Open Up Your Eyes
5 Capítulo 5: Arcos,Flechas,Baile e Thomas.
Notas iniciais
"Nenhuma alta sabedoria pode ser atingida sem uma dose de sacrifício."
—As Cronicas de Nárnia.
Estavam as três damas de pé, numa linha extremamente reta, uma ao lado da outra, captando com seus olhos a mesma imagem. Todas olhavam concentradas para um ponto fixo naquele local, estavam na sala de treinamentos. Hannah, Chelsea e Susan olhavam atentamente para o alvo aonde almejavam cravar as flechas que tinham entre os dedos, indicador e médio.
Posicionaram-se corretamente para lançar a flecha. Seus corpos ficaram perpendiculares ao alvo e a linha de tiro – o que significa que, se você desenhou uma linha imaginária entre você o alvo, esta linha deve passar entre as suas pernas. Como os olhos dominantes das três era o direito, seguraram o arco com a mão esquerda, viraram o seu ombro esquerdo para o alvo, e seguraram a flecha e a corda com a mão direita – se o seu olho dominante for o esquerdo, faça o contrário.
Por instrução de Susan afastaram ligeiramente os pés, de modo que seus dois pés formaram uma linha reta apontando para o alvo já citado. Enquanto a postura, Hannah, Chelsea e principalmente Susan, mantinham-se retas e relaxadas. Susan Pevensie havia explicado que a posição correta de um arqueiro é formar um “T” com o tronco e ombros, pois os músculos das costas são usados para puxar a flecha até o ponto de ancoragem.
— Apontem o arco para o chão e encaixe a haste da flecha na rabeira da corda. Por favor, prendam a parte posterior da flecha à corda do arco com o nock, o nock é um pequeno componente de plástico com um pequeno orifício que tem como finalidade prender a flecha à corda. – Susan esclareceu calmamente sorrindo um pouco ao ver a concentração das duas garotas ao seu lado.
— Respirem fundo. –Susan disse calmamente. – Mais devagar Hannah. – Susan advertiu a Judia enquanto tinha um sorriso brincalhão do canto dos lábios. – Devagar... – disse mais uma vez enquanto Frender já conseguia controlar a respiração, Chelsea riu brevemente da situação.
— Okay, concentração. – a alemã disse em voz alta, fazendo com que a Pevensie ali presente concordasse com sua fala e a observasse ainda em posição adequada para um arqueiro.
— Prontas? – Susan perguntou e as outras duas fizeram sinal positivo com a cabeça. – Levantem e posicionem o seu arco. – falou enquanto seguia também suas próprias instruções. – Preparar. Mirar... Atirem! – a Pevensie completou em tom firme e sorrindo de canto no mesmo momento em que soltaram as flechas. A flecha de Susan foi certeira, exatamente no meio do alvo, a de Chelsea fincou na borda do alvo principal, e a de Hannah atingiu um manequim de madeira utilizado para treinos em lutas de espada no lado esquerdo da sala.
— Muito bom Chelsea! – Caspian exclamou adentrando a sala. – Hannah... Eeh... – Caspian pigarreou e todos, até mesmo Hannah gargalharam.
— Acho que arco e flechas não é o meu fetiche. – a Judia disse ainda entre risos retirando a flecha do manequim e a entregando a Susan, que também já recolhia as flechas do alvo.
Logo em seguida alguns passos foram ouvidos no grande corredor que se localizava em frente à sala de treinamentos e Katheryne, Lucy e Peter não tardaram a aparecer.
— Então, como estão? – o loiro Pevensie questionou entusiasmado e todos sorriram o que contagiou Peter e as outras duas que chegaram há pouco.
— Bom, a Chelsea foi esplêndida com arco e fecha já a minha pessoa... – Frender um tanto irônica e um tanto divertida, respondeu e Susan balançou a cabeça sorrindo de leve com a afirmação.
— Talvez se saia melhor na cavalgaria. – Chelsea disse. – A propósito, como se saiu Darwin? – Completou agora se dirigindo a ruiva que tinha um sorriso largo nos lábios, sorriso que se alargou ainda mais com a sua pergunta.
— Digamos que fui bem, estar com Hades foi maravilhoso! – Katheryne disse vibrante e Peter e Lucy concordaram, e os demais ficaram instantaneamente admirados.
— Foi bem? – Lucy perguntou incrédula o que causou repentina estranheza dos outros. – Você é uma amazona nata! – Lucy corrigiu sua frase com um brilho nos olhos, o que causou certa curiosidade aos outros que ali estavam.
— Amazona nata? Hades? – Susan perguntou delicada e um tanto confusa com a declaração de todos.
— Acho que perdemos algo. – Chelsea deduziu sorrindo minimamente.
Antes que alguém que estivera no campo pudesse explicar a sintonia que havia ocorrido entre Katheryne e o cavalo negro Hades, um dos criados do castelo bateu a porta e com permissão adentrou o local informando que o almoço seria servido.
— Acho melhor tomarmos um belo banho e compartilhar as novidades no almoço, o que acham? – Lucy indagou e todos concordaram unanimemente enquanto se dirigiam a seus aposentos.
Apesar de não terem dito uma palavra naquele momento depois da sugestão de Lucy eles estavam se sentindo bem, entre amigos, mesmo que tenham se conhecido há pouco tempo pareciam que se conheciam há décadas ou séculos, não pela quantidade de novidades que tenham contado, ou até mesmo segredos – até porque isso ainda não havia acontecido, mas a simples simpatia que existia entre si era algo fora do normal, se sentiam em casa. Hannah, Chelsea e Katheryne tiveram a certeza que nunca tiveram tanta paz como estavam obtendo naquele novo mundo, naquele novo lar chamado Nárnia.
****
Já era fim de tarde, todos haviam almoçado e compartilhado o que havia acontecido na parte da manhã. Susan, Chelsea e Hannah ficaram maravilhadas com o depoimento de Peter e Lucy referente à entrega de Hades a Katheryne logo no primeiro encontro de ambos, Caspian e os Pevensie no fundo estavam bastante curiosos com o fato, eles conheciam Hades e sabia que aquilo era incomum vindo do animal. Talvez Aslan pudesse fornecê-los alguma informação que lhes desse um motivo mais plausível para o fenômeno.
Até então, desde a chegada das forasteiras ninguém havia visto o grande e imponente leão, a maioria já estava acostumada com essas ausências de Aslan, até porque o mesmo apesar de ser filho do Imperador de Além Mar – que geralmente vive nos bosques de Nárnia, ele não é um animal domesticado, todos que o conhecia já sabiam dessa curiosidade sobre o mesmo.
Hannah, Chelsea e Katheryne estavam ansiosas para vê-lo novamente, mas sabiam que esse desejo poderia se tornar um pouco demorado. No primeiro instante sabiam que Aslan era um animal fora do comum, ficaram obviamente um pouco assustadas por ser um animal selvagem, mas no fundo com apenas a presença dele ali, elas assim como todos que o conhecia se sentiram diferentes. Estar perto de Aslan é como ter a certeza de que algo bom estar por vir, é ter a sensação de que seu peito está em chamas como se houvesse o sentimento mais puro pulsando com toda veracidade dentro de si, é como sentir a justiça percorrendo por todas as suas veias, é como encontrar a paz em algo que nunca viu, é ter a sensação da verdade personificada e ter a certeza que o amor existiu e sempre existirá.
O sol estava se pondo, os quatro irmãos Pevensie haviam se dispersado pelo reino, misturando-se com os camponeses que já conheciam e que tinham certa amizade, haveria uma festa naquela noite e todo o vilarejo em frente a Cair Paravel estava movimentado. Grandes mesas eram enfeitadas com flores de todos os tipos, guloseimas de todos os sabores já eram depositadas em seus devidos lugares para que mais tarde um banquete fosse servido, velas eram acesas dentro de lamparinas de vidro aonde iluminariam o local, cadeiras e mesas da realeza eram postas em lugares estratégicos para que houvesse espaço onde os convidados – todos os moradores do vilarejo, que com certeza realizariam a típica dança narniana durante as festividades.
A festa era uma espécie de boas-vindas aos seus reis que retornaram depois de um longo tempo distantes, e também para fornecer a hospitalidade as garotas que haviam chegado há pouco tempo naquele país. Katheryne, assim como Hannah e Chelsea se encontravam atônitas observando toda a movimentação e ansiosas para se divertir juntamente com seus novos amigos, seus olhos percorriam todo o lugar enquanto estavam de pé nas escadarias do castelo. Elas se ofereceram para ajudar, mas nenhum rei e nenhum camponês queriam as incomodar, informaram que elas eram hospedes e sugeriram que descansassem até que tudo começasse, mas com toda aquela ansiedade ficava fora de cogitação qualquer distanciamento de tudo aquilo.
— Então, o que estão achando disso? Digo, estar em Narnia...– a ruiva questionou com os olhos brilhando, e as outras duas sorriram.
— Eu estou achando tudo isso fantástico, acho que o Criador tem um propósito em nossas vidas. – Hannah falou com fé nas palavras que proferiu e Chelsea um tanto descrente soltou um risinho. – O que foi? – a morena questionou calmamente e Katheryne também se pôs a aguardar uma resposta da garota Landsteiner’s.
— Você fala como se um Criador realmente existisse, acha mesmo que depois de tudo isso que vivemos nessas últimas horas que de fato existe um Criador? – a loira perguntou um tanto curiosa com a resposta da Judia. – Estamos vivendo magia Hannah, MAGIA. – completou um tanto sorridente e Katheryne sorriu minimamente, um sorriso de compreensão.
— Eu acho que a Hannah tem razão Chelsea, é algo que foge na nossa lógica, mas que pode ser proporcionado por um Deus. – Katheryne disse e Hannah ficou feliz com o seu apoio. – Não notou quando chegamos perto de Aslan? Eu me senti estranha... De um jeito bom, mas estranha.
— Eu também me senti assim, foi como se eu tivesse encontrado o que eu sempre procurei. – Hannah concordou tocando as mãos que Chelsea. –Há algo maravilhoso acontecendo aqui Chel. – completou apelidando a loira e a mesma sorriu, mas hesitou.
— Tudo bem, vamos mudar de assunto. – Chelsea disse de repente andando em direção as portas do castelo, demonstrando que não queria mais falar sobre aquilo. Apesar de não ter sido arrogante, a judia e a britânica entenderam perfeitamente, mas permaneceram no mesmo lugar voltando a observar a arrumação. – Vão ficar aí? – Chelsea perguntou de um jeito divertido e as outras duas a olharam imediatamente deixando se contagiar com o seu novo humor.
— E para onde iríamos? – a ruiva novamente perguntou curiosa.
— Oras, nos arrumar. Ou acham que vamos ficar assim? – Susan Pevensie respondeu por Chelsea enquanto se aproximava das demais com Lucy ao seu lado.
— Exatamente! – Lucy exclamou entrelaçando seus braços com um de Chelsea e outro de Katheryne o que as fizeram sorrir. – A Srta. Griffiths e a sua ajudante fizeram vestidos maravilhosos! – a garota completou referindo-se a costureira e outra garota com quem havia falado mais cedo.
— E onde estão? – Hannah Frender perguntou incrédula, e ao mesmo tempo vibrante.
— Sigam-nos! – Susan disse de forma amistosa e assim adentraram o castelo animadas com aquele baile medieval. Não precisaram dizer, mas pressentiram que aquela noite seria inesquecível.
***
Arquelândia, Terras ao Sul de Nárnia.
Como todos os Narnianos, Telmarinos, Carlomanos, entre outros povos já sabem, Arquelândia é um país situado ao sul de Nárnia, o mesmo tem a sua capital no Castelo de Anvard, que é recluso ao norte do país –nas montanhas, e ao sul banhado pelo rio Flecha Sinuosa que demarca a fronteira da Carlomânia e da Arquelândia – assim também delimitado pelo Grande Deserto.
O país tem uma geografia montanhosa, uma flora diversificada – mas de qualquer forma a flora não costuma germinar unidas, formando bosques ou florestas como no país de Nárnia, ela costuma aparecer numa grande área verde e aberta, espalhada por todos os cantos. A nação agora é aliada ao trono dos filhos de Adão e Eva, e a sua população é composta por seres humanos, ao contrário de Narnia que tem a maior parte de habitantes compostas por animais falantes e criaturas mágicas.
Pelo calendário narniano Arquelândia foi construída no ano de 180 pelo príncipe Col, filho do rei Franco V, mas o país assim como Narnia não tivera apenas um rei, o governo monárquico de Arquelândia também recebeu a passagem dos seguintes reis: Aravis uma Tarcaína na Carlomânia mas casou-se com o rei Cor e se tornou rainha, logo foi a mãe de Aries o Grande. Aries o Grande Rei da Arquelândia, filho de Cor e Aravis como já citado anteriormente. Col o Primeiro rei da Arquelândia, filho de Franco V. Também o Rei Cor, filho do rei Luna que fora criado como filho de um pescador calormano mas descobriu ser filho de um rei na sua aventura ao fugir da Carlomânia. Luna, Rei da Arquelândia, pai dos príncipes Cor e Corin, e por fim, Naim Rei da Arquelândia. Quando Caspian descobre que Miraz queria a sua morte, Doutor Cornelius aconselha Caspian a fugir até a corte dele.
Arquelândia atualmente está sob regência do herdeiro bastardo de Cor, o príncipe Thomas um jovem de pele clara, cabelos e olhos castanhos , com personalidade excêntrica, mas com um enorme coração. Thomas não tem mais a companhia de sua mãe (uma camponesa), nem a de seu pai, já que os mesmos partiram há muito tempo. Thomas foi descoberto pelo seu meio irmão Aries O Grande, um pouco antes do mesmo vir a falecer, apesar de nunca terem se conhecido Aries prezava a família e havia deixado claro para a corte que após seus últimos dias, Thomas teria direito ao trono, e assim seu desejo foi realizado. Mesmo tendo consigo apenas a presença de seus criados e serventes leais ao rei Cor, Thomas não deixou que seu coração se amargurasse por certa solidão, ele continuava sonhador, a procura de um amor verdadeiro, sonho esse que ele sabia estar distante, já que mesmo tendo pessoas fieis a sua família, os servos da corte deixavam bem claro que seu casamento seria feito com o propósito de trazer o melhor para o reino, como prometeram ao rei Aries antes de sua partida.
Thomas estava agora numa grande sala de paredes claras, chão numa cor que beirava um rosa claro e com um teto repleto de anjos esculpidos na sua estrutura de mármore, aquela sala dava vista ao Rio Flecha Sinuosa ao qual tomas observava enquanto seus dedos de forma delicada e tênue percorriam por todas as teclas do piano a sua frente. O pôr do sol acontecia naquele instante e o rapaz o admirava. Quando o príncipe finalmente se acomodara no assento em frente ao instrumento, seus dedos agiram de forma diferente, numa forma compassada passaram a reproduzir uma bela melodia com o piano, melodia essa que o fez fechar os olhos e se deixar devanear com aquele som que lhe acalmava e ao mesmo tempo lhe levava para perto de sua saudosa mãe, sim ele tocava uma das músicas que ela lhe cantava antes de dormir e continuou um bom tempo desta forma.
— Alteza? – então de repente uma outra voz adentrava a sala de forma divertida fazendo com que a música tocada por Thomas cessasse. Era uma voz feminina que pertencia a uma bela jovem de pele pálida, olhos castanhos e cabelos negros, que beirava os dezessete anos de idade, seu nome era Margareth e ela era também perdidamente apaixonada pelo rapaz a sua frente.
— Para que tanta formalidade Margie–Thomas perguntou de forma terna, virando-se para a mesma e sorrindo logo que reconheceu a sua voz. O príncipe a conhecia, já que a mesma era uma das criadas daquele enorme palácio, e desde que fora parar ali, Thomas a tivera como uma inseparável amiga. Amiga. – essa palavra fazia aquela menina ter dor até nos ossos, sim seu amor não era correspondido.
— Estão convocando o senhor para uma caminhada perto do Rio Flecha sinuosa. – Margareth respondeu chegando mais perto de seu amado o abraçando, o mesmo a retribuiu mas não sentia o que ela sentia, sequer ele sabia da existência do amor da moça por si.
— Sabe que se a Madame Berthe pegar você irá moê-la como um porco. – Thomas disse sorrindo se referindo a governanta da corte, separando-se do abraço voltando a se sentar aonde estava antes.
— Não precisa me lembrar que sou uma criada e nem me comparar com um porco Thomas Albert. – a moça lhe respondeu rolando os olhos enquanto tinha um sorriso torto nos lábios. – Jura que irá recusar o meu pedido? – ela completou com uma sobrancelha arqueada.
— Não quero trazer problemas para você e nem para mim. Madame Berthe irá ficar brava com você, e meu conselheiro irá me repreender... – pausou por um instante. – Imagina, ele acha que nós temos um romance. – gargalhou levemente enquanto completava a frase. Isso fez com que o coração de Margareth se fizesse em pedaços, seu rosto instantaneamente corou e o sentiu arder enquanto uma súbita vontade de chorar lhe preenchesse. Ouvir aquelas palavras em meio a um riso inocente de Thomas, mas ainda assim um riso, era como enfiar várias espadas em seu peito.
— Não é ridículo? – ela questionou com um sorriso amarelo e um nó se formando em sua garganta. Seu olhos estavam cheios de lágrimas, mas Thomas não percebera pois voltava a tocar depois de ter concordado com a última pergunta da mesma. – Bom, vou voltar ao meus afazeres, até mais alteza. – Margareth se despediu e na última palavra daquela frase sua voz vacilou e finalmente as lágrimas desabaram de seus olhos, a essa altura Thomas já não a ouvia direito, já que a música alta do piano voltava a preencher o local.
Margareth Patel estava despedaçada, e aquela não era a única fez a qual Thomas a feria inconscientemente, ela queria contar o que sentia, mas o medo de o perder por um todo era maior do que sua coragem de declarar o seu amor, assim ela sofria em silencio, esperando que um dia ele retribuísse esse sentimento. Mas a jovem não sabia que teria que correr contra o tempo, pois a coroação de Thomas era urgente e ele necessitava de uma rainha, e a mesma já havia sido escolhida pela corte para o Jovem Príncipe.
— Alteza. – mais uma vez a música cessava no grande salão aonde Thomas se encontrava, dessa vez Alfred, o conselheiro real andava até o jovem com uma expressão vitoriosa. Alfred era baixo, um pouco acima do peso, pele clara e tinha cabelos grisalhos. – Desculpe interrompe-lo senhor, mas tenho boas novas. – disse tendo completa atenção de Thomas.
— Diga meu amigo. – o outro lhe respondeu com um sorriso ansioso.
— A corte do Castelo de Anvard tem se comunicado com a Corte de Cair Paravel, e conseguimos contato diretamente com o Grande Rei Peter o Magnifico. – respondeu com alegria na voz.
— Narnia? O que Narnia tem a ver com boas novas Alfred? – Thomas perguntou curioso já que reconhecera o nome de um dos grandes governantes do outro País citado.
— Bom, o Rei Peter não concordou de imediato com nossa proposta, já que não é de costume ser realizada essa proposta em sua família... mas, aceitou nos receber em seu Castelo já que nos unimos no passado para salvar os povos. – o conselheiro dizia com calma enquanto o príncipe ainda o observava confuso.
— Bom Alteza, aonde eu quero chegar é: o Rei Peter de Narnia aceitou receber o Príncipe Thomas e uma pequena parte de sua corte nas dependências de Cair Paravel por uma temporada.
— Mas afinal que proposta seria essa?
— Matrimonio.
—Mas com quem? Sabe que não sou de acordo com esse tipo de união.
— Com uma das irmãs dele.
— Quem seria? – Thomas já perguntava mais confuso do que já estava.
— Lucy Pevensie.
— Mas não é mais jovem dos filhos de Adão e Eva? Aonde estava com a cabeça ao propor esse casamento?
— No seu povo alteza... a Rainha Lucy não é mais uma criança e Arquelândia necessita de um rei e uma rainha, prometi isso ao Rei Aries. – com essa frase Thomas bufou e caminhou até uma das janelas observando o céu que já recebia a presença das primeiras estrelas da noite.
— Mas se Peter não aceitou o que iremos fazer lá Alfred? – o jovem questionou um tanto frustrado.
— Peter não aceitou pois acha que isso seria “comercializar” sua própria irmã, e pelo o que eu entendi pensa como o senhor, acha que todos os reis devem se casar por amor. – o conselheiro disse rolando os olhos o que fez Thomas sorrir minimamente. – Mas pense comigo alteza, o Rei Peter pode não ter aceitado a proposta, mas indiretamente lhe dá uma chance de conhecer a jovem Destemida.
— Está querendo que eu conquiste a Rainha Lucy? – Thomas perguntou com deboche acompanhando o raciocínio de seu amigo. – Desculpe Alfred, mas não acha que isso “trairia” o voto de hospedagem de Peter e dos outros reis?
— Claro que não, você não irá forçar a Rainha a nada em momento nenhum... – pausou agora olhando o jovem de um jeito paterno. – me ouça, não quer casar por amor? – indagou e Thomas concordou. – Então, essa seria uma chance de conhecer a rainha Lucy, se gostar dela e esse sentimento for recíproco teremos uma oportunidade única de fazer aliança com um país tão cobiçado, juntos a Nárnia seremos mais fortes, digo isso pelas diversas áreas que serão beneficiadas, desde as financeiras até as áreas de batalhas.
— Eu não sei... – o príncipe hesitou mais uma vez.
— Eu prometo Príncipe Thomas, que não obrigarei o senhor nem a rainha Lucy a nenhum ato insano. Apenas de uma chance a essa oportunidade, o Rei Cor ficaria orgulhoso ao vê-lo casado com o sangue nobre narniano.
Por um instante Thomas observou o céu agora mais estrelado em completo silencio, ele estava confuso com o rumo que as coisas tinham tomado de um jeito avassalador. Olhando os pontos de luz lembrou de uma lenda a qual os mais antigos diziam que todos os reis e rainhas que existiram se tornavam estrelas, imediatamente lembrou-se de seu pai e de seu irmão.
— Dá a sua palavra que não irá interferir em nada? – o jovem de cabelos castanhos perguntou e Alfred caminhou até ele parando ao seu lado e o encarando em seguida.
— Sim alteza, dou a minha palavra como a mão do futuro rei que não farei nada que possa interferir na sua vontade, enquanto estivermos em Cair Paravel.
— Então prepare a escolta, amanhã nós iremos a Nárnia.
Thomas deu o seu veredito final fixando seus olhos novamente nas estrelas que por um instante tiveram um brilho diferente, de uma forma mais intensa, e após ter pronunciado aquelas palavras teve a sensação de que algo maravilhoso o aguardava.
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