Notas iniciais
Demorou, demorou, mas saiu :) Espero que gostem! Prometo postar com frequência daqui pra frente. Boa leitura!

"Katherine?"

Abri os olhos lentamente... Era difícil discernir onde eu estava, o que eu fazia ou quem estava falando comigo. Uma semana antes eu estava na minha casa, dormindo longas horas e sendo acordada pela luz do sol entrando pela janela... Não uma voz.

Lembrei que estava na faculdade. De que havia chegado na madrugada e encontrado o garoto mais lindo que eu já tinha visto na vida.

"Katherine?"

Recuperando completamente a consciência, me sentei na cama. Esfreguei os olhos e olhei para a garota que segurava a porta do quarto aberta. Cabelos negros, olhos de mesma cor. Ela sorria levemente, tentando parecer educada — para ignorar o fato de que estava me acordando.

"Eu, sim, sou eu." Resmunguei, fazendo o maior esforço para abrir meus olhos completamente.

"Desculpe te acordar, eu..." Entrou no quarto, sorridente. "Eu sou Ally, estou no 01. Tem um garoto aqui querendo falar com você. Eu disse que você estava dormindo, mas ele insistiu. Disse que se chama Adam."

"Ah, sem problema." Respondi, rapidamente passando as mãos pelos meus cabelos. "Diz pra ele entrar. Obrigada, Ally."

Ela piscou e, deixando a porta aberta, sumiu. Olhei em volta e lembrei que eu estava com tanto sono que havia ignorado meu dever de vestir pijamas. Vi também minhas malas, ainda fechadas, espalhadas pelo quarto.

Eu estava na república a algumas horas, mas parecia que haviam se passado séculos.

O garoto ridiculamente lindo que conheci na madrugada entrou no meu quarto. Ele usava hoje, uma calça jeans e um suéter cinza. No antebraço, cruzado em sua barriga, carregava um casaco preto forrado de lã.

Seus olhos azuis brilhantes me encontraram e ele sorriu imediatamente.

"Você realmente acabou de acordar?"

"É." Murmurei, esfregando os olhos mais uma vez.

"Você dormiu com essa roupa?" Perguntou, se aproximando da cama enquanto encarava o meu quarto.

"Eu te disse que estava podre." Respondi, levantando da cama. Em pé, foquei meus olhos nos azuis de Adam. "O que você quer aqui a essa hora da manhã?"

"São três da tarde." Ele disse, rindo. Se aproximou até estar na minha frente, parado. Inclinei a cabeça para continuar olhando em seus olhos, e ele disse mais: "Eu vim trazer as suas luvas. Aquelas que você tirou ontem pra me ensinar a tocar guitarra."

Adam tirou do bolso esquerdo de sua calça, um par de luvas marrons. As que deixei no sofá.

"Obrigada." Sorri, pegando as luvas de sua mão e jogando-as sobre minha cama. "E sério, três da tarde?"

"Só Deus sabe que hora você iria acordar se não fosse por mim." Piscou, fazendo meu coração derreter. "Uma curiosidade..."

Adam deu um passo em minha direção. Meu corpo inteiro estremeceu. Havia anos desde que um garoto havia se aproximado de mim daquela maneira.

Durou um segundo — ele subiu de joelhos na minha cama e se inclinou até a veneziana da única janela do quarto, abrindo a cortina. Uma claridade insuportável invadiu o quarto e eu imediatamente escondi meus olhos com meu braço direito.

"Cuidado, Drácula." A voz risonha de Adam me fez sorrir. "Aquela é a janela do meu quarto."

Me aproximei, subindo um joelho na cama e segurando o ombro de Adam para me apoiar. Exatamente reto, em frente a minha janela, havia outra. Nossas paredes eram separadas pela área de entrada do prédio, o que nos distanciava em uns seis metros apenas.

"Podemos nos comunicar por bilhetes agora." Ele virou para mim brevemente, sorrindo.

"Vou estar ocupada, estudando." Pisquei, me afastando e voltando a ficar em pé no quarto.

"De qualquer maneira, a real razão pela qual eu vim..." Adam fez o mesmo e, em pé, parou de frente pra mim. Enfiou a mão por baixo do casaco que estava dobrado sobre seu braço e puxou, surpreendendo-me, um sanduíche. "Foi pra te dar isso e te convidar pra sair."

"Eu te conheço faz umas dez horas e você já quer me chamar pra sair?" Eu pego o sanduíche embalado em saco plástico e o observo atentamente.

"Não pra um encontro..." Ele sorri largamente, como se tivesse gostado do que eu disse. "Quero que você conheça uns amigos. Vai gostar deles."

"Agora?" Perguntei.

"Sim. É na esquina, logo no fim da quadra. Eles estão nos esperando." Deu dois tapas no meu ombro, sorridente. "Você pode comer no caminho."

Dei dois passos para trás. Distância nunca é demais.

"Me dê cinco minutos pra eu me arrumar." Pedi.

"Nah" Resmungou imediatamente, fazendo um gesto de 'deixa-pra-lá' com a mão. "Você está ótima assim. Só pega o casaco.”

Por dentro, eu me derreti. Por fora, dei de ombros, juntei o casaco que eu jogara no chão na noite anterior e me atraquei naquele sanduíche.

"Dormiu bem?"

"Olha a hora que eu acordei." Comentei assim que saímos porta afora. "Segura aqui."

Adam segurou o sanduíche comido pela metade enquanto eu vestia meu casaco.

"Isso quer dizer que você dormiu bem ou mal?"

Eu o encarei ironicamente e recebi um sorriso debochado de volta.

"Bem. Muito bem." Expliquei, pegando o sanduíche da mão dele.

"Que ótimo." Falou.

Saímos pelo corredor e descemos as escadas até o primeiro andar. Quando percebi, já estávamos na calçada do lado de fora da república. Foi tudo em silêncio porque nesses poucos minutos, eu terminei o sanduíche.

"Você vai conhecer a Mariana e o Patrick agora." Disse, chamando minha atenção. "Eles se gostam, mas não namoram. Mariana finge que não quer. Só Deus sabe porquê."

"Não acredito." Falei, batendo minhas mãos para me livrar de migalhas. "Só se vive uma vez! A vida é muito curta pra não aproveitar."

"Eu sei!" Concordou, sorrindo. "Pra você ter uma ideia, eles estão juntos agora, nos esperando."

Franzi o cenho.

"Porque antes estavam tomando sorvete. E provavelmente se pegando." Riu debochadamente e eu o acompanhei. "Bom, os dois estão indo pro segundo ano, como eu. Patrick faz Civil e Mariana Belas Artes."

"Uma desenhista." Pensei em voz alta. "Já me apaixonei."

"Ela é incrível." Diz Adam, o que me chama a atenção. Será que ele disse pra esses amigos que eu sou incrível, também? "Ah, e o melhor de tudo, ela é alta como você. Talvez maior."

"Sério?!" Abri a boca em espanto. "Eu amo a Inglaterra!"

Adam riu. Eu também, claro: o encarei enquanto o fazia e percebi que talvez não devesse fazê-lo, senão aquele garoto acharia que estava apaixonada por ele em menos de vinte e quatro horas de convivência. Talvez eu estivesse, pois olhava pra ele já assim.

"Desde quando você toca guitarra?" Ele continuou a puxar assunto naturalmente, sem tirar os olhos de mim.

Ahh... Sua voz... Seu rosto...

Aqueles olhos incrivelmente azuis que percorriam todo o meu rosto, esperando por uma resposta, me fizeram esquecer completamente qualquer coisa que estivesse acontecendo ao meu redor.

Olhei para os meus pés que caminhavam automaticamente e olhei em volta, vendo o clima seco e o céu cinza de Londres. Não tinha quase ninguém na rua.

Lembrei de Adam e olhei pra ele, que ainda me encarava com expectativa.

"Katherine?"

Eu pensei "o quê?", e franzi o cenho... Até que lembrei — de novo — que ele havia me feito uma pergunta.

"Ah, sim, desde que eu tinha... oito anos, acho." Contei, vendo seu sorriso se formar.

"Uau." Sorrindo, continuou: "Fez aula desde cedo?"

"Meu pai..." Engoli em seco. "Me ensinou."

Eu nunca gostei de falar dele, principalmente naquele momento.

"Ele..."

"Podemos mudar de assunto?" Perguntei, encarando-o com um sorriso amarelo.

Adam abriu a boca pra falar, mas gaguejou. Eu percebi imediatamente o quão constrangido ele se sentiu pelo meu pedido, mas eu não conseguia pensar em outra forma de fazê-lo parar de puxar papo sobre algo que me machucava tanto.

"Desculpe. Eu..." Ele finalmente balbucia palavras, ainda confuso, como se pensasse cuidadosamente no que dizer. "Eu... Olha, eles estão ali."

Termina a palavra em um sorriso e aponta com a cabeça para nossa frente. A três metros de distância, em uma das várias mesas sobre a calçada da esquina, havia um garoto e uma garota. Deduzi que fossem os amigos de quem falava.

Ele abanou e a garota levantou de sua cadeira, sorridente. Ela tinha cabelos loiro-escuros, um pouco mais claros da metade pra baixo — aparentemente natural. Se aproximou rapidamente e vi que seus olhos eram de um castanho esverdeado. Ela sorria de maneira animada, e o que me chamou atenção no momento foi uma pinta em sua bochecha.

Abraçou Adam e, ao vir em minha direção, percebi que ela era maior do que eu.

"Katherine!" Disse, sem perder o sorriso. "Adam contou que você chegou a algumas horas... Eu sou Nádia Maria Mariana Bender."

"É um prazer..." Comecei, já sem lembrar seu nome inteiro.

"Me chame de Mariana." Ela me interrompeu. "Eu só disse meu nome inteiro pra que você não fique chocada se ouvir qualquer outro dia."

Eu dei risada e Mariana me acompanhou. Ela me abraçou rapidamente e retribuí. Quando ela se distanciou, veio um garoto pouco maior que ela. Supus que era o tal Patrick, e eu estava certa.

Olhos azuis opacos, cabelo loiro ralinho, recém-raspado. Sorriso maravilhoso. Me abraçou também, e só depois se apresentou:

"Sou Patrick. Razão da vida do Adam." Disse, o que o fez levar um tapa no ombro. "E não é verdade?"

"É sim!" Adam exclamou, agarrando Patrick pela cintura e o erguendo para cima rapidamente.

"Enquanto eles se agarram..." Mariana apareceu por trás de mim, segurando meus ombros e empurrando-me para a frente. "Vamos conversar!"

Em poucos segundos, eu percebi que aquela garota era alto astral.

"Engenharia, então..." Ela disse, me acompanhando até a mesa onde ela e Patrick sentavam pouco antes. Sentamos de frente uma para a outra. "Eu não diria..."

"Todo mundo diz isso." Confessei, sorrindo levemente. "Eu realmente faria algo mais de humanas se eu achasse que teria futuro."

"Tipo Belas Artes?" Riu debochadamente. "Porque é o meu curso e, Katherine, eu não faço a mínima ideia do que fazer da vida depois..."

Eu ri, e antes que pudesse falar mais alguma coisa, Adam e Patrick chegaram: o loiro que não sabe tocar guitarra sentou ao lado de Mariana e Patrick do meu lado, os dois de frente um para o outro.

"Você vai na festa do Steve hoje?"

Eu demorei algum tempinho pra perceber que Patrick havia feito uma pergunta para mim. Eu o encarei e acabei por gaguejar já que não fazia a mínima ideia do que estava falando.

"Eu acho que ela não sabe..." Adam disse, alternando o olhar entre mim e ele.

"Não é possível. Você sempre comunica todo mundo." Mariana exclamou, fingindo estar horrorizada. "Vocês conversaram de alguma forma? Estavam se pegando?"

Se pegando?

Em um centésimo, a cena passou por minha mente. Adam era gostoso pra caramba e só de imaginar suas mãos e braços fortes me segurando e me alisando... Ah... Eu não consegui resistir, e por isso, eu respondi — compulsivamente:

"Infelizmente, não."

Imediatamente olhei para baixo. Meus olhos pararam na madeira da mesa e senti meu rosto se ruborizando. Por que eu havia dito aquilo? O que havia de errado comigo? Me senti traída por mim mesma. Eu queria me socar.

Meus desejos secretos deveriam continuar secretos. Aquelas duas palavras deveriam permanecer na minha mente... E na minha mente apenas.

"Oh, eu amo sinceridade." Mariana disparou, gargalhando.

Tomei coragem para erguer meus olhos e vi que todos estavam rindo. Eu encarei Adam rapidamente, esperando obter uma reação. Ele ria — expondo seus dentes perfeitos pra mim. Me encarava atentamente, e assim que percebeu meu olhar sobre o dele, piscou.

Eu não vi errado. Adam piscou. Não havia maneira que eu pudesse me enganar, afinal, ver aqueles olhos azuis brilhantes sendo cobertos por um centésimo que seja, chamava muita atenção.

Meu coração literalmente falhou uma batida. Ele piscou pra mim. Quer dizer que ele também pensou nisso? Se não, estaria pensando naquele momento? Se não, estaria cogitando a possibilidade de pensar nisso mais tarde?

Me enchi de esperança. Se apenas uma piscada me fez faltar o ar, imaginei rapidamente como eu me sentiria com seu corpo contra o meu...

"Eu apenas ajudei com as malas." Adam rompeu o silêncio, encarando seus amigos.

"Na verdade..." O interrompi antes que falasse mais. "Eu cheguei de madrugada e ele estava assassinando uma das minhas músicas favoritas na guitarra."

"Guitarra?!" Patrick riu debochadamente. "Você deveria processá-lo. Chegando cansada de um vôo longo, viagem de táxi e fazendo força com sua bagagem, ainda tem de lidar com a barulheira desse garoto?!"

"Eu deveria, sim." Ri também.

"Eu achei que você tivesse desistido de torturar as pessoas com os grunhidos que você faz com os dedos, Adam." Mariana disse, encarando-o com um olhar e um sorriso debochados cheios de expectativa para irritá-lo.

"Eu não faço isso em público, não mais." Revirou os olhos enquanto contava. "Por isso cheguei dois dias antes e toquei em um horário reservado... Eu não podia imaginar que a guitarrista profissional chegaria bem na hora..."

"Graças a mim você viu como se faz." Eu disse, convencida, cruzando os braços e me escorando pra trás na cadeira.

"Pois é. Ensinou mesmo." Ele sorriu, arqueando uma sobrancelha.

"Isso é um código pra sexo?" Patrick perguntou, franzindo o cenho.

"Espera, ela literalmente pegou sua guitarra e te ensinou a tocar?" Mariana abriu a boca em espanto. "Isso aí, você arrasa garota!"

Ela se levantou rapidamente e inclinou-se pela mesa, oferecendo-me sua mão. Sem hesitar, me inclinei também e batemos nossas palmas em um incrível bate-aqui londrino.

"Adam nos contou muitas coisas." Patrick disse. "Que você veio de Sydney, que veio fazer Mecânica, que você é linda, mas esqueceu de mencionar a qualidade principal: mestre da guitarra."

Linda? Quer dizer que ele realmente esteve pensando em mim.

"Ok, chega." Adam diz, abanando suas mãos em nossa frente. "Como chegamos aqui? Estávamos falando de outra coisa... Festa no Steve."

Ele ficou envergonhado. Eu dei risada, sem nem disfarçar.

"Ele está com vergonha." Disse Mariana, segurando a bochecha do garoto, que a encarou feio. "Festa no Steve, então!"

"Me atualize!" Eu falei, já que estava completamente boiando no assunto.

"Ok, Steve é tipo uma patricinha milionária, metida e mimada... Só que homem." Mariana começou a gesticular, olhando direto pra mim. "Ele é super popular, super gato..."

"Ei..." Patrick resmungou.

Ela deu de ombros.

"E todos os anos, neste dia, vinte e um de janeiro, dois dias antes do início das aulas, ele dá uma festa gigante pra receber os calouros..."

"A festa, por sinal, é na mansão dele." Patrick adicionou.

"Mansão? Mas aqui é a faculdade..." Resmunguei.

"Pois então, quem quer que tenha dito que o dinheiro não compra tudo, estava errado. Steve tem a porra de uma mansão no campus." Mariana explicou animadamente enquanto sorria. "A família dele é a maior investidora daqui, então..."

"Assim faz mais sentido." Falei, assentindo.

"É bem épico, na verdade." Patrick mencionou. "Eu quero ver como Adam vai lidar com a festa esse ano."

Eu ergui uma sobrancelha — não estava entendo nada — e vi Adam se encolher na sua cadeira após soltar um alto suspiro.

"Oh, verdade." Mariana me encarou com expectativa enquanto falava. "Nos dois anos anteriores ele estava namorando. É traumatizado."

"Como um cachorriinho preso na coleira." Patrick adicionou, rindo debochadamente.

Adam encarou seu amigo como se fosse matá-lo naquele instante.

"É a garota mais insuportável do planeta, Katherine." Mariana continuou, recebendo encaradas mortíferas de Adam — também. "Não sei bem porque o Adam namorou ela por tanto tempo... Talvez faça um boquete muito bom."

Adam instantâneamente ergueu a mão e deu um tapa atrás da cabeça de Mariana — não pareceu ser muito fraco. A garota gemeu brevemente — por dor — e logo começou a gargalhar da reação que causou em seu amigo.

"Isso é verdade." Patrick afirmou e logo começou a rir também.

"Vocês nunca reclamaram dela até terminarmos." Adam disse, ainda fuzilando os dois com o olhar.

"Ai de nós se tivéssemos." Mariana comentou, olhando para o lado e fazendo cara feia. "Brincadeiras à parte, Katherine, a garota era legal até se tornar uma vadia completa."

"Ela não merece ouvir toda essa baboseira logo hoje." Ele voltou a falar, me encarando brevemente enquanto soltava um sorriso de canto, sendo simpático.

"Olha só quem está se..." Patrick interrompeu a si mesmo.

Os três de nós observamos o garoto que agora parecia atento, tateando os bolsos de sua calça militar. Logo puxou um celular — que vibrava — pondo fim ao mistério, e abriu a tampa do mesmo, fazendo sinal de "um" com a mão, indicando algo como ''um minuto''. Levantou-se da cadeira e deu alguns passos para longe de nossa mesa.

"Voltando ao assunto..." Mariana disse, sorrindo para mim. "O nome dela é Emily. Ela traiu ele."

'Quem trairia o Adam?' Foi a primeira coisa que passou pela minha cabeça. Por fora, apenas abri a boca em espanto e olhei para o tal garoto, que me encarou de volta com um sorriso sincero. Ele riu — de forma que me fez entender que não se sentia mal em falar disso.

"Com meu colega de quarto!" Disse, mantendo o sorriso.

"Oh, eu sinto muito." Falei, contendo um riso debochado.

"Olha a cara de deboche dela!" Mariana gritou, se debatendo na cadeira enquanto gargalhava.

"E-eu..." Gaguejei, colocando a mão em frente a boca para tapar meu sorriso. "Digo, seu colega de quarto?"

Os olhos azuis brilhantes de Adam fitaram meu rosto e seu sorriso se alargou. Aquele olhar, sobre mim... Oh... Senti meu coração acelerar.

"Ele era novo na faculdade e não sabia que ela namorava." O loiro respondeu, segurando o queixo enquanto me encarava. "Nos tornamos bons amigos depois, ele ainda é meu vizinho de quarto."

"É... Pelo menos isso é bom..." Falei, sorrindo sem mostrar os dentes.

"Você é muito empática." Adam disse, rindo logo após.

"Empática?!" Mariana exclamou, rindo também. "Então, Katherine, acabamos de aprender que nosso amigo Adam não sabe flertar."

"Eu não estava tentando flertar." Soltando o queixo e a pose fofa, se defendeu, revirando os olhos. Fitou sua amiga com raiva. "Eu sou ótimo nisso!"

"Ok..." Mariana pigarreou. "Se você diz."

"Não tenho que provar nada pra você." Retrucou, logo soltando um sorriso que me deixou aliviada ao perceber que era tudo uma brincadeira — ele não estava realmente irritado.

"Então, crianças..." Patrick disse, voltando e segurando a cadeira ao meu lado, onde antes sentava. "Temo que eu e você tenhamos que ir, colega."

Ele claramente se referia a Adam.

"Ir aonde?" Mariana se intrometeu.

"Steve precisa de ajuda pra descarregar um caminhão de bebidas." Respondeu, fitando sua quase namorada. "Desculpem, garotas."

"Droga, eu fiquei de encontrar minha colega quatro e meia da tarde." Mariana falou mais uma vez, suspirando. "Já está na hora, mas não quero deixar a Katherine sozinha. É rude!"

"E se..." Adam começou, alternando olhares entre mim e Mariana. "Nós levarmos a Katherine de volta pro apartamento dela..." Olhou para mim. "Você obviamente tem algumas malas pra desfazer." Olhou para Mariana. "E você busca a Katherine na hora da festa e a leva até lá."

"Não entendi bem..." Mariana resmungou.

"Eu e Patrick levamos a Katherine de volta pro ap dela agora." Adam repetiu logo depois de revirar os olhos. "Já vamos ficar no Steve até a hora da festa, que começa às sete. Até esse horário, a Katherine pode se arrumar e você vai até o prédio dela e pode levá-la a pé para a festa."

"Oh, ok." Ela finalmente entendeu, assentindo. "Perfeito por mim. Katherine, qual seu andar e ap?"

"Segundo, quarto 02."

"Eu passo lá pelas sete, ou sete e meia."

"Perfeito." Respondi, sorrindo.

"Nós realmente temos que ir agora." Patrick reafirmou, se aproximando de mim e sacudindo meus ombros. "Vamos, Katarina."

Ri pelo tal apelido e levantei. De um beijo na bochecha de Mariana, que checou seu relógio de pulso e disse um "Até mais" bem animado antes de sair correndo.

"Exatamente quanta bebida teremos de descarregar?" Adam questionou enquanto já caminhávamos lado a lado de volta para o apartamento.

"Steve disse que era um caminhão... Acho que vai ser bastante." Patrick respondeu. "Agora."

"Ah, Deus..." Adam suspirou passando a mão pelos cabelos. "Espero não estar tão cansado que não consiga aproveitar a festa depois..."

"Não sofra por antecipação." Patrick murmurou. "Katherine, você gosta de festas?"

"Hmm... Sim." Respondi, encarando os garotos que andavam ao meu lado.

"Ela fez 'hm', então acho que não tanto assim." Patrick disse, sorrindo largamente.

"Eu gosto, sim." Sorri também, logo mantendo o olhar nos meus pés que se moviam pela calçada. "Só faz um tempo desde que fui em uma."

"Sério?"

"É." Respondi, encarando Adam que estava logo ao meu lado. "Já vocês..."

"É a faculdade, sabe..." Adam disse, sorrindo. "Tem festas em todos os lugares, pelo menos toda semana. Então, se é algo que você gosta, não falta."

"Interessante." Comentei.

Ergui a cabeça e vi que nossa pequena caminhada parecera mais curta do que na ida. Estávamos em frente ao dormitório, o que resultou em nós três pararmos de caminhar. Parados, em frente ao prédio, os dois me encararam.

"Eu vejo vocês à noite, então..." Falei, sorrindo sem mostrar os dentes. "Obrigada pela 'carona'".

Os dois riram, mas Adam logo disse:

"Eu esqueci... Ahm... Uma coisa. No meu quarto, eu..." Gaguejou, coçando a nuca enquanto alternava o olhar entre Patrick e eu. "Então... Eu vou subir com você. Patrick, espera aqui? Eu não vou demorar."

Eu achei tudo aquilo muito estranho. Patrick abriu um sorriso malicioso enquanto encarava o amigo — que aparentemente esperava uma resposta.

"Ok, vá pegar o seu... sua coisa." Patrick disse, sorrindo mais ainda. "Seja lá o que for que você esqueceu. Eu espero."

Adam sorriu para mim e saiu caminhando. Subi a escadaria que levava à rampa de acesso ao prédio e o garoto me esperou. Andando lado a lado, ele fitou-me profundamente.

"O que você esqueceu?" Perguntei.

"Nada." Disse, virando a cabeça para frente.

"Hã?" Resmunguei, sem entender.

Passamos a porta de entrada do prédio (que estava aberta) e, logo no cômodo que dava acesso a sala de estar — onde eu o vi pela primeira vez na noite anterior — Adam segurou-me pelo ombro, fazendo com que eu parasse de caminhar.

Não havia ninguém por ali. Virou-me de frente para si e fitou-me. O encarei de volta, sem entender, mas esperei que disesse alguma coisa. Sua mão quente em meu ombro chamou minha atenção.

"Eu não esqueci nada aqui, eu só queria entrar pra falar com você... Sem o Patrick." Disse ele, calmamente. Sorriu de lado e logo continuou: "Eu só. Eu gostei de conhecer você e... Eu mal posso esperar pra te ver na festa hoje a noite."

Eu sorri.

"Aí vou poder aprender mais sobre você e..." Se aproximou, trazendo sua mão até minha bochecha, acariciando meu rosto. "Chegar mais perto de você."

Adam aproximou seu rosto do meu. Meu coração ardeu em chamas e começou a bater desesperadamente, como se quisesse que eu o puxasse para mais perto ainda imediatamente.

Os lábios quentinhos de Adam pousaram na minha bochecha direita, esquentando meu rosto por completo. Ele se afastou, sorridente — e que sorriso aquele. Eu sorri de volta e o garoto deu alguns passos para trás.

"Até mais." Disse, piscando.

Me deu as costas e saiu porta afora. Observei o garoto caminhando para longe, até a calçada e imaginei: como diabos ele podia ser tão lindo até de costas?

Coloquei a mão sobre a minha bochecha e pensei bem em seus olhos que poucos minutos antes estavam me encarando profundamente. Suspirei e mordi o lábio inferior pensando nas possibilidades que a festa me traria.

Eu iria beijá-lo. Muito. Na verdade mais do que isso. Enquanto subia a escada para o segundo andar — voltando para o iminente fato de que teria de desfazer minhas malas — imaginei como seria transar com Adam. Um garoto como ele certamente teria experiência e saberia bem como me agradar.

Diante de tudo aquilo, passei pela sala de estar da ala feminina e dei oi para a garota que me acordou pouco antes — ela era a única na sala. Entrei no quarto, fechei a porta e coloquei as duas mãos sobre meu rosto, tentando fazer com que eu parasse de pensar em Adam.

Eu mal podia esperar pela festa. Só que eu nunca imaginei que fosse ser bem diferente do que eu estava pensando.

Notas finais
Introduzi os personagens mais importantes neste capítulo. O que acharam? No próximo deveria ter hentai ou não? :D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.