a pagina inicial e ver a imagem de fundo que era de Alexia e Noah numa escadaria da Alemanha ele se sentiu mal. Dessa vez ele não estava com ciume nem nada d tipo, somente pena, pena de Noah que amava ela tanto e que agora teria que viver com uma garota que acha que ele é seu primo. Pena de Alexia que não vai mais poder ter ninguém que dê tanta atenção para ela como ele dava. -Deixa isso para lá Brandon, deixa. -Brandon abriu o navegador e foi diretamente verificar suas redes sociais.
“eei, onde você está?” -Ontem , 00h30.
“meu deus você desligou o celular, pode por favor visualizar isso aqui????” -Ontem, 1h59.
“bom dia Brandon, tomara que você esteje vivo :// “ -Hoje, 9h27.
“caramba eu juro que se eu soubesse seu endereço eu ia aí pra ver se já te enterraram !!! “ -Hoje, 13h13.
“Brandon eu to preocupada de verdade, eu não quero ficar sozinha de novo, da pra falar um oi? “ -Hoje, 15h22.
“se você quer terminar por isso está me ignorando ok, eu aceito :( “ -Hoje, 16h11.
“ BRANDON? OI? POR FAVOR FALA QUE É VOCÊ? “ -Agora.
–Meu deus... -Brandon disse rindo e então digitou:
“oi, me perdoa eu tive uns problemas aqui, você não imagina o que aconteceu com a Alexia...” -Visualizada 16h45. -Em seguida seu celular começou a tocar e Brandon já sabia quem era. -Oi, me perdoa de novo..
–Tudo bem Brandon, eu sei que é complicado essas coisas com a garota, o que aconteceu com ela? -Disse a garota do outro lado da linha, Brandon suspirou ao perceber que ela não tinha se zangado.
–Espera, deixa eu ir pros fundos da casa, é sério e complicado, ela está dormindo mas não quero correr o risco dela ouvir... -Disse ele até se sentar no chão de grama do local. -Então, ela esqueceu tudo, tudo que fez ou sentiu depois de acordar do coma, inclusive do Noah, o namorado dela..
–Meu Deus coitada, mas por que ela lembra de todos menos desse garoto? -Perguntou ela e Brandon riu.
–Eles sempre foram apaixonados, mesmo sendo crianças, todo mundo sabia que tinha algo estranho neles, acho que o sentimento é tão forte que ela acaba excluindo por não aguentar. -Explicou Brandon . -Ela chamou ele de primo, eu nunca vi aquele cara tão sem chão como naquele momento.
–Nossa, eu nem sei o que falar, se fosse comigo eu me matava. -Brandon ouviu ela dizendo num tom mais baixo, ela estava abalada de verdade, pensou. -Mas por favor, me fala , tudo bem contigo? -Brandon sorriu , ele sabia que ela se importava com ele.
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–Oi pai, oi mãe. -Noah disse se sentando no chão do cemitério. -Eu sei que vocês não são meus pais de verdade, mas continuam sendo importantes para mim. Vocês não imaginam o que aconteceu comigo. -Noah suspirou e continuou em seguida: -A Le se esqueceu de mim de novo,eu não aguento mais isso pai. Eu estou cansado de viver nessa corda bamba que eu sempre caio. O que eu faço mãe? Eu não posso chegar falando que amo ela, eu tenho que tentar conquistar ela de novo? Mas ela acha que sou primo dela , nunca vai me deixar chegar perto. -Noah limpou os olhos e sorriu. -Eu estou falando com duas pedras, meu Deus a Alexia me deixa louco... -Ele ia se levantando mas então percebeu um homem passando na rua vendendo flores e teve uma ideia.
–Ei !! Moço !! -Ele gritava para o homem que parou e o esperou se aproximar correndo. -Eu preciso de um buque de rosas azuis.
–Mas.. Jovem elas são muito caras, é mais fácil comprar uma ou duas.. -Respondeu o senhor de idade para Noah que riu.
–Isso de preço não me importa, eu ví que o senhor tem umas e eu preciso de... seis ok? Não não, sete. -O homem deu de ombros e começou a fazer o arranjo deixando duas de fora como Noah havia pedido, ele pagou e saiu correndo de volta até o local onde os pais adotivos estavam enterrados. -Essas são paa vocês. -Disse Noah deixando duas rosas alí, uma para cada um e foi em direção à saída, estava quase anoitecendo e ele queria chegar logo na casa de Alexia.
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–Ele não apareceu ainda John. -Anne disse para eles que estavam jantando.
–Eu devia ter chamado a Lexie, ela pediu.. -Disse rosie para todos na mesa.
–Deixa ela descansar um pouco Ro, eu liguei para o pai do Noah e ele disse que ele não apareceu por lá e nem usou o cartão para comprar nenhuma passagem. -John respondeu fazendo todos se calarem, Brandon estava mais quieto do que o normal e Rosie somente mexia na comida de leve, todos alí estavam preocupados, Noah sempre fora de sumir mas sempre conseguiam o encontrar, dessa vez ele não tinha deixado nenhuma pista.. -Que barulho é esse: John perguntou enquanto ouvia passos pesados em direção a entrada e após isso bateram na porta.
Anne se levantou indo em direção a mesma e a abriu, vendo Noah alí segurando cinco rosas azuis. -Noah? -Perguntou ela fazendo todos na mesa se esticarem para ver se era ele mesmo. Rosie suspirou aliviada ao ver ele.
–Onde está a Alexia? -Perguntou Noah entrando na cozinha e vendo todos jantando menos a garota que ele procurava.
–Ela está dormindo, mas que raios Noah, você ainda mata a gente assim. -John disse se levantando e levando o prato já vazio até a pia.
–Me desculpa mais... Peach? -Noah disse ao ouvir o choro da cachorra que estava na sala. -Depois a gente fala disso... Eu preciso fazer o leite. -Noah saiu andando até a sala e viu que a cachorra estava sentada olhando a escada. -Vem ca lindinha. -Noah pegou ela no colo e levou até a cozinha. -O que aconteceu?
–Ela quer ver a Lexie, mas a tia An acha melhor deixar ela aqui, ela não comeu nada. -Rosie explicou enquanto mexia o leite que esquentava. Todos já tinham saído da cozinha deixando somente os dois e a cachorra ali.
–Meu Deus não podem deixar ela assim. -Noah disse enquanto colocava a cachorra no colo de Rosie e dava a mamadeira já pronta. -Você acha que a Lexie não vai reconhecer a Peach, não é?
–Sim... Eu não quero que ela rejeite ela, coitadinha é só um filhote. -Noah riu de leve enquanto via a pug tomar toda a mamadeira.
–Ela nunca ia rejeitar, isso eu tenho certeza. Vem, eu vou deixar essas flores no quarto da Le e se a Peach quiser ir para o quarto, deixe ok? -Rosie assentiu e deixou ela com a cachorra nos braços indo até o quarto da garota.
Após abrir a porta, ele ficou uns segundos observando a garota que estava dormindo, ela se mexeu ao perceber o cheiro das flores que Noah deixou ao seu lado na cama, o que o fez rir e ficar alí na varanda, olhando o nada até que ouviu uma risada.
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–Mas? Oi fofinha, de onde você é? -Disse vendo o rosto duma cachorra me olhando na beirada da cama, me virei e quando ia me sentar vi um buque de rosas, rosas diferentes, rosas azuis...
–O nome dela é Peach. -Ouvi uma voz familiar vindo da varanda e então me levantei e vi Noah virado de costas.
–Peach? Noah? Você ainda é viciado em Super Mário? -Perguntei rindo o que o fez fazer o mesmo e se virar para mim.
–Ela é sua. -Sorri mesmo sem entender e ví que ele se referia a cachorra que agora tentava pular encima da cama, fui até ela e a coloquei na mesma, onde ela ficou cheirando as flores azuis.
–Obrigada. -Disse para ele. -Pelas flores, digo.
–Não foi nada, você gosta das azuis. -Fui até a varanda e coloquei as mãos no vão da divisória, me apoiando na mesma e olhando as casas do meu bairro e rua.
–O que eu fiz? -Perguntei sem olhar diretamente para Noah, mas eu sabia que ele estava ao meu lado e me olhando.
–Fez o que Le? -Ele me perguntou e eu ri.
–Você ainda me chama de Le. -Noah esticou a mão virando a para cima e eu fiz o que eu sempre fazia antes e a peguei com a minha, isso era outra coisa que ele ainda não tinha esquecido, memórias de infância... -O que eu fiz para você fugir de mim? -Dessa vez me virei para olhar para ele, que fez o mesmo. -Meu deus você cresceu muito. -Noah riu e deu um passo para frente, nossas mãos ainda estavam juntas.
–Não é sua culpa eu ter ido embora aquele jeito, é complicado... -Noah estava há menos de um palmo perto de mim, ele se curvava cada vez mais e eu não conseguia parar de olhar em seus olhos que pareciam ter clareado mais com o passar dos anos, mas então eu sorri.
–O que você está fazendo? -Perguntei rindo enquanto sentia a respiração dele quase perto do meu nariz. -Isso faz cócegas. -Disse me virando um pouco para trás e percebendo a mão dele na minha cintura.
–Nada, eu só... só estava com saudades. -E com isso percebi, ele queria um abraço. Ah Alexia como você é tão burra. Me aproximei dele dessa vez por cota própria e coloquei os braços ao redor do mesmo, que repetiu a ação. Os braços que antes eram finos e sem força, agora me abraçavam de uma forma muito mais reconfortante, apoiei a cabeça em seu peito e senti que ele estava me soltando.
–Eu não te perdi... -Sussurrei antes de me soltar dele, que me olhou com um olhar cabisbaixo.
–Você nunca vai me perder Le, amanhã temos que conversar ok? Já está tarde, você quer algo? É melhor voltar a dormir.. -Noah disse se virando para a varanda enquanto eu ia voltando para a cama, eu ainda sentia muito sono, acho que fizeram algo comigo e eu não paro de ter sono, pensei.
–Não, eu vou só dormir mais um pouco.. Você vai ficar aqui? -Perguntei vendo que ele não olhava para mim.
–Sim, não vou sair daqui. -Sorri e me cobri na cama, sentindo o sono voltar rapidamente.
☽ ☾● ◯
Já havia passado das nove da noite, mas Noah não conseguia sair do quarto de Alexia. Peach estava agora encima da cama dormindo ao lado das flores que Lexie tinha pegado paa abracar, algo nela ainda se lembra de mim, Noah pensou.
Agora ele estava sentado na cama, ela ainda dormia como um anjo, e era um anjo.
–Por que não posso te-lá de volta, por que? -Disse Noah enquanto passava a mão no rosto dela. E então do nada bateram na porta.
–Ei? -Brandon chamava Noah quase em sussurros. -Cara, você quer ficar no quarto hoje? -Perguntou ele, e com isso Noah soltou Alexia e foi até a porta, saindo do quarto e se encostando na parede.
–Não Brandon, valeu mesmo mas, eu preciso ficar no meu lugar, e ele é na sala mesmo. -Noah respondeu sorrindo mas mesmo assim deixando claro o fato de que estava mal.
–é difícil, eu sei. -Brandon disse enquanto seguia os passos de Noah que descia as escadas. Ele seguiu calado até o sofá onde pegou a manta e passou por cima dos ombros, em seguida suspirou e disse:
–Cara... vo-você não sabe como é difícil, ninguém sa-sabe, e eu não desejo isso pra ninguém. -Respondeu Noah chorando enquanto tampava o rosto, ele odiava parecer triste mas, ele estava, e muito. -Ela tirou a a-aliança.
–Noah, para com isso, se ela soubesse por que tem aquela aliança eu juro que ela nunca tiraria. -Brandon tentou reconfortar o garoto que chorava mais e mais a cada segundo.
–Eu não vou aguentar isso, eu vou embora. -Brandon se sentou no sofá e colocou a mão no ombro do garoto.
–Cara, você me ajudou quando eu estava mal, eu vou te ajudar também, mas isso eu não posso aceitar, ela precisa de você, ela ficou desesperada quando você saiu daquele hospital, por favor, semana que vem é aniversário dela, não faz isso... -Noah mesmo chorando levantou a cabeça e aceitou o abraço do garoto ao seu lado.
–Eu te odiava tanto, e você tá aqui aguentando isso tudo comigo. -Disse Noah que fez Brandon rir.
–As pessoas se enganam umas com as outras. -Respondeu ele com calma enquanto Noah colocava os pés para cima no sofá, os abraçando.
–Você acha que ela ainda me ama? Que há chances que ela se lembre de mim? -Brandon riu sem intenção de deixar Noah confuso , mas o fez.
–Essa garota te ama mais do que a própria mãe, se ela não se lembrar, ela vai se apaixonar novamente. -Noah assentiu enquanto limpava as lágrimas que ainda caiam agora sem mais protestos.
–Eu vou esperar, até certo ponto eu espero. -Brandon assentiu e se levantou.
–Tenho uma má noticia, o John quer contar tudo para ela amanhã, mas ele quer saber se pode contar da sua adoção e sua outra família. -Noah sem se mexer, disse:
–Não, ele não vai contar nada. -Brandon sem entender ficou olhando para Noah na esperança de ter uma explicação mais plausível, até que Noah continuou: -Quem vai contar para ela tudo, sou eu.
☽ ☾● ◯
–Hn... Bom dia Peach. -Disse me virando na cama e vendo que as flores estavam quase se amassando. -Ah não, eu preciso de um copo... -Fui até o banheiro do meu quarto e ví que ele também era diferente do que eu tinha antes, ví na pia um copo que era usado para escovar os dentes, tirei as escovas do mesmo e enchi de água, colocando as cinco rosas azuis dentro e deixando na mesa de cabeçeira. Peach tinha acordado e tentava pular na cama, mas era tão alta que ela tinha medo. -Vem cá bebê. -Disse rindo a pegar ela no colo e descer as escadas.
Chegando na sala, soltei ela no chão que ficou me olhando por um momento com seus grandes olhos e então percebi que ela devia estar com fome, ah meu Deus onde está a ração?
Invés de ir atrás da ração, percebi que Peach foi até o sofá mas não conseguia subir no mesmo, mas ele era baixo...
–Noah? -Disse vendo que ele estava no sofá brincando com a cachorra que o lambia. -Bom dia.
–Bom dia Le. -Ouvi ele responder e após isso bocejar. -Como foi a noite?
–Bem. E a sua? -Noah começou a rir e não entendi ate olhar as pequenas olheiras que se formavam embaixo de seus olhos. -Noah você não dormiu ! Loirinho não pode !
–Não ligo pra isso Le, tudo bem. -Assenti mesmo sem acreditar e fui até a cozinha dessa vez para procurar a ração, se bem que Peach era muito novinha para comer ração... -O leite, deixa que eu esquento.
“Nunca vou esquecer disso seu bobo ! Você ouviu a veterinária, não pode ferver de jeito nenhum, me deixa, eu faço.”
Olhei para Noah com medo do que eu havia acabado de “ver” , alguma coisa tinha acontecido alí, aquele momento, esse momento agora já havia acontecido, não sei quando mas já tinha acontecido.
–Noah... -Disse indo até a geladeira para pegar o leite. -Não pode ferver o leite, ok? -Meu primo se virou para mim para pegar o leite enquanto sorria.
–O que Le? -Ele perguntou rindo e eu ri junto.
–Não sei mas, não pode ferver o leite, não deixa esquentar muito, é isso... Não pode, eu só sei disso. -Respondi e ele começou a rir novamente enquanto observava o leite e pegava a mamadeira.
–Como você se lembrou disso? -Perguntou Noah, mas isso eu não sabia explicar...
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