Open Up Your Eyes

2 Capítulo 2: Bem –Vindas


Notas iniciais
Olá Narnianos! Como voces estão, eu estou ótima! Enfim, quero pedir desculpas pela demora ,fiquei um ou dois fins de semana sem postar, mas foi por conta de problemas no meu pc. Mas aqui está mais um capítulo e espero que gostem! Agradeço a Oboro, a Caliel e a Luana pelos comentarios que me deixaram muitos felizes! Beijos e até os reviews. ❤

"Quando as coisas vão mal, parece que vão de mal a pior durante certo tempo; mas quando começam a ir bem, parecem cada vez melhores.”

—As Crônicas de Nárnia.

O povo saudava a passagem de seus reis, desde a chegada dos filhos de Adão e Eva juntamente ao Rei Caspian X, todo o país estava em festa. Havia um bom tempo que os irmãos não retornavam a aquele extraordinário lugar, assim como havia um bom tempo de ausência de O Navegador. Meses e mais meses, quiçá já completava um ano em que o ser vindo de Telmar estava em alto mar, lutando contra monstros, descobrindo lugares, encontrando pessoas de todos os tipos, de todos os pensamentos, de todas as personalidades...de todas as belezas.

Oh sim, ele encontrara pessoas de cordial beleza, uma certa moça para ser mais precisa. Lorraine era seu nome, uma jovem garota de cabelos loiros e incríveis olhos azuis, moradora de Calormânia, um País ao sul de Arquelândia, habitado por humanos que lembram caracteristicamente mulçumanos. Onde uma sociedade hierárquica prevalece e é comercialmente ativa. Esse povo tem o sonho de conquistar os países no Norte, quais são Nárnia e Arquelândia, que consideram improdutivas. Mas esse ódio que os Calormânianos nutrem pelos outros não passa de pura inveja, avareza à coisas alheias. Mas segundo Caspian, Lorraine não era assim, ela tinha um sonho, sonho de sair de sua terra e ir a Cair Paravel, apesar de escutar quando criança, histórias tenebrosas sobre Aslan ela não acreditava. Ela acreditava na bondade do majestoso leão que nunca vira na vida, mas só ao escutar seu nome sentia seus pelos da nuca se arrepiarem numa sensação reconfortante.

Obviamente Narnianos ou qualquer forasteiro não eram bem vindos naquelas terras, então Caspian e seus tripulantes, com a ajuda de Lorraine viveram quase um mês escondidos, uma época especial para ela e para o rei. Talvez se Lorraine não tivesse morrido por conta da descoberta de intrusos no país, Caspian a levaria consigo e lhe mostraria Aslan, ela poderia fazer perguntas ao animal para todo o sempre. Mas ela estava morta e nada podia mudar aquilo. Caspian saindo foragido e desolado, entrara numa espécie de exclusão interna, de certa forma ela havia morrido por ele e pelos seus, quão egoísta e culpado ele se achava.

Lorraine fora alguém com quem dividira segredos, sorrisos, abraços, porém um único beijo...um beijo que selava a despedida dos dois quando ambos não tinham a mínima ideia disso. Talvez se tivesse mais tempo com ela, ele poderia ter se apaixonado, a amado, seu coração estava solitário, a partida de Susan nunca fora tão demorada, e talvez fosse a Pevensie que não deixara o mesmo se apaixonar pela Calormâniana de olhos cristais. Talvez não, ele tinha certeza que era isso. Mas seu pobre coração somente batia para sofrer? Porque toda vez que estavam próximos de terem seu "felizes para sempre" ela partia e simplesmente o deixava com uma saudade insuportável em peito. Ele mesmo achava que da última vez que partira, ela não voltaria mais. Mas estava errado desde o momento em que o Peregrino da Alvorada navegava próximo a praia e avistara ela, sorrindo, olhando o céu azul pairando sobre ela como se fosse a primeira vez que vira tal coisa. Ela estava assustadoramente igual, assustadoramente a mesma que conheceu no dia em que soou aquela maldita trombeta e os chamou de volta para vencer aquela guerra ao lado dele. Oh sim, maldita...maldita por chamar o amor da sua vida, maldita por faze-lo sofrer. Maldita por prendê-lo a ela de tal forma que nunca a deixasse de amar. Maldita.

Nesse momento as palmas eram absurdamente altas, o clamor do povo soava...

—Quando a carne de Adão, Quando o osso de Adão, Em Cair Paravel, No trono sentar, Então há de chegar ao fim a aflição!

Lucy, Edmund, Susan e Peter acenavam para o povo com sorriso rasgando nos seus lábios, mostrando o quão estavam felizes, Caspian também estava feliz, mas podia-se sentir as emoções dos outros quatro só de olhar. Adentrando as dependências do pátio de Cair Paravel sobre cavalos reais eles se sentiam finalmente em casa. Não que a casa do professor Kirke não fosse considerado também seu lar, mas estar em Nárnia era algo resplandecente, era algo que os completava, Nárnia fazia parte de cada um deles.

O cheiro, a brisa de primavera que rodeava a todos enchia os pulmões de Edmund que sorria abertamente, ver o povo o saudar de forma tão respeitosa fazia seus olhos brilharem, sentir-se puramente nobre. Susan estava feliz como nunca, e principalmente por ter Caspian ao seu lado, mesmo que não tenham conversado muito desde que embarcou com ele e seus irmãos no Peregrino da Alvorada para estar no que lugar que se faziam presentes. Ela sabia que teriam tempo suficiente pra ficarem a sós e matar a saudade, apesar de ser a mesma que fosse embora toda vez que estavam seguindo mais em frente com a relação, ela sentia saudades dele, desejava todas as noites no interior da velha Londres estar nos seus braços, ela o amava, ele fora o primeiro que fez eu coração bater mais forte, e a culpa que sentia por deixa-lo não deixaria de existir em momento algum.

Peter por sua vez tinha os olhos fixos nas belas moças que vira pela primeira vez ali, oras ele não era cego, era um rei, mas era quase um homem feito, e suas orbes azuis não foram feitas para ficar de enfeite na sua face. Sorrisos tímidos brotaram dos lábios das mesmas que retribuíram o olhar receberam de Peter O Magnifico!

E por fim Lucy, que tinha os olhos doces presos no castelo, observando toda aquela estrutura que lhe fazia perder o ar ao recordar tantas coisas que vivenciara ali. Desde as portas e a escadaria, até a torre mais alta ela recordava e ficava inteiramente fascinada, como se nunca estivesse ali antes.

Então o barulho feito pelo povo cessou quando os cavalos reais pararam em alinhamento perfeito, um ao lado do outro de frente a Cair Paravel. Trombetas tocaram por um breve tempo e logo depois, arrepiando todos os presentes, deixando o fascínio tomar conta de todos um rugido foi ouvido. Era Ele.

As portas frontais do castelo se abriram lentamente por guardas que estavam em seu posto como estatuas minutos antes. Dois centauros para ser mais exato. O silencio reinava até que outro rugido foi dado, revelando primeiro sua juba resplandecente como o sol, sua postura, digna de um verdadeiro filho do Imperador de Além-Mar, e seus olhos, ah seus olhos...que traziam paz, mistério, verdade e justiça. O brilho dourado que deixava qualquer um com medo se feito algo errado, e qualquer um admirado se o conhecesse mais profundamente. E por fim, deixava qualquer um curioso, pois assim como os Pevensie, só de ouvir seu nome sem nem ao menos conhecerem se sentiram diferentes, quem visse Aslan pela primeira vez tinha vontade de curvar-se pois ele era vossa verdadeira majestade. Curioso.

Quando o Grande Leão ficou inteiramente em sua presença todos se curvaram, até mesmo Caspian e os descendentes de Adão e Eva, era um sinal de respeito, pois apesar de serem reis sabiam plenamente que Aslan era os rei dos reis de Nárnia.

—Levantem-se filhos de Adão, levantem-se filhas de Eva...- disse com sua voz estrondosa e magnífica para os Pevensie que logo o fizeram, enquanto os demais incluindo Caspian ainda estavam curvados. — Sejam bem vindos filhos. — completou com um olhar paterno, enquanto seu maxilar felpudo se arqueava em um dos lados, dando a entender que o grande leão sorria.

—Vida longa aos filhos de Adão e Eva! Vida longa aos reis de Nárnia! — uma criança gritara no meio da multidão fazendo toda a massa declamar as mesmas coisas. Os Pevensie sorriram acenando e os cumprimentando novamente quando Caspian finalmente se levantara e juntou-se aos mesmos.

Novamente trombetas soaram enquanto os reis se despediam do seu povo, seguindo Aslan que adentrava o castelo. Aos poucos os Narnianos foram se dispersando mas isso não queria dizer que a alegria de todos por conta da chegada dos reis havia se esvaído, pelo contrário, estava longe de acabar, recebe-los era algo realmente era um privilegio, pois sempre realizavam coisas grandiosas.

—Aslan! — Lucy o chamou com doçura e alegra na voz, ele imediatamente a olhou sorrindo sem mostrar sua arca dentaria. Ela então correu ao seu encontro e o abraçou, a juba morna envolveu parte dos seus ombros, enquanto seus braços rodeavam o pescoço do animal, que mesmo quadrupede ainda era um pouco maior do que ela. — Senti saudades. — completou se afastando levemente para poder fita-lo. Seus olhos cintilavam de alegria.

—Também senti sua falta Lucy...- Aslan respondeu tranquilamente como era de seu costume. — A propósito, senti falta de todos. -continuou agora dando um pouco mais de atenção aos outros que por sua vez sorriram com o que escutaram.

—Sentimos saudades de tudo isso...-Susan verbalizou analisando o teto do castelo como se nunca o tivesse feito na vida. — Ficamos extremamente felizes quando percebemos que fomos chamados novamente.

—E o que te leva a pensar que foram chamados? -Aslan questionou um tanto enigmático, mas havia diversão em sua voz.

—Oras, sempre viemos aqui com um propósito. — Edmund respondeu no lugar da irmã e o olhar do grande leão pairou em si. — O propósito, de fazer um bem a Nárnia.

—Veja o que diz jovem rei... como sabes se desta vez não viestes aqui não para fazer um bem a Nárnia, mas sim um bem a si mesmo? — Aslan perguntou ainda com diversão na voz aveludada.

—Aslan, o que quer dizer? — Peter devolveu outra pergunta no momento em que seu irmão deveria ter respondido. O Pevensie mais velho estava curioso, e o grande leão não deixou de nota-lo.

—Às vezes devemos aprender a enxergar...- pausou Aslan passando seu olhar dourado por todos, e instantaneamente tiveram a impressão de ardor na pele sob aquele olhar. — o invisível. — completou e todos não souberam como aquela frase causou um impacto estranho sobre si.

Sem dar oportunidade para algum outro pronunciar-se ele deu as costas e saiu dali sem dizer nenhuma palavra sequer. Então todos ficaram ali, o vendo desaparecer nas dependências do castelo.

—Odeio quando ele faz isso. — Edmund se pronunciou unindo as sobrancelhas enquanto parecia pensar. Caspian achou graça naquilo.

—Aslan é sábio Ed, as suas metáforas nunca falham. — Caspian X disse meio sorrindo da cara que o outro fizera ao olha-lo.

—Mas Caspian, esse é o problema...metáforas. — Peter verbalizou também sorrindo da cara do irmão, e assim logo os outros acharam engraçado a birra de Edmund que rolou os olhos como era de seu costume.

—Só queria que ele fosse mais claro...enxergar o invisível? — Lucy questionou sem deixar o sorriso torto que tinha se dissipar.

—Gente, saberemos no momento certo. — Susan disse e atenção dos outros voltou-se para si, especialmente a do Telmarino agora um dos reis de Nárnia. — Além do mais, o importante é que estamos aqui. — completou referindo-se ao lugar que estavam, mais precisamente diante dos cinco tronos, já que agora fora posto um para Caspian.

—Exato. — Edmund concordou, o que foi bem estranho. Ele começou a caminhar, subindo alguns degraus que levavam aos tronos numa parte de piso mais alta do que ele estava. Parou em frente ao seu especificamente, virou-se para os outros quatro que o observavam com leves sorrisos e finalmente se sentou numa postura digna da realeza. — Estou em casa.

***

Estavam atônitas, olhavam fixamente para a estrutura a sua frente, algo indescritível, maravilhoso demais para ser real. As nuvens que pairavam atrás do mesmo, faziam certamente que o mesmo parecesse uma pintura, feita com a mais pura delicadeza, como se quem pintasse a tal tela gostasse de pintar por toda eternidade.

A brisa refrescante de primavera fazia Katheryne fechar os olhos e puxar todo o ar possível que aquele lugar supria, enquanto os mesmos ventos faziam seus cabelos dançarem. Hanna ainda continuava com a ideia de observar tudo atentamente, desde o pássaro que cantarolava no seu ninho para seus filhotes, até o mais leve balançar das águas de um rio que se estendia desde a floresta até as dependências do castelo. E por fim Chelsea que era a única que observava as outras que estavam ao seu lado, curiosidade era a palavra que a definia naquela circunstância.

O silencio predominava pois cada uma estava realmente concentrada no que fazia, até que algo foi escutado um tanto longe, mas ainda sim puderam escutar o que estava sendo dito.

—Eu já disse pra você não colocar suas meias de inverno na lareira onde estava preparando nosso jantar Harold! — uma voz fina e feminina dizia furiosa, foi então que as três se olharam sem dizer uma só palavra. Segundos depois as três olhavam a tudo ao seu redor a procura dos seres que poderiam estar fazendo aquele barulho.

—Mas querida! Elas estão molhadas, é primavera mas o sol não está como deveria estar. — outra voz retrucou num tom medroso fazendo Hanna rir inconscientemente de leve.

—Não quero saber seu fanfarrão! Sabia que você está parecendo um barril! -a outra voz continuava furiosa, e quando algo tocou o pé de Chelsea ela deu um pulo para trás levando seu olhar imediatamente para o chão e permaneceu com o olhar ali, as outras a seguiram e ficaram um tanto boquiabertas pelo o que estavam vendo.

—Mas querida...- dois castores discutiam sem parecerem nem notar a existência das outras três ali. A castor fêmea continuava a tagarelar sem parar, lançando ofensas ao outro. Katheryne arqueou uma sobrancelha e do nada pediu algo um tanto curioso.

—Parem de brigar. -disse calmamente os fitando, do nada os dois a escutaram e levantaram o olhar pra ela, assim também fizeram Hanna e Chelsea. — Por favor parem...brigas não são elegantes. -completou e os olhares dos castores ficaram mais vivos nela.

Depois de um tempo se encarando num silencio sepulcral, o castor macho andou até a garota de cabelos ruivos, ela involuntariamente deu alguns passos pra trás, mas logo parou quando viu o que o pequeno animal fazia. O castor se curvava de forma elegante, como um cavalheiro cumprimenta uma dama.

Chelsea e Hanna sorriram ainda mais quando o castor fêmea deu um leve tapa na cabeça do outro que ainda estava em posição de cumprimento. Ela fingiu que tinha um vestido e fez menção de segurar nas bordas "dele”, as cumprimentando como uma verdadeira dama.

—Permita-me nos apresentar. — o castor macho se endireitou, assim como sua esposa que estava ao seu lado. — Sou o Sr. Castor, e essa é minha esposa, a Sra. Castor.

As três garotas analisaram a frase do animal, e Chelsea foi a primeira a se pronunciar depois disso.

—Quanta criatividade. — a loira disse sorrindo pois realmente achara engraçado, enquanto reproduzia o mesmo cumprimento da Sra. Castor. — Prazer, me chamo Chelsea Landsteiner’s.

—Muito prazer senhorita. — o castor disse de modo sedutor e sua esposa lhe dera outro tapa na cabeça. As três forasteiras tapavam as bocas no intuito de não mostrarem que riam, mas a tentativa fora falha, qualquer um que as visse de longe diria que estavam praticando tal ação da mesma forma.

Ainda com a mão na cabeça no lugar da pequena pancada o castor juntamente com sua companheira viraram para a única menina que não havia se pronunciado em momento algum, uma garota de cabelos negros e pele muito clara, com olhos mel, que lembravam uma princesa de conto de fadas. A Branca de Neve. Mas ela estava longe de ser uma princesa, não que ela não se portava com uma, nada disso, ela estava longe de ser alguém da realeza pois assim como as outras se tornara uma fugitiva. Que fugia não só de guerras ou pessoas más, mas também de toda dor que aquilo causava.

— Ah sim...- começou a judia um pouco hesitante, tirou um pouco de terra do seu vestido ortodoxo e logo os cumprimentou. — Hanna Frender. — disse seu nome em alto e bom som e os castores se olharam, depois olhando rapidamente para Katheryne que os olhava engraçado, por um momento eles ficaram um tanto desconfiados, mas isso sumiu quando a menina abriu a boca.

— Meu nome é Katheryne Darwin. — os cumprimentou de forma mais rápida do que as outras duas e não tirava seu sorriso dos lábios. — Muito prazer Sr. Castor...hum... desculpe atrapalhar a discussão de vocês, mas é que...tenho algumas perguntas.

Hanna e Chelsea a olharam imediatamente e finalmente tomaram coragem para falar algo realmente direcionado a outra, já que desde que estavam ali não trocaram uma só palavra, nem apresentar-se diretamente uma a outra fizeram, sabiam os nomes por conta da apresentação a castores falantes que acabara de acontecer. Soava absurdamente insano.

—Isso, eu também tenho algumas. — Hanna disse timidamente olhando para Katheryne, a mostrando que concordava com a atitude que ela tomara.

—Que tipos de perguntas? — a Sra. Castor questionou curiosa e instantaneamente lembrou-se da forma como os descendentes de Adão e Eva chegaram a aquele local. Também cheios de questionamentos, a forma como tiveram que se esconder com a ajuda deles das tropas da Rainha de Gelo, a forma o tenebroso inverno prevalecia de forma bruta por todo o País. — Minhas jovens.... Vocês não são daqui são? — questionou as analisando de novo, apesar de suas roupas serem antigas, e possivelmente parecidas com vestes de alguns Narnianos, o jeito que as meninas tinham dizia totalmente o contrário.

—Sou da Alemanha nazista de Adolf Hitler. — Chelsea disse com um nó na garganta pouco se importando se os animais sabiam ou não quem era o tirano na suástica ou cruz quebrada. Aquele símbolo...jamais esqueceria dele.

—Também vim da Alemanha nazista, mas sou nascida em Jerusalém. — Frender se pronunciou recordando tudo o que havia passado nos últimos meses, tudo vinha em flashes rápidos em sua mente.

—Nazista? — Katheryne questionou um tanto confusa para as outras duas que imediatamente olharam pra ela.

—Sim...não sabe o que é nazismo? — respondeu e lhe lançara outra pergunta logo em seguida, dali e diante esqueceram que também estavam na presença de castores.

—Não, eu não sei. — confessou Darwin começando a perceber que havia alguma coisa errada. Ou era burra demais ou algo completamente desconhecido acontecia, algo além de estarem num lugar que nem sabiam aonde mesmo ficava. Onde começava e onde terminava.

—De que planeta é você? O mundo sabe quem é Hitler, e sabe o que ele faz com as pessoas que são suas irmãs perante o Criador. — Hanna disse um tanto incomodada ao ter que falar de Hitler de uma forma tão natural, mas o fato de Katheryne não saber da existência de Hitler a estava assustando.

—Isso tudo está bastante confuso! — a ruiva levou levemente as mãos à cabeça e olhou pros castores relembrando enfim que eles estavam ali.

— Vocês sabem quem é Hitler? — perguntou aos animais que negaram com a cabeça imediatamente. — Está vendo? Eles também não sabem quem é Hitler!

—Se você não notou eles são castores, e esse lugar é estranho, eu mesma vim parar aqui do nada. — Hanna disse um tanto impaciente, efeito da loucura que aquilo tudo estava se transformando.

—Adolf Hitler é um tirano que governa a Alemanha e influencia outras partes do mundo com uma ideologia de que somente a raça ariana, ou seja, uma raça de sangue puro branco, mereça viver. Negros, homossexuais, e ...- Chelsea pausou olhando de soslaio para Hanna que tinha a cabeça baixa mas ouvidos bem atentos. — Judeus ...são mortos de formas desumanas.

—Incluindo câmaras de gás. Mutilação...e tantas outras coisas, uma verdadeira carnificina. — Frender completou a frase da Alemã num tom baixo, mas que foi escutado por todos. Os castores continuavam em silencio as observando.

—Me admira você não conhece-lo.- Landsteiner’s disse arqueando uma sobrancelha. — De onde você é? — questionou curiosa, e logo uma dedução passou por sua cabeça, Chelsea era muito inteligente e a hipótese que ela levantava poderia ser louca mas talvez tivesse razão, a conclusão dependia da resposta de Katheryne.

—Londres, Inglaterra. — disse simplesmente.

—Que século?

— Obviamente Século XV, estamos em guerra, a Guerra das Duas Rosas. — a inglesa respondeu como se a pergunta da outra fosse tola, e sorriu de leve com isso.

—Não Katheryne...vivemos no século XX. — Frender a olhou um tanto assustada e logo a inglesa retribui o seu olhar, e antes que alguma das três fizessem mais perguntas ouviram soar a voz do castor e toda atenção caiu sobre ele, agora sério.

—Obviamente vocês são de séculos diferentes…curioso.

—Chega! — Chelsea disse de repente e abaixou ficando mais próxima do casal e castores que tinham uma cara de pensamento, e que pareciam saber mais do que elas mesmas. — Que lugar é esse? Por que vocês falam? Por que aqui há criaturas estranhas por aí? Isso é o céu?

—Por que acha que aqui é o céu? — a Sra. Castor questionou um pouco confusa e bastante curiosa.

—Porque eu tinha pulado de um penhasco enquanto era perseguida, eu esperava o impacto com a água e quando abri os olhos estava aqui. — respondeu irritada levantando-se e andando de um lado pro outro.

Os castores comentariam algo mas logo a judia falou.

—E eu.... Eu estava numa câmara de gás, pronta para a morte mas quando fechei os olhos e os abri estava nessa floresta, todas essas arvores, esse céu diante de mim! — disse respirando com dificuldade, tudo estava confuso, tudo era estranho.

Somente Katheryne havia ficado em silencio.

—E você criança.... Como veio parar aqui?

—Eu…-ela hesitou, era muita informação em um só momento. — Eu estava prestes a ser atingida por uma bomba. E o resto, bom, vocês já sabem, fechei os olhos e....-disse deixando a frase no ar o encarando, seus olhos marejaram assim como os das outras ao lembrarem da situação sofrida pela qual passaram antes de estar ali.

Os Castores sorriram como se esperassem que elas dissessem aquilo. E sem mais delongas deram as boas-vindas. -Bem vindos a Nárnia.

—Nárnia? — Chelsea questionou sem mais nem menos, esperando uma resposta de um dos castores, mas uma voz grossa respondeu atrás de si, de Hanna e também de Katheryne, o ser só era visível pelos castores que tinham ficado numa posição contraria das garotas.

—Nárnia, terras do Grande Leão majestoso filho do Imperador Além-Mar. Terras do Rei Caspian, e terras principalmente dos Filhos de Adão e das Filhas de Eva. — assim as três se viraram encontrando algo extraordinário, mesmo que uma delas já os tenha vistos, pareciam bem mais intimidantes de perto. Todos estavam com arco e flecha nas costas, seus cabelos eram sedosos e radiantes, principalmente quando algum raio solar conseguia passar pelas brechas, no topo das árvores. Estavam diante de centauros.

—Senhoritas, recebemos a notícia de que havia visitantes no país. — o dono da voz continuou.

— Aslan está a espera. — o Castor deduziu.

“E aí aconteceu uma coisa muito engraçada. As crianças não tinham ouvido falar de Aslan, mas no momento em que o castor pronunciou o nome, esse nome, todos se sentiram diferentes. Talvez isso já tenha acontecido a você em sonho, quando alguém lhe diz qualquer coisa que você não entende, mas que, no sonho, parece ter um profundo significado- o qual pode transformar o sonho em pesadelo ou em algo maravilhoso, tão maravilhoso que você gostaria de Sonhar a mesma coisa sempre.”

***

Edmund estava saindo dos estábulos com um cavalo branco em rédeas, um criado terminava de o cumprimentar e logo adentrou seu local de trabalho para cuidar dos cavalos reais. Susan praticava arco e flechas numa área do pátio, onde em todas as suas tentativas acertavam devidamente o centro do alvo, e sempre que isso acontecia crianças que assistiam o feito aplaudiam e gritavam de admiração que tinham de Susan A Gentil.

Caspian por sua vez estava dando ordens a centauros que sairiam pela floresta por conta de um reforçada sentinela, Peter conversava com algumas garotas das que vira quando logo chegou ali, e Lucy por fim conversava com um dos faunos que tocaram flauta minutos antes para as crianças que agora assistiam Susan.

Estavam felizes por estarem em casa, por estarem junto ao seu povo, a pessoas que amavam. Quando Edmund começou a galopar no animal seguindo em direção aos bosques ao lado de Cair Paravel, os portões se abriram, fazendo o mesmo frear o animal e olhar assim como todos os outros, incluindo os reis.

As trombetas soaram revelando centauros e algo curioso aos olhos da multidão, principalmente dos reis. Uma garota ruiva, uma loira e uma morena adentravam o castelo escoltadas pelos homens cavalos que galopavam num tom elegante. As três olhavam tudo ao seu redor e se sentiam um pouco envergonhadas por serem observadas por tantas pessoas de uma só vez.

Aslan de repente apareceu nas portas do castelo, seu olhar direcionado as três que já tinham o visto e estavam em pavor por ver um leão a espera delas. Tudo estava em silencio, Lucy, Peter, Caspian e Susan uniam as sobrancelhas em confusão enquanto Edmundo arqueava a sobrancelha em desconfiança. Logo desceu de sua montaria e juntava-se aos outros que estavam juntos instantaneamente em alinhamento perfeito, dando passagem aos que entravam.

As mãos de Katheryne suavam, as pernas de Hannah tremiam, e Chelsea engolia em seco quando pararam finalmente em frente ao leão, com aqueles olhos dourados, e elas se perguntavam por que diabos os outros a estavam olhando e não estavam nem um pouco incomodados com a presença de um animal selvagem enorme ali.

O leão rugiu de repente causando um susto nas forasteiras e outra ação completamente diferente com o resto da multidão, todos se curvaram, assim como os Pevensie e Caspian, mas estes ainda tinham as cabeças inclinadas analisando-as sem menor pudor.

O Grande Leão caminhou para bem próximo das outras, que as mesmas podiam sentir o calor emanado do seu pelo dourado, e a justiça em seus olhos flamejantes.

—Sejam Bem Vindas a Cair Parável. — o leão falou e elas apesar de nervosas não conseguiram desviar o olhar nenhuma só vez. — Sou Aslan...estava a sua espera.

Quando completou a frase toda a multidão pôs-se a criar murmúrios, os outros reis de Nárnia se olharam e imediatamente levantaram, fazendo com que as visitantes os olhassem, era a primeira de muitas vezes que olhares se cruzavam.

Continua...

Notas finais
Ps: o CONTINUA aparecerá quando houver parte 1 e parte 2 de um capítulo. :)