Ooops!... I Did It Again
5 Ombro amigo
Notas iniciais
POV — Rose Weasley
Fui para o meu Salão Comunal trocar de roupa e esperar por Scorpius, já que iríamos estudar ali hoje. Subo as escadas do meu dormitório pulando de dois em dois degraus e abro a porta, havia um envelope em cima da minha cama e eu o pego, era do meu pai, suspiro e o abro.
"Rose,
Como está querida? Está gostando das aulas? Ah, mas é claro que está, você é brilhante em absolutamente tudo o que faz, assim como a sua mãe... e ela é a causa para eu estar enviando esta carta.
Ela desmaiou de novo, não queria que eu contasse a você e seu irmão, mas acho que pelo menos você já tem idade de saber o que ta acontecendo.
Eu a levei no St Mungus e ela foi diagnosticada com câncer de mama, eu não sei direito o que isso significa, só sei que é a mesma doença que sua avó teve e que é grave, mas estamos esperançosos, sua avó conseguiu se curar, não foi? E sua mãe também irá!
Sinto muito pela notícia, querida, espero que isso não te afete tanto, mas achei que você precisava saber.
Com amor,
Papai."
Eu caio sentada na minha cama, olhando para a carta paralisada, sem saber muito bem o que fazer. Meu pai podia não saber direito o que era câncer de mama, mas eu tinha total certeza de que era uma das doenças trouxas mais graves e que matava.
O meu mundo parece desabar e as lágrimas escorrem pelo meu rosto antes que eu pudesse evitar.
POV — Scorpius Malfoy
Passo no meu dormitório correndo para trocar de roupa e deixar apenas o material de poções dentro da mochila — para ela não ficar tão pesada -, jogo a mochila sobre os ombros e saio em disparada em direção a cozinha.
Os elfos nem notam minha presença, ocupados demais em preparar o banquete do jantar. Vou até uma mesa e pego dois pacotes de biscoito, tortinhas de abóbora e creme, duas garrafinhas de suco de abóbora e, é claro, bolo de chocolate. Coloco tudo na mochila e verifico o relógio, eu tinha cinco minutos para chegar lá em cima antes de Rose tentar me matar ou azarar por chegar atrasado, aperto o passo tentando andar o mais rápido possível.
– Scorp! — grita alguém vindo do corredor oposto e eu paro dando um passo atrás, reviro os olhos ao ver Emily Clewater e volto a andar rapidamente na esperança de ela perceber o quão disposto eu estava a conversar com ela — Scorpius, espere! — ela diz correndo na minha direção e entrelaçando nossos braços — Você não me viu?
– Não — digo sem diminuir a velocidade dos passos e encará-la.
– E nem me ouviu? — ela perguntou confusa e eu revirei os olhos, me virando para ela.
– O que foi, Emily? Eu estou com pressa.
– Ah, tudo bem — ela diz sorrindo e dando de ombros — É só que, bom... nesse fim de semana vai ter o primeiro passeio a Hogsmeade e eu tava me perguntando se... você sabe... se você não queria ir comigo — ela disse corando e eu suspirei. Eu tinha transado com ela antes do fim do último ano letivo e desde então ela não saia do meu pé.
– Olha, Emily — comecei calmamente — Eu adoraria mas... eu já marquei com a galera do quadribol, vamos até a casa dos gritos e voltaremos mais cedo para treinar um pouco, sinto muito.
– Ah, que isso Scorp! Eu adoro aquela casa dos gritos e não acharia problema nenhum em ver o treino de vocês depois... eu também adoro quadribol, sabe?
– Sinto muito, Emily, mas vai ter que ficar para próxima, é um dia dos caras, sabe?
– Mas eu tenho certeza de que eles não vão se importar! — ela falou dando de ombros e alargando ainda mais o sorriso, bufei irritado.
– Emily, eu tenho que ir. Rose está me esperando — digo soltando nossos braços e o queixo dela cai.
– Rose... Weasley? — ela pergunta e eu assinto voltando a andar, e ela obviamente volta a me seguir — Mas... eu pensei que você odiasse aquela garota! Você sempre fala mal dela e ela feriu os sentimentos do meu irmão!
– Ela nunca prometeu nada ao seu irmão, e nem a nenhum dos caras com que ficou — digo revirando os olhos, me pergunto se os caras com que Rose transava ficavam atrás dela igual as meninas ficavam atrás de mim? Teria que perguntar mais tarde.
– Você está defendendo aquela vadia?! — ela quase grita e eu me viro para ela com o rosto vermelho de raiva.
– Nunca. Mais. Ouse. Falar. Assim. De. Rose — digo lentamente e ela dá um passo para trás chocada — E caso queira saber, ela é uma das garotas mais legais e inteligentes que eu já conheci — digo e volto a andar para o Salão Comunal dos Monitores.
*****
Cheguei em frente ao quadro que ela me indicara e peguei um papelzinho no meu bolso com a senha.
– Torta de Limão — disse e o quadro se afastou para que eu entrasse. Observei ao meu redor, tinha dois sofás grandes, algumas poltronas e uma mesinha de centro. A lareira estava apagada e uma das mesas de estudo — haviam duas — estava cheia de pergaminhos e penas. Nenhum sinal de Rose.
– Rose? — chamei indo em direção as escadas e subindo. Parei em frente a uma porta semi-aberta, a de frente parecia trancada, e bati algumas vezes a abrindo — Rose — digo surpreso e largo a mochila ali na porta andando até ela rapidamente, ela estava encolhida com a cabeça apoiada nos joelhos e uma carta na mão.
– Desculpa, eu esqueci que você vinha — ela disse esfregando o rosto para afastar as lágrimas — Eu vou... só me de um minuto... eu vou... — e começou a chorar novamente, fiz uma careta e me sentei ao seu lado no chão, com as costas apoiadas na cama.
– Podemos deixar a aula para outro dia, o que está acontecendo? — pergunto calmamente e ela respira fundo, como se tivesse decidindo se me contaria ou não.
– Você não pode contar a ninguém — ela diz soluçando e eu assinto.
– Eu prometo — ela me entrega o papel em sua mão e volta a esconder o rosto.
Leio a carta o mais calmamente possível, sem entender muito bem o que significava, mas ao que parece a mãe de Rose estava doente e pela forma que ela reagia não era nenhum resfriado. Deixo a carta de lado e me viro para a ruiva.
– Rose, o quão séria é a doença? — pergunto e ela me encara com os olhos vermelhos.
– Ela pode morrer, Scorpius, minha mãe... ela... ela pode morrer — fecho os olhos com força e a puxo para perto, ela pareceu assustada com o ato, mas logo se agarrou a minha blusa e começou a chorar compulsivamente.
Eu não disse nada. O que poderia dizer? Apenas fiquei ali a abraçando até que sua respiração voltou a ficar controlada e ela parou de chorar. Não dissemos nada por algum tempo, nem sequer nos movemos.
– Ninguém sabe — ela disse num sussurro se afastando de mim.
– Eu sou um túmulo — disse e ela assentiu e então fez uma careta.
– Eu deixei sua blusa encharcada, me desculpe — disse meio constrangida e eu sorri.
– Não tem problema. Ah! Adivinha só o que tem naquela bolsa? — disse apontando para mochila para tentar animá-la — Várias coisas gostosas, que tenho certeza que te deixarão mais feliz.
Ela sorriu, funcionou.
– Tudo bem, por que você não desce e ascende a lareira? Eu vou trocar de roupa e podemos fazer o dever de casa de poções.
– Não vou mesmo conseguir me livrar disso, certo? — pergunto com uma careta e ela nega com a cabeça com um sorriso maroto brincando nos lábios. Não achei que fosse ficar tão aliviado por vê-la sorrir, mas fiquei. Pego a mochila do chão e me viro para sair.
– Scorpius — ela chama e eu me viro — É assim que é? Ter um coração partido?
– Eu não sei, nunca aconteceu comigo — digo sentindo minhas pernas ficarem bambas.
– Nem eu, até agora, eu acho — ela diz e eu assinto e fecho a porta atrás de mim.
Sinto meu estômago revirar e penso que poderia vomitar a qualquer momento. Eu teria que parar com essa aproximação natural que estava ocorrendo entre nós, se não ela não seria a única com um coração partido no fim do ano.
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