Open Your Eyes
18 Best Of Me
Notas iniciais
Já haviam se passado três dias da ausência de Noah, ele não havia ligado, não havia mandado nada, eu só soube que ele se encontrou com John no mesmo dia que saí de seu apartamento, e pelo que ouvi ele contando para minha mãe, não fora uma conversa normal entre irmãos, eles tinham brigado tão feio que toda vez que eu ia perguntar se ele tinha ligado para minha mãe, John me encarava como se desaprovasse algo, não sabia se ele tinha descoberto do que sentia pelo meu primo ou se fora outra coisa, mas francamente, não sou eu pois, quando eu chamo o John vem, as vezes até tenta me animar me fazendo rir um pouco, mas toda vez que era algo sobre o irmão ele fechava a cara... Nesses últimos dias eu tenho sentido umas coisas piores do que a dor física, é como se parte de mim estivesse sido arrancada de meu corpo mas eu continuava viva, doía muito essa falta, eu sabia o que era.
Ontem sem querer eu ouvi minha mãe chorar, depois de eu chorar escondida, o que está virando rotina... E ela ficou dizendo que eu estava pior do que quando em coma... Isso mexeu comigo, eu até tentei comer, até acontecer o mesmo e eu correr para o banheiro e jogar tudo pra fora, nem meu corpo se sentia bem com a falta dele.
O que mais me fazia chorar era pensar no que teria acontecido depois da briga com o John, é claro que meu primo é inofensivo e não machucaria Noah nem se o odiasse, mas eu não sabia o que tinha acontecido depois, ele é tão explosivo que me dava até medo de ele estar...
–Filha, quer almoçar? -Minha mãe gritou da cozinha, até parece que eu ia descer, comer, ficar bem, sair para o shopping , sei lá, ir numa balada ... Af...
–Não, obrigada. -Respondi e era como se eu sentisse ela suspirar e fazer John ficar mais preocupado.
John ainda não sabia onde Rosie estava, na verdade nem eu sabia agora. Ela havia desaparecido do mapa com o tal namorado babaca ! Olhei para a janela fechada há exatos quatro dias, eu não queria que ninguém soubesse que eu estava alí, já que a cidade inteira parecia que já sabia que eu não estava bem de "saúde". Olhei para meu cobertores e me cobri mais ainda, só que quando fui me virar o pingente do colar que eu estava usando prendeu na capa do travesseiro, olhei para o colar o soltando do pescoço e depois de desenrolar da capa, o coloquei de volta, sentindo mais uma onda de desespero voltar.
☽ ☾● ◯
–Ela ta chorando de novo John ! -Anne disse se sentando na mesa e colocando a mão no rosto.
–Eu sei, da pra ouvir... -John respondeu brincando com o garfo. -Ela podia pelo menos comer...
–Ela não faz mais nada, meu Deus o que está acontecendo ! -Anne disse e se levantou, um segundo depois a campainha tocou e ela tentou se recompor e foi abrir.
–Oi Sra. Seymour. -Brandon disse na porta ao ver a mãe de Lexie.
–Oi. -Anne ainda achava que tudo era culpa dele, e era capaz de achar até que ela estava agora mal por culpa dele... John entrou na frente e assumiu a porta enquanto ela se afastava como se não gostasse de quem estava parado em sua porta.
–Ei cara. -John respondeu dando um leve toque no seu ombro.
–Como ela ta? -Brandon perguntou e então se encostou no batente da porta suspirando.
–Escute. -Ele deu dois passos para frente e conseguiu ouvir umas coisas, entre uma delas uma música estranha e um som de choro bem alto.
–Meu Deus... -Brandon olhou para o chão mas então John o cutucou.
–Ajuda ela. -Sugeriu ele, mas Brandon riu.
–Ela nem deve querer me ver. -John percebeu que a música parou de tocar e ela não gritava mais nada, um minuto de silêncio até que enfim, pensou.
–Por favor cara.. -Brandon assentiu e entrou na casa, subiu as escadas e viu que o quarto de Alexia estava com a porta meio aberta, colocou a cabeça dentro do quarto e quando viu ela, se encostou na parede e passou a mão no cabelo.
–O que você está fazendo consigo mesma? -Brandon disse vendo Lexie que se virou e olhou para ele ainda com os olhos molhados. Alí estava uma linda garota com o cabelo preso que qualquer jeito, rosto manchado de chorar, com um cobertor até a cabeça e com o quarto todo fechado.
☽ ☾● ◯
Olhei para quem estava na porta e percebi que era o meu vizinho e amigo, eu estava horrível e não queria falar com ninguém.
–Vai embora. -Respondi esperando que isso desse certo, mas não deu.
–Não Alexia. -Brandon respondeu e eu ouvi seus passos se aproximarem da cama. -O que está acontecendo contigo?
–Brandon por favor. -Ele se sentou na cama na minha frente e ficou me olhando esperando que eu tirasse o cobertor do rosto, o bom era que esse cobertor meio que me deixava camuflada mas ao mesmo tempo eu conseguia ver as coisas que se passavam por fora do mesmo.
–Vem ca vai. -Ele tirou o cobertor e me olhou meio que com pena quando eu descobri meu rosto, ele chegou perto de mim e me abraçou se deitando ao meu lado, eu não resisti mais e o apertei bem, comecei a chorar sem querer. -Vai passar, vai passar tudo isso, vai sim. -Eu ouvia a voz dele por cima de mim mas era difícil demais acreditar naquelas palavras. Fiquei muito tempo somente alí quieta, sendo abracada por meu vizinho enquanto ele tentava me acalmar. Até que conseguiu e eu consegui olhar em seus olhos.
–Oi. -Eu consegui dizer e ele ficou mexendo no meu cabelo enquanto eu olhava novamente para os cobertores,eu estava com vergonha de mim, vergonha de olhar para ele daquele jeito.
–O que aconteceu Lexie? -Ele perguntou depois de me soltar.
–Perdi ele. -Respondi e ele fez uma cara estranha mas depois sorriu.
–Ele deve estar viajando sei lá, algum lugar sem sinal . -Brandon achava que tudo era fácil, eu gostava disso nele.
–Ou não. -Ele parou de sorrir e pegou meu rosto com as duas mãos.
–Para de ser negativa, você tem que ficar bem, você tem que viver Alexia ! -Pensei que ia começar a chorar novamente mas somente olhei para ele, dessa vez parecia que ele ia cair nas lágrimas ali, percebi que ele estava ficando triste com o que via...
–Fica aqui comigo. -Pedi e ele sorriu.
–Você não precisa nem pedir. -Ele se deitou e eu fiz o mesmo ao lado dele, deixei um espaço entre nós mas ele quebrou a barreira e me deixou colada a ele, era bom ficar assim tão perto de alguém, mesmo não sendo quem eu queria... Eu estava melhor de ver e ficar perto dele.
☽ ☾● ◯
–Ei. -Eu senti alguém me dar um toque e depois abri os olhos e ví o rosto de Brandon ao meu lado , segurando o seu celular no ouvido.
–Oi? -Disse bem baixinho, eu estava sem forças. Percebi isso depois de olhar para o relógio e ver que eu tinha dormido quase meia hora alí.
–Minha mãe quer saber se você aceita uma lasanha? -Brandon respondeu ainda como o celular na altura do ouvido.
–Eu não consigo comer eu.. -Ele nem esperou eu terminar e disse:
–Estamos aí em meia hora, beijos mãe. -Olhei para ele que sorria como uma criança.
–O que você fez? -Perguntei e ele riu alto.
–Você vai comer e pronto. -olhei para cima e respirei.
–Só que você que vai limpar o seu chão depois que eu comer. -Acho que ele não entendeu e se levantou da cama.
–Vamos escolher uma roupa para você ! -Dessa vez eu que comecei a rir.
–Não, não, e ah... NÃO ! -Ele pegou meu braço e me fez levantar, senti uma tontura e tive que me segurar no peito de Brandon que me olhou e disse:
–Vamos, e você precisa muito comer. -Me sentei na beirada da cama e Brandon abriu meu guarda roupa. -Isso daqui está pronto para uns mil enterros né? -Eu ri e assenti, parecia que o quarto girava toda vez que eu olhava para algo rapidamente.
–Escolheu? -Perguntei um tempo depois e ele saiu com o vestido rosa. -NÃO MESMO ! -Ele começou a rir muito.
–Por favor !! -Me levantei e ele segurou em meu braço como se soubesse que eu não sentia quase o chão embaixo de meus pés. Bati a perna sem querer num móvel.
–Machucou? Ai desculpa eu nem te fiz desviar, perdão ! -Olhei para ele alí, todo preocupado e ri.
–Calma, isso aqui é ferro. Me leva até o banheiro que eu visto essa merda pink ! -Brandon ficou meio sem jeito com o que eu disse sobre a perna então decidiu não comentar mais nada, cheguei no banheiro e ele me deixou com o vestido ao lado. Foi meio difícil vestir ele sentada, mas eu sabia que se tentasse me levantar eu levaria um tombo lindo. Demorei uns minutos tentando ajeitar o cabelo até que consegui prender um coque.
–Pronta? -Brandon perguntou batendo na porta.
–Sim mestre ! -Dava para ouvir ele rindo até chegar e me ver, eu gostava de sua risada.
–Então vamos l... Nossa Alexia. -Brandon parou de rir quando me olhou, ele tinha aberto mais os olhos de um jeito que eu nunca havia visto então comecei a rir.
–O que eu fiz? -Perguntei mas ele ainda estava parado.
–Você está linda. -Senti meu rosto ficar quente e olhei para o chão.
–Estou mais para anoréxica . -Ele deu dois passos até mim e estendeu a mão sem falar nada, eu a peguei e fui em direção a porta me segurando a ele, Brandon tinha virado a mão e enlaçado meus dedos , juntando sua mão bem perto da minha, eu não me preocupava com isso, ele era o meu único amigo que não era da família.
Ir andando pelo corredor foi normal, nenhum perigo, mas então chegamos no ponto difícil... A escada !
–Ai meu Deus ! -Disse olhando para Brandon que pareceu confuso.
–Pensando melhor, isso não foi uma boa idéia. -Quando percebi que ele ia se voltando para meu quarto, o prendi pela mão.
–Não, eu quero ir. -Disse mas ele ficou meio indeciso com a minha escolha.
–Você que pediu ! -Brando solou minha mão e num movimento colocou minhas pernas em um de seus braços e eu me segurei em seu pescoço.
–Jesus amado, me solta ! -Não era pelo fato de ele ter me pegado no colo, era que o corredor todo estava girando.
–Calma, não vou te deixar cair. -Começou tudo a voltar ao seu devido lugar e eu respirei aliviada.
–Tontura, desculpa. -Eu sorri e Brandon me olhou, seu rosto estava a centímetros do meu.
–Tudo bem, vamos? -Assenti fechando meus olhos, eu não queria ver isso.
Primeiro senti um degrau, depois o outro, e depois.
–Ai. -Eu disse e abri meus olhos e ví que já estávamos na metade da escada e comecei a rir.
–Ah Deus, machucou? -Eu não parava de rir, Brandon era tão alto que nem percebeu que existia um teto quase junto a minha cabeça, onde eu bati depois de uns sete degraus. Ele me colocou no chão e olhou para minha testa.
–Estou bem, sério. -Parei de rir aos poucos e ele sorriu de leve passando a mão onde eu havia batido.
–Não posso te machucar. -Brandon falava como se algo me quebrasse.
–Não sou de porcelana ! -Respondi tirando sarro, mas ele não sorriu.
–Claro que é ! -E então sorriu. -Vamos, só mais uns. -Ele me pegou no colo e descemos os últimos degraus.
–Onde os moçinhos vão? -John perguntou depois de Brandon me por no chão e me segurar, mas não pegou na minha mão alí na frente do meu primo.
–Eu vou almoçar lasanha na casa do Brandon. -Respondi e então John sorriu.
–Almoçar? Sério? -Brandon sorriu de volta mas eu não.
–Tentar. -Disse e fiz todos pararem de rir.
–Cuide bem dela. -John alertou.
–Ai John, eu não sou um bebê ! -Brandon riu. -Se você disser que eu sou....
–Ok, não falo mais nada. -Assenti.
–É bom mesmo ! -Brandon me ajudou a ir até a porta de saída, e lá perguntou se podia pegar na minha mão. -Não pode não, eu vou te passar germes ! -Ele mostrou a língua e pegou em minha mão. Nossos braços pareciam formar uma grande corda enrolada, isso tudo era para eu não me desequilibrar e cair de cara no chão.
Chegamos na casa dele em pouco menos de um minuto, era bom ele morar assim bem perto, eu não correria tanto risco de perder os sentidos e desmaiar num caminho longo !
–Oi !! -A mãe de Brandon atendeu a porta sorridente. -Chegaram bem na hora e ah querida, você está linda.
–Obrigada. -Tentei soar normal, mas eu vivia ficando vermelha por causa de elogios será que ninguém nunca percebeu isso?
Entramos os dois ainda juntos até a cozinha, onde me sentei e fiquei esperando Brandon que fora ajudar a mãe com os pratos e copos, eu queria ajudar mas hoje não seria uma boa idéia quebrar as coisas da casa dele.
–Pronto, podem se servir. -A lasanha estava com uma cara ótima e pelo que eu estava percebendo, com o gosto também, coloquei o mínimo em meu prato e dei a primeira gafada.
–Nossa, está perfeita ! -Disse ao comer mais um pedaço.
–Depois eu vou te passar a receita, é receita de família mas eu vou te passar por que gosto de você como uma filha ! -A mãe de Brandon sempre fora calorosa.
–Ah por favor, agradeça o John pelos remédios do Brad, ele melhorou em quase um dia, foi quase mágica.
–Mãe... -Brandon tentava fazer a mãe parar .
–Ah sim, mas não foi nada. -Sorri e senti um mal estar...- Hn.. Não...
–Lexie? -Brandon se levantou de seu lugar e se ajoelhou perto da minha cadeira.
–Ah não... Por favor não. -Tentei olhar para cima o máximo possível para fazer a comida não voltar, como John havia me ensinado.
–O que está havendo? -Ouvi a mãe dele perguntar assustada.
–Nada mãe. -Brandon respondeu e então me fez olhar para frente novamente. -Respira que a agonia passa.
Fiquei um tempo respirando fundo, mas a vontade de por tudo para fora continuava indo e voltando. Tomei uns vinte copos de água mas também não ajudava. Até que olhei para cima, fechei os olhos e esperei, acho que esperei tanto que consegui, olhei para a frente e ví que a mãe de Brandon não estava mais na cozinha.
–Passou. -Disse ao ver ele me olhando fixamente .
–Você consegue comer. -Ele disse e eu assenti ainda meio que com medo da próxima garfada.
☽ ☾● ◯
A agonia tinha voltado umas duas vezes, mas eu aguentei e comi um prato todo depois de dias sem nada.
–Obrigada. -Disse sentada na varanda ao lado de Brandon após tudo ter passado.
–Pelo o que? -Ele perguntou,olhei para ele e sorri.
–Por ser tão legal comigo. -Brandon continuou olhando para mim sem dizer nada, e depois conseguiu responder:
–Não estou fazendo nada do que você não faria comigo. -Dessa vez, eu que peguei em sua mão.
–Menos pegar você no colo. -Ele jogou a cabeça para trás rindo alto.
–Menos me pegar no colo ! -Ele afirmou e ficamos rindo.
☽ ☾● ◯
–E o que acontece agora? -Perguntei para Brandon chegando na porta de casa.
–tipo aqueles filmes. -Ele começou. -E o cara pobre leva a menina rica pra porta depois de uma tarde, ou noite perfeita, e ela olha pra ele e ri , e depois ele fica sem jeito e ela diz que precisa entrar por que os pais dela estão esperando, o que no seu caso é mãe e primo, enfim ai ele diz para ela esperar e eles se beijam, então ela entra e encosta na porta suspirando e o cara vai embora pulando de alegria. -Olhei para ele com uma cara, tentando não rir.
–Eu preciso entrar... -Brandon fez uma cara de espanto por que eu estava imitando a idéia louca de filme dele, tentei o máximo não rir.
–P-pera ai Alexia. -Me virei e comecei a rir sem ter me controlado.
–Desculpa ! Não deu pra controlar ! -Brandon ficou meio sem reação.
–Ah.. Sim, ok. -Olhei para ele seriamente e disse:
–Ainda não é noite, não é hora de beijo de despedida, e eu não sou rica ! -Brandon sorriu ainda meio paradão.
–Q-quer ver um filme? -Ele perguntou e eu assenti.
–Qual? -Perguntei e ele pensou um pouco.
–Eu vou lá em casa e pego uns pra você escolher ok? -Brandon disse mas eu olhei para o chão.
–E a escada? -Eu já estava conseguindo andar sem ficar tonta pelo fato de ter comido algo, mas ainda estava com medo da escada, se eu me desequilibrasse...
–Vai até ela e fica me esperando, juro que volto em um segundo ! -Não sei porque mas isso me lembrou do Noah, ele também disse que ia ligar e não ligou... Eu sabia muito bem que o Noah não fez isso por mal, e Brandon nunca faria isso comigo... Mas.
–Promete? -Perguntei na hora sem pensar, Brandon olhou para trás e sorriu .
–Prometo. -Sorri levemente de volta e me virei pra porta , abrindo-a. Fui andando lentamente até a sala onde encontrei John lendo uns jornais.
–John? Alguém ligou? -John suspirou e olhou para mim.
–O Noah não ligou Lexie. -Assenti e me sentei perto da escada. -Onde está o vizinho?
–Ele foi pegar uns dvd's para assistirmos, tudo bem nisso? -John sorriu.
–Não sou a sua mãe que odeia esse garoto por ele , na verdade, ele não fez nada de mal ! E sua mãe foi trabalhar e disse que volta tarde, ela vai sair com o...
–Já sei ! -Eu gostava da parte que minha mãe estava saindo com alguém, mas não gostava da pessoa em si. Tentei ignorar o assunto olhando para o relógio que batia quase seis da tarde.
Segundos depois ouvi a porta abrindo e olhei para ver quem era.
–Você voltou... -Sorri e o abraçei. Eu estava com um medo de perder as pessoas que eu nem sabia que existia, eu já havia falado disso com John e ele disse que era psicológico e iria passar com o tempo. Brandon não parecia querer me soltar e eu ri.
–Claro que voltei ! Eu prometi . -Ele sorriu me soltando e pegou na minha mão. -Vamos subir? Ahn.. Posso? -Ele perguntou para John que estava vendo a cena toda.
–Não. -John respondeu e eu olhei para trás. -Brincadeira, vão lá, se divirtam. -Eu ri e fui subindo degrau por degrau junto a Brandon.
☽ ☾● ◯
Quando chegamos no quarto, mostrei para ele onde ficava o aparelho de video e ele pegou o controle remoto se sentando na beirada da cama ao meu lado.
–bem, eu peguei esses cinco aqui, são de comédia, ótimos ! -Brandon disse tirando as caixinhas dos dvd's de uma sacola, mas ainda havia outra sacola ao lado cheia.
–E o que é isso? -Perguntei apontando para a sacola e ele sorriu.
–Munição para a noite. -Ele tirou de la várias latas de refrigerante, umas, meu Deus eu nunca vi tanto salgadinho junto !
–Quanta coisa ! -Disse rindo um pouco.
–Você não sabe como isso vai acabar rápido. Vamos , escolhe um para começar. -Olhei para as caixinhas e fingi ler os nomes.
–Esse. -Era um que tinha um menino pequeno na capa e uma garota encima.
–ABC do amor? Logo isso pra começar? -Brandon perguntou rindo.
–Por que? é muito ruim? -Ele não parava de rir de mim.
–Não, é que ele serve pra acordar . -Não entendi aquilo.
☽ ☾● ◯
–SOCORRO. -Eu estava rindo muito segurando uma lata e dividindo um saco de batatinhas com Brandon que estava deitado do meu lado.
–EU DISSE QUE ISSO SERVIA PRA ACORDAR A GENTE ! -Ele se referia ao menino gritando o nome da garota que ele gostava depois de chutar ela.
–GENTE, COMO PODE ISSO??? -Eu não conseguia mais segurar a lata de refrigerante de tanto que ria.
–É RIDÍCULO ISSO, QUEM FAZ ISSO? -Brandon também ria alto ao meu lado, mas então ele se controlou e eu parei de rir um pouco e continuei vendo o filme.
–O que foi? -Perguntei vendo que Brandon não parava de me olhar.
–Nada. -Ele respondeu e pegou uma batatinha. -Af acabou.
–Tem mais? -Perguntei vendo que ele jogava o décimo saco de batatinhas fora e puxava a sacola para ver se achava mais. A agonia recomeçou e fiquei olhando para cima.
–Ei, ei? Passou? -Brandon perguntou quando olhei para baixo novamente.
–Uhum. Está ficando mais fraca. -Sorri e ele se levantou e colocou outro filme, me ajeitei na cama e foquei na tela.
☽ ☾● ◯
No terceiro filme, nem estávamos mais prestando atenção.
–Mas, você não acredita em amor? -Perguntei dando continuidade no assunto de antes.
–Claro que acredito, mas eu acho meio complicado. -Assenti. Estávamos os dois na cama olhando para o teto e conversando ao mesmo tempo.
–Como assim complicado? também acho isso sabe, é tudo tão, sei lá é meio agoniante fica longe de quem a gente ama. -Disse sabendo bem do que eu falava...A presença de Brandon não ocupava o mesmo espaço que a de Noah mas me ajudava muito.
–Eu to apaixonado por uma garota. -Brandon disse e eu abri os olhos e me apoiei no cotovelo.
–Sério? Que fofo ! -Disse sorrindo para ele, que ficou calado uns minutos ainda olhando para o teto, voltei para a minha posição anterior e fiquei esperando ele dizer mais algo, mas o silêncio tomou conta.
–Ela é tudo sabe, tudo para mim. -Suspirei e fechei meus olhos.
–Eu sei como é isso... Eu sinto isso. -Não disse mais nada pois eu sabia que eu ia chorar.
–Você quer dormir? -Brandon perguntou.
–Não, acho que é a cafeína da coca me deixando sem sono. -Brandon se ajeitou na cama.
–Deixamos o filme no pause por três horas, uau ! -Me sentei e ví que era verdade, já se passava das dez da noite.
–Da play ! -ele assentiu sorrindo e se encostou na cabeceira como eu e ficamos vendo o filme. Toda a comida já tinha acabado...
Depois de ver todos os filmes, Brandon pegou no sono alí mesmo e eu abracei minhas pernas.
Me estiquei até pegar o celular que estava no chão e procurei a foto de Noah na agenda, teclei na foto e coloquei o telefone no ouvido.
Ele chamou até cair na caixa postal e eu ouvir a voz dele dizendo para deixar um recado... Ou havia acontecido algo , ou ele estaria me ignorando. As duas opções me deixavam mal, eu estaria sem a pessoa que mais amo das duas formas. Me levantei da cama e fui até o banheiro, como rotina me olhei no espelho e ví que a expressão de hoje de manhã havia mudado, mas ainda havia tristeza naquela Alexia, eu não tinha conhecido essa Alexia até perder Noah, eu não queria perder ele... Eu não queria...
Saí do banheiro e me sentei no chão me encostando na parede e deixei a dor sair de mim.
☽ ☾● ◯
–Lexie? -Ouvi a voz de Brandon, eu devia ter acordado ele sem querer com algo ou com meu próprio choro. Olhei para ele entre a escuridão do meu quarto e senti seu abraço. Ele não era o Noah, mas ele era uma pessoa que gostava de ficar comigo, eu não podia dizer para ele sair daqui, ele estava me ajudando a aguentar a perca do meu... Não meu ... Do Noah...
–Não quero isso, eu não quero ficar sem ele. -Disse entre os soluços mas Brandon nã tinha me soltado.
–Ele vai voltar ok? Eu prometo que vai. -Ele respondeu enquanto me abraçava. -Vem pra cama vai...
–Não quero mais sair daqui. -Brandon me soltou e ficou mexendo no meu cabelo.
–Não vou te deixar ficar assim, eu não vou deixar você se matar por causa da falta dele. -Olhei para seu rosto que mesmo no escuro, reluzia.
–Me sinto sozinha... -Brandon se sentou na minha frente e pegou na minha mão.
–Você não está sozinha, tem a sua mãe, e o John, e.. Cade a Rosie? -Olhei para nossas mãos juntas.
–Ela fugiu. -Respondi e ele assentiu de leve.
–Mesmo assim, você tem eles lá ! -Olhei dentro dos olhos dele, eram o que brilhavam no escuro do meu quarto.
–E você. -Sorri e ele abaixou a cabeça.
–Se você quiser que eu te ajude, sim, e eu. -Soltei sua mão e o abracei dessa vez por mim.
–Obrigada por isso tudo que você faz por mim, mesmo eu sendo .. Eu ! -Ele riu e me soltou.
–Vem pra cama vai, esse chão é gelado, você pode ficar doente. -Assenti de leve e me levantei com sua ajuda indo em direção a cama. Me deitei e o puxei para perto, eu queria alguém ali comigo. Não resisti e peguei o ursinho azul e deixei na beirada da cama. Deixei Brandon me abraçar e me ajudar a pegar no sono, mas ele tinha ganhado de mim na questão dormir rápido.
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