Ooops!... I Did It Again
3 Rose
Notas iniciais

POV — Scorpius Malfoy
As aulas não poderiam estar mais chatas, sério. O dia quase se arrastou e a única coisa que não fez com que eu dormisse em todas as aulas foi o fato de estar com a história da aposta na cabeça, àquela altura eu já começava a questionar se tinho sido uma boa ideia fazer aquela aposta envolvendo a Weasley. Não que eu tivesse algum afeto por ela — óbvio que não — mas eu achava difícil partir o coração dela quando ela partia o coração de todo mundo, a boa notícia é que isso também se aplica a mim.
O sinal indicando o fim da aula finalmente tocou as 16:00, e Alvo não parava de reclamar que estava com fome, mas eu não estava muito diferente, então concordei em ir até a cozinha com ele.
– Aaah, essas tortinhas de creme — ele diz e lambe os lábios de forma dramática.
– Cara, a comida ta ai e não vai fugir, relaxa — digo rindo e ele dá de ombros voltando a comer tudo o que via pela frente, sinceramente, ele tinha que agradecer muito ao quadribol que não deixava ele ficar obeso.
– Putcha qui paliu — ele disse com a boca entupida o que eu achei ser puta que pariu.
– Tudo bem? — perguntei com as sobrancelhas arqueadas, ele negou com a cabeça e pegou a mochila do chão saindo correndo da cozinha.
– Obrigada! — gritei para os elfos e corri atrás dele até o Salão Comunal da Sonserina — Alvo! Qual o problema, cara?!
– Eu tenho que estar na biblioteca em três minutos! — ele grita jogando todo o conteúdo da mochila em cima da cama e pegando o livro de poções, pergaminhos, pena e tinteiro.
– Ah — digo começando a compreender — Você tinha esquecido da priminha Weasley?
– Sim! Ela vai me matar — ele reclama.
– Antes de morrer, vê se aprende alguma coisa para me passar mais tarde, poção não é muito a minha praia — digo bufando e ele me encara.
– Por que você não vem junto?
– Ta maluco? Ela nunca me ajudaria e eu prefiro reprovar do que depender da Weasley para alguma coisa.
– Nossa cara, que mal humor, mas pensa bem, você precisa se aproximar dela se for continuar com a aposta e que maneira melhor de se aproximar do que pedindo ajuda em algo que ela é boa?
– Ah, sério? E no que ela não é boa, mesmo? — pergunto ironicamente e ele ri.
– Isso foi um elogio?
– Não, ela é tão irritante quanto sempre foi.
– Certo, certo, mas você vai ou não? Eu já devia estar lá — ele diz analisando o relógio de pulso com uma careta.
– Tudo bem, me dê um minuto — peço e pego as coisas que vou precisar e coloco numa mochila vazia.
– Vamos! — ele diz correndo Salão Comunal a fora, eu o sigo, porque tenho certeza de que a Weasley não vai ficar nem um pouco contente com os nossos dez minutos de atraso.
– Oi — diz Alvo arfante jogando a mochila em cima da mesa da Weasley.
– Você não tem um relógio? Já são quase 17:00 hrs! — diz emburrada.
– Desculpa, é que eu tava convencendo o Scorpius a vir comigo, ele tem mais dificuldade que eu e estava com medo do que você iria pensar — ele diz e ela olha para mim, me notando pela primeira vez, aceno e ela suspira.
– Tudo bem, eu posso ajudá-lo, desde que ele saiba que não é para fazer gracinhas e sim, estudar — ela diz calmamente, dou um passo a frente e concordo com a cabeça.
– Tudo bem — ela assente e indica a cadeira a sua frente para nos sentarmos.
– Tudo bem, vamos lá — ela suspira e abre o livro.
*****
Eu tinha que confessar, a Weasley era um gênio! Sem brincadeiras, em três horas e meia a garota me fez entender o que eu não entendi o ano passado todo! E ela fazia com que o assunto ficasse interessante, tanto que nem percebemos quando anoiteceu e nem quando perdemos o jantar.
– Podemos continuar amanhã ou semana que vem, vocês decidem — ela diz dando de ombros e guardando suas coisas.
– Amanhã! — digo ao mesmo tempo que Alvo diz semana que vem.
– Okay, posso ter mais aulas com você, porque acho que você está com mais dificuldade — ela sorri para mim como se fosse resolver tudo e não um sorriso extremamente sedutor, ela não precisava disso.
– Tudo bem — concordo.
– Alvo uma vez por semana, terça que vem espero que não se atrase — ela diz lhe lançando um olhar significativo e ele assente rapidamente — Malfoy, segunda, quarta e sexta — ela fiz e eu concordo — Terça eu ajudo o Alvo e quinta vocês tem treino de quadribol — fico surpreso que ela saiba disso, mas fico quieto.
– Eu vou dormir — diz Alvo abraçando Rose e se virando para mim.
– Eu vou passar na cozinha e comer alguma coisa.
– Beleza — ele concorda meio sonolento e sai dali.
Rose joga a mochila no ombro em silêncio e me encara.
– Bom, boa noite — ela diz e começa a ir em direção a porta.
– Espera! — peço pegando minha mochila — Você não quer ir até a cozinha comigo? Eu te fiz perder o jantar, você não deve comer desde o almoço.
Ela me encara como se me avaliasse por alguns segundos — Tudo bem.
Seguimos em silêncio até a cozinha e eu a observei trocar a mochila de ombro várias vezes.
– Deixa que eu carrego para você — digo estendendo a mão e ela me encara.
– Por que está tentando ser legal comigo? — pergunta confusa.
– Você foi legal comigo me ajudando hoje e por me ajudar nos próximos dias, só acho que eu deveria retribuir de alguma forma — e eu estava realmente falando sério, não era por causa na aposta ou coisa do tipo, só acho que tinha que retribuir o favor.
– Tudo bem — ela me entrega a mochila e eu faço uma careta.
– O que você guarda aqui, chumbo? — brinco e ela ri.
– Muitos livros.
– Chegamos — digo quanto paramos em frente ao quadro, ela faz cócegas na pêra e entramos.
– Olá srta Weasley — diz uma elfa sorridente — E... sr Malfoy?
– Longa história — diz Rose dando de ombros e sorrindo para ela — Como vai, Juno?
– Ah, bem srta — ela diz sorrindo — O mesmo de sempre?
– Sim, por favor — ela diz se sentando num banco e eu me sento ao seu lado.
– Ela parece gostar de você — digo indicando a elfa com a cabeça.
– Ela é um amor — ela diz olhando para elfa com carinho e admiração, reprimo a vontade de falar algo como "Você também".
– Parece que até os elfos sabem da nossa rincha — digo e ela balança a cabeça sorrindo.
– Eles sabem de tudo Sc... Malfoy — ela se concerta rapidamente.
– Imagino que sim,Rose — ela me encara com as sobrancelhas arqueadas e eu lhe lanço um olhar divertido.
– Okay — diz dando de ombros e se virando para elfa que vinha ao nosso encontro com dois pedaços de bolo de chocolate — Aah, Juno, você é um anjo!
– Imagina srta — ela diz nos entregando o bolo e pegando suco numa mesinha próxima.
– Obrigada — digo e ela sorri se afastando rapidamente.
Rose parecia nas nuvens com o bolo e eu reprimi a vontade de rir, ali ela não parecia a destruidora de corações Rose Weasley e sim uma garota normal.
Terminamos de comer e Juno vem até nós de novo.
– Boa noite — ela diz sorrindo.
– Boa noite, sra — diz Rose e os olhos dela brilham.
– Srta, não deveria me chamar de sra sempre — ela diz timidamente.
– Você é minha sra — diz Rose sorrindo e saindo dali antes que a elfa pudesse dizer mais alguma coisa.
– Ela não tem jeito — diz a elfa para mim e eu sorrio, saindo atrás de Rose.
– Você chama todos eles de sr e sra? — pergunto e ela assente.
– Sim, desde pequena, eles ficam malucos — ela fala rindo.
– Imagino.
– É só que... eu acho que eles merecem respeito como qualquer um, sabe? Eles fazem nossa comida, lavam nossas roupas e nem ganham por isso. E eu é que sou chamada de srta? Não me parece justo.
– É, não parece — concordo e sinto uma pitada de vergonha, nunca tinha pensado dessa maneira, mas eles mereciam mais respeito que nós, realmente — Acho que vou passar a cháma-los de sr e sra, também.
– Sério? — ela pergunta se virando para mim, os olhos brilhando.
– Sim.
Chegamos em frente ao Salão Comunal da Grifinória e eu lhe entrego sua mochila.
– Até amanhã — digo e ela assente.
– Mesmo horário — diz e sorri im pouco antes de entrar.
Fico parado ali por alguns segundos, pensando quão ferrado eu estava, se eu tivesse a sorte de fazê-la se apaixonar por mim, como teria coragem de quebrar seu coração agora que podia ver sua alma?
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